Marcio Pochmann: ‘Ascensão da classe trabalhadora dá sinais de esgotamento’
Luiz Carlos Pinto | 17 de maio de 2012 13:56Por Piero Locatelli, na CartaCapital
Prestes a disputar a eleição municipal em Campinas, o economista Marcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), nega a existência de uma nova classe média no Brasil em seu novo livro A Nova Classe Média?, da Editora Boitempo.
Na obra, o economista defende a tese de que a mudança social dos últimos oito anos não resultou na criação de uma nova classe média no País. Segundo ele, os empregos gerados nos últimos anos criaram uma classe trabalhadora consumista, individualista e despolitizada.
Esse movimento de ascensão da classe trabalhadora, segundo Pochmann, apresenta sinais de esgotamento, e agora o governo deve buscar outras maneiras de gerar emprego.
O economista deve sair em breve do Ipea, onde está desde 2007, para concorrer à prefeitura de Campinas pelo PT. O livro será lançado no próximo dia 29, durante debate na sede da PUC, em São Paulo.
CartaCapital: O senhor fala que há um despreparo das instituições democráticas para canalizar os interesses da nova classe trabalhadora. Por quê?
Marcio Pochmann: Estamos observando uma despolitização nesta ascensão social no País. Ela vem envolvida nos valores do mercado, e não poderia ser diferente. Foi assim nos anos 70. Naquela época, havia uma ação mais direta das instituições, o que nós não estamos vendo hoje.
Há um despreparo das instituições para lidar com esse segmento que, possivelmente, liderará o processo político brasileiro. De alguma forma, esse segmento conduzirá a política brasileira. Seja pela direita, seja pela esquerda.
Os sindicatos, associações de bairro e partidos políticos estão observando esse avanço social que não se traduz em aumento das filiações nos sindicatos, nas associações de bairros, nos partidos políticos.
Veja que cerca de 1 milhão de jovens ingressaram na universidade através do Prouni. Isso é uma ascensão na universidade, mas se traduziu na ampliação e reforço do movimento estudantil? A gente não observa isso.
Acontece a mesma coisa em relação aos leitores. Houve um avanço de mais de 40 milhões de leitores no Brasil, mas a ampliação da mídia escrita não se traduziu nesse mesmo sentido.
CC: Há uma explicação para isso?
MP: As instituições democráticas não entenderam ainda o que tem sido essa mobilidade social. Como nós temos pouco conhecimento, não temos uma ação mais identificada. Os sindicatos acabam sendo mais defensores do passado que protagonistas do futuro porque não conseguem criar um diálogo com esse segmento. É um desafio evidente para todos nós.
CC: O senhor fala que a classe trabalhadora é consumista. Isso é necessariamente ruim?
MP: Não, é um movimento natural que ocorre quando você não tem a politização, consegue um emprego e tem a elevação da sua renda. Você entende como sendo resultado do seu esforço individual quando, na verdade, nós sabemos que a geração e a elevação da renda dependeram de um acordo político, de uma decisão política, de um resultado eleitoral.
Portanto, o que eu quero chamar a atenção é que essa manifestação que se observa de forma mais clara é natural do ponto de vista da individualidade de cada um. Mas se não vem acompanhada de um processo de conscientização, essa ascensão pode ao mesmo tempo retroagir ou ser encaminhada para uma visão de sociedade muito diferente da que levou a uma ascensão social recente.
CC: Porque as pessoas identificam a ascensão como resultado do próprio esforço individual…
MP: Esse é o papel da politização, até porque você percebe que as coisas foram feitas com esses segmentos. Eles são favoráveis ao crescimento, ao emprego e assim por diante. Mas na questão dos valores mais amplos da política, como pena de morte, eles majoritariamente estão atrelados a visões muito ultrapassadas.
CC: A maior parte dos empregos gerados foi com rendimento próximo a um salário mínimo. Como o governo pode gerar empregos com melhor remuneração?
