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Relato das ações no Coque Livre

Luiz Carlos Pinto | 3 de fevereiro de 2012 15:05

Vou postar aqui nos próximos dias algumas reflexões sobre os ciclos de atividades do Projeto Coque Livre, que implementamos em 2011 na comunidade do Coque, centro do Recife. Os textos têm uma pegada um tanto acadêmica – sobretudo a parte inicial, em que segue uma introdução a alguns conceitos que permearam as oficinas dos ciclos. Isso porque precisaremos apresentar esses relatos ao CNPq, que financiou as atividades. Nos próximos dias coloco as descrições das atividades mesmas.

1. Análise crítica das bases teórico-metodologias das oficinas de mídias livres

As oficinas com tecnologias livres baseiam-se teórica e metodologicamente no  que podem ser chamadas ‘ações coletivas com mídias livres’. Tais ações expressam um conflito e uma oposição ao modo com que os bens informacionais são comercialmente produzidos e controlados, bem como os objetivos dessa produção. Considerar como eixo característico a disposição antagonista implica em reconhecer a existência de questionamentos coletivos quanto à legitimidade do poder  e ao modelo estabelecido para o uso dos recursos sociais – esses princípios conduzem a base metodológica e filosófica das oficinas.

O sentido das oficinas com tecnologias livres está associado à criação de condições estruturais e conceituais para a produção, circulação, apropriação e usufruto de conhecimento, informação e cultura fora das hostes comerciais. Em termos filosóficos,  essa orientação, que prevalece sobre as outras linhas de atuação, expressa a atualização da análise de Ranciére (1996) para a emergência do exercício da política, com uma correspondente instituição de uma outra ordem do sensível. Ou seja a criação de tais condições estruturais e conceituais se vincula a um virtuoso processo de atualização da reivindicação da parcela dos que não têm parcela, da reivindicação da fala, do dissenso, da possibilidade e das condições para a expressão do desentendimento em relação a como se reparte o todo, entre os que têm parcela ou partes do todo e os que não têm nada.

Por outro lado, é possível considerar o modelo predominante de ‘inclusão digital’ ancorado à lógica da Justiça Distributiva . Nesse sentido, tal modelo também precisa ser compreendido sob os eflúvios das mudanças pelas quais passa o capitalismo pós-industrial – sobretudo naquilo que se refere à crise da noção de valor, que acompanha tais alterações sistêmicas. Se é verdade que no capitalismo pós-industrial não é mais no produto, na matéria, que se concentra o centro do valor, mas no conhecimento, na forma de se organizar e modelar a inteligência coletiva, então à Justiça Distributiva deve-se interpor um outro front de crítica – inclusive como forma de enquadrar e compreender  a perspectiva, os discursos e a programática de ações coletivas que lançam mão de tecnologias livres.

É necessário, antes de continuar, deixar claro a que se refere esse termo. As ‘tecnologias livres’ a que nos referimos são constituídas por softwares e hardwares que permitem que sejam usados, copiados, estudados e redistribuídos sem restrições, o que implica que as modificações feitas tanto em programas quanto nos equipamentos físicos podem se realizados e compartilhados também sem restrições. O conceito de ‘livre’ se opõe ao de restritivo e à noção de software proprietário, cujas alterações no seu código de funcionamento são vedadas. Tanto softwares livres quanto hardwares livres são vinculados a licenças de uso que visam garantir as liberdades de execução, distribuição, modificação e repasse sem que para isso seja necessário a permissão do(s) autor(es) (Torvalds & Diamond, 2001). Portanto, para tecnologias livres estão associados licenças de uso que procuram garantir
•    A liberdade de executar o programa ou de uso do hardware, para qualquer propósito;
•    A liberdade de estudar como o programa ou hardware funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte, no caso dos softwares, é um pré-requisito para esta liberdade;
•    A liberdade de redistribuir cópias de modo que se possa beneficiar o próximo;
•    A liberdade de aperfeiçoar o programa e/ou hardware, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
Portanto, o uso do termo tecnologia livre nesse texto considera será considerado livre se todos os seus usuários tiverem essas quatro liberdades.

Show me more… »

Recebi uma encomenda que deverá me ocupar até pelo menos outubro desse ano: escrever a história da moderna engenharia em Pernambuco. A base das informações será a memória de algumas pessoas, os registros de algumas obras, documentos e leitura de livros sobre o assunto. A tarefa tem um certo vínculo com a predominante forma de se fazer a história no Brasil: o olhar dos vencedores ou, pelo menos, dos principais beneficiados do desenvolvimento das engenharias – sobretudo a engenharia mecânica e a elétrica – de fins do século XIX e da metade do século XX. Estarei sendo preconceituoso?

O fato é que não posso deixar a encomenda – faz tempo que não escrevo nada, muito tempo e esse blog tem sido testemunha disso. O assunto é próximo a meus interesses – tecnologias e política e sociedade. E de mais a mais não é exatamente um livro sobre engenharia – ou pelo menos não quero que seja. A construção de certos prédios na cidade – o Teatro Santa Isabel e o Mercado de São José criaram ambientes de sociabilidade diferenciados do que até então havia aqui. As companhias de engenharia inglesas e francesas gozaram de um espetacular privilégio nos últimos 20 anos do século XVIII até a primeira metade do século XIX pelo menos. Os portos navegáveis deram uma dinâmica no deslocamento das pessoas na cidade que não existia até metade do século XIX – o tráfego pelos rios que cortam o Recife, aliás, não acontece mais hoje. Pernambuco já teve o quarto porto mais movimentado o país (e isso, sendo no meio da cidade), na época em que era o maior exportador de algodão e açúcar – coisa vinculada enre muitas outras coisas à expertise de engenheiros aqui.

