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	<title>Soy Loco Por Ti, América &#187; Commons</title>
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	<description>Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina</description>
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		<title>Governo Federal rompe compromisso com a sociedade no tema da comunicação</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Mar 2013 00:04:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Políticos brasileiros]]></category>

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		<description><![CDATA[Via Soylocoporti.org
A declaração do secretário-executivo do Ministério das Comunicações, no último dia 20, de que este governo não vai tratar da reforma do marco regulatório das comunicações, explicita de forma definitiva uma posição que já vinha sendo expressa pelo governo federal, seja nas entrelinhas, seja pelo silêncio diante do tema.
A justificativa utilizada – a de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://www.fndc.org.br" target="_blank"></a>Via <a href="http://blog.soylocoporti.org.br/" target="_blank">Soylocoporti.org</a></p>
<p>A declaração do secretário-executivo do Ministério das Comunicações, no último dia 20, de que este governo não vai tratar da reforma do marco regulatório das comunicações, explicita de forma definitiva uma posição que já vinha sendo expressa pelo governo federal, seja nas entrelinhas, seja pelo silêncio diante do tema.</p>
<p>A justificativa utilizada – a de que não haveria tempo suficiente para amadurecer o debate em ano pré-eleitoral – é patética. Apesar dos insistentes esforços da sociedade civil por construir diálogos e formas de participação, o governo Dilma e o governo do ex-presidente Lula optaram deliberadamente por não encaminhar um projeto efetivo de atualização democratizante do marco regulatório. Mas o atual governo foi ainda mais omisso ao sequer considerar a proposta deixada no final do governo do seu antecessor e por não encaminhar quaisquer deliberações aprovadas na I Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em 2009. O que fica claro é a ausência de vontade política e visão estratégica sobre a relevância do tema para o avanço de um projeto de desenvolvimento nacional e a consolidação da democracia brasileira.</p>
<p>A opção do governo significa, na prática, o alinhamento aos setores mais conservadores e o apoio à manutenção do status quo da comunicação, nada plural, nada diverso e nada democrático. Enquanto países com marcos regulatórios consistentes discutem como atualizá-los frente ao cenário da convergência e países latino-americanos estabelecem novas leis para o setor, o Brasil opta por ficar com a sua, de 1962, ultrapassada e em total desrespeito à Constituição, para proteger os interesses comerciais das grandes empresas.</p>
<p>Ao mesmo tempo em que descumpre o compromisso reiterado de abrir um debate público sobre o tema, o governo federal mantém iniciativas tomadas em estreito diálogo com o setor empresarial, acomodando interesses do mercado e deixando de lado o interesse público.</p>
<p>No setor de telecomunicações, na mesma data, foi anunciado um pacote de isenção fiscal de 60 bilhões para as empresas de Telecom para o novo Plano Nacional de Banda Larga em sintonia com as demandas das empresas, desmontando a importante iniciativa do governo anterior de recuperar a Telebrás, e encerrando o único espaço de participação da sociedade no debate desta política – o Fórum Brasil Conectado. Somando-se ao pacote anunciado de benesses fiscais, o governo declara publicamente a necessidade de rever o texto do Marco Civil da Internet que trata da neutralidade de rede, numa postura totalmente subserviente aos interesses econômicos.</p>
<p>Na radiodifusão, faz vistas grossas para arrendamentos de rádio e TVs, mantém punições pífias para violações graves que marcam o setor, conduz a portas fechadas a discussão sobre o apagão analógico da televisão, enquanto conduz de forma tímida e errática a discussão sobre o rádio digital em nosso país. Segue tratando as rádios comunitárias de forma discriminatória, sem encaminhar nenhuma das modificações que lhes permitiriam operar em condições isonômicas com o setor comercial.</p>
<p>Diante desta conjuntura política e do anúncio de que o governo federal não vai dar sequência ao debate de um novo marco regulatório das comunicações, ignorando as resoluções aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação, manifestamos nossa indignação, ao mesmo tempo em que reiteramos o nosso compromisso com este debate fundamental para o avanço da democracia.</p>
<p>De nossa parte, seguiremos lutando. A sociedade brasileira reforçará sua mobilização e sua unidade para construir um Projeto de Lei de Iniciativa Popular para um novo marco regulatório das comunicações.</p>
<p>Campanha pela regulamentação da comunicação, confira <a href="http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Lista de entidades assinantes até esta data:</p>
<p>1. ABONG<br />
2. Altercom – Associação Brasileira de Empresas e Empreendedores da Comunicação<br />
3. AMEI – Associação Comunitária Municipal Educacional e Informativa<br />
4. Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária – Abraço<br />
5. Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária no estado de Goiás – Abraço GO<br />
6. ABTU – Associação Brasileira de Televisão Universitária<br />
7. Associação Baiana de Radiodifusão Comunitária (Abraço-BA)<br />
8. Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub)<br />
9. Associação Nacional das Entidades de Artistas e Técnicos em Espetáculos de Diversões – Aneate<br />
10. Auçuba- Comunicação e Educação<br />
11. Blog Brasil Educom<br />
12. BlogueDoSouza<br />
13. Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida<br />
14. Centro de Cultura Luiz Freire<br />
15. Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé<br />
16. Cia. Tropa de Palhaços de 5ª (RJ)<br />
17. Cineclube Mate com Angu<br />
18. Clube de Engenharia<br />
19. Coletivo Advogados para a Democracia<br />
20. Coletivo Caxias Cultura Digital<br />
21. Coletivo Nacional de Comunicadores<br />
22. Coletivo Soylocoporti<br />
23. Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial do DF – Cojira<br />
24. Comitê Bahia pela Democratização da Comunicação (FNDC-BA)<br />
25. Congresso Brasileiro de Cinema – CBC<br />
26. Conselho de Comunicação e Políticas Públicas da Metrópole de Salvador (Compop)<br />
27. Conselho Federal de Psicologia – CFP<br />
28. Correio do Brasil<br />
29. Central Única dos Trabalhadores – CUT<br />
30. Ciranda – Central de Notícias dos Direitos da Infância e Adolescência<br />
31. CUT Brasília<br />
32. Dialógica Comunicação Estratégica<br />
33. Encontro de Blogueir@s e Ativistas Digitais do RS<br />
34. Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação – ENECOS<br />
35. Federação Alagoana de Rádios Comunitárias<br />
36. Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão – Fitert<br />
37. Federação Interestadual dos Trabalhadores em Telecomunicações – FITTEL<br />
38. Federação Nacional dos Farmacêuticos<br />
39. Federação Pernambucana de Cineclubes<br />
40. Fórum Nacional dos Professores de Jornalismo<br />
41. Fórum Pernambucano de Comunicação<br />
42. Fórum Sul Fluminense de Comunicação Democrática<br />
43. Grupo Anti-PIG<br />
44. Instituto Bem Estar Brasil<br />
45. Instituto Búzios<br />
46. Instituto Imagem Viva<br />
47. Instituto Patricia Galvão- Midia e Direitos<br />
48. Instituto Telecom<br />
49. Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social<br />
50. Jornal Brasil de Fato<br />
51. Jornal Escolar<br />
52. Jornalismo B<br />
53. Juventude do Partido dos Trabalhadores – JPT<br />
54. Levante Popular da Juventude<br />
55. Mandato do Deputado Estadual Mauro Rubem (PT-GO)<br />
56. Marcha Mundial das Mulheres – MMM<br />
57. Movimento dos Pequenos Agricultores – MPA<br />
58. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST<br />
59. Movimento em Defesa da Economia Nacional<br />
60. Movimento Fora do Eixo<br />
61. Movimento Mega<br />
62. Nova Central Sindical de Trabalhadores/Nova Central<br />
63. Núcleo Barão de Itararé do Distrito Federal<br />
64. Núcleo de Comunicação Bombando Cidadania<br />
65. Núcleo de Participação Popular do PT de São Bernardo do Campo<br />
66. Núcleo Piratininga de Comunicação – NPC<br />
67. Observatório Cineclubista<br />
68. Observatório da Mídia: diretos humanos, políticas e sistemas, da Universidade Federal do Espírito Santo<br />
69. Rádio Comunitária Morada dos Sonhos FM<br />
70. Rádio Superação FM – Carazal-MG<br />
71. Rádio Comunitária FMuniversitária – Aragarças – GO<br />
72. Rádio Liberdade FM – Cavalcante – GO<br />
73. Rede de Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade – REJUMA<br />
74. Rede Nacional de Adolescentes e Jovens Comunicadoras e Comunicadores – Renajoc<br />
75. Revista Fórum<br />
76. Revista Lurdinha.Org<br />
77. Sindicato de Profissionais em confecção do ABC<br />
78. Sindicato dos Jornalistas do estado do Rio de Janeiro<br />
79. Sindicato dos Radialistas do Distrito Federal – SINRAD-DF<br />
80. Sindicato Nacional dos Trabalhadores de Pesquisa e Desenvolvimento Agropecuário – SINPAF<br />
81. Sindicato Nacional dos Servidores das Agências Nacionais de Regulação – Sinagências<br />
82. Sindicato dos Radialistas do estado do Pará<br />
83. SINDJUS – Sindicato dos Trabalhadores do Poder Judiciário e Ministério Público da União no Distrito Federal<br />
84. Sociedade Civil Acauã<br />
85. Sociedade Musical e Artística Lira de Ouro – Ponto de Cultura<br />
86. SOS Corpo – Instituto Feminista para a Democracia<br />
87. Sou Quilombo<br />
88. Via Campesina Brasil<br />
89. Viração Educomunicação<br />
90. Zora Mídia</p>
<p>Assinaturas individuais:</p>
<p>1. Alexandra Peixoto – blogueira<br />
2. Alexandre Haubrich – jornalista e blogueiro<br />
3. Ana Paula Vizeu Carvalho<br />
4. Anderson Diogo – mestrando em administração<br />
5. André Barreto – jornalista<br />
6. Andre Takahashi – sociólogo e ativista socioambiental<br />
7. Antonio José Martins – engenheiro, conselheiro do Sindipetro-RJ<br />
8. Ary Pontes<br />
9. Bernadete Travassos – jornalista<br />
10. Carlos Henrique Demarchi – jornalista e professor universitário<br />
11. Cleusa Pozzetti Siba<br />
12. Dênis de Moraes – jornalista, professor e escritor<br />
13. Eduardo Guimarães – blogueiro<br />
14. Edson Amaral – radialista<br />
15. Edson Palmeira de Jesus<br />
16. Emir Sader – sociólogo<br />
17. Ernesto Marques<br />
18. Fábio Costa Pinto<br />
19. Geraldo Moraes<br />
20. Guilherme Fulgêncio de Medeiros – professor/UFRN<br />
21. Hélio Lemos Sôlha – Laboratório de Media e Tecnologias da Comunicação – MediaTec – Unicamp<br />
22. Joao Baptista Pimentel Neto – jornalista e presidente do CBC / Congresso Brasileiro de Cinema<br />
23. Jonicael Oliveira<br />
24. José Batista dos Santos<br />
25. Kesia Silva – estudante de jornalismo<br />
26. Luciana Burlamaqui – jornalista e cineasta<br />
27. Luiz Fernando da Mota Azevedo<br />
28. Mario Sousa<br />
29. Marcos Dias Coelho – historiador e blogueiro<br />
30. Mirela Maria Vieira – jornalista<br />
31. Renato Rovai – jornalista e blogueiro<br />
32. Rodrigo Avigro<br />
33. Rodrigo Sérvulo da Cunha – advogado, sociólogo e blogueiro<br />
34. Patrícia de Lima Marques Alves<br />
35. Paulo Roberto Ferreira<br />
36. Saulo Andrade – jornalista<br />
37. Sindicato dos Radialistas no Estado de São Paulo<br />
38. Sivaldo Pereira da Silva – professor da Universidade Federal de Alagoas (UFAL), coordenador do Coscentro (Centro de Formação e Extensão em Comunicação, Democracia e Direitos Humanos)<br />
39. Tarso Cabral – blogueiro<br />
40. Tatiana Pires – blogueira<br />
41. Toucans Burned<br />
42. Vanessa Galassi – jornalista<br />
43. Weliton Teles</p>
<p>*Para adicionar sua assinatura e a de sua entidade a esta nota, envie e-mail para secretaria@fndc.org.br</p>
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		<title>A razão e as razões da filosofia &#8211; ou O pensamento de Cláudio Ulpiano</title>
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		<pubDate>Tue, 19 Feb 2013 16:41:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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O pensamento de Cláudio Ulpiano
Introdução

A questão da filosofia não é abalar a fraseologia da  língua standard, ela não empreende experimentações no plano da  semântica, da sintaxe ou da pragmática, como seria o caso da literatura e  da poesia. “A filosofia é rigor e invenção”, diz Claudio. Coerente com  isso, o que [...]]]></description>
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<h1><strong>O pensamento de Cláudio Ulpiano</strong></h1>
<p><em><strong>Introdução</strong><br />
</em></p>
<p><em>A questão da filosofia não é abalar a fraseologia da  língua standard, ela não empreende experimentações no plano da  semântica, da sintaxe ou da pragmática, como seria o caso da literatura e  da poesia. “A filosofia é rigor e invenção”, diz Claudio. Coerente com  isso, o que se observa em suas aulas é a vigência de princípios  essenciais, a despeito da aparente simplicidade. 1º princípio: o ponto  de partida para a compreensão é uma observação rigorosa do significado  exato das palavras, condição para o entendimento das explicações; 2º  princípio: a repetição das explicações, ainda que tomadas em diferentes  linhas, em que Claudio “voltava” e recomeçava de outro modo, recorrendo a  um outro autor, exemplo ou raciocínio, visando esclarecer um  determinado ponto; 3º princípio: a filosofia é um trabalho árduo (aqui  se manifestava um problema recorrente: o fato de que os alunos, em sua  maioria, não liam os textos recomendados…), necessariamente lento e  cuidadoso (em contraste com a obscuridade do pensamento dos professores  apressados que acham que para explicar basta citar o nome do conceito), o  que pode ser denominado “a paciência do conceito”.</em></p>
<p><em> Em suma, o ato da aula é uma atividade artesanal, não um delírio, um “espetáculo performático” ou um happening. Filosofar  é forçar o advento do pensamento (como nª potência do pensamento) no  interior do próprio pensamento. A partir da idéia de que o pensamento  permanece imerso num sono letárgico e precisa ser provocado. Eis o ponto  de partida do filósofo (aliás, também do cientista e do artista). O  confronto do “pensamento desperto” com a subjetividade constituída é  necessariamente um embate violento. Claudio tinha uma clara noção disso,  em função de sua própria experiência (pois todo pensamento digno desse  nome é produto concomitante de uma experiência ou experimentação com a  vida). Por exemplo, quando fala do período em que se sentia sufocado por  certas formas de pensamento, até o encontro com a filosofia de Deleuze.  Por isso, o processo expressivo ou explicativo requer uma progressão,  uma paciência, uma prudência, uma técnica enfim, que contemple tanto o  entendimento (o bordão do Claudio: “Não sei se entenderam…”) quanto a  segurança dos alunos que se expõem à potência de um pensamento que leva à  quebra das estruturas estabelecidas. Como em Castaneda, quando o  personagem de Don Juan diz, acerca do aprendizado: “As definições mudam  na medida em que o conhecimento aumenta.”. e ainda que a consciência (o  tonal) “deve ser preservada a todo custo”. Nos termos de Deleuze,  reinventados por Claudio no contexto das exigências da aula: crítica e  clínica. Isto é, o pensamento é crítico, não só porque “põe em questão”  ou problematiza mas porque, conseqüente e concomitantemente, “põe em  crise” o que se tinha como certo e seguro.</em></p>
<p><em><br />
O exercício do pensamento que tem como condição a quebra com o regime da  representação, desencadeia um processo de desterritorialização das  subjetividades, isto é, um abalo das estruturas subjetivas que garantem o  senso-comum (o desempenho coordenado das faculdades que produzem a  representação, ou seja, o modo cognitivo normal). Assim, o  andamento da  exposição, na aula, tem que seguir uma progressão em que a clareza e o  cuidado se acompanham, devem se acompanhar: dar um passo no desconhecido  e entender, dar um novo passo e entender, e assim por diante… bem  devagar, sem excessos: a paciência da expressão. Como diz Deleuze sobre a  escrita, no prólogo de Diferença e Repetição (podemos substituir o  “escrever”, do texto, por “pensar”):<br />
“Ao escrevermos, como evitar que escrevamos sobre aquilo que não sabemos  ou que sabemos mal? É necessariamente neste ponto que imaginamos ter  algo a dizer. Só escrevemos na extremidade de nosso próprio saber, nesta  ponta extrema que separa nosso saber e nossa ignorância e que  transforma um no outro”.</em></p>
<p>O <a href="http://claudioulpiano.org.br.s87743.gridserver.com/?p=3665" target="_blank">texto completo</a>, de Emanuel Tadeu Borges, está disponível no site do Centro de Estudos Cláudio Ulpiano, uma ótima referência em língua portuguesa para muitas coisas &#8211; entre elas a humildade necessária pro ato de educar.</p>
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		<title>Uma experiência do uso de documentários como instrumento didático</title>
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		<pubDate>Mon, 18 Feb 2013 20:13:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Etnia]]></category>
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Na próxima sexta-feira vamos realizar no Auditório do Centro de Educação um Seminário que coroa um processo muito interessante acontecido nos último seis meses: o Projeto Didático para a Construção de Documentários. Foi um projeto de extensão que eu tive a honra e a alegria de participar como formador e que resultou na produção de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2946" href="http://www.locoporti.blog.br/?attachment_id=2946"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2946" title="Cartaz_Seminário" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2013/02/Cartaz_Seminário-600x450.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a></p>
<p>Na próxima sexta-feira vamos realizar no Auditório do Centro de Educação um Seminário que coroa um processo muito interessante acontecido nos último seis meses: o Projeto Didático para a Construção de Documentários. Foi um projeto de extensão que eu tive a honra e a alegria de participar como formador e que resultou na produção de três docs e de um <a href="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2013/02/Miolo-do-Livro-1.pdf" target="_blank">livro</a>. Nosso objetivo inicial era simples, mas complicado: dotar professores da rede pública estadual de recursos mínimos para usar a linguagem cinematográfica como instrumento didático, de modo que permitisse uma aproximação entre a escola (as escolas) e o seu entorno. Na real, muito do conteúdo e das metodologias usadas em sala de aula dão a impressão que a instituição escola é meio autista e não permite que haja um vínculo com a vida real de seus alunos. Esse é um aspecto que está na base dos altos graus de evasão escolar.</p>
<p>Mas queríamos fazer isso com um viés específico: colocar em pauta o debate (os debates) relacionados às relações étnico-raciais. Esse seria o eixo transversal do curso e das produções que teríamos de produzir e que produzimos. Uma das coisas mais interessantes da experiência é que o trabalho de produzir os documentários foi feito por não iniciados &#8211; claro, os professores não possuiam nenhuma experiência com a linguagem, equipamentos, providências, especifidades, etc. A idéia no final das contas é que o trabalho de pré-produção, produção e pós-produção com as suas camadas, pudessem ser associadas ao processo de ensino-aprendizagem.</p>
<p>Por exemplo? Um dos três docs trata da questão prisional. Mais precisamente, daquilo que os professores identificaram como uma política higienista de prisão, que recolhe a bandidagem, limpa as ruas e melhora os índices de violência aqui fora, enquanto o sistema prisional é abarrotado de gente e de problemas, sem que as causas da criminalidade sejam atacadas. Essa interpretação, fruto das interações entre os professores, identifica a criação e perenização de ciclos de criminalidade dentro dos presídios. Em todo esse processo, são os pretos os mais prejudicados. Para ver mais detalhes, sugiro irla no CE, e ver o doc.</p>
<p>É interessante observar ainda que, ao contrário do modelo comercial/profissional de se fazer áudio-visual e que tem dado tantas alegrias a Pernambuco recentemente, nosso caminho foi bem outro. Em primeiro lugar, porque os objetivos eram outros: o mais importante era o processo de aprendizagem e de criação coletiva. Aliás, a esola, alem de autista, também não incentiva produções coletivas, criações coletivas, aprendizado coletivo. Muito ao contrário, faz parte da tradição escolar a formação de performances individualizadas e concorrentes. Pôr em prática esse processo com os professores foi muito gratificante e produtivo.</p>
<p>A diferenciação também se colocou em termos de que o processo de pré-produção (debate coletivo, pesquisas, alinhamento dos conceitos e dos argumentos) aconteceu para todos no momento mesmo do aprendizado. Aprendíamos fazendo o que gerou boas discussões, bons links e boas abordagens dos temas tratados.</p>
<p>Fizemos uma parceria com a Oi Kabun para a captação de imagens e uma terceira empresa fez conosco o trabalho de edição. Não foi a melhor opção &#8211; a burocracia impediu de colocarmos em prática uma idéia mais orgânica, menos relação cliente-empresa. Mas não deu, e no entanto passamos adiante.</p>
<p>Enfim, foi uma boa experiência e logo logo vou colocar o livro para download aqui.</p>
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		<title>Workshop de software livre</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Feb 2013 21:54:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[O Rafael Evangelista mandou para as redes de que participo.