MP: Primeiro quero dizer que foi muito bom ter gerado esses empregos acompanhados da formalização e do aumento do salário mínimo, tendo em vista o estoque de desempregados que nós tínhamos. Nos anos 2000 eram praticamente 12 milhões de pessoas desempregadas. Se o Brasil não gerasse esse tipo de oportunidade, se gerasse empregos de classe média, que exigem maior escolaridade, esse segmento que ascendeu não teria ascendido. Mas esse movimento está apresentando sinais de esgotamento. Porque a questão fundamental neste momento é a ampliação dos investimentos para aumentar a capacidade produtiva. E o aumento de investimento, novas fábricas, novos avanços da produção vêm acompanhados de inovação tecnológica, maior exigência de qualificação, maior demanda de trabalhadores com escolaridade, portanto maiores salários e ocupações melhores.
CC: No livro, o senhor diz que as pessoas que acenderam socialmente nos últimos anos não podem ser consideradas de uma nova classe média. Por quê?
MP: Uma classe média tem ocupações diferentes dessas que foram geradas. Se fossem vinculadas a bancários, professores ou dirigentes de empresas, possivelmente nós poderíamos associar isso a classe média, mas não foram essas ocupações que deram razão a essa mobilidade social.
No caso brasileiro, parcelas significativas das ocupações não são geradas pela indústria, mas sim por serviços. Por isso, entendemos que são novos segmentos no interior da classe trabalhadora. A classe média tradicionalmente tem uma estrutura muito diferente desses segmentos novos que surgiram no Brasil. Ela tem mais gastos com educação e com saúde. O peso da alimentação é muito menor do que o que se identifica nesse segmento de renda de até 1,5 ou 2 salários mínimos mensais.
Ao mesmo tempo, a classe média poupa, não gasta tudo que ganha. Nela, a elevação da renda não se traduz necessariamente na elevação do consumo. Especialmente porque os bens que mais têm sido dinamizados no país, como eletrodomésticos, são bens que a classe média já possui. Então a classe média poupa. E isso é uma diferença que nós não identificamos nos segmentos agora em ascensão.
A classe média tem ativos e patrimônio. São várias características que infelizmente nós não conseguimos observar nesses segmentos que estão ascendendo. E são segmentos que, ao nosso modo de ver, dizem respeito à classe trabalhadora, tal como foi o padrão de expansão do Brasil nesses últimos dez anos.
CC: Essas particularidades mudam, alguma forma o foco das políticas voltadas a essa parcela da população?
MP: Esse debate, de como se identifica essa ascensão social no Brasil, tem implicações evidentes no posicionamento do Estado brasileiro, das políticas públicas. Se nós identificarmos essa ascensão como um movimento vinculado à classe média, certamente o papel do Estado estaria ligado à difusão dos serviços privados, por intermédio de subsídios, como através do Imposto de Renda, que subsidia gastos do setor privado da classe média. Hoje é possível descontar despesas de educação, saúde e previdência privada. São interesses diferentes da classe trabalhadora, que são por bens públicos de interesse coletivo: saúde pública, educação pública, transporte público.
CC: Quando o senhor deve sair do Ipea para se dedicar à campanha?
MP: Essa é uma resposta que eu não tenho condições de dar. Até o 6 de julho, eu sei que tenho que sair inexoravelmente. O dia que eu vou sair depende da presidenta, estou aguardando o posicionamento dela.
CC: O senhor até hoje só tinha ocupado cargos técnicos e agora está tentando a sua primeira eleição. Por que tomou a decisão de ser candidato?
MP: Eu me considero um intelectual de perfil engajado. Foi a partir de uma conversa com o próprio presidente Lula, em que ele chamava atenção às mudanças que o Brasil estava passando no começo desse século. As mudanças são muito diferentes daquela que o Brasil estava passando nos anos 70, começo dos 80, quando o PT foi criado. Hoje temos um ciclo de lideranças que foram forjadas num Brasil que quase não existe mais. Existe uma necessidade de renovação do PT, especialmente quando o partido está no auge ainda.