É a história dos vencedores? Sim. O que não impede de se aproveitar as fissuras, os espaços para falar dos vencidos, dos dominados cujas gerações de descendentes ainda circulam nas cidades dessas velha cidade fedorenta carregando seus andrajos, recolhendo a sobrevivência de cada dia.

É sem dúvida um bom começo de ano, esse.

as maria robinson once said, “nobody can go back and start a new beginning, but anyone can start today and make a new ending.” nothing could be closer to the truth. but before you can begin this process of transformation you have to stop doing the things that have been holding you back. here are some ideas to get you started:

  1. stop spending time with the wrong people. – life is too short to spend time with people who suck the happiness out of you. if someone wants you in their life, they’ll make room for you. you shouldn’t have to fight for a spot.  never, ever insist yourself to someone who continuously overlooks your worth. and remember, it’s not the people that stand by your side when you’re at your best, but the ones who stand beside you when you’re at your worst that are your true friends.
  2. stop running from your problems. – face them head on. no, it won’t be easy. there is no person in the world capable of flawlessly handling every punch thrown at them. we aren’t supposed to be able to instantly solve problems. that’s not how we’re made. in fact, we’re made to get upset, sad, hurt, stumble and fall. because that’s the whole purpose of living – to face problems, learn, adapt, and solve them over the course of time. this is what ultimately molds us into the person we become.
  3. stop lying to yourself. – you can lie to anyone else in the world, but you can’t lie to yourself. our lives improve only when we take chances, and the first and most difficult chance we can take is to be honest with ourselves.
  4. stop putting your own needs on the back burner. – the most painful thing is losing yourself in the process of loving someone too much, and forgetting that you are special too. yes, help others; but help yourself too. if there was ever a moment to follow your passion and do something that matters to you, that moment is now.
  5. stop trying to be someone you’re not. – one of the greatest challenges in life is being yourself in a world that’s trying to make you like everyone else.  someone will always be prettier, someone will always be smarter, someone will always be younger, but they will never be you. don’t change so people will like you. be yourself and the right people will love the real you.
  6. stop trying to hold onto the past. – you can’t start the next chapter of your life if you keep re-reading your last one.
  7. stop being scared to make a mistake. – doing something and getting it wrong is at least ten times more productive than doing nothing. every success has a trail of failures behind it, and every failure is leading towards success. you end up regretting the things you did NOT do far more than the things you did.
  8. stop berating yourself for old mistakes. – we may love the wrong person and cry about the wrong things, but no matter how things go wrong, one thing is for sure, mistakes help us find the person and things that are right for us. we all make mistakes, have struggles, and even regret things in our past. but you are not your mistakes, you are not your struggles, and you are here NOW with the power to shape your day and your future. every single thing that has ever happened in your life is preparing you for a moment that is yet to come.
  9. stop trying to buy happiness. – many of the things we desire are expensive. but the truth is, the things that really satisfy us are totally free – love, laughter and working on our passions.
  10. stop exclusively looking to others for happiness. – if you’re not happy with who you are on the inside, you won’t be happy in a long-term relationship with anyone else either. you have to create stability in your own life first before you can share it with someone else.
  11. stop being idle. – don’t think too much or you’ll create a problem that wasn’t even there in the first place. evaluate situations and take decisive action. you cannot change what you refuse to confront. making progress involves risk. period! you can’t make it to second base with your foot on first.
  12. stop thinking you’re not ready. – nobody ever feels 100% ready when an opportunity arises. because most great opportunities in life force us to grow beyond our comfort zones, which means we won’t feel totally comfortable at first.
  13. stop getting involved in relationships for the wrong reasons. – relationships must be chosen wisely. it’s better to be alone than to be in bad company. there’s no need to rush. if something is meant to be, it will happen – in the right time, with the right person, and for the best reason. fall in love when you’re ready, not when you’re lonely.
  14. stop rejecting new relationships just because old ones didn’t work. – in life you’ll realize that there is a purpose for everyone you meet. some will test you, some will use you and some will teach you. but most importantly, some will bring out the best in you.
  15. stop trying to compete against everyone else. – don’t worry about what others doing better than you. concentrate on beating your own records every day. success is a battle between YOU and YOURSELF only.
  16. stop being jealous of others. – jealousy is the art of counting someone else’s blessings instead of your own.  ask yourself this:  “what’s something i have that everyone wants?”
  17. stop complaining and feeling sorry for yourself. – life’s curveballs are thrown for a reason – to shift your path in a direction that is meant for you. you may not see or understand everything the moment it happens, and it may be tough. but reflect back on those negative curveballs thrown at you in the past. you’ll often see that eventually they led you to a better place, person, state of mind, or situation. so smile! let everyone know that today you are a lot stronger than you were yesterday, and you will be.
  18. stop holding grudges. – don’t live your life with hate in your heart. you will end up hurting yourself more than the people you hate. forgiveness is not saying, “what you did to me is okay.” it is saying, “i’m not going to let what you did to me ruin my happiness forever.” forgiveness is the answer… let go, find peace, liberate yourself! and remember, forgiveness is not just for other people, it’s for you too. if you must, forgive yourself, move on and try to do better next time.
  19. stop letting others bring you down to their level. – refuse to lower your standards to accommodate those who refuse to raise theirs.
  20. stop wasting time explaining yourself to others. – your friends don’t need it and your enemies won’t believe it anyway. just do what you know in your heart is right.
  21. stop doing the same things over and over without taking a break. – the time to take a deep breath is when you don’t have time for it. if you keep doing what you’re doing, you’ll keep getting what you’re getting. sometimes you need to distance yourself to see things clearly.
  22. stop overlooking the beauty of small moments. – enjoy the little things, because one day you may look back and discover they were the big things. the best portion of your life will be the small, nameless moments you spend smiling with someone who matters to you.
  23. stop trying to make things perfect. – the real world doesn’t reward perfectionists, it rewards people who get things done.
  24. stop following the path of least resistance. – life is not easy, especially when you plan on achieving something worthwhile. don’t take the easy way out. do something extraordinary.
  25. stop acting like everything is fine if it isn’t. – it’s okay to fall apart for a little while. you don’t always have to pretend to be strong, and there is no need to constantly prove that everything is going well. you shouldn’t be concerned with what other people are thinking either – cry if you need to – it’s healthy to shed your tears. the sooner you do, the sooner you will be able to smile again.
  26. stop blaming others for your troubles. – the extent to which you can achieve your dreams depends on the extent to which you take responsibility for your life. when you blame others for what you’re going through, you deny responsibility – you give others power over that part of your life.
  27. stop trying to be everything to everyone. – doing so is impossible, and trying will only burn you out. but making one person smile CAN change the world. maybe not the whole world, but their world. so narrow your focus.
  28. stop worrying so much. – worry will not strip tomorrow of its burdens, it will strip today of its joy. one way to check if something is worth mulling over is to ask yourself this question: “will this matter in one year’s time? three years? five years?” if not, then it’s not worth worrying about.
  29. stop focusing on what you don’t want to happen. – focus on what you do want to happen. positive thinking is at the forefront of every great success story. if you awake every morning with the thought that something wonderful will happen in your life today, and you pay close attention, you’ll often find that you’re right.
  30. stop being ungrateful. – no matter how good or bad you have it, wake up each day thankful for your life. someone somewhere else is desperately fighting for theirs. instead of thinking about what you’re missing, try thinking about what you have that everyone else is missing.

