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Política, tecnologias livres, comunicação: uma conversa com Paulo José Lara (Pajeh)
Luiz Carlos Pinto | 23 de fevereiro de 2012 19:48Para os próximos meses uma tarefa muito interessante (importante para mim) deverá tomar conta de meus esforços e das páginas desse blog amarelo que tantas alegrias faz aos três leitores que tem: a publicação das entrevistas que fiz ao longo da pesquisa que resultou na tese. Foram conversas com 35 pessoas, a maior parte delas são boas trocas de ideias sobre momentos específicos de políticas públicas brasileiras com mídias e do potencial de ações coletivas não institucionalizadas.
Por meio das entrevistas alguns personagens pouco conhecidos da classe média e de boa parte dos elaboradores de políticas públicas explicam o contexto das expectativas que circundavam a eleição de Lula em 2002 e as possibilidade de inclusão digital (última vez que uso esse termo capenga aqui) com uma perspectiva crítica. Outras falas explicam o potencial antagonista que se abre ao se pensar em termos de tecnologias livres – e de como a limitada pauta do ‘dieito à comunicação’ é consequentemente expandida. Muitas das entrevistas dialogam com toda a agenda de debates em torno do comum (commons de informação e outros) que parece estar estourando agora, dentro e fora do eixo.
São conversas nas quais as singularidades do afeto, em que a vontade de cozinhar junto, de estar junto, do querer bem, da saudade e da vontade de matar a saudade são elementos de potência política que não cabem nas práticas atuais da política representativa nem nos modelos prontos de políticas públicas. Da mesma maneira, as conversas indicam os limites de um fazer político cujas raízes filosóficas podem ser rastreadas desde Espinoza, e cujas fragilidades também são próximas. A primeira dessas entrevistas que resolvi colocar aqui é a que eu fiz com Paulo José Lara (Pajeh), sociólogo de Campinas, um dos articuladores da Rádio Muda, pessoa inteligentíssima e muito amável.
Só peço um pouco de paciência porque entre outros corres esse leva tempo para fazer, dado cuidado que gostaria de ter ao cuidade tratar de cada uma das entrevistas.
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Seminário “Mídia e Liberdade”, com Mino Carta e Lalo Leal, no Recife
Luiz Carlos Pinto | 17 de fevereiro de 2012 10:35Alguns aspectos da crise tucana, por Wagner Iglecias
Luiz Carlos Pinto | 13 de fevereiro de 2012 15:50Crise de identidade e de lideranças
Alguns aspectos da crise tucana
por Wagner Iglecias
Sou de uma geração que acreditava que o PT era socialista e que o PSDB era social-democrata. Foi uma geração numerosa. Só posso falar por mim, mas cheguei mesmo a acreditar um dia que PT à esquerda, PSDB ao centro e PL, à direita, seriam os três grandes partidos de um moderno sistema político que viria a existir no Brasil a partir da década de 1990. Doce ilusão juvenil. Só me faltou levar em conta, naquela época, nosso patrimonialismo atávico e nossa velhíssima tradição política, que fazem com que partidos liberais se diluam na massa amorfa de siglas fisiológicas e que fazem vergar, em maior ou menor grau, os ideais fundantes de partidos originalmente progressistas. Fato é que o PL sumiu e, para vencer as eleições presidenciais, tanto tucanos quanto petistas fizeram alianças com partidos e setores conservadores. Mais que isso, no exercício do poder o PSDB aplicou o programa neoliberal, enquanto quem vem tentando construir nosso arremedo de Welfare State, nossa “social-democracimorena”, é o PT. Ou seja, a impressão que fica é que dos anos 1990 pra cá caminhamos todos para a direita do espectro político.
