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Archive for the 'Coisas imateriais' category

Carlos Henrique. no Trezentos

Depois de sair combalido da zona de guerra criada pelo seu alto comando, o Ministério da Cultura se isola politicamente para se fazer de morto e mergulhar numa agenda tarefeira, protocolar e cheia de incertezas.

Depois de cinco meses de declarações inconseqüentes, alianças com as múltiplas formas de poder de grandes grupos, o MinC exibe uma contida atuação para sair do verdadeiro campo de batalha em que se meteu. Não esperava uma sociedade em prontidão que já havia construído uma rotina de riqueza nos debates capaz de rechaçar o poder autoritário de uma “guerreira” que distribuiu ataques a vários programas da gestão anterior, mas, sobretudo tratou os ativistas do software livre como bárbaros digitais.

O MinC está que é só melindre, pois a readaptação imposta pela intervenção do gabinete da presidência travou os espaços para que as intencionalidades da Ministra não dependessem mais do espírito do supetão. O Ministério da Cultura está politicamente à deriva, moribundamente satisfeito com a condição de ser rebocado e, com isso, não ter que trazer nenhuma solução para o desmonte que ele próprio promoveu e, muito menos ampliar a agenda em nível global sobre o necessário debate da cultura brasileira.

Com a chegada desse novo comando, o ambiente cultural foi impregnado de uma santificada ideologia de mercado, sem explicar como, quando e aonde essa situação empobrecida se daria. A cultura civilizada pelo mercado prometia um fluxo aos manufaturados que, subordinados a uma cadeia, redistribuiria a força de uma produção artística revalorizando, principalmente o artista que mais se afinava com os movimentos do mercado, dependendo assim de seu nome estar associado ao estatuto industrial.

Redefinida essa função, o MinC secaria as fontes que sustentam os programas Cultura Viva e Cultura Digital, numa fragmentação cotidiana onde os pedaços desse sistema fossem caminhando de forma débil até que sua relação com a sociedade tivesse menos poder político. Só que a hegemonia emblemática com a qual o MinC quis se alinhar não encontrou uma sociedade em desordem, ao contrário, os sinais indicaram que houve uma evolução extraordinária nas novas estruturas em rede. Esta foi politicamente uma questão crucial para expor o paradoxo da ideia central que o MinC, com seu limite perverso, quis nos impor.

Bem, a partir de agora, ambos, sociedade e Ministério da Cultura terão que refundar uma lógica política formada pelo governo e pela sociedade, pois a produção econômica da cultura de massa ou do mercado global que foi nesses cinco meses a grande moeda do MinC – empresa parece que não tem sequer argumentos artificiais para se manter politicamente de pé por sua significativa incoerência com a realidade da cultura contemporânea no Brasil.

Mas o que parece é que a nova gestão não tem conhecimento concreto do atual histórico da cultura brasileira. Então, vemos que, sem uma prática de solidariedade e com total descrédito de seus discursos, o ministério de Ana de Hollanda permanece de pé apenas por uma “produção racional” simplificada mediante o imbróglio político em que se meteu, dependendo de soluções técnicas para servir a uma agenda de dimensão restrita e funcional que não necessite de desastrosas declarações da ministra para que, no anonimato, o ministério agüente, aos trancos e barrancos e na base da piedade, uma mudança de comando para que seja refundada a efetivação potencializada dos programas que eram a principal chamada da campanha de Dilma para a cultura.

Carlos Henrique, no Trezentos

A Lei Rouanet volta à ribalta no debate do MinC. E nós, enquanto sociedade, discutimos se ela é ou não um corpo produtivo ou se tem dinâmica determinante para continuar sendo a mandatária das políticas públicas de Estado para o setor da cultura. Não! A única coisa que podemos afirmar nesse modelo Estado/empresa é que sua força centrífuga criou um sistema que determina como os macro-agentes do setor privado construirão suas novas relações com a sociedade, cada vez mais de cima para baixo.

A Lei Rouanet criou um mundo pobre, dependente e de práticas limitadas, sobretudo nas relações assimétricas com o restante do mundo cultural. A longa e penosa caminhada de vinte anos desta lei expõe claramente que a infraestrutura baseada numa espécie de preparação para a unificação financeira, via modelo de renúncia fiscal, fez da própria lei a principal mercadoria de um comércio regional, concentrador que pode sim ser considerado um novo episódio de guerra destinado a fortalecer as classes dominantes através da cultura corporativa.

O que há de singular nessa geografia cultural erguida pela Lei Rouanet são os novos e onerosos espaços que formam hoje um elenco com condições não só de realizar a pior das verticalidades, como também, em nome da “grande força motora” da economia cultural, potencializar apenas o indiscutível modelo que concentra um conjunto de produções burocráticas. Produções estas cujas características implicam num congelamento das verbas e transformam a cultura institucional brasileira num espaço banal de extensão continuada.