Apresentação
Para além das pioneiras comunidades de compartilhamento de software criadas em torno do Unix e da comunidade de hackers do Emacs, o desenvolvimento de Software Livre e de fonte aberta (FOSS) tem crescido exponencialmente, seguindo a popularização e ampla disseminação do uso de computadores pessoais e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O Rafael Evangelista mandou para as redes de que participo.</p>
<p>Apresentação</p>
<p>Para além das pioneiras comunidades de compartilhamento de software criadas em torno do Unix e da comunidade de hackers do Emacs, o desenvolvimento de Software Livre e de fonte aberta (FOSS) tem crescido exponencialmente, seguindo a popularização e ampla disseminação do uso de computadores pessoais e da Internet. Não apenas as comunidades FOSS se expandiram globalmente, mas também o corpo de literatura a seu respeito, tornando-se extremamente relevante para cientistas e engenheiros da computação, bem como para pesquisadores das ciências humanas. Na última década, a pesquisa em FOSS consolidou-se em torno de questões como motivações individuais, práticas colaborativas, questões de escala, governança e coordenação de esforços de desenvolvimento, assim como em torno de problemas de economia política envolvendo o estudo de modelos econômicos e formas de mobilização política em torno do Software Livre.</p>
<p>Nosso principal objetivo nesse workshop é avaliar o estado da arte da pesquisa interdisciplinar, explorando aspectos técnicos, legais, socioeconômicos e culturais do FOSS. Deteremo-nos sobre os tópicos de pesquisa mencionados, discutindo contribuições recentes à literatura. Convidamos pesquisadores de qualquer disciplina acadêmica nos tópicos seguintes e assemelhados a submeterem seus artigos:</p>
<p>- Licenciamento e aspectos legais relacionados, disputas de direito autoral, patentes de software, adequação à GPL, propriedade individual ou coletiva de código;</p>
<p>- Engenharia de Software Livre, desenvolvimento de metodologias, métricas de código-fonte e avaliação da qualidade de software;</p>
<p>- Estudos culturais, sociais e econômicos envolvendo abordagens qualitativas e quantitativas de comunidades ativistas e de desenvolvimento;</p>
<p>- Estudos de caso: análise aprofundada de casos de implementação, migração, sucesso ou fracasso de projetos de FOSS em várias partes do mundo;</p>
<p>- Expansão e transformação do Software Livre em curso: para além do desenvolvimento de software e em direção à Cultura Livre, Hardware Aberto, Open Access, jornalismo online independente e projetos colaborativos baseados na Internet.<br />
Sobre o FISL e o WSL</p>
<p>O Workshop Internacional de Software Livre (WSL) é um evento científico que acontece no âmbito do Fórum Internacional Software Livre (FISL). Desde 2000, o FISL é organizado por ativistas do software livre em Porto Alegre, Brasil, e representa uma das maiores e mais importantes conferências de FOSS do mundo.</p>
<p>O WSL aceita papers advindos de diferentes tradições disciplinares, oferecendo oportunidade para professores, pesquisadores, estudantes e outros profissionais de apresentarem e discutirem pesquisas originais desenvolvidas em centros de pesquisas, empresas e universidades que usam, disseminam e/ou refletem criticamente sobre FOSS em seus aspectos técnicos, legais, socioeconômicos e culturais.<br />
Informações para os Autores</p>
<p>- Os papers devem ser escritos em Inglês, Português ou Espanhol<br />
- Os papers devem conter no máximo 20 páginas impressas, incluindo resumo, figuras e referências<br />
- As submissões devem ser feitas em PDF (utilizando o template da SBC: http://tux.gseis.ucla.edu/template_SBC/)<br />
- Os papers devem ser enviados por email a luisfelipe/*/arroba/*/ucla.edu</p>
<p>Os papers serão avaliados por pareceristas acadêmicos com experiência de pesquisa em FOSS, considerando seu conteúdo técnico e relevância para o workshop. Todos os papers aceitos serão publicados nos anais do WSL e estarão disponíveis em um repositório aberto contido na página da comunidade WSL (http://softwarelivre.org/wsl) sob a licença Creative Commons Attribution 3.0 unported (CC-BY-3.0).</p>
<p>Para os papers redigidos em co-autoria, os autores deverão definir um apresentador para o WSL. O apresentador receberá um código promocional para registrar-se gratuitamente no FISL. Despesas de hospedagem e acomodação não serão pagas pelo FISL ou pelo WSL.<br />
Datas Importantes</p>
<p>- Prazo para submissão dos textos:<br />
Dias 20 de fevereiro de 2013</p>
<p>- Divulgação dos papers aceitos:<br />
Dia 29 de abril de 2013</p>
<p>- Fórum Internacional Software Livre (FISL), Porto Alegre, Brasil<br />
De 3 a 6 de julho de 2013</p>
<p>- Workshop Software Livre (WSL), Porto Alegre, Brasil<br />
De 4 a 5 de julho de 2013</p>
<p>Comitê Organizador<br />
Coordenador Geral</p>
<p>Carlos D. Santos (Universidade de Brasilia, Brazil)<br />
Coordenador de Programa</p>
<p>Luis Felipe R. Murillo (University of California, Los Angeles, USA)<br />
Coordenador de Publicações e Organização Local</p>
<p>Paulo Meirelles (Universidade de Sao Paulo, Brazil)<br />
Coordenadores de Publicidade</p>
<p>Imed Hammouda (Tampere University of Technology, Finland)<br />
Gregorio Robles (Universidad Rey Juan Carlos, Spain)<br />
Rafael Evangelista (Universidade Estadual de Campinas, Brazil)<br />
Veronica Xhardez (Flacso/CONICET &#8211; SoLAr, Argentina)<br />
Yuri Takhteyev  (University of Toronto, Canada)<br />
Comitê de Programa</p>
<p>Ana Cristina Matte (Universidade Federal de Minas Gerais, Brazil)<br />
Andre Leme Fleury (Universidade de Sao Paulo)<br />
Anthony Wasserman (Carnegie Mellon University, USA)<br />
Antonio Terceiro (Universidade Federal da Bahia, Brazil)<br />
Célia Ralha (Universidade de Brasilia, Brazil)<br />
Christiana Freitas (Universidade de Brasilia, Brazil)<br />
Christopher Kelty (University of California, Los Angeles, USA)<br />
Daniel Batista (Universidade de Sao Paulo, Brazil)<br />
Fabio Kon (Universidade de Sao Paulo, Brazil)<br />
Gabriella Coleman (McGill University, Canada)<br />
Islena Garcia (Universidade Estadual de Campinas, Brazil)<br />
Jelena Karanovic (New York University, USA)<br />
Lilly Nguyen (University of California, Los Angeles, USA)<br />
Masayuki Hatta (Surugadai University, Japan)<br />
Tim Davies (University of Southampton, UK)<br />
Stefan Koch (Bogazici University, Turkey)</p>
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		<title>Holy Motors, reificação e o apelo do objeto técnico</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/holy-motors-reificacao-e-o-apelo-do-objeto-tecnico/</link>
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		<pubDate>Fri, 18 Jan 2013 16:25:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
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		<description><![CDATA[
O aparente nonsense que dita o enredo de Holy Motors pode sugerir que qualquer interpretação crítica sobre o filme possa acabar em viagem de quem o faz. Mas pra mim, o filme trata de um aspecto bem específico da cultura contemporânea e também muito evidente. Tão evidente, mas tão evidente, que parece não existir ou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/-aP87byN9mSQ/UNfCJLWEoQI/AAAAAAAAGTU/LaRv85yLx5g/s1600/holy-motors01.jpg"><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/-aP87byN9mSQ/UNfCJLWEoQI/AAAAAAAAGTU/LaRv85yLx5g/s1600/holy-motors01.jpg" alt="" width="806" height="645" /></a></p>
<p>O aparente nonsense que dita o enredo de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Holy_Motors" target="_blank">Holy Motors</a> pode sugerir que qualquer interpretação crítica sobre o filme possa acabar em viagem de quem o faz. Mas pra mim, o filme trata de um aspecto bem específico da cultura contemporânea e também muito evidente. Tão evidente, mas tão evidente, que parece não existir ou se naturalizar. Nessa levada, ofilme tem <a href="http://cinematograficamentefalando.blogs.sapo.pt/904498.html" target="_blank">o enredo apontado</a> como bizarro e estranho.  Ele também vem sendo <a href="http://www.blogdoims.com.br/ims/holy-motors-e-a-ficcao-radical/" target="_blank">pensando </a>como um exercício de ficção, um virtuoso exercício de ficção sobre o cinema, que por sua vez é celebrado como um terreno em que a fantasia de certa forma vence.</p>
<p>Sem discordar dessas interpretações, pensei em Holy Motors numa perspectiva um pouco diferente. O título me chamou atenção antes mesmo de ver o filme. &#8216;Holy Motors&#8217; me parece desde o início uma referência à miríade de máquinas, maquinetas, gadgets, equipamentos, eletro-coisas e i-coisas, computadores, plataformas e sistemas de informação que alçamos à condição de essenciais para a lidar com a vida cotidiana. Para sermos mais felizes, compreendidos, lembrados, vistos; para sermos melhores, enfim. O fetiche dessas mercadorias vem radicalizando a sublimação do homem  pela coisa, ou pelo motor. Você vale por quanto pesa o seu motor de mão.</p>
<p>Por outro lado, o título de santo, ao menos na hagiologia católica,  é dada a quem, além de grande caráter, está na graça de Deus (no céu). É portanto uma ironia muito interessante um objeto ter essa condição e exprime, por outro lado, um limite difícil de ser extrapolado para o sentido da reificação. Nesse sentido, é como se o título do filme sugerisse uma condição diferenciada para o próprio sentido da reificação do objeto em geral e para o objeto técnico em particular.</p>
<p>É claro que não é de hoje que atribuir a coisas a condição de santo. &#8216;Santa caninha&#8221;, &#8220;santa massa&#8221;, &#8220;santo cinto de utilidades&#8221;, &#8220;santo golinho&#8221; e por aí vai. Mas, até onde eu me lembro e a vista alcança, são sempre expressões dotadas de humor, são brincadeiras com a condição de altivez e proximidade a deus.</p>
<p><strong>Universo alternativo</strong> &#8211; Holy Motors também tem sido considerado uma &#8220;trama&#8221;, se é que se pode falar em trama &#8211; mas me perdoem, é que eu tô cansado mesmo -, que acontece num universo alternativo. Eu tendo a achar que é mais interessante pensar que Holy Motors não tematiza um universo alternativo, mas esses universo aqui, essa sociedade aqui, que vive um processo agudo, no qual as identidades são forjadas ao gosto de uma racionalidade cínica. Para mais informação sobre essa última, você pode conferir <a href="http://www.uva.br/trivium/edicoes/edicao-i-ano-iii/artigos/2-sobre-o-cinismo-em-um-tempo-de-identificacoes-ironicas.pdf" target="_blank">aqui </a>e <a href="http://www.revistaserrote.com.br/2013/01/como-viver-sem-ironia-por-christy-wampole/" target="_blank">aqui </a>. Vou voltar a esse assunto em um outro post, noutrodia.</p>
<p>As identidades que o personagem Oscar (Denis Lavant) assume, são forjadas por uma lógica de visibilidade, mais do que pelo gosto pelo ato em si &#8211; aliás, mencionado pelo ator ator. Há uma lógica baseada na visibilidade dessas personalidades e das histórias que elas vivem que justifica a aparente desordem e nonsense da passagem de um personagem a outro. Há um negócio que se sustenta baseada nessa passagem e que no entanto não é obscena, ou seja não é muito evidente. Mais do que uma metáfora de uma sociedade do espetáculo, o que isso parece tematizar é, por um lado, a naturalização da lógica de significação baseada no ver e ser visto e, por outro, o corolário da personalidade fluida sobreposta a um fluxo de ficções que nós criamos sobre o cotidiano.</p>
<p><strong>Adoráveis máquinas</strong> &#8211; Finalmente, para mim, o filme aponta ou permite apontar para uma crítica à invisibilidade do sistema de controle contemporâneo, no qual os sistemas e plataformas de informação desenvolvem uma função fundamental. Para quem subestima esse aspecto, sugiro ver ao menos a primeira parte do ótimo documentário &#8220;Tudo vigiado por máquinas de adorável graça&#8221;, dirigido por Adam Curtis. A primeira parte, entitulada Love and Power, narra uma utopia que se pretendia inescapável. E que no entanto ocorreu e que explica, em parte, a mais recente crise financeira do capitalismo e que ainda agora vem sento sentida.</p>
<p>Ou, como explica uma resenha:</p>
<blockquote><p>&#8220;Esta é a história do sonho que surgiu nos anos 90, de que computadores  poderiam criar um novo tipo de mundo estável. Eles originariam um novo  tipo de capitalismo global, livre de riscos e sem os altos e baixos do  passado. Aboliriam também o poder político e criariam um novo tipo de  democracia por meio da internet onde milhões de pessoas seriam  conectadas como nós em sistemas cibernéticos, sem hierarquia. O episódio  conta a história de dois mundos perfeitos. Um formado pelo pequeno  grupo de discípulos da romancista Ayn Rand, nos anos 50. Eles se viam  como o protótipo de uma sociedade futura onde todos poderiam seguir seus  próprios desejos egoístas. O outro é a utopia global que os empresários  do Vale do Silício se propuseram a criar nos anos 90. Muitos deles  também foram discípulos de Ayn Rand. Eles acreditavam que novas redes de  computadores possibilitariam a criação de uma sociedade onde todos  pudessem seguir seus próprios desejos, mas sem anarquia. Alan Greenspan,  também discípulo de Ayn Rand, juntou-se a eles. Ele se convenceu de que  os computadores estavam criando um novo tipo de capitalismo estável &#8211;  &#8220;Como um novo planeta&#8221;, afirmou ele. Mas o sonho de estabilidade em  ambos os mundos seria destruído por duas forças humanas dinâmicas &#8211; o  amor e o poder&#8230;&#8221;</p></blockquote>
<p>[There is a video that cannot be displayed in this feed. <a href="http://www.locoporti.blog.br/holy-motors-reificacao-e-o-apelo-do-objeto-tecnico/">Visit the blog entry to see the video.]</a></p>
<p>Em Holy Motors, a esolha por um sistema de controle no qual as máquinas são subsumidas é sugerida apenas, sobretudo na última sequencia do filme, no já tão falado diálogo entre as limosines. A utopia de Ayn Rand parecia não somente mais letal, mas também mais utopicamente rigorosa do que aquela ameaça apenas sugerida e criticada em Holy Motors e, no entanto, ela foi posta em prática ou buscada com afinco e determinação por uma geração inteira.</p>
<p>O que o &#8216;desaparecimento&#8217; da tecnologia, nessa perspectiva indica, é um apelo ao objeto técnico como recurso de delegação da vida. Delegar memória, raciocínio, controle, escolhas políticas, estéticas, administrativas a uma racionalidade técnica enlouquecida &#8211; a proximidade com a racionalida cínica já citada parece a verdadeira visão do inferno na terra, mas a isso também volto noutro dia noutro post.</p>
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		<title>Economia Criativa e Economia Colaborativa e Solidária: Quem é quem?</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Nov 2012 12:26:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Na próxima segunda-feira começo a dar um pequeno curso, ou oficina, sobre Economia da Cultura. Na verdade verdadeira, vão ser três dias de bate-papo sobre a crítica dessa tal Economia da Cultura, com alguns debates sobre a bibliografia já reconhecida (?) a respeito do assunto e os pontos de desvio do conceito, que apesar de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://24.media.tumblr.com/tumblr_lmujl6vkhq1qjfd19o1_500.jpg"><img class="aligncenter" src="http://24.media.tumblr.com/tumblr_lmujl6vkhq1qjfd19o1_500.jpg" alt="" width="500" height="396" /></a></p>
<p>Na próxima segunda-feira começo a dar um pequeno curso, ou oficina, sobre Economia da Cultura. Na verdade verdadeira, vão ser três dias de bate-papo sobre a crítica dessa tal Economia da Cultura, com alguns debates sobre a bibliografia já reconhecida (?) a respeito do assunto e os pontos de desvio do conceito, que apesar de não ter se consolidado com um paradigma teórico tem defensores radicais em quase toda esquina. De quebra pretendo apresentar além das críticas, a perspectiva da Economia Solidária relacionada aos bens imateriais &#8211; fonte, aliás, do que há de melhor em torno de críticas à EC. Espero poder apresentar o que tenho lido e observado e escrito nos últimos anos sobre o assunto. O curso é aberto a qualquer com interesse no tema, etc.  Abaixo está o resumo e a proposta de cada um dos encontros, que pode e deverá mudar ao longo do processo. O curso está sendo organizado e patrocinado pela <a href="http://expoidea.com.br/2012" target="_blank">Expoidea</a>.</p>
<p>As inscrições podem ser feitas <a href="http://expoidea.com.br/2012/inscricao/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p><strong>Curso: Economia Criativa e Economia Colaborativa e Solidária: Quem é quem?</strong></p>
<p>Resumo: Nos últimos 150 anos as democracias complexas têm dependido de uma economia industrial para as funções básicas de produção e informação, conhecimento e cultura. Novos paradigmas de ordem tecnológica, econômica e de práticas sociais criaram novas oportunidades para a produção e troca de informações, conhecimento e cultura de forma não-proprietária e fora do modelo hegemônico de mercado. O mini-curso /oficina pretende discutir algumas das principais conceituações e suas implicações de ordem social e para políticas públicas.</p>
<p><strong>Programa &#8211; pode mudar, pra melhor <img src='http://www.locoporti.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </strong></p>
<p><strong>Encontro 1</strong></p>