via marcandangel, mas vi aqui.

“I meet you. I remember you. Who are you? You’re destroying me. You’re good for me. How could I know this city was tailor-made for love? How could I know you fit my body like a glove? I like you. How unlikely. I like you. How slow all of a sudden. How sweet. You cannot know. You’re destroying me. You’re good for me. You’re destroying me. You’re good for me. I have time. Please, devour me. Deform me to the point of ugliness. Why not you? Why not you in this city and in this night, so like other cities and other nights you can hardly tell the difference? I beg of you.”

- Hiroshima Mon Amour, written by Marguerite Duras,

(não, ainda não em 2011 que o Soy Loco por Ti morreu).

;)

Talvez haja algo a se tirar de proveitoso da greve dos gráficos e do indicativo à deflagração do Estado de Greve pelos jornalistas em Pernambuco. Até agora, o que me tem parecido mais evidente é a profunda fragilização da categoria, associada à incompreensão geral dos processos que geraram isso. A desobrigação do diploma para o registro profissional definida pelo STF em 2009 é um efeito e não a causa de problemas pela qual vem passando essa atividade profissional. É a ponta de um iceberg que mostra aqui e ali seu tamanho. Na entrelinha está a política, ou a falta dela.

Mercados & mercados
Os gráficos pararam porque, ao contrário de sua categoria meio-irmã, continuam com um mercado amarrado a quem detém as estruturas de trabalho: o gráfico não vai para casa e faz um frila à noite. Seu trabalho é nas dependências da empresa porque é lá que está o maquinário e que torna possível sua atividade.

O mercado dos jornalistas não. O crescimento da economia nos últimos anos gerou mais trabalho – não necessariamente mais emprego – e isso é, por incrível que pareça, um elemento de desmobilização política por onde a reivindicação de melhores condições salariais e de trabalho no modelo sindical.

Com um piso de R$ 944 (gráficos em jornais) e R$ 718 (em empresas gráficas) e sem alternativas reais de complementação de renda, é muito mais provável que a categoria dos gráficos se mobilizassem para a greve antes dos jornalistas (e sem eles).

Hegemonia & comunicação
Outro aspecto da fragilização da categoria de jornalistas tem a ver com a hegemonia política no Estado – na verdade, no meu entender essa fragilização é não somente da categoria, mas de toda a economia-política da comunicação, ou seja envolve as empresas e o Jornalismo realizado por elas também. Porque uma sociedade é mais plural e reflete isso no jornalismo (e também nas artes, na economia, etc) quando sua política é mais socializada e isso implica naquilo que a gente chama de condições de possibilidade da crítica.

Mas esse aspecto político é ainda mais amplo. A queda da obrigatoriedade do diploma pro registro em 2009 pelo nosso querido STF é o fim de um percurso (talvez não seja um fim, enfim) no qual se cruzam a queda de credibilidade do fazer jornalístico comercial, que se plasmou num modelo ou em certos modelos que não atendem mais a necessidades da sociedade, e um certo descentramento do sujeito que usa da ferramenta jornalística. Em outras palavras, mais gente passou a produzir informação, cultura e conhecimento, a fazê-la circular, a mixá-la também e isso muitas vezes acontece usando-se jornalismo como modo de construção de discursos. Mais gente, mais recursos, mais informação circulando e isso é ótimo.

E isso tá  convivendo por um lado com um excepcional retrocesso do grosso das empresas de comunicação (sobretudo as grandes) no quesito democracia, pluralidade e ética e por outro lado com um modelo plasmado ensinado nas universidades também, onde o nível de classe dos estudantes mudou.

Economias & comunicação
Porque no mercado de ensino do jornalismo a novidade dos últimos 20 anos não é somente o maior número de escolas e faculdades. É que também aumentou o poder aquisitivo dos estudantes que resolvem ser jornalistas – e isso é patente em qualquer redação de região metropolitana brasileira hoje.