O dito equipamento modernizado com pontos escolhidos pelas respectivas empresas criou um paralelo, uma personalidade da cultura capitalista limitada aos fatores dos próprios institutos e fundações empresariais, o que mostra o limite do discurso da cultura neoliberal, sobretudo quando falamos de um universo onde o Estado precisa fortalecer os movimentos populares, principalmente os protagonizados pelas camadas mais pobres da população.

Durante os quatro anos em que venho fazendo críticas à Lei Rouanet, algumas pessoas até bem intencionadas, quando eu pedia a extinção da lei, me perguntavam, o que eu colocaria no lugar. E minha resposta era: que lugar é esse? A Lei Rouanet criou um reino de artifícios, um presente para empresas “patrocinadoras” que nada têm a ver com o fator produção cultural. O que quero dizer é que não há virtudes no papel da lei diante da vida nacional. Não há um espaço de vivência, não há horizontalidade. O que há é apenas uma interdependência dos próprios agentes corporativos com as empresas. Daí em diante toda uma pedagogia necessária de truques, mitos e fatalidades são criados pela ideologia embutida no discurso neoliberal de cultura.

Acontece que a Lei Rouanet deu início a uma espécie de fardão aos “novos donos do mundo da cultura”, por isso assistimos ao triunfalismo dos gestores corporativos que, a qualquer custo, se auto-proclamam senhores da terra, os únicos capazes de disciplinar a sociedade para o consumo do produto cultural. Isso naturalmente deixa o Estado brasileiro de joelhos, pois não há qualquer possibilidade de ampliação dos recursos que, sob o ponto de vista público, deveria ser utilizado em prol de uma luta legítima e ética que são as ações como o Programa Cultura Viva, pois os Pontos de Cultura que já apresentam um histórico absolutamente materializado trouxeram uma outra compreensão histórica de resistência orgânica contra o pensamento único da cultura globalizada.

A grande questão é que o diagnóstico da política cultural brasileira nunca foi progressista, pois tanto o Estado quanto o mercado sempre foram eminentemente autoritários. A partir do governo Lula é que o Brasil teve uma política pública de cultura, uma nova consciência das nossas realidades. Sem dúvida, os pontos de cultura e a cultura digital trouxeram ao espaço físico e cultural não mais uma política opressora, mas uma política do oprimido. Não mais uma política de resignação que destrói o ser em seu cosmos natural, mas uma resistência que vem discutindo todo o complexo de um mundo que estava apenas na subjetividade e que ganhou corpo e musculatura para ser o novo motor das ações conjuntas entre Estado e sociedade.

Por isso é lamentável e até curioso que uma Ministra de Estado defenda um aporte de R$1,300 mil a um artista consagrado para a construção de um blog, como se o Estado tivesse que seguir a tabela do mercado. É esta confusão que, se não é ingênua é perversa, que resiste nos novos conteúdos do espaço público. Se a proporção fosse associada pura e simplesmente a uma ordem de origem e destino, ou seja, se somássemos todos os recursos públicos destinados à cultura e os dividíssemos de forma republicana e, consequentemente horizontal, constataríamos que seriam suficientes para a concretização de todos os nossos sonhos de democracia cultural.

Precisamos reinventar o Brasil.
Porque as narrativas que o inventaram têm sido exclusivamente daqueles que se abraçaram à ordem e o progresso da bandeira, daqueles que sempre tiveram em mãos os instrumentos certos para que seu discurso fosse entronizado. É preciso redesenhar o Brasil à imagem e semelhança de sua precária virtuosidade.

É preciso reinventar a fala do Brasil sobre o Brasil.
Francisco Oliveira já afirmou de tantas formas diferentes, em tantos lugares diferentes: a anulação da fala, do dissenso, da política faz parte de nossa história. Mais até: é a forma pela qual se desenhou o ‘mapa mundi do Brasil’, nossa história extemporânea. O mesmo Chico nos disse que a procura da política, que seu encontro e manifestação sempre foram demandas da parcela dos sem parcela, daqueles extratos que na matemática oficial não contavam. Ou não convinham.

E no entanto, o silenciamento da fala, a relativa anulação da política, a contagem daquilo e daqueles que contam e que merecem ser contados sempre estiveram ancoradas à conveniência dos que escreviam a História.

É preciso recontar o Brasil, sua cartografia de discordâncias, seu mapa de vozes, de dissensos que passeiam todos os dias nas ruas, encharcadas de suor, poeira, e brilho. E a necessidade da retomada do Brasil passa pela retomada das tecnologias que permitem suas narrativas, seus mapeamentos, suas linhas de fuga.

Passa ainda pela atualização do debate sobre a comunicação e sua vinculação às lutas pela re-apropriação daquilo que é bem comum – fórmulas matemáticas, receitas culinárias, obras intelectuais de domínio público, patentes expiradas, a proteção conferida pelas Forças Armadas de um país, músicas de protesto, músicas reacionárias, músicas ligeiras, obras literárias, a luz dos faróis à deriva sobre os oceanos, os oceanos, iluminação pública sobre as vias e as vias públicas, softwares, algorítmos gerais, conhecimentos, experiências, metodologias de desenvolvimento.

