Archive for the 'Comunicação' category

José Pablo Feinmann – Página/12

O discurso que Cristina Fernández de Kirchner fez em 24 de agosto foi mais além do que tinham ido todos os discursos dos presidentes argentinos até hoje. Ninguém – nem sequer o primeiro Perón ou Evita – fizeram tal desconstrução da estrutura do poder na Argentina. De quê ela estava falando? Do poder nas sombras, do poder detrás do trono, do verdadeiro poder. Qual é? É o poder midiático. A direita não tem pensadores, tem jornalistas audazes, agressivos. E a mentira ou a deformação pura e plena de toda notícia é sua metodologia. O artigo é de José Pablo Feinmann.

A filosofia ocidental dos últimos 45 anos se equivocou gravemente. Para sair de Marx e entrar em Heidegger (como crítico excelente da modernidade, mas a partir de outro lado, que não o de Marx) se viu obrigada a eliminar o sujeito, tal como Heidegger o havia feito com inegável brilho no seu texto A época da imagem do mundo. Também Foucault deu o homem por morto. Barthes, o autor. Ao estilo. Deleuze, a partir de Nietzsche, a negatividade, ou seja: o conflito na história. E a academia norte-americana sistematizou tudo isso incorporando com fervor os heróis da French Theory. O fracasso é terrível e até patético. Enquanto os pós-modernos postulam a morte da totalidade, o Departamento de Estado postula a globalização. Enquanto propõem a morte do sujeito, o império monta brilhantemente o mais poderoso sujeito da filosofia e da história humana: o sujeito comunicacional. E esta – há anos que sustento esta tese que na Europa causa inesperado assombro quando a desenvolvo – é a revolução de nosso tempo.

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No final de semana, tomando uma cerveja em pé no Bar de Dona Maria – o único que abre fielmente de domingo a domingo no nobre bairro das Graças – ouvi de um senhor de cabelo e bigode brancos que “O Senador Marco Maciel é um diplomata. Aquele sim é um político”.

Lembrei da breve conversa com aquele senhor, 70, 75 anos, numa cadeira de balanço do chuvoso domingo passado, quando vi essa entrevista do senador da República Marco Maciel, publicada nesse 24 de agosto.

Acho essa entrevista particularmente feliz por permitir que o senador exponha a forma pela qual exercita sua forma particular de anulação e a desnecessidade da Política. Explico. A Política a que me refiro é o debate de idéias; é a atividade humana que nasce do desentendimento, do conflito, da cisania provocada por um demos que questiona a gestão dos corpos, dos lugares e da riqueza na vida social. O debate político nasce desse desentendimento em torno da distribuição dessas coisas.

Não me interessa se o Senador Marco Maciel tem interesse ou condições de discutir a emergência da Política nesses termos. O que interessa particularmente aqui é a ordem de seu discurso.

E o discurso do Senador Marco Maciel procura excluir qualquer possibilidade de encontro de idéias, de desentendimento: o desentendimento faz surgir não somente a política, mas as ordens ideológicas da ação social. E nesse processo o sujeito político se compromete, diz sim ou não claramente, se destempera, briga, esquece, cresce, diminui, aparece, negocia, entra em contradição necessariamente, é incoerente, efetiva sua condição de sujeito pensante.

Não é por outra razão que o Senador Marco Maciel se preocupa tanto em afastar a possibilidade de discordância ideológica com qualquer outro Senador que venha a ser eleito. É por essa razão que o Senador Marco Maciel afirma com tanta clareza que não é o senador por um partido, da oposição ou da situação, mas senador representante de Pernambuco e dos pernambucanos.