E tem também, outro lado. Em geral, a prefeitura existe como um cargo com menor visibilidade quando se compara com o Executivo estadual e nacional. No caso do Brasil, uma federação, o exercício de um mandato na prefeitura é absolutamente fundamental. Quando se lança uma política pública, se fala da experiência em determinada localidade, para saber se dá certo, dá errado, de poder tornar um programa de abrangência nacional. Temos uma oportunidade de testar experiências inovadoras no ponto de vista da administração pública a partir da experiência local. Campinas é uma cidade que permite essa oportunidade de iniciar um ciclo de inovações em políticas públicas que são necessárias para o Brasil de hoje.
CC: O senhor foi indicado pelo presidente Lula, a exemplo do que aconteceu em São Paulo com o Fernando Haddad. Há setores do partido que se incomodam com essas decisões tomadas com base no desejo do ex-presidente.
MP: No meu caso, tive essa conversa com o presidente Lula e depois comecei uma conversação longa com os militantes, com o PT na cidade de Campinas e tanto assim que me submeti a uma prévia dentro do PT com outro candidato. Foi a prévia com a maior participação na cidade de Campinas e maior apoio a um candidato. Porque participei de um processo interno democrático, aprendi muito, gostei.
CC: Tem falado com o ex-presidente?
MP: Eu estive com ele há duas semanas e conversamos um pouco sobre esse período pós-prévia, organização da campanha. Ele manifestou desejo de apoiar da melhor forma que puder.
CC: A presidenta Dilma já disse como será a presença dela na campanha?
MP: Eu ainda não tive essa oportunidade. Estou esperando o momento oportuno para conversar com ela.
CC: Quais partidos vão fazer parte da aliança?
MP: Também não há definição. A gente ainda começa a ouvi-los, vai consultar vários partidos e fazer o balanço das oportunidades para partidos. E tem tempo para a definição até julho, na verdade.
CC: Campinas teve um prefeito cassado recentemente, Dr. Hélio (PDT). Haveria algum constrangimento em se aliar ao PDT?
MP: Não. Na verdade, eu imagino que a discussão nesse âmbito da prefeitura se deu no passado, embora isso seja um elemento a ser discutido. Se nós ficarmos discutindo o passado, não teremos respostas para o futuro. Quero ser um candidato do futuro, ter respostas para a sociedade. O passado serve só para a gente não repeti-lo nem cometer os mesmo erros.
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Nos últimos anos, uma série de leis que restringem as liberdades na Internet estão sendo decretadas de forma autoritária por governos em todo o mundo, desde o Hadopi na França, até as tentativas de aprovar o SOPA, PIPA e o ACTA nos EUA, e chegando na Lei Azeredo (conhecida como AI5-Digital) aqui no Brasil – que está em debate no nosso parlamento.
Buscando aprofundar as discussões sobre este contexto, a Expoidea vai promover um instigante debate chamado “Os Limites da liberdade e o vigilantismo na Rede: Marco Civil da Internet e Ciberativismo”.
Estarão na mesa os ciberativistas João Carlos Caribé e Raphael Tsavkko Garcia. O mediador deste debate serei eu.
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DATA E HORA: 13 de maio – domingo, às 16h.
LOCAL: Espaço Ideário – Shopping Paço Alfândega.
ENTRADA GRATUITA.
O Debate será transmitido AO VIVO via streaming, a partir das 16h.
Link: http://expoidea.com.br/2012/debates-ao-vivo/
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“there’s a bluebird in my heart that wants to get out”
Luiz Carlos Pinto | 7 de maio de 2012 16:00embedded by Embedded Video
(Vi no Entretenedor)
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Usar a semana do dia do trabalho como mote para se pensar nas crises mais recentes pelas quais o capitalismo vem passando ganhou um sentido renovado nos últimos anos. É difícil deixar de lembrar de Karl Marx, quando é justamente sua obra, construída com F. Engels, que vem dando contribuições para se entender de forma mais sofisticada o sistema produtivo hegemônico em particular e a sociedde moderna em geral. Não é casual a retomada dos estudos produzidos pelos alemães ou as novas abordagens e interpretações do materialismo histórico. Lembrei de fazer um registro aqui no blog amarelo porque hoje é a data do nascimento de KM.