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Por essas e outras, o ‘direito à comunicação’ não é mais um termo suficiente para se referir à problemática que envolve a comunicação. Na verdade, nunca foi. Minha impressão é que os movimentos pequeno-burgueses brasileiros sempre se referiram nesta seara a um dos aspectos de um mundo de problemas bem maior. A emergência de movimentos que tratam do bem comum, os commons, é um indicativo desse mundo de problemas.

Não dá mais para aceitar a hipótese, por exemplo, de que os grupos que realizam apropriação tecnológica,  jornalismo não comercial e mídia livre constituam apenas uma reação ao arranjo centralizado e monopolizado no setor da rádio-difusão no Brasil. Essa hipótese, que anos atrás encontrou forçar nos circuitos acadêmicos de pesquisa em comunicação, considerava que tais movimentos e ações procurariam ocupar espaço público, criando ambientes comunicativos físicos e virtuais para a expressão de singularidades, vivências e visões de mundo não hegemônicos e/ou contra-hegemônicos. Na verdade, essa ainda é a pauta que guia o Intervozes e o Fórum nacional pela Democratização da Comunciação e mesmo as Conferências.

Nesse sentido a ‘comunicação alternativa’ seria a oposição a esse arranjo de forças expresso pelos meios de comunicação de massa, com ações localizadas e pulverizadas. O que poderia e de fato ainda é interpretado como a formação de esferas públicas autônomas, nos termos da crítica realizada por Cohen & Arato (1992) ao conceito mobilizado por Jürgen Habermas. Ou seja, elas expressariam a reação preconizada às forças do sistema, representadas, no caso das comunicações, pelo monopólio da fala e pela anulação da política, nos termos usados por Francisco de Oliveira (OLIVEIRA, 1999) – a importância da leitura de Ranciére e da interpretação de Francisco de Oliveira para a história política brasileira precisa ser mais valorizada nos estudos de comunicação e na ação dos movimentos.

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Mas o problema maior a qual a “questão da comunicação” está vinculada não se restringe à “reação ao arranjo centralizado e monopolizado no setor da rádio-difusão”. As questões a que os grupos de mídia livre se referem expressam indisposições relativas à forma como o sistema capitalista gera, apropria, distribui, transforma a produção social de forma geral. E, em particular, a produção social em suas formas imateriais. É esse o pulo do gato que precisa ser dado e/ou percebido.

Yochai Benkler

Yochai benkler / Image via Wikipedia

Uma das boas referências para a compreensão da emergência desses grupos é a teoria elaborada por Yochai Benkler. O professor da Harvard Law School argumenta que a comunicação humana mediada se dá em três camadas (física, lógica e de conteúdo). Ainda que as formas de interação humana possam ser muito mais complexas do que esse esquema permite ver, ele se torna muito útil, porque boa parte dos antagonsimos que podemos identificar em relação a apropriação e compartilhamento de bens imateriais – e é essa a atualização necessária – se dá nas três camadas a que Benkler se refere em sua teorização:

Uma camada física. Está relacionado às licenças de transmissão por ondas de rádio e nos remete ao atual mercado altamente concentrado da comunicação comercial no Brasil e no mundo todo. De um ponto de vista mais geral, essa camada também nos remete à abundante bibliografia sobre o duplo papel que as corporações de comunicação e entretenimento desempenham na assimilação, pela ideologia liberal aggiornata (o neo-liberalismo), dos processos de globalização: legitimam o ideário global, transformando-o no discurso social hegemônico ou em outros termos,
reverberam a doxa invasiva e insinuante do neo-liberalismo (BOURDIEU, 2001); mas também atuam como agentes econômicos globais, por onde vendem seus próprios produtos e intensificam a visibilidade de seus anunciantes.

Em uma interessante interpretação dessa potencialidade, Octavio Ianni considera a mídia – as corporações de entretenimento e comunicação – uma nova configuração do “príncipe” de quem falaram Maquiavel e Gramsci. Nessa linha, a metáfora revive de modo inesperado, quando a mídia assume a figura do príncipe da modernidade-mundo, ao lado do líder e do partido, ou acima e além deles (IANNI, 2003: 134). Esse duplo papel estratégico é fundamental para a consolidação do capital monopolista trespassado por uma nova substância política reguladora das trocas globais (Sodré, 2005), da estratificação e do poder hegemônico na contemporaneidade.

A camada lógica é o segundo nível de conflitos identificado e, ainda seguindo Benkler, refere-se a “padrões, protocolos e softwares necessários, como os sistemas operacionais” e que “oferecem um ponto de controle sobre o fluxo e, portanto, sobre as oportunidades de produção e compartilhamento de informação e cultura, (SILVEIRA
et al, 2006). Esse é o terreno da formação das chamadas “comunidades de desenvolvimento”, que procuram criar autonomamente plataformas tecnológicas e usos alternativos para recursos sociais com base nos quais ambientes comunicacionais fora do eixo comercial se estruturam, produzem e distribuem um enorme leque de bens
culturais – músicas, vídeos, programas de rádio, programas de tv, entre outros. Essas plataformas incluem listas de discussão, fóruns, servidores e repositórios (arquivos) onde são alocados os registros de manifestações culturais periféricas e/ou contra hegemônicas.