<p>Os conceitos de Economia da Cultura (até agora…). O percurso, na história da Economia Política, até o advento da Economia da Cultura como conceito. A predominância da abordagem neoclássica da economia sobre a Economia Criativa ou da Cultura. Um campo em constituição. Artes performáticas como dilema econômico.<br />
<strong><br />
Encontro 2</strong></p>
<p>O uso corriqueiro de Economia da Cultura: mercadológico. Relações de mercado que se dão dentro da arte, bem como seus ciclos na cadeia econômica. Desmembrando a Economia da Cultura. O que é mesmo “economia”? O que é mesmo “cultura”? Os limites do entendimento mercadológico da Economia da Cultura para a elaboração de políticas públicas da cultura. A crise da teoria do valor aplicada ao mercado das artes. A interdisciplinaridade como elemento para melhor definição e determinação de políticas culturais.</p>
<p><strong>Encontro 3</strong></p>
<p>Para uma crítica da Economia da Cultura. As exclusões que o entendimento mercadológico da Economia da Cultura provoca: territorial, econômica, simbólica. O auxílio luxuoso da Economia Solidária. O olhar transversal para além da economia enquanto arte – afeto, integração, riqueza, gestão democrática, autonomia, educação, comunitarismo, equidade. Propostas de ações e práticas concretas para uma Economia Colaborativa e Solidária: Atividades que incentivem formas de cooperação – formais ou não; Dar assessoria, qualificação e acompanhamento a projetos; Melhoria nos Editais e Leis de Fomento; Democratização do Acesso à Cultura.</p>
<p><strong>Período:</strong> 12, 13 e 14 de novembro de 2012</p>
<p><strong>Vagas:</strong> 1 turma/ 20 vagas</p>
<p><strong>Carga horária:</strong> 9h/aula (3 dias, segunda, terça e quarta-feira)</p>
<p><strong>Horário:</strong> 1 turma: 9h/12h.</p>
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		<title>Para expressar a liberdade: ato no parque 13 de maio. Sol grátis.</title>
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		<pubDate>Fri, 19 Oct 2012 14:00:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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Nesta  sexta-feira (19/10), ativistas e movimentos que integram o Fórum  Pernambucano de Comunicação (Fopecom) , com apoio da TV Pernambuco,  realizam ato público no Parque 13 de Maio, das 15h às 18h, como parte do  Dia Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação. Haverá  exibições de vídeos, selecionados pelo cineclube Cine [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/-KNcYBpWKYzM/TioZJJ1AP-I/AAAAAAAADQE/bocxRQjOQn8/s1600/boca1.jpg"><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/-KNcYBpWKYzM/TioZJJ1AP-I/AAAAAAAADQE/bocxRQjOQn8/s1600/boca1.jpg" alt="" width="322" height="350" /></a></p>
<p><span style="font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Nesta  sexta-feira (19/10), ativistas e movimentos que integram o Fórum  Pernambucano de Comunicação (Fopecom) , com apoio da TV Pernambuco,  realizam ato público no Parque 13 de Maio, das 15h às 18h, como parte do  Dia Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação. Haverá  exibições de vídeos, selecionados pelo cineclube Cine Coque, e a  projeção do vídeo sobre o Cordel do Marco Regulatório, realizado pelo  Centro de Cultura Luiz Freire. </span></p>
<p><span style="font-family: arial,helvetica,sans-serif;"> </span></p>
<p><span style="font-family: arial,helvetica,sans-serif;">A  intervenção defende a ampla liberdade de expressão para todos e todas,  face à concentração dos meios de comunicação que ainda persiste no  Brasil. O  evento também  integra a Campanha Para Expressar a Liberdade, levada à frente pelo  Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que defende a  criação de uma nova lei para as comunicações no País, capaz de ampliar a  pluralidade de vozes e ideias na mídia brasileira.</span></p>
<p><span style="font-family: arial,helvetica,sans-serif;">O acesso à internet banda larga livre e de qualidade também será debatido no <em>Liberdade de Expressão. Para quem?, </em>com  o objetivo de mostrar a necessidade de se criar políticas públicas que  universalizem o acesso da população à rede. No Brasil, cerca de 62% dos  domicílios não estão conectados à internet. No Nordeste, este percentual  ainda aumenta, atingindo 79% de exclusão.</span></p>
<p><span style="font-family: arial,helvetica,sans-serif;">O  Fopecom apoia a regulamentação dos sistemas de comunicação no Brasil, a  fim de garantir a liberdade de expressão e contribuir para o  fortalecimento da democracia. Diferentemente do que é propagado pelos  meios de comunicação corporativos, a regulação da mídia não significa  censura, mas, sim, a garantia de que vozes historicamente silenciadas,  como as dos movimentos sociais, tenham espaço no debate público, e  sujeitos historicamente invisibilizados e estigmatizados pela grande  mídia, como negros, indígenas, quilombolas, mulheres e homossexuais,  sejam representados longe de estereótipos. </span></p>
<p><span style="font-family: arial,helvetica,sans-serif;">Conheça mais sobre a campanha Para expressar a Liberdade <a href="http://www.paraexpressaraliberdade.org.br/" target="_blank">www.paraexpressaraliberdade.org.br</a>.</span></p>
<p>O evento no face tá aqui, ó: <a href="http://www.facebook.com/events/295853047195027/?ref=ts&amp;fref=ts" target="_blank">http://www.facebook.com/events/295853047195027/?ref=ts&amp;fref=ts</a></p>
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		<title>Liberdade de Expressão. Pra quem?</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Oct 2012 20:26:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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Para marcar a Semana Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação, o Fórum Pernambucano de Comunicação realiza, com apoio da TV Pernambuco, o ato público LIBERDADE DE EXPRESSÃO PRA QUEM? no Parque 13 de Maio, nessa sexta-feira (19), a partir das 15h.
No Parque, exibição de vídeos, debates e oficinas pretendem reforçar a necessidade da ampla [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2904" href="http://www.locoporti.blog.br/?attachment_id=2904"><img class="aligncenter size-medium wp-image-2904" title="image" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/image-436x600.jpg" alt="" width="436" height="600" /></a></p>
<p>Para marcar a Semana Nacional de Luta pela Democratização da Comunicação, o Fórum Pernambucano de Comunicação realiza, com apoio da TV Pernambuco, o ato público <a href="http://www.facebook.com/events/295853047195027/?ref=ts&amp;fref=ts" target="_blank">LIBERDADE DE EXPRESSÃO PRA QUEM?</a> no Parque 13 de Maio, nessa sexta-feira (19), a partir das 15h.</p>
<p>No Parque, exibição de vídeos, debates e oficinas pretendem reforçar a necessidade da ampla liberdade de expressão para todos e todas, entendendo a comunicação como um direito fundamental.</p>
<p>O evento no Recife integra a Campanha Para Expressar a Liberda<br />
de, levada à frente pelo Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), que defende a criação de uma nova lei para as comunicações no País, capaz de ampliar a pluralidade de vozes e ideias na radiodifusão brasileira.</p>
<p>E aí? Você sabe pra quem é essa tal de Liberdade de Expressão? Vamos discutir!</p>
<p>Acesse o sítio <a href="http://www.facebook.com/l.php?u=http%3A%2F%2Fwww.paraexpressaraliberdade.org.br&amp;h=KAQGTF8QC&amp;s=1" target="_blank">www.paraexpressaraliberdade.org.br</a> e saiba mais sobre a campanha</p>
<p>O evento no Facebook:<br />
<a href="http://www.facebook.com/events/295853047195027/?ref=ts&amp;fref=ts" target="_blank">http://www.facebook.com/events/295853047195027/?ref=ts&amp;fref=ts</a></p>
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		<title>DES-CARTA DA REDE METARECICLAGEM PARA O MINISTÉRIO DA CULTURA – E OUTROS MINISTÉRIOS TAMBÉM</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Oct 2012 18:10:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
16/10/2012
Por versão 0.1.0 coletiva

Epístola Digital Descentralizada
(versão 0.1.0 coletiva)
Outubro 2012
Plante e Viva! Código é Mato; Importante são Pessoas!
(Anônimo e Coletivo)
1 ponto e vírgula A+, “Enter”. &#38;&#38; você já não está no mesmo lugar;
(Supla Selva &#38; Yupana Kernel)
Não somos representados por nenhuma rede das redes
anonymus
Carxs leitorxs
Abrimos este canal para diálogar com o Ministério da Cultura,  buscando [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h1 style="text-align: right;"></h1>
<h2 style="text-align: right;">16/10/2012<br />
Por versão 0.1.0 coletiva</h2>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><em>Epístola Digital Descentralizada<br />
(versão 0.1.0 coletiva)<br />
Outubro 2012</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>Plante e Viva! Código é Mato; Importante são Pessoas!<br />
(Anônimo e Coletivo)</em></p>
<p><em><strong>1 </strong>ponto e vírgula A+, “Enter”. &amp;&amp; você já não está no mesmo lugar;<br />
(Supla Selva &amp; Yupana Kernel)</em></p>
<p><em>Não somos representados por nenhuma rede das redes<br />
anonymus</em></p>
<p><em>Carxs leitorxs</em></p>
<p><em>Abrimos este canal para diálogar com o Ministério da Cultura,  buscando destacar tópicos de suma importância para a cultura, em suas  interfaces com a tecnologia, ciência e comunicação. Propomos abaixo  alguns pontos que julgamos relevantes para o presente e o futuro, a  partir da nossa larga experiência coletiva em redes cultivadas na  Internet e nas ruas, com a utilização plena de software livre para  produção cultural, bem como no exercício da cultura livre como prática  constante. Na realização de encontros presenciais relacionados a arte,  mídia, participação social, ciência, tecnologia presenciamos e  integramos todo tipo de discussões políticas e ações distribuídas e  não-verticalizadas. Durante este processo decidimos ampliar o número de  destinatários, dada a pluralidade de intenções. Como e com quem  resolver?</em></p>
<p><em>Esta carta foi escrita por diversas mãos a partir de uma iniciativa  que surge no seio da rede MetaReciclagem e então se espalha pela  Internet. Lembramos que a MetaReciclagem era parte fundamental do  conceito e prática da Ação Cultura Digital elaborada nas gestões  passadas. Entre as pessoas abaixo assinadas estão articuladores que  participaram da criação e internacionalização do Cultura Viva, do  Programa Nacional dos Pontos de Cultura e das ações de Cultura Digital,  realizando na prática estes programas governamentais. Gostaríamos que o  Ministério da Cultura e todxs xs destinatárixs desta carta atentassem  aos pontos abaixo:</em></p>
<p><em>Lei do Acesso à Informação e Governo Aberto: Disponibilização  adequada (de forma legível por pessoas e máquinas, em padrões abertos)  de todas as informações do Ministério da Cultura, inclusive as relativas  ao orçamento (levando em consideração também os recursos das leis de  incentivo fiscal) e sua distribuição entre as regiões do país. Incentivo  à formação de Conferências de Cultura permanentes e abertas, e ao  aprimoramento e a simplificação dos canais de diálogo e intervenção da  sociedade civil (organizada ou não-organizada legalmente) na gestão do  Ministério. Tomada de decisões junto à sociedade civil através de  consultas públicas.</em></p>
<p><em>Gênero, Produção Cultural e Apropriação Tecnológica – Estímulos a  projetos de acesso e uso crítico da tecnologia (hardware, software e  redes) e dos meios de produção cultural. Investimento em pesquisa e  programas de introdução à apropriação tecnológica específicos para  diversidade de gênero de todas as idades, culturas, raças e classes  sociais, para que sejam estimuladxs a participar de processos de  produção cultural com ferramentas tecnológicas. Esse contexto é onde  mais existe déficit de participação. Entram nesse contexto mulheres,  transgêneros, transexuais, travestis, prostitutas, queers e todo tipo  considerado aberração para a sociedade machista, que ainda domina muitas  das gerências da cultura, da ciência e da tecnologia.</em></p>
<p><em>Reforma da Lei de Direito Autoral: Um largo processo foi iniciado,  durante o governo Lula, que tinha como missão atualizar a legislação  brasileira sobre o direito autoral. É praticamente um consenso a  necessidade da reforma da Lei 9.610/98, visto que a última década foi  marcada por profundas transformações – não só técnicas mas  principalmente políticas e culturais – que alteram radicalmente a forma  como nos relacionamos com o direito autoral. Como exemplo dessas  transformações, temos a difusão de espaços e práticas de  compartilhamento – redes P2P – que se tornaram verdadeiros terrenos de  uma guerra global entre defensores da “propriedade intelectual” e  ativistas da cultura livre. Outro exemplo dessas transformações é a  difusão cada vez maior de uma cultura de remix. Desde 2007, o MinC vem  fomentando o debate sobre temas como cópia privada, uso educacional de  obras protegidas, proteção ao autor e cessão de direitos.</em></p>
<p><em>Acreditamos necessário avançar muito nessa área pois o acesso a  produções culturais é essencial para a multiplicidade e diversidade da  cultura brasileira, para a diversificação de olhares, assim como a  formação de uma cultura política e não somente políticas culturais.  Alguns avanços significativos podem ser conquistados nessa área como a  descriminalização de práticas ditas de “pirataria”, a possibilidade de  cópia privada, a criação de um sistema de supervisão pública e  descentralizada dos órgãos coletores de direitos autorais, a questão das  cópias para uso educacional e o aumento das possibilidades de usos  “justos” das obras protegidas. Devemos buscar soluções para a  remuneração do trabalho da cultura e da arte que passem pelo  reconhecimento da dimensão coletiva de sua produção, destacando as  possibilidades de produção cooperativa e a impossibilidade da cultura  ser entendida como submetida somente à economia – ainda que a questão da  valoração do trabalho de artistas e produtores culturais seja  essencial.</em></p>
<p><em>Cultura, Ciência e Tecnologia nas Comunidades Tradicionais:  Investimento conjunto e dialógo com as instituições e agências oficiais  da ciência, no reconhecimento dos saberes e ciências das comunidades  tradicionais, como comunidades quilombolas, caiçaras, ribeirinhas e  indígenas. Práticas e conhecimentos que por sua vez são indissociáveis  de suas culturas (etnociências e etnoecologias) e constituem um enorme  potencial ainda sub-valorizado. Qualificação do Estado para o diálogo  com estes grupos, criando mecanismos que facilitem o repasse de recursos  (como editais desburocratizados para micro-empreendedores individuais) e  a submissão de projetos, aprimorando a experiência da Ação Griô,  criando outras e pautando ações de ciência e tecnologia associadas à  cultura.</em></p>
<p><em>Hacklabs Rurais e Biotecnologia: Incentivar práticas de biohacking  abertas e livres a partir do conhecimento e ciências de povos  tradicionais. Investimento em laboratórios que promovem a busca pela  autonomia em diversos setores: humano, social, científico e tecnológico.  Apoio ao desenvolvimento de pesquisas científicas livres, pautadas pela  integração entre natureza e cultura, em estudos biotecnológicos,  desenvolvimentos associados à computação física, à ciência comunitária e  às tecnologias baseadas em práticas do faça-você-mesmo (DIY) . Hacklabs  são práticas comuns em vários países, inclusive no Brasil, e têm como  objetivo aproximar das pessoas comuns a produção científica e  tecnológica de baixo custo e livre distribuição, criando espaços de  convivência, experimentação e aprendizagem, por vezes em diálogo com os  saberes das ciências duras e as ciências de comunidades tradicionais.</em></p>
<p><em>Assim como o aprimoramento das linguagens tecnológicas para esses  ambientes, em prol de pesquisas transdisciplinares-antidisciplinares em  laboratórios de biohacking ou DIYBIO (Biologia do faça-você-mesmo),  envolvendo: energias renováveis, cartografias de faunas e floras, redes  autônomas de telecomunicações, bioconstruções, agroecossistemas e outras  investigações que apoiem uma reversão do êxodo de comunidades  tradicionais rumo aos centros urbanos. Deste modo, sugerimos uma  especial atenção no investimento em hacklabs rurais e ecológicos (em  zonas costeiras, no cerrado, no semiárido, na região amazônica e em  outros biomas em que ainda ocorrem trocas ecológicas diretas e abrigam  comunidades tradicionais), estimulando a convivência com as realidades  locais, apoiadas tanto por novas ferramentas, quanto nas tecnologias  ancestrais de sustentabilidade e autonomias. A partir desta perspectiva,  pode ser retomada a parceria da RNP com a Funarte, junto ao edital  redigido (ainda não publicado) em 2010, em diálogo com a plataforma  Rede//Labs.</em></p>
<p><em>Satélites: Apoio à sociedade civil na pesquisa e investigação para  produção tecnológica de satélites, e a participação na discussão sobre  os lançamentos de satélites. Está em jogo a questão dos espectros  aéreos, assim como o acesso a tecnologia espacial. Os modos como são  feitas as negociações sobre os domínios espaciais se dão do mesmo modo  que as empreitadas colonialistas, a participação civil é ignorada.  Propomos a participação de grupos interessados nas lutas espectrais e  nos desígnos dos projetos espaciais, assim como pedimos espaços de  residências artísticas e de desenvolvimento tecnológicos nas áreas de  desenvolvimento e lançamento. Muitos dos satélites que estão em órbita  estão sendo subutilizados, esses satélites são de grande utilidade para  as redes de espectro livre, para termos acesso a esses satélites de  forma legal necessitamos de acordos legais intraministeriais, e acordos  entre ministérios e grupos empresariais. Esses satélites são facilmente  cartografados, sendo vastas as redes que se prestam a esse tipo de  análise. Propomos a criação de um espaço permanente de discussão aberta  sobre a gerência civil de satélites.</em></p>