O livro mais recente de Frederic Jameson (Representing `Capital` – A Reading of / Volume One) trata justamente do emprego e do Capital. Ou, mais especificamente, a obra afirma que O Capital é um livro sobre o desemprego. Sobre como o desemprego está vinculado de forma orgânica à dinâmica de acumulação e expensão que constitui a própria natureza do capitalismo. Ou seja, em detrimento da categoria política de dominação, é a exploração econômica que ganha destaque e a classe trabalhadora global de hoje emularia o proletariado do início da revolução industrial, por causa de sua precariedade e vulnerabilidade: seriam os “portadores de um novo tipo de miséria histórica e global”.
Essa leitura de Jameson tem um problema. Ela deixa passar os caminhos que a política, que as políticas, tomaram depois de 1945 incluindo-se aí a instauração do Estado de bem-estar social e a emergência de forças políticas e articulatórias para além das reivindicações de classe. Entre estes, os movimentos feministas, de igualdeade de direitos civis, LGBT, movimento verde, étnicos, etc. Também não considera o legado dos governos de esquerda na América Latina. Estes são fronts, processos e resultados de reação política aos ciclos de dominação econômica e exploração e, em certo sentido, não passam pela lupa de Jameson.
Houve tempo em que não faltavam vozes a afirmar que as pesquisas sobre o trabalho, a evolução do capital, as transformações das formas de produção; ou que os investimentos de ordem mais eminentemente filosóficos e metodológicos de Marx e de Engels haviam perdido o sentido. Não. Hoje, nós nos encontramos no mundo que ele previu, onde cada um vive de forma experimental e provisória, ainda que não deseje ou saiba, e onde a perspectiva da ruína pode ocorrer a qualquer momento. O sociólogo Anthony Guiddens tratou desse aspecto de ‘insegurança’ sob a categoria de ‘risco’ – embora de forma ainda mais ampla.
Se Marx errou sobre a capacidade de realização libertária do comunismo – a bem da verdade, mais por obra da burocracia estalinista do que por um caráter inerente da revolução russa e de seus pressupostos teóricos –, acertou em cheio sobre a capacidade destrutiva do capitalismo. Destruição da sua própria base social – o meio de vida da classe média – como mostrou o filósofo John Gray.
Como Gray comenta, Marx conseguiu prever a instabilidade que arrastaria as classes médias à condição de “existência precária dos sobrecarregados trabalhadores de sua época”. Marx e Engels foram suficientemente sensíveis para perceber, ainda no Manifesto Comunista, que com o capitalismo emergia uma nova relação da humanidade com a natureza, novas tecnologias, muitas mudanças na vida cotidiana, novos arranjos políticos institucionais e novas relações sociais. A certo momento, o capitalismo parecia expressar a própria condição da modernidade, de contínua atualização, de continua auto-destruição e re-criação.
Recentemente, entretanto, vem se fortalecendo a perspectiva de que o capitalismo fracassou – no sentido de que essa instabilidade abalou os próprios fundamentos do sistema. Algumas vozes vem articulado idéias nesse sentido, entre elas a o sociólogo David Harvey. Nesse sentido, o capitalismo teria entrado numa fase de cada vez mais destruição e cada vez menos criação. E é preciso salientar o forte componente de irracionalidade desse processo. No último livro do sociólogo inglês lançado no Brasil, O enigma do capital, Harvey lembra como em 2009, um terço dos bens de capital nos Estados Unidos permaneceu inativo ao mesmo tempo em que cerca de 17% da força de trabalho estava desempregada ou, involuntariamente, trabalhando em regimes de meio período.