É a atuação sobre a camada lógica que acena com as possibilidades de uso ou ressignificaçào de recursos técnicos que permitem a produção e a distribuição massiva de informação, cultura e conhecimento sem a necessidade de uma estrutura industrial que suporte tais atividades – daí sua crescente relevância, pela implicação que tem em
áreas aparentemente tão diversas quanto desenvolvimento de softwares, jornalismo, documentarismo e formatos de TV, (MAZETTI, 2006; DUNBAR-HESTER, 2009; SLACK, 1984).

Por fim, a camada do conteúdo, o terreno do controle rígido sobre a apropriação monopólica de bens imateriais e simbólicos. O conflito inerente à camada de conteúdo se remete às indústrias da comunicação e do entretenimento. O debate e a atuação dos grupos que procuram desenvolver mídias livres se dá em torno da legitimidade desses monopólios e dos efeitos que a restrição legal ao acesso a tais bens trazem para as possibilidades de expressão cultural na sociedade, no âmbito de corporações monopólicas cuja hegemonia em muito é debitária desses marcos legais. O apego dos grandes grupos de comunicação e entretenimento à manutenção e ampliação dos direitos autorais, sobretudo, está na forma com que os princípios que regem a legislação (em escala internacional e que orienta as legislações nacionais) foram criados no início da era moderna. Em certa medida, o conflito ocorre em um nível retórico e argumentativo. O debate sobre a legitimidade dessas regulações também fez surgir nos últimos anos formas não comerciais e alternativas de regulação do acesso aos bens imateriais (LESSIG, 2005) – colocando-se assim para além da crítica à legitimidade dos marcos legais de alcance nacional e internacional.

Deve-se observar que esses níveis de conflito possuem um acento na hibridação e outro na transversalidade. O entendimento de BENKLER (2006) pode e deveria orientar a compreensão dos conflitos às quais as ações coletivas com tecnologias livres no Brasil se referem, direta ou indiretamente. Talvez assim se possa compreender que a chave “direito à comunicação” não dá conta do que está colocado na odem de discussões.

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Aquela pauta segundo a qual é necessário criar as condições de possibilidade dos canais para a veiculação dos relatos não hegemônicos ainda continua válida, óbvio. Mas não cabe mais na bandeira da democratização da comunicação. Ela se espalha para a apropriação de tecnologias da informação, para o desenvolvimento de plataformas livres de comunicação, para o letramento digital (com preferência aos softwares livres); ela se projeta sobre a necessidade de debater sobre o bem comum chamado espectro eletromagnético como recurso de todos e a forma de regulação que queremos para esse bem – como é possível que nessa discussão não se aprofunde, nessas instâncias mais institucionais as alternativas de espectro aberto? Ou o legado das metodologias da comunidade hacker?

Minha impressão é que a mudança da legislação arcaica do Brasil pecisaria ser puxada pela sociedade civil em consonância com  esses aspectos, de forma a atualizar não somente o debate, mas as próprias armas. Porque o front já se renovou…

Enhanced by Zemanta

Excelentíssima Presidenta Dilma Rousseff,

Esta carta é uma manifestação de pessoas e organizações da sociedade civil e busca expressar nosso extremo desconforto com as mudanças ocorridas no campo das políticas culturais, zerando oito anos de acúmulo de discussões e avanços que deram visibilidade e interlocução a um Ministério até então subalterno. Frustrando aqueles que viam no simbolismo da nomeação da primeira mulher Ministra da Cultura do Brasil a confirmação de uma vitória, essa gestão rapidamente se encarregou de desconstruir não só as conquistas da gestão anterior, mas principalmente o inédito, amplo e produtivo ambiente de debate que havia se estabelecido.

Os signatários desta carta acreditam na continuidade e no aprofundamento das políticas bem-sucedidas do governo Lula. Essas políticas estão sintetizadas no Plano Nacional de Cultura, fruto de extenso processo de consultas públicas que foi transformado em lei sancionada pelo presidente, e que agora está sendo ignorado pela ministra. Afirmamos que, se a gestão anterior teve acertos, foi por procurar aproximar o Ministério das forças vivas da cultura, compreendendo que há um novo protagonismo por parte de indivíduos, grupos e populações até então tidos como “periféricos”, entendendo as extraordinárias possibilidades da Cultura Digital. Essa não é apenas uma discussão sobre ferramental tecnológico e jurídico, mas sobre todo um novo contexto criativo e cultural, pois essas tecnologias têm sido apropriadas e reinventadas em alguma medida por esses novos atores. É nesse território fundamental, da inserção da Cultura Digital no centro das discussões de políticas culturais do Ministério e da busca da capilaridade de programas como o Cultura Viva, com os Pontos de Cultura, que a Ministra sinalizou firmemente um retrocesso.

