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A volta dos que não foram:

Luiz Carlos Pinto | 10 de julho de 2010 9:52

Pois é, nas últimas semanas fiquei sem escrever nada aqui no velho blog amarelinho, deixei o Facebook pra lá e reduzi ao máximo que pude a presença no Twitter. Também reduzi o tempo dedicado à leitura do sites agregados na minha conta do GReader. Tudo para poder finalizar os últimos capítulos da tese. Felizmente isso me ajudou um bocado a me concentrar, a ter foco. E viva: terminei mesmo.

A defesa da tese deve acontecer no dia 30 de julho, às 8h30. Sérgio Amadeu da Silveira, Jonatas Ferreira, Yvana Fecnine e Maria Eduarda da Rocha Mota (minha orientadora), Paulo Marcondes e Paulo Cunha são os nomes confirmados da banca até agora. A sensação de ter terminado é esquisita, uma mistura esquisita. Felicidade, alívio, cansaço, claro. Mas também uma sensação de vazio. Aquele vazio de ter trabalhado até de madrugada e sair para a rua sem saber para onde ir, ou a quem encontrar, porque todos já voltaram para suas casas, bêbados de alegria. No meio dessa mistura também um pouquinho de frustração, por não ter ido além, por não ter feito melhor, etc, etc. Sensação também de ter envelhecido mesmo. Mas isso não atribuo ao fim da tese. :-) Vou passar os próximos dias descansando um pouco dessas leituras e me organizando, para desorganizar.

Depois, pensar no que vem ali na frente. Muita coisa pra fazer. Muito pacote para desdobrar a partir do que eu escrevi, do que li, das pessoas que conheci. Acho que posso dizer que a sensação mais forte é de alívio, de liberdade, daquele impulso que você consegue quando está tentando correr atado e então a corda desprende e você ganha a pista.

Com certeza tenho que pensar no que fazer com a maçaroca de 300 e tantas páginas que eu escrevi. Não quero de jeito nenhum deixar guardado no fundo de uma gaveta. Nem tenho direito a fazer isso. Tenho umas 40 horas de entrevistas gravadas ainda para digitalizar e disponibilizar. Isso pode ajudar outros pesquisadores e as redes dos movimentos que eu analisei. Tenho ainda que desdobrar o textão e textinhos, em artigos para espalhar a semente por aí. Preciso dar um retorno às pessoas que se disponibilizaram a me responder, a conversar comigo. De alguma forma alimento a esperança que esse trabalho possa contribuir de alguma forma, já que por causa de minhas limitações não pude contribuir de outras maneiras – mas também pode ser que isso mude daqui pra fente…

Evitei até agora fazer uma reflexão sobre esse momento porque todos os texto que vi sobre fim da tese, a espera, a sensação de liberdade associados se parecem muito e sobretudo num aspecto: todas as pessoas sem exceção que escreveram sobre ‘o terminar’ se sentem DOUTORES,  numa diferenciação que pra mim é difícil de conceber e que eu sinceramente não sinto. Gostaria muito que isso fosse só uma qualidade minha. Mas o fato é que o aprendizado com tanta gente bonita, elegante e sincera nos últimos anos felizmente me avisou desse deslumbramento estéril.

Ia esquecendo: outra sensação é a da necessidade de contribuir, interferir, ajudar, trocar, entrar nas redes de peito aberto, serenamente porque existe uma urgência de pessoas com disposição para trabalhar da forma que for possível com a gente sofrida e inteligente desse país.

É bem provável que eu tenha me tornado um otimista nos últimos anos. Essa condição costuma ser confundida com a do idealista, o que é uma distorção grande. Os idealistas são guardiães do que escreveram seus mestres e temem que a aura deles seja maculada – pois se isso ocorre fica ameaçada seu próprio poder e sua condição de apóstolo do divino ou da razão. Esse papel de apóstolo não quero pra mim, nem pra ninguém.

Depois da banca vou organizar um joguinho de futebol com os amigos – espero que tenha sobrado algum, depois de tanta ausência. E quem sabe voltar a ter uma vida mais normal. A começar com a retomada desse espaço, que é bem anos 1990, sim. Afinal os blogs sairam de moda. Mas sei lá, me recuso a aceitar que os espaços possíveis de reflexão na internet contenham somente 140 caracteres ou estejam necessariamente limitados ao perímetro do Facebook, Orkut, Linkedin e quetais.