Nosso presidencialismo é de coalizão, mas há que se lembrar que quem ganha eleição para o Executivo em nosso país manda, impera, pode muito, ainda que esse “poder muito” tenha prazo de validade e seja renovável a cada quatro anos. O consórcio PSDB/PFL pôde muito enquanto esteve no poder, em especial surfando na boa onda da economia durante o primeiro mandato de FHC. Havia amplo apoio social ao governo em meados da década de 1990, dos bancos às classes populares, passando inclusive por importantes setores do empresariado nacional, ainda que este vivesse as agruras da exposição desenfreada, via câmbio e abertura comercial, à competição externa. Lembremos que FHC foi eleito e reeleito em primeiro turno, o que não é e nunca será pouca coisa.
É preciso reconhecer, no entanto, que o amplo apoio que FHC, PSDB e PFL tiveram naquela época não pode ser comparado ao que vimos nos últimos anos em relação ao governo Lula. Muita gente critica o lulismo, ressalta seu caráter despolitizador, aponta para o fato de que criaram-se nesses anos 30 milhões de novos consumidores, mas não 30 milhões de novos cidadãos, etc. Mas creio que nunca antes na História deste país, para usar a clássica expressão do ex-presidente, se viu um arco de forças sociais e políticas tão amplo quanto este formado nos anos petistas no poder. Talvez, e olhe lá, algo parecido tenha se dado apenas sob Vargas. Ou nem sob ele. É chover no molhado dizer isso, mas Lula teve apoio desde o sistema financeiro até as classes D e E, passando por quase toda a estrutura sindical e aliando-se amplos setores do que há de mais antigo no quadro partidário brasileiro. De fato, Lula só encontrou oposição no PSDB/PFL, nos extratos da velha classe média que estes partidos representam e nos formadores de opinião que a eles se dirigem.
Feito um lutador que prensa seu oponente nas cordas e vai lhe minando a resistência, o lulismo, pela estratégia acertada do PT e pela genialidade política de Lula, empurrou o PSDB para a direita do espectro político e social, e lá o tem confinado. Que o diga um José Serra, que teve, sim, uma militância intelectual mais à esquerda durante a ditadura militar, a fazer campanha em 2010 de braços dados com líderes religiosos ultra-conservadores e a apelar para a questão do aborto a fim de tentar tirar votos de sua então adversária.
A oposição hoje esvazia-se a passos largos, DEM e PPS são duas siglas em forte declínio e o futuro do PSDB é incerto. O que é uma temeridade para uma agremiação que desempenhou um papel bastante significativo na trajetória recente do Estado brasileiro. Goste-se ou não, o PSDB foi um partido de quadros que implementou algumas propostas relevantes para a gestão pública nacional quando foi governo. Não vou aqui fazer uma discussão de mérito, se foi bom ou se foi ruim e a que custo as coisas se deram, mas reconheça-se que foi com o PSDB no comando que se debelou a inflação, deu-se o pontapé inicial para uma mudança cultural em relação à questão fiscal e promoveram-se reformas gerenciais que tiveram forte impacto na máquina pública. Hoje em dia, no entanto, o partido encontra dificuldade em dialogar com uma sociedade civil em rápida mutação, vive a reboque de denúncias publicadas na imprensa e suas gestões estaduais dão a impressão de não irem além de um gerencialismo monótono e burocrático. Para além disso, a legenda encontra-se às voltas com disputas internas entre suas principais lideranças, aparentemente mais focadas em suas próprias carreiras do que no partido, como noticia a imprensa cotidianamente.
A crise tucana, portanto, tem duas dimensões, se não outras: de identidade e de lideranças. De identidade porque o PSDB há muito perdeu sua aura progressista, permanece sem saber ao certo o que fazer com o legado do governo FHC e parece ter dificuldade de compreender as mudanças recentes que a sociedade brasileira vem passando. É provável que o projeto tucano de poder seja ainda aquele mesmo do início da década de 1990, ainda que o cenário mundial tenha passado por tantas transformações nestes vinte anos. O partido há tempos não formula novas ideias, algo fundamental para quem almeja retomar o comando da nação, e se vê embotado pela lógica de culpabilizar o adversário (PT) por quase tudo o que de ruim ocorre no país. Embotamento este que afeta os tucanos de cima a baixo, atingindo desde algumas de suas principais lideranças até o militante mais simples, passando ainda por alguns dos intelectuais simpáticos à sigla.