Em certo sentido uma das expressões mais bem acabadas dessa irracionalidade é trio produzir, consumir, enriquecer. A lógica liberal mercadológica elevou a um patamar tal a relação com essas atividades que as relações entre os indivíduos passam a um segundo plano de importância. Somos acionados por coisas – objetos, serviços, um fantasma e a esse respeito me lembrei do show abaixo, no qual o rapper Tupac Shakur é ressucitado –, e convencidos da necessidade inelutável da busca exacerbada, contínua, aviltante por produzir, consumir e enriquecer. O sempre ter mais (pleonexía) era limitado no mundo grego e virou um trem descarrilhado com o liberalismo. Para um filósofo como Dany-Robert Dufour, a perda dos relatos fundadores e a liberação da pleonexía são marcos da irracionalidade atual. Em um livro chamado “L’individu qui vient…après le libéralisme” (O indivíduo que vem…depois do liberalismo), o filósofo advoga a necessidade de retomarmos o Marx filósofo, cujos trabalhos tratam das formas pelas quais os homens podem se realizar fora do circuito do mercado e de suas ilusões: no amor, no outro, do afeto, na arte, etc.
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Fico pensando que o trabalho também poderia ser uma plataforma de lançamento ao encontro do outro. E me parece que necessariamente precisa haver, para isso acontecer, um reordenamento da ação produtiva pra que ela não se restrinja ao fim puramente comercial. Ou seja, não se restrinja à tarefa de fazer viver, de sobreviver…
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Você se vê na TV? Palestra discute o papel das emissoras públicas
Luiz Carlos Pinto | 4 de maio de 2012 14:17Recebi o convite da qurida Guida Gomes:
São várias as dúvidas que existem acerca do funcionamento e do papel social das emissoras públicas de TV. No sentido de elucidar alguns pontos sobre o tema, será realizada neste sábado, 05, a Palestra TV Pública: a tv onde a gente se vê, evento que integra a Jornada do Aluno que Aprende. O encontro será às 9h na Unidade Recife da Faculdade Joaquim Nabuco.
Dentre as principais características das emissoras públicas está o propósito de, primeiro, incluir na sua programação, conteúdos que reflitam a cultura e a diversidade do país. São emissoras financiadas com verba ou subsídio do governo e que podem ter também verbas da publicidade, e são dirigidas por um conselho independente do governo, mas que presta contas ao público.
Em Pernambuco, tanto a TV Pernambuco, quanto a TV Universitária passam por adaptações, mudanças na programação e, para falar um pouco sobre a realidade dessas emissoras, estarão presentes na Palestra TV Pública: a tv onde a gente se vê, a Coordenadora de Programação e Produção da TV Pernambuco, Guida Gomes; e o jornalista e apresentador do Programa Opinião Pernambuco, da TV Universitária, Haymone Neto.
A Jornada do Aluno que Aprende ainda oferece outras atividades na manhã do sábado. Para ter acesso às palestras e oficinas é preciso levar um pacote de leite que será doado ao Grupo Viva Rachid, localizado no Recife. A inscrição deve ser realizada na assessoria de coordenação localizada no primeiro andar da Faculdade. O telefone para outras informações é o 2121.5999, ramal 4824.
Perfil dos palestrantes:
Guida Gomes – Jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Na TV Universitária apresentou e produziu o programa Conexão UFPE e Conexão Comunidade, foi também chefe de reportagem e editora chefe do Programa Nosso Jornal. Desde 2010 está na equipe de trabalho da TV Pernambuco, coordenando ações de programação e produção.
Haymone Neto – Jornalista diplomado pela Unicap (2007), Mestre em comunicação pela UFPE (2012). Passou pela redação do Jornal do Commercio e, desde 2009, atua no Núcleo de TV e Rádios Universitárias da UFPE. É produtor eum dos apresentadores do Opinião Pernambuco, programa de debates diário da TV Universitária (canal 11).
Link:
Confira a programação da Jornada do Aluno que Aprende.
Serviço:
Palestra TV Pública: a TV onde a gente se vê. (Integra a Jornada do Aluno que Aprende)
Sábado, 5 de maio, às 9h
Faculdade Joaquim Nabuco Recife. Av. Guararapes, Santo Antônio.
