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	<title>Soy Loco Por Ti, América &#187; Commons</title>
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	<description>Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina</description>
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		<title>O desafio do vigilantismo em rede na #expoidea</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 00:40:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nos últimos anos, uma série de leis que restringem as liberdades na  Internet estão sendo decretadas de forma autoritária por governos em  todo o mundo, desde o Hadopi na França, até as tentativas de aprovar o  SOPA, PIPA e o ACTA nos EUA, e chegando na Lei Azeredo (conhecida como AI5-Digital) aqui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nos últimos anos, uma série de leis que restringem as liberdades na  Internet estão sendo decretadas de forma autoritária por governos em  todo o mundo, desde o Hadopi na França, até as tentativas de aprovar o  SOPA, PIPA e o ACTA nos EUA, e chegando na Lei Azeredo (conhecida como <a href="http://meganao.wordpress.com/" target="_blank">AI5-Digital</a>) aqui no Brasil – que está em debate no nosso parlamento.</em></p>
<p><em>Buscando aprofundar as discussões sobre este contexto, a Expoidea vai promover um instigante debate chamado <strong>“Os Limites da liberdade e o vigilantismo na Rede: Marco Civil da Internet e Ciberativismo”</strong>.</em></p>
<p><em>Estarão na mesa os ciberativistas<a href="http://entropia.blog.br/" target="_blank"> João Carlos Caribé</a> e<a href="http://www.tsavkko.com.br/" target="_blank"> Raphael  Tsavkko Garcia</a>. O mediador deste debate serei eu.</em></p>
<p><em> <img src='http://www.locoporti.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /><br />
</em></p>
<p><em><strong>DATA E HORA:</strong> 13 de maio – domingo, às 16h.<br />
<strong>LOCAL:</strong></em> <em> Espaço Ideário – Shopping Paço Alfândega.<br />
ENTRADA GRATUITA.</em></p>
<p><em><strong>O Debate será transmitido AO VIVO via streaming, a partir das 16h. </strong></em></p>
<p><strong><em>Link: <a href="http://expoidea.com.br/2012/debates-ao-vivo/">http://expoidea.com.br/2012/debates-ao-vivo/</a> </em><br />
</strong></p>
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		<title>Uma boa semana para lembrar de Marx</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 20:04:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
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		<description><![CDATA[Se Marx errou sobre a capacidade de realização libertária do comunismo – a bem da verdade, mais por obra da burocracia estalinista do que por um caráter inerente da revolução russa e de seus pressupostos teóricos –, acertou em cheio sobre a capacidade destrutiva do capitalismo. Destruição da sua própria base social &#8211; o meio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignright" style="width: 373px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:No_Karl_Marx.jpg" target="_blank"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="No Karl Marx" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/18/No_Karl_Marx.jpg/300px-No_Karl_Marx.jpg" alt="No Karl Marx" width="363" height="362" /><br />
</a></dt>
<dd class="wp-caption-dd zemanta-img-attribution" style="font-size: 0.8em;">
<div class="mceTemp"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:No_Karl_Marx.jpg" target="_blank"><br />
</a></div>
<p>No Karl Marx (Photo credit: Wikipedia)</p>
</dd>
</dl>
</div>
<p>Usar a semana do dia do trabalho como mote para se pensar nas crises mais recentes pelas quais o capitalismo vem passando ganhou um sentido renovado nos últimos  anos. É difícil deixar de lembrar de Karl Marx, quando é justamente sua obra, construída com F. Engels, que vem dando contribuições para se entender de forma mais sofisticada o sistema produtivo hegemônico em particular e a sociedde moderna em geral. Não é casual a retomada dos estudos produzidos pelos alemães ou as novas abordagens e interpretações do materialismo histórico. Lembrei de fazer um registro aqui no blog amarelo porque hoje é a data do nascimento de KM.</p>
<p>O livro mais recente de Frederic Jameson (<a href="http://www.amazon.com/Representing-Capital-Reading-Volume-One/dp/1844674541/ref=sr_1_1?s=books&amp;ie=UTF8&amp;qid=1336247022&amp;sr=1-1" target="_blank">Representing `Capital` &#8211; A Reading of / Volume One</a>) trata justamente do emprego e do Capital. Ou, mais especificamente, a obra afirma que O Capital é um livro sobre o desemprego. Sobre como o desemprego está vinculado de forma orgânica à dinâmica de acumulação e expensão que constitui a própria natureza do capitalismo. Ou seja, em detrimento da categoria política de dominação, é a exploração econômica que ganha destaque e a classe trabalhadora global de hoje emularia o proletariado do início da revolução industrial, por causa de sua precariedade e vulnerabilidade: seriam os &#8220;portadores de um novo tipo de miséria histórica e global&#8221;.</p>
<p>Essa leitura de Jameson tem um problema. Ela deixa passar os caminhos que a política, que as políticas, tomaram depois de 1945 incluindo-se aí a instauração do Estado de bem-estar social e a emergência de forças políticas e articulatórias para além das reivindicações de classe. Entre estes, os movimentos feministas, de igualdeade de direitos civis, LGBT, movimento verde, étnicos, etc. Também não considera o legado dos governos de esquerda na América Latina. Estes são fronts, processos e resultados de reação política aos ciclos de dominação econômica e exploração e, em certo sentido, não passam pela lupa de Jameson.</p>
<p>Houve tempo em que não faltavam vozes a afirmar que as pesquisas sobre o trabalho, a evolução do capital, as transformações das formas de produção; ou que os investimentos de ordem mais eminentemente filosóficos e metodológicos de Marx e de Engels haviam perdido o sentido. Não. Hoje, nós nos encontramos no mundo que ele previu, onde cada um vive de forma experimental e provisória, ainda que não deseje ou saiba, e onde a perspectiva da ruína pode ocorrer a qualquer momento. O sociólogo Anthony Guiddens tratou desse aspecto de ‘insegurança’ sob a categoria de ‘risco’ – embora de forma ainda mais ampla.</p>
<div class="mceTemp">
<dl class="wp-caption zemanta-img alignleft" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Marx6.jpg" target="_blank"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="In his theory of labor value Marx also suppose..." src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/57/Marx6.jpg/300px-Marx6.jpg" alt="In his theory of labor value Marx also suppose..." width="300" height="438" /></a><p class="wp-caption-text">In his theory of labor value Marx also supposes an identical labor-capital ratio in all sectors. (Photo credit: Wikipedia)</p></div>
<p>Se Marx errou sobre a capacidade de realização libertária do comunismo – a bem da verdade, mais por obra da burocracia estalinista do que por um caráter inerente da revolução russa e de seus pressupostos teóricos –, acertou em cheio sobre a capacidade destrutiva do capitalismo. Destruição da sua própria base social &#8211; o meio de vida da classe média – <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110918_marx_capitalismo_jf.shtml" target="_blank">como mostrou</a> o filósofo John Gray.</p>
<p>Como Gray comenta, Marx conseguiu prever a instabilidade que arrastaria as classes médias à condição de “existência precária dos sobrecarregados trabalhadores de sua época”. Marx e Engels foram suficientemente sensíveis para perceber, ainda no Manifesto Comunista, que com o capitalismo emergia uma nova relação da humanidade com a natureza, novas tecnologias, muitas mudanças na vida cotidiana, novos arranjos políticos institucionais e novas relações sociais. A certo momento, o capitalismo parecia expressar a própria condição da modernidade, de contínua atualização, de continua auto-destruição e re-criação.</p>
<p>Recentemente, entretanto, vem se fortalecendo a perspectiva de que o capitalismo fracassou &#8211; no sentido de que essa instabilidade abalou os próprios fundamentos do sistema. Algumas vozes vem articulado idéias nesse sentido, entre elas a o sociólogo David Harvey. Nesse sentido, o capitalismo teria entrado numa fase de cada vez mais destruição e cada vez menos criação. E é preciso salientar o forte componente de irracionalidade desse processo. No último livro do sociólogo inglês lançado no Brasil, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29154349&amp;sid=19617820514320484631927725" target="_blank">O enigma do capital</a>, Harvey lembra como em 2009, um terço dos bens de capital nos Estados Unidos permaneceu inativo ao mesmo tempo em que cerca de 17% da força de trabalho estava desempregada ou, involuntariamente, trabalhando em regimes de meio período.</p>
<p>Em certo sentido uma das expressões mais bem acabadas dessa irracionalidade é trio <strong>produzir, consumir, enriquecer</strong>. A lógica liberal mercadológica elevou a um patamar tal a relação com essas atividades que as relações entre os indivíduos passam a um segundo plano de importância. Somos acionados por coisas – objetos, serviços, um fantasma e a esse respeito me lembrei do show abaixo, no qual o rapper Tupac Shakur é ressucitado –, e convencidos da necessidade inelutável da busca exacerbada, contínua, aviltante por produzir, consumir e enriquecer. O sempre ter mais (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pleonexia" target="_blank">pleonexía</a>) era limitado no mundo grego e virou um trem descarrilhado com o liberalismo. Para um filósofo como Dany-Robert Dufour, a perda dos relatos fundadores e a liberação da pleonexía são marcos da irracionalidade atual. Em um livro chamado <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29428492&amp;sid=77411214114224379882590518" target="_blank">“L’individu qui vient&#8230;après le libéralisme” </a>(O indivíduo que vem&#8230;depois do liberalismo), o filósofo <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19334" target="_blank">advoga</a> a necessidade de retomarmos o Marx filósofo, cujos trabalhos tratam das formas pelas quais os homens podem se realizar fora do circuito do mercado e de suas ilusões: no amor, no outro, do afeto, na arte, etc.</p>
<p style="text-align: center;">[There is a video that cannot be displayed in this feed. <a href="http://www.locoporti.blog.br/uma-boa-semana-para-lembrar-de-marx/">Visit the blog entry to see the video.]</a></p>
<p>Fico pensando que o trabalho também poderia ser uma plataforma de lançamento ao encontro do outro. E me parece que necessariamente precisa haver, para isso acontecer, um reordenamento da ação produtiva pra que ela não se restrinja ao fim puramente comercial. Ou seja, não se restrinja à tarefa de fazer viver, de sobreviver&#8230;</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=93efe9c3-ed4d-422a-89b7-1e37b4577d32" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>Você se vê na TV? Palestra discute o papel das emissoras públicas</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/voce-se-ve-na-tv-palestra-discute-o-papel-das-emissoras-publicas/</link>
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		<pubDate>Fri, 04 May 2012 17:17:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Recebi o convite da qurida Guida Gomes:
São várias as dúvidas que existem acerca do funcionamento e do papel social das emissoras públicas de TV. No sentido de elucidar alguns pontos sobre o tema, será realizada neste sábado, 05, a Palestra TV Pública: a tv onde a gente se vê, evento que integra a Jornada do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Recebi o convite da qurida Guida Gomes:</strong></p>
<p><em>São várias as dúvidas que existem acerca do funcionamento e do papel social das emissoras públicas de TV. No sentido de elucidar alguns pontos sobre o tema, será realizada neste sábado, 05, a Palestra TV Pública: a tv onde a gente se vê, evento que integra a Jornada do Aluno que Aprende. O encontro será às 9h na Unidade Recife da Faculdade Joaquim Nabuco.</p>
<p>Dentre as principais características das emissoras públicas está o propósito de, primeiro, incluir na sua programação, conteúdos que reflitam a cultura e a diversidade do país. São emissoras financiadas com verba ou subsídio do governo e que podem ter também verbas da publicidade, e são dirigidas por um conselho independente do governo, mas que presta contas ao público.</em> <em></p>
<p>Em Pernambuco, tanto a TV Pernambuco, quanto a TV Universitária passam por adaptações, mudanças na programação e, para falar um pouco sobre a realidade dessas emissoras, estarão presentes na Palestra TV Pública: a tv onde a gente se vê, a Coordenadora de Programação e Produção da TV Pernambuco, Guida Gomes; e o jornalista e apresentador do Programa Opinião Pernambuco, da TV Universitária, Haymone Neto.</p>
<p>A Jornada do Aluno que Aprende ainda oferece outras atividades na manhã do sábado. Para ter acesso às palestras e oficinas é preciso levar um pacote de leite que será doado ao Grupo Viva Rachid, localizado no Recife. A inscrição deve ser realizada na assessoria de coordenação localizada no primeiro andar da Faculdade. O telefone para outras informações é o 2121.5999, ramal  4824.</em> <em></p>
<p>Perfil dos palestrantes:</em> <em></p>
<p>Guida Gomes – Jornalista formada pela Universidade Federal de Pernambuco. Na TV Universitária apresentou e produziu o programa Conexão UFPE e Conexão Comunidade, foi também chefe de reportagem e editora chefe do Programa Nosso Jornal. Desde 2010 está na equipe de trabalho da TV Pernambuco, coordenando ações de programação e produção.</p>
<p>Haymone Neto – Jornalista diplomado pela Unicap (2007), Mestre em comunicação pela UFPE (2012). Passou pela redação do Jornal do Commercio e, desde 2009, atua no Núcleo de TV e Rádios Universitárias da UFPE.  É produtor eum dos apresentadores do Opinião Pernambuco, programa de debates diário da TV Universitária (canal 11).</p>
<p>Link:</em> <em><br />
Confira a <a href="http://www.joaquimnabuco.edu.br/noticia/exibir/cid/11/nid/1362/fid/1" target="_blank">programação</a> da Jornada do Aluno que Aprende.</p>
<p>Serviço:</em> <em></p>
<p>Palestra TV Pública: a TV onde a gente se vê. (Integra a Jornada do Aluno que Aprende)</p>
<p>Sábado, 5 de maio, às 9h</p>
<p>Faculdade Joaquim Nabuco Recife. Av. Guararapes, Santo Antônio.</p>
<p>Inscrição: 1 pacote de leite em pó</p>
<p>Mais informações: 2121.5999, ramal 4824. (Faculdade Joaquim Nabuco Recife)</em></p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Em torno da polêmica política cultural, por Gabriel Cohn</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/em-torno-da-polemica-politica-cultural-por-gabriel-cohn/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 15:19:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
		<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Domingo]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
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		<description><![CDATA[
Por Gabriel Cohn, no Valor
Que algo não vai bem nas políticas da cultura é fora de dúvida. Nunca, desde o período Collor, a política oficial na área foi tão contestada, e por tantos lados. Surpreendentes lados, além do mais. Históricos e respeitáveis militantes petistas fazem críticas contundentes, enquanto figuras conhecidas no campo cultural se alinham [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://farm6.static.flickr.com/5061/5635032628_10056a9c67_z.jpg"><img class="aligncenter" src="http://farm6.static.flickr.com/5061/5635032628_10056a9c67_z.jpg" alt="" width="597" height="640" /></a><br />
<span style="color: #800000;"><strong>Por Gabriel Cohn, no Valor</strong></span></p>
<p><em>Que algo não vai bem nas políticas da cultura é fora de dúvida. Nunca, desde o período Collor, a política oficial na área foi tão contestada, e por tantos lados. Surpreendentes lados, além do mais. Históricos e respeitáveis militantes petistas fazem críticas contundentes, enquanto figuras conhecidas no campo cultural se alinham a encarniçados conservadores na defesa de uma ministra do PT. Tentemos propor o problema de fundo numa perspectiva ampla, ainda que à custa de rodeios necessários.</em></p>
<p><em><span id="more-2726"></span><br />
</em></p>
<p><em>Fazer política cultural nunca foi fácil. Quando não se tem uma concepção clara das relações entre sociedade, Estado e cultura fica ainda mais difícil. A questão desagradável é: como juntar esses três termos sem fazer violência a nenhum deles? Pior: sem fazer violência à cultura, o elo frágil nessa cadeia? Mas qual intervenção na cultura não lhe faz violência? Eis o grande desafio de qualquer proposta séria de política cultural: mexer com essa coisa imponderável com a leveza sem a qual ela sufoca, junto com a firmeza suficiente para lhe dar força.</em></p>
<p><em>Cultura ou é tudo, uma espécie de atmosfera que respiramos nos menores gestos, ou é nada, porque cada vez que tentamos prendê-la numa das formas que assume ela nos escapa sob outra forma. Ou então, aprisionada nas redes administrativas, ela se converte em terreno bem demarcado no interior da produção e circulação simbólica. Essa última condição é que faz brilhar os olhos dos gestores mais apressados. Até porque desse modo ela pode ser definida, classificada e avaliada, mediante o uso de qualificativos: é popular, é nacional e assim por diante, tudo dependendo de quem tenha o poder de “ocupar o espaço” e de impor a sua definição.</em></p>
<p><em>Entre a cultura na sua acepção mais genérica possível (segundo a qual é nela que se dá a tradução no registro simbólico da vida humana, convertendo-a em experiências organizadas e peculiares a épocas e lugares) e suas expressões singulares bem mapeadas (a dança x na cidade y) há um enorme espaço, que se oferece às políticas.</em></p>
<p><em>A questão da formulação e implementação de políticas na área ganhou importância no Brasil com a criação do Ministério da Cultura em 1985 e assumiu forma constitucional a partir de 1988. Ao reservar-se todo um ministério a essa questão seguia-se um pouco o caso exemplar da França, que, no governo De Gaulle, consoante a vertente napoleônica da orientação republicana, criou em 1959 aquele órgão de difusão mundial da “grandeur” gaulesa. E fez questão de legitimá-lo na figura de um ministro grande intelectual, André Malraux. É verdade que isso se fez sem esquecer a frente interna, na qual viriam a se elaborar políticas inovadoras como a da “animação cultural”, cujas repercussões no Brasil merecem atenção.</em></p>
<p><em>Entre nós quem fez o papel de Malraux foi Celso Furtado, a quem se deve a concepção básica das leis de incentivo (batizadas na origem com o nome do então presidente Sarney, para depois se converter em Lei Rouanet) e, sobretudo, uma concepção abrangente da cultura como foco de políticas, centrada na ideia de criatividade. Depois disso, a rotina gerencial, mesmo quando competente, passou a se impor, como que dando razão àqueles que viam com reserva a própria criação do ministério.</em></p>
<p><em>Em 1984, quando se discutia essa criação, eu argumentava contra (“Cultura é cultura”, “Folha de S. Paulo”, outubro/1984), em termos que retomo agora. “A política cultural não segue a lógica da cultura – qual seria? -, mas a lógica da influência, do prestígio e do poder. Para isso ela cria suas instituições, seus gestores, seus funcionários, como condição para poder exercer-se. No limite, cria um ministério. A ideia da criação de um Ministério da Cultura não é, portanto, aberrante. Tem sua lógica, mas é uma lógica perversa. Ela repousa numa confusão que tem importância decisiva para entender como essas coisas se dão: aquela que no lugar do que é público coloca aquilo que é oficial. Enfim, aquela pela qual a clássica oposição liberal entre esfera pública e esfera privada fica sufocada nas malhas da esfera oficial, que acaba se identificando com a do aparato estatal”.</em></p>