É precisamente a generalidade das afirmações uma das estratégias discursivas do apagamento da Política e consequentemente, da ação política ao longo da vida pública do senador. Das respostas dessa entrevista pode-se tirar algumas das frases mais anódinas e ao mesmo tempo exemplares dessa maneira de apagar o embate político e as posições assumidas nesse percurso:

  • “sempre conservei minhas convicções políticas, sempre tive muito cuidado com a ética no exercício das funções públicas”;
  • “Quem faz vida pública é sacerdócio e, consequentemente, tem que se dedicar inteiramente à tarefa que lhe foi confiada”;
  • “O político, o homem público, tem que ter uma visão plena do país e, de modo especial, do seu estado”;
  • “eu sempre tenho presente que a alternância e a rotatividade são pressupostos de uma sociedade democrática” – essa é uma das poucas afirmações anódinas do senador Marco Maciel que se presta à contestação, uma vez que o sentido da democracia não é a mudança no poder e sim a possibilidade de escolha, pela maioria, da melhor proposta de governo, levando-se em conta o conhecimento que o eleitor tem dos candidatos e seus grupo políticos, o que dizem pretender fazer e, principalmente, o que fizeram quando exerceram o poder. Nesse caso, como se sabe Marco Maciel foi um político sempre aliado dos governos e grupos políticos que se prestaram a servir ás condições de desigualdade, dependência externa e exploração sistêmica.
  • “elogio de boca própria é vitupério”;
  • “Eu me sinto realizado só de verificar que estou sendo útil a Pernambuco e ao seu povo”;
  • “Um dos predicados do político é a coerência”;
  • “é possível ser coerente se a pessoa se comportar de acordo com as exigências que a atividade pública requer”;
  • “A reforma política tem que ser feita em vários estágios para que nós possamos ter essas instituições a que Joaquim Nabuco se referia: instituições fortes, bem cravejadas, que venham assegurar a todos e a cada um a certeza de que vivemos em uma sociedade aberta, democrática e na qual todos se sintam devidamente representados”;
  • “Quando sou eleito, sou eleito senador. Não um senador de oposição ou de governo. Recebo um mandato popular e zelo muito pelo mandato popular”;
  • “O senador que for eleito terá que bem cumprir a sua função. Procurar servir da melhor forma ao seu país e às suas instituições”;
  • “Acho que a política exige muitas renúncias, muito trabalho, dedicação e, às vezes, correção de rumo ao verificar que o caminho que adotamos não é o melhor agora”;

Essas e outras frases poderiam compor um manual do político politicamente correto. Não é por acaso. É difícil discordar delas no geral. Elas dizem e calam no coração de muita gente – o senhor de cabeça branca, bigode branco e óculos embaçado do domingo, em sua admiração pelo porte de estadista do Senador se referia na verdade a ela por causa da dimensão inquestionável da fala.

Mas a fala é mais do que o dito e é preciso avaliar também o local de onde se fala. E nesse sentido a história de seus mais de 40 de vida pública confirmam vírgula a vírgula que o Senador Marco Maciel representa

“uma burguesia dependente, que luta por sua sobevivência e pela sobrevivência do capitalismo dependente, confundindo as duas coisas com a sobrevivência da ‘civilização ocidental cristã’. Em suas mãos, o individualismo egoístico, o particularismo agressivo e a violência ‘racional’só se voltam para um fim: a continuidade do tempo econômico da Revolução Burguesa, ou seja, em outras palavras, a intensificação da exporação capitalista e da opressão de classe, sem a qual ela é possível”, (Florestan Fernandes, A Revolução Burguesa no Brasil).

Sabemos entretanto, que o Senador Marco Maciel sempre se comprometeu com a ordem do poder institucionalizado vigente, seja ela qual for – e sabemos que apesar de nossa Constituição afirmar que todo poder emana do povo, sabemos também que no Brasil o poder dos extratos dirigentes

“se impõe sem rebuços de cima para baixo, recorrendo a quaisquer meios para prevalecer, erigindo-se a si mesmo em fonte de sua própria legitimidade e convertendo, por fim, o Estado nacional e democrático em instrumento puro e simples de uma ditadura de classe preventiva”, (Florestan Fernandes, A Revolução Burguesa no Brasil).

Há, por certo, quem considere essa uma postura defensável, embora eu não tenha competência para explicá-la ou defendê-la, felizmente. Ainda mais quando essa ordem do poder historicamente foi o agente da desigualdade social, da injustiça, do privilégio e da pobreza. Chico de Oliveira:

“A formação da sociedade brasileira, se a reconstituirmos pela interpretação de seus intelectuais demiúrgicos … é um processo complexo de violência, proibição da fala, mais modernamente privatização do público, interpretado por alguns com a categoria de patrimonialismo, revolução pelo alto, e incompatibilidade radical entre dominação burguesa e democracia; em resumo, de anulação da política, do dissenso, do desentendimento”, (Privatização do público, destituição da fala e anulação da política).