Além de ser uma crise de identidade, de falta de novas formulações, de dificuldade de dialogar com a sociedade, a crise tucana também é de lideranças. Afinal, o que cada vez mais se lê nos jornais são os desencontros entre seus principais nomes. Que se tome como exemplo a recente polêmica envolvendo FHC e Serra, já dois veteranos em termos de trajetória política. Aquele continua sendo a principal referência do partido, enquanto este parece ainda almejar a disputa da presidência da república em 2014, o que se choca com os planos de outros setores do tucanato. Aécio, tido agora como nome natural para tentar suceder Dilma, surge aos olhos do eleitor como um presidenciável que parece não saber muito bem o que quer, se vai ou se fica, se é pra agora ou pra mais tarde.
Outras lideranças, antigas ou nem tanto, parecem por sua vez não ter condições de alçar vôos nacionais. Cito Tasso, Azeredo e Dias, bem como Marconi e Richa. E aqueles que talvez tenham sido as duas lideranças mais progressistas que a legenda teve, Franco Montoro e Mário Covas, são hoje apenas História. Aliás, parecem fazer muita falta ao partido nos dias de hoje. Assim como no futebol, na política não existe o “se”, mas se ainda estivessem por aí talvez os rumos do PSDB tivessem sido outros, ou não? Diz a mitologia política brasileira que foi por causa da insistência de Covas que FHC não tornou-se ministro de Collor, o que fatalmente lhe teria custado a carreira política. Dizem os mais velhos que Montoro era um homem de diálogo, antes de mais nada.
Sem Covas e Montoro, com FHC e Serra falando idiomas diferentes, com Aécio numa postura para muitos dúbia e com as demais lideranças reduzidas a seus rincões locais, resta ao PSDB o nome de Alckmin. Que, a seu jeito, quase que um Montoro de sinal trocado, vai tentando, como diriam os marqueteiros, “reposicionar a marca” do partido. Reposicionamento à direita, mesmo. Via política do “pulso firme”, como tem sido visto nos últimos tempos e que cai tão ao gosto de uma parcela da sociedade brasileira, em especial a sociedade paulista. Quando eu ingenuamente ainda acreditava em três partidos que poderiam vir a dominar a cena política brasileira dizia-se que o PSDB era um partido em cima do muro. A experiência no poder e o lulismo que a sucedeu imprensaram o PSDB no canto direito do espectro político. Será que é lá que o partido vai permanecer daqui por diante?
Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP.
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Por Pedro Pomar
Nada a ver com a profecia de final dos tempos, mas é óbvio que 2012 será um ano dos mais turbulentos no Brasil e no mundo. Aqui, nem tanto por causa da crise econômica, embora a América Latina eventualmente venha a sofrer os seus reflexos. O tempero da crise política brasileira tem mais a ver com o descompasso entre o governo federal e os movimentos sociais. Ou, se quisermos ver por outro prisma, existem tensões crescentes no horizonte imediato, no Brasil, que se relacionam ao modo desigual de distribuição das riquezas geradas pelo crescimento econômico.
Seguindo na contramão da crise mundial, nosso país vem crescendo (ainda que em taxas mais modestas em 2011) e produzindo índices espantosos de acumulação de capital, a exemplo dos demais Brics. Temos “nossos” bilionários, “nossos” bancos alcançam lucro recorde, “nossas” multinacionais fincam os pés em diversos países e os preparativos para “nossa” Copa do Mundo se aceleram… A ação governamental têm sido determinante para se alcançar tal sucesso, mediante políticas de indução, financiamento estatal etc.
Contudo, ainda que tenha havido um substancial acréscimo no número de empregos gerados, inclusive com carteira de trabalho assinada, e evidente aumento do poder aquisitivo de uma parte da população, o apartheid social e econômico tem se aprofundado. Exemplo disso é o massacre do Pinheirinho, em São José dos Campos. Alguém notou que as pessoas expulsas perderam eletrodomésticos e outros bens que talvez fosse raro encontrar em favelas anos atrás; mas elas não tiveram respeitado seu direito à moradia.