<p><em>E concluía: “A cultura, essa entidade fugidia, tende a escapar por entre as malhas grossas das redes coletoras de recursos. Enquanto isso as redes mais finas podem ficar ociosas, dispersas pela sociedade, ou então continuar colhendo, à margem dos organismos e processos oficiais, sua sempre renovada carga simbólica. O risco é que elas fiquem restritas, confinadas em universos privados, talvez à espera dos possantes aspiradores da indústria cultural. O desafio continua o mesmo: articular o processo cultural com outros processos sociais e políticos, não para definir seu campo e suas prioridades oficiais, mas para o converter de fato em coisa pública, pois essa é no fundo a sua vocação. A cultura é entidade multiforme e intrometida e, tendo liberdade, nada lhe escapa. Porém, como ela não existe de maneira fixa e palpável, sua liberdade só se realiza juntamente com todas as outras liberdades. E isso passa, é claro, pelas condições materiais para exerce-las. Portanto, sua plena realização só se dá juntamente com todas as outras, num aprendizado social e político que certamente não passa por nenhum ministério”.</em></p>
<p><em>De passagem, interrogava se caberia àquele orgão “a regulamentação da concessão de canais de rádio e televisão, que atualmente está na área na qual se cruzam considerações tecnológicas com as de segurança nacional, sob o nome de ‘comunicações’ (área, de resto, cuja sombra incide fortemente sobre o processo cultural)”. Nesse aspecto, convém lembrar que a antes citada França tem atualmente um Ministère de la Culture et de la Communication.</em></p>
<p><em>O dado importante, aqui, é que no período recente ocorreram mudanças que permitem pelo menos matizar aquelas reservas. A principal delas, claro, consiste no fortalecimento da sociedade nas suas relações com o Estado, que inclui o uso das novas tecnologias da comunicação. Avanço que se anunciou com força em certo momento e no entanto se revela vulnerável, como demonstra a situação presente na área cultural.</em></p>
<p><em>É fácil detectar o momento em que isso ganhou corpo. Foi na gestão Gilberto Gil-Juca Ferreira nos mandatos Lula, quando se adotaram políticas baseadas numa concepção ampla e generosa de cultura, de cunho antropológico, como então se proclamava (em contraste com concepções gerenciais-mercadológicas). Chamou-se a sociedade, criaram-se condições de participação mediante a associação em múltiplas redes, apostou-se no prazo mais longo para o aprendizado cultural, multiplicaram-se as formas de produção e distribuição.</em></p>
<p><em>Foi o brusco freio quando não reversão dessa tendência na atual gestão Ana de Hollanda que gerou o mal-estar manifestado em várias frentes, desde os participantes e produtores culturais atingidos por cancelamentos de projetos em andamento até amplos setores simpáticos a políticas nas quais reconheciam a marca das melhores vertentes democráticas. É por aí que se traça a linha divisória entre críticos e defensores da atual ministra. O que a vertente crítica não tem como aceitar é o retrocesso envolvido numa política tipo “o ministério dos artistas”, pois isso equivale em converter o MinC em agência de reconsagração daqueles já consagrados pelo mercado. Ou então a conversão do ministério em agência de policiamento da circulação cultural, em nome da defesa de direitos autorais (com tudo o que isso representa em termos de envolvimento com entidades privadas de organização e conduta nebulosa).</em></p>
<p><em>O Ministério da Cultura está aí para ficar, para o bem ou para o mal. (Perguntem a qualquer presidente se é fácil fechar um ministério, salvo pelo seu desdobramento em outros dois.) Houve momentos, recentes, em que ele veio para o bem. Caso persista a orientação que se vem imprimindo a ele na atual gestão, só restará sua face sombria, e os danos serão irreparáveis.</em></p>
<p><em>Gabriel Cohn é professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP</em></p>
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		<title>Alguma coisa não cheira bem no Recife (e não é a maré) #OcupeEstelita</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 22:14:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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Há algo de melancólico numa cidade que não reage, como uma torcida que perdeu a fé. A articulação de forças, discursos, afetos e pessoas chamada Direitos Urbanos vem demonstrando, por um lado, que a forma como será desenhado o traçado na cidade do Recife não é e não pode ser um domínio privado do mercado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 		A:link { so-language: zxx } --><a href="http://4.bp.blogspot.com/_8M1AOlRglSI/S3UaNjm2nsI/AAAAAAAAVV4/QArUrbH4d5c/s1600/b174972138.jpg"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/_8M1AOlRglSI/S3UaNjm2nsI/AAAAAAAAVV4/QArUrbH4d5c/s1600/b174972138.jpg" alt="" width="524" height="524" /></a></p>
<p>Há algo de melancólico numa cidade que não reage, como uma torcida que perdeu a fé. A articulação de forças, discursos, afetos e pessoas chamada <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/" target="_blank">Direitos Urbanos</a> vem demonstrando, por um lado, que a forma como será desenhado o traçado na cidade do Recife não é e não pode ser um domínio privado do mercado &#8211; <a href="http://acertodecontas.blog.br/atualidades/recife-a-nova-bagdami-mistura-de-bagd-com-miami/" target="_blank">esse texto</a> pontua bem esse aspecto, entre outros; por outro lado, e ainda que indiretamente, as reações a essa mobilização revelam o potencial reacionário latente de parte considerável da classe média branca, machista e <span style="text-decoration: line-through;">bem (?) informada</span> formadora de opinião. Essa última impressão ficou clara por ocasião do<a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/ocupeestelita/" target="_blank"> Ocupe Estelita</a>, no último dia 12. As reações de oposição procuraram desqualificar o debate, expondo comodismos, intolerâncias, elitismos, incompreensão, irresponsabilidade no geral. No particular, onde o Diabo costuma aquecer o travesseiro, o que mais me chamou a atenção foi a reação dos jornais e dos jornalistas. Eu chego lá.</p>
<p>Essa desqualificação foi bem expressa nesse <a href="http://www.batidasalvetodos.com.br/2012/04/naoocupesemsaber/" target="_blank">site</a> e junto, o despreparo da autora do texto que (surpresa!) é colunista do blog do Noblat. Não vou perder tempo analisando e desconstruindo o texto, <a href="http://www.popup.mus.br/" target="_blank">Bruno Nogueira</a> já o<a href="http://www.facebook.com/bruno.nogueira" target="_blank"> fez bem</a> – ademais a fraqueza da argumentação deveria nos fazer apontar noutra direção: procurar entender que o nível de aceitação que ele conseguiu auferir é um termômetro das dificuldades de análise da própria autora – claro –, mas sobretudo de como comodismos, intolerâncias, elitismos, incompreensão, irresponsabilidade no geral encontram terreno fértil para deitar raízes, crescer, florescer e dar frutos, apesar da lama e do cheiro da maré na Cidade Maurícia.</p>
<p>Parece-me que as preocupações do <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/about/" target="_blank">Grupo Direitos Urbanos</a> se vincula a gestão de bens comuns; à busca de formas de gestão de recursos citadinos que se apóiem em modelos alternativos à lógica privatista; às contingências da política representativa; à organização e ação com relação unicamente a fins – não poderia ser outra, portanto, a composição do grupo e de suas “discussões, que rompem com as compartimentalizações nas quais o planejamento da cidade é forçado pela estrutura burocrática dos governos e nos dá a esperança de que dessa troca de idéias surjam boas soluções para os problemas da cidade”. Daí ser mais que esperado que o grupo seja <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/about/" target="_blank">“um lugar de intensa interdisciplinaridade, um lugar onde arquitetos e engenheiros conversam com sociólogos e filósofos e operadores do Direito interagem com artistas plásticos e cineastas”</a>.</p>
<p>Um dos fronts da desqualificação do debate (um texto esclarecedor, <a href="http://jampapernambuco.wordpress.com/2012/03/14/algumas-consideracoes-sobre-o-projeto-novo-recife-por-leonardo-cisneiros/" target="_blank">aqui</a>) colocado em pauta pelo grupo, debate econômico-político, se assenta justamente no caráter intelectual e burguês de seus artífices. O que (inicialmente) mais me surpreendeu é que essa &#8216;acusação&#8217; (que veio à tona ao longo do dia 12, por ocasião do <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/ocupeestelita" target="_blank">Ocupe Estelita</a><a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/ocupeestelita/" target="_blank"></a>) foi realizada da forma mais virulenta por jornalistas. Fiquei com um misto de surpresa e de vergonha alheia das pessoas que poderiam ser meus colegas exporem opiniões como as que você pode conferir no Facebook.</p>
<p>Em algum lugar perdido do passado, a imprensa se estabelece propriamente como órgão crítico de um público que pensa a política. Comentários e críticas das medidas da Coroa e das deliberações do Parlamento nos jornais, modificavam a natureza do poder público, que era chamado ao fórum do público. A imprensa e sua crítica profissional mediavam o controle, exercido por indivíduos conscientizados, sobre a esfera pública. As pessoas haviam tomado de volta da autoridade a esfera pública e a tinham transformado numa esfera em que a crítica se exercia contra o poder do Estado. Eram os tão gloriosos quanto distantes últimos anos do século XVIII. E, embora pareça remota, essa realidade semeou a ideia, ainda buscada hoje, de que a opinião públia disputa a regulamentação do social com o poder público instituído.</p>
<p>O diálogo a que me refiro parece a própria expressão da mudança estrutural da esfera pública narrada por Habermas e o esvaziamento do heróico papel que o jornalismo comercial tinha obtido.</p>
<p>Ok, constatamos isso. Mas e daí? É somente isso? Devemos sepultar o jornalismo <em>in totum</em> e declarar a falência de seus pressupostos modernos? Acho que seria um desperdício grande demais jogar fora a lama com o bebê junto. Me parece mais proveitoso pensar também o jornalismo – e não somente a cidade e seu futuro próximo e distante – como terrenos em disputa. Afinal de contas, seria muito cômodo e irresponsável ficar na conclusão a que se chega pelo raciocínio de Habermas e declarar a falência do jornalismo. Assim como é cômodo e irresponsável que o jornalismo e seus profissionais não repensem suas práticas (discursivas) públicas; sua agenda para a cidade e suas conviccções de como o desenvolvimento pode e deve se dar nos centros urbanos – e nos centros rurais também. Essa não é somente uma estratégia interessante para honrar o legado do passado, mas também uma forma de lidar com o presente, no qual não cabem mais essas posturas.</p>
<p>Algo não cheira bem quando a defesa de um projeto como o Novo Recife vem da forma que veio; algo está errado quando um jornal publica o ‘outro lado’ antes da reportagem principal e mais ainda quando todos os jornais em uníssono minimizam o assunto &#8211; curioso que, nass horas do rush, boa parte das reclamações sobre os engarrafamentos na cidade venham justo de tantos comunicadores, como se fosse possível desassociar o incômodo causado pelo trânsito ao debate na mesa!</p>
<p>Algo não está bem quando vem de formadores de opinião a demonização da reflexão crítica sobre o presente e o futuro da cidade; algo está errado, profundamente errado, quando as mesmas pessoas que ridicularizam o intelectualismo de um movimento recorrem a sociólogos, filósofos, psicólogos, urbanistas e arquitetos para legitimar, noutro momento, seus próprios discursos.</p>
<p>É bastante preocupante, aliás, que a crítica venha sendo tão resumida na nossa cidade, ou tenha se tornado uma prática feita em reserva, como se um agudo Olho de Sauron que a tudo vê vigiasse as falas e as atitudes fora do eixo.</p>
<p>Algo não cheira bem na cidade do Recife e o odor não vem da maré.</p>
<p>Para acabar esse longuíssimo post, queria mencionar que um dos aspectos da tentativa de deslegitimação se apóia no fato de que só agora alguma movimentação foi feita sobre o Cais José Estelita. De fato, essa mobilização demorou, mas ainda bem que veio. A legitimidade da discussão continua&#8230; Houve alguma reação, e outras são necessárias – no âmbito da discussão sobre a cidade e seus problemas, da política (das políticas para além da representativa); da cultura, etc.</p>
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		<title>O capitalismo esclerosado, via @cartamaior</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/o-capitalismo-esclerosado-via-cartamaior/</link>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 21:58:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
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		<description><![CDATA[Durante recente visita ao Brasil, David Harvey afirmou que os fluxos que mantém o capitalismo em funcionamento estão sendo bloqueados e isso pode levar o sistema para uma situação doentia. A questão da esclerose pode ser visualizada em vários aspectos da vida econômica do planeta. E também dos seus habitantes. Começando pela discussão recente de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><em>Durante recente visita ao Brasil, David Harvey afirmou que os fluxos que mantém o capitalismo em funcionamento estão sendo bloqueados e isso pode levar o sistema para uma situação doentia. A questão da esclerose pode ser visualizada em vários aspectos da vida econômica do planeta. E também dos seus habitantes. Começando pela discussão recente de “tsunami de dólares” que os países ricos estão fazendo pelo mundo afora. O artigo é de Najar Tubino.</em></strong></p>
<p><span id="more-2715"></span></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19929" target="_blank">Najar Tubino (*)</a></p>
<p><em>A ideia é do professor da Universidade de N.York David Harvey, em visita recente ao Brasil. Os fluxos que mantém o capitalismo em funcionamento estão sendo bloqueados e isso pode levar o sistema para uma situação doentia.</em></p>
<p><em> &#8211; Comparo o capitalismo a um corpo que pode ficar doente se houver restrições ao fluxo sanguíneo. É importante perceber como o capitalismo depende da continuidade do fluxo de capital, e como qualquer interrupção, por qualquer motivo, pode ter custos muito altos. A questão é: o capitalismo é um sistema que está ficando esclerosado.”</em></p>
<p><em> Harvey, que pode ser um descendente do cientista inglês Willian Harvey, que descobriu o funcionamento do sistema circulatório no ser humano, considera que na atualidade existem muitos pontos de bloqueios com potencial para oferecer riscos à saúde, sem considerar o fato de que o corpo continua em crescimento e há uma expansão infinita das artérias do fluxo de capital e do fluxo de mercadorias.</em></p>
<p><em> UMA MONTANHA DE DINHEIRO</em></p>
<p><em>A questão da esclerose pode ser visualizada em vários aspectos da vida econômica do planeta. E também dos seus habitantes. Começando pela discussão recente de “tsunami de dólares” que os países ricos estão fazendo pelo mundo afora. Um estudo do Instituto Internacional de Finanças (IIF) constatou que a enxurrada de dólares tem um valor bem definido: trata-se de US$ 6,3 trilhões, somando as compras de bônus e ativos podres dos bancos centrais dos Estados Unidos, União Europeia, Japão e Inglaterra (que não está integrada na zona do euro). Este último caso refere-se à compra dos “gilts” bônus da Grã-Bretanha que o Banco Central da Inglaterra tem comprado no total de US$ 511 bilhões, quando fechar a operação este ano.</em></p>
<p><em> É preciso esclarecer as taxas de juros nestas regiões: 1% na Europa, 0,25% nos EUA e 0,5% na Inglaterra. Ao ano, logicamente. A dúvida do IIF, representante dos bancos no sistema financeiro, é se os associados terão condições no futuro de promover empréstimos com dinheiro arrecado do suado trabalho da atividade econômica.</em></p>
<p><em> &#8211; Os bancos se tornariam incapazes de obter ‘funding’ em bases comerciais, tornando-se nacionalizado pela porta dos fundos. &#8220;Persiste a interdependência entre bancos e títulos soberanos, fator que as agências de classificação de risco têm usado para rebaixar os ratings das instituições financeiras”.</em></p>
<p><em> EMPURRANDO COM A BARRIGA</em></p>
<p><em>Só para citar um exemplo, no caso francês, os três maiores bancos, BNP Paribas, Société Genérale e Credit Agrícole detêm em seus balanços 620 bilhões de euros em títulos soberanos de países como Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda. O levantamento do IIF também apontou que a exposição total dos bancos europeus aos títulos públicos é de 1,45 trilhões de euros em seus balanços, o que corresponderia a 64% do capital das instituições. Nos Estados Unidos a exposição dos bancos é de US$ 158 bilhões de títulos do Tesouro, ou 10% de seu capital.</em></p>
<p><em> Desde o início de 2011, o Federal Reserve (Banco Central) aumentou seus ativos em 20%, o Banco da Inglaterra em 27% e o Banco Central Europeu em 54%, contando a última liberação de financiamento de um trilhão de euros.</em></p>
<p><em> ATÉ AS MONTADORAS PEGARAM UMA GRANA</em></p>
<p><em>Por sinal, os bancos italianos pegaram 139 bilhões de euros do BCE, para pagar em três anos. Os espanhóis ficaram com entre 110 e 120 bilhões e os alemães, pelo menos, com 100 bilhões. Até mesmo as montadoras, como Mercedes Bens, do grupo Daimler e Volkswagen pegaram uma graninha, mas não divulgaram quanto. Ninguém precisa ser um especialista em matemática financeira, para deduzir que este dinheiro vai rodar pelo mundo nos próximos três anos, ganhando juros nos países emergentes, ou comprando empresas de barbada, que estarão à venda, ou prontas, para fusão.</em></p>
<p><em> Tivemos um caso no Brasil, público, da aplicação realizada pela Coca-Cola de US$ 3 bilhões, no sistema financeiro brasileiro. Parte dos mais de US$ 8 bilhões do lucro da corporação no mundo, que obteve um faturamento em 2011 de mais de 46 bilhões de dólares. Refrigerantes e sanduíches são dois ingredientes fundamentais do capitalismo esclerosado. O Mac Donald faturou no mundo mais de US$ 30 bilhões, com lucro de US$ 5,5 bilhões. Os brasileiros contribuíram com US$ 950 milhões em sanduíches, do tipo “amo muito isso”, embora tenham mais de 20% de gordura.</em></p>
<p><em> ENTRA POR UM LADO E SAI PELO OUTRO</em></p>
<p><em>Continuando o raciocínio do professor Harvey. A Europa em recessão, crise da dívida pública, demissões, aumento da idade de aposentadoria e coisas do tipo. Aí a bancada socialista do parlamento europeu encomendou um estudo para a consultoria britânica Tax Research sobre a evasão fiscal no continente. Ou seja, quanto sai de dinheiro, sem o pagamento de impostos. É o outro fluxo sanguíneo, responsável por manter a infraestrutura dos países.</em></p>
<p><em>Qual a conclusão do levantamento&#8230; cerca de 1 trilhão de euros são desviados para paraísos fiscais, sem o pagamento de impostos, pior, sem registro na economia formal. Aponta o relatório que de cada 5,43 euros um euro fica no setor informal e não paga nada ao fisco.</em></p>
<p><em> &#8211; Não se pode negar que o tamanho da evasão fiscal ajude a minar a viabilidade da economia na Europa, assim como contribuiu para criar a atual crise da dívida”, registrou o estudo.</em></p>
<p><em> Um detalhe: dinheiro do tráfico de drogas, contrabando, prostituição não entrou nas estimativas. A Itália é o país que mais sofre com a evasão fiscal – 180 bilhões de euros anualmente. Seguida pela Alemanha com 158 bilhões, a França com 122 bilhões e o Reino Unido com 74 bilhões. Na Grécia são 19 bilhões de euros e em Portugal 12,3 bilhões.</em></p>
<p><em> Em 2011, o governo italiano “descobriu” um milhão de bens imobiliários fantasmas que jamais tinham sido declarados, o que poderia ter rendido 472 bilhões em impostos. Mesmo assim dizem as autoridades que conseguiram recuperar 12 bilhões de euros, em 2011. Agora uma piada, se não fosse verdade. De repente muitos, mas muitos mesmo, casais italianos começaram a tirar férias na Suíça, engarrafando as estradas de fronteira. As autoridades resolveram averiguar o fato. Descobriram malas de dinheiro que iriam para os bancos suíços. Também lingotes de ouro, da poupança de profissionais liberais e outros profissionais. A apreensão de dinheiro na fronteira da Itália com a Suíça cresceu 50% no segundo semestre do ano passado. A exportação de lingotes de ouro para a Suíça cresceu 40%.</em></p>