Um dos pontos mais batidos dessa ladainha é a correção de caráter, a postura de estadista, nunca ter se envolvido em corrupção, em desmando, roubalheira. na verdade essa não poderia ser adorada como bandeira ou elemento de diferenciação, é o mínimo a se esperar dos homens públicos num regime político representativo. Mas, também aqui, serve como estratégia de anulação da política, do choque de idéias, seja ele nos ambientes lesgislativos ou na sala de um apartamento onde houve essa entrevista.

Uma outra estratégia tradicionalmente usada pelo Senador Marco Maciel no sentido do apagamentoao final falar o que bem lhe aprover quando a coisa apertar. Isso todos os políticos e mesmo técnicos de governo fazem. De modo que não se pode considerar essa uma contribuição autêntica ou inédita ou inovadora à política brasileira. O futuro não vem de longe. Essa é uma afirmação anti-histórica.

Acho que as duas pessoas que entrevistaram o Senador Marco Maciel têm o mérito de procurar e insistir nas respostas, mesmo sabendo que elas não viriam – e nesse sentido sairam preparadas para o que iriam encontrar. Ma ssinto falta de que se entreviste o senador Marco Maciel com base em questões mais espionhsas. A ver…

Altamiro Borges

Organizações e movimentos sociais de vários estados divulgaram a lista de 78 resoluções consideradas prioritárias entre as mais de 600 aprovadas na 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom). Em 1º de julho deste ano cerca de 50 pessoas de vários estados brasileiros reuniram-se em Brasília para discutir ações e prioridades no cenário pós conferência. A lista divulgada agora reúne as resoluções da Confecom sem nenhuma alteração e absorve todos os eixos de discussão da conferência.

A avaliação dos movimentos em julho foi de que o alto número de propostas aprovadas na Confecom gera dispersão. Além disso, falta foco naquilo que seria mais importante de ser realizado a curto prazo e o que pode ser concretizado em mais tempo. O objetivo dos participantes do seminário foi criar uma contribuição para que o movimento de comunicação debatesse prioridades. Esse documento deve circular para novas adesões.

Enquanto isso, o governo começou a trabalhar mais efetivamente para dar encaminhamento às propostas da Confecom. Para isso, criou este ano um Grupo de Trabalho Interministerial para elaborar propostas de revisão do marco regulatório do setor. O grupo fez sua primeira reunião em 10 de agosto. Ainda não se sabe se a priorização feita pelas organizações sociais será considerada pela comissão do governo.

Prioridades

As 78 propostas prioritárias foram divididas em blocos temáticos. Os temas que tiveram mais propostas escolhidas foram os que têm resoluções referentes à formação e educação para a mídia e ao sistema público de comunicação. Cada um teve 17 propostas consideradas como prioridade. Já o bloco que contém assuntos relacionados a conteúdos, distribuição e arquivamento, propriedade intelectual, cinema e impressos possui cinco resoluções definidas como prioridade.

Entre as prioridades, estão propostas como: defender a necessidade de uma nova e democrática legislação para a imprensa; criação de conselhos de comunicação nas três esferas da federação; regulamentar o Artigo 223 da Constituição Federal, definindo os sistemas público, privado e estatal; estender a classificação indicativa já em vigor em programas de televisão aberta, cinema e jogo eletrônicos para as emissoras de TV por assinatura e para o rádio; e criação do serviço de banda larga a ser prestado em regime público, por meio de diversas tecnologias, com metas de universalização do acesso, metas de qualidade, controle de tarifas e garantia de continuidade.