As forças políticas conservadoras têm agido para impor ao governo federal a sua agenda (delas), derrotada nas eleições de 2010. Infelizmente, parece que ao menos em parte elas têm conseguido. A privatização de alguns dos principais aeroportos do país é o exemplo mais recente, galhardamente comemorado pela mídia comercial. O recuo no projeto da banda-larga e a decisão de ignorar as medidas aprovadas pela Conferência Nacional de Comunicação (convocada pelo próprio governo e realizada em 2009) são outro exemplo.
O episódio do Pinheirinho, além de delinear claramente a fisionomia política fascista do governo Alckmin, reforçou a sensação de forte retrocesso no respeito aos direitos humanos. O governo federal propôs uma solução negociada, democrática, mas não comprou a briga como deveria; não travou publicamente a disputa político-ideológica contra a “solução” tucana.
Por onde quer que haja obras destinadas à Copa se encontra um rastro de remoções forçadas de moradores. Os guarani-kaiowás estão sendo vítimas de extermínio gradual, sem que se note a existência da Funai. Na Bahia os tupinambás foram removidos de suas terras ancestrais por uma operação da Polícia Federal. São inúmeras as nações indígenas ameaçadas, inclusive pela construção de usinas na Amazônia. Sucedem-se os assassinatos de ambientalistas e de líderes camponeses, sem reação digna de nota por parte do governo federal.
Maior central sindical do país, a CUT vem subindo o tom. No protesto contra a privatização dos aeroportos, que a Central realizou no dia 6, em frente à Bolsa de Valores, uma das palavras de ordem foi “Dilma, eu não me engano, privatizar é coisa de tucano”… Será mesmo um ano de fortes emoções.
*Pedro Pomar é jornalista, editor da Revista Adusp e doutor em ciências da comunicação.
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A ponta do iceberg do porquê de uma reforma política
Luiz Carlos Pinto | 8 de fevereiro de 2012 12:36Rádios de ministro estão em nome de empregados na PB
Sede das emissoras fica em escritório político de Aguinaldo Ribeiro, novo titular da pasta das Cidades
‘Isso aqui é rádio de ministro, rapaz!’, disse locutor após anúncio da nomeação; posse está marcada para hoje
BRENO COSTA
ENVIADO ESPECIAL A JOÃO PESSOA
O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que tem posse marcada para hoje como novo ministro das Cidades, é dono de duas emissoras de rádio no interior da Paraíba que foram registradas em nome de empregados.
As emissoras Cariri AM e PB FM estão no nome da empresa AE Comunicações da Paraíba Ltda., sediada no escritório político que Ribeiro mantém em João Pessoa.
Os sócios da empresa, contudo, segundo registro da empresa na Junta Comercial da Paraíba, são um ex-contador e um assessor pessoal do ministro. A firma foi criada em fevereiro de 2010.
Uma das rádios controladas pela AE Comunicações, a Cariri AM, funciona no mesmo endereço, em Campina Grande (a 121 km da capital), da sede da River Comunicações Ltda., criada pelo ministro em setembro de 2009.
Como a Folha revelou ontem, a River é uma das quatro empresas que o ministro omitiu em sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2010, quando se elegeu deputado federal.
RÁDIO DE MINISTRO
A transmissão da Cariri deixa claro quem é o verdadeiro dono da emissora.
Na sexta-feira, logo após a confirmação do nome de Aguinaldo Ribeiro como novo ministro, a rádio dedicou duas horas de homenagem a “Aguinaldinho”, como era chamado pelos locutores.
“Isso aqui é rádio de ministro, rapaz!”, afirmou um dos apresentadores, minutos após ser confirmado que Aguinaldo comandaria a pasta das Cidades.
A deputada estadual Daniella Ribeiro (PP), irmã do ministro e pré-candidata à Prefeitura de Campina Grande, tem um programa próprio na rádio, “Mandato Popular”.