Inscrição: 1 pacote de leite em pó
Mais informações: 2121.5999, ramal 4824. (Faculdade Joaquim Nabuco Recife)
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Em torno da polêmica política cultural, por Gabriel Cohn
Luiz Carlos Pinto | 22 de abril de 2012 12:19Que algo não vai bem nas políticas da cultura é fora de dúvida. Nunca, desde o período Collor, a política oficial na área foi tão contestada, e por tantos lados. Surpreendentes lados, além do mais. Históricos e respeitáveis militantes petistas fazem críticas contundentes, enquanto figuras conhecidas no campo cultural se alinham a encarniçados conservadores na defesa de uma ministra do PT. Tentemos propor o problema de fundo numa perspectiva ampla, ainda que à custa de rodeios necessários.
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Alguma coisa não cheira bem no Recife (e não é a maré) #OcupeEstelita
Luiz Carlos Pinto | 17 de abril de 2012 19:14Há algo de melancólico numa cidade que não reage, como uma torcida que perdeu a fé. A articulação de forças, discursos, afetos e pessoas chamada Direitos Urbanos vem demonstrando, por um lado, que a forma como será desenhado o traçado na cidade do Recife não é e não pode ser um domínio privado do mercado – esse texto pontua bem esse aspecto, entre outros; por outro lado, e ainda que indiretamente, as reações a essa mobilização revelam o potencial reacionário latente de parte considerável da classe média branca, machista e bem (?) informada formadora de opinião. Essa última impressão ficou clara por ocasião do Ocupe Estelita, no último dia 12. As reações de oposição procuraram desqualificar o debate, expondo comodismos, intolerâncias, elitismos, incompreensão, irresponsabilidade no geral. No particular, onde o Diabo costuma aquecer o travesseiro, o que mais me chamou a atenção foi a reação dos jornais e dos jornalistas. Eu chego lá.
Essa desqualificação foi bem expressa nesse site e junto, o despreparo da autora do texto que (surpresa!) é colunista do blog do Noblat. Não vou perder tempo analisando e desconstruindo o texto, Bruno Nogueira já o fez bem – ademais a fraqueza da argumentação deveria nos fazer apontar noutra direção: procurar entender que o nível de aceitação que ele conseguiu auferir é um termômetro das dificuldades de análise da própria autora – claro –, mas sobretudo de como comodismos, intolerâncias, elitismos, incompreensão, irresponsabilidade no geral encontram terreno fértil para deitar raízes, crescer, florescer e dar frutos, apesar da lama e do cheiro da maré na Cidade Maurícia.
Parece-me que as preocupações do Grupo Direitos Urbanos se vincula a gestão de bens comuns; à busca de formas de gestão de recursos citadinos que se apóiem em modelos alternativos à lógica privatista; às contingências da política representativa; à organização e ação com relação unicamente a fins – não poderia ser outra, portanto, a composição do grupo e de suas “discussões, que rompem com as compartimentalizações nas quais o planejamento da cidade é forçado pela estrutura burocrática dos governos e nos dá a esperança de que dessa troca de idéias surjam boas soluções para os problemas da cidade”. Daí ser mais que esperado que o grupo seja “um lugar de intensa interdisciplinaridade, um lugar onde arquitetos e engenheiros conversam com sociólogos e filósofos e operadores do Direito interagem com artistas plásticos e cineastas”.
Um dos fronts da desqualificação do debate (um texto esclarecedor, aqui) colocado em pauta pelo grupo, debate econômico-político, se assenta justamente no caráter intelectual e burguês de seus artífices. O que (inicialmente) mais me surpreendeu é que essa ‘acusação’ (que veio à tona ao longo do dia 12, por ocasião do Ocupe Estelita) foi realizada da forma mais virulenta por jornalistas. Fiquei com um misto de surpresa e de vergonha alheia das pessoas que poderiam ser meus colegas exporem opiniões como as que você pode conferir no Facebook.