<p><em> <strong>A BOLSA E O COMETA</strong></em></p>
<p><em>Seguindo na trilha da esclerose. Uma das vantagens, diríamos, do sistema capitalista é a compra de bens e mercadorias. Hoje em dia, traduzido pelo acesso às grifes e marcas internacionais. Antes que eu me esqueça vou citar o caso de uma emergente da Indonésia, Fitria Yusuf, de Jacarta, que segundo o relato da agência Reuters é “louca por bolsas da Hermès”.</em></p>
<p><em>Diz ela: “nos idos de 2006 ver uma bolsa Hermès era como ver o cometa Halley”. Ela é coautora do livro “Hermès Temptation”. A Indonésia é um país de 200 milhões de habitantes, na realidade um imenso arquipélago, onde 100 milhões vivem com dois dólares por dia, e o salário médio é de YS$ 113, um terço do chinês. Porém, o número de milionários vem surgindo a razão de 16 por dia, segundo a consultoria Capgemini, especializado em ricos ascendentes. O número de milionários chegará a 99 mil em 2015. Alguns relacionados ao crescimento do agronegócio, no caso, óleo de palma, ou por exploração de minérios, como o ouro, a Indonésia é grande produtora.</em></p>
<p><em> Mas a questão não são as compras. Mas a compulsão por elas, que já virou uma doença chamada ONIOMANIA. No Brasil, onde já existem centros de “devedores anônimos” (dois na capital paulista, nos bairros de Jardins e Pacaembu) e tratamento em clínica especializada. Trata-se de um refluxo do sistema. Um estudo feito por um grupo de psiquiatras, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, e citado pela Revista Valor Investe, o prazer da compra atinge o sistema límbico do ser humano. Esse prazer instantâneo leva o consumidor, na verdade, diz que 80% dos casos de oniomania são de mulheres, a gastar fora dos padrões aceitáveis. Enfim, chutar o pau da barraca e se afundar nos cartões de crédito de bancos e lojas.</em></p>
<p><em> ONIOMANÍACOS DAS CLASSES RICAS</em></p>
<p><em>O problema foi registrado pela Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC). A dívida dos brasileiros tem aumentado, e o nível de inadimplência é maior entre as classes A e B. Como todos devem saber houve um aumento da classe C para 102 milhões no Brasil, mas eles mantêm um nível de pendura menor, que os ricos. Na comparação de janeiro de 2011 para 2012, caiu de 61,3% para 59,5%, dados de consumidores com até 10 salários mínimos de renda. Naqueles acima de 10 salários mínimos, a inadimplência aumentou de 48,9% para 53,4% no mesmo período, sendo que em maio passado, o nível alcançou 57%.</em></p>
<p><em> As classes A e B no Brasil abrigam 42 milhões de pessoas. A maior parte das dívidas dos mais abastados está no financiamento de veículos, enquanto os menos abastados, nos cartões de crédito e de lojas. Levando em conta as contas de luz, telefone, água a inadimplência cresceu 21% em 2011, conforme levantamento da Serasa Experian. É interessante anotar que os juros cobrados no Brasil nos cartões de crédito e financiamento direto são estratosféricos: 238,3%, no cartão de crédito e 170,9%, segundo a CNC.</em></p>
<p><em> NADA PARECIDO COM OS AMERICANOS</em></p>
<p><em>No Brasil os consumidores ainda têm muito a aprender ou a enlouquecer. O crédito no sistema financeiro corresponde a 48% do Pib, se comparado aos Estados Unidos, onde são quase 100%, as dívidas somente com hipoteca e crédito ao consumidor somam US$ 13,25 trilhões. Os analistas financeiros têm uma conversa sobre educação financeira, as redes de televisão vivem divulgando receitas para controlar despesas. Quem aguenta a pressão do braço maior do sistema circulatório, que dia e noite martela pela necessidade quase que existencial de comprar o último carro, a última calça jeans, a bolsa, o sapato, a cerveja. São R$ 30 bilhões gastos em publicidade no Brasil. A receita é a mesma mundo afora. Daí o risco da esclerose, quando se aborda os limites de tal expansão.</em></p>
<p><em> Ou como escreveu recentemente o principal analista do Financial Times, Martin Wolf:</em></p>
<p><em> &#8211; A política monetária do QE (emissão dos bancos centrais e a compra de títulos) não ajuda as pequenas e médias empresas. Outro argumento mais plausível é que a políticas de taxas baixíssimas de juros – de 0,5% a menor em 318 anos na Inglaterra- ameaça criar empresas insolventes que continuam a operar, as ‘empresas zumbis’, portanto uma economia zumbi”.</em></p>
<p><em> O artigo dele tratava da dúvida se a política do “tsunami de dólares” funcionará ou não. Eles não sabem.</em></p>
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		<title>Dilma: na capa de Veja e nua na tribo</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Apr 2012 14:51:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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Por Ricardo Targino*
Desde a vitoriosa campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o panorama  das lutas políticas pelo mundo alterou-se substancialmente.  Nos últimos  meses, movimentos de enorme lastro em todo planeta articularam-se ao  redor das redes. A partir da Praça Tahir, da Porta do Sol e do  OccupyWallStreet, essa nova articulação global [...]]]></description>
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<p style="text-align: right;"><em><a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6869" target="_blank">Por Ricardo Targino*</a></em></p>
<p><em>Desde a vitoriosa campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o panorama  das lutas políticas pelo mundo alterou-se substancialmente.  Nos últimos  meses, movimentos de enorme lastro em todo planeta articularam-se ao  redor das redes. A partir da Praça Tahir, da Porta do Sol e do  OccupyWallStreet, essa nova articulação global teve seu auge no dia 15  de outubro, com grandes manifestações que derivaram em vários  acampamentos em importantes cidades do mundo, naquela que foi a maior  manifestação conjunta da história da humanidade: mais de 870 cidades ao  redor do globo aderiram ao protesto.</p>
<p><a href="http://25.media.tumblr.com/tumblr_lmxdzoiCdW1qeypn2o1_500.jpg"><img class="alignleft" src="http://25.media.tumblr.com/tumblr_lmxdzoiCdW1qeypn2o1_500.jpg" alt="" width="500" height="691" /></a>Neste momento, um novo chamado varre as redes sociais: um nova  mobilização global no dia 12 de maio. Nos EUA, a primavera promete ser  de novas e grandes manifestações situando a disputa política no coração  do capitalismo financeiro internacional. O OccupyWallStreet já vem  fazendo o que chamam de ‘spring training’ e as eleições presidenciais  tendem a tornar mais significativos os protestos. Por lá, é grande o  esgotamento do modelo bipartidarista. Aos olhos nus, a cena política  institucional americana está dominada pelo lobby das grandes corporações  e a distância entre a política oficial e o cidadão comum é imensa.  Diante da crise, o discurso dos ativistas do OcuppyWallStreet tem enorme  impacto e as ações crescem. É por isso que vem recaindo sobre estes  protestos uma violência policial cada vez mais desproporcional, a tal  ponto que em NY diversos conselheiros do governo local passaram  publicamente a fazer críticas ao Departamento de Polícia e a exigir as  garantias constitucionais do livre exercício do direito de assembleia e  reunião. Na Espanha, a primavera recomeçou com greve geral e mais de um  milhão nas ruas. Em Portugal a dura repressão só fez crescer a  organização do movimento. E o calor dos protestos ganha o planeta  inteiro.</p>
<p>Aqui no Brasil, um setor importante do ativismo que vinha se articulando  desde os governos Lula passou a atuar de modo mais organizado  justamente na dura campanha travada nas redes pela eleição de Dilma  Rousseff. Blogueiros, artistas, produtores de cultura, líderes  comunitários, gente da comunicação e do direito, do movimento de saúde  pública, ONGeiros de todo tipo, ambientalistas, LGBT’s, galera da bike e  do skate, tribos diversas com um ponto de encontro comum: a internet.  As redes tornaram-se uma das mais ativas arenas do debate e da ação  política também no Brasil. Aqui elas ainda possibilitaram duas coisas  realmente novidosas na idiossincrasia nacional: tanto uma afirmação da  diferença (e o respeito ao Outro que ela obriga), como o surgimento de  novas condições para o exercício cada vez mais prático da cidadania (em  sua acepção mais republicana, no sentido da participação nos rumos da  vida imediata). Convém lembrar que toda articulação política que venha  no sentido de combater privilégios e preconceitos, provocando a  ampliação do espaço do exercício do poder, constitui um avanço de nossa  sociedade rumo à plena democracia. São inúmeros os movimentos  organizados que já atuam de modo diferenciado, funcionam como redes,  espalham informação, compartilham posições, preparam-se para agir.  Diante da decadência dos partidos e do descrédito na via institucional  da política, estes movimentos têm-se apresentado como uma alternativa  concreta de ação. Isso prova que a cultura digital é também uma nova  cultura política. Uma cultura política erguida horizontalmente.</em><em><span id="more-2669"></span><br />
<strong> Pós-Lula</strong></em> <em><br />
O Brasil pós-Lula é um país conectado na novidade e nutrido do desejo  permanente de ser outro. Aqui, ser outro sempre significou sermos cada  vez mais parecidos com quem nós realmente somos. Outro Brasil. O lulismo  bebeu justamente na fonte desse imaginário. Sua força, super pop,  reside na dimensão da possibilidade real de mudança. Do país condenado  ao atraso, do balneário das corruptas e servis elites nacionais,  passamos a viver no Brasil do imaginário lulista que é muito mais  parecido com o que ele realmente é: uma fábrica de esperanças.</p>
<p>Durantes estes 15 meses de governo Dilma Rousseff, entretanto, os ‘trend  topics’ da cena política tem causado constrangimentos e mostrado a  enorme distância entre Brasília e o Brasil das redes e do ativismo. No  campo dos direitos civis, avanços substanciais vindouros do STF, como o  reconhecimento da união gay e do direito de manifestação no caso da  Marcha da Maconha certamente ampliam as garantias democráticas. O gesto  do STF, porém, viu-se acompanhado pela articulação de lobby’s do tipo  evangélico e o homofóbico que tem atuado para impedir que mais políticas  democráticas possam ser implementadas. Diante da agenda dos direitos  LGBT’s, o governo Dilma tem cedido ao lobby conservador ao ponto do  movimento ter recentemente declarada inimiga da causa gay a Presidenta  da República. O mesmo vem ocorrendo em relação à agenda ambiental. Na  queda de braço entre a sustentabilidade e o modelo predatório do  crescimento que pretendem as grandes corporações, empreiteiras,  ruralistas e agro-especuladores, os setores conservadores também têm  obtido vitórias. O constrangimento nas redes em relação ao código  florestal e à construção de Belo Monte ainda não provocou nenhuma  sinalização clara do governo apesar da enorme discussão que tem  levantado. Dentre os demais ‘trend topics’ da política, há ainda temas  como o marco regulatório da mídia e o plano de banda larga, ambos  marcados pela lentidão ou pela hegemonia do poder econômico das  corporações que têm tentado frear o estabelecimento de políticas  públicas mais que necessárias. No caso do marco regulatório da  comunicação, os passos dados para o início de uma consulta pública só  aconteceram pela determinação da sociedade civil organizada, com o  governo a reboque. No caso do Plano Nacional de Banda Larga, o projeto  tornou-se uma dupla carroça: pelo serviço que oferece e pela lentidão na  implantação do programa. Ao não entender que internet e banda larga são  infraestrutura necessária ao desenvolvimento, o governo vacila até  mesmo no projeto de aceleração do crescimento econômico.</p>
<p>É cada vez mais amplo o setor do lulismo e do petismo que já reconhece  uma distância enorme entre a gestão de Dilma e os anos de governo Lula.  Surgem temores de que o medo ou a força do dinheiro tenham vencido a  esperança e deixem deserta a defesa do legado de Dilma diante de um novo  embate eleitoral.</em></p>
<p><em><strong>Quem sustenta Ana de Hollanda?</strong></em> <em><br />
Há um elemento chave para pensarmos o governo Dilma afim de melhor  compreendê-lo: a crise sistemática e estrutural do Ministério da  Cultura. A cultura tornou-se elemento central de valor no capitalismo  contemporâneo. Muitos pretendem isentar Dilma das responsabilidades pela  mudança de rumo do MinC, alegando o tradicional descaso dos políticos  em relação à cultura. Não parece ser o caso de Dilma. Nos dois governos  Lula, o MinC tornou-se vanguarda mundial no que toca ao desenvolvimento  de arrojadas políticas para resituar a questão do direito autoral frente  ao modelo proprietário e fordista que representava um entrave à lógica  do compartilhamento e da universalização do acesso ao conhecimento que  nortearam o MinC de Gil e Juca. Daí vem a questão: o recuo do MinC para  políticas proprietárias que operam com um conceito de cultura do século  XIX não seria política de governo endossada por Dilma? Os mais diversos  governos do mundo, sob o argumento de garantir os direitos de autor,  dentro da lógica anacrônica (ana-lógica) das corporações, tem feito  esforço no sentido de impor restrições à internet e ao compartilhamento.  O Brasil vinha se destacando no cenário internacional justamente por  apresentar uma política muito mais condizente com as condições atuais do  intercâmbio da produção simbólica e, principalmente, por tentar  responder ao seu enorme déficit interno de distribuição dos bens  culturais e universalização do acesso ao conhecimento.</p>
<p>Para entender a crise do MinC é importante relembrar algo: Gil e Juca,  durante os dois governos Lula, modificaram a lógica desse ministério.  Onde antes havia um balcão, criou-se uma ferramenta de mudança. Onde  antes os recursos se concentravam em poucas mãos passou-se a  compartilhá-los entre o maior número possível de agentes. E a injeção  não foi apenas de dinheiro. Seu caldo de cultivo é super fértil:  surgiram novos sujeitos do processo político brasileiro. São eles que  vêm chegando ao centro da cena e impondo o embate com a Ministra. Gente  exercendo cada vez mais plena participação cidadã. Senhores de seu poder  político local e global, um enxame enorme que vai dos mestres de  cultura popular aos hackers.</p>
<p>Dilma elegeu-se no discurso da continuidade. Gravou vídeos  comprometendo-se, por exemplo, com a continuidade e ampliação dos Pontos  de Cultura de Lula. Enquanto o MinC, por política do Planalto, vem  destinando milhões para as Praças do PAC, endereçando dinheiro às  empreiteiras (como se o Brasil precisasse mais desse tipo de  infraestrutura que de equipamento humano) o Programa Cultura Viva vem  sendo liquidado na asfixia orçamentária. Enquanto se implanta pela  América Latina afora, aqui os Pontos de Cultura são uma das maiores  vítimas da gestão da filha de Sérgio Buarque de Hollanda, quem  certamente lhe teria já feito um duro puxão de orelha. Dilma,  entretanto, sustenta Ana e a mudança de rumo do MinC. Porque,  Presidenta?</p>
<p>Para mostrar-se pouco sensível com os milhares que aderiram aos diversos  manifestos pedindo correção de rumos no MinC? Para ser inflexível com  os intelectuais, gente como Marilena Chauí? Ou para dar-nos o recado de  que este NÃO É nosso governo?</p>
<p>O que se passa no Ministério da Cultura não é fofoca ou má-fé, como quer  fazer entender a ministra. Ali há um estelionato eleitoral! Apesar do  compromisso eleitoral de Dilma, pratica-se uma política de ruptura com o  MinC de Lula. O constrangimento para um homem como Juca Ferreira ter  que vir a público advertir do retrocesso é muito grande para o próprio  ex-ministro, para o seu governo e para seu partido! Mas Dilma parece  determinada a não ceder a esta pressão! A mesma Dilma que tem cedido aos  evangélicos, aos ruralistas, às pressões de acomodação política da base  do governo no Congresso. Mas ceder à sociedade, por quê?</p>
<p>Há ainda as suspeitas relações entre o ECAD e MinC de Ana de Hollanda. É  gravíssimo que se confirme que o ECAD opera no Ministério e muito mais  grave seria descobrir que o ECAD tem entrada na Casa Civil ou no Palácio  do Planalto.<br />
Aos agentes da cultura e suas redes lhes resta o recurso dos manifestos e  cartas abertas. Vimos muito disso nestes 15 meses sem qualquer  sinalização do Planalto. Os setores mais poderosos desta disputa, o  ECAD, as majors da indústria cultural e os coronéis da velha pirâmide da  produção artística também exercem sua pressão pela manutenção da  ministra e de sua política. Alguns deles inclusive têm vindo à público  manifestar seu apoio. José Neumane Pinto, por exemplo, recentemente  publicou no Estadão uma defesa de Ana de Hollanda. O mesmo Neumane que  afirmou: “Lula conseguiu colocar no lugar dele quem ele quis, um poste  (Dilma), que ele pode manipular da maneira dele.”<br />
<strong><br />
Não é por acaso que ao redor da defesa do MinC atual se reúnam  setores da sociedade que se opunham a Lula e ao projeto encabeçado por  ele</strong></em> <em>. Foram estes setores que ganharam espaço no Governo Dilma.  Setores dos quais o projeto estratégico do PT torna-se cada vez mais  dependente. Setores que se utilizam do lobby para a pressão política.  Convém lembrar que como denunciam os movimentos globais o lobby é espaço  propício para os cartéis e quadrilhas que se servindo do tráfico de  influência garantem a hegemonia de suas posições, seus privilégios e seu  lucro. Boa parte destes setores há bem pouco tempo atrás eram vistos  pelo próprio PT como representantes do ‘atraso’ e do ‘complexo de  vira-latas’.<br />
Entre as redes, os pontos de cultura, os intelectuais, artistas, ONGs,  ambientalistas, os gays e umas quantas outras tribos a escolha da  presidenta Dilma tem sido Ana de Hollanda, o ECAD, os ruralistas, as  empreiteiras e o sistema financeiro. Até o movimento sindical, berço do  PT, aumenta as críticas ao governo. Na sistemática crise do MinC, Dilma  ratificou sua escolha seguidas vezes e agora contra setores históricos  do PT, medalhões da talha de Marilena Chauí. Mas o Brasil votou pela  continuidade de um projeto. Elegemos o projeto de reforma democrática.  Elegemos ser cada vez mais parecidos com quem nós realmente somos. E  isso ninguém poderá modificar facilmente sem que o Brasil reaja.</em></p>
<p><em><strong> Os 99%</strong><br />
Os vídeos que circulam pela internet convocando os protestos globais do  dia 12 de maio trazem a imagem de Dilma que aparece na edição junto a  outros chefes de governo de importantes economias do planeta. O ativismo  global bota o dedo na ferida: o governo federal tem assumido cada vez  mais a cara que vimos estampada na capa da Veja. No governo Dilma, para  as redes sociais e para os setores da cultura, o projeto popular vem  perdendo o espaço conquistado com Lula. Sem o toque de Midas do  ex-presidente, e sem seu grande carisma, os gestos de Dilma frente às  tantas agendas da rede vão distanciando setores que fizeram uma corajosa  campanha por sua eleição… A decepção ganha força e corre o risco de  transformar-se em antipatia rapidamente.</p>
<p>Oito anos de governo popular e uma eleição vitoriosa nos permitiram o  acúmulo de forças. Lula gosta de agradar as maiorias. Dilma, entretanto,  parece determinada a atender os “petit comité”. Quanto a nós? Nós somos  os 99%. A pergunta deste momento histórico em todo o planeta é  justamente essa: até quando o 1% seguirá dando as cartas? <strong>No  Brasil podemos nos perguntar: estaria o governo Dilma se tornando uma  virada de mesa do 1% que pretende retomar o terreno perdido nos avanços  democráticos da Era Lula?</strong></p>