Maior poder aquisitivo significa não somente mais conforto, mas também uma inflexão no tipo de egressos de classe que passou a compor a categoria dos jornalistas (atenção, classe é diferente de categoria). E isso tem implicações para a maior ou menor mobilização política. A classe ou as classes em que se enquadram a categoria dos gráficos tem passado por dificuldades por ter se mantido mais ou menos a mesma. E, assim sendo, passar por mais ou menos os mesmos perrengues financeiros que a empurram para mais reivindicação e confronto com os patrões.

Categoria & classe
A desmobilização da categoria jornalistas, que não é um privilégio negativo da pernambucanidade, mas que está relacionada a um universo maior de problemas, me faz pensar que talvez essa seja uma categoria que pode acabar em mais alguns anos. Será?

Eu não conheço nenhuma pauta de reivindicação sindical que inclua, por exemplo, o debate sobre a flexibilização/proteção de direitos autorais de obras produzidas no circuito comercial do jornalismo; ou o debate sobre navegação anônima na internet; ou o debate sobre a manutenção do princípio de neutralidade na internet; ou o das possibilidades de aprendizado do jornalismo comercial com a comunicação pública, por onde aquele poderia voltar a garantir sua relevância na dinâmica de nossas cidades, de nossa vida social, de nossas políticas  – é o envolvimento com essas coisas que garantirá a continuidade do jornalismo como categoria e como categoria relevante para a democracia, porque é a democracia que está em jogo sempre.

É também o envolvimento com essas discussões que poderá dar um perfil de categoria ao jornalismo, mais do que a garantia do diploma.

Meus dois vinténs.

Fabiana Moraes

Formado em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, João Carlos Ferreira Filho é o criador do @JornalismoWando, perfil com 1.355 seguidores na primeira semana de outubro e apenas 1.153 postagens (o que, no mundo Twitter, indica ou que o dono do perfil posta pouco ou é relativamente novo naquele ambiente). O sucesso que acompanha o avatar no qual vemos o rosto do famoso cantor popular (fofíssimo, não acham?) faz sentido: usando expressões como “beijo no coração!”, o perfil alfineta jornalistas e jornais famosos, chamando atenção para a candura não apropriada para suas práticas. Conversamos com João Carlos sobre seu alter ego. “O Wando ficou com ciúmes”, avisou.


Na sua opinião, por que o jornalismo do coração parece buscar sempre o consenso, tem esse caráter quase apaziguador?
Acredito que as faculdades de jornalismo (como todas as outras faculdades) estão mais preocupadas em preparar profissionais que se adequem aos interesses do mercado do que cumprir sua verdadeira função, que é de formar jornalistas que contribuam de alguma forma para a sociedade. A opinião, o espírito crítico e a reflexão não são incentivadas como deveriam, porque não ajudam o jovem que sai da faculdade a conseguir um bom emprego. Pelo contrário, quanto mais dócil e alinhado aos interesses do mercado o jornalista for, mais chances ele terá de ser bem sucedido profissionalmente.


Outra característica do Jornalismo Wando é a tentativa de estabelecer linguagem íntima tanto com o entrevistado quanto com a audiência. Você acha que essa é uma maneira/técnica de angariar mais espectadores/leitores?
Não. Acho que essa é uma técnica usada por jornalista mal preparado. Até porque não é da alçada do jornalista se preocupar com audiência. Conquistar a simpatia do entrevistado não é objetivo da profissão. Isso quem faz é a Ana Maria Braga, o Gugu e o Faustão. Jornalismo tem que ser, necessariamente, formal, sério e objetivo. Afinal de contas, sua função principal é relatar a realidade de forma nua e crua. Infelizmente, uma doçura quase infantil ocupou o espaço da opinião e da reflexão crítica dentro do jornalismo. Esse processo de “anamariabraguização” do jornalismo tupiniquim caminha a passos largos.


Houve um momento no qual jornalistas eram mitificados: a eles estavam ligadas as ideias de coragem, esforço, isenção, verdade, heroísmo. Hoje, a imagem é diferente: jornalistas têm um poder menor de influência e são duramente criticados no espaço da sociedade civil (os denominados blogueiros progressistas são um exemplo). A prática do Jornalismo Wando, a fofura como técnica de trabalho, não seria resultado desse lugar menos legítimo que a profissão hoje enfrenta?
O tal
Jornalismo Wando é atemporal. Sempre existiu e sempre vai existir. Mas, é evidente que isso está se acentuando. Acho que existe, sim, esse componente que você citou. Acho que os grandes monopólios de comunicação são os maiores indutores e incentivadores do Jornalismo Wando. Nenhuma empresa vai contratar jornalista que faça críticas que atrapalhem seus interesses. Nenhum empresário de comunicação, por exemplo, aceitaria um jornalista seu criticando uma empresa anunciante ou um ator/músico contratado dessa empresa. Vejamos os últimos ombudsman da Folha de S. Paulo. Passaram jornalistas bastante críticos do jornal pelo cargo. Cansada, a direção da Folha resolveu colocar um profissional alinhado aos seus interesses.


Você acha que esse jornalismo que preconiza o consenso enfraquece a prática jornalística que tem como fim informar, divulgar, provocar o debate?
Sem dúvidas. A natureza da profissão de jornalista está sendo totalmente desvirtuada. Não é à toa que vemos muitos jornalistas migrando para programas de entretenimento, como o Pedro Bial e o Britto Jr. Jornalismo e entretenimento estão cada vez mais próximos. Como diz o
@JornalismoWando: “Nasceu com o espírito crítico e investigativo? Então jornalismo não é sua praia, querido. Vá criticar restaurante e cinema ou ser investigador de Polícia. Jornalismo sem sentimento, não faz sentido.”