<p><em>Residências: Apoio à realização de intercâmbios e residências  nacionais e internacionais entre laboratórios, Pontos de Cultura e  agentes autônomos, expandindo e aprimorando a propostas como o programa  Interações Estéticas da FUNARTE, e criação de outros programas para  fortalecer uma rede de laboratórios culturais que inclua não só o  Brasil, mas também outros Pontos de Cultura, espaços culturais, eventos,  ações em redes da América Latina e do mundo.</em></p>
<p><em>Rádio e TV Digital: Reconhencimento do rádio como um importante  instrumento de difusão, produção e identidade culturais, principalmente  diante das novas oportunidades tecnológicas e sociais que oferece o  rádio digital. Desejamos um padrão de rádio digital aberto, sem segredos  industriais, com apropriações e adaptações para realidades de todas as  estações de rádio do Brasil, potencializando a democratização da  comunicação e o acesso popular à cultura. Somos também contra a  criminalização da radiodifusão comunitária e livre: fomentamos a  diversidade e a multiplicação de atores para o fortalecimento da  pluralidade de expressões. Frente à iminente digitalização da  radiodifusão, é essencial sublinhar potencialidades até agora pouco  exploradas, como a otimização do uso do espectro eletromagnético, a  multiprogramação e o desenvolvimento nacional de novos serviços,  fundamentais para a plena promoção da diversidade e cidadania. É  preciso, então, garantir o apoio à digitalização dos meios comunitários  (que hoje somam mais de 10 mil emissoras de rádios de baixa potência em  todo o país), a exploração das ondas médias, curtas e tropicais, bem  como o acesso de Rádios e TVs comunitárias ao espectro aberto e  democrático. Defendemos que o padrão Digital Radio Mondiale é o mais  apropriado para a digitalização da radiodifusão brasileira  (http://drm-brasil.org)</em></p>
<p><em>Hardware Livre: Expansão do incentivo pioneiro do Ministério da  Cultura ao software livre também para o hardware: estimular a criação de  novos dispositivos e novas mídias como bens culturais públicos,  sujeitos aos mesmos príncipios de “propriedade intelectual” aberta como  os discutidos neste documento. Somente através da produção autônoma de  hardwares livres pode se garantir uma verdadeira apropriação pela  sociedade dos meios de produção cultural no século XXI, caso contrário  ainda que os softwares sejam abertos continuamos dependentes de empresas  privadas estrangeiras. O Minc pode ter estratégias de incentivo que  estimulem a criação e exploração de novos dispositivos midiáticos  (computadores, radio e tv digital, telefonia, câmeras, projetores,  instrumentos óticos, instrumentos musicais e etc.), com parcerias entre  artistas e engenheiros, onde além da produção estética resultem também  em alternativas para novos ciclos industriais mais acessíveis, para além  das grandes patentes.</em></p>
<p><em>É possível e cada vez mais viável uma economia sustentável onde  esquemas de placas eletrônicas, microchips, sensores e outras invenções  sejam vistas como matéria para recombinações possíveis de novas  invenções e sobretudo como reserva de conhecimento, numa área tão  dominada pelas patentes de economias hegemônicas e sua lógica baseada em  ocultar descobertas. Com licenças abertas é possível ampliar acesso a  tecnologias colocando-os na pauta da educação pública, da ciência e dos  meios de produção cultural, possibilitando uma economia mais  colaborativa com acesso à matéria prima da indústria computacional e  gerando fluxo de conhecimento industrial para os pequenos e micro  empreendedores. Utilizar estas iniciativas como modelo para metodologias  de ensino e produção em pequena escala e com soluções de logística  local, incentivando a apropriação da tecnologia, a multidisciplinaridade  e a criatividade no desenvolvimento de soluções para problemas comuns,  que muitas vezes não são resolvidos pela lógica do mercado.</em></p>
<p><em>Infraestrutura de rede descentralizada – Neutralidade, segurança,  transparência, acesso, controle são questões fundamentais que estão  sendo discutidas em termos de marcos Legais, mas que precisam também ser  enfrentadas através do desenvolvimento prático de alternativas  tecnológicas que possibilitem uma infraestrutura descentralizada e  gerida localmente. Para isso é necessário garantir recursos junto aos  órgãos públicos, para desenvolvimento e implementação de redes que  funcionem localmente com pareamento assíncrono com a Internet. Estas  redes locais estão sendo discutidas e implementadas pela sociedade civil  de forma independente, a exemplo das recentes investidas da Rede  Mocambos de comunidades quilombolas nesta direção. Solicitamos um  auxílio do estado para realizar os mapeamentos urbanos e rurais de  disponibilidade de rede e implementações em si.</em></p>
<p><em>Acesso à internet – Garantir acesso à internet – rápida, estável e  gratuita – a grupos, coletivos, pontos de cultura, telecentros dentre  outras ações e estruturas, já existentes ou não, por meio da expansão da  infraestrutura pública de conexão em banda larga (por exemplo, criando  extensões a partir da Rede Ipê da RNP) para fins não somente científicos  como também culturais. Garantir conexão dedicada de qualidade para  Pontos de Cultura, hacklabs em periferias, comunidades indígenas e da  zona rural e outros grupos com dificuldades de acesso à Internet, para  que tenham condições de desenvolverem seus trabalhos e manifestarem seus  entendimentos. Disponibilização de acesso aberto e livre a essa conexão  para as comunidades e seus entornos. Para contornar as limitações de  entrega de sinal por fibra ótica da rede Ipê, podem ser trabalhados  pontos de distribuição de rede com tecnologias sem fio, ampliando seu  alcance. Fomentar o acesso livre à internet ao menos em localidades de  alta demanda, como centros urbanos e de eventos.</em></p>
<p><em>Comunidades de software livre – Solicitar ao MinC, MC, MCTI e MEC a  adaptação de seus editais e mecanismos de incentivos para que atendam a  um modelo que fortaleça as redes abertas de pesquisa livre e comunidades  regionais de software livre, criando mecanismos de apoio ao ensino,  pesquisa e principalmente desenvolvimento de soluções em softwares de  código-aberto voltados à produção cultural. Criar mecanismos de  interação entre essas redes e os sistemas de pesquisa institucionais no  âmbito acadêmico e de ensino público, gerando apropriação e partipação  das diferentes comunidades locais. Compreender a produção de código como  manifestação cultural. Estimular a produção do código computacional  livre como uma mídia que é tecnologia condensada, reativa, modular e  reprodutível sem custo adicional. Contemplar o patrimônio da humanidade  que é o repertório em circulação de código aberto. Incentivar as  comunidades envolvidas com recursos de forma a facilitar as dedicações  usuais sem prejuízo dos agentes que empregam nestas investidas seus  tempos, recursos e relações interpessoais.</em></p>
<p><em>Lixo Eletrônico: Incentivo a práticas de apropriação e  reaproveitamento de equipamentos descartados, contrapondo-se à lógica  industrial da obsolescência programada e percebida, fomentando ações de  transformação de lixo eletrônico em matéria-prima artística e  experimental, kits educacionais e objetos carregados de significado ou  utilidades sociais. Estimular o desenvolvimento de uma cultura não  consumista e de não desperdício que promova o reuso antes do descarte,  abrindo espaço para que as cooperativas de reciclagem, e outras formas  de organização social baseadas na Economia Solidária, sejam  multidisciplinares e se incorporem ao espaço urbano como ações  socioculturais do cotidiano. Estimular que essa Cultura do Remix se  estenda a outros campos da Cultura criando novas possibilidades de  criação coletiva.</em></p>
<p><em>Economia solidária – Investimento na economia solidária, feira de  trocas de conhecimento tecnológico e de produção cultural, coletas de  lixo eletrônico e apropriação de tecnologias, seja na sua forma física  de equipamentos eletrônicos ou de subprodutos, fazendo com que a  responsabilidade do descarte e recriação de material seja medido em  moeda social de acordo com as ações de cada participante e redes  produtoras. Conectar através de projetos convergentes as Incubadoras e  Centros Públicos de Economia Solidária aos Hacklabs, para que a inovação  seja prática de aprimoramento das produções que se pautem pelos  príncipios do movimento social da Economia Solidária.</em></p>
<p><em>Plataformas digitais de repositórios públicos – Ampliar o diálogo  entre vários órgãos da administrção pública, estabelecendo parcerias  efetivas e estimulando o empenho de recursos e projetos que viabilizem a  implementação de servidores em nuvem garantindo que a produção nacional  de mídia, principalmente com recursos oriundos de editais e serviços  públicos, estejam garantidos legalmente e digitalmente no Brasil. Hoje o  SERPRO trabalha em um projeto de implementação de repositórios  públicos, a EBC possui o projeto do Canal P para toda a produção  multimídia pública, assim como N outros órgãos estão investindo esforços  nessa frente. Ao MINC cabe o papel de valorizar a disseminação e  preservação do patrimônio cultural brasileiro em ambientes digitais que  fortaleçam a nossa soberania cultural, devendo assim assumir o  protagonismo para juntar, organizar esses diferentes agentes e  viabilizar que o Brasil tenha um ambiente digital público e seguro para  sua produção simbólica e imaterial.</em></p>
<p><em>Infra-estrutura pública de federação de redes – uma das frentes na  qual a Secretaria Geral da Presidência atua é a mobilização e atuação em  redes. Esse esforço vem juntar-se com as centenas de iniciativas de  trabalho em rede e construção de territórios digitais. Mas essa  proliferação de iniciativas, inclusive, e principalmente, dentro do  Estado traz o risco de tudo se esvaziar pela multiplicidade de  identidades criadas pelos usuários. Já existem elaborações e iniciativas  de implementar a Federeação de Redes. Essa Federação consiste de  infra-estrutura e de protocolos que permitam que usuários cadastrados em  diferentes Redes Sociais Temáticas possam se relacionar sem precisar  criar novas identidades. O Estado brasileiro produz muitas redes, mas  elas não se conectam, levando ao cidadão assumir multiplas identidades  junto ao Estado e suas políticas. Ao invés de investir recursos em criar  mais redes, e mais micro-concentrações de informação, que acabam se  perdendo, o MINC, junto a MCTI, SEPRO, MPOG, RNP, entre outros, deve  lançar uma edital que viabilize a implementação de um protocolo público  de interconexão de Redes.</em></p>
<p><em>Licenciamento público de obras – A discussão quanto a reforma da Lei  de Direito Autoral está além da capacidade imediata de gestão dos  recursos públicos e das poíticas públicas que cabem ao Ministério.  Diante disso, e mantendo o compromisso de valorizar e respeitar a  Cultura brasileira, sugerimos ao MINC, conformar um grupo de trabalho  interministerial, em parceria com o Conselho Nacional de Cultura,  Ministério da Justiça, SLTI/Ministério do Planejamento e elaborar um  Licença Pública de Obras. A partir do exemplo dado pelo – Portal de  Software Público – SLTI/MPGO, é possível estabelecer uma licença  exemplificada em modelos como a GNU/Linux, Creative Commons, Copy Left e  garantir que todo e qualquer projeto, que se valha de recursos  públicos, mediante prêmios, convênios, editais ou prestação de serviços,  ceda os direitos para o domínio público. Com isso desafios como o de  levar obras realizadas com recursos públicos às escolas podem facilmente  ser liberadas, e poderá ainda influenciar de forma prática no debate  sobre a Reforma da Lei do Direito Autoral e sua aplicabilidade na  sociedade e no Congresso Nacional, além de garantir o processo de Remix  Cultural.</em></p>
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		<title>Editorial do O Globo explicita a relação entre grande imprensa e agronegócio</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/editorial-do-o-globo-explicita-a-relacao-entre-grande-imprensa-e-agronegocio/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Oct 2012 18:31:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Da Página do MST
O jornal O Globo se propôs a debater a questão agrária  brasileira, fundada atualmente na crença de um modelo de produção  agrícola de extrema produtividade e rentabilidade: o agronegócio.  Argumento este pouco sustentável se levar em consideração para quem vai  esta produtividade &#8211; mercado externo &#8211; e quem fica [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://www.mst.org.br/O-alinhamento-politico-entre-os-meios-de-comunicacao-e-o-agronegocio" target="_blank"><em>Da Página do MST</em></a></p>
<p><em>O jornal </em><em>O Globo se propôs a debater a questão agrária  brasileira, fundada atualmente na crença de um modelo de produção  agrícola de extrema produtividade e rentabilidade: o agronegócio.  Argumento este pouco sustentável se levar em consideração para quem vai  esta produtividade &#8211; mercado externo &#8211; e quem fica com o bônus econômico  &#8211; meia dúzia de empresas transnacionais.</p>
<p>Confiram o debate entre o artigo de João Pedro Stedile, da coordenação nacional do MST, e o editorial do </em> <em>O Globo,  publicados nesta segunda-feira (8) no diário, cuja resposta do jornal é  de extrema representatividade, afinal demonstra claramente o lado  assumido pelos grandes meios de comunicação.</p>
<p><strong>Os Privilégios no campo<br />
Por João Pedro Stédile*<br />
</strong><br />
Cantam-se  loas ao agronegócio brasileiro. Há razões para isso? A que custo,  social, econômico e ambiental, é mantido esse modelo agrícola? Será a  única alternativa para o desenvolvimento? As consequências da irracional  depredação ambiental, causada pela voracidade de lucros de uma minoria  de proprietários rurais, exigirão um posicionamento político que  extrapole os interesses do mundo rural.</em> <em></p>
<p>O agronegócio se  vangloria de produzir riqueza para o desenvolvimento. A mídia, tanto  pelo alinhamento ideológico com os grandes proprietários quanto por seus  interesses econômicos, se encarrega de difundir tal versão.</p>
<p>A  truculenta bancada ruralista inibe as possibilidades de debates e adota o  discurso de catastrofismo frente às iniciativas que se opõem aos  interesses do setor.</p>
<p>O agronegócio é exitoso na estratégia de  aparecer como uma atividade moderna. O ex-presidente da Embrapa Eliseu  Alves mostrou em estudo que o agronegócio representa apenas 8,2% dos  proprietários rurais. São 22,1 mil, de um total de 5,2 milhões.</p>
<p>Esse  estrato de proprietários responde pela maior parte da riqueza produzida  na agricultura. São dados como este que fazem a fama do agronegócio.  Essa concentração não é mérito da eficiência do agronegócio. Ela se deve  a políticas que privilegiaram essa parcela. Modernos e produtivos eram  também os engenhos de cana do Nordeste nos séculos XVI- XIX. O que  sobrou para a população? Produção de riqueza, por si só, não assegura  desenvolvimento. No outro extremo, há 3,8 milhões de proprietários  rurais desassistidos de políticas públicas. Para essa população, o  agronegócio tem somente uma preocupação: ganhar tempo para depois  empurrá-los às periferias. Esse modelo expulsará 2/3 desses  proprietários rurais. A sociedade está disposta a bancar isso? Por que  não logramos impor ao agronegócio restrições para proteger interesses da  sociedade? Os grandes proprietários defendem um código florestal  contrário à preservação ambiental. É necessária uma legislação que  assegure a apropriação social da natureza, para que a qualidade de vida  prevaleça sobre os interesses capitalistas.</p>
<p>A reforma agrária  representa um ajuste de contas histórico: democratizar as terras  agrícolas! Todos os governantes que se subordinaram ao latifúndio  alegaram que não seria mais necessária. Essa desculpa esfarrapada  escamoteia uma opção de desenvolvimento que menospreza os aspectos  culturais, sociais, políticos e ambientais. Reforma agrária é, também,  assegurar vida digna para a população do campo, ter uma política de  produção associada à preservação ambiental e se desafiar a promover o  desenvolvimento nacional atendendo, prioritariamente, aos interesses do  povo brasileiro.</p>
<p></em><em>*João Pedro Stedile é membro da coordenaçao nacional do MST e da Via Campesina Brasil.</em></p>
<p><em><br />
</em><br />
<strong><span id="more-2885"></span>Editorial &#8211; Agronegócio inclui pequenos<br />
</strong><br />
O  agronegócio é um dos principais alicerces da economia brasileira. Por  séculos, a economia se concentrou em uma faixa de duzentos quilômetros  ao longo do litoral. Assim, mesmo com infraestrutura precária, o  agronegócio conseguiu avançar no interior a ponto de o Brasil hoje estar  entre os três maiores produtores e exportadores das mais importantes  culturas agrícolas e pecuárias.</p>