Ao bloquear o processo de reforma da lei dos Direitos Autorais, ignorando as manifestações recebidas durante 6 anos de debates, 150 reuniões realizadas em todo o país, 9 seminários nacionais e internacionais, 75 dias de consulta pública através da internet que receberam 7863 contribuições, a Ministra afronta todo um enorme esforço democrático de compreensão e elaboração. Se há uma explicação constrangedora nessa urgência em barrar uma dinâmica política tão saudável, é a de vir em socorro a instituições ameaçadas em seus privilégios, como o ECAD (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição) e as associações que o compõem, que apoiaram de forma explícita e decidida as políticas culturais e o candidato derrotado no pleito eleitoral presidencial.

Mas esse “socorro”, como dissemos, se dá ao arrepio da Lei 12.343 de 2 de dezembro de 2010, que aprovou o PNC, estabelecendo claramente a obrigação de reforma da Lei dos Direitos Autorais (conforme os itens 1.9.1 e 1.9.2 que determinam “criar instituição especificamente voltada à promoção e regulação de direitos autorais e suas atividades de arrecadação e distribuição” e “revisar a legislação  brasileira sobre direitos autorais, com vistas em  equilibrar os interesses dos  criadores, investidores e usuários,  estabelecendo relações contratuais mais  justas e critérios mais  transparentes de arrecadação e distribuição”). Ao afirmar que o texto da lei é “ditatorial” e que a proposta construída durante o governo Lula é “controversa” e não atende os “interesses dos autores”, a Ministra deliberadamente mistura o interesse dos criadores com o dos intermediários, e contrabandeia para o seio do governo Dilma precisamente as posições derrotadas com a eleição da Presidenta.

A questão da retirada da licença Creative Commons do portal do MinC também merece ser mencionada, por seu simbolismo. O Ministério da Cultura do governo Lula foi pioneiro em reconhecer que as leis de direito de autor estão em descompasso com as práticas desta época, e que seria imperioso aprimorá-las em favor dos criadores e do amplo acesso à cultura. Esse avanço foi expresso no PNC no item 1.9.13, que prevê  ”incentivar e fomentar o desenvolvimento de produtos e conteúdos culturais intensivos em conhecimento e tecnologia, em especial sob regimes flexíveis de propriedade intelectual”. Ao contrário do que tem dito a ministra, as licenças CC e similares visam regular a forma de remuneração do artista, e não impedi-la. Elas buscam ampliar o poder do autor em relação à sua obra e adaptar-se às novas formas de produção, distribuição e remuneração, aos novos modelos de negócio que essas tecnologias possibilitam.

Assim, entendemos que as iniciativas da atual gestão do Ministério da Cultura não são fiéis nem à sua campanha presidencial, nem ao Plano Nacional de Cultura e nem à discussão acumulada, representando, na melhor das hipóteses, um voluntarismo desinformado e desastroso, e na pior delas um retrocesso deliberado. Apoiamos a Presidenta Dilma Rousseff em sua manifestada intenção de continuar valorizando e promovendo a cultura brasileira, fortalecendo uma liderança global em discussões onde a nossa postura inovadora vinha se destacando dos modelos conservadores pregados pela indústria cultural hegemônica dos Estados Unidos e da Europa. Para isso é necessário que o Ministério da Cultura se coadune à perspectiva do governo Dilma, de compreender, aprofundar e ampliar as conquistas das políticas culturais do governo Lula.

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Paulo Lara, fotografado no momento em que preparava a palestra

Na próxima sexta-feira, 29, o Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e a Rede Coque Vive promovem a palestra As potências da mídia tática e s caminhos da comunicação autônoma, com Paulo “Pajé” Lara. O encontro é um dos ponta-pés da intervenção que estamos realizando na comunidade do Coque e que são formadas por oficinas de áudio, vídeo, experimentação com hardware, construção de ambientes web, web rádio, etc. Pajé é um dos auxílios luxuosos dessa empreitada. Abaixo, um resumo da palestra. O encontro é aberto  a todos com interesses em cultura livre, democratização da comunicação, políticas culturais, políticas de mídias, políticas do afeto, apropriação crítica de tecnologias, etc.

As potências da mídia tática e s caminhos da comunicação autônoma

Um dos desafios tanto do Estado brasileiro quanto da sociedade civil é estruturar o país para uma nova realidade econômica e geopolítica que virá com os próximos anos. Se nada de desastroso ocorrer, o Brasil passará a ter em torno de 30 milhões a mais de consumidores. O grande desafio, portanto, passa a ser oferecer as possibilidades de uma vida completa e emancipada para milhões de pessoas que estiveram até hoje em um estado de extrema obliteração. Isso, praticamente, remete a pergunta: O que fazer politicamente com a cultura, estética e educação em relação a grupos que estão passando a consumir, acessar e participar da vida social, evitando que se tornem apenas “serviçais voluntários”?

A preocupação que se apresenta a uma “nova classe média” surge pelo fato de que o consumo, material e simbólico acarreta em um modelamento da consciência por parte de diversas forças que não raras vezes atuam contra a sociedade. Atentaremos aqui para o modo como a aquisição de educação, “cultura”, conhecimento crítico, capacidade de análise e de uma prática sensível pode promover uma autonomia tecnológica capaz de colaborar com a formação de uma comunidade potente.