As ações da AE Comunicações estão divididas igualmente entre Alex Barreto e Givaldo Nunes.
Barreto é uma espécie de braço direito do ministro. Filho de Alexandre Viana Barreto, motorista de Aguinaldo em João Pessoa, ele é um dos três funcionários que dão expediente no escritório de Ribeiro na Paraíba.
Quando a Folha foi ao local, um outro funcionário disse que as questões envolvendo o novo ministro deveriam ser respondidas por Barreto, “assessor do deputado”.
Givaldo Nunes, 71, é contador aposentado. Ele mora em um bairro popular de João Pessoa, o Mangabeira. Trabalha com o deputado Ribeiro desde a década de 90.
Era ele o contador de Ribeiro quando o hoje ministro administrava uma concessionária de veículos da família.
À Folha, Givaldo diz que virou sócio da rádio a pedido de Alex Barreto e que deixou de trabalhar com Aguinaldo Ribeiro porque ficou doente.
“Ele [Barreto] pediu para eu entrar em sociedade com ele e eu entrei. Conversa com o Alex, que ele está mais por dentro”, disse Givaldo, na porta de sua casa.
Na tarde de ontem, Alex atendeu seu celular, mas desligou o aparelho quando a reportagem se identificou.
FRASE
“Ele [Alex Barreto, braço direito do ministro] pediu para eu entrar em sociedade com ele e eu entrei”
GIVALDO NUNES
ex-contador de Aguinaldo Ribeiro e sócio das rádios
OUTRO LADO
Deputado e sua assessora não atendem ligações
DO ENVIADO A JOÃO PESSOA
Procurado desde a manhã de sábado para comentar a reportagem, o deputado Aguinaldo Ribeiro não respondeu às ligações.
Na noite de sábado, ele atendeu uma ligação, mas, depois que o repórter se identificou, ele disse que estava no elevador e pediu que ligasse de volta em dois minutos.
Assim foi feito, mas desde então e durante todo o domingo o celular do ministro esteve desligado.
ASSESSORA
Ontem, a Folha tentou contato com a assessora Márcia Gomes. O celular dela também estava desligado.
A reportagem mandou mensagens de texto via celular para os dois aparelhos, informando o teor da reportagem e pedindo esclarecimentos. Não houve resposta até a conclusão desta edição.
Alex Barreto, que também não atendeu os telefonemas daFolha, disse no Twitter que Aguinaldo Ribeiro é vítima de “preconceito” por parte da “grande mídia”.
“Paraíba, vamos nos unir contra esta campanha maldosa que fazem com nosso ministro, eles não se conformam com a nossa vitória. Força Aguinaldo”, escreveu Alex na manhã de ontem.
DECLARAÇÃO DE BENS
Na sexta-feira, Aguinaldo Ribeiro disse que informou a Receita sobre a sociedade em empresas que não constam de sua declaração de bens enviada à Justiça Eleitoral.
Afirmou também que irá se desligar delas para chefiar o Ministério das Cidades.
(BC)
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Vou postar aqui nos próximos dias algumas reflexões sobre os ciclos de atividades do Projeto Coque Livre, que implementamos em 2011 na comunidade do Coque, centro do Recife. Os textos têm uma pegada um tanto acadêmica – sobretudo a parte inicial, em que segue uma introdução a alguns conceitos que permearam as oficinas dos ciclos. Isso porque precisaremos apresentar esses relatos ao CNPq, que financiou as atividades. Nos próximos dias coloco as descrições das atividades mesmas.
1. Análise crítica das bases teórico-metodologias das oficinas de mídias livres
As oficinas com tecnologias livres baseiam-se teórica e metodologicamente no que podem ser chamadas ‘ações coletivas com mídias livres’. Tais ações expressam um conflito e uma oposição ao modo com que os bens informacionais são comercialmente produzidos e controlados, bem como os objetivos dessa produção. Considerar como eixo característico a disposição antagonista implica em reconhecer a existência de questionamentos coletivos quanto à legitimidade do poder e ao modelo estabelecido para o uso dos recursos sociais – esses princípios conduzem a base metodológica e filosófica das oficinas.
