Brasil entre os dez países que mais acessam redes sociais – mas e daí?
Luiz Carlos Pinto | 23 de julho de 2010 12:04A notícia de que o Brasil está entre os dez países que mais acessa redes sociais precisa ser avaliada nas entrelinhas. Os dados do IBOPE, levantados na parceria com a rede de pesquisas WIN, precisariam ser destrinchado melhor para se avaliar se, como suspeito, o uso dessas redes é tutelado. Infelizmente os dados da pesquisa são comercializados e eu deixei a carteira em casa.
De qualquer forma, chama atenção a afirmação de que o Brasil está entre os 10 países que mais acessam redes sociais – ao lado da Índia (primeiro lugar), que vem seguida por Sérvia, Coréia do Sul, Rússia, Espanha, China, Turquia, Romênia e Itália. Pela pesquisa, 87% dos internautas brasileiros acessam redes sociais. A tendência é isso crescer, já que ainda segundo a pesquisa 20% da população pretende entrar no mundo das redes sociais num futuro próximo. Outrso dados liberados pelo IBOPE:
83% dos usuários brasileiros foram atraídos pelos serviços por razões pessoais. E aqui cabem algumas perguntas, que só poderiam ser respondidas se tivesse mais dados em mãos: que razões? De trabalho, de busca de informação?, procura por canais alternativos de comunicação? diversão? lazer? relacionamento?
33% usam esses serviços por motivos profissionais. Quais motivos exatamente? O facebook é usado nesses casos como ferramenta de trabalho, de busca de informação, é usado como ferramenta institucional? e os outros?
As principais atividades desenvolvidas nas redes sociais, segundo a pesquisa, são ver mensagens/navegar (98%), conversar (76%) e atualizar o próprio perfil (76%). Mas em que condições? Qual o nível do envolvimento pessoal/profissional/afetivo dessas atividades?
Esse trecho eu peguei do site do IBOPE:
A região Nordeste apresenta um índice de uso pessoal das redes sociais (90%) maior do que outras regiões como o Sudeste (85%), por exemplo. Esta diferença deve-se ao perfil daqueles que acessam a principal rede, o “Orkut”: mulheres, jovens, com menor grau de instrução, de classes CDE e residentes em municípios menores (com menos de 100 mil habitantes) e mais distantes (interior e periferias). “Este perfil sugere que as redes sociais estão efetivamente cumprindo o papel de inclusão e socialização”, avalia Laure Castelnau, diretora executiva de marketing e novos negócios do IBOPE Inteligência.
Acho que os dados chamam a atenção e novamente afirmo que precisariam ser melhor analisados. Sobretudo para ver se realmente as redes sociais cumprem esse papel de inclusão e de socialização. De cara eu diria que as redes, como ferramentas, não cumprem papel nenhum. São ferramentas. Essas possibilidades de “inclusão” e de “socialização” só acontecem por meio de agenciamentos, de processos e de afetos relacionados a Tecnologias de Informação e Comunicação. O uso do instrumento não garante essa inserção “no mundo”, porque seu uso pode muito bem ser alienado e contribuir ainda mais para a consolidação de estigmas, de ignorância, etc.
Categories: Comunicação, Política, Tecnologia & Sociedade
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