Além de Luiza Erundina (PSB-SP), pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática, o seminário também contou com a co-realização da deputada Iriny Lopes (PT-ES), pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias, e de entidades da sociedade civil. O evento foi realizado na Câmara dos Deputados. Abaixo, o documento completo com as 78 prioridades:

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Hoje está sendo disparada uma campanha para se ajudar da forma como for possível as bibliotecas comunitárias do Grande Recife. A iniciativa tem entre seus agentes diversos blogueiros que atuam sobretudo no Recife. Estão disponíveis nos endereços abaixo depoimentos, artigos, contos, reportagens, vídeos, que procuram informar seus leitores sobre a importância da rede de bibliotecas populares na região metropolitana da capital pernambucana e orientá-los sobre como contribuir.

Quem quiser conhecer melhor o trabalho feito pelas bibliotecas, que vêm através de várias ações fortalecendo a prática da leitura e democratização do acesso ao livro em suas diversas modalidades: informativa, formativa e recreativa, como um direito humano, fundamental para o desenvolvimento pessoal, social e comunitário, é só acessar o endereço http://rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com. Mais informações pelos telefones 3244-3325 / 8850-5507.

Se um de vocês três que ainda lê esse blog se motivar a participar, a ajuda pode vir em forma de equipamentos, propostas de trabalho voluntário ou apoio financeiro. Para depositar qualquer quantia: Caixa Econômica Federal / Conta corrente número: 544-5 / Agência: 2193 / OP: 003.

Acho interessante e viável associar as bibliotecas comunitárias do Grande Recife não somente com o aspecto educacional e de aprendizado – coisa que geralmente se faz, com o devido valor e necessidade. Mas, se é verdade que a vida sem discurso e sem ação é literalmente uma vida morta para o mundo, deixando de ser vida humana (pois deixa de ser vivida por homens), as atividades das/nas  bibliotecas precisa ser entendida também em sua dimensão politica.

Até porque a política assim colocada e a educação são faces de uma mesma moeda.

A educação e o aprendizado são elementos fundamentais para a articulação das ferramentas que permitem a visibilidade e com ela a afirmação da existência. Hannah Arendt é que afirmava que o que garante o ser para o sujeito não é o pensamento, mas a sua visibilidade. Os espaços de sociabilidade e os mecanismos de educação/inserção que as bibliotecas representam fornecem ferramentas para se participar dos ambientes político sociais, de interagir e interferir sobre a sociedade.

As bibliotecas comunitárias exemplificam as formas não institucionalizadas da vivência da política, da afirmação do dissenso, da existência de parcelas da nossa comunidade que insistem em sua existência- e não somente das necessidades físicas que dessa existência brotam, mas também das necessidades da alma. Nem só de pão vive o homem.

Mais do que espaços de resistência, as bibliotecas populares, e também outras formas de afirmação política, são espaços de re-existência. De afirmação do novo, do belo, do livre.

Outros blogs participando

www.interblogs.com.br/homerofonseca
www.porqueeueumoutro.blogspot.com
www.bodega.blog.br
www.estuario.com.br
www.acertodecontas.blog.br
www.caotico.com.br
www.wellingtondemelo.com.br
www.cezarmaia.com.br
www.pebodycount.com.br
www.rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com
www.bpcoque.wordpress.com
www.palavraspontes.blogspot.com
www.escritoresetal.com.br
www.nospos.blogspot.com

Do site Ganesha.org

No dia 13 de maio de 2010, o Diário Oficial da União (DOU) publicou decreto estabelecendo as diretrizes básicas do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que pretende popularizar o acesso à internet de alta velocidade e, assim, contribuir com a diminuição das desigualdades sociais regionais. A meta do PNBL é, até 2014, estender a cobertura da banda larga – que hoje chega a 12 milhões de domicílios – a 40 milhões de brasileiros.

Trata-se de uma mudança que deve gerar profundas modificações na sociedade, tanto estruturais quanto comportamentais, e essa questão tem estimulado debates em diversas áreas.

Durante a 11ª edição do Fórum Internacional do Software Livre (FISL), que aconteceu de 21 a 24 de julho em Porto Alegre, James Görgen, da Secretaria do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura (MinC), destacou a intenção do Governo Federal em contar com a participação da sociedade civil e de representantes do mercado na construção do processo desse debate. Para isso, foi instalado, em junho, o Fórum Brasil Conectado, formado por 56 entidades, que será a interface através da qual governo e sociedade civil estabelecerão o diálogo com objetivo de nortear as ações a curto, médio e longo prazo que definirão o PNBL.