O sentido das oficinas com tecnologias livres está associado à criação de condições estruturais e conceituais para a produção, circulação, apropriação e usufruto de conhecimento, informação e cultura fora das hostes comerciais. Em termos filosóficos, essa orientação, que prevalece sobre as outras linhas de atuação, expressa a atualização da análise de Ranciére (1996) para a emergência do exercício da política, com uma correspondente instituição de uma outra ordem do sensível. Ou seja a criação de tais condições estruturais e conceituais se vincula a um virtuoso processo de atualização da reivindicação da parcela dos que não têm parcela, da reivindicação da fala, do dissenso, da possibilidade e das condições para a expressão do desentendimento em relação a como se reparte o todo, entre os que têm parcela ou partes do todo e os que não têm nada.
Por outro lado, é possível considerar o modelo predominante de ‘inclusão digital’ ancorado à lógica da Justiça Distributiva . Nesse sentido, tal modelo também precisa ser compreendido sob os eflúvios das mudanças pelas quais passa o capitalismo pós-industrial – sobretudo naquilo que se refere à crise da noção de valor, que acompanha tais alterações sistêmicas. Se é verdade que no capitalismo pós-industrial não é mais no produto, na matéria, que se concentra o centro do valor, mas no conhecimento, na forma de se organizar e modelar a inteligência coletiva, então à Justiça Distributiva deve-se interpor um outro front de crítica – inclusive como forma de enquadrar e compreender a perspectiva, os discursos e a programática de ações coletivas que lançam mão de tecnologias livres.
É necessário, antes de continuar, deixar claro a que se refere esse termo. As ‘tecnologias livres’ a que nos referimos são constituídas por softwares e hardwares que permitem que sejam usados, copiados, estudados e redistribuídos sem restrições, o que implica que as modificações feitas tanto em programas quanto nos equipamentos físicos podem se realizados e compartilhados também sem restrições. O conceito de ‘livre’ se opõe ao de restritivo e à noção de software proprietário, cujas alterações no seu código de funcionamento são vedadas. Tanto softwares livres quanto hardwares livres são vinculados a licenças de uso que visam garantir as liberdades de execução, distribuição, modificação e repasse sem que para isso seja necessário a permissão do(s) autor(es) (Torvalds & Diamond, 2001). Portanto, para tecnologias livres estão associados licenças de uso que procuram garantir
• A liberdade de executar o programa ou de uso do hardware, para qualquer propósito;
• A liberdade de estudar como o programa ou hardware funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte, no caso dos softwares, é um pré-requisito para esta liberdade;
• A liberdade de redistribuir cópias de modo que se possa beneficiar o próximo;
• A liberdade de aperfeiçoar o programa e/ou hardware, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.
Portanto, o uso do termo tecnologia livre nesse texto considera será considerado livre se todos os seus usuários tiverem essas quatro liberdades.
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Recebi uma encomenda que deverá me ocupar até pelo menos outubro desse ano: escrever a história da moderna engenharia em Pernambuco. A base das informações será a memória de algumas pessoas, os registros de algumas obras, documentos e leitura de livros sobre o assunto. A tarefa tem um certo vínculo com a predominante forma de se fazer a história no Brasil: o olhar dos vencedores ou, pelo menos, dos principais beneficiados do desenvolvimento das engenharias – sobretudo a engenharia mecânica e a elétrica – de fins do século XIX e da metade do século XX. Estarei sendo preconceituoso?