<p>O motor da luta política no Brasil, seus inúmeros ativistas e  militantes, cibernéticos ou old style, construíram seu imaginário no  afeto com Lula. Lula-Macunaíma! Nos Estados Unidos, o novo ativismo  também tem ainda laços afetivos com Obama. Obama o primeiro negro, Lula o  primeiro operário e Dilma a primeira mulher. No discurso de todos:  mudança. Mas até a noção de mudança se altera quando realidade se impõe.  As praças e acampamentos da aldeia global vêm dando o recado: <strong>não basta falar, é preciso SER a mudança.</strong></em></p>
<p><em><strong> </strong>É por isso que aqui no Brasil, onde a metamorfose é vocação natural, o  cenário político também pode ser alterado rapidamente. Somos o  imponderável, como as redes e seus fenômenos. Essa imponderabilidade  enorme, essa deriva, o estar entre a “delícia e a desgraça”, pode nos  fazer esperar as eleições para impor questionamentos, apontar as  rupturas de confiança e articular as alternativas, mas pode também  adiantar nas ruas o embate político, reconfigurar o campo da disputa  democrática à velocidade dos megabytes. Vem sendo assim em diversas  primaveras pela aldeia global. Foi assim inclusive frente a governos de  cores mais avermelhadas, como os socialistas espanhóis com sua posterior  derrota nas urnas, ou com o próprio governo Obama obrigado a responder  às ruas de Manhattan e seus ecos por todo o país.</p>
<p>Para nossa alegria a decisão mais importante expressa pelo Brasil na  eleição de Dilma é que nós estamos decididos a ser ‘Outro Brasil’. Seja  lá que opção Dilma faça, quer corrija rumo e marche junto com os setores  mais progressistas ou quer opte pelas cartas dadas pelo 1%, a opção do  Brasil já foi feita: nós seremos cada vez mais parecidos com aquilo que  somos. Seremos o país que já decidimos ser. Avançaremos com as reformas  democráticas e com a ampliação da democracia com ou sem o clima  favorável no governo, com ou sem o PT, tendo um Ministério da Cultura  articulado nas políticas inovadoras ou paralisado no despreparo e na  retaguarda política.</p>
<p>Avançaremos porque somos os 99%. Porque somos legião. Já não esperamos  pela mudança. Fazemos a mudança. Somos a mudança. E não esquecemos.</em></p>
<h3><em>Somos um enxame que para erguer sua doce colmeia de sonhos faz um barulho enorme. E este barulho se agiganta!</em></h3>
<p><em>*Ricardo Targino é cineasta e ativista dos movimentos de cultura e  comunicação. Foi coordenador-geral da ENECOS (Executiva Nacional dos  Estudantes de Comunicação Social). Dirigiu o premiado curta Ensolarado e  prepara para o próximo mês as filmagens de Quase Samba, sua estreia na  ficção de longa-metragem. Esteve nos últimos meses em NY acompanhando as  atividades do OccupyWallStreet.</em></p>
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		<title>Cultura da internet, controle, política, cotidiano e afeto. Uns comentários ao txt de @biagranja</title>
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		<pubDate>Fri, 30 Mar 2012 19:18:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Bia Granja publicou um post lá no Youpix argumentando algumas coisas interessantes sobre a chamada &#8216;cultura da internet&#8217;, a relação entre conhecer e transitar pelas redes digitais e a necessidade (ou não) de ler o grandes clássicos; também comentou a questionável afirmação de que as informações que circulam na internet (aí incluindo sua interface web/html, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bia Granja publicou um <a href="http://youpix.com.br/colunistas/pelo-direito-de-usar-o-corrao/" target="_self">post</a> lá no <a href="http://youpix.com.br" target="_blank">Youpix</a> argumentando algumas coisas interessantes sobre a chamada &#8216;cultura da internet&#8217;, a relação entre conhecer e transitar pelas redes digitais e a necessidade (ou não) de ler o grandes clássicos; também comentou a questionável afirmação de que as informações que circulam na internet (aí incluindo sua interface web/html, as redes sociais privadas, os canais de vídeo, os microblogs) são a própria expressão da superficialidade.</p>
<p>Não vou entrar no mérito do <a href="http://youpix.com.br/revista/a-nova-gramatica-da-internet/" target="_blank">Corrão</a>, talvez num outro post, noutra hora. Mas tem uma coisa ou outra que acho que valem à pena comentar, porque o texto, apesar das qualidades, reforça alguns lugares-comuns e preconceitos muito otimistas em relação à internet que ocupam cada vez mais o discurso da classe média e que são muito confortáveis para a mídia corporativa &#8211; em particular ao PIG. E também para as gangues institucionais &#8211; que nos acostumamos a ver atuar na forma da política representativa.</p>
<p>Não concordo com Bia quando ela afirma que</p>
<blockquote><p>Pela primeira vez na história desse país, nós temos um lugar realmente livre e democrático pra se expressar… da forma que quisermos. Temos que lembrar que no Brasil, o <em>~advento da internet em si~</em> não representou uma mega ruptura em termos de espaço criativo pras pessoas.</p></blockquote>
<p>A internet não é um ambiente livre e democrático. É um sistema muito bem sucedido de controle e de identificação. Pois, como observa o professor Sérgio Amadeu (nesse <a href="http://www.cidadaniaeredesdigitais.com.br/_files/003samadeu.pdf" target="_blank">livro</a>),</p>
<blockquote><p>As grandes diferenças do mundo presencial, as diversas perspectivas étnicas e os distintos olhares das classes sociais não desapareceram no ciberespaço. Apesar de as tecnologias da informação darem a impressão de homogeneizar os comportamentos, as atitudes e as finalidades, a comunicação em redes digitais não dissolveu nem aplacou as diferenças.</p></blockquote>
<p>Aquilo que chamamos internet é uma rede de redes na qual <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6096" target="_blank">nenhuma máquina pode se esconder por muito tempo, pois trata-se de uma  rede de comunicação e controle</a>. Somente esse aspecto já bastaria para compreender e/ou lembrar que o ambiente das redes digitais não é um terreno de liberdade, e sim de controle e que, além disso, muitas tem sido as iniciativas de reforçar esse caráter orgânico da internet &#8211; estão aí para comprovar o AI 5 Digital, Sopa,ACTA, etc. <a href="http://panopticlick.eff.org/" target="_blank">Esse site</a>, criado pela Eletronic Frontier Foundation, mostra o nível de vulnerabilidade a que estamos submetidos.</p>
<p>x-x-x-x-</p>
<p>Bia também escreve que</p>
<blockquote><p>No começo só existiam os grandes portais (<em>todos pertencendo às mesmas famílias que já dominavam a grande mídia offline</em>)  e os blogs. Mas 99% das pessoas, hoje e então, acham esse lance de blog  muito complicado e a quantidade de espaço disponível intimida, de modo  que a verdadeira ruptura chegou junto com as redes sociais: <a href="http://orkut.com/" target="_blank">Orkut</a> e <a href="http://youtube.com/youpix" target="_blank">Youtube</a> no começo, depois <a href="http://twitter.com/youpix" target="_blank">Twitter</a> e agora o <a href="http://facebook.com/youpix" target="_blank">Facebook</a>.</p>
<p>Através desses meios o Brasil se mostrou pro brasileiro… com todos os <a href="http://youpix.com.br/fights/twitter-em-portugues-e-o-preconceito/" target="_blank">seus defeitos</a>, qualidades e idiossincrasias.</p></blockquote>
<p>Aí eu acho ainda mais complicado, porque penso que essa tal ruptura seria real se em tais redes sociais a comunicação fosse livre, o que não acontece &#8211; o cenário é <a href="http://www2.eptic.com.br/arquivos/Revistas/vol.XI,n1,2009/04-SergioAmadeuSilveira.pdf" target="_blank">bem ambivalente</a>. Também acho que esses mecanismos poderiam ser usadas pelas pessoas como instrumentos de ruptura se essas pessoas tivessem não somente acesso à internet, mas se estivesse em andamento um profundo processo de apropriação tecnológica capitaniado pelo sistema público de ensino e pelos movimentos sociais. O que também não é verdade, a não ser muito perifericamente. Alguns passos nesse sentido foram dados no governo Lula, sobretudo através das <a href="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/Trabalho-finalizado-LUIZ-CARLOS-PINTO.pdf" target="_blank">ações coletivas com tecnologias livres</a> postas e praticas e fomentadas pelo Ministério da Cultura, pelos projetos Gesac e Casa Brasil. Sem mencionar como a distribuição dos serviços de internet no Brasil é ruim, graças ao formato da venda do sistema Telebás, em 2008. <a href="http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1775" target="_blank">Esse comunicado </a>do Ipea detalha esse aspecto.</p>
<p>Ter acesso à internet, o que o grosso dos programas de inclusão digital de estados e municípios fazem, significa em uma série de cursos de introdução ao pacote Office da Micro$oft, criação de blogs e navegação &#8211; muitas são iniciativas bem intencionadas, mas que infelizmente não rompem com o modelo no qual os &#8220;beneficiados&#8221; são mantidos na posição de usuários e não de criadores; de tutelados. não de sujeitos autônomos no uso e reinvenção dos recursos que possuem à sua frente. Esses programas podem até fazer melhorar as cores de governos, os balanços sociais de empresas, fundações e bancos e engabelar boa parte da classe média, mas não trazem os benefícios políticos que se exige de um país de injustiças e de diferenças tão grandes como o Brasil &#8211; como aliás, mostra <a href="www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=10498" target="_blank">esse texto</a>.</p>
<p>x-x-x-x-</p>
<p>Um outro aspecto complicado dessa última afirmação é o potencial reivindicativo e de liberdade de expressão que a imprensa comercial aprendeu a atribuir ao Twitter, Youtube, Facebook, etc. <a href="http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/vida_longa_a_web_2.html" target="_blank">Como mostra</a> o Tim Berners Lee, é preciso entender de forma mais crítica o funcionamento desses mecanismos e seus objetivos.  Não é possível para nós que trabalhamos com internet perder de vista que a expressão das pessoas nessas redes vai até onde é interessante e se encaixa no plano de negócios das empresas que as administram.</p>
<p>Parte da ilusão de que tais mecanismos implicam em revoluções populares vem de não se lembrar de que essas redes são negócios cuja mais-valia é intangível: nem tanto informação, mas vida. É da vida &#8211; as trocas, as vivências, os percursos, os gostos, os desejos, os afetos &#8211; dos usuários que emana a riqueza produzida pelo Facebook, Orkut, Twitter, e congêneres. Parte dessa ilusão vem também de não se lembrar que as revoluções são feitas por pessoas, e nao por mecanismos, sejam eles fábricas, tornos ou algorítmos, mas que esses instrumentos podem servir a revoluções e mudanças de hábitos e de culturas e de regimes políticos &#8211; depende do nível de apropriação e de conquista de autonomia que se consegue alcançar.</p>
<p>x-x-x-x-</p>
<blockquote><p>A cultura, a informação e o  entretenimento deixaram de ser coisas ditadas por grandes conglomerados  de mídia, deixaram de ser passivas e se tornaram organismos vivos e interativos. Agora é o povo que diz o que vai estar em pauta, é ele que detém o poder de construir uma nova cultura.</p></blockquote>
<p>Por fim, eu queria comentar a afirmação acima. No meu entender está em andamento uma batalha, nada está definido. As grandes corporações de mídia &#8211; aliados dos governos, quando a conveniência exige -, assim como a indústria da intermediação, não vão deixar sem lutar, como já estamos vendo, a posição de principais fontes de cultura, informação entretenimento. O desequilíbrio na aplicação das legislações direitos autorais, o regime artificial de propriedade de criações, funciona hoje como um dos fronts da batalha a que me referi. Muitas pessoas não entendem porque esse assunto estão tão em moda &#8211; ele está diretamente vinculado à democracia nas redes digitais e nas ruas também.</p>
<p>(Ainda) não dá pra afirmar que o povo construirá essa nova cultura &#8211; isso vai depender dos níveis de apropriação tanto das pessoas em relação aos instrumentos (softwares, plataformas, hardwares, etc.) quanto do nível de apropriação sobre a vida realizada pela indústria da intermediação quanto pelas empresas detentoras das redes sociais.</p>
<p>x-x-x-x-</p>
<p>Concordo com Bia Granja que ninguém precisa ler os grandes clássicos para entender e circular pela chamada cultura da internet. Ao mesmo tempo, acho que é necessário, é urgente e fundamental ter uma postura mais reflexiva e sem ilusões diante desse cenário &#8211; acho isso ainda mais crítico para quem trabalha com internet.</p>
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		<title>#MutSaz Cunã: mulheres e tecnologias livres</title>
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		<pubDate>Tue, 27 Mar 2012 15:50:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[As entrevistas ou trechos de entrevistas reunidas nessa edição do Mutirão da Gambiarra formam uma parte das conversas gravadas que eu fiz entre os idos de 2008/2009 para escrever a tese “Ações coletivas* com mídias livres. Uma interpretação gramsciana de seu projeto político”. Beth de Oxum, Adriana Veloso (Drica), Thais Brito, Karla Brunet, Tatiane Well [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2616" href="http://www.locoporti.blog.br/mutsaz-cuna-mulheres-e-tecnologias-livres-meus-dois-cents/cuna_500/"><img class="size-full wp-image-2616 alignleft" style="border: 0px solid black;" title="cuna_500" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/03/cuna_500.png" alt="" width="500" height="712" /></a>As entrevistas ou trechos de entrevistas reunidas nessa edição do <a href="http://mutgamb.org/" target="_blank">Mutirão da Gambiarra</a> formam uma parte das conversas gravadas que eu fiz entre os idos de 2008/2009 para escrever a tese <em>“Ações coletivas<strong><span style="color: #800000;">*</span></strong> com mídias livres. Uma interpretação gramsciana de seu projeto político”</em>. Beth de Oxum, Adriana Veloso (Drica), Thais Brito, Karla Brunet, Tatiane Well (Twells), Tininha me falaram dos percursos que traçaram em sua formação política, tecnológica, afetiva, feminista. Foi a partir da reflexão de suas práticas e de suas experiências que pude ver como o eixo fundamental daquilo que eu argumentava no trabalho era só um pedaço dum problema muito mais complicado.</p>
<p>E o que é que eu propunha no texto? Uma interpretação de como é (ou seria) o programa político das ações coletivas cujas articulações políticas perpassavam e fomentavam a conexão orgânica entre culturas e tecnologias. Desse programa emanava (ou emanaria) uma pulsão pela liberdade, e nessa medida, filosoficamente, se tratava (ou se trataria) de um programa político de liberdade. Não precisa muito esforço para ver o quão questionável essa ideia é, em múltiplos aspectos. Primeiro, pela hipótese: a de que que existira um projeto a ser interpretado; e além, pelo método: de que aquilo que identifiquei como ações coletivas tivessem uma existência real, em si, o que justificaria sua identificação; ainda pior: a petulância de achar que resolveria, mesmo que limitadamente, uma equação árida: Gramsci/Deleuze. No fim: a imaginada expectativa de que escrever sobre isso pudesse contribuir com o trabalho daquelas pessoas.</p>
<p>Não nego que esse otimismo tenha sido resultado de uma certa contaminação com o próprio trabalho das pessoas que eu estava conhecendo – as positivas vibrações que a eleição do Lula lá, em 2003 ainda estava presentes, nos trabalhos iniciados do Cultura Viva, Projeto Gesac, Casas Brasil, etc&#8230;</p>
<p>Mas uma das coisas que eu ainda gosto na tese é ter me permitido ler um livrinho curto, chamado <a href="http://www.4shared.com/office/_iHNtB2M/RANCIRE_Jacques_O_Desentendime.html" target="_blank">O Desentendimento – Política e filosofia</a>, escrito por um filósofo chamado Jacques Rancière em 1995. Lá ele argumenta que o nascimento da política no mundo ocidental, a partir dos gregos, tem como contexto uma distribuição simbólica dos corpos que separa as pessoas em duas</p>
<p>categorias, aquelas a quem se vê e considera e aquelas a quem não se vê e não se considera, o que é uma forma de contar as partes da comunidade e de negar-lhes parcelas. A estratégia que segundo Ranciére os plebeus adotam é transgredir a ordem da cidade, dando-se nomes, executando uma série de atos de palavra que ligavam a vida de seus corpos a palavras e a usos das palavras.</p>
<p>E escreve Ranciére: de mortais que eram, tornaram-se “<span style="text-decoration: underline;">homens</span>”, quer dizer, seres que empenham em palavras um destino coletivo. Tornaram-se seres passíveis de firmar promessas e de estabelecer contratos.<em> (sublinhado meu).</em></p>
<p>O trabalho de Ranciére serviu como um ponta pé para se pensar nas formas atualizadas através das quais os seres de nada (sem “nada”) se apropriavam de recursos, discursos, entendimentos, metodologias, instituições, organizações e vontades para se criar, se fazer ouvir, se fazer reconhecido como igual – gente. Tecnologia e cultura, e contidiano e afeto.</p>
<p>Apesar da ajuda que me deu, a identificação que Ranciére faz entre “<span style="text-decoration: underline;">homens</span>” e seres &#8216;passíveis de firmar promessas e de estabelecer contratos&#8217; não passou despercebido. Me mostrou que mesmo no seio de uma reflexão pela liberdade das pessoas, restava uma cegueira política, uma violência e uma contagem de corpos dentro da contagem de corpos: a anulação do feminino como instância de vida, parece que só aos homens correspondia e interessava a emergência da política, por onde aquelas apropriações a que me referi.</p>
<p>Sim, pode ser que eu também esteja sugestinado <a href="http://www2.uol.com.br/JC/especial/joicy/index.html" target="_blank">pela história que minha companheira contou mais ou menos nessa época</a>, e que narrava o percurso de Joicy, transexual do interior do estado, agricultora, no caminho para a cirurgia da troca de sexo. Na minha opinião, uma das violências mais severas impostas a Joicy era (é) a negação do feminino como uma forma ou justificativa para a negação do direito de ser um igual.</p>
<p>A leitura de Ranciére, a experiência de Joicy e as entrevistas me ajudaram a apreender isso. Pena que não podia mais re-orientar o trabalho pra escrever sobre esse processo por causa dos prazos, em primeiro lugar e por causa também do investimento profundo numa área que eu não conheço e que precisava acontecer em curso tempo, que eu não tinha mais.</p>
<p>Tomara que as entrevistas deixem essas ideias mais claras pois nelas Beth, Drica, Thais, Karla, Tati e Tininha tratam sem rodeios de muitas coisas; e, entre elas, da condição desigual que se encontram as mulheres em relação à apropriação crítica de tecnologias, ativismo, pontos de cultura, política, comunicação, feminismo, democracia, radicalismo, software livre, gênero, etc.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">*</span></strong><em>O que eu chamo de ação coletiva é um conceito empírico para se referir a toda e qualquer forma de ação reivindicativa ou de protesto realizada através de grupos sociais, tais como associações civis, agrupamentos para a defesa de interesses civis ou públicos comuns, organizações de interesse público, coletivos, grupos autônomos, entre outros. </em></p>
<p><strong>Abaixo, as entrevistas:</strong><em><br />
</em></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40467014&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40433256&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40359845&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40332501&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40322508&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40323372&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
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		<title>Don’t be evil (World Bank &amp; Google edition), via Owen Barder</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Feb 2012 17:16:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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By Owen Barder
I am a generally a fan of both the World Bank and of Google, but we should all be worried about their recent deal.