<p>O superávit proporcionado pelo  agronegócio na balança comercial é tão expressivo que o segmento pode  ser comparado a um segundo &#8220;pré-sal&#8221;, só que, em vez da costa, se  espalha pelo interior. E já produz em grande escala. O agronegócio  semeou polos de desenvolvimento em cidades médias por todo o país. Com a  renda que gera, criou uma demanda para diferentes serviços, envolvendo  sistemas de transportes, bancos, comércio varejista e entretenimento.</p>
<p>Além  dos alimentos (cuja volumosa produção contribui para moderar a inflação  e melhorar consideravelmente o grau de nutrição de milhões de  brasileiros mais pobres), o agronegócio abriu espaço para fontes  renováveis de energia. A biomassa tende a ter uma participação crescente  na matriz energética do país, assim como os biocombustíveis (etanol e  biodiesel).</p>
<p>O agronegócio precisa de grandes áreas para a  produção de grãos. No Centro-Oeste, propriedades com menos de 100  hectares são pouco rentáveis ou até inviáveis economicamente. Mas há  oportunidades para a agricultura familiar, especialmente na produção de  alimentos. Indústrias que processam carne de frango ou de suínos têm  milhares de fornecedores, a maioria dos quais pequenos produtores. Os  cinturões verdes que hoje abastecem as metrópoles com hortigranjeiros  são formados por sitiantes e chacareiros. A piscicultura, que já é  responsável pelo salto na produção de pescados (enquanto a captura se  mantém relativamente estável), é outro segmento no qual a convivência  entre pequenos, médios e grandes produtores tem se mostrado factível.</p>
<p>A  política agrícola brasileira se tornou abrangente nos últimos vinte  anos, buscando atender desde a produção em grande escala até os  produtores familiares. A reforma agrária, dentro dos seus propósitos  originais de distribuição de terras com objetivo de reduzir a pobreza e a  desigualdade no campo, acabou se esvaziando naturalmente diante dessa  dinâmica do setor rural. A absorção de novas tecnologias, a mecanização,  a formalização dos empregos e o respeito aos direitos trabalhistas  (inclusive a aposentadoria) transformaram, para melhor, o trabalho no  campo. A eletrificação, o acesso às telecomunicações e a oferta de  educação vêm tirando as famílias rurais do isolamento.</p>
<p>O debate  que envolve o campo hoje está mais direcionado para questões ambientais e  indígenas, ou de infraestrutura e produtividade. O tema fundiário  perdeu relevância, porque são raras as terras mantidas como reserva de  valor, sem aproveitamento.</p>
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		</item>
		<item>
		<title>A arte de dobrar as ruas e ocupar uma cidade</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/</link>
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		<pubDate>Fri, 05 Oct 2012 17:44:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[América do Sul]]></category>
		<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
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		<category><![CDATA[Investigações paralelas]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu já sabia que a produção de arte gráfica na Argentina era de respeito &#8211; indicação de uma população de leitores. Como andei em terras portenhas recentemente, acabei por verificar que não são somente as livrarias, sebos e revistarias que estão cheia de material interessante. E, em muitíssimos casos, inéditos no Brasil&#8230;
Também se ocupa as [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu já sabia que a produção de arte gráfica na Argentina era de respeito &#8211; indicação de uma população de leitores. Como andei em terras portenhas recentemente, acabei por verificar que não são somente as livrarias, sebos e revistarias que estão cheia de material interessante. E, em muitíssimos casos, inéditos no Brasil&#8230;</p>
<p>Também se ocupa as ruas com muita ilustração. Os temas são variados e, claro, remetem a alguns dos elementos mais presentes no imaginário de los hermanos: futebol, o tango, o boêmio e a boemia, religião, política nacional e algo de um sentimento de latinidade, em que pese o veio aristocrático também presente nesse imaginário.</p>
<p>Agora, é interessante observar que, até onde minha vista alcançou nos oito dias em que estive em Buenos Aires, os bairros mais ocupados com artes gráficas são os mais pobres &#8211; em especial La Boca, a pátria emocional de Maradona e claro do Boca Juniors. Antes que se diga que fiquei encantado com El Caminito: é lixo, como um circo mal montado, emulando um bairro que não existe. A boemia no bairro é suja, meio desvalida e não se limita às pinturas nas paredes que se encontra nos roteirosde viagem.</p>
<p>É justamente os grafismos lá que dão conta de certa cisão que hje se instalou na política portenha entre o Kircherismo (a versão sem tango do peronismo) e o restante das forças políticas do país. O peronismo fazendo sombra e inspirando a todos.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-2810" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-20-14-25-43/"><img title="2012-09-20 14.25.43" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-20-14.25.43-600x450.jpg" alt="" width="240" height="179" /></a><a rel="attachment wp-att-2811" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-20-14-25-56/"><img title="2012-09-20 14.25.56" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-20-14.25.56-600x450.jpg" alt="" width="235" height="179" /></a><a rel="attachment wp-att-2812" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-20-14-26-09/"><img title="2012-09-20 14.26.09" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-20-14.26.09-600x450.jpg" alt="" width="240" height="180" /></a></p>
<p>Essa cisão na política argentina tem a ver com as broncas que o governo de Néstor e agora de Kristina resolveram encarar de frente &#8211; coisa que a política de confete de Lula e do PT não conseguiram nem se dispuseram a fazer: uma política de quebra do monopólio das comunicações, através da Lei dos Meios e do julgamento dos criminosos que torturaram mataram e trucidram durante o regime militar.</p>
<p>Além disso, foi em La Boca que vimos as poucas manifestações de apreço e apoio à Senhora Kirchner. No mais, o visitante desavisado, que se contenta a ler o Clarin e o la Republica pode julgar que o país está um caos, guiado por gente irresponsável.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-2815" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-18-13-46-04/"><img class="size-medium wp-image-2815 aligncenter" title="2012-09-18 13.46.04" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-18-13.46.04-e1349456069208-450x600.jpg" alt="" width="450" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: left;">O passeio pelas ruas mostra o uso de extênsil, tinta em murais como os dois acima, muito uso de spray a mão livre em grafites variados e o apelo sempre luxuoso ao improviso. As fotos abaixo são de pequenas imagens colhidas em paredes, desenhadas abaixo da cintura.</p>
<p style="text-align: left;"><a rel="attachment wp-att-2816" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-18-10-33-54/"><img class="size-medium wp-image-2816 alignleft" title="2012-09-18 10.33.54" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-18-10.33.54-600x450.jpg" alt="" width="246" height="185" /></a></p>
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<p style="text-align: left;"><a rel="attachment wp-att-2817" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-18-11-09-16/"><img class="size-medium wp-image-2817 alignleft" title="2012-09-18 11.09.16" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-18-11.09.16-600x450.jpg" alt="" width="250" height="188" /></a></p>
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<p style="text-align: left;"><a rel="attachment wp-att-2818" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-18-13-03-51/"><img class="size-medium wp-image-2818 alignleft" title="2012-09-18 13.03.51" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-18-13.03.51-e1349456448917-450x600.jpg" alt="" width="253" height="338" /></a></p>
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<p style="text-align: left;">Outro dia, noutro post, compartilho alguns dos trabalhos que comprei em livraria e sebo. Por hoje, vou deixar aqui pros dois ou três leitores que sobraram desse blog algumas das imagens que captei das ruas dessa cidade, que os argentinos parecem insistir em dizer que está ocupada, que já tem dono, apesar desta ser uma luta que se renova nos detalhes &#8211; de campanha ou não.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-2823" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-20-13-36-27/"><img class="size-medium wp-image-2823    aligncenter" title="2012-09-20 13.36.27" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-20-13.36.27-600x450.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a></p>
<p style="text-align: center;">O tango, o cantante e o boêmio são figuras muito representativas e presentes na arte de rua em Buenos Aires. Esse daí de cima também foi captado em La Boca &#8211; que dizem ser o bairro onde acontecia, no início do século XIX as misturas de ritmos que vieram a resultar no que hoje eles chamam tango.</p>
<p style="text-align: center;">Borges, celebrado de forma constante mas também crítica pelas grações mais novas de escritores argentinos está presente (há inclusive uma rua com seu nome), e achei muito bonito esse trecho ilustrado de um de seus poemas mais bonitos:</p>
<p><a rel="attachment wp-att-2824" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-20-13-37-33/"><img class="size-medium wp-image-2824 alignleft" title="2012-09-20 13.37.33" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-20-13.37.33-e1349457059776-450x600.jpg" alt="" width="450" height="600" /></a>Encontrei esse desenho numa porta de uma casa que me parecia abandonada. Os desenhos abaixo também, na mesma porta.</p>
<p><a rel="attachment wp-att-2825" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-20-13-44-30/"><img class="size-thumbnail wp-image-2825 alignleft" title="2012-09-20 13.44.30" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-20-13.44.30-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a> <a rel="attachment wp-att-2828" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-20-13-45-01/"><img class="size-thumbnail wp-image-2828 alignleft" title="2012-09-20 13.45.01" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-20-13.45.01-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a></p>
<p>A agora um pouco de religiosidade, com as duas principais divindidades que protegem o Boca Juniors e o time. A primeira imagem é de um gaúcho e o outro vocês abem quem é&#8230;</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-2831" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-20-14-23-57/"><img class="size-medium wp-image-2831 aligncenter" title="2012-09-20 14.23.57" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-20-14.23.57-e1349458140476-450x600.jpg" alt="" width="450" height="600" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-2832" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-20-14-27-11/"><img class="size-medium wp-image-2832 aligncenter" title="2012-09-20 14.27.11" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-20-14.27.11-600x450.jpg" alt="" width="600" height="450" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Pra terminar esse longuíssimo post, a imagem de um casal, que Buenos Aires é dos amantes.<br />
 <img src='http://www.locoporti.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-2833" href="http://www.locoporti.blog.br/a-arte-de-dobrar-as-ruas-e-ocupar-uma-cidade/2012-09-20-14-30-20/"><img class="size-medium wp-image-2833   aligncenter" title="2012-09-20 14.30.20" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/10/2012-09-20-14.30.20-e1349458525658-450x600.jpg" alt="" width="450" height="600" /></a></p>
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		<title>Curso de documentários para professores das redes estadual e municipal</title>
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		<pubDate>Sun, 05 Aug 2012 19:08:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
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		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Vai iniciar mais um projetinho de extensão em que eu colaboro. Minha expectativa é que as atividades me permitam refletir de forma mais apurada questões relacionadas a educação. Mais especificamente  pretendo me aproximar de um entendimento segundo o qual o método é um  elemento didático. Tenho lido e ouvido sobre como o &#8216;processo&#8217; é o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Vai iniciar mais um projetinho de extensão em que eu colaboro. Minha expectativa é que as atividades me permitam refletir de forma mais apurada questões relacionadas a educação. Mais especificamente  pretendo me aproximar de um entendimento segundo o qual o método é um  elemento didático. Tenho lido e ouvido sobre como o &#8216;processo&#8217; é o tempo mais rico das relações de letramento digital, das experiências de apropriação crítica de tecnologias da informação e comunicação nas quais a subversão de objetos técnicos é o resultado da modulação dos produtos da indústria às necessidades pontuais, efêmeras e/ou contingentes dos indivíduos.</em></p>
<p><em>Escrevi algo sobre isso tempos atrás. A origem desse entendimento parce ser Simondon e também Husserl. O trabalho deles aponta para uma compreensão do objeto técnico que não somente supera a âncora de sujeito-objeto, mas que também abandona a visão algo conformista segundo a qual os objetos estão finalizados, acabados. Isso significa dizer que os aparelhos técnicos podem ser vistos em seu processo de individuação, no que são libertos do modelo matérica-forma, o que implica sua separação do modelo de trabalho a eles atribuido pela indústria. A individuação dos objetos técnicos se abre a operações de deformação, a modulações e adaptações em função das necessidades de seus usuários numa zona obscura que se localiza entre a forma e a matéria, entre as essências e as coisas formadas. São zonas intermédias onde habita o objetoi técnico e sua individuação é resultado de um fluxo, de uma itinerância, de uma deambulação nas mãos de quem precisa. Isso é também um método de aprendizado. De alguma forma, está presente na Metareciclagem e nas experiências de ensino-aprendizagem a ela associados. </em></p>
<p><em>Pois bem. O projeto de extensão (cujo texto de divulgação está aí embaixo) parece estar de alguma forma relacionado e próximo a esse entendimento dos objetos técnicos e da maneira como podemos nos relacionar com eles pois tem também um entendimento do métodoco como recurso didático que acontece no caminhar, no processo, nas adaptações às necessidades, afetos, singularidades e inspirações de quem tá envolvido. Em didática há um método que vem sendo aplicado que se chama &#8217;sequencias didáticas&#8217;, que me parece bem próximo desse &#8216;processo&#8217; a que me referi acima. Então uma tarefa para os próximos meses é pesquisar essa aproximação e quem sabe fortalecer conceitualmente essa associação</em><em>.</em></p>
<p><strong>Curso de documentários para professores das redes estadual e municipal</strong></p>
<p>Estão abertas até o dia 09 de agosto (próxima quinta-feira) as inscrições para a formação do corpo discente do Projeto Didático para a Construção de Documentários, que acontecerá aos sábados pela manhã (08h às 13h), no período entre 11 de agosto e 09 de dezembro, no Centro de Educação da Universidade Federal de Pernambuco. O curso terá uma carga horária total de 120 horas (88 horas presenciais e 32 horas à distância) e emitirá certificado pela Pró-reitoria de Extensão da UFPE. Serão oferecidas 45 vagas.</p>
<p>O curso tem como eixo o entendimento de que o gênero ‘documentário&#8217; pode ser um virtuoso facilitador de processos de formação, uma metodologia em si de ensino-aprendizagem, de compreensão e de intervenção na realidade. O objetivo principal, assim, é o desenvolvimento de projetos didáticos voltados à construção de três documentários-pesquisa, cujo intuito é investigar, tendo como pano de fundo o tema das relações étnico-raciais, problemáticas relevantes e de interesse das comunidades em que se localizam as escolas envolvidas no projeto.</p>
<p>Para se inscrever os interessados precisam ser professores da rede pública de ensino (estadual ou municipal) da educação básica. Além disso, devem enviar um e-mail para o endereço cursodocumentario.ufpe@gmail.com contendo as seguintes informações:<br />
<strong><br />
NOME COMPLETO:<br />
CPF:<br />
NOME DA ESCOLA E REDE EM QUE ESTA LOTADO(A):<br />
COMPONENTE CURRICULAR EM QUE ATUA:<br />
TELEFONES PARA CONTATO:<br />
E-MAIL:</strong></p>
<p>Além desses dados, o candidato deverá enviar, em anexo no e-mail, uma CARTA DE INTENÇÃO com a seguinte formatação: tamanho máximo de 1 página, escrita em fonte Arial (tamanho 12), com espaçamento entre linhas de 1,5 e formato doc. ou PDF. Nessa carta de intenção o candidato deverá explicitar sua disponibilidade para frequentar o curso e os motivos de interesse que o levou a se candidatar à vaga.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>A 3stação de Marx em vídeo</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/a-3stacao-de-marx-em-video/</link>
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		<pubDate>Tue, 10 Jul 2012 14:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Ainda disponibilizando os textos publicados no Suplemento Pernambuco sobre Karl Marx e as releituras de sua obra:
[There is a video that cannot be displayed in this feed. Visit the blog entry to see the video.]