Para isso, torna-se urgente a atenção para a capacidade das formas de expressão segundo os próprios termos, além de um aprendizado estético e tecnológico, que é sensível, político, radical e aponta para uma nova forma de encarar as regras do pensamento. Isso significa antecipar um exercício que é tecno-social, na medida em que forma e apresenta uma visão de mundo construída a partir das próprias experiências, conhecimentos e desejos.

Com a possibilidade da intervenção no campo simbólico a partir de máquinas comunicacionais, as potências artísticas, culturais, educacionais, sentimentais e técnicas afloram no sentido de uma descoberta da própria expressão e da negação da imposição de vontades e políticas alheias. Neste sentido as possibilidades da comunicação preparam uma sociedade mais crítica, analítica e autônoma, que aprende que a matéria prima da cultura está na base da formação e desenvolvimento social. Com isso, apresentaremos elementos dos usos das tecnologias que atiçam uma criatividade política e uma inserção na vida pública, permitindo a grande parte do povo brasileiro ser mais que mero consumidor e passando a ser produtor de seu próprio destino.

Dia 29 de abril, a partir das 9 horas

Auditório do PPGCOM – UFPE, CAC, 1º andar.

Hoje pela manhã e à tarde instalamos o Ubuntu 10.10 nas máquinas que usaremos nas oficinas do Projeto Coque Livre. Acho uma etapa importante essa, sobretudo porque ela implica em contar que as pessoas que passarão pelas oficinas serão levadas a usar uma outra plataforma de relacionamento com a máquina. É uma mudança de paradigma muito grande. Até hoje, os usuários do telecentro montado no NEIMFA usavam o Windows. Além do estranhamento natural com novas interfaces, procedimentos, lógicas de relação com o objeto técnico (o computador) e com objetos imateriais (o que for produzido nesa nova plataforma) existe um aspecto que não pode deixar de ser levado em consideração: é que o Linux não foi pedido por essas pessoas, ele está sendo “implantado” por um “pessoal de fora”. É um grande risco, se considerarmos ainda mais que a maior parte dos que passarão pelas oficinas são adolescentes, uma idade complicada para todos, de negação, de não aceitação do que os adultos lhes mostram, etc. Eu sei que essa é uma análise vaga e superficial, o que eu tô procurando refletir inicialmente é a necessidade de levarmos em consideração essa dupla articulação que envolve a instalação de um novo sistema operacional: a faixa etária (e sua carga comportamental) dos que farão as oficinas e o fato dessas novidades no trato com o computador ser mediado agora por um sistema que não foi solicitado.

É por essas razões que a instalação – e se possível, a migração gradual do NEIMFA ou ao menos de seu laboratório a plataformas livres – precisa ser feita com atenção, cuidado, atentando para as dimensões culturais estabelecidas no relacionamento com o espaço e seus mecanismos – telemáticos ou não. Daí a necessidade da expressão do afeto num espaço/ambiente real, de pessoas reais, de história real. Daí a necessidade de preparar as máquinas de modo a que o estranhamento não seja tal que cause antipatia, aversão, e no limite evasão.

O ideal é que o processo de instalação e configuração dos computadores acontecesse de forma coletiva, talvez numa oficina, e sendo realizada de forma intensiva pelos próprios alunos, guiados pelos oficineiros. Seria a oportunidade para discutir várias coisas como por exemplo direitos autorais, o papel desempenhado pelas techs  no controle do cidadão, autonomia para lidar com o objeto técnico e mudá-lo quando necessário, etc., e por esse caminho deixar às claras as razões da importância de se usar softwares livres, de se evitar a lógica fechada, privatista, excludente das plataformas proprietárias. As limitações impostas na manipulação de arquivos, no compartilhamento dos mesmos, e os riscos apontados na legislação são por si só bem convincentes.

Recentemente ouvi que “no mundo real o bom pode ser inimigo do ótimo; o ideal, o inimigo do possível“. Sim, é lá uma afirmação limitante das possibilidades. O ideal aqui, essa instalação feita de forma comunitária, pela qual se compartilhem conhecimentos, ansiedades, expectativas, experiências, não é inimiga do possível, visto que já ocorreu e ocorre noutros lugares, e noutros tempos.

A nossa contingência é que não nos permite agora que o ideal seja o possível. Mas isso pode mudar e mais pra frente poderemos fazer install fests ou mesmo oficinas específicas. Por outro lado acho preferível ressaltar a perspectiva que um lab com 14 máquinas rodando linux e derivados derivantes significa. Há pouco tempo o espaço e a comunidade não possuíam infra tão interessante. Se for conduzida de forma interessada e envolvida; se o próprio NEIMFA se abrir e se descomplicar mais; se a comunidade se apropriar dessas possibilidades muita coisa boa poderá sair desse angú.