The intention is good: it is to promote crowd-sourcing of maps, to improve planning in disasters and to improve the planning, management and monitoring of public services.  This is an [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://blog.educacional.com.br/fforcato/files/2010/08/leviata.jpg"><img class="aligncenter" src="http://blog.educacional.com.br/fforcato/files/2010/08/leviata.jpg" alt="" width="438" height="409" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong>By <a href="http://www.owen.org/blog/5270" target="_blank">Owen Barder</a></strong></p>
<p><em>I am a generally a fan of both the World Bank and of Google, but we should all be worried about their recent deal.</p>
<p>The intention is good: it is to promote crowd-sourcing of maps, to improve planning in disasters and to improve the planning, management and monitoring of public services.  This is an important goal, which is now being made possible by new technologies and the spread of the internet.  The deal is sufficiently important for World Bank Managing Director Caroline Anstey to write about it in the opinion pages of the New York Times:</p>
<p>Under the agreement, the bank and its development partners — developing country governments and U.N. agencies — will be able to access Google Map Maker’s global mapping platform, allowing the collection, viewing, search and free access to data of geoinformation in over 150 countries and 60 languages.</p>
<p>This is all consistent with an admirable push in the World Bank towards ‘democratising development‘, including becoming more open about its own activities and promoting open data. Indeed, this effort has come to be a defining achievement of Robert Zoellick period as World Bank President.  As Sebastian Mallaby said in the FT the other day,</p>
<p>Where [the World Bank] once imposed prescriptions on the Third World, it now shares knowledge with respected clients from the new world. Where it once hoarded data, it now displays it on the web. … One decade ago, the Bank was routinely accused of indifference to the views of local people. Today Mr Zoellick talks of empowering the most humble netizen to provide feedback on projects.</em></p>
<p><em><span id="more-2602"></span><br />
So what is the problem with the deal?  The problem is the way the data is licensed: once any data goes in to Google Map Maker, it all becomes the property of Google. If governments and citizens choose to use the Google Map Maker platform to contribute their information, then the data will only be available through Google’s own mapping system, and the data will be available under conditions specified by Google. At least, that is what we believe: ironically, given that both the Bank and Google are trying to market themselves as leaders in transparency and openness, they have refused to publish their agreement. The Bank has said that they ‘want a blanket permission from Google to provide NGOs, humanitarian groups, and other non-commercial entities with the data whenever they need it’ – though we do not know if this has been written into the agreement (and if so in what terms) or is just wishful thinking. Even if this concession were secured, it would not be enough.  Open data offers opportunities for everyone – not just NGOs and governments but social enterprises and businesses too, and they should all be allowed to use the data which governments and citizens have contributed.</p>
<p>There is an alternative platform – Open Street Map – which proved its value in the aftermath of the Haiti earthquake. Data in Open Street Map is all available to everyone to use for any commercial or non-commercial purpose.  So if the data were contributed to Open Street Map, it could be used by Google Map Maker, but not the other way round.</p>
<p>The World Bank defends itself by pointing out that the deal is non-exclusive – that is, everyone is free to give data to anyone else as well as to Google Map Maker.  But that misses the point. Citizens will in practice contribute to one platform. If an organisation as prominent and powerful as the World Bank encourages governments and citizens, and UN organisations, to use Google Map Maker, then that becomes a de facto global standard.</p>
<p>I have no problem with Google, or any other company, making commercial use of this data. I have no ideological objection to the profit motive. On the contrary: having businesses looking for ways to make the best use of the data is a great way to generate innovation and improvements. We want businesses to try to make money by competing to serve the customer better – by providing better tools and services to access and use data. But we don’t want businesses to try to make money by restricting access to the information, which is a public good in every sense of the word, because this reduces, rather than improves, services for the public. By entering into this partnership on these terms, the World Bank is backing closed instead of open; monopoly instead of competition; corporate fat cats instead of upstarts.</p>
<p>I do not think that Google is evil (not yet, anyway). I admire what Google has done to make mapping available more widely, and to promote crowdsourcing of maps. While I was living in Ethiopia, they put online some of the best available maps of many of Ethiopia’s towns and cities, drawing in large part on citizen cartographers.  But the fact that I am broadly sympathetic to Google does not mean that they should have sole control of this data.</p>
<p>The World Bank is trying to do the right thing.  Their approach to opening up their own data has been exemplary.  Caroline Anstey’s article in the New York Times makes a powerful and persuasive case for open data. But the article makes a stronger case for working with Open Street Map, whose work in Haiti she specifically praises, than it does for a partnership with Google.</p>
<p>The World Bank has been listening to the concerns that have been raised, and it sounds as if they have realised that they have made a blunder. They have recently met with key groups in Washington and, according to Nathaniel Heller from Global Integrity, they are going to take ‘concrete steps’ to address these concerns. We don’t know what these are going to be, but it seems to me that there are only two possible satisfactory resolutions. The first possible solution is for Google irrevocably to change the terms of the license for all the data in Google Map Maker to allow commercial and non-commercial use.  I think that is unlikely (which should tell us something about Google’s assessment of the possibility that they may want to do something in future with their control over the data).  If Google will not do that, then the second solution is for the World Bank to terminate the agreement and instead encourage citizens and governments to contribute to Open Street Map,  or some other genuinely open system. Google Map Maker can then use that data if they wish, like everyone else. Anything but these alternatives is likely to be an unsatisfactory fudge.  Furthermore, the full terms of the agreement must be published.</p>
<p>The UK Government is increasingly a world leader in promoting open, reusable data, transparency and accountability. As a major shareholder in the Bank, and one of the largest contributors of funds for the World Bank’s concessional lending, I hope the UK Government will put pressure on the World Bank to accept that this agreement does not satisfy their aspirations for open data, and instead to promote genuinely open sharing of mapping information which, as both Google and the World Bank rightly say, could make a significant contribution to humanitarian relief and to development.</em></p>
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		<title>Política, tecnologias livres, comunicação e ancestralidade: uma conversa com a mãe Beth de Oxum</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Feb 2012 15:08:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Na segunda entrevista da série, a vez é de Beth de Oxum. A conversa aconteceu no quintal da antiga sede do Ponto de Cultura Côco da Umbigada, em Olinda, numa manhã ensolarada &#8211; não lembro o mês. Na entrevista Beth indica a importância estratégica das tecnologias livres para a  afirmação das culturas ancestrais e para sua defesa, assim como para a ocupação do espaço público &#8211; a retomada do comum em certo sentido. Também chama atenção pros implementadores dos programas Cultura Viva e Gesac, assim como para o cultivo da coletividade como instrumentos políticos.</p>
<iframe width="100%" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F35694314&amp;auto_play=false&amp;show_artwork=true&amp;color=ff7700"></iframe>
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		<title>Política, tecnologias livres, comunicação: uma conversa com Paulo José Lara (Pajeh)</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 22:48:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para os próximos meses uma tarefa muito interessante (importante para mim) deverá tomar conta de meus esforços e das páginas desse blog amarelo que tantas alegrias faz aos três leitores que tem: a publicação das entrevistas que fiz ao longo da pesquisa que resultou na tese. Foram conversas com 35 pessoas, a maior parte delas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para os próximos meses uma tarefa muito interessante (importante para mim) deverá tomar conta de meus esforços e das páginas desse blog amarelo que tantas alegrias faz aos três leitores que tem: a publicação das entrevistas que fiz ao longo da pesquisa que resultou na <a href="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/Trabalho-finalizado-LUIZ-CARLOS-PINTO.pdf" target="_blank">tese</a>. Foram conversas com 35 pessoas, a maior parte delas são boas trocas de ideias sobre momentos específicos de políticas públicas brasileiras com mídias e do potencial de ações coletivas não institucionalizadas.</p>
<p>Por meio das entrevistas alguns personagens pouco conhecidos da classe média e de boa parte dos elaboradores de políticas públicas explicam o contexto das expectativas que circundavam a eleição de Lula em 2002 e as possibilidade de inclusão digital (última vez que uso esse termo capenga aqui) com uma perspectiva crítica. Outras falas explicam o potencial antagonista que se abre ao se pensar em termos de tecnologias livres &#8211; e de como a limitada pauta do &#8216;dieito à comunicação&#8217; é consequentemente expandida. Muitas das entrevistas dialogam com toda a agenda de debates em torno do comum (commons de informação e outros) que parece estar estourando agora, dentro e fora do eixo.</p>
<p>São conversas nas quais as singularidades do afeto, em que a vontade de cozinhar junto, de estar junto, do querer bem, da saudade e da vontade de matar a saudade são elementos de potência política que não cabem nas práticas atuais da política representativa nem nos modelos prontos de políticas públicas. Da mesma maneira, as conversas indicam os limites de um fazer político cujas raízes filosóficas podem ser rastreadas desde Espinoza, e cujas fragilidades também são próximas. A primeira dessas entrevistas que resolvi colocar aqui é a que eu fiz com Paulo José Lara (Pajeh), sociólogo de Campinas, um dos articuladores da Rádio Muda, pessoa inteligentíssima e muito amável.</p>
<p>Só peço um pouco de paciência porque entre outros corres esse leva tempo para fazer, dado cuidado que gostaria de ter ao <span style="text-decoration: line-through;">cuidade</span> tratar de cada uma das entrevistas.</p>
<iframe width="100%" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F35696632&amp;auto_play=false&amp;show_artwork=true&amp;color=ff7700"></iframe>
<iframe width="100%" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F35907898&amp;auto_play=false&amp;show_artwork=true&amp;color=ff7700"></iframe>
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		<title>Relato das ações no Coque Livre</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 18:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Vou postar aqui nos próximos dias algumas reflexões sobre os ciclos de atividades do Projeto Coque Livre, que implementamos em 2011 na comunidade do Coque, centro do Recife. Os textos têm uma pegada um tanto acadêmica &#8211; sobretudo a parte inicial, em que segue uma introdução a alguns conceitos que permearam as oficinas dos ciclos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Vou postar aqui nos próximos dias algumas reflexões sobre os ciclos de atividades do <a href="http://www.locoporti.blog.br/oficinas-do-coque-livre-comecam-amanha/" target="_blank">Projeto Coque Livre</a>, que implementamos em 2011 na comunidade do Coque, centro do Recife. Os textos têm uma pegada um tanto acadêmica &#8211; sobretudo a parte inicial, em que segue uma introdução a alguns conceitos que permearam as oficinas dos ciclos. Isso porque precisaremos apresentar esses relatos ao CNPq, que financiou as atividades. </em><em>Nos próximos dias coloco as descrições das atividades mesmas. </em></strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>1. Análise crítica das bases teórico-metodologias das oficinas de mídias livres</strong></p>
<p>As oficinas com tecnologias livres baseiam-se teórica e metodologicamente no  que podem ser chamadas &#8216;ações coletivas com mídias livres&#8217;. Tais ações expressam um conflito e uma oposição ao modo com que os bens informacionais são comercialmente produzidos e controlados, bem como os objetivos dessa produção. Considerar como eixo característico a disposição antagonista implica em reconhecer a existência de questionamentos coletivos quanto à legitimidade do poder  e ao modelo estabelecido para o uso dos recursos sociais – esses princípios conduzem a base metodológica e filosófica das oficinas.</p>
<p>O sentido das oficinas com tecnologias livres está associado à criação de condições estruturais e conceituais para a produção, circulação, apropriação e usufruto de conhecimento, informação e cultura fora das hostes comerciais. Em termos filosóficos,  essa orientação, que prevalece sobre as outras linhas de atuação, expressa a atualização da análise de Ranciére (1996) para a emergência do exercício da política, com uma correspondente instituição de uma outra ordem do sensível. Ou seja a criação de tais condições estruturais e conceituais se vincula a um virtuoso processo de atualização da reivindicação da parcela dos que não têm parcela, da reivindicação da fala, do dissenso, da possibilidade e das condições para a expressão do desentendimento em relação a como se reparte o todo, entre os que têm parcela ou partes do todo e os que não têm nada.</p>
<p>Por outro lado, é possível considerar o modelo predominante de &#8216;inclusão digital&#8217; ancorado à lógica da Justiça Distributiva . Nesse sentido, tal modelo também precisa ser compreendido sob os eflúvios das mudanças pelas quais passa o capitalismo pós-industrial – sobretudo naquilo que se refere à crise da noção de valor, que acompanha tais alterações sistêmicas. Se é verdade que no capitalismo pós-industrial não é mais no produto, na matéria, que se concentra o centro do valor, mas no conhecimento, na forma de se organizar e modelar a inteligência coletiva, então à Justiça Distributiva deve-se interpor um outro front de crítica – inclusive como forma de enquadrar e compreender  a perspectiva, os discursos e a programática de ações coletivas que lançam mão de tecnologias livres.</p>
<p>É necessário, antes de continuar, deixar claro a que se refere esse termo. As &#8216;tecnologias livres&#8217; a que nos referimos são constituídas por softwares e hardwares que permitem que sejam usados, copiados, estudados e redistribuídos sem restrições, o que implica que as modificações feitas tanto em programas quanto nos equipamentos físicos podem se realizados e compartilhados também sem restrições. O conceito de &#8216;livre&#8217; se opõe ao de restritivo e à noção de software proprietário, cujas alterações no seu código de funcionamento são vedadas. Tanto softwares livres quanto hardwares livres são vinculados a licenças de uso que visam garantir as liberdades de execução, distribuição, modificação e repasse sem que para isso seja necessário a permissão do(s) autor(es) (Torvalds &amp; Diamond, 2001). Portanto, para tecnologias livres estão associados licenças de uso que procuram garantir<br />
•    A liberdade de executar o programa ou de uso do hardware, para qualquer propósito;<br />
•    A liberdade de estudar como o programa ou hardware funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte, no caso dos softwares, é um pré-requisito para esta liberdade;<br />
•    A liberdade de redistribuir cópias de modo que se possa beneficiar o próximo;<br />
•    A liberdade de aperfeiçoar o programa e/ou hardware, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.<br />
Portanto, o uso do termo tecnologia livre nesse texto considera será considerado livre se todos os seus usuários tiverem essas quatro liberdades.</p>
<p style="text-align: left;"><span id="more-2562"></span><br />
Ora, sabemos que no capitalismo em sua fase industrial, a organização do trabalho dispõe os sujeitos em um sistema de trabalho – a linha de montagem – na qual suas capacidades subjetivas e criativas são sublimadas. Isso não implica que não haja criatividade e mesmo inovação na indústria, como os sucessivos processos de adaptação a demandas de mercado e/ou crises financeiras revelaram. Mas a previsibilidade é uma exigência dessa etapa, assim como uma política de escassez que regule as cópias da produção; e explicite e especifique o custo de um novo produto (ou do erro em sua fabricação, quando ocorre) a partir da necessidade de mais matéria-prima e de tempo para sua transformação.</p>
<p>A organização dos sujeitos em classe – a um tempo, uma distribuição econômica, mas também simbólica – expressa e condiciona esse quadro político-econômico: ao proletário não cabem o direito nem alternativas para que suas experiências sensíveis e subjetivas interfiram nos processos de transformação da matéria-prima (Gorz, 2005).</p>
<p>Assim, enquanto o trabalhador opera (não se realiza) no espaço quadriculado do chão de fábrica, com o ganho definido, com o movimento repetitivo, os proprietários dos meios de produção operam de forma dinâmica, em alguns casos alocando de forma nômade seu capital, assumindo papéis, posições e ganhos variados num sistema de hierarquia nítida e bem demarcada.<br />
Há portanto uma definição do lugar do sujeito na ordem estética e na indústria, além de uma concepção de valor específica, centrada no “produto”.</p>
<p>A Justiça Distributiva reedita a organização dos sujeitos a partir dessa distribuição de lugares com base econômica (a classe) e simbólica, na qual o papel que cabe ao sujeito que não detém os meios de produção é o de mero usuário ou de peça do sistema produtivo, e não a de produtor de valor, em face a suas experiências sensíveis e subjetivas. O que está subsumido aí é uma relação tutelada com o objeto técnico usado para a produção de valor, em que a autonomia é extremamente limitada em função dos interesses do comércio e da indústria. O sujeito lida com caixas pretas, cuja lógica de funcionamento interno é uma prerrogativa de elites logotécnicas que servem à indústria (Neves, 2006). A desnecessidade de saber como tal objeto técnico funciona, ou é produzido, ou pode ser modificado e melhorado exprime a dificuldade de sua apropriação imposta pelo sistema produtivo industrial e a consequente tutela do valor produzido. Essa condição foi assimilada pelo senso comum e não é questionada – o corolário dessa dessa lei de mercado é a impossibilidade de se ver as vias abertas ou por emergir da interferência criativa sobre as ferramentas de produção de valor.</p>
<p>A Justiça Distributiva por fim reedita e renova o regime discursivo e estético no qual ao trabalhador está reservado a ação calculada, previsível, controlada, sem margem para a expansão da criatividade e da inovação, a partir de sua vida, que operem sobe o sensível, o dizível e o visível. O modelo hegemônico dos programas de inclusão digital expressam essa distribuição econômica e simbólica na medida em que refletem o relacionamento com o objeto técnico no qual os “beneficiados” têm acesso a caixas pretas, em função do que seu uso é tutelado, é comprometida a autonomia e limitadas as possibilidades de expressão em face a experiências sensíveis e subjetivas.</p>
<p><strong>x.x.x.x.x</strong></p>
<p>Os ciclos planejados e executados ao longo do Projeto Coque Livre, por outro lado, basearam-se no que pode ser nomeado “ações coletivas com tecnologias livres”,  que praticam uma perspectiva oposta à dos programas &#8216;tradicionais&#8217; de inclusão digital, e na qual são tecidas as condições de possibilidade para que aconteça uma apropriação crítica das tecnologias; apropriação esta que torne possível a produção de valor com base na improvisação contínua, na comunicação, nas subjetividades culturalmente construídas, nas relações afetivas, no cotidiano sensitivo das comunidades envolvidas. Assim, uma linha de fuga se estabelece, explicitando o aspecto não-utilitarista dos processos de ensino-aprendizagem inspirados nasações coletivas com mídias livres que se pretendeu implementar nesse projeto.</p>