Uma das expressões mais interessantes dessa “volta a Marx” é o documentário Marx Reloaded. Escrito e dirigido pelo filósofo Jason Barker, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Ainda disponibilizando os textos publicados no <a href="http://www.suplementopernambuco.com.br/" target="_blank">Suplemento Pernambuco</a> sobre <a class="zem_slink" title="Karl Marx" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Karl_Marx" target="_blank">Karl Marx</a> e as releituras de sua obra:</em></p>
<p style="text-align: center;">[There is a video that cannot be displayed in this feed. <a href="http://www.locoporti.blog.br/a-3stacao-de-marx-em-video/">Visit the blog entry to see the video.]</a></p>
<p>Uma das expressões mais interessantes dessa “volta a Marx” é o documentário <a href="www.marxreloaded.com/ " target="_blank">Marx Reloaded</a>. Escrito e dirigido pelo filósofo <a class="zem_slink" title="Jason Barker" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jason_Barker" target="_blank">Jason Barker</a>, o trabalho é descrito pela produção como um documentário cultural que examina a relevância do socialista e filósofo alemão para entender a crise financeira e econômica global de 2008/2009. O filme tem ótimas entrevistas com gente do quilate de <a class="zem_slink" title="Norbert Bolz" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Norbert_Bolz" target="_blank">Norbert Bolz</a>, <a class="zem_slink" title="Micha Brumlik" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Micha_Brumlik" target="_blank">Micha Brumlik</a>, John Gray, Michael Hardt, Antonio Negri, <a class="zem_slink" title="Nina Power" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nina_Power" target="_blank">Nina Power</a>, <a class="zem_slink" title="Jacques Rancière" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jacques_Ranci%C3%A8re" target="_blank">Jacques Rancière</a>, Peter Sloterdijk, <a class="zem_slink" title="Alberto Toscano" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Alberto_Toscano" target="_blank">Alberto Toscano</a> e Slavoj Zizek.</p>
<p>O filme tem menos de uma hora. Nas entrevistas, alguns dos conceitos mais importantes da obra de Marx são retomados e atualizados. O sentido do trabalho, a centralidade da produção imaterial, as formas do fetichismo da mercadoria, a exploração, as reordenações das lutas sociais e a necessidade de re-enquadrar, atualizando, as disputas de classe são alguns dos temas presentes no documentário.</p>
<p>Há uma metáfora que acompanha o filme do começo ao fim, na qual Marx é associado ao personagem Neo, de Matrix (trilogia dos irmãos Andrew e Laurnce Wachowski) o que funciona bem na tarefa a que Marx é “designado”: investigar os segredos do sistema capitalista. O documentário segue a linha de mostrar que a recente crise tem sido utilizada para a implementação de medidas que concentram as riquezas, num processo de fortalecimento de estruturas e ferramentas do sistema capitalista.</p>
<p>O interessante é que o filme, mescla de animações e entrevistas, hoje agrega debates e mesas-redondas em escolas, universidades, festivais, ocupações, manifestações na rua, em prédios públicos, praças por onde passar. De modo que o Marx Reloaded está deixando de ser um filme, mas um processo de descoberta e de redescoberta a partir de uma não ficção ficcionalizada.  A agenda do filme pode ser conferida em <a href="http://www.marxreloaded-film.blogspot.com.br/" target="_blank">http://www.marxreloaded-film.blogspot.com.br/</a>.</p>
<p>Um outro filme cuja temática central é o próprio Marx é “Karl Marx”, do haitiano Raoul Peck. O filme cobre o período de 1830 a 1848, documentando assim os anos em que o pensador alemão esteve em Paris, sua expulsão para Bruxelas até a publicação do Manifesto do Partido Comunista. O período cobre a publicação de &#8216;O que é a propriedade&#8217;, em 1840, de Proudhon; &#8216;A essência do Cristianismo&#8217;, em 1841, por Feuerbach e de &#8216;Esboço de uma crítica da Economia Política, em 1844, por Engels. É também o período do primeiro contato com este filho de industriais e, claro, da morte de Hegel. Entre 1846 e 1847 Marx escreve A Miséria da Filosofia.</p>
<p>O filme dedica algum tempo ao relacionamento com <a class="zem_slink" title="Jenny von Westphalen" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jenny_von_Westphalen" target="_blank">Jenny von Westphalen</a>, com quem ele se casou em 1913. Embora eles tenham noivado em 1836, só puderam se casar oito anos depois, sobretudo por causa das dificuldades impostas pelas famílias de ambos. Jenny gozava de alta posição social e depois de casar não teve uma vida fácil, passando por várias privações e a morte de três dos seis filhos que teve. Essa produção é mais quadrada no sentido formal, com uma procura constante por &#8216;educar&#8217; o seu espectador, procurando localiza-lo historicamente em relação ao tempo em que Marx viveu.</p>
<p>O que ambos os filmes tem em comum, a despeito da enorme diferença de linguagem entre eles e além de serem respostas ao mesmo momento, é o entendimento forte de que Marx não é um ideólogo do passado. O pensador alemão é tratado como um politólogo e cientista atual que soube identificar com razoável precisão a natureza de crise do capitalismo.</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/?px"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=7d358412-f528-4451-8691-b9f0d4c5b826" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>Piratas e tubarões:  enxergar o mundo velho como um vovô com alzheimer</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Jul 2012 14:36:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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Por Hernán Casciari
O contador de assinaturas anuais da nova revista Orsai acaba de chegar a mil. Em nove dias, e sem notícias sobre o conteúdo ou a quantidade de páginas, mil leitores já compraram as seis revistas do próximo ano. E isso que todos sabem que sairá uma versão em pdf, gratuita, no mesmo dia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://4.bp.blogspot.com/-p1E5PEeLS0g/T6oQPbuOP5I/AAAAAAAAE9k/X4QC2Hn_HSc/s1600/Para%25C3%25ADso.jpg"><img class="aligncenter" title="A ilustração é de Alberto Montt: http://www.dosisdiarias.com/" src="http://4.bp.blogspot.com/-p1E5PEeLS0g/T6oQPbuOP5I/AAAAAAAAE9k/X4QC2Hn_HSc/s1600/Para%25C3%25ADso.jpg" alt="" width="605" height="792" /></a></p>
<p style="text-align: right;">Por <a href="http://editorialorsai.com/" target="_blank">Hernán Casciar</a>i</p>
<p style="text-align: left;"><em>O contador de assinaturas anuais da nova revista Orsai acaba de chegar a mil. Em nove dias, e sem notícias sobre o conteúdo ou a quantidade de páginas, mil leitores já compraram as seis revistas do próximo ano. E isso que todos sabem que sairá uma versão em pdf, gratuita, no mesmo dia em que a revista chegue às casas deles. Repito: acabamos de vender seis mil revistas. Seiscentas e sessenta e cinco por dia. Vinte e oito por hora.</em></p>
<p><em>Ao mesmo tempo, uma escritora espanhola acaba de anunciar que deixará de publicar. “Visto que foram feitos mais downloads ilegais do meu romance do que foram comprados exemplares, anuncio que não publicarei mais livros”, disse ontem Lucía Etxebarría. A impressa tradicional fez eco a essas palavras e a indústria editorial complementou: “Pobrezinha, olhem o que a internet está fazendo com os autores”.</em><strong> (entenda o caso lendo isso <a href="http://baixacultura.org/2012/07/02/o-mundo-velho-como-um-vovo-com-alzheimer/" target="_blank">aqui</a>)</strong><em><br />
</em></p>
<p><em>Acontece o mesmo com a gente. Durante 2011 editamos quatro revistas Orsai. Vendemos uma média de sete mil exemplares de cada uma, e com esse dinheiro pagamos (extremamente bem) todos os autores. Os pdf’s gratuitos dessas quatro edições alcançaram seiscentos mil downloads ou visualizações na internet.</em></p>
<p><em>Vendemos sete mil, baixaram seiscentos mil.</p>
<p>Se os casos de Lucía Etxebarría e da Orsai são idênticos, e ocorrem no mesmo mercado cultural, por que nos causam alegria e a ela só causam desânimo?</p>
<p>A resposta talvez esteja em que se trata do mesmo mercado mas não do mesmo mundo.</p>
<p>Existe cada vez mais um mundo efervescente em que o número de downloads e o número de vendas físicas se complementam; seus autores dizem: “que bom, quanta gente me lê”. Mas ainda existe um mundo velho onde um número se subtrai ao outro; seus autores dizem: “que espantoso, quanta gente não me compra”.</p>
<p>O velho mundo se baseia em controle, contrato, exclusividade, confidencialidade, trava, representação e dividendo. Tudo o que acontecer fora de seus padrões é cultura ilegal.</p>
<p>O novo mundo se baseia em confiança, liberdade de ação, criatividade, paixão e entrega. Tudo o que acontecer dentro e fora de seus parâmetros é bom, contanto que as pessoas aproveitem a cultura, pagando ou sem pagar.</p>
<p>Dizendo de outra maneira: Lucía ser pobre não é culpa dos leitores que não pagam, e sim do modo como seus editores repartem os lucros vindos dos leitores que pagam. Mundo velho, mundo novo. Há algumas semanas vivi um caso que deixa muito claro o que ocorre quando esses dois mundos se cruzam. Vou contar para a Lucía e para vocês porque é divertido: Uma editora da Alfaguara (Grupo Santillana, Madri) me liga e me diz que estão preparando uma Antologia da Crônica Latinoamericana Atual. E que querem um conto meu que aparece no meu último livro, “um conto que se chama tal e tal, de que a gente gosta muito”.</p>
<p>Respondo que lógico, que pegue o conto que quiser. Ela me responde que me enviará um e-mail para solicitar autorização formal. Digo que tudo bem.</p>
<p>“Caro Hernán, lhe explico o que adiantei por telefone: a Alfaguara editará em breve uma antologia de bla bla bla cuja seleção e prólogo ficou a cargo de Fulaninho de Tal. Ele deseja incluir o teu conto Xis. Se você está de acordo com o contrato que anexei, envie duas cópias com todas as páginas assinadas ao seguinte endereço” (e inclui o endereço de Prisa Ediciones, Alfaguara).</p>
<p>Abro o arquivo em anexo, leio o contrato. Me fascina a leitura de contratos do mundo velho. Não se preocupam nem um pouco em disfarçar suas gravatas.</p>
<p>Me pedem um conto que chamam de “La Aportación”. A cláusula 4 diz que “o editor poderá efetuar quantas edições julgue convenientes até um máximo de cem mil (100.000)”. A cláusula 5 diz: “Como remuneração pela cessão de direitos de “La Aportación”, o editor pagará ao autor cem euros (100?) brutos, valor sobre o qual incidirão os impostos e se praticarão as deduções cabíveis”.</p>
<p>Pensei nos outros autores que compõem a antologia, nos que com certeza assinam contratos assim. Cem euros menos impostos e deduções são sessenta e três euros, e disso ainda se retiram os quinze por cento do agente ou representante (todos têm um), ou seja, o autor fica com cinquenta e três euros na mão. Não importa se a editora vende dois mil livros ou cem mil livros. O autor sempre leva cinquenta e três euros. Será que Lucía Etxebarría assina contratos assim?</p>
<p>Nessa mesma tarde respondi o e-mail à editora da Alfaguara:</p>
<p>“Oi Laura, o conto que vocês querem aparece no meu último livro, que é distribuído sob licença Creative Commons Reconhecimento 3.0 Unported, que é a mais generosa. Isso significa que vocês podem compartilhar, copiar, distribuir, executar, realizar obras derivadas e inclusive fazer uso comercial de qualquer um dos contos, desde que vocês digam quem é o autor. Te dou o texto de presente para você fazer com ele o que quiser, e que este e-mail sirva de comprovante. Mas eu não posso assinar essa porcaria legal assombrosa. Um beijo.”</p>
<p>A resposta chegou alguns dias depois; já não era ela que escrevia, senão outra pessoa:</p>
<p>“Hernán: entendemos isso, mas o departamento legal precisa que você assine o contrato para não termos problemas no futuro. Saudações!”</p>
<p>E aí eu não respondi mais. Para que continuar a corrente de e-mails?</p>
<p>A historinha é essa, não é grande coisa. Mas eu quero dizer, ao contá-la, que não temos de lutar contra o velho mundo, nem sequer temos que debater com ele. Temos que deixá-lo morrer em paz, sem incomodá-lo. Não temos que enxergar o mundo velho como aquele pai castrador que foi nos seus bons tempos, mas sim como um vovô com alzheimer.</p>
<p>- Me dá isso? – diz o vovô.<br />
- Sim, vovô, toma.</p>
<p>- Não, assim não. Assina pra mim esse papel onde você diz que me dá isso e em troca eu cuspo em você.</p>
<p>- Não precisa disso, vovô, eu te dou. É de graça.</p>
<p>- Eu preciso que você assine esse papel, não posso aceitar de graça!</p>
<p>- Mas por quê, vovô?</p>
<p>- Porque se eu não te ferro de alguma maneira, eu não sou feliz.</p>
<p>- Bom, vovô, outro dia a gente se fala… Te amo muito.</p>
<p>E amamos muitos esse vovô de verdade. Há vinte, trinta anos, esse homem que agora está gagá nos ensinou a ler, pôs livros formidáveis nas nossas mãos.</p>
<p>Não temos que discutir com ele, porque gastaríamos energia no lugar errado. Temos que usar essa energia para fazer livros e revistas de outra maneira; temos que voltar a nos apaixonar por ler e escrever, temos que defender até a morte a cultura para que ela não esteja nas mãos de avôs gagás. Mas não temos que perder tempo lutando contra o avô. Temos que falar exclusivamente com nossos leitores.</p>
<p>Lucía: você tem um monte de leitores. Você é uma escritora de sorte. O demônio não são seus leitores; nem os que compram seus romances os que baixam as suas histórias na internet.</p>
<p>Não há demônios, na verdade. O que há são dois mundos. Duas maneiras diferente de fazer as coisas.</p>
<p></em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Está em você, em nós, em cada autor, continuar assinando</em></p>
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		<title>A 3stação de Marx &#8211; ensaio pro Suplemento Pernambuco sobre o velho:</title>
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		<pubDate>Fri, 06 Jul 2012 23:25:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
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		<description><![CDATA[Vou colocar por aqui nos próximos dias três textinhos que escrevi para o Suplemento Pernambuco. A edição é diferente da que foi publicada. Fiz, em parte, como um exercício de estudo prum concurso e motivado pela proximidade do aniversário de Marx. A caixa de comentários está aberta para correções, cobranças, sugestões, etc.