Porque para aqueles afeitos à Cultura Livre, às ações coletivas com tecnologias livres, a toda a discussão relacionada ao descentramento da noção de autor e a correspondente batalha pela flexibilização dos marcos jurídicos que regulam monopólios artificiais sobre expressões de bens simbólicos; todos aqueles que atuam por democratização das condições de possibilidade para a produção, apropriação, remix, e veiculação de informações, cultura e conhecimento; todos aqueles que em maior ou menor medida sabem da necessidade da desmistificação das máquinas como percurso possível para o letramento, no momento atual da história do capitalismo,

tenho pra mim que para todas essas pessoas o uso dos softwares livres é uma condição (não a única necessária e suficiente) para processos de profunda e orgânica apropriação crítica de tecnologias da informação e comunicação – bem como, a partir daí, de desenvolvimento das condições de possibilidade de um caráter protagonista, mais autônomo e crítico para exercer sua dimensão política, para o estar no mundo, para o trânsito numa economia-política na qual o valor está cada vez mais calcado nas relações, nos afetos e no conhecimento coletivamente gestado.

Por mais que esse discurso conviva com os cinismos diários, que nos rodeiam e nos seduzem; por mais que esse discurso conviva com suas fragilidades inerentes (outro post, outro dia), por mais que ele se fragilize com experiências que não deram certo, e com as ameaças de todo tipo, não é possível deixar de considerar sua potencialidade e, nesta, procurar se agarrar ao que pode ser mais efetivo.

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Cristiane Melo

Meu nome é Cristiane, sou sobrinha de Joicy, filha de Nenem, primeira entrevistada da reportagem que trata do “diálogo com a família”. Atualmente moro em Fortaleza, mas todos os dias acompanho as edições online do JC e hoje tive a grata surpresa de ver essa reportagem tão sensível, que pelo roteiro poderia virar um filme.

Tia Joicy não é fácil! Mas imagine desde a adolescência sofrer desprezo e descaso pelo simples fato de não ser igual a todos!
Tia é diferente, mas é igual aos seus familiares e amigos, na simplicidade e leitura da vida: deseja ser feliz e luta para isso como toda boa nordestina obcecada por seus sonhos. Por isso sofre para conseguir reconhecimento pela sua condição feminina e  continua a enfrentar o preconceito, porém com suas ferramentas: a rispidez, a  ignorância, mas não daquela ignorância  que falava Tereza Brito, mas da ignorância pela falta de conhecimento, por falta de orientação, pela falta de compreensão e afeto.

Não conhecia a obstinação da minha tia para conseguir essa cirurgia, mas convivi com minha tia e sei que Joicy não é odiada,pelo menos não tão odiada, como disse Luciana, sua sobrinha; antes ela é ignorada, agredida verbalmente por familiares, que não compreendem sua situação e ela obviamente revida com vigor.

Não estou indo contra minha mãe, pelo contrário, até porque minha mãe sempre foi uma das pessoas que sempre esteve ao seu lado, até porque como ela mesmo disse “para nós ela sempre vai ser a mesma” e é verdade ela mudou o corpo, mas o espírito irreverente continua o mesmo. Porém, para Joicy a história é outra, agora o corpo se moldou a alma!

Tia Joicy, tem a força masculina, mas é fêmea e resiste como as fêmeas, desafia o machismo inerente a essa sociedade, que cobra do homem atitude de homem, ainda que ele não seja, esse homem que muitas vezes descarta o diálogo e não pondera as diferenças, esse homem que tanto pode ser homem como mulher, não é questão de gênero e sim de humanidade.

Acho que Deus não julga tia Joicy, porque Ele conhece profundamente seus filhos! Os homens julgam porque são incapazes de libertar-se de sua existência recalcada e encruada pelo desamor.

Parabéns ao JC pelo respeito como mostrou tia Joicy.
Um beijo especial para Joicy!

Veja aqui o especial produzido pelo Jornal do Commercio sobre a transformação de Joicy (na foto acima).

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O texto acima foi escrito pela sobrinha de Joicy e enviado ao Jornal do Commercio.

Hoje acontece o primeiro evento público do Coletivo Butuca, do qual eu tenho tido a alegria de construir. O COletivo é um grupo de estudos e pesquisas sobre Subjetividades coletivas, processos de resistência e inovação políticas em práticas educacionais. Em torno desse título, que é quase uma ementa completa, se reúnem alguns professores da Universidade Federal de Pernambuco – todos, com exceção de mim – trabalhando diretamente em faculdades/centros de educação. O lançamento do coletivo vai acontecer com a palestra de Joanildo Burity, cujo título é Religião e Alterglobalismo. A abertura dos trabalho ficará ao cargo do meu chapa Rui Mesquita, com debate do querido Gustavo Gilson Oliveira

Nos últimos meses nos reunimos várias vezes, tentando definir linhas de atuação conjunta e de produção de pesquisas que de alguma forma aproveitem e exprimam os interesses comuns de um grupo com pessoas de formação muito diversa. Depois de muitas conversas e reuniões chegamos a formular quatro linhas básicas de pesquisas:

Educação e Movimentos Sociais do Campo

Estudo de práticas educativas populares dos movimentos sociais do campo, buscando
perceber em suas dimensões política, cultura e econômica: relação com o Estado e políticas
públicas; relação educação-trabalho; juventude; questões étnico-raciais; religião; construção
de trajetórias e subjetividades individuais e coletivas; construção de saberes.