<p>O trabalho imaterial que se desprende dessas potencialidades está afinado com aquilo que André Gorz pontuou como sendo o “trabalho da produção de si” (GORZ, 2005). Nesse sentido, o caminho que se pretendeu traçar nos Ciclos é tal que permite contribuir para a construção de espaços (lógicos, físicos e afetivos) que permitam a expansão das potências criativas, a quebra da previsibilidade  e a superação da relação industrial entre projeto e produto.</p>
<p>Essa abordagem não-utilitarista permeia a apropriação crítica de ferramentas e de linguagens de expressão, de modo que é por si já uma alternativa à lógica de mercado, da preparação da mão-de-obra e do &#8216;produto&#8217;, que habitam as entrelinhas dos programas de inclusão digital. Essa apropriação crítica de ferramentas da informação e comunicação, fomentadas nas e pelas ações coletivas com tecnologias livres, é um objetivo que tem o potencial de se tornar possível ao se lançar mão de tecnologias livres, de metodologias e de referências discursivas que precisam ser pontuadas.</p>
<p>É necessário observar inicialmente a perspectiva que procura adequar às necessidades simbólicas, aos espaços disponíveis e/ou construídos coletivamente nas comunidades e ao cotidiano delas a implementação dos ambiente de conexão à internet que servem às comunidades – os telecentros. Nestes casos a instalação dos computadores é um processo realizado com os futuros usuários deles, em oficinas nas quais as máquinas são literalmente desconstruídas. As máquinas são abertas e seu interior esquadrinhado em atividades cujo resultado é o funcionamento de um número mínimo de computadores em rede, conectados à internet. Mas que implica também num processo de desmistificação do artefato, e que contribui para que ele não seja manuseado com &#8216;excessivo respeito&#8217;, como um outro externo e distante.   A ideia que permeia isso é a noção de que é possível interferir sobre a tecnologia, o que por seu lado também se vincula a uma perspectiva antiutilitarista, e contribui com outros processos de aprendizagem, de formação de identidade, de pertencimento, de expressão de relatos e subjetividades que não encontram espaço nos canais comerciais de comunicação; de veiculação de reivindicações variadas. A &#8216;capacitação&#8217; não é um elemento prioritário embora acabe ocorrendo também.</p>
<p>Aplicado às tecnologias digitais, aos computadores pessoais e à eletrônica embarcada em equipamentos de uso cotidiano, o conceito passa a se referir à transformação do computador de uma mera ferramenta de trabalho (inacessível e desconhecida) em um instrumento de comunicação sobre o qual os sujeitos podem intervir; e de uma nova linguagem de criação e expressão para  refletir as necessidades locais de cada comunidade.</p>
<p>Nesse sentido, o relacionamento com os aparatos técnicos colocados em prática nas oficinas procuraram colocar em suspensão a técnica como algo natural (positivo) ou artificial (negativo). E tomam-na como algo sobre o qual é ainda possível atuar. Nesse sentido, Simondon chama atenção para o trabalho do artesão, que é baseado numa organização analítica, deixando sempre a via livre a novas possibilidades. Diz Simondon:</p>
<p><em>&#8220;estas possibilidades são a manifestação exterior de uma contingência interior. No afrontamento da coerência do trabalho técnico com a coerência do sistema de necessidades de utilização, é a coerência da utilização que vence porque o objeto técnico (construído) sob medida é de fato um objeto sem medida intrínseca; as suas normas vêm-lhe do exterior: não realizou ainda a sua coerência interna; não é um sistema do necessário; corresponde a um sistema aberto de exigências&#8221;.  (SIMONDON, 1989b, p. 23).</em></p>
<p>Em Deleuze, surge a possibilidade de pensar a técnica, não como o  domínio global e totalizante, mas como multiplicidade que permite uma incessante produção a partir dela mesma, uma produção por atualização de uma instância virtual, ou seja, da Diferença. A margem deleuziana, outra importante referência filosófica para as práticas das oficinas, permite ver a técnica como produtiva, dinâmica, alucinada e, ao mesmo tempo, não abortiva, não finalizadora, não destrutiva.</p>
<p>De forma virtuosamente não-utilitarista, a técnica é tomada como multiplicidade, a uma multiplicidade solta das amarras da medição e da organização de forças previamente determinadas. É essa perspectiva, tornada plástica, que anima as apropriações realizadas pelas ações coletivas com tecnologias livres em geral e as oficinas realizadas no Coque Livre em particular.</p>
<p>Uma das consequencias da forma coletiva de construção (ou de reorganização) de um telecentro descrita acima (ou da execução de projetos como os realizados nos ciclos do Coque Livre, descritas abaixo) é que os resultados da interação coletiva passam a ser entendidos pelas comunidades onde funcionam como espaço, objetos, equipamentos sobre o qual todos têm responsabilidades e acesso. É da mesma ordem de apropriação o uso que dele emerge. No caso de telecentros, a função que eles assumem vai bem além da capacitação da mão de obra para o mercado de trabalho. E é nesse sentido que se torna possível a superação da noção utilitária em que se ancora boa parte dos modelos de inclusão digital sob a lógica da Justiça Distributiva. Como já mencionado, outros elementos emergem em sintonia com demandas de ordem imaterial de pessoas e grupos.</p>
<p>Desse processo-percurso, em busca da apropriação crítica de tecnologias, faz parte o uso de softwares livres – a começar pelos sistema operacionais, o pacote de programas através dos quais nós nos relacionamos com a máquina. O uso de softwares livres, aliás, é uma condição (não a única) para a efetividade dessa apropriação – sendo tanto mais profunda quanto mais longa possível é o tempo de utilização de tais tecnologias. Eles oferecem a possibilidade de que o uso dos instrumentos de produção de valor não aconteça de forma tutelada, em função dos interesses estabelecidos pela indústria do software proprietário; acena com a possibilidade de conquista de autonomia no trato com os equipamentos; e o relacionamento com uma economia de bens simbólicos calcada na abundância de recursos. Como os softwares livres  são abertos à modificação por qualquer pessoa, de acordo com suas necessidades, abre-se a possibilidade para a criação, para a transformação, para a expressão de talentos, subjetividades e inovação em um patamar que não é possível quando se utilizam softwares proprietários.</p>
<p>O entendimento de que tais ferramentas são sempre passíveis de serem retiradas do modelo de uso atribuído pelo trabalho industrial expressa uma posição política. A &#8216;apropriação&#8217; &#8211; celebrada palavra usada nos &#8216;tradicionais&#8217; projetos de inclusão digital –, ganha um status radical, na medida em que é pensada para ocorrer na zona obscura, entre a forma e a matéria, entre as essências formais e as  coisas formadas, o que abre férteis possibilidades para a subversão dos objetos técnicos desenvolvidos, criados e construidos pelas instâncias comerciais no/do capitalismo tardio.</p>
<p>A criação de dispositivos a partir de sucata, a partir de objetos convencionais, do dia a dia, postos em interação com dispositivos computacionais também constituem processos de ensino e aprendizagem não convencionais que abrem múltiplas possibilidades de expressão e formação. Nesses casos lança-se mão do uso de arduinos , de hardwares livres, do hackeamento  de equipamentos, mas sobretudo das demandas de ordem subjetiva vivenciadas pela comunidade onde se desenvolve a ação.</p>
<p>Nesse sentido, uma das ações mais relevantes é o projeto Mimosa (Máquina de Intervenção Urbana e Correção Informacional) – aplicada numa dos ciclos do Coque Livre. Consiste em oficinas de mídia e mobilização através das quais se realiza a montagem de um estúdio portátil móvel de gravação, produção e veiculação de mídias – geralmente montado em um carrinho de super-mercado – ou qualquer outra base, desde que móvel. Diversas Mimosas já foram criadas em diferentes projetos de inclusão digital na linha que vem sendo aqui exposta. Ao longo de seu processo de construção, explicam-se, aos integrantes da comunidade que participam do processo, equações de primeiro grau, elementos básicos de programação computacional, do funcionamento e montagem de placas de circuitos elétricos, de elementos básicos de eletrônica ao mesmo tempo em que se procura identificar os relatos que os integrantes da oficina gostariam de gravar, provocar, veicular. A experiência dessas oficinas revela um profundo processo de reconhecimento e construção identitária para além do que a lógica utilitarista dos &#8216;tradicionais&#8217; programas de inclusão digital permite alcançar. É interessante observar ainda que o nome e a construção da Mimosa incorpora algo mais: o humor, o carinho, o afeto são elementos tão sólidos e necessários quanto as placas de circuito que permitem a mobilidade da máquina que grava e reproduz relatos, reivindicações, histórias, vivências, experiências.</p>
<p>A principal inspiração fornecida pelas ações coletivas com tecnologias livres trouxeram para o âmbito das oficinas nos Ciclos do Coque Livre é que os agenciamentos sócio-técnicos atuais não precisam ser de um único modo – ou em uma única direção, utilitarista –, aquele em que, aliás, o “processo industrial do grande degrada mais as reservas humanas e materiais do que ele próprio pode criar ou regenerar”, (SLÖTERDJIK, 1999, p. 78)</p>
<p>O que a teorização deleuziana permite observar é que o que muda substancialmente não são as ligações com os objetos técnicos, mas antes a consciência dessas ligações e os modos não industriais e não comerciais que elas podem tomar. Estas passam necessariamente pelas artes do fazer cotidiano, pelos afetos, pelas manipulações singulares de instrumentos e dispositivos, pelas experiências que se abrem a subversões do aparato tecno-midiático instituído, pelas possibilidades reais de se criar um espaço-tempo de subversão das práticas e teorias sobre tecnologia e cultura.</p>
<p>O que a teorização de Simondon, retomada por Deleuze, aponta é uma sucessão de estados metaestáveis em que o objeto técnico nessa perspectiva é pensado e transformado, apropriado e re-significado por práticas artesãs. É uma realidade em fluxo, nômade, de busca do objeto técnico, de busca pela apreensão e apropriação do objeto técnico e que permite que a operação tecnológica seja separada do modelo de trabalho estanque, passando a se sujeitar a operações de deformação, a operações que se aproximam mais de uma modulação do que de uma moldagem.</p>
<p>Nas oficinas realizadas no Coque Livre procurou-se operar sobre/nessa zona obscura da individuação dos objetos técnicos, abandonando a divisão estanque entre a essência da coisa e a coisa formada. As formas pelas quais essa zona obscura da individuação é iluminada permitem a criação de condições estruturais e conceituais para a produção, circulação, apropriação e usufruto de conhecimento, informação e cultura fora das hostes comerciais.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Referências até aqui.</strong></p>
<p style="text-align: left;">TORVALDS, Linux. e DIAMOND, David. <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=559929&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">Só por prazer. Linux: bastidores de sua criação.</a> Rio de Janeiro: Editora Campus, 2001.</p>
<p>GORZ, André. <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=7005615&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">O Imaterial: Conhecimento, Valor e Capital</a>.  Annablume, 2005.</p>
<p>SLÖTERDIJK, Peter . <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=201393&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">No mesmo barco. Ensaio sobre a hiperpolítica</a>. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 1999.</p>
<p>SIMONDON, G. L&#8217;individu et sa genèse physico-biologique, Paris: PUF, 1964.</p>
<p>___________. L&#8217;individuation psychique et collective, Paris: Aubier, 1989a.</p>
<p>___________. Du mode d&#8217;existence des objets techniques, Paris: Aubier, 1989b.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><strong>Nos próximos dias vou postando o restante do relatório.  O próximo ponto é a análise dos ciclos. </strong></p>
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		<title>Meu bem querer</title>
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		<pubDate>Thu, 27 Oct 2011 14:04:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
		<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
		<category><![CDATA[Sexo]]></category>

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Muiras vezes se questionou se o início do Tratado da Emenda do intelecto é uma narrativa autobiográfica. Já que escreveu em primeira pessoa, Espinosa teria exposto nesse tratado seu próprio itinerário? Uma questão como essa nos faz pensar na observação de Flaubert sobre Bouvard e Pécucher ao ler romances de Walter Scott: “sem conhecer os [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://30.media.tumblr.com/tumblr_l8b4etfvmw1qz7lxdo1_500.jpg"><img class="aligncenter" src="http://30.media.tumblr.com/tumblr_l8b4etfvmw1qz7lxdo1_500.jpg" alt="" width="500" height="477" /></a></p>
<p><em>Muiras vezes se questionou se o início do Tratado da Emenda do intelecto é uma narrativa autobiográfica. Já que escreveu em primeira pessoa, Espinosa teria exposto nesse tratado seu próprio itinerário? Uma questão como essa nos faz pensar na observação de Flaubert sobre Bouvard e Pécucher ao ler romances de Walter Scott: “sem conhecer os modelos, encontravam as pinturas assemelhadas” . Nada permite atribuir o “ eu” ao comerciante de Amstredã conhecido pelo nome de Baruch de Espinosa. Além disso, colocando uma tal questão e respondendo-a afirmativa ou negativamente perde-se de vista um movimento essencial do texto e, portanto, do pensamento: um movimento que já apontamos antes, a saber, aquele que toca o sujeito dos enunciados.</em></p>
<p><em><strong>O texto é escrito em primeira pessoa enquanto expõe a decisão, a hesitação e o fracasso. É escrito em terceira pessoa ao expor as causas do fracasso da conciliação entre perseguição de bens comuns e a busca do verdadeiro bem. Ora os sujeitos são esses bens, ora é a mente, ora os homens, ura um “nós”. Mas, mesmo quando o texto é escrito em primeira pessoa, o “eu” não é idêntico a si mesmo. A narrativa não remete somente a acontecimentos situados fora do eixo. Alguns acontecimentos ocorrem  dentro dele.</strong> Por exemplo, em duas retomadas, o estilo se torna indireto: “Digo que ‘me decidi’ enfim”, ou, mais adiante, “ Entretanto, não é sem razão que usei destes termos”. Espinosa volta ao que escreveu, reflete sobre o que escreveu; há porém, ainda mais: a narrativa ou a exposição da decisão, da hesitação e do fracasso está no passado, enquanto a narrativa das causas ou razões da hesitação e do fracasso está no presente. Do ponto de  vista da narrativa, os efeitos (hesitação, fracasso) são anteriores ás causas (busca dos bens comuns). Espinosa superou por sua própria conta os obstáculos cujas causas são ainda presentes. Ele se eleva dos efeitos às causas e vem do passado para o presente. O presente é, nesse momento do texto, aquele espírito dilacerado, distraído, extraviado na perseguição de prazeres, riquezas e honras. Portanto o “eu” da narrativa não pode ser identificado à mente.</em></p>
<div class="zemanta-img" style="margin: 1em; display: block;">
<div class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><em><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Frans_Hals_-_Portret_van_Ren%C3%A9_Descartes.jpg"><img class="zemanta-img-configured" title="Portrait of René Descartes, dubbed the &quot;F..." src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/73/Frans_Hals_-_Portret_van_Ren%C3%A9_Descartes.jpg/300px-Frans_Hals_-_Portret_van_Ren%C3%A9_Descartes.jpg" alt="Portrait of René Descartes, dubbed the &quot;F..." width="300" height="367" /></a></em><p class="wp-caption-text">Image via Wikipedia</p></div>
</div>
<p><em>De certa maneira, Espinosa se distingue, sem mostrá-lo explicitamente de Descartes. Com efeito, Descartes escreve o início das Meditações metafísicas em primeira pessoa, e o “eu” que duvida se transforma sem deixar de ser o mesmo “eu” do “eu penso”, que é o “eu” do “eu existo”. O “eu” cartesiano é, por asism dizer a mente que fala e que se torna o átomo da certeza, simples e indivisível. <strong>Para Espinosa, ao contrário, o “eu” não pode ser digno de identidade simples e indivisível, porque é a marca de uma mente decomposta. Logo, a hesitação da mente que não sabe para onde se voltar é a reflexão ou o retorno sobre si da mente distraída em sua própria distração. Espinosa se abisma na greta da mente, ele não escapa. E nada é antecipado. Pelo contrário.</strong></em></p>
<p><em><strong>O prazer gera tristeza, as honras nos acorrentam aos outros, a riqueza nos causas preocupações. Todos esses bens ocasionam efeitos que são seus contrários, eles são enganosos e inconstantes. São bens, mas incertos. Se não incertos é porque estão privados do que os tornaria certos como bens ou do que faria deles males certos. Todo mundo conhece sua inconstância, como explicar então que não deixe de persegui-los?</strong> É que, se os homens se deixam levar por todo tipo de ilusão, é-lhes difícil persistir na mesma. O conteúdo desses bens varia, mas não sua forma. Mas isso todo mundo Sab, é o fundamento mesmo de toda superstição e de toda servidão.E a decepção não basta para fazer filosofia, esta não começa por uma renúncia, nem pelo remorso ou pela consciência pesada.</em></p>
<p><em><strong>A riqueza, por exemplo, causa grandes preocupações</strong> e, no entanto, sua aquisição deveria nos livrar delas. Basta renunciar à riqueza para se liberar das preocupações que ela causa? Não. Essa renúncia é uma ilusão. E, antes de tudo, uma ilusão sobe o dinheiro. O dinheiro é um meio, a renúncia a ele participa inteiramente da mesma ilusão que acumulá-lo, a ilusão de tomá-lo como um fim. Mas tomar o dinheiro como meio não é tão evidente, sobretudo quando o dinheiro toma a si mesmo como um fim. E a busca da riqueza aumenta necessariamente a dificuldade, inclusive para aquele que não a busca, porque essa busca não significa somente possuir mais dinheiros, mas também fazer que o dinheiro produza a riqueza, que se auto-reproduza. <strong>E a riqueza se torna um problema.</strong> Há, pois, uma modalidade, uma forma na qual o prazer, as honras e a riqueza se oferecem como bens a serem perseguidos. A conseqüência é que essa modalidade impõe a representação desses bens. Se a busca desses bens opõe e divide os homens entre si – todo mundo os persegue e eles não se dividem -, ela não o destrói, no entanto, suas relações; ela engendra, por conseguinte, relações de força e dominação.</em></p>
<p><em>Logo, não é a renúncia que vai atribuir certeza ao que é incerto, mas, ao contrário, é a certeza que vai produzir como efeito a renúncia, e essa certeza vai abraçar de uma só vez os bens incertos e o bem procurado. Os bens incertos são males certos, o bem procurado é um bem certo, é incerto apenas que se o obtenha. Assim, a certeza de males não basta para obter o bem. O perigo é extremo, porque só esse bem procurado poderia curar males certos, mas ao mesmo tempo os males certos impedem que se alcance esse bem procurado. Logo, a única certeza é a do desejo, o desejo de um bem estável e certo, como “um doente que sofre de uma enfermidade letal, prevendo a morte certa se não empregar um remédio, é coagido a buscá-lo, ainda que incerto, com máxima força&#8230;”. Mas como se pode estar certo do que não se está certo de obter?</em></p>
<p><em>“Espinosa” – Ed. Liberdade.<br />
André Scala, Cap 1 (Tratado da Correção do intelecto), pgs. 30-33</em></p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=1fe97e24-a564-4a0f-8c25-5655cf2891f7" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>Igreja católica, comunicação pública e o cansaço da política</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/igreja-catolica-comunicacao-publica-e-o-cansaco-da-politica/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 15:50:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Políticos brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebi o texto abaixo numa das listas de discussão que assino. Na caixa de comentários eu comento o que acho dele&#8230;
O que mais quer a igreja católica?