“O Plano terá 6 dimensões, que devem prever desde normas, regulação e infraestrutura, até conteúdo e aplicações. Algumas das ações a curto prazo, como a reativação da Telebras e o plano inicial para a instalação da banda larga em 100 cidades do Brasil, já estão em curso. Para médio e longo prazo são previstas ações relacionadas a conteúdo e aplicações”, explicou James, acrescentando que esse é o momento ideal para que as sugestões da sociedade sejam encaminhadas ao Fórum Brasil Conectado.

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A notícia de que o Brasil está entre os dez países que mais acessa redes sociais precisa ser avaliada nas entrelinhas. Os dados do IBOPE, levantados na parceria com a rede de pesquisas WIN, precisariam ser destrinchado melhor para se avaliar se, como suspeito, o uso dessas redes é tutelado. Infelizmente os dados da pesquisa são comercializados e eu deixei a carteira em casa.
De qualquer forma, chama atenção a afirmação de que o Brasil está entre os 10 países que mais acessam redes sociais – ao lado da Índia (primeiro lugar), que vem seguida por Sérvia, Coréia do Sul, Rússia, Espanha, China, Turquia, Romênia e Itália. Pela pesquisa, 87% dos internautas brasileiros acessam redes sociais. A tendência é isso crescer, já que ainda segundo a pesquisa 20% da população pretende entrar no mundo das redes sociais num futuro próximo.  Outrso dados liberados pelo IBOPE:

83% dos usuários brasileiros foram atraídos pelos serviços por razões pessoais. E aqui cabem algumas perguntas, que só poderiam ser respondidas se tivesse mais dados em mãos: que razões? De trabalho, de busca de informação?, procura por canais alternativos de comunicação? diversão? lazer? relacionamento?
33% usam esses serviços por motivos profissionais. Quais motivos exatamente? O facebook é usado nesses casos como ferramenta de trabalho, de busca de informação, é usado como ferramenta institucional? e os outros?
As principais atividades desenvolvidas nas redes sociais, segundo a pesquisa, são ver mensagens/navegar (98%), conversar (76%) e atualizar o próprio perfil (76%). Mas em que condições? Qual o nível do envolvimento pessoal/profissional/afetivo dessas atividades?
Esse trecho eu peguei do site do IBOPE:
A região Nordeste apresenta um índice de uso pessoal das redes sociais (90%) maior do que outras regiões como o Sudeste (85%), por exemplo.  Esta diferença deve-se ao perfil daqueles que acessam a principal rede, o “Orkut”: mulheres, jovens, com menor grau de instrução, de classes CDE e residentes em municípios menores (com menos de 100 mil habitantes) e mais distantes (interior e periferias).  “Este perfil sugere que as redes sociais estão efetivamente cumprindo o papel de inclusão e socialização”, avalia Laure Castelnau, diretora executiva de marketing e novos negócios do IBOPE Inteligência.

Acho que os dados chamam a atenção e novamente afirmo que precisariam ser melhor analisados. Sobretudo para ver se realmente as redes sociais cumprem esse papel de inclusão e de socialização. De cara eu diria que as redes, como ferramentas, não cumprem papel nenhum. São ferramentas. Essas possibilidades de “inclusão” e de “socialização” só acontecem por meio de agenciamentos, de processos e de afetos relacionados a Tecnologias de Informação e Comunicação. O uso do instrumento não garante essa inserção “no mundo”, porque seu uso pode muito bem ser alienado e contribuir ainda mais para a consolidação de estigmas, de ignorância, etc.