Educação, Identidades e Movimentos Religiosos

Objetiva-se com esta linha compreender os processos de construção coletiva de identidades
religiosas dentro de movimentos sociais, no sentido de analisar a constante interação/conflito
dessas identidades em trânsito, com as demandas elaboradas por esses grupos. Assim, é que
se almeja refletir acerca do lugar social da diferença à medida que este refletir incide sobre
processos educativos erigidos socialmente em torno de questões sexuais, culturais, políticas,
de raça e etnia etc.

Educação, Gênero e Diversidade Sexual

Esta linha de pesquisa objetiva compreender, a partir das interfaces estabelecidas entre
as áreas de educação e gênero, questões teóricas e empíricas que envolvam debates
estabelecidos em torno da constituição de subjetividades coletivas no campo da diversidade
sexual. Neste aspecto, é interesse nosso entrelaçar este debate, entre outros aspectos, às
lutas de movimentos sociais contra as desigualdades de gênero num cenário de embates e
correlações de força que faz emergir processos políticos educativos ao redor de noções como
as de cidadania, reconhecimento, visibilidade, tolerância etc..

Educação, mídias alternativas e novas tecnologias de informação

Foco nos processos educacionais que procuram estabelecer condições para a apropriação
de tecnologias livres, de modo que se possa analisar aspectos da construção de identidades
coletivas; as estratégias de desmistificação da técnica e da tecnologia; as consequentes
aberturas de condições de expressão cultural, reivindicação de direitos e construção de
discursos contra-hegemônicos.

A ideia geral que nos move é a produção coletiva de conhecimento e dos processos de constituição, crise e/ou deslocamento das subjetividades coletivas, das (im)possibilidades de articulação dessas subjetividades no contexto dos movimentos sociais contemporâneos e das relações desses processos, subjetividades e movimentos com as dinâmicas de elaboração, implementação e contestação das políticas de educação no Brasil.

Também queremos realizar e colaborar com eventos acadêmicos, publicações e atividades públicas (privilegiando as parcerias com os movimentos sociais) – nesse caso a estratégia é a divulgação e o debate dos trabalhos e temáticas propostos pelo grupo.

A palestra de Joanildo acontece às 19h, no auditório do Centro de Educação da UFPE.

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Lula Côrtes

Luiz Carlos Pinto | 2 de abril de 2011 9:31

Luciana Rabelo
luciana.rabelo@gmail.com

Sábado, 26 de março de 2011, Lua Minguante

Lula me apareceu em 1993, quando ouvi ‘Desengano’. Cris Jerônimo – um amigo da faculdade – tempos depois nos levou à casa dele, em Candeias. Encantei-me! Eu tinha 20 anos na época. Época boa, novas experiências, aventuras, subversão. Tudo a ver! Vitalidade! Eu Vital! Lula Vital!

Lembro de um show dele com a companheira Má Companhia, na Soparia, em algum Natal, ele era Papai-Noel, e Jesus. No Tipóia, em Tracunhaém, acho que em 2005, tive a honra de filmar um show massa. Procurei agora a fita e achei! Uhuu!! Presente! Eita que momentos sagrados! De cara, o encontro dele com Erickson Luna. Tavam felizes! A Má Companhia tava feliz!A cidade tava feliz! Vou postar a filmagem bruta, dos tempos quando comecei a filmar e vivia com a câmera e poucas fitas e uma só bateria.

Há não muito tempo fui na bela casa da UBE/PE pro lançamento de mais um livro de Cristiano Jerônimo, livro este ilustrado por Lula. As imagens estavam expostas nas paredes. Nesse dia Lula recebeu carteira de sócio efetivo da UBE, retroagindo o ano de admissão a 1972, quando lançou o Livro das Transformações. E também nessa noite, ouvi o ‘discurso’ mais sagrado que já ouvi. Augusto!

Fazia sete anos que eu não brincava Carnaval. Este ano resolvi ir ao centro do Recife. No domingo soube que iria ter show de Lula no Pátio de São Pedro. Quando cheguei tava rolando uns Afoxés e mais tarde rolou o show dele. Foi estranho! Ouvi umas três músicas meio de longe e resolvi ir embora. Mas antes de partir fui lá na frente do palco e fiquei olhando ele de perto. Já tava na travessia, e eu já sentia.

Tava na manhã de hoje no CEL (Centro de Educação e Lazer) quando o telefone de meu cumpade Moa tocou e ele me deu a notícia da partida de Lula. Baque. Luz. Já noite, olhando estrelas, lembro de ‘Desengano’. Choro, de Amor.

Guerreiro Sagrado Rola qual Pedra, Azul, Encandeia… em Tempos onde Netuno retorna a Peixes.

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