Há um sentido político do jornalismo fofo – falo dele em si, seu espraiamento, sua força, sua reprodução?
Claro que sim. Não é à toa que jornalista que faz crítica que fere o interesse do patrão é colocado no olho da rua. Isso inibe a sobrevivência de bons profissionais que querem exercer jornalismo de fato. É muito mais cômodo ser fofo e manter seu emprego, do que ser jornalista de verdade e correr riscos. Os poucos profissionais que não se submetem ao esquemão são obrigados a escrever em blogs e na imprensa independente, o que obviamente dá muito menos dinheiro. As poucas famílias que comandam as empresas de comunicação no país têm rabo preso com setores políticos e com grandes empresas. Acaba não sobrando quase nada pra criticar. Aí então, o profissional que já vem “adestrado” da faculdade, chega à conclusão de que é melhor sorrir, ser fofo e garantir o leitinho das crianças.

Leia mais:
Um beijinho em quem ler esta página, pro Fabiana Moraes

Muiras vezes se questionou se o início do Tratado da Emenda do intelecto é uma narrativa autobiográfica. Já que escreveu em primeira pessoa, Espinosa teria exposto nesse tratado seu próprio itinerário? Uma questão como essa nos faz pensar na observação de Flaubert sobre Bouvard e Pécucher ao ler romances de Walter Scott: “sem conhecer os modelos, encontravam as pinturas assemelhadas” . Nada permite atribuir o “ eu” ao comerciante de Amstredã conhecido pelo nome de Baruch de Espinosa. Além disso, colocando uma tal questão e respondendo-a afirmativa ou negativamente perde-se de vista um movimento essencial do texto e, portanto, do pensamento: um movimento que já apontamos antes, a saber, aquele que toca o sujeito dos enunciados.

O texto é escrito em primeira pessoa enquanto expõe a decisão, a hesitação e o fracasso. É escrito em terceira pessoa ao expor as causas do fracasso da conciliação entre perseguição de bens comuns e a busca do verdadeiro bem. Ora os sujeitos são esses bens, ora é a mente, ora os homens, ura um “nós”. Mas, mesmo quando o texto é escrito em primeira pessoa, o “eu” não é idêntico a si mesmo. A narrativa não remete somente a acontecimentos situados fora do eixo. Alguns acontecimentos ocorrem  dentro dele. Por exemplo, em duas retomadas, o estilo se torna indireto: “Digo que ‘me decidi’ enfim”, ou, mais adiante, “ Entretanto, não é sem razão que usei destes termos”. Espinosa volta ao que escreveu, reflete sobre o que escreveu; há porém, ainda mais: a narrativa ou a exposição da decisão, da hesitação e do fracasso está no passado, enquanto a narrativa das causas ou razões da hesitação e do fracasso está no presente. Do ponto de  vista da narrativa, os efeitos (hesitação, fracasso) são anteriores ás causas (busca dos bens comuns). Espinosa superou por sua própria conta os obstáculos cujas causas são ainda presentes. Ele se eleva dos efeitos às causas e vem do passado para o presente. O presente é, nesse momento do texto, aquele espírito dilacerado, distraído, extraviado na perseguição de prazeres, riquezas e honras. Portanto o “eu” da narrativa não pode ser identificado à mente.

Portrait of René Descartes, dubbed the "F...

Image via Wikipedia

De certa maneira, Espinosa se distingue, sem mostrá-lo explicitamente de Descartes. Com efeito, Descartes escreve o início das Meditações metafísicas em primeira pessoa, e o “eu” que duvida se transforma sem deixar de ser o mesmo “eu” do “eu penso”, que é o “eu” do “eu existo”. O “eu” cartesiano é, por asism dizer a mente que fala e que se torna o átomo da certeza, simples e indivisível. Para Espinosa, ao contrário, o “eu” não pode ser digno de identidade simples e indivisível, porque é a marca de uma mente decomposta. Logo, a hesitação da mente que não sabe para onde se voltar é a reflexão ou o retorno sobre si da mente distraída em sua própria distração. Espinosa se abisma na greta da mente, ele não escapa. E nada é antecipado. Pelo contrário.

O prazer gera tristeza, as honras nos acorrentam aos outros, a riqueza nos causas preocupações. Todos esses bens ocasionam efeitos que são seus contrários, eles são enganosos e inconstantes. São bens, mas incertos. Se não incertos é porque estão privados do que os tornaria certos como bens ou do que faria deles males certos. Todo mundo conhece sua inconstância, como explicar então que não deixe de persegui-los? É que, se os homens se deixam levar por todo tipo de ilusão, é-lhes difícil persistir na mesma. O conteúdo desses bens varia, mas não sua forma. Mas isso todo mundo Sab, é o fundamento mesmo de toda superstição e de toda servidão.E a decepção não basta para fazer filosofia, esta não começa por uma renúncia, nem pelo remorso ou pela consciência pesada.

A riqueza, por exemplo, causa grandes preocupações e, no entanto, sua aquisição deveria nos livrar delas. Basta renunciar à riqueza para se liberar das preocupações que ela causa? Não. Essa renúncia é uma ilusão. E, antes de tudo, uma ilusão sobe o dinheiro. O dinheiro é um meio, a renúncia a ele participa inteiramente da mesma ilusão que acumulá-lo, a ilusão de tomá-lo como um fim. Mas tomar o dinheiro como meio não é tão evidente, sobretudo quando o dinheiro toma a si mesmo como um fim. E a busca da riqueza aumenta necessariamente a dificuldade, inclusive para aquele que não a busca, porque essa busca não significa somente possuir mais dinheiros, mas também fazer que o dinheiro produza a riqueza, que se auto-reproduza. E a riqueza se torna um problema. Há, pois, uma modalidade, uma forma na qual o prazer, as honras e a riqueza se oferecem como bens a serem perseguidos. A conseqüência é que essa modalidade impõe a representação desses bens. Se a busca desses bens opõe e divide os homens entre si – todo mundo os persegue e eles não se dividem -, ela não o destrói, no entanto, suas relações; ela engendra, por conseguinte, relações de força e dominação.