Gentileza Fundación OSDE

Expertos de la comunicación, investigadores, periodistas, los cholulos de siempre y algunos figurones inclasificables componían el auditorio que en la sede porteña de la Fundación Osde se disponía a escuchar al sociólogo español Manuel Castells. Entre todos, tal vez haya sido Gustavo Grobocopatel, el hombre estigmatizado con el título de rey de la soja, quien recibía la mayor cantidad de saludos y agradecimientos por su presencia a esta ponencia magistral sobre Comunicación y poder en la sociedad red, un tema con el que viene coqueteando casi tanto como con su banda de folklore que podría llamarse Los Grobo pero se llama Cruz del sur. Sabiamente puntual, el antropólogo Alejandro Grimson, se encargó de subir al pedestal al orador de la noche. Contó rápido que Alain Touraine había sido su mentor y que Castells estaba entre los cinco teóricos sociales más referenciados de los últimos tiempos, a la par de figuras como Habermas, Giddens, Sassen y Beck. Mencionó varias veces a su archiconocida trilogía La era de la información pero dejó claro que Castells llegó a Buenos Aires para presentar su último trabajo, Comunicación y poder, un texto todavía no editado en la Argentina que, según su autor, es el resultado de una investigación que le llevó diez años. De resultado incierto, diría el propio Castells, ya que “tan pronto como se seca la tinta empiezo a cambiar de idea”.

Bien informático, Castells arrancó diciendo que “en las relaciones de poder se encuentra el código fuente de cualquier sociedad”. Y habló de una dialéctica, que no es la materialista en términos marxistas por cierto, pero es la que para él encierra el debate principal sobre estos tiempos. Cien por ciento gramsciano, el sociólogo definió: “Donde hay poder hay contrapoder, donde hay dominación hay resistencia”. Y explicó luego que de esas relaciones surgen compromisos parciales que generan cambios y nuevas normas. Nada nuevo hasta allí. Apenas algo de contexto para aclimatar la dirección de su charla. “El poder es una relación, no se lo toma”, avisó entonces categórico, aunque sobren ejemplos de que una cosa no impida la otra. “Ese poder, esa capacidad relacional se usa para influenciar y defender los valores e intereses del empoderado. Y de allí surge la batalla para influenciar nuestras mentes”, esbozó.

Habló Castells de las dos vías para ostentar ese poder, a través del monopolio de la violencia o a través de construcción de significados. “Si no te convenzo, te mato”, graficó. Una violencia e intimidación que puede construir tanto adhesión como resignación. Otra vez calcó la definición de hegemonía de Gramsci para quien el poder de las clases dominantes sobre las clases sometidas en el modo de producción capitalista no está dado solo por el control de los aparatos represivos del Estado sino fundado en la “hegemonía” cultural que las clases dominantes logran ejercer a través del control del sistema educativo, de las instituciones religiosas y de los medios de comunicación. Esos mecanismos consensuales de la dominación burguesa han entrado en una nueva etapa según Castells. No es que hayan desaparecido pero ahora se definen cada vez más en la sociedad red.

Suficiente contexto para que Castells se lanzara con todo su peso sobre el tema que lo trajo aquí. “El poder en la sociedad red es multidimensional y todas esas dimensiones dependen del sistema de comunicación”, arriesgó. Algo así como decir que los intentos de cambio social y político dependerán casi exclusivamente de la posibilidad de transformar ese sistema de comunicaciones. Se basa en la teoría de la inteligencia afectiva Castells para avisar de los riesgos que implicaría perder las batallas de la comunicación. Batallas que sólo pueden llevarse a cabo si conservamos esos terrenos comunales que son las redes de comunicación que Internet ha hecho posible . La tarea no es sencilla. Ya lo viene advirtiendo Richard Stallman con un activismo más extremo desde hace años. Quienes ostentan el poder en la sociedad red buscan cercar la comunicación mediante redes comercializadas y/o vigiladas con el fin de cerrar la mente pública programando la conexión entre comunicación y poder. Algo que ya hicieron en el mundo real, plusvalía mediante. Pero que ahora la suma de individuos con espíritu colaborativo puede torcer en el mundo virtual. ¿Puede?