Em algum lugar perdido do passado, a imprensa se estabelece propriamente como órgão crítico de um público que pensa a política. Comentários e críticas das medidas da Coroa e das deliberações do Parlamento nos jornais, modificavam a natureza do poder público, que era chamado ao fórum do público. A imprensa e sua crítica profissional mediavam o controle, exercido por indivíduos conscientizados, sobre a esfera pública. As pessoas haviam tomado de volta da autoridade a esfera pública e a tinham transformado numa esfera em que a crítica se exercia contra o poder do Estado. Eram os tão gloriosos quanto distantes últimos anos do século XVIII. E, embora pareça remota, essa realidade semeou a ideia, ainda buscada hoje, de que a opinião públia disputa a regulamentação do social com o poder público instituído.
O diálogo a que me refiro parece a própria expressão da mudança estrutural da esfera pública narrada por Habermas e o esvaziamento do heróico papel que o jornalismo comercial tinha obtido.
Ok, constatamos isso. Mas e daí? É somente isso? Devemos sepultar o jornalismo in totum e declarar a falência de seus pressupostos modernos? Acho que seria um desperdício grande demais jogar fora a lama com o bebê junto. Me parece mais proveitoso pensar também o jornalismo – e não somente a cidade e seu futuro próximo e distante – como terrenos em disputa. Afinal de contas, seria muito cômodo e irresponsável ficar na conclusão a que se chega pelo raciocínio de Habermas e declarar a falência do jornalismo. Assim como é cômodo e irresponsável que o jornalismo e seus profissionais não repensem suas práticas (discursivas) públicas; sua agenda para a cidade e suas conviccções de como o desenvolvimento pode e deve se dar nos centros urbanos – e nos centros rurais também. Essa não é somente uma estratégia interessante para honrar o legado do passado, mas também uma forma de lidar com o presente, no qual não cabem mais essas posturas.
Algo não cheira bem quando a defesa de um projeto como o Novo Recife vem da forma que veio; algo está errado quando um jornal publica o ‘outro lado’ antes da reportagem principal e mais ainda quando todos os jornais em uníssono minimizam o assunto – curioso que, nass horas do rush, boa parte das reclamações sobre os engarrafamentos na cidade venham justo de tantos comunicadores, como se fosse possível desassociar o incômodo causado pelo trânsito ao debate na mesa!
Algo não está bem quando vem de formadores de opinião a demonização da reflexão crítica sobre o presente e o futuro da cidade; algo está errado, profundamente errado, quando as mesmas pessoas que ridicularizam o intelectualismo de um movimento recorrem a sociólogos, filósofos, psicólogos, urbanistas e arquitetos para legitimar, noutro momento, seus próprios discursos.
É bastante preocupante, aliás, que a crítica venha sendo tão resumida na nossa cidade, ou tenha se tornado uma prática feita em reserva, como se um agudo Olho de Sauron que a tudo vê vigiasse as falas e as atitudes fora do eixo.
Algo não cheira bem na cidade do Recife e o odor não vem da maré.
Para acabar esse longuíssimo post, queria mencionar que um dos aspectos da tentativa de deslegitimação se apóia no fato de que só agora alguma movimentação foi feita sobre o Cais José Estelita. De fato, essa mobilização demorou, mas ainda bem que veio. A legitimidade da discussão continua… Houve alguma reação, e outras são necessárias – no âmbito da discussão sobre a cidade e seus problemas, da política (das políticas para além da representativa); da cultura, etc.
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Durante recente visita ao Brasil, David Harvey afirmou que os fluxos que mantém o capitalismo em funcionamento estão sendo bloqueados e isso pode levar o sistema para uma situação doentia. A questão da esclerose pode ser visualizada em vários aspectos da vida econômica do planeta. E também dos seus habitantes. Começando pela discussão recente de “tsunami de dólares” que os países ricos estão fazendo pelo mundo afora. O artigo é de Najar Tubino.
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