Postando para o deserto 2
Luiz Carlos Pinto | 4 de março de 2010 22:24Do capítulo 5, em 5.3:
Nesse sentido, faz parte dessa mescla de concepções de mundo a idéia de propriedade compartilhada de informação, conhecimentos e culturas, o acervo imaterial e inapropriável de bens simbólicos, historicamente determinados, coletivamente gestados e universalmente disponíveis a todos os homens sobre a terra.
O que isso quer dizer? Que a constituição de uma condição de autonomia possível e de domínio e apropriação da produção social (sua contraparte formada pelo controle de sistemas complexos de informações, símbolos, relações sociais) permite a mobilização da parcela dos sem parcela para a afirmação de sua existência, de seus pertencimentos, de suas reivindicações e subjetividades. A prática da política nesses termos expressa-se como a escrita de um nome no céu, a arquitetura de um lugar numa ordem simbólica de poucos falantes, de poucos que exercitam e tomam parte das decisões políticas. No âmbito da excludente sociedade brasileira, de sua tradição política que prioriza o viés do privilégio, a escrita e a narratividade da realidade vivida tradicionalmente incorporaram aos registros da história o ponto de vista das camadas privilegiadas. Esse paradigma se encontra diante de múltiplas e vivas possibilidades da real democratização da prática política na sociedade.
Categories: Metareciclagem, Política, Tecnologia & Sociedade
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