Existe alguma coisa de improvável na escrita de uma tese. Esse nome que a pompa da academia resolveu dar em algum momento ao resultado de uma investigação, que é feita com certos pressupostos e dentro de algumas regras – como aliás, toda investigação é feita. A improbabilidade é mais real, palpável e cheirosa entre a metade e o término do tempo que lhe deram: uma costura de impossibilidades que o sujeito tem que chamar de ‘meu trabalho’ é um fio tênue com o qual se agarra o doutorando e, de fora, nada parece que vai se arrumar.

É claro que isso ão é geral. Assim como esse blog não se pretende geral, nem eu sou geral. No geral, ninguém é geral para ninguém. E o geral em geral é ‘em  geral’… Mas tergiverso.

O fato é que aquela arquitetura que ao final parece tão fechadinha, tão bem resolvida, como os sociólogos que parecem ter nascido sociólogos, esconde uma cadeia de gambiarras, de maquinações, de solvências, de mapas, arranjos, planos, rampas, estiligues, cordas de nylon, baldes, tintas, relógios, alçapões, pianos e violinos, bigodes e escaramuças, vontades e dormências, um jogo de dominó que não acaba durante quatro anos, botinas, macacões de trabalho, óculos de proteção, martelos, pregos, serrotes, machados, alicates, fios, pêndulos, roldanas, pontes, aritmética e álgebra e um pouco trigonometria.

Quando do meio pro fim você percebe que é possível tirar alguma melodia desse entulho de possibilidades, quando finalmente você vê ali no fundo uma possibilidade de que a peça se estique até o arco e dispare um solfejo colorido; quando você finalmente vê que poderá logo logo tomar uma cerva no sábado à tarde sem culpa, você enche o peito de novo e diz:

Ok, go.

Esse blog entra agora de férias por tempo determinado.

A partir dessa quarta-feira vou começar a trabalhar à tarde aqui na Secretaria. Acordei com a chefia que assim farei até o final do mês para poder terminar a tese. Meu plano é viver uma disciplina que na verdade faz tempo eu não tenho. Ou é assim ou não sai. O que é o mesmo que dizer  ‘ou vai ou racha’ . As coisas vão ser mais ou menos assim, variando pouco:

04 h – acordar com fé em Deus e disposição para trabalhar

4h30 – 12 horas – escrita do capítulo 3, revisão dos capítulos anteriores e correções

14 h – 19h30/20 – trabalho na Secretaria

22h – 24h – escrita do capítulo 3, revisão dos capítulos anteriores e correções

Os horários devem mudar um pouco somente nos horários e dias em que me dispuser a fazer exercício físico e/ou nos dias em que eu resolver tomar uma cerveja porque eu não deixei de ser filho de Deus. Esse acoxo no tempo, na verdade, é algo conhecido já. Principalmete por quem fez algum curso ligado a comunicação. Por falar nisso, devo reduzir minha presença na internet de forma geral, o que não é somente uma medida para ter mais tempo. É uma providência para sentir menos angústia – aquela angústia de saber que tem uma festa lá fora e você não está participando.

No mais é deixar de frescura e permitir que as coisas sigam seu caminho. E ele é bom.

Vamo que vamo.

Rafael Galvão

Até ontem, fazia quase quatro anos que eu não via um jogo da seleção brasileira de futebol. O último tinha sido Brasil e França durante a copa de 2006. Não senti falta.

Mas ontem a ESPN exibiu o jogo Brasil x Itália, de 5 de julho de 1982, no estádio Sarriá, em Barcelona.

Fazia 28 anos que eu não assistia àquele jogo.

E de repente me vi gritando como se o jogo fosse o de uma final de Copa do Mundo.

Me vi xingando Serginho cada vez que ele pegava na bola e fazia alguma besteira.

Me indignei de novo ao ver a camisa rasgada de Zico no pênalti que o juiz israelense não deu.

Me irritei com Cerezzo nas duas bobagens que ele fez e que acabaram resultando em gols.

Tive a mesma sensação de desagravo que tive há 28 anos, ao ver Zico caminhando com a bola em direção a Gentile, mostrando quem é que afinal tinha o respeito da bola.

E me emocionei novamente ao ver as veias saltadas de Falcão na comemoração do segundo gol do Brasil aquela foi uma das belas imagens da copa, e a Placar da semana seguinte estampou essa foto.

É preciso um certo grau de loucura para fazer isso, torcer novamente por um jogo tão antigo e do qual você sabe o resultado. A loucura é ainda maior porque eu sequer tenho esse amor todo ao futebol, posso passar anos sem ver um jogo, isso não me faz falta, não mais. Além disso, são 28 anos, tempo suficiente para fazer com que tudo isso tivesse se tornado uma lembrança amorfa e insípida.