El éxito en Internet, que todavía es un espacio libre pero no tan libre al decir deDerrick de Kerkhove, muchas veces está ligado a impulsar la autonomía ciudadana. Castells sitúa entre estos impulsores a compañías como Google o Facebook. Y no porque sean seguidores de Stallman, sino porque ése es su negocio. “Google vende libertad. Si no lo hace, mañana aparecen dos chicos que crean un nuevo Google y le quitan la audiencia”. Para Castells, en este sentido la competencia sigue siendo amplia y abierta. Menos democráticos y abiertos, son los operadores, que según el sociólogo (varios ejemplos le dan la razón) buscan acabar con esa neutralidad. “Quieren cerrar las tierras comunales, ese es el gran problema”, dice Castells. Todo un atentado contra la preservación de las libertades. (Bastaría citar el caso de Filadelfia, que reculó con su wifi gratuito ante el asedio de los operadores) Y luego Castells insistirá con algo que ya ha repetido mil veces: “Los gobiernos odian Internet”. Aunque más tarde sea menos categórico cuando sostengan que, en realidad, lo que todos los gobiernos se preguntan, es cómo controlarla. Y allí usan los latiguillos de siempre. Hay que proteger a los niños, bloquear tal o cual cosa. ¿Por qué no protegen a los niños de verdad? ¿Qué hacen contra el hambre, la miseria? “Los gobiernos tienen perdida la batalla, dice Castells. Pueden matar al mensajero, pero al mensaje no”

Y esa es una de las claves de lo que Castells llama autocomunicación. Un modo desintermediado de producir, acceder y compartir mensajes. Por oposición a los medios y basado en las redes sociales. No es que lo mediático haya desaparecido, todavía es a ése formato que debe adaptarse el lenguaje de la política. Para Castells los partidos políticos siguen siendo importantes, pero tienen que contar con un líder y necesariamente deben pasar por los medios. Medios que, por lo general cuando quieren destruir o generar desconfianza apelan a la política del escándalo. Una política que se basa en armas tales como la investigación opositiva, que se ha vuelto una industria, o en el latiguillo de que en la política todo el mundo está financiado ilegalmente. Según Castells esa política del escándalo está produciendo efectos variables. Y desde hace un tiempo, a las crisis de legitimidad o a la desconfianza generalizada, que suelen ser los efectos buscados, se opone lo que Castells llama fatiga del escándalo, un efecto colateral por el que todos aparecen como igualmente corruptos. “Como todos son iguales, yo me quedo con mi mentiroso, que es más simpático”. Frente a este desgaste de la relación entre comunicación y poder, una verdadera crisis de legitimidad, surgen estas formas que Castells llama Autocomunicación.

Un concepto para el que obviamente Internet y los dispositivos móviles serán claves y dónde las redes sociales son, hoy, el pilar de esa comunidad. “Twitter es fantástico para hacer la revolución, pero cuando hay que explicar el programa revolucionario nos vamos a Facebook”, dice Castells. ¿Puede alguien creer que la revolución vendrá a partir de estas herramientas tecnológicas, de las comunidades que se arman a través de ellas? ¿Siendo Twitter y Facebook empresas, qué clase de revolución permitirían? En realidad, lo que Castells sugiere es que las redes sociales, llámense como se llamen, están abiertas tanto a los activistas como a los ideólogos. Y que lentamente vamos a un proceso de desintermediación comunicativa. La sociedad sería entonces capaz de automediatizarse dando fin a los monopolios. O desbaratando cualquier tipo de intento por tergiversar la información. Castells rescató para ilustrarlo un ejemplo bien conocido, cuando el PP de Aznar buscó adjudicarle los atentados de Atocha en Madrid a ETA para ganar tiempo en las elecciones que finalmente perdió cuando se supo había sido Al Qaeda.

Confía en una autocomunicación de masas Castells. En una sociedad dispuesta a producir cambios. Y no cree para nada en las segmentaciones forzadas que hablan de mundos virtuales y reales. “No hay separación, todos vivimos en un híbrido. Todo lo que hacemos es virtual y a la vez físico“, dice el sociólogo. Y agrega: “El debate se hace cada vez más por Internet, pero el compromiso se manifiesta en la calle. Aunque también se puedan cortar calles en Internet”. De allí la importancia de defender ese espacio público híbrido, fundamental en todas las sociedades. Pero el salto, para Castells, está en ese paso de la esfera institucional a la comunicativa. “El poder se debate y se lucha en las redes sociales”, dice Castells. ¿Volverán las ideologías a estar en debate por sobre la política del escándalo? El mensaje de Castells suena posmoderno a veces, pero él mismo le cede la palabra a la inteligencia colectiva, colaborativa. En pro de la confianza mutua, la liberación de los internautas será obra de los internautas mismos… Ya lo dijo alguien, ¿no?