Dioclécio Luz, no Observatório de Imprensa

A igreja católica não quer abrir mão do espaço que conseguiu na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). No início de 2011, depois de prorrogar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Recebi o texto abaixo numa das listas de discussão que assino. Na caixa de comentários eu comento o que acho dele&#8230;</p>
<h1>O que mais quer a igreja católica?</h1>
<p style="text-align: right;"><strong>Dioclécio Luz, no <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/-o-que-mais-quer-a-igreja-catolica" target="_blank">Observatório de Imprensa</a></strong></p>
<p><em><a href="http://27.media.tumblr.com/tumblr_l5rn2bqrFC1qz9v0to1_400.jpg"><img class="alignright" src="http://27.media.tumblr.com/tumblr_l5rn2bqrFC1qz9v0to1_400.jpg" alt="" width="305" height="500" /></a></em></p>
<p><em>A igreja católica não quer abrir mão do espaço que conseguiu na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). No início de 2011, depois de prorrogar por um ano seu posicionamento, o Conselho da EBC decidiu que os programas religiosos – cultos e missas – deveriam sair da grade de programação da TV Brasil. Para chegar a isso, a EBC colocou o tema em consulta pública. Por fim, decidiu que os programas das igrejas tinham um prazo para sair do ar – setembro de 2011 – e seriam substituídos por programas educativos que tratassem do fenômeno religioso. É o lógico, é o correto, é o decente.</em></p>
<p><em>Mas, quando estava prestes a cair o prazo para a igreja abandonar o lugar que não lhe pertence, ela apelou para o “tapetão”, a Justiça. E achou um juiz que manteve os privilégios.</em></p>
<p><em>Não me espanta que a igreja católica tenha feito isso. Acharia estranho se ela – democraticamente – acatasse a decisão. Por quê? Porque estamos tratando de uma religião acostumada a mandar, dar ordens, determinar como o mundo girar e, naturalmente, ter poder acima de todos os outros poderes. A igreja se acha o deus que ela inventou. E para deixar bem claro quem manda, coloca o crucifixo (seu símbolo) no plenário da Câmara dos Deputados, no Senado, no Supremo Tribunal Federal, nas várias Assembleias Legislativas. Inaugurada em 2010, a Câmara Distrital do Distrito Federal ostenta no plenário um grande crucifixo. Sobre a mesa, aberta, a Bíblia alerta sobre quem manda ali. O cristianismo – católico ou evangélico – não abre mão do poder.</em></p>
<p><em>A igreja católica entrou na justiça contra a EBC porque ela sempre mandou neste país – em todos os poderes – e não admite deixar esse poder. É claro que, do ponto de vista da moral, não há sustentação para ela permanecer ocupando esse espaço público. Mas desde quando a igreja tem pudores com relação à usurpação de espaços públicos?</em></p>
<p><strong><em>A Constituição proíbe, mas&#8230;</em></strong></p>
<p><em>Vide o que ocorre em todas as cidades do Brasil. A igreja sempre pegou os melhores terrenos para construir seus templos, suas catedrais, suas casas paroquiais etc. Isso não é coisa do passado. O caso de Brasília é emblemático. Ao buscar um terreno para instalar a Universidade de Brasília, Darcy Riberio descobriu que a melhor área já tinha dono: a igreja católica. Em seu livro Confissões, ele relata como teve que ir ao Vaticano para negociar com o papa o terreno.</em></p>
<p><em>Como a igreja conseguiu um terreno numa cidade que mal tinha sido inaugurada? Ela comprou esse terreno? Claro que não. Do mesmo modo, não veio um centavo do Banco do Vaticano para comprar o terreno e construir a catedral de Brasília, na Esplanada dos Ministérios. É a única religião instalada na Esplanada dos Ministérios. Como ela conseguiu pegar esse terreno público em área nobre, destinada somente aos ministérios? Ora, porque sempre foi poder.</em></p>
<p><em>Hoje, quando a catedral precisa de reforma ou de ampliação de suas instalações, são empregados recursos públicos. Para construção do batistério, por exemplo, ela recebeu R$ 1 milhão. Na verdade, essa coisa de receber dinheiro público para reconstrução de igrejas “seria” ilegal, mas como elas (essas igrejas velhas) recebem a tipificação de “patrimônio histórico”, sempre têm dinheiro público para sua reconstrução. Isso está em lei. Ou melhor, no acordo assinado pelo governo brasileiro com a Santa Sé – a gente reconstrói as igrejas deles. A Constituição proíbe, mas como se trata da igreja católica&#8230; Ou a sociedade aceitaria o investimento de recursos públicos num templo da Igreja Universal?</em></p>
<p><strong><em>Revelações do passado</em></strong></p>
<p><em><a href="http://29.media.tumblr.com/tumblr_l6yb7e0Fb01qz9v0to1_500.jpg"><img class="alignright" src="http://29.media.tumblr.com/tumblr_l6yb7e0Fb01qz9v0to1_500.jpg" alt="" width="402" height="568" /></a>Esse tipo de coisa acontece em todo Brasil. No Rio de Janeiro, por exemplo, as pessoas acham normal ter uma imensa imagem católica (o Cristo) num espaço público, construído com recursos públicos, mas sob o comando da igreja. Ela fatura para “administrar” essa imagem. Em determinadas regiões, como no Nordeste, a força da igreja é tal que metade dos terrenos de alguns municípios lhe pertence. Sem contar o seu esforço de continuar dominando o povo pobre com milagres e mistificações. O melhor exemplo, no caso, é Juazeiro do Norte (CE), onde se estimula o sofrimento como forma de moeda de troca do deus criado pela igreja católica e se reconstrói a imagem de Padre Cícero, como santo, e agora – acredite-se – até como “ecologista”.</em></p>
<p><em>Acontece que, ao entrar com a ação na Justiça contra a EBC, a igreja católica não percebeu que o mundo mudou. Acostumada a mandar e a não receber críticas, agora ela está recebendo um monte delas. Pior, seu passado está sendo revelado. Pior ainda, revelou novamente sua ambição por mais poder e riqueza.</em></p>
<p><em>Consta que a ação pela manutenção dos programas foi apresentada pela arquidiocese do Rio de Janeiro na 15ª Vara de Brasília. Na ação, a igreja diz que houve “discriminação religiosa”. Se fosse sincera deveria dizer: “Olha, estamos acostumados a mandar no Brasil, por que vocês não obedecem?” Ou então: “Queremos manter esse espaço porque sempre ocupamos espaços públicos e ninguém nunca reclamou”.</em></p>
<p><em>Ações como essa da igreja têm a ver com a sua decadência. O número de católicos caiu quase 20% nos últimos 10 anos; falta quem queira ser padre. Tudo isso tem a ver com a sua imagem (manchada com as acusações de pedofilia acobertadas pelo papa); a falibilidade da retórica cristã sustentada por dogmas e imposições (que não convencem ninguém); revelações do seu passado de (muita) lama e sangue, incluindo matança de não-cristãos, de mulheres (somente por serem mulheres) e até relações com Hitler e Mussolini.</em></p>
<p><strong><em>Não é preciso ser ateu</em></strong></p>
<p><em>A doutrina ou moral católica é uma questão central nesse debate. Porque, afinal, o que a igreja quer é o direito de usar um espaço público – rádio e TV – para difundir que a mulher não vale nada; que homossexualidade é doença; que a camisinha não deve ser usada “porque não garante sexo seguro”; que o homem veio da mulher; que o sofrimento é bom; que somos todos pecadores; que o casamento deve ser eterno. O mais espetacular é que quem prega tudo isso são pessoas a quem foi proibido namorar, transar, casar, ter filhos, formar família. Bem, caiu a ficha: muita gente descobriu o óbvio: essa pessoa não tem condições de dar conselhos sobre família, filhos, sexo, moral.</em></p>
<p><em>Vejamos a questão política. Inventou-se na América Latina a tal Teologia da Libertação. A doutrina não mudou uma linha, apenas incorporou o pobre em seus discursos. Entenda-se o processo: ela não abandonou sua relação com o poder, com os ricos; somente acrescentou os pobres. Fez-se uma releitura dos ensinamentos bíblicos e se descobriu que Jesus era esquerdista e revolucionário. Surge a igreja progressista. Como se por acaso essa doutrina e essa hierarquia tivessem algo de socialista ou democrático.</em></p>
<p><em>No bojo disso tudo, para suprir a carência de religião do revolucionário de esquerda, dá-se um nó no marxismo e inventa-se o marxista cristão, o marxista transgênico. Desse modo todos ficam felizes: não é preciso ser ateu para ser marxista; o cristianismo aceita. No túmulo, Marx se revolve com esta invenção moderna da igreja. Patologia tupiniquim. Freud já explicou essa carência que faz com que o militante não consiga viver sem pedir a benção aos padres.</em></p>
<p><strong><em>Morte anunciada</em></strong></p>
<p><em>A igreja tem poder sobre os espaços públicos, mas também atua na educação (é dona das escolas mais ricas) e, principalmente, na comunicação. Embora se apresente como aliada do movimento pelo direito à comunicação (tem gente que acredita nisso), a igreja católica (progressista? direitista?) é “dona” de 46 emissoras de televisão, tem 863 retransmissoras e nove grupos filiados. Essa igreja católica dos padres de direita e dos “progressistas” possui 133 emissoras de rádio. Alguns programas ela consegue retransmitir por mais de mil emissoras. (Fonte: www.donosdamidia.com.br).</em></p>
<p><em>Por que essa igreja não se satisfaz com o que tem? Rica em finanças, dona de escolas, terras, emissoras de rádio e TV, ela ainda quer mais. Qual o limite para a ambição da igreja católica? A resposta é: a igreja tem um projeto de poder eterno e para conseguir isso ela precisa sempre e sempre juntar mais e mais poder. Este seu projeto não aceitaria jamais abrir mão de um espaço na TV e no rádio, mesmo que seja moralmente indefensável. Mesmo sabendo que se encontra em processo de extinção – ou talvez por isso mesmo. É o seu jeito de evitar a morte anunciada.</em></p>
<p><em>***</em></p>
<p><em>[Dioclécio Luz é jornalista, mestre em Comunicação pela UnB, autor de A arte de pensar e fazer rádios comunitárias]<br />
</em></p>
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		<title>Unico filme copyleft do Festival de Cinema de Brasília recebe prêmio</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 19:39:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Thiago Novaes, na Lista Submidialogia
Nesta segunda &#8211; 03.10.11 o coletivo CMI-DF recebeu prêmio de R$ 35 mil no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com o filme Sagrada Terra Especulada.
Narrado pelo rapper GOG, é um grito contra a especulação imobiliária e pelo respeito à diversidade. Trata da luta entre a permanência do Santuário Sagrado dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Thiago Novaes, na Lista Submidialogia</strong></p>
<p><em>Nesta segunda &#8211; 03.10.11 o coletivo CMI-DF recebeu prêmio de R$ 35 mil no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com o filme Sagrada Terra Especulada.</em></p>
<p><em>Narrado pelo rapper GOG, é um grito contra a especulação imobiliária e pelo respeito à diversidade. Trata da luta entre a permanência do Santuário Sagrado dos Pajés que é uma comunidade indígena Fulni-ô, localizada no plano-piloto de Brasília, e a construção do bairro Noroeste, destinado à classe alta do Distrito Federal.</em> <em></em></p>
<p><em>Único filme copyleft do Festival, o documentário não recebeu qualquer tipo</em> <em> de patrocínio e foi realizado de maneira voluntária e coletiva.</em></p>
<p><em>Baixe, Assista, exiba, distribua livremente &#8211; </em> <em><a href="http://vimeo.com/28597529" target="_blank">http://vimeo.com/28597529</a></em></p>
<p><em>Neste momento o Santuário e matas nativa de cerrado são atacados ilegalmente por tratores da construtora EMPLAVI. O filme serve como arma a favor da população indígena e de rua contra os novos e constantes ataques.</em> <em></em></p>
<p><em>Em tempo, este prêmio é uma resposta a cada bola de borracha, bomba de gás, pra cada transmissor de rádio livre roubado pelo Rei,pra cada noite na delegacia.Esse prêmio vai pra cada indígena, moradora de rua, sem-terra</em> <em><br />
assassinad@s ontem, hoje e amanhã. Ao cerrado sua fauna e flora, a quem dá vida aos movimentos sociais,todas as heroínas e heróis anônim@s, a quem se apropria da tecnologia como forma de libertação e&#8230;especialmente, do<br />
fundo do coração pra cada voluntári@ que dedicou seu tempo e sonhos à REDE IndYmedia ! Som@s tod@s ! Venceremos ! ((( I )))</em></p>
<p><em>wiki do santuário:</em> <em><a href="http://radius.tachanka.org/santuariodospajes/" target="_blank">http://radius.tachanka.org/santuariodospajes/</a></em></p>
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		<title>O inferno astral do neoliberalismo: ascensão e queda</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 15:32:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[
Por Antonio Lassance, na Carta Maior
O velho liberalismo romântico
O neoliberalismo é uma ideologia, uma visão de mundo. Mais precisamente,  é uma visão de mundo adepta do individualismo, da competição, do Estado  mínimo e da primazia do mercado, o que justifica sua filiação ao velho  liberalismo. O que havia de novo nesse liberalismo?
O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://11.media.tumblr.com/tumblr_kvj3irMhLo1qz6f9yo1_500.png"><img class="aligncenter" src="http://11.media.tumblr.com/tumblr_kvj3irMhLo1qz6f9yo1_500.png" alt="" width="573" height="437" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Por Antonio Lassance, na <a href="http://www.cartamaior.com.br/" target="_blank">Carta Maior</a></em></strong></p>
<p><em><strong>O velho liberalismo romântico</strong><br />
O neoliberalismo é uma ideologia, uma visão de mundo. Mais precisamente,  é uma visão de mundo adepta do individualismo, da competição, do Estado  mínimo e da primazia do mercado, o que justifica sua filiação ao velho  liberalismo. O que havia de novo nesse liberalismo?</em></p>
<p><em>O velho liberalismo de Adam Smith reservava funções claras ao Estado,  mesmo que sumárias, como a defesa do território, a proteção (que hoje  preferimos chamar de segurança pública), o recolhimento de impostos e a  política monetária. Mas nenhum liberal clássico, ao defender o  indivíduo, deixava de olhar a sociedade como um todo. A liberdade  individual supostamente promoveria o bem estar da sociedade. Smith  externava preocupação com o [fato] de que seus concidadãos, que vestiam o  mundo, estavam em farrapos.</em></p>
<p><em>Para o neoliberalismo, porém, não existe sociedade; o que existe são  indivíduos (frase de Margareth Thatcher, ex-primeira ministra do Reino  Unido). Não existe serviço público que não possa e não deva ser prestado  por empresas privadas (frase de David Cameron, atual primeiro ministro  do britânico).</em></p>
<p><em>Para o liberalismo clássico, as corporações eram um problema a ser  atacado. “A riqueza das nações”, de Adam Smith, criticava a proteção  estatal às companhias comerciais, que exerciam atividades mercantis de  forma monopolística, financiadas e escoltadas com recursos públicos.  Para o novo liberalismo, as corporações são “a firma” e são equiparadas  aos indivíduos. São pessoas jurídicas e têm por trás de si acionistas  (indivíduos). Ao contrário da versão original, para o neoliberalismo a  riqueza dos indivíduos é apátrida, e não uma riqueza “das nações”.</em></p>
<p><em>Outro fator de novidade do neoliberalismo era a globalização, uma  marcha tida como inexorável para o domínio absoluto do globo por essas  grandes corporações (comerciais, industriais, mas sobretudo  financeiras). Bem diferente da ideia de divisão internacional do  trabalho, que tinha como base as nações, e não as empresas.  Romanticamente, Smith apontava um caminho para cada país encontrar seu  lugar ao sol, produzindo de acordo com sua vocação. Deve-se dar um  desconto ao romantismo de Adam Smith, pois ele era contemporâneo da  poesia de Lord Byron, da música de Beethoven, da pintura de Delacroix. O  mundo respirava romantismo por todos os lados e parecia que o progresso  salvaria a todos.</em></p>
<p><em><span id="more-2478"></span><br />
</em></p>
<p><em>A visão do neoliberalismo não é nada romântica. Os neoliberais são  realistas até o último fio de cabelo. Eles são herdeiros da mutação  genética introduzida no velho liberalismo pelo darwinismo social de  Herbert Spencer, na segunda metade do século XIX. Sua vinculação a  Friedrich Hayek tem traços claros que os colocam mais como apóstolos da  lei do mais forte do que da lei do livre mercado.</em></p>
<p><em><strong>Ascensão e queda do neoliberalismo</strong><br />
A construção do neoliberalismo desenrolou-se aos soluços, com inúmeros  sobressaltos. Ele sobreviveu em estado vegetativo por décadas, até  ganhar uma dimensão política avassaladora com o tridente formado por  Estados Unidos, Reino Unido e Alemanha, nos anos 1980, personificado nas  lideranças de Ronald Reagan, Margareth Thatcher e Helmut Kohl.</em></p>
<p><em>Sua força política empunhava um ideário econômico agressivo, cuja  síntese mais propalada tornou-se conhecida como o “Consenso de  Washington”.</em></p>
<p><em>O ciclo do neoliberalismo, quase como um ciclo biológico tradicional,  durou cerca de vinte e cinco anos. É difícil encontrar hoje em dia algo  que não traga sinais dessa herança. Mesmo com seus abalos, ao final dos  anos 1990, ele ainda ganhou uma sobrevida por meio de governos da  autointitulada “terceira via”. Sob esse guarda-chuvas está uma legião  composta pelos democratas nos EUA (Bill Clinton), socialdemocratas da  Europa (Tony Blair, no Reino Unido; Gerhard Schröder, na Alemanha;  Lionel Jospin, na França; Massimo D’Alema, na Itália) e parte da América  Latina (como Fernando Henrique Cardoso, no Brasil; Carlos Andrés Perez,  na Venezuela; Carlos Menem, na Argentina; e todos os governos da  Concertación chilena).</em></p>
<p><em><strong>O inferno astral</strong><br />
O neoliberalismo sofreria um profundo abalo e entraria definitivamente  em seu inferno astral a partir de 2008, quando se ouviu um dobre de  finados não na periferia do sistema, mas na catedral do capitalismo, em  Nova York. Era o enterro da Lehman Brothers Holdings Incorporated.</em></p>
<p><em>Mas uma das características do neoliberalismo, além da ousadia e do  cinismo, é a teimosia. Ele insistia em disputar projetos políticos e em  ganhar eleições com seus arautos. Neles residiam as últimas esperanças  de dar a volta por cima, recobrar as energias e reinventar formas de  acumulação que evitassem que o capitalismo carregasse a pecha de ser um  grande prejuízo para a vida da maioria dos mortais.</em></p>
<p><em>Para a surpresa dos incautos, o neoliberalismo conseguiu eleger novos  garotos-propaganda. Na pátria-mãe, o Reino Unido, David Cameron; no  Chile, Sebastián Piñera; na Alemanha, Angela Merkel.</em></p>
<p><em>O Reino Unido é o exemplo mais retumbante do fracasso estrutural do  neoliberalismo. Sua política econômica tem como eixo a redução de  serviços públicos e a tentativa de desmonte de estruturas de Estado, uma  retórica persistente, mas pouco efetiva. O inglês mantém um alto grau  de prestação de serviços públicos estatais. Conjunturalmente, a inflação  está em alta, com as projeções beirando os 5% – pois é, eles não vão  cumprir a meta de inflação, que por lá está fixada em 2%. O desemprego  não só está em alta, como é o maior dos últimos dois anos.</em></p>
<p><em>A Escócia de Adam Smith, em má homenagem ao credo neoliberal, ostenta  um grande número de serviços públicos gratuitos à população. Seu Estado  de bem-estar social faz inveja ao dos ingleses. Os escoceses já haviam  conseguido um parlamento próprio e agora têm ganhado mais adeptos em  favor de sua independência. A política de desmonte, do governo Cameron,  tem ajudado em muito a aumentar a adesão à proposta de secessão. As  receitas da Escócia são suficientes para mostrar que, se alguém pode  sair perdendo com a separação, é a Inglaterra.</em></p>
<p><em>No País de Gales, a seção local do partido conservador cogita até  trocar de nome e reclama de sua associação ao legado de Margareth  Thatcher. A má fama do thatcherismo, segundo pesquisas, os prejudica  eleitoralmente.</em></p>
<p><em>No Chile, Piñera enfrenta as maiores manifestações desde Pinochet.  Além dos estudantes nas ruas, grande parte dos moradores das cidades do  sul do país, dependentes do gás subsidiado para se proteger do frio,  protesta contra o reajuste do produto e o encarecimento do custo de  vida.</em></p>
<p><em>Na Alemanha, Merkel tem feito pouca coisa que pode ser considerada  verdadeiramente neoliberal. Tanto que até seu companheiro de partido,  Helmut Kohl, lhe faz críticas sistemáticas. Os socialdemocratas alemães  parecem bem mais apegados ao neoliberalismo e dizem que a Alemanha vai  pagar caro pelas “vacilações” de Merkel, que deveria ser mais dura em  cobrar ajustes rigorosos em toda a zona do Euro.<br />
<strong><br />
O conservadorismo e seu contraponto</strong></em> <em><br />
Mas a hora não é dada a comemorações. O que está ruim ainda tem a chance  de ficar pior. A crise profunda do neoliberalismo tem tido como efeito  político a ressurreição do conservadorismo. Se os novos liberais  perderam força, os conservadores tomaram muito de seu espaço. A última  vez em que isso aconteceu foi após a I Guerra Mundial, com o nazismo e  do facismo.</em></p>
<p><em>O conservadorismo tem como bandeiras o combate aos imigrantes, o  protecionismo, o militarismo e o gasto social seletivo. Quer reduzir a  prestação de serviços públicos e trocá-los por cheques, “vouchers” e  descontos de imposto de renda, mas não exatamente por razões  privatistas. Há um duplo propósito. Torna possível financiar empresas  privadas nacionais para prestar serviços públicos essenciais e fecha a  porta aos imigrantes, que vivem na ilegalidade e não podem receber esses  benefícios focalizados.</em></p>
<p><em>O conservadorismo que tem no “Tea Party”, dos EUA, seu movimento mais  proeminente, é protecionista, nacionalista, militarista, xenófobo,  intolerante Os neoliberais não são a fonte desses cacoetes. Seus vícios  originais são outros, embora aceitem compartilhá-los, principalmente o  militarismo, se isso justificar vantagens competitivas.</em></p>
<p><em>Neoliberais apóiam a imigração como forma de atrair talentos de  qualquer parte do mundo e reduzir o custo da mão-de-obra, assim como  para manter uma ampla parcela de trabalhadores apartada de direitos  sociais. São a favor do direito de mulheres muçulmanas escolherem se  querem ou não usar a burka, pois sua proibição desrespeita a liberdade  individual. São cautelosos quanto ao militarismo, pois seus gastos são  elevados. Henry Kissinger e James Baker escreveram, meses atrás, um  artigo condenando a intervenção na guerra da Líbia, com base em um  cálculo da relação custo-benefício para os Estados Unidos.</em></p>