Mas aquele maldito Brasil x Itália de 5 de julho de 1982 não é apenas um jogo de futebol, nunca será. E agora, depois de perceber como fui capaz de fazer papel de idiota, eu tenho a certeza de que jamais vou conseguir ver aquele jogo como veria novamente qualquer outro, por exemplo. Ainda fico angustiado por não entender como o Brasil continuou deixando Paolo Rossi livre, em vez de fazer com ele o que Gentile tinha feito com Zico — sem bater tanto, claro. O ódio continua à camisa 20 da Itália; a Serginho que perdia gols feitos; a Cerezzo que apesar de craque errou feio como Clodoaldo em 70, mas que não conseguiu se recuperar e ainda errou mais uma vez; ao juiz filho da puta que não deu um pênalti óbvio demais. E a cada bola chutada para o gol eu me peguei torcendo para que ela entrasse, que talvez ainda houvesse uma chance de mudar a história.

Mas a bola nunca entrou, e o Brasil perdeu de novo para a Itália por 3 a 2, três gols de Paolo Rossi

Aquela é a seleção dos meus sonhos, a melhor seleção cujos jogos eu vi. Não vi os de 1958 nem de 1962, não posso falar deles. Mas vi todos os jogos do Brasil na Copa de 1970, e apesar de reconhecer o talento absurdo daquele time — um time com Pelé, Tostão, Gerson, Rivelino e Jairzinho? Pelo amor de Deus –, eu não vejo no seu futebol tanta beleza de conjunto, tanta perfeição quanto pude ver na seleção de 1982. Aquele time tinha o mesmo carinho pela bola que a gente vê na Copa de 1970, mas era ainda melhor porque o futebol tinha evoluído, tinha ficado mais rápido, e porque o time inteiro jogava com uma harmonia que eu nunca mais veria. Diziam e dizem que aquele time jogava por música, e é verdade. Que time lindo Telê montou; e quem não viu aquela seleção jogar não sabe o que é futebol, e nunca saberá, não importa quantos campeonatos brasileiros, italianos ou espanhóis assista.

Tem gente que diz que se o Brasil tivesse ganhado aquele jogo a história do futebol seria diferente, o jogo não teria ficado tão feio. Eu tenho minhas dúvidas: a evolução do futebol independe de qual seleção ganhou tal copa. O futebol seria o que é hoje independente de uma vitória brasileira. O Brasil ganhou em 1958, 1962 e 1970 e nem por isso o futebol europeu mundial virou uma beleza de se ver.

Mas a minha história seria diferente se o Brasil tivesse vencido aquele jogo e aquela copa. E eu certamente não ficaria, em 2010, gritando feito um idiota diante de um jogo que aconteceu há 28 anos

Por André Barcinski, na Foia SP

Quarta-feira, John Lydon, o ex-vocalista dos Sex Pistols, apareceu na TV americana anunciando a turnê de reunião de sua banda Public Image Ltd., que vai abrir o famoso festival Coachella. No dia seguinte, Malcolm McLaren, o homem que “inventou” Lydon e sua persona, morreu em Nova York. Mesmo brigados há muito tempo, aposto que McLaren expirou secretamente orgulhoso do pupilo. Afinal, foi ele quem ensinou Lydon a sobreviver no mundo pop.

Jovem, McLaren interessou-se pelas ideias de Guy Debord e do movimento Situacionista. Pelos 40 anos seguintes, ele transplantou essas ideias para o mundo pop, usando astúcia, faro para o novo e tino comercial. McLaren foi um grande manipulador da mídia que soube, como poucos, inventar situações e polêmicas para chamar a atenção. Era um oportunista nato e um farsante genial.

No início dos anos 70, McLaren percebeu o potencial comercial do punk rock, com New York Dolls e Sex Pistols. Sabia que a molecada ia gostar do som e que os intelectuais cairiam no conto da “música proletária”. Tinha certeza também que a mídia babaria com jovens que xingavam a rainha e se furavam com alfinetes. McLaren não só montou os Sex Pistols, mas criou o estilo da banda e orientou suas atitudes. Os Pistols foram seu Frankenstein.

Claro que McLaren não tinha nenhum interesse pela música dos Pistols. O punk rock foi apenas um laboratório para ele experimentar suas teorias sobre a manipulação da mídia e do público. Assim que o punk deu os primeiros sinais de fadiga, pulou para outra: nos anos 80, “descobriu” o hip-hop, o break e a cultura de rua negra. Lançou “Duck Rock”, disco que ajudou a difundir o hip hop na Europa (as faixas “Buffalo Gals” e “Double Dutch” chegaram ao top 10 na Inglaterra).