Logo, não é a renúncia que vai atribuir certeza ao que é incerto, mas, ao contrário, é a certeza que vai produzir como efeito a renúncia, e essa certeza vai abraçar de uma só vez os bens incertos e o bem procurado. Os bens incertos são males certos, o bem procurado é um bem certo, é incerto apenas que se o obtenha. Assim, a certeza de males não basta para obter o bem. O perigo é extremo, porque só esse bem procurado poderia curar males certos, mas ao mesmo tempo os males certos impedem que se alcance esse bem procurado. Logo, a única certeza é a do desejo, o desejo de um bem estável e certo, como “um doente que sofre de uma enfermidade letal, prevendo a morte certa se não empregar um remédio, é coagido a buscá-lo, ainda que incerto, com máxima força…”. Mas como se pode estar certo do que não se está certo de obter?

“Espinosa” – Ed. Liberdade.
André Scala, Cap 1 (Tratado da Correção do intelecto), pgs. 30-33

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Hoje (17 de outubro) tivemos mais uma reunião de planejamento do projeto de intervenção Coque Livre – na verdade, a última este ano, visto que esse será o último ciclo de oficinas esse ano. Tiramos as datas de divulgação nas escolas da comunidade (essa semana, quarta, quinta e sexta), da aula demonstração (dia 20, quinta-feira) e do início das oficinas propriamente ditas (a partir do dia 25, na próxima semana). Ricardo Ruiz e Ricardo Brazileiro serão os oficineiros mais uma vez e dessa vez vão trabalhar com programação básica e com uma tentativa de hackeamento do Facebook. Nas últimas semanas estivemos pensando em como trazer a rede social de Mark Zuckeberg para as ações de intervenção que temos pensado/realizado no Coque Livre. Ao lado, ou ao largo, do debate sobre o caráter fechado do Facebook – sua tendência (ou objetivo) de cercar as possibilidades de acesso aos bens comuns -  e de seu caráter vigilantista; resolvemos planejar esse último ciclo de modo a de alguma forma agenciar debates.

Não é, claro, nada novo. O núcleo duro formado pelas pessoas que estão há uns seis anos intervindo no Coque já procurou esse tipo de coisa em relação aos jornais locais, que até hoje reproduzem uma construção discursiva na qual o bairro e a comunidade são identificados como local de crime e de criminosos. Como se pode inferir, esse tipo de demarcação discursiva se agarra às pessoas que lá vivem e elas sofrem por causa disso com o preconceito na hora de buscar um emprego, por exemplo.

A ideia agora, enfim, é procurar criar condições para que os meninos que passarem pela oficina dos Ricardos possam ir além do mural de recados do Facebook e que se construa coletivamente uma potência de mobilização. E que mobilização? Com que finalidade? Com qual artífice?

Foi aí que na reunião pensamos na figura do Galeguinho do Coque e de acionar esse personagem na rede como um avatar – nos mesmos moldes de Wanderlyne Selva, de Luther Blisset, de Wu Ming, Vitória Mário. Não do mesmo jeito exatamente, entenda-se: esses sujeitos vão nos servir de inspiração, digamos, para acionar um sujeito de construção e de desconstrução da carga discursiva sobre a comunidade do Coque e sua gente.

Isso porque José Everaldo Belo da Silva, mais conhecido como Galeguinho do Coque (não adianta procurar ainda, não existe verbete na Wikipedia) foi um criminoso que viveu no bairro e que alimentou um dos vetores de preconceito que cercam o lugar. Foi um assaltante com atividade regular na cidade durante a década de 196 e foi preso em 1971. Na cadeia converteu-se à religião evangélica, depois de solto abriu um comércio no Alto do Jordão e foi encontrado morto anos depois na cidade de Moreno, com uma bíblia falsa nos braços e um revólver .38 dentro. O Galeguinho do Coque não deu início à onda de violência no lugar e sua regeneração e morte não colocaram fim a ela também. Mas sua figura contribuiu muito para a identificação entre Coque e violência feita pelos rádios e jornais locais.

Pois bem. Nossa ideia então foi usar o Galeguinho do Coque como um gancho para várias coisas. Uma delas é um resgate da história recente da comunidade e de sua formação. Isso pode ajudar na compreensão histórica de determinações que já estavam aí quando os adolescentes que participam das oficinas nasceram. Penso (acho que pensamos) que um olhar para o passado recente ajuda a entender esse presente e a perceber que esse presente não é eterno – embora o olhar da necessidade diário possa convencer do contrário.

O Galeguinho do Coque poderá ser gancho para outra coisa. Talvez a compreensão última da noção de subversão. Porque no (arriscado) intento de mobilizar o avatar com o mesmo nome (signo) do ‘original’, estamos procurando fazê-lo com outro significante. Estamos tentando emplacar uma subversão do personagem histórico, no sentido de fazer com que o Galeguinho Reload, o Galeguinho 2.0, o nosso Galeguinho possa ser um agente que atue no sentido de inverter o processo de construção da imagem do Coque. Nossa intenção é que, como outros daqueles personagens, o Galeguinho do Coque agora seja um artista, um multi artista, que materialize as expressões da turma que fará a oficina inicialmente.

A idéia é contribuir com outro vetor, contrário, ao que o Galeguinho original acabou contribuindo para cristalizar. Um Galeguinho reinventado para se redimir? É uma ideia arriscada, sim, porque o sentido de apropriação que temos trabalhado em todo o Coque Livre pode ser usado aqui também num sentido que não desejável. Mas aí entra uma pergunta: desejável por quem? A imagem de um sujeito violento, inacessível, fugitivo, justiceiro e muito sedutora, sobretudo para crianças e adolescentes na faixa de risco em que se encontram muitos dos meninos que passam pelo Neimfa.