O fato é que não posso deixar a encomenda – faz tempo que não escrevo nada, muito tempo e esse blog tem sido testemunha disso. O assunto é próximo a meus interesses – tecnologias e política e sociedade. E de mais a mais não é exatamente um livro sobre engenharia – ou pelo menos não quero que seja. A construção de certos prédios na cidade – o Teatro Santa Isabel e o Mercado de São José criaram ambientes de sociabilidade diferenciados do que até então havia aqui. As companhias de engenharia inglesas e francesas gozaram de um espetacular privilégio nos últimos 20 anos do século XVIII até a primeira metade do século XIX pelo menos. Os portos navegáveis deram uma dinâmica no deslocamento das pessoas na cidade que não existia até metade do século XIX – o tráfego pelos rios que cortam o Recife, aliás, não acontece mais hoje. Pernambuco já teve o quarto porto mais movimentado o país (e isso, sendo no meio da cidade), na época em que era o maior exportador de algodão e açúcar – coisa vinculada enre muitas outras coisas à expertise de engenheiros aqui.
É a história dos vencedores? Sim. O que não impede de se aproveitar as fissuras, os espaços para falar dos vencidos, dos dominados cujas gerações de descendentes ainda circulam nas cidades dessas velha cidade fedorenta carregando seus andrajos, recolhendo a sobrevivência de cada dia.
É sem dúvida um bom começo de ano, esse.
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as maria robinson once said, “nobody can go back and start a new beginning, but anyone can start today and make a new ending.” nothing could be closer to the truth. but before you can begin this process of transformation you have to stop doing the things that have been holding you back. here are some ideas to get you started:
- stop spending time with the wrong people. – life is too short to spend time with people who suck the happiness out of you. if someone wants you in their life, they’ll make room for you. you shouldn’t have to fight for a spot. never, ever insist yourself to someone who continuously overlooks your worth. and remember, it’s not the people that stand by your side when you’re at your best, but the ones who stand beside you when you’re at your worst that are your true friends.
- stop running from your problems. – face them head on. no, it won’t be easy. there is no person in the world capable of flawlessly handling every punch thrown at them. we aren’t supposed to be able to instantly solve problems. that’s not how we’re made. in fact, we’re made to get upset, sad, hurt, stumble and fall. because that’s the whole purpose of living – to face problems, learn, adapt, and solve them over the course of time. this is what ultimately molds us into the person we become.
- stop lying to yourself. – you can lie to anyone else in the world, but you can’t lie to yourself. our lives improve only when we take chances, and the first and most difficult chance we can take is to be honest with ourselves.
- stop putting your own needs on the back burner. – the most painful thing is losing yourself in the process of loving someone too much, and forgetting that you are special too. yes, help others; but help yourself too. if there was ever a moment to follow your passion and do something that matters to you, that moment is now.
- stop trying to be someone you’re not. – one of the greatest challenges in life is being yourself in a world that’s trying to make you like everyone else. someone will always be prettier, someone will always be smarter, someone will always be younger, but they will never be you. don’t change so people will like you. be yourself and the right people will love the real you.
- stop trying to hold onto the past. – you can’t start the next chapter of your life if you keep re-reading your last one.
- stop being scared to make a mistake. – doing something and getting it wrong is at least ten times more productive than doing nothing. every success has a trail of failures behind it, and every failure is leading towards success. you end up regretting the things you did NOT do far more than the things you did.
- stop berating yourself for old mistakes. – we may love the wrong person and cry about the wrong things, but no matter how things go wrong, one thing is for sure, mistakes help us find the person and things that are right for us. we all make mistakes, have struggles, and even regret things in our past. but you are not your mistakes, you are not your struggles, and you are here NOW with the power to shape your day and your future. every single thing that has ever happened in your life is preparing you for a moment that is yet to come.
- stop trying to buy happiness. – many of the things we desire are expensive. but the truth is, the things that really satisfy us are totally free – love, laughter and working on our passions.
- stop exclusively looking to others for happiness. – if you’re not happy with who you are on the inside, you won’t be happy in a long-term relationship with anyone else either. you have to create stability in your own life first before you can share it with someone else.
- stop being idle. – don’t think too much or you’ll create a problem that wasn’t even there in the first place. evaluate situations and take decisive action. you cannot change what you refuse to confront. making progress involves risk. period! you can’t make it to second base with your foot on first.