A 3stação de Marx

A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vou colocar por aqui nos próximos dias três textinhos que escrevi para o <a href="http://www.suplementopernambuco.com.br/index.php" target="_blank">Suplemento Pernambuco</a>. A<em> edição é diferente<a href="http://www.suplementopernambuco.com.br/index.php/teste/6-ensaio/650-as-profecias-de-marx-bem-diante-de-nos.html" target="_blank"> da que foi publicada</a>. Fiz, em parte, como um exercício de estudo prum concurso e motivado pela proximidade do aniversário de Marx. A caixa de comentários está aberta para correções, cobranças, sugestões, etc.</em></p>
<h1><strong>A 3stação de Marx</strong></h1>
<p><a href="http://4.bp.blogspot.com/-FHVyTj1PTOc/TnpIskERKPI/AAAAAAAAB_E/X9MlzW8x970/s1600/karl-marx-hip.jpg"><img class="alignright" src="http://4.bp.blogspot.com/-FHVyTj1PTOc/TnpIskERKPI/AAAAAAAAB_E/X9MlzW8x970/s1600/karl-marx-hip.jpg" alt="" width="448" height="314" /></a><br />
A história do marxismo, desde que nasceu há pouco mais de cem anos, está ainda por escrever. Parece que as palavras escolhidas por Terry Eagleton, em 1974, para começar o livro &#8216;Socialismo ocidental&#8217; ganharam renovada força no início desse século. A retomada das lições deixadas por Karl Marx e por Friedrich Engels se explica, por um lado, porque em seu trabalho puderam analisar de tal forma a natureza do Capital que lhes foi possível prever a atual crise desse sistema de produção – aliás, o que esses dois alemães desvendaram foi a condição inerente de crise do capitalismo. É essa potência que explica a busca  por Marx e Engels (busca que nunca se esgotou), empreendida por vários autores contemporâneos (veja texto ao lado). E que no final das contas confirmam a previsão de Eagleton.</p>
<p>Talvez a contribuição de maior fôlego nesse sentido seja o projeto <a href="http://www.bbaw.de/telota/ressourcen/copy_of_gesamtregister-zur-marx-engels-gesamtausgabe/?searchterm=mega" target="_blank">MEGA</a>, abreviação em alemão para  Marx-Engels GesamtAusgabe (algo como Marx-Engels produção total). Realizado pela  <a href="www.bbaw.de/" target="_blank">Berlin-Brandenburgische Akademie der Wissenschaften</a> (Academia de Ciências Berlin-Brandenburgo),  o projeto pretende colocar na forma de 114 volumes todos os trabalhos publicados, e também os manuscritos e a correspondência de Karl Marx e de Friedrich Engels.<span id="more-2778"></span></p>
<p>Será uma edição crítica comprometida em ser filologicamente fiel aos textos originais. Muito do material a ser publicado será inédito. A expectativa é que o conjunto da publicação forneça uma documentação organizada de maneira que permita a compreensão do desenvolvimento de cada texto em manuscritos e edições impressas, combinado com comentários detalhados.</p>
<p>O gigantesco desafio que pesquisadores envolvidos (da Alemanha, Russia, França, Dinamarca, Finlândia, Itália, Estados Unidos e Japão) têm diante de si deverá produzir um conjunto dividido em quatro seções: na seção I, livros, artigos e rascunhos. Na seção II, O Capital e seus estudos preliminares, nas quais todas as versões do principal texto de Marx são apresentados e pela primeira vez o extensivo, mas incompleto manuscrito terá sido decifrado e reconstruído (!); na seção III, correspondência e na seção IV, exertos, notas e comentários feitos em margens de livros (!!).</p>
<p>O esforço reunido coloca o MEGA como um dos mais excepcionais esforços de pesquisa de seu tipo. Quando o trabalho for finalizado, em 2025, terão sido necessários mais de 100 anos para fazer com que as palavras de Marx e Engels cheguem ao público leitor em sua forma original, ou seja, livre de censura. 2025&#8230; Que rosto o capitalismo teŕa então? Quantas faces e promessas fornecerá até lá?</p>
<p>x.x.x.x.x.x.x.x.x</p>
<p><a href="http://2.bp.blogspot.com/-zNkb0saD4Aw/TlarsFCFnlI/AAAAAAAAAPU/F0D4H_vOBEE/s1600/Crise+europeia.png"><img class="alignright" src="http://2.bp.blogspot.com/-zNkb0saD4Aw/TlarsFCFnlI/AAAAAAAAAPU/F0D4H_vOBEE/s1600/Crise+europeia.png" alt="" width="459" height="264" /></a>Há alguma ironia no fato de a Comunidade Européia ser uma das financiadoras do MEGA. Com milhares de desempregados e economias de pelo menos cinco de seus países em frangalhos, a Europa é um dos pólos da mais recente crise do capital que tem forçado uma volta ao Marx economista e político. O caráter e as soluções dadas para a confusão que se instalou de forma mais evidente no coração do sistema desde 2008 explicam um pouco esse movimento. Há quem acredite que o panorama atual de desigualdades sociais e de classe a que se chegou, por cusa dos elementos que deflagraram a crise, esteja muito próxima daquela que Marx descreveu.</p>
<p>De uma forma geral, a atualidade das interpretações de Marx está na capacidade de compreender o rosto do capitalismo agora – há muito tempo –, ao incorporar a denúncia das desigualdades de poder e riqueza, guerras imperiais, a intensificação da exploração, a alienação, a ubiquidade da forma mercadoria, a instrumentalização das relações sociais, o imperialismo inerentes ao processo de modernização e a atuação cada vez mais repressiva dos Estados a partir de interesses de classe. É atual também por clamar pela necessidade de repensar o espaço do processo (desigual) de acumulação de riqueza. Marx e Engels já sabiam que esse espaço era global, mas hoje esse espaço é mais aberto, descentralizado, denso.</p>
<p><a href="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20120305_europa.crise.debeda.jpg"><img class="alignright" src="http://www.galizacig.com/avantar/files/images/20120305_europa.crise.debeda.jpg" alt="" width="300" height="300" /></a><a href="http://it.wikipedia.org/wiki/Massimo_Cacciari" target="_blank">Massimo Cacciari</a> recentemente numa entrevista afirmou que o Marx “ainda capaz de falar a nós não é nem o profeta político, nem o intelectual ideológico. É, pelo contrário, o analista do destino do capitalismo, entendido como um formidável sistema social e cultural que produz um impulso desmedido para a criação de novas necessidades”. A frase perde um pouco de força se lembrarmos da história recente das crises mundiais, que nos mostram que a análise do capitalismo não pode prescindir da perspectiva ideológica. Uma chave virtuosa para entender a atual crise é justamente desse naipe.</p>
<p>Podemos nos perguntar se essa crise sinaliza por exemplo com o fim do neoliberalismo – o modelo elaborado pelos luminares da economia de mercado para dar conta da crise que se instalou como um vizinho indesejável na sala de estar dos anos 1970. Na verdade, o que se pode ver é que, da mesma forma que o próprio neoliberalismo foi um projeto de classe destinado a restaurar e centralizar a riqueza e o poder da classe capitalista, garantindo que os capitais fluissem de um canto a outro, da mesma forma, as políticas atuais em curso propõem a saída da crise com ainda mais centralização do poder da … classe capitalista.</p>
<p>Ou se não vejamos. Desde 1973 houve centenas de crises financeiras no mundo todo – e muito poucas entre 1945 e 1973 (várias destas foram baseadas em questões de propriedade ou desenvolvimento urbano). Assim, o colapso atual não é original, a não ser no seu tamanho e alcance, assim como é totalmente compreensível o seu vínculo forte no desenvolvimento urbano e no mercado imobiliário (o sistema americano foi o que sentiu os primeiros estalos na fundação – para um relato ótimo da nova crise do capital, há o livro de David Harvey, listado abaixo). A retórica argumentativa do neoliberalismo envolvia liberdade individual, autonomia, responsabilidade pessoal e os benefícios da privatização dos bens do Estado, livre-mercado  e livre-comércio, com a queda de barreiras burocráticas, de mercado e de regulação. E ao mesmo tempo políticas draconianas de auxílio a economias menos desenvolvidas. O projeto foi muito bem sucedido, obrigado, a julgar pela concentração da riqueza em todos as economias nacionais que adotaram esse caminho.</p>
<p><a href="http://efeitoecausa.files.wordpress.com/2011/06/crise-europeia.jpg"><img class="alignleft" src="http://efeitoecausa.files.wordpress.com/2011/06/crise-europeia.jpg" alt="" width="360" height="253" /></a>A crise fiscal da cidade de Nova York na metade da década de 1970 inaugurou o princípio, logo expandido para o mundo inteiro a partir de 1982 com  a crise da dívida do México, de que o poder do Estado deve estar a serviço da proteção das instituições financeiras. É claro que essa prática contrariava outro princípio caro ao neoliberalismo, o da não-intervenção. Mas logo ficou claro entre os homens e mulheres que pilotavam os governos e os mercados, que socializar os riscos e privatizar os lucros, salvar os bancos e o sistema e endereçar a conta às pessoas era não somente fácil, era uma estratégia mais que racional: era a única coisa a fazer. As crises financeiras servem para racionalizar as irracionalidades do capitalismo.</p>
<p>O socorro atual (desde 2008) às instituições financeiras dado pelos cofres dos Estados, como resposta à crtise financeira, é essa mesma história. No momento em que escrevo, a Espanha confirma a solicitação, ao Fundo Europeu de Estabilidade Financeira, de ajuda ao seu sistema financeiro no montante de 100 bilhões de euros. É o quarto país europeu a receber auxílio  internacional – além da Irlanda, Portugal e Grécia. É o FMI quem vai acompanhar a operação.</p>
<p>x.x.x.x.x.x.x.x.x</p>
<p>O capitalismo tem revelado uma forte capacidade de se readequar às contingências negativas e de melhorar constantemente seu desempenho nos últimos duzentos anos. Parte desse êxito se deve à forma como o Capital se relaciona com os constrangimentos, dificuldades e limites da natureza e de como ele se relaciona com o trabalho (a atividade das pessoas). Como Marx mostra, as soluções para as dificuldades são sempre por meio de novas tecnologias ou de formas de organização. Mais tecnologias e formas de organização superiores resultam em taxas de lucro maiores.  É da observação desses fatores que Marx concluiu pela fetichização da tecnologia por parte dos capitalistas e que o levou a escrever que a “indústria moderna nunca vê ou trata a forma existente de um processo de produção como definitiva. Sua base técnica é, portanto, revolucionária, enquanto todos os modos de produção anteriores eram essencialmente conservadores”.</p>
<p>O que tal êxito sugere é que esse sistema produtivo tem fluidez e flexibilidade suficientes para superar todos os limites, ainda que aqui e ali com violentas correções e altos preços a pagar, como agora. É Marx quem oferece uma forma virtuosa de entender essa tendência “criativo-destrutiva”: o velho lembra que, por um lado, há uma capacidade ilimitada de acumulação monetária. Do outro, há todos os constrangimentos limitadores da atividade material (produção, troca e consumo de mercadorias, além dos humores do clima, a fertilidade da terra, a oferta de água e outros recursos).  Ao contrastar essas duas dimensões, Marx indica que cada limite aparece como uma barreira a ser superada, é esse o embate constante e perpétuo dentro da geografia histórica que o pensador de Dresden conseguiu vislumbrar como nenhuma outra pessoa antes – Joseph Schumpeter também se dedicou às tendências criativo-destrutivas do capitalismo, mas ele e seus seguidores tratavam a destrutividade como o efeito colateral (inevitável dos negócios&#8230;).</p>
<p>Mas o aumento da frequencia e da profundidade das crises do capital desde a década de 1970 se explicam justamente pela necessidade de se encontrar formas novas e inovadoras de reunir e distribuir capital na forma de dinheiro, além de formas para se explorar oportunidades lucrativas. Ou seja, desde mais ou menos 1973 se tornou um problema absorver montantes de capital excedente na produção de bens e serviços cada vez maiores para manter o capitalismo crescendo. O consumismo tem um papel fundamental nisso, através da geração contínua de novas necessidades. A imagem abaixo é reveladora da teia do nosso consumo na área de alimentos. Pense o quanto disso é, na verdade, necessidade criada pela necessidade de manter o sistema crescendo e trerá uma noção da catástrofe que aprendemos a ignorar&#8230;</p>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_2779" class="wp-caption aligncenter" style="width: 624px"><a rel="attachment wp-att-2779" href="http://www.locoporti.blog.br/a-3stacao-de-marx-ensaio-pro-suplemento-pernambuco-sobre-o-velho/aniversario-de-marx/"><img class="size-large wp-image-2779 " title="aniversario de marx" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/07/aniversario-de-marx-1024x642.jpg" alt="" width="614" height="385" /></a><p class="wp-caption-text">O mapa do consumo alimentício</p></div>
<p>As inovações financeiras que estavam no olho do furacão de 2008, mais compreensíveis na forma das equações matemáticas que lhes dão consistência, foram desenvolvidas para superar as barreiras que o capitalismo encontra em sua própria natureza. É Marx também que mostra que os movimentos desse tipo invariavelmente criam uma probabilidade séria de o financiamento tornar-se selvagem e desenfreado, gerando uma crise.</p>
<p>Da mesma forma, é Marx quem elabora um relato de como, por um lado, mudanças tecnológicas e organizacionais alimentam a tendêndia de queda na taxa de juro. Ainda que simplista, esse relato acerta ao mostrar como tais mudanças são essenciais na desestabilização de tudo e produzem crises de um tipo ou de outro. A pulsão por crescimento e sobretudo a fetichização das tecnologias, máquinas em particular e novas formas organizacionais, têm se revelado facas de dois gumes. Tal como no curso do amor verdadeiro, o efeito das carências e excedentes no fluxo do Capital nunca é suave.</p>
<p>No início da déca de 1980, no centro financeiro do capitalismo moderno, Wall Street, contavam-se nos dedos de um homem só o número de computadores. Em vinte anos, a inovação mobilizada para fazer a carruagem crescer de tamanho e prosperar e alocar os excessos de produção continuadamente tornou possível modelos matemáticos complexos, um mercado de opções e derivativos e outras inovações que chegaram a movimentar uma montanha de negócios da ordem de 600 trilhões. Boa parte disso pode ser considerada, nos termos do velho, &#8216;capital fictício&#8217;, conceito  sem o qual é impossível se compreender a atual crise do capital. Pois o total de bens e de serviços realmente existentes no mundo não chegavam a 60 trilhões. A análise puramente econômica e histórica, que não observa o caráter ideológico do conhecimento e das tecnologias exigidas para apoiar o crescimento obrigatório do sistema, não dá conta desse tipo de coisa e essa é outra das razões da volta sem volta a Marx.</p>
<p style="text-align: center;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Na segunda-feira publico outro texto, preparado para o Suplemento Pernambuco também em que trato dos livros escritos nos últimos anos por alguns importantes pensadores atuais, que procuram dialogar hoje com a produção de Marx e Engels.</strong></p>
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		<title>Arte e Tecnologia em exposição no BCúbico</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/arte-e-tecnologia-em-exposicao-no-bcubico/</link>
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		<pubDate>Mon, 28 May 2012 13:34:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
A partir desta terça-feira (29) até a próxima quinta-feira em Bcubico estara sediando a exposição Vazão, cujo eixo principal éa interrelação entre arte e tecnologia.  Na sexta-feira o espaço promove um debate entre o designer do C.E.S.A.R., hd mabuse, o designer da empresa 3Ecologias Ricardo Ruiz e este escriba, com a mediação de Rodrigo Medeiros.
A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://media.tumblr.com/tumblr_l8g4bvMdnQ1qamm7n.jpg"><img class="aligncenter" src="http://media.tumblr.com/tumblr_l8g4bvMdnQ1qamm7n.jpg" alt="" width="480" height="600" /></a></p>
<p>A partir desta terça-feira (29) até a próxima quinta-feira em Bcubico estara sediando a exposição Vazão, cujo eixo principal éa interrelação entre arte e tecnologia.  Na sexta-feira o espaço promove um debate entre o designer do C.E.S.A.R., hd mabuse, o designer da empresa 3Ecologias Ricardo Ruiz e este escriba, com a mediação de Rodrigo Medeiros.</p>
<p>A proposta do evento é colocar em evidência o debate, e as práticas, de apropriação tecnológica em diferentes niveis de complexidade e relacionar essa discussão às artes. Nesse sentido, as obras do Vazão formam (ou expressam) um corpo de abordagens teóricas e de suportes fisicos bastante variados.</p>
<p>O elemento que estabelece um vínculo comum entre os trabalhos nem e exatamente o uso de tecnologia nos respectivos processos de criação ou no ‘funcionamento das instalações’ – posto que toda criação humana sempre tem como base algum nível tecnológico envolvido. A liga no Vazão e outra. São as chamadas práticas de subversão de técnicas e tecnologias, a partir das quais se realiza a abertura de caixas pretas e a ‘brincadeira’ com o que se encontra lá.</p>
<p>A subversão de plataformas, de materiais e de tecnologias para fins diferentes daqueles para os quais foram pensados (e comercializados) se investe de uma pulsão por liberdade criadora aberta e necessariamente virtuosa. E interessante lembrar que esse ‘desvio’ faz parte da cultura brasileira de forma orgânica – o termo que melhor expressa esse vinculo talvez seja ‘gambiarra’. A palavra nos últimos anos vem sendo pensada e usada para além do censo comum, no sentido de expressar essa capacidade de reinvenção. No mesmo sentido, o termo  hackeamento, também ajuda a compreender o que há de comum nos trabalhos do Vazão. Além da exposição, o Vazão também resultará numa revista, com textos que ampliam a essa discussão sinalizada nos trabalhos.</p>
<p>Participam dessa amostra um varido conjunto de especialistas:</p>
<p>Ricardo Ruiz, Jeraman, Filipe Calegário , Rodrigo Medeiros , Jarbas Jácome, Manoel da Fonte, Ricardo Brazileiro , Autom.Ato , Livreiro Trêszerocinco, Edson Barrus , Thelmo Cristovam, Paulo Faltay , João Paulo Cerquinho, Lula Pinto , H D Mabuse, Yann Beauvais</p>
<p><strong>SERVIÇO</strong></p>
<p><strong>O QUE: EXPOSIÇÃO e PUBLICAÇÃO</strong></p>
<p><strong>ONDE: BCúbico, Rua do Bom Jesus, no. 127, quinto andar.</strong></p>
<p><strong>QUANDO:  de terça a sexta-feira 10 as 20h</strong></p>
<p><strong>Abertura : 3a –feira ,29, às 19h</strong></p>
<p><strong> Entrada Grátis</strong></p>
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		</item>
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		<title>O desafio do vigilantismo em rede na #expoidea</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/o-desafio-do-vigilantismo-em-rede-na-epoidea/</link>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 00:40:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Nos últimos anos, uma série de leis que restringem as liberdades na  Internet estão sendo decretadas de forma autoritária por governos em  todo o mundo, desde o Hadopi na França, até as tentativas de aprovar o  SOPA, PIPA e o ACTA nos EUA, e chegando na Lei Azeredo (conhecida como AI5-Digital) aqui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nos últimos anos, uma série de leis que restringem as liberdades na  Internet estão sendo decretadas de forma autoritária por governos em  todo o mundo, desde o Hadopi na França, até as tentativas de aprovar o  SOPA, PIPA e o ACTA nos EUA, e chegando na Lei Azeredo (conhecida como <a href="http://meganao.wordpress.com/" target="_blank">AI5-Digital</a>) aqui no Brasil – que está em debate no nosso parlamento.</em></p>
<p><em>Buscando aprofundar as discussões sobre este contexto, a Expoidea vai promover um instigante debate chamado <strong>“Os Limites da liberdade e o vigilantismo na Rede: Marco Civil da Internet e Ciberativismo”</strong>.</em></p>
<p><em>Estarão na mesa os ciberativistas<a href="http://entropia.blog.br/" target="_blank"> João Carlos Caribé</a> e<a href="http://www.tsavkko.com.br/" target="_blank"> Raphael  Tsavkko Garcia</a>. O mediador deste debate serei eu.</em></p>
<p><em> <img src='http://www.locoporti.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /><br />
</em></p>
<p><em><strong>DATA E HORA:</strong> 13 de maio – domingo, às 16h.<br />
<strong>LOCAL:</strong></em> <em> Espaço Ideário – Shopping Paço Alfândega.<br />
ENTRADA GRATUITA.</em></p>
<p><em><strong>O Debate será transmitido AO VIVO via streaming, a partir das 16h. </strong></em></p>
<p><strong><em>Link: <a href="http://expoidea.com.br/2012/debates-ao-vivo/">http://expoidea.com.br/2012/debates-ao-vivo/</a> </em><br />
</strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Uma boa semana para lembrar de Marx</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/uma-boa-semana-para-lembrar-de-marx/</link>