É por essa razão também que há um terceito elemento de gancho para o qual o personagem do Galeguindo do Coque pode ser útil: é o vínculo com o debate sobre agenciamento midiático, concentração de meios de comunicação, regulação dos media, direito de resposta, comunicação popular e comunicação pública. É um viés que pensamos que precisa ser trabalhado logo no início do ciclo.

A ideia de Brazuca é utilizar o Process (um ambiente de programação intuitivo) onde será construido o aplicativo para Facebook que permitirá postagens usando a identidade do Galeguinho 2.0. Essa será a trilha das oficinas no que se refere a programação para redes sociais. A ideia é que como Wanderlyne, Vitória Mário, Luther, o Galeguinho 2.0 possa agenciar múltiplas vontades, ações, presenças, criações, manifestos e que multiplique o tempo.

Bom, esse post tá em construção e vai ser melhorado à medida que as ideias forem circulando.

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Recebi o texto abaixo numa das listas de discussão que assino. Na caixa de comentários eu comento o que acho dele…

O que mais quer a igreja católica?

Dioclécio Luz, no Observatório de Imprensa

A igreja católica não quer abrir mão do espaço que conseguiu na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). No início de 2011, depois de prorrogar por um ano seu posicionamento, o Conselho da EBC decidiu que os programas religiosos – cultos e missas – deveriam sair da grade de programação da TV Brasil. Para chegar a isso, a EBC colocou o tema em consulta pública. Por fim, decidiu que os programas das igrejas tinham um prazo para sair do ar – setembro de 2011 – e seriam substituídos por programas educativos que tratassem do fenômeno religioso. É o lógico, é o correto, é o decente.

Mas, quando estava prestes a cair o prazo para a igreja abandonar o lugar que não lhe pertence, ela apelou para o “tapetão”, a Justiça. E achou um juiz que manteve os privilégios.

Não me espanta que a igreja católica tenha feito isso. Acharia estranho se ela – democraticamente – acatasse a decisão. Por quê? Porque estamos tratando de uma religião acostumada a mandar, dar ordens, determinar como o mundo girar e, naturalmente, ter poder acima de todos os outros poderes. A igreja se acha o deus que ela inventou. E para deixar bem claro quem manda, coloca o crucifixo (seu símbolo) no plenário da Câmara dos Deputados, no Senado, no Supremo Tribunal Federal, nas várias Assembleias Legislativas. Inaugurada em 2010, a Câmara Distrital do Distrito Federal ostenta no plenário um grande crucifixo. Sobre a mesa, aberta, a Bíblia alerta sobre quem manda ali. O cristianismo – católico ou evangélico – não abre mão do poder.

A igreja católica entrou na justiça contra a EBC porque ela sempre mandou neste país – em todos os poderes – e não admite deixar esse poder. É claro que, do ponto de vista da moral, não há sustentação para ela permanecer ocupando esse espaço público. Mas desde quando a igreja tem pudores com relação à usurpação de espaços públicos?

A Constituição proíbe, mas…

Vide o que ocorre em todas as cidades do Brasil. A igreja sempre pegou os melhores terrenos para construir seus templos, suas catedrais, suas casas paroquiais etc. Isso não é coisa do passado. O caso de Brasília é emblemático. Ao buscar um terreno para instalar a Universidade de Brasília, Darcy Riberio descobriu que a melhor área já tinha dono: a igreja católica. Em seu livro Confissões, ele relata como teve que ir ao Vaticano para negociar com o papa o terreno.

Como a igreja conseguiu um terreno numa cidade que mal tinha sido inaugurada? Ela comprou esse terreno? Claro que não. Do mesmo modo, não veio um centavo do Banco do Vaticano para comprar o terreno e construir a catedral de Brasília, na Esplanada dos Ministérios. É a única religião instalada na Esplanada dos Ministérios. Como ela conseguiu pegar esse terreno público em área nobre, destinada somente aos ministérios? Ora, porque sempre foi poder.

Hoje, quando a catedral precisa de reforma ou de ampliação de suas instalações, são empregados recursos públicos. Para construção do batistério, por exemplo, ela recebeu R$ 1 milhão. Na verdade, essa coisa de receber dinheiro público para reconstrução de igrejas “seria” ilegal, mas como elas (essas igrejas velhas) recebem a tipificação de “patrimônio histórico”, sempre têm dinheiro público para sua reconstrução. Isso está em lei. Ou melhor, no acordo assinado pelo governo brasileiro com a Santa Sé – a gente reconstrói as igrejas deles. A Constituição proíbe, mas como se trata da igreja católica… Ou a sociedade aceitaria o investimento de recursos públicos num templo da Igreja Universal?

Revelações do passado

Esse tipo de coisa acontece em todo Brasil. No Rio de Janeiro, por exemplo, as pessoas acham normal ter uma imensa imagem católica (o Cristo) num espaço público, construído com recursos públicos, mas sob o comando da igreja. Ela fatura para “administrar” essa imagem. Em determinadas regiões, como no Nordeste, a força da igreja é tal que metade dos terrenos de alguns municípios lhe pertence. Sem contar o seu esforço de continuar dominando o povo pobre com milagres e mistificações. O melhor exemplo, no caso, é Juazeiro do Norte (CE), onde se estimula o sofrimento como forma de moeda de troca do deus criado pela igreja católica e se reconstrói a imagem de Padre Cícero, como santo, e agora – acredite-se – até como “ecologista”.

Acontece que, ao entrar com a ação na Justiça contra a EBC, a igreja católica não percebeu que o mundo mudou. Acostumada a mandar e a não receber críticas, agora ela está recebendo um monte delas. Pior, seu passado está sendo revelado. Pior ainda, revelou novamente sua ambição por mais poder e riqueza.