- stop thinking you’re not ready. – nobody ever feels 100% ready when an opportunity arises. because most great opportunities in life force us to grow beyond our comfort zones, which means we won’t feel totally comfortable at first.
- stop getting involved in relationships for the wrong reasons. – relationships must be chosen wisely. it’s better to be alone than to be in bad company. there’s no need to rush. if something is meant to be, it will happen – in the right time, with the right person, and for the best reason. fall in love when you’re ready, not when you’re lonely.
- stop rejecting new relationships just because old ones didn’t work. – in life you’ll realize that there is a purpose for everyone you meet. some will test you, some will use you and some will teach you. but most importantly, some will bring out the best in you.
- stop trying to compete against everyone else. – don’t worry about what others doing better than you. concentrate on beating your own records every day. success is a battle between YOU and YOURSELF only.
- stop being jealous of others. – jealousy is the art of counting someone else’s blessings instead of your own. ask yourself this: “what’s something i have that everyone wants?”
- stop complaining and feeling sorry for yourself. – life’s curveballs are thrown for a reason – to shift your path in a direction that is meant for you. you may not see or understand everything the moment it happens, and it may be tough. but reflect back on those negative curveballs thrown at you in the past. you’ll often see that eventually they led you to a better place, person, state of mind, or situation. so smile! let everyone know that today you are a lot stronger than you were yesterday, and you will be.
- stop holding grudges. – don’t live your life with hate in your heart. you will end up hurting yourself more than the people you hate. forgiveness is not saying, “what you did to me is okay.” it is saying, “i’m not going to let what you did to me ruin my happiness forever.” forgiveness is the answer… let go, find peace, liberate yourself! and remember, forgiveness is not just for other people, it’s for you too. if you must, forgive yourself, move on and try to do better next time.
- stop letting others bring you down to their level. – refuse to lower your standards to accommodate those who refuse to raise theirs.
- stop wasting time explaining yourself to others. – your friends don’t need it and your enemies won’t believe it anyway. just do what you know in your heart is right.
- stop doing the same things over and over without taking a break. – the time to take a deep breath is when you don’t have time for it. if you keep doing what you’re doing, you’ll keep getting what you’re getting. sometimes you need to distance yourself to see things clearly.
- stop overlooking the beauty of small moments. – enjoy the little things, because one day you may look back and discover they were the big things. the best portion of your life will be the small, nameless moments you spend smiling with someone who matters to you.
- stop trying to make things perfect. – the real world doesn’t reward perfectionists, it rewards people who get things done.
- stop following the path of least resistance. – life is not easy, especially when you plan on achieving something worthwhile. don’t take the easy way out. do something extraordinary.
- stop acting like everything is fine if it isn’t. – it’s okay to fall apart for a little while. you don’t always have to pretend to be strong, and there is no need to constantly prove that everything is going well. you shouldn’t be concerned with what other people are thinking either – cry if you need to – it’s healthy to shed your tears. the sooner you do, the sooner you will be able to smile again.
- stop blaming others for your troubles. – the extent to which you can achieve your dreams depends on the extent to which you take responsibility for your life. when you blame others for what you’re going through, you deny responsibility – you give others power over that part of your life.
- stop trying to be everything to everyone. – doing so is impossible, and trying will only burn you out. but making one person smile CAN change the world. maybe not the whole world, but their world. so narrow your focus.
- stop worrying so much. – worry will not strip tomorrow of its burdens, it will strip today of its joy. one way to check if something is worth mulling over is to ask yourself this question: “will this matter in one year’s time? three years? five years?” if not, then it’s not worth worrying about.
- stop focusing on what you don’t want to happen. – focus on what you do want to happen. positive thinking is at the forefront of every great success story. if you awake every morning with the thought that something wonderful will happen in your life today, and you pay close attention, you’ll often find that you’re right.
- stop being ungrateful. – no matter how good or bad you have it, wake up each day thankful for your life. someone somewhere else is desperately fighting for theirs. instead of thinking about what you’re missing, try thinking about what you have that everyone else is missing.
via marcandangel, mas vi aqui.
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