Depois do hip-hop, McLaren flertou com a eletrônica, ópera e trilhas para cinema. O disco “Waltz Darling” (1989), inspirado no estilo de dança “vogue” dos clubes gays de Nova York, antecipou o sucesso “Vogue”, de Madonna. O que comprovou, mais uma vez, sua capacidade de antever tendências.

Nos últimos anos, McLaren dedicou-se a projetos diversos, sem nunca deixar a polêmica de lado. Chegou a anunciar sua candidatura à Prefeitura de Londres, mas não concorreu.

Em 2007, ganhou manchetes ao abandonar a gravação de um “reality show” da TV inglesa, acusando a produção de ser “uma farsa”. Logo ele, que inspirou e estrelou “A Grande Farsa do Rock and Roll” (“The Great Rock and Roll Swindle”), o filme de Julian Temple sobre o Sex Pistols. É preciso um farsante para reconhecer outro.

Você conhece Lhasa de Sela?

Luiz Carlos Pinto | 4 de abril de 2010 16:03

Por Luciana Palharini, do site Comciência

Há quem pense que não há, na história da música, revolução maior do que o formato digital. Mas do analógico ao digital, muita história se passou. Para isso, é preciso voltar bem atrás no tempo, em meados do século XIX, um tempo em que a música exigia a espera do evento que iria acontecer, quando a única possibilidade de experienciá-la era assistir uma orquestra que estaria na cidade. Exigia também silêncio, atenção, os ouvidos ficavam atentos tanto quanto os olhos, e o que se levava para casa eram apenas a memória e os sentidos.

A primeira invenção capaz de gravar e reproduzir o som e, consequentemente, de possibilitar a audição doméstica da música, foi criada em 1877, por Thomas Alva Edison (1847-1931), em Nova Jersey, nos Estados Unidos. O aparelho foi batizado de phonograph, que poderia ser traduzido por fonógrafo, e consistia num cone em cujo vértice era colocada uma membrana ou diafragma com uma agulha no centro e um cilindro metálico ligado a uma manivela que, acionada manualmente, fazia o cilindro girar com o propósito de gravar ou reproduzir um som. É o período dos cilindros, denominado por pesquisadores, como Eduardo Andrade, professor do curso de música do Instituto de Artes da Unicamp, como “período acústico mecânico”. Ou seja, intervenção elétrica zero.

O disco, na forma circular como conhecemos, hoje apelidado carinhosamente de “bolachão”, foi criado em 1887 por um imigrante alemão, Emile Berliner, e era tocado pelo gramofone, aparelho construído por Eldridge R. Johnson e que tinha um motor helicoidal. No início, era feito de goma-laca, uma secreção vegetal importada da Ásia. Caros, pesados e frágeis, os primeiros discos variavam de 60 a 120 rpm (rotações por minuto). Com o tempo, essa disparidade de velocidades logo caiu para um intervalo entre aproximadamente 76 e 82 rpm. E por volta de 1910, a Victor Talking Machine Company, antecessora da RCA Victor, adotou o 78 rpm como a velocidade padrão, e essa foi adotada por toda a indústria de discos. Os 78 rpm eram fabricados em sete polegadas de diâmetro e comportavam no máximo uma música de cada lado.

Após a Segunda Guerra Mundial, o Japão corta o suprimento de goma-laca que ia para os Estados Unidos e a indústria fonográfica se vê obrigada a buscar outros materiais. O vinil, um plástico térmico muito mais leve e resistente que a goma-laca, foi o material escolhido e trazia uma nova vantagem sonora: estava totalmente apropriado à descoberta da gravação por microssulco (microgroove), entalhes de tamanho menor na superfície do disco. Em 1949, a RCA lança o disco de 45 rpm e um toca-discos especialmente desenhado para reproduzi-lo. Tal invenção só não fizera mais sucesso porque coexistiu com a chegada do disco de 33 1/3 rpm, que recebeu o nome de LP, do inglês long play, lançado em 1948 pela Columbia, e que se popularizou nos anos 1950 e 1960.