<p><em>Na crise financeira de 2008, os neoliberais foram, em grande medida,  “liquidacionistas”, como o velho Hayek pergava. Disseram que os bancos  em dificuldades deveriam ser deixados à sua própria sorte e quebrarem,  se preciso fosse.</em></p>
<p><em>Se há um contraponto político ao conservadorismo, ele ronda a América  do Sul. Está pelo Brasil, pela Argentina, o Uruguai, o Paraguai, a  Bolívia, a Venezuela, o Equador e o Peru. Com defeitos, limitações,  tibiezas e inúmeros problemas. Na Europa e nos Estados Unidos, os  movimentos de esquerda são de uma espontaneidade sem luxemburguismo (o  da Rosa, não o do Vanderley). Dependem de associações civis pouco  conectadas à luta política nacional e têm um profundo descrédito pelos  partidos, inclusive os de ultraesquerda, afogados em sua própria  retórica e empacados em sua falta de projeto.</em></p>
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		<title>A Empresa Pernambuco de Comunicação e os rumos da comunicação pública na terrinha</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Sep 2011 18:54:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
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Bueno
faz tempo que não escrevo por aqui e a possibilidade de que o Projeto de Lei Autorizativa para criar a Empresa Pernambuco de Comunicação seja votado hoje na próxima semana é uma boa razão para espanar as teias de aranha desse sítio. Foi um longo caminho para que esse PL chegasse a ser apreciado na [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://www.domestic.fr/_images_produits/58-gd-V100.jpg"><img class="aligncenter" src="http://www.domestic.fr/_images_produits/58-gd-V100.jpg" alt="" width="410" height="356" /></a></p>
<p>Bueno</p>
<p>faz tempo que não escrevo por aqui e a possibilidade de que o <a href="http://www.locoporti.blog.br/wp-admin/media.php?action=edit&amp;attachment_id=2471" target="_blank">Projeto de Lei Autorizativa para criar a Empresa Pernambuco de Comunicação</a> seja votado <span style="text-decoration: line-through;">hoje</span> na próxima semana é uma boa razão para espanar as teias de aranha desse sítio. Foi um <a href="http://www.locoporti.blog.br/wp-admin/media.php?action=edit&amp;attachment_id=2463" target="_blank">longo caminho</a> para que esse PL chegasse a ser apreciado na Assembléia Legislativa de Pernambuco. Como pode ser lido no texto e como vem sendo discutido publicamente desde março de 2010, a criação da EPC (da querida EPC pois já nasce com esse status) sinaliza a convergência da articulação política e afetiva de vários movimentos sociais, organizações culturais, fóruns, produtores, criadores, artistas de toda sorte e militantes de causas variadas.</p>
<p>A EPC também é resultado da convergênciado trabalho de vários atores sensibilizados/prejudicados/preocupados com a questão da comunicação no geral e em Pernambuco em particular. A &#8220;questão da comunicação&#8221; para quem não é &#8220;da área&#8221; parece com frequencia estar associada ao mundo da arte e do jornalismo de uma forma bem específica: desvinculada de suas implicações políticas e, de algum modo, com implicações ou invisíveis ou desimportantes. Me parece que é recente o entendimento mais geral de que &#8220;a questão da comunicação&#8221; envolve toda a sociedade, que diz respeito a todos. Esse entendimento parece ter recebido nos últimos anos a contribuição advinda das empresas de comunicação estabelecidas, aquelas, detentoras de concessões públicas de uso do espectro eletromagnético e que no entanto têm conseguido produzir uma incrível coleção de desserviços justamente ao público, ao bem comum e à democracia no Brasil em geral e em Pernambuco muito particularmente.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.domestic.fr/_images_produits/39-gd-V080.jpg"><img class="aligncenter" src="http://www.domestic.fr/_images_produits/39-gd-V080.jpg" alt="" width="368" height="368" /></a></p>
<p>Vou me poupar de fazer a relação, que seria impossível sobretudo porque há muito para escrever e contruir ali na frente, no futuro. A começar de agora.</p>
<p><strong>1. O projeto foi elaborado de forma a criar as condições para suportar um sistema de comunicação que no futuro poderá não somente envolver a produção de noticiário em TV, mas também outras mídias &#8211; rádio, web, web rádio, web tv. As possibilidades abertas apontam para a transmidiação, coisa que nem mesmo as emissoras que já adotaram a transmissão digital conseguem ou se interessam em fazer. Ou seja, a EPC não é um projeto de TV, apenas. Uma das sugestões levantadas durante o <a href="httphttp://www.facebook.com/note.php?note_id=153316074756255" target="_blank">debate </a>com o Fórum Permanente da Música de Pernambuco</strong><strong>, esta semana, foi a criaçãod e uma agência de notícias &#8211; coisa que, embora não possa ser implementada já, está no horizonte das possibilidades possíveis.<br />
</strong></p>
<p>A infraestrutura de retransmissão da atual TV Pernambuco é, provavelmente, a mais ampla do Estado de Pernambuco. Anos e anos de abandono despotencializaram uma rede de distribuição que pode, por exemplo, vir a ser ponto de apoio para a implantação em municípios do interior de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Redes_Mesh" target="_blank">redes mesh</a> e/ou estrutura para transmissão de rádios comunitárias ou mesmo para o compartilhamento de web rádios e web tvs com base em rede de fibra ótica alocada ao longo desses sítios.</p>
<p>De acordo com o PL, as decisões estratégicas como essas aqui sugeridas são atribuição de um conselho cujos integrantes são representantes do governo estadual e da sociedade civil (meio a meio), com voto de minerva reservado para a Associação dos Municípios de Pernambuco &#8211; ou seja, até o voto de minerva é associativo. Ao conselho também caberá a possibilidade de destituir da diretoria.</p>
<p>Esse modelo foi estabelecido tendo em vista a EBC, mas também a escuta de várias entidades representativas da sociedade pernambucana por meio de três seminários e das contribuições feitas por carta, email, vídeo, pessoal,emte, sinais de fumaça, pombo correio, tambores. O aspecto coletivo e democrático de coleta de contribuições para a  escrita do Projeto de Lei deve ser observado por aqueles que resolverem criticar sem atenção e de forma maliciosa a proposta.</p>
<p>Também é bom observar, embora já me pareça claro pelo que escrevi nesse post até aqui, que a EPC não emerge como resultado de uma provocação do governo do Estado para que essas contribuições pudessem acontecer. Na verdade foi bem o contrário o que aconteceu. A demanda geral da sociedade brasileira, insatisfeita com a comunicação empresarial, e de maneira mais geral ainda com a indústria da intermediação, é que fez o governo do Estado se sensibilizar -  ainda que com atraso -, a tocar um projeto que atendesse às demandas já mencionadas.</p>
<p>Nesse sentido, a EPC foi pensada para funcionar prioritariamente como um canal de veiculação da produção social imaterial e simbólica que é gestada na sociedade. Produtoras colaborativas, pontos de cultura, associações comunitárias, sindicais, cineastas, estudantis etc. poderão e princípio <em>escoar</em> sua produção via TV Pernambuco, dentro dos padrões de aceitabilidade da comunicação pública.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://behance.vo.llnwd.net/profiles8/567747/projects/2008867/1a1e78f9c066e808857aef503f062a7b.jpg"><img class="aligncenter" src="http://behance.vo.llnwd.net/profiles8/567747/projects/2008867/1a1e78f9c066e808857aef503f062a7b.jpg" alt="" width="581" height="822" /></a></p>
<p><strong>2. Mais do que  uma articulação bem sucedida, a criação da EPC  sinaliza vários desafios que deverão ser enfrentados nos próximos meses e anos e que não dizem respeito solamente à EPC.</strong></p>
<p>De que forma o Estado poderá contribuir com a democratização das ferramentas institucionais de veculação de valores &#8211; estéticos, políticos, afetivos, culturais &#8211; sem sequestrar ou lotear tais ferramentas?</p>
<p>Como a sociedade civil organizada poderá influenciar politicamente as decisões dos governos de forma a alcançar esse intento?</p>
<p>As respostas a essas perguntas, no entendimento deste escriba, serão resultado de um aprendizado que só tem a amadurecer a nossa débil democracia. Isso é fácil? Não é fácil e a carga de responsabilidade maior recairá sobre a sociedade civil, que é a detentora das possibilidades de hegemonia nesse e em qualquer outro ponto.</p>
<p>Quais profissionais serão necessários para a efetivar uma comunciação pública, considerando que o modelo estabelecido de comunicação é baseado em profissionais formados nas escolas de comunicação e que esse modelo não atende mais (atendeu algum dia?) às demandas da sociedade, a sua virtuosa mistura e complexidades? Esse, aliás, não é um problema trivial. Ele aponta por exemplo para uma articulação com as escolas de formação de profissionais de comunicação e para a abertura a profissionais de outras áreas. A celebrada transmidiação e a perseguida comunicação pública não são exigências/necessidades que se atendem com o formato tradicional de se fazer mídias.</p>
<p>Embora esse seja um desafio e tanto, ele também representa uma possibilidade de diferenciação em relação ao que vem sendo feito pela mídia comercial. Mais que isso, transmidiação, comunicação pública e novos atores na produção também apontam para a possibilidade de veicular coisas de interesse público de formas criativas, interessantes e que permitam uma briga pela audiência.</p>
<p>Conseguir níveis bons de audiência deve ser uma busca constante porque sinalizará o recebimento, na ponta, de conteúdo pensados de forma coletiva para tender à coletividade, ao interesse comum. É fácild e fazer? Não. São poucas as experiências institucionais no Brasil que vêm conseguindo isso.</p>
<p>Ao mesmo tempo, o caminho até agora tem mostrado que essa virtuosidade é possível. A proposta de gestão e sua gestação estão em sintonia com essa possibilidade e poderá, quem sabe, representar uma referência para outras inciaitivas de TV pública noutros estados.</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://allanpeters.com/blog/wp-content/uploads/fortuneglobe.jpg"><img class="aligncenter" src="http://allanpeters.com/blog/wp-content/uploads/fortuneglobe.jpg" alt="" width="634" height="635" /></a></p>
<p><strong>3. Por fim, será interessante observar como os canais comerciais de comunicação reagirão à entrada de cena de uma empresa pública de comunicação. Até agora a mídia corporativa no Brasil inteirinho tem reagido de forma presunçosa, ignorante e conservadora (para dizer o mínimo) às propostas de mudança da legislação, à possibilidade de instauração de um conselho nacional de comunicação,  e a canais públicos. Além disso, o uso irregular de concessões públicas por alguns desses canais comerciais refletem o desrespeito à coisa pública por definição.</strong></p>
<p>E isso não será somente um aspecto a ser acompanhado, se não também um desafio. A votação e provável aprovação do PL que autoriza a criação da EPC não será suficiente. A partir daí os grupos que acompanharam, participaram e colaboraram precisarão chegar junto para consolidar a ideia de uma comunicação pública. E nesse sentido a ideia de um conselho estadual de comunicação poderá ser extremamente necessário pois tenderia a fortalecer e aglutinar e organizar a pressão pela crítica à mídia comercial e reforçar a necessidade de instrumentos públicos de comunicação.</p>
<p>O PL está em sintonia com o PL 116 e, talvez por isso mesmo talvez venha a <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/o-novo-modelo-da-televisao-brasileira" target="_blank">angariar reações á esquerda e à direita </a>também. Se a discussão for conduzida de forma democrática e acompanhada de forma atenta pela sociedade civil também será um elemento de fortalecimento de nossa democracia. E se não? Acho que não há alternativa. A criação desses instrumentos, as demandas da sociedade, as formas abertas de expressão, articulação e ação em rede exigem um debate sobre a economia política da comunicação num nível mais sofisticado, que supere interesses particularistas.</p>
<p>Esse post continuará em construção. Se tiver correções/colaborações/adendos comente ou mande um email.</p>
<p>Gracias</p>
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		<title>Rumo à era da cooperação?</title>
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		<pubDate>Sat, 10 Sep 2011 12:35:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[                                               Por Ricardo Abramovay*
A riqueza contida na Wikipedia, nos softwares livres, nas plataformas de compartilhamento musical ou no YouTube não se deve apenas aos extraordinários meios técnicos oferecidos pela conexão em rede de computadores e “smart phones” cada vez mais poderosos e baratos. O mais importante, e o que faz desses exemplos parte do processo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>                                               <em>Por Ricardo Abramovay*</em></p>
<p><em>A riqueza contida na Wikipedia, nos softwares livres, nas plataformas de compartilhamento musical ou no YouTube não se deve apenas aos extraordinários meios técnicos oferecidos pela conexão em rede de computadores e “smart phones” cada vez mais poderosos e baratos. O mais importante, e o que faz desses exemplos parte do processo de construção de uma nova economia, são seus fundamentos sociais, que não podem ser dissociados das normas éticas que lhes dão sustentação. Longe de um paroquialismo tradicionalista ou de um movimento alternativo confinado a seitas e grupos eternamente minoritários, a cooperação está na origem das formas mais interessantes e promissoras de criação de prosperidade no mundo contemporâneo. E na raiz dessa cooperação (presente com força crescente no mundo privado, nos negócios públicos e na própria relação entre Estado e cidadãos) estão vínculos humanos reais, abrangentes, significativos, dotados do poder de comunicar e criar confiança entre as pessoas. É daí que vem o título do mais recente livro de Yochai Benkler, professor de direito em Harvard, ganhador do prêmio da Associação Americana de Ciência Política por seu livro de 2006, The Wealth of Networks, e certamente um dos pensadores mais originais da atualidade.</em></p>
<p><em>Por um lado, o Leviatã exprime organizações hierárquicas (públicas ou privadas) apoiadas em duas premissas centrais: a primeira é a clara distinção entre quem manda e quem obedece, quem concebe e quem executa, quem cria e quem consome, quem oferece e quem assiste. A segunda premissa está na assimilação entre racionalidade e egoísmo: o mundo econômico, sob a ótica do Leviatã, funcionaria tanto melhor quanto mais os indivíduos seguissem sua inclinação, supostamente natural, para defender exclusivamente o que lhes convém, só levando em conta os interesses alheios dentro dos limites exigidos pela lei e por uma reciprocidade abstrata, em que não há laços imediatos de colaboração entre as pessoas.</em></p>
<p><em>Em contraposição à centralização totalitária do Leviatã não está o mercado e sim o Pinguim, ícone da criação pioneira do engenheiro e hacker finlandês Linus Torvalds, autor do Linux kernel, o mais importante sistema operacional de acesso livre e que revolucionou o mundo digital desde o início dos anos 1990. O Pinguim simboliza a cooperação humana direta, voluntária e gratuita, cuja principal recompensa está no sentimento de que as relações entre as pessoas são justas, estimulam sua inteligência, valorizam sua participação, ampliam seu conhecimento, apoiam-se na comunicação e abrem espaço para a resolução conjunta de problemas.</em></p>
<p><em>A assimilação entre racionalidade e egoísmo (um dos pilares do pensamento de Hobbes e de quase toda a ciência econômica) é contestada não por uma metafísica a respeito da natureza humana, mas a partir da pesquisa científica. Benkler mobiliza de forma fascinante e didática evidências empíricas e experimentais da biologia da evolução, da neurologia, da psicologia, da economia experimental, da sociologia das redes e da ciência política para trazer à tona o que a vida cotidiana revela e muitas vezes o conhecimento especializado esconde: as pessoas não só são muito mais cooperativas do que habitualmente a ciência econômica e o senso comum supõem, mas, sobretudo, os processos de cooperação fluem tanto melhor quanto mais se apoiam em relações humanas reais, na satisfação do reconhecimento mútuo, no respeito e na confiança.</em></p>
<p><em>Os exemplos são inúmeros e vão desde o paradoxo de sistemas de doação de sangue que funcionam melhor quando gratuitos (na Grã-Bretanha) do que quando pagos (nos Estados Unidos, até os anos 1970), até a organização industrial em que o crescimento das disparidades salariais e as formas de trabalho que inibem iniciativas dos operários (na indústria automobilística americana) conduzem a resultados desastrosos diante da inovação que caracteriza o sistema japonês, em que os executivos ganham menos e os trabalhadores têm voz no chão de fábrica.</em></p>
<p><em>O subtítulo do livro de Benkler (o triunfo da cooperação sobre o autointeresse), mais que uma utopia, mostra uma das mais importantes tendências das organizações contemporâneas, que se exprimem em três dimensões fundamentais.</em></p>
<p><em>A primeira é de natureza ética: os estudos e as experiências citadas no livro derrubam o mito de que as organizações funcionam melhor quando apoiadas estritamente em incentivos materiais. Ao contrário, o pertencimento, o sentimento de que as negociações são feitas sobre base visível, clara e equânime, o prazer do convívio, o intercâmbio de ideias, a capacidade de ouvir e o poder de falar são atributos decisivos de realização humana e, ao mesmo tempo, estimulam melhores resultados nas organizações.</em></p>
<p><em>Daí o segundo aspecto do triunfo da cooperação, este de natureza política: sistemas de incentivo baseados no aumento da comunicação entre as pessoas, no estímulo a suas iniciativas e na compreensão das situações em que se encontram funcionam melhor que recompensa e punição. Estes princípios nortearam, por exemplo, a polícia de Chicago e lideranças religiosas que conseguiram, por meio da participação social, melhorar a qualidade da vida em bairros até então dominados pela violência das gangues.</em></p>
<p><em>O triunfo da cooperação, terceira dimensão, está igualmente no cerne das mais importantes organizações privadas. Linux é usado hoje pela IBM e por inúmeras corporações, sem deixar de ser um sistema aberto. Ao mesmo tempo, plataformas originalmente voltadas a finalidades de bem público transformam-se em prósperos negócios, sem que isso as condene a abandonar as bases relacionais em que se apoiaram quando criadas.</em></p>
<p><em>A obra de Yochai Benkler é parte de uma revolução científica em que convergem revelações surpreendentes sobre os comportamentos humanos e formas inéditas de organização do Estado, dos negócios e da vida associativa. A cooperação direta, intencional, apoiada em normas sociais claras, mas nem por isso localistas ou provincianas, é o mais importante caminho para novas relações entre economia e ética.</em></p>
<p><em>A OBRA:</em></p>
<p><em>The Penguin and the Leviathan – How Cooperation Triumphs Over Self-Interest, de Yochai Benkler</em><br />
<em>À venda pela internet.</em></p>
<p><em>–</em><br />
<em>Ricardo Abramovay é professor titular do departamento de economia da FEA, do Instituto de Relações Internacionais da USP, pesquisador do CNP e da Fapesp (www.abramovay.pro.br). Este texto também foi publicado no Valor Econômico.</em></p>
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		<title>Convite para Ocupar uma Rádio no SPA das Artes Recife 2011</title>
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		<pubDate>Fri, 09 Sep 2011 18:00:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Aparecidos Políticos, grupo de arte  pública relacional com foco na arte ativista, convida a todos/as a  participarem da Intervenção Urbana pelo Ar no SPA das Artes Recife  (2011) entre os dias 14 a 16 de Setembro no Pátio de São Pedro.  Informamos também que estão abertas as inscrições para participantes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Os Aparecidos Políticos, grupo de arte  pública relacional com foco na arte ativista, convida a todos/as a  participarem da Intervenção Urbana pelo Ar no SPA das Artes Recife  (2011) entre os dias 14 a 16 de Setembro no Pátio de São Pedro.  Informamos também que estão abertas as inscrições para participantes de  uma oficina que faremos sobre Rádio Arte.</em></p>
<p><em>A ideia da </em><em>Intervenção Urbana pelo Ar é  fazer transmissões de rádio na frequência 103,5 FM com intuito de  ocupar uma parte do espectro midiático do centro de Recife. Queremos com  isso levantar questionamentos acerca do papel dos meios de  comunicações, seus oligopólios e práticas mercadológicas.</em></p>
<p><em>Já na oficina que será realizada no dia  16 de setembro, às 10h no Pátio de São Pedro, pretendemos fazer  discussões e produções a partir da relação entre rádio e arte. Além  disso, abordaremos temas como mídias alternativas, exemplos de rádios  livres e rádios arte no Brasil e no mundo, discussões técnicas e  políticas. A ideia também é que a partir da oficina saia um material  para se transmitido no dia.</em></p>
<p><em>A Rádio também está disponível para  receber e transmitir trabalhos ou ideias de artistas, coletivos,  transeuntes, poetas, músicos, andarilhos e quem já se cansou de ser  somente receptor de informações. Seja a mídia! Apropriação dos meios já!</em></p>
<p><em>Morador de Recife, sintonize na: 103,5 FM</em></p>
<p><em>Transmissões também na Internet: <a href="http://www.spreaker.com/page#%21/show/aparecidospoliticos" target="_blank">http://www.spreaker.com/page#!/show/aparecidospoliticos</a></em></p>
<p><em>Blog dos Aparecidos Políticos: <a href="http://www.aparecidospoliticos.wordpress.com/" target="_blank">www.aparecidospoliticos.wordpress.com</a></em></p>
<p><em>Entre em contato: <a href="mailto:alexzapa@riseup.net" target="_blank">alexzapa@riseup.net</a></em></p>
<p><em>Facebook: <a href="http://www.facebook.com/spadasartes" target="_blank">http://www.facebook.com/spadasartes</a></em></p>
<p><em><a href="http://www.spadasartes.org/site/wp-content/uploads/2011/09/programacao_spadasartes2011.pdf" target="_blank">Programação Completa do SPA das ARTES Recife 2011</a></em></p>
<p><em>O que é o SPA das Arte: </em><em>Evento  começa no dia 11 de setembro em Recife, no Museu Murillo La Greca, e  traz uma semana de intensa programação, incluindo exposições,  intervenções urbanas, lançamentos de livros, debates e oficinas para  esquentar o circuito de artes visuais.</em></p>
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