		<comments>http://www.locoporti.blog.br/uma-boa-semana-para-lembrar-de-marx/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 05 May 2012 20:04:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Se Marx errou sobre a capacidade de realização libertária do comunismo – a bem da verdade, mais por obra da burocracia estalinista do que por um caráter inerente da revolução russa e de seus pressupostos teóricos –, acertou em cheio sobre a capacidade destrutiva do capitalismo. Destruição da sua própria base social &#8211; o meio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignright" style="width: 373px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:No_Karl_Marx.jpg" target="_blank"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="No Karl Marx" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/18/No_Karl_Marx.jpg/300px-No_Karl_Marx.jpg" alt="No Karl Marx" width="363" height="362" /><br />
</a></dt>
<dd class="wp-caption-dd zemanta-img-attribution" style="font-size: 0.8em;">
<div class="mceTemp"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:No_Karl_Marx.jpg" target="_blank"><br />
</a></div>
<p>No Karl Marx (Photo credit: Wikipedia)</p>
</dd>
</dl>
</div>
<p>Usar a semana do dia do trabalho como mote para se pensar nas crises mais recentes pelas quais o capitalismo vem passando ganhou um sentido renovado nos últimos  anos. É difícil deixar de lembrar de Karl Marx, quando é justamente sua obra, construída com F. Engels, que vem dando contribuições para se entender de forma mais sofisticada o sistema produtivo hegemônico em particular e a sociedde moderna em geral. Não é casual a retomada dos estudos produzidos pelos alemães ou as novas abordagens e interpretações do materialismo histórico. Lembrei de fazer um registro aqui no blog amarelo porque hoje é a data do nascimento de KM.</p>
<p>O livro mais recente de Frederic Jameson (<a href="http://www.amazon.com/Representing-Capital-Reading-Volume-One/dp/1844674541/ref=sr_1_1?s=books&amp;ie=UTF8&amp;qid=1336247022&amp;sr=1-1" target="_blank">Representing `Capital` &#8211; A Reading of / Volume One</a>) trata justamente do emprego e do Capital. Ou, mais especificamente, a obra afirma que O Capital é um livro sobre o desemprego. Sobre como o desemprego está vinculado de forma orgânica à dinâmica de acumulação e expensão que constitui a própria natureza do capitalismo. Ou seja, em detrimento da categoria política de dominação, é a exploração econômica que ganha destaque e a classe trabalhadora global de hoje emularia o proletariado do início da revolução industrial, por causa de sua precariedade e vulnerabilidade: seriam os &#8220;portadores de um novo tipo de miséria histórica e global&#8221;.</p>
<p>Essa leitura de Jameson tem um problema. Ela deixa passar os caminhos que a política, que as políticas, tomaram depois de 1945 incluindo-se aí a instauração do Estado de bem-estar social e a emergência de forças políticas e articulatórias para além das reivindicações de classe. Entre estes, os movimentos feministas, de igualdeade de direitos civis, LGBT, movimento verde, étnicos, etc. Também não considera o legado dos governos de esquerda na América Latina. Estes são fronts, processos e resultados de reação política aos ciclos de dominação econômica e exploração e, em certo sentido, não passam pela lupa de Jameson.</p>
<p>Houve tempo em que não faltavam vozes a afirmar que as pesquisas sobre o trabalho, a evolução do capital, as transformações das formas de produção; ou que os investimentos de ordem mais eminentemente filosóficos e metodológicos de Marx e de Engels haviam perdido o sentido. Não. Hoje, nós nos encontramos no mundo que ele previu, onde cada um vive de forma experimental e provisória, ainda que não deseje ou saiba, e onde a perspectiva da ruína pode ocorrer a qualquer momento. O sociólogo Anthony Guiddens tratou desse aspecto de ‘insegurança’ sob a categoria de ‘risco’ – embora de forma ainda mais ampla.</p>
<div class="mceTemp">
<dl class="wp-caption zemanta-img alignleft" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Marx6.jpg" target="_blank"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="In his theory of labor value Marx also suppose..." src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/57/Marx6.jpg/300px-Marx6.jpg" alt="In his theory of labor value Marx also suppose..." width="300" height="438" /></a><p class="wp-caption-text">In his theory of labor value Marx also supposes an identical labor-capital ratio in all sectors. (Photo credit: Wikipedia)</p></div>
<p>Se Marx errou sobre a capacidade de realização libertária do comunismo – a bem da verdade, mais por obra da burocracia estalinista do que por um caráter inerente da revolução russa e de seus pressupostos teóricos –, acertou em cheio sobre a capacidade destrutiva do capitalismo. Destruição da sua própria base social &#8211; o meio de vida da classe média – <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110918_marx_capitalismo_jf.shtml" target="_blank">como mostrou</a> o filósofo John Gray.</p>
<p>Como Gray comenta, Marx conseguiu prever a instabilidade que arrastaria as classes médias à condição de “existência precária dos sobrecarregados trabalhadores de sua época”. Marx e Engels foram suficientemente sensíveis para perceber, ainda no Manifesto Comunista, que com o capitalismo emergia uma nova relação da humanidade com a natureza, novas tecnologias, muitas mudanças na vida cotidiana, novos arranjos políticos institucionais e novas relações sociais. A certo momento, o capitalismo parecia expressar a própria condição da modernidade, de contínua atualização, de continua auto-destruição e re-criação.</p>
<p>Recentemente, entretanto, vem se fortalecendo a perspectiva de que o capitalismo fracassou &#8211; no sentido de que essa instabilidade abalou os próprios fundamentos do sistema. Algumas vozes vem articulado idéias nesse sentido, entre elas a o sociólogo David Harvey. Nesse sentido, o capitalismo teria entrado numa fase de cada vez mais destruição e cada vez menos criação. E é preciso salientar o forte componente de irracionalidade desse processo. No último livro do sociólogo inglês lançado no Brasil, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29154349&amp;sid=19617820514320484631927725" target="_blank">O enigma do capital</a>, Harvey lembra como em 2009, um terço dos bens de capital nos Estados Unidos permaneceu inativo ao mesmo tempo em que cerca de 17% da força de trabalho estava desempregada ou, involuntariamente, trabalhando em regimes de meio período.</p>
<p>Em certo sentido uma das expressões mais bem acabadas dessa irracionalidade é trio <strong>produzir, consumir, enriquecer</strong>. A lógica liberal mercadológica elevou a um patamar tal a relação com essas atividades que as relações entre os indivíduos passam a um segundo plano de importância. Somos acionados por coisas – objetos, serviços, um fantasma e a esse respeito me lembrei do show abaixo, no qual o rapper Tupac Shakur é ressucitado –, e convencidos da necessidade inelutável da busca exacerbada, contínua, aviltante por produzir, consumir e enriquecer. O sempre ter mais (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pleonexia" target="_blank">pleonexía</a>) era limitado no mundo grego e virou um trem descarrilhado com o liberalismo. Para um filósofo como Dany-Robert Dufour, a perda dos relatos fundadores e a liberação da pleonexía são marcos da irracionalidade atual. Em um livro chamado <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29428492&amp;sid=77411214114224379882590518" target="_blank">“L’individu qui vient&#8230;après le libéralisme” </a>(O indivíduo que vem&#8230;depois do liberalismo), o filósofo <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19334" target="_blank">advoga</a> a necessidade de retomarmos o Marx filósofo, cujos trabalhos tratam das formas pelas quais os homens podem se realizar fora do circuito do mercado e de suas ilusões: no amor, no outro, do afeto, na arte, etc.</p>
<p style="text-align: center;">[There is a video that cannot be displayed in this feed. <a href="http://www.locoporti.blog.br/uma-boa-semana-para-lembrar-de-marx/">Visit the blog entry to see the video.]</a></p>
<p>Fico pensando que o trabalho também poderia ser uma plataforma de lançamento ao encontro do outro. E me parece que necessariamente precisa haver, para isso acontecer, um reordenamento da ação produtiva pra que ela não se restrinja ao fim puramente comercial. Ou seja, não se restrinja à tarefa de fazer viver, de sobreviver&#8230;</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=93efe9c3-ed4d-422a-89b7-1e37b4577d32" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<item>
		<title>Você se vê na TV? Palestra discute o papel das emissoras públicas</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/voce-se-ve-na-tv-palestra-discute-o-papel-das-emissoras-publicas/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2012 17:17:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebi o convite da qurida Guida Gomes:
São várias as dúvidas que existem acerca do funcionamento e do papel social das emissoras públicas de TV. No sentido de elucidar alguns pontos sobre o tema, será realizada neste sábado, 05, a Palestra TV Pública: a tv onde a gente se vê, evento que integra a Jornada do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Recebi o convite da qurida Guida Gomes:</strong></p>
<p><em>São várias as dúvidas que existem acerca do funcionamento e do papel social das emissoras públicas de TV. No sentido de elucidar alguns pontos sobre o tema, será realizada neste sábado, 05, a Palestra TV Pública: a tv onde a gente se vê, evento que integra a Jornada do Aluno que Aprende. O encontro será às 9h na Unidade Recife da Faculdade Joaquim Nabuco.</p>
<p>Dentre as principais características das emissoras públicas está o propósito de, primeiro, incluir na sua programação, conteúdos que reflitam a cultura e a diversidade do país. São emissoras financiadas com verba ou subsídio do governo e que podem ter também verbas da publicidade, e são dirigidas por um conselho independente do governo, mas que presta contas ao público.</em> <em></p>
<p>Em Pernambuco, tanto a TV Pernambuco, quanto a TV Universitária passam por adaptações, mudanças na programação e, para falar um pouco sobre a realidade dessas emissoras, estarão presentes na Palestra TV Pública: a tv onde a gente se vê, a Coordenadora de Programação e Produção da TV Pernambuco, Guida Gomes; e o jornalista e apresentador do Programa Opinião Pernambuco, da TV Universitária, Haymone Neto.</p>
<p>A Jornada do Aluno que Aprende ainda oferece outras atividades na manhã do sábado. Para ter acesso às palestras e oficinas é preciso levar um pacote de leite que será doado ao Grupo Viva Rachid, localizado no Recife. A inscrição deve ser realizada na assessoria de coordenação localizada no primeiro andar da Faculdade. O telefone para outras informações é o 2121.5999, ramal  4824.</em> <em></p>
<p>Perfil dos palestrantes:</em> <em></p>
<p>Guida Gomes – Jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Na TV Universitária apresentou e produziu o programa Conexão UFPE e Conexão Comunidade, foi também chefe de reportagem e editora chefe do Programa Nosso Jornal. Desde 2010 está na equipe de trabalho da TV Pernambuco, coordenando ações de programação e produção.</p>
<p>Haymone Neto – Jornalista diplomado pela Unicap (2007), Mestre em comunicação pela UFPE (2012). Passou pela redação do Jornal do Commercio e, desde 2009, atua no Núcleo de TV e Rádios Universitárias da UFPE.  É produtor eum dos apresentadores do Opinião Pernambuco, programa de debates diário da TV Universitária (canal 11).</p>
<p>Link:</em> <em><br />
Confira a <a href="http://www.joaquimnabuco.edu.br/noticia/exibir/cid/11/nid/1362/fid/1" target="_blank">programação</a> da Jornada do Aluno que Aprende.</p>
<p>Serviço:</em> <em></p>
<p>Palestra TV Pública: a TV onde a gente se vê. (Integra a Jornada do Aluno que Aprende)</p>
<p>Sábado, 5 de maio, às 9h</p>
<p>Faculdade Joaquim Nabuco Recife. Av. Guararapes, Santo Antônio.</p>
<p>Inscrição: 1 pacote de leite em pó</p>
<p>Mais informações: 2121.5999, ramal 4824. (Faculdade Joaquim Nabuco Recife)</em></p>
]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Em torno da polêmica política cultural, por Gabriel Cohn</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/em-torno-da-polemica-politica-cultural-por-gabriel-cohn/</link>
		<comments>http://www.locoporti.blog.br/em-torno-da-polemica-politica-cultural-por-gabriel-cohn/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 15:19:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
		<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Domingo]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Por Gabriel Cohn, no Valor
Que algo não vai bem nas políticas da cultura é fora de dúvida. Nunca, desde o período Collor, a política oficial na área foi tão contestada, e por tantos lados. Surpreendentes lados, além do mais. Históricos e respeitáveis militantes petistas fazem críticas contundentes, enquanto figuras conhecidas no campo cultural se alinham [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://farm6.static.flickr.com/5061/5635032628_10056a9c67_z.jpg"><img class="aligncenter" src="http://farm6.static.flickr.com/5061/5635032628_10056a9c67_z.jpg" alt="" width="597" height="640" /></a><br />
<span style="color: #800000;"><strong>Por Gabriel Cohn, no Valor</strong></span></p>
<p><em>Que algo não vai bem nas políticas da cultura é fora de dúvida. Nunca, desde o período Collor, a política oficial na área foi tão contestada, e por tantos lados. Surpreendentes lados, além do mais. Históricos e respeitáveis militantes petistas fazem críticas contundentes, enquanto figuras conhecidas no campo cultural se alinham a encarniçados conservadores na defesa de uma ministra do PT. Tentemos propor o problema de fundo numa perspectiva ampla, ainda que à custa de rodeios necessários.</em></p>
<p><em><span id="more-2726"></span><br />
</em></p>
<p><em>Fazer política cultural nunca foi fácil. Quando não se tem uma concepção clara das relações entre sociedade, Estado e cultura fica ainda mais difícil. A questão desagradável é: como juntar esses três termos sem fazer violência a nenhum deles? Pior: sem fazer violência à cultura, o elo frágil nessa cadeia? Mas qual intervenção na cultura não lhe faz violência? Eis o grande desafio de qualquer proposta séria de política cultural: mexer com essa coisa imponderável com a leveza sem a qual ela sufoca, junto com a firmeza suficiente para lhe dar força.</em></p>
<p><em>Cultura ou é tudo, uma espécie de atmosfera que respiramos nos menores gestos, ou é nada, porque cada vez que tentamos prendê-la numa das formas que assume ela nos escapa sob outra forma. Ou então, aprisionada nas redes administrativas, ela se converte em terreno bem demarcado no interior da produção e circulação simbólica. Essa última condição é que faz brilhar os olhos dos gestores mais apressados. Até porque desse modo ela pode ser definida, classificada e avaliada, mediante o uso de qualificativos: é popular, é nacional e assim por diante, tudo dependendo de quem tenha o poder de “ocupar o espaço” e de impor a sua definição.</em></p>
<p><em>Entre a cultura na sua acepção mais genérica possível (segundo a qual é nela que se dá a tradução no registro simbólico da vida humana, convertendo-a em experiências organizadas e peculiares a épocas e lugares) e suas expressões singulares bem mapeadas (a dança x na cidade y) há um enorme espaço, que se oferece às políticas.</em></p>
<p><em>A questão da formulação e implementação de políticas na área ganhou importância no Brasil com a criação do Ministério da Cultura em 1985 e assumiu forma constitucional a partir de 1988. Ao reservar-se todo um ministério a essa questão seguia-se um pouco o caso exemplar da França, que, no governo De Gaulle, consoante a vertente napoleônica da orientação republicana, criou em 1959 aquele órgão de difusão mundial da “grandeur” gaulesa. E fez questão de legitimá-lo na figura de um ministro grande intelectual, André Malraux. É verdade que isso se fez sem esquecer a frente interna, na qual viriam a se elaborar políticas inovadoras como a da “animação cultural”, cujas repercussões no Brasil merecem atenção.</em></p>
<p><em>Entre nós quem fez o papel de Malraux foi Celso Furtado, a quem se deve a concepção básica das leis de incentivo (batizadas na origem com o nome do então presidente Sarney, para depois se converter em Lei Rouanet) e, sobretudo, uma concepção abrangente da cultura como foco de políticas, centrada na ideia de criatividade. Depois disso, a rotina gerencial, mesmo quando competente, passou a se impor, como que dando razão àqueles que viam com reserva a própria criação do ministério.</em></p>
<p><em>Em 1984, quando se discutia essa criação, eu argumentava contra (“Cultura é cultura”, “Folha de S. Paulo”, outubro/1984), em termos que retomo agora. “A política cultural não segue a lógica da cultura – qual seria? -, mas a lógica da influência, do prestígio e do poder. Para isso ela cria suas instituições, seus gestores, seus funcionários, como condição para poder exercer-se. No limite, cria um ministério. A ideia da criação de um Ministério da Cultura não é, portanto, aberrante. Tem sua lógica, mas é uma lógica perversa. Ela repousa numa confusão que tem importância decisiva para entender como essas coisas se dão: aquela que no lugar do que é público coloca aquilo que é oficial. Enfim, aquela pela qual a clássica oposição liberal entre esfera pública e esfera privada fica sufocada nas malhas da esfera oficial, que acaba se identificando com a do aparato estatal”.</em></p>
<p><em>E concluía: “A cultura, essa entidade fugidia, tende a escapar por entre as malhas grossas das redes coletoras de recursos. Enquanto isso as redes mais finas podem ficar ociosas, dispersas pela sociedade, ou então continuar colhendo, à margem dos organismos e processos oficiais, sua sempre renovada carga simbólica. O risco é que elas fiquem restritas, confinadas em universos privados, talvez à espera dos possantes aspiradores da indústria cultural. O desafio continua o mesmo: articular o processo cultural com outros processos sociais e políticos, não para definir seu campo e suas prioridades oficiais, mas para o converter de fato em coisa pública, pois essa é no fundo a sua vocação. A cultura é entidade multiforme e intrometida e, tendo liberdade, nada lhe escapa. Porém, como ela não existe de maneira fixa e palpável, sua liberdade só se realiza juntamente com todas as outras liberdades. E isso passa, é claro, pelas condições materiais para exerce-las. Portanto, sua plena realização só se dá juntamente com todas as outras, num aprendizado social e político que certamente não passa por nenhum ministério”.</em></p>
<p><em>De passagem, interrogava se caberia àquele orgão “a regulamentação da concessão de canais de rádio e televisão, que atualmente está na área na qual se cruzam considerações tecnológicas com as de segurança nacional, sob o nome de ‘comunicações’ (área, de resto, cuja sombra incide fortemente sobre o processo cultural)”. Nesse aspecto, convém lembrar que a antes citada França tem atualmente um Ministère de la Culture et de la Communication.</em></p>
<p><em>O dado importante, aqui, é que no período recente ocorreram mudanças que permitem pelo menos matizar aquelas reservas. A principal delas, claro, consiste no fortalecimento da sociedade nas suas relações com o Estado, que inclui o uso das novas tecnologias da comunicação. Avanço que se anunciou com força em certo momento e no entanto se revela vulnerável, como demonstra a situação presente na área cultural.</em></p>
<p><em>É fácil detectar o momento em que isso ganhou corpo. Foi na gestão Gilberto Gil-Juca Ferreira nos mandatos Lula, quando se adotaram políticas baseadas numa concepção ampla e generosa de cultura, de cunho antropológico, como então se proclamava (em contraste com concepções gerenciais-mercadológicas). Chamou-se a sociedade, criaram-se condições de participação mediante a associação em múltiplas redes, apostou-se no prazo mais longo para o aprendizado cultural, multiplicaram-se as formas de produção e distribuição.</em></p>
<p><em>Foi o brusco freio quando não reversão dessa tendência na atual gestão Ana de Hollanda que gerou o mal-estar manifestado em várias frentes, desde os participantes e produtores culturais atingidos por cancelamentos de projetos em andamento até amplos setores simpáticos a políticas nas quais reconheciam a marca das melhores vertentes democráticas. É por aí que se traça a linha divisória entre críticos e defensores da atual ministra. O que a vertente crítica não tem como aceitar é o retrocesso envolvido numa política tipo “o ministério dos artistas”, pois isso equivale em converter o MinC em agência de reconsagração daqueles já consagrados pelo mercado. Ou então a conversão do ministério em agência de policiamento da circulação cultural, em nome da defesa de direitos autorais (com tudo o que isso representa em termos de envolvimento com entidades privadas de organização e conduta nebulosa).</em></p>
<p><em>O Ministério da Cultura está aí para ficar, para o bem ou para o mal. (Perguntem a qualquer presidente se é fácil fechar um ministério, salvo pelo seu desdobramento em outros dois.) Houve momentos, recentes, em que ele veio para o bem. Caso persista a orientação que se vem imprimindo a ele na atual gestão, só restará sua face sombria, e os danos serão irreparáveis.</em></p>
<p><em>Gabriel Cohn é professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP</em></p>
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