O LP foi, sem dúvida, a grande revolução musical da primeira metade do século XX. Com o advento do LP, o evento da audição musical passou a acontecer no ambiente doméstico. “O som ficava no meio da sala. Você comprava um disco do Chico Buarque, vinha o vizinho, vinha o amigo, ouvia-se o disco todo, um lado, depois o outro, discutindo o disco, acompanhado por uma bebida, era um evento. Tinha a coisa do fetiche da mercadoria, era um ritual”, conta o DJ Paulão, pesquisador e produtor musical, dono de uma respeitável coleção de discos. A denominação, long play, que abandona a referência técnica das rotações por minuto, diz tudo: o disco permite um maior armazenamento de informações em cada lado, passando a comportar muito mais músicas. De acordo com o jornalista Leonardo De Marchi, no artigo “A angústia do formato: uma história dos formatos fonográficos”, publicado na revista eletrônica e-compos, da Universidade Federal Fluminense, fruto de sua pesquisa sobre a indústria fonográfica independente e novas tecnologias de comunicação, o nome long play sugere uma “nova experiência de consumo sonoro, temporalmente ‘alongada’ em relação aos formatos anteriores”, e é, a partir de então, o preferido pelo grande público e pela indústria fonográfica.

À medida que houve melhora da alta fidelidade da gravação, da durabilidade do material suporte em que o som era gravado (vinil) e da possibilidade de portar esse som, aumenta também o consumo, e é nos anos 1960 e 1970 que se tem um boom comercial na venda de discos. Nesse sentido, o padrão de consumo do LP merece atenção. A capa, com um grande volume de informações sobre o álbum e trabalhada com um requinte gráfico cada vez maior, coloca o disco na mesma categoria de valores do livro. “Com o surgimento da estética do álbum, os discos passam a ser vistos como obras de arte em si. O LP passa a ser consumido como livros, ou seja, um suporte fechado, passível de coleção em discotecas privadas – com status de objeto cultural, afinal julga-se a cultura musical de uma pessoa pela discoteca que possui”, afirma De Marchi.

Mas os anos de glória do LP, que não foram poucos, estavam prestes a ter um fim. Em 1983, surge um novo suporte, o compact disc ou CD, feito de alumínio, menor e mais leve do que um LP e com capacidade para armazenar aproximadamente 70 minutos de música. Está inaugurada a era digital, que tem como características praticidade e portabilidade: fácil de gravar, fácil de reproduzir, fácil de carregar.

A fita magnética já havia trazido as mudanças para o estabelecimento dessa nova fase. Criado bem antes, em 1935, o princípio magnético revolucionou os métodos de gravação em estúdio. “Não apenas as fitas magnéticas eram o suporte adequado às inovações tecnológicas como também eram maleáveis, podendo ser cortadas e editadas, criando novas técnicas de manipulação sonora no estúdio”, conta De Marchi. E trouxe, também, transformações no consumo da música: a possibilidade de se carregar o som no corpo, de ouvi-lo ao andar pelas ruas, com o surgimento da fita cassete e do walkman.

Com o CD, o princípio da portabilidade é o mesmo, o produto é inclusive mais delicado do que as fitas cassetes e exige um cuidado maior para se carregar. Mas a qualidade sonora do CD em relação à fita cassete carimbou a inovação do disc man, que se disseminou rapidamente em poucos anos. Também de forma rápida se deu a adoção da tecnologia no ambiente caseiro: em poucos anos, os aparelhos de som à base de madeira e aço que comportavam toca-discos foram substituídos por aparelhos mais modernos, feitos de plástico, com um CD player. Melhor dizendo, não havia opção: em menos de dez anos, não era mais possível comprar um aparelho de som para uso doméstico que tocasse LPs. Enquanto isso, coleções de discos eram colocadas no lixo por milhares de famílias e as fábricas de vinil foram desaparecendo. Foi a ditadura do CD.

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A partir de agora o Soy Loco por Ti stá com uma série de funcionalidades que já de deveria instalar já há tempos. Por falta de tempo, de disponibilidade e de atenção aos  mecanismos de publicição de conteúdos mais recentes, o feed do blog disponibilizava apenas o títulos dos ( raros e recentes) posts . Diante de lastimável situação e diante da instigação de Orlando, resolvi dar um tapa no  blog, com a preciosa ajuda do design certo para as horas incertas, Anízio Silva.

Atualizamos 100% do editor do blog (que já tava dando mostras de que poderia dar problemas como da outra vez, quando uma turminha tinha começado a fazer uso de uma falha na segurança para vender remédios através do site). O Wordpress está funcionando de novo às mil maravilhas agora e o ambiente de edição é muito bom. Anizio ainda ajudou na configuração do FeedBurner. Os feeds, para quem quiser, estão disponíveis na forma integral… é só conferir na listagem à esquerda. Quem tiver interesse também pode solicitar o recebimento dos posts via email ou socializá-los nas redes de que participa através dos links abaixo de cada um dos textos.

Também associei a postagem no blog ao twitter,  de modo que eventuais interessantes, críticas, vontades e e outras coias aqui colocacas possam ser publicizadas de forma mais efetivas.  Vamo que vamo….