Consta que a ação pela manutenção dos programas foi apresentada pela arquidiocese do Rio de Janeiro na 15ª Vara de Brasília. Na ação, a igreja diz que houve “discriminação religiosa”. Se fosse sincera deveria dizer: “Olha, estamos acostumados a mandar no Brasil, por que vocês não obedecem?” Ou então: “Queremos manter esse espaço porque sempre ocupamos espaços públicos e ninguém nunca reclamou”.

Ações como essa da igreja têm a ver com a sua decadência. O número de católicos caiu quase 20% nos últimos 10 anos; falta quem queira ser padre. Tudo isso tem a ver com a sua imagem (manchada com as acusações de pedofilia acobertadas pelo papa); a falibilidade da retórica cristã sustentada por dogmas e imposições (que não convencem ninguém); revelações do seu passado de (muita) lama e sangue, incluindo matança de não-cristãos, de mulheres (somente por serem mulheres) e até relações com Hitler e Mussolini.

Não é preciso ser ateu

A doutrina ou moral católica é uma questão central nesse debate. Porque, afinal, o que a igreja quer é o direito de usar um espaço público – rádio e TV – para difundir que a mulher não vale nada; que homossexualidade é doença; que a camisinha não deve ser usada “porque não garante sexo seguro”; que o homem veio da mulher; que o sofrimento é bom; que somos todos pecadores; que o casamento deve ser eterno. O mais espetacular é que quem prega tudo isso são pessoas a quem foi proibido namorar, transar, casar, ter filhos, formar família. Bem, caiu a ficha: muita gente descobriu o óbvio: essa pessoa não tem condições de dar conselhos sobre família, filhos, sexo, moral.

Vejamos a questão política. Inventou-se na América Latina a tal Teologia da Libertação. A doutrina não mudou uma linha, apenas incorporou o pobre em seus discursos. Entenda-se o processo: ela não abandonou sua relação com o poder, com os ricos; somente acrescentou os pobres. Fez-se uma releitura dos ensinamentos bíblicos e se descobriu que Jesus era esquerdista e revolucionário. Surge a igreja progressista. Como se por acaso essa doutrina e essa hierarquia tivessem algo de socialista ou democrático.

No bojo disso tudo, para suprir a carência de religião do revolucionário de esquerda, dá-se um nó no marxismo e inventa-se o marxista cristão, o marxista transgênico. Desse modo todos ficam felizes: não é preciso ser ateu para ser marxista; o cristianismo aceita. No túmulo, Marx se revolve com esta invenção moderna da igreja. Patologia tupiniquim. Freud já explicou essa carência que faz com que o militante não consiga viver sem pedir a benção aos padres.

Morte anunciada

A igreja tem poder sobre os espaços públicos, mas também atua na educação (é dona das escolas mais ricas) e, principalmente, na comunicação. Embora se apresente como aliada do movimento pelo direito à comunicação (tem gente que acredita nisso), a igreja católica (progressista? direitista?) é “dona” de 46 emissoras de televisão, tem 863 retransmissoras e nove grupos filiados. Essa igreja católica dos padres de direita e dos “progressistas” possui 133 emissoras de rádio. Alguns programas ela consegue retransmitir por mais de mil emissoras. (Fonte: www.donosdamidia.com.br).

Por que essa igreja não se satisfaz com o que tem? Rica em finanças, dona de escolas, terras, emissoras de rádio e TV, ela ainda quer mais. Qual o limite para a ambição da igreja católica? A resposta é: a igreja tem um projeto de poder eterno e para conseguir isso ela precisa sempre e sempre juntar mais e mais poder. Este seu projeto não aceitaria jamais abrir mão de um espaço na TV e no rádio, mesmo que seja moralmente indefensável. Mesmo sabendo que se encontra em processo de extinção – ou talvez por isso mesmo. É o seu jeito de evitar a morte anunciada.

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[Dioclécio Luz é jornalista, mestre em Comunicação pela UnB, autor de A arte de pensar e fazer rádios comunitárias]

Thiago Novaes, na Lista Submidialogia

Nesta segunda – 03.10.11 o coletivo CMI-DF recebeu prêmio de R$ 35 mil no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com o filme Sagrada Terra Especulada.

Narrado pelo rapper GOG, é um grito contra a especulação imobiliária e pelo respeito à diversidade. Trata da luta entre a permanência do Santuário Sagrado dos Pajés que é uma comunidade indígena Fulni-ô, localizada no plano-piloto de Brasília, e a construção do bairro Noroeste, destinado à classe alta do Distrito Federal.

Único filme copyleft do Festival, o documentário não recebeu qualquer tipo de patrocínio e foi realizado de maneira voluntária e coletiva.

Baixe, Assista, exiba, distribua livremente – http://vimeo.com/28597529

Neste momento o Santuário e matas nativa de cerrado são atacados ilegalmente por tratores da construtora EMPLAVI. O filme serve como arma a favor da população indígena e de rua contra os novos e constantes ataques.

Em tempo, este prêmio é uma resposta a cada bola de borracha, bomba de gás, pra cada transmissor de rádio livre roubado pelo Rei,pra cada noite na delegacia.Esse prêmio vai pra cada indígena, moradora de rua, sem-terra
assassinad@s ontem, hoje e amanhã. Ao cerrado sua fauna e flora, a quem dá vida aos movimentos sociais,todas as heroínas e heróis anônim@s, a quem se apropria da tecnologia como forma de libertação e…especialmente, do
fundo do coração pra cada voluntári@ que dedicou seu tempo e sonhos à REDE IndYmedia ! Som@s tod@s ! Venceremos ! ((( I )))

wiki do santuário: http://radius.tachanka.org/santuariodospajes/

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