A ilustração acima é de Dave Plunkert.

Por que apoiamos Dilma?

Resposta simples: porque escolhemos a candidatura melhor

Mino Carta, Revista Carta Capital


Guerrilheira, há quem diga, para definir Dilma Rousseff. Negativamente, está claro. A
verdade factual é outra, talvez a jovem Dilma tenha pensado em pegar em armas, mas nunca chegou a tanto. A questão também é outra: CartaCapital respeita, louva e admira quem se opôs à ditadura e, portanto, enfrentou riscos vertiginosos, desde a censura e a prisão sem mandado, quando não o sequestro por janízaros à paisana, até a tortura e a morte.

O cidadão e a cidadã que se precipitam naquela definição da candidata de Lula ou não perdem a oportunidade de exibir sua ignorância da história do País, ou têm saudades da ditadura. Quem sabe estivessem na Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade há 46 anos, ou apreciem organizar manifestação similar nos dias de hoje.

De todo modo, não é apenas por causa deste destemido passado de Dilma Rousseff que CartaCapital declara aqui e agora apoio à sua candidatura. Vale acentuar que neste mesmo espaço previmos a escolha do presidente da República ainda antes da sua reeleição, quando José Dirceu saiu da chefia da Casa Civil e a então ministra de Minas e Energia o substituiu.

E aqui, em ocasiões diversas, esclareceuse o porquê da previsão: a competência, a seriedade, a personalidade e a lealdade a Lula daquela que viria a ser candidata. Essas inegáveis qualidades foram ainda mais evidentes na Casa Civil, onde os alcances do titular naturalmente se expandem.

E pesam sobre a decisão de CartaCapital. Em Dilma Rousseff enxergamos sem a necessidade de binóculo a continuidade de um governo vitorioso e do governante mais popular da história do Brasil. Com largos méritos, que em parte transcendem a nítida e decisiva identificação entre o presidente e seu povo. Ninguém como Lula soube valerse das potencialidades gigantescas do País e vulgarizá-las com a retórica mais adequada, sem esquecer um suave toque de senso de humor sempre que as circunstâncias o permitissem.

Sem ter ofendido e perseguido os privilegiados, a despeito dos vaticínios de alguns entre eles, e da mídia praticamente em peso, quanto às consequências de um governo que profetizaram milenarista, Lula deixa a Presidência com o País a atingir índices de crescimento quase chineses e a diminuição do abismo que separa minoria de maioria. Dono de uma política exterior de todo independente e de um prestígio internacional sem precedentes. Neste final de mandato, vinga o talento de um estrategista político finíssimo. E a eleição caminha para o plebiscito que a oposição se achava em condições de evitar.

Escolha certa, precisa, calculada, a de Lula ao ungir Dilma e ao propor o confronto com o governo tucano que o precedeu e do qual José Serra se torna, queira ou não, o herdeiro. Carregar o PSDB é arrastar uma bola de ferro amarrada ao tornozelo, coisa de presidiário. Aí estão os tucanos, novos intérpretes do pensamento udenista. Seria ofender a inteligência e as evidências sustentar que o ex-governador paulista partilha daquelas ideias. Não se livra, porém, da condição de tucano e como tal teria de atuar. Enredado na trama espessa da herança, e da imposição do plebiscito, vive um momento de confusão, instável entre formas díspares e até conflitantes ao conduzir a campanha, de sorte a cometer erros grosseiros e a comprometer sua fama de “preparado”, como insiste em
afirmar seu candidato a vice, Índio da Costa. E não é que sonhavam com Aécio…

Reconhecemos em Dilma Rousseff a candidatura mais qualificada e entendemos como injunção deste momento, em que oficialmente o confronto se abre, a clara definição da nossa preferência. Nada inventamos: é da praxe da mídia mais desenvolvida do mundo tomar partido na ocasião certa, sem implicar postura ideológica ou partidária. Nunca deixamos, dentro da nossa visão, de apontar as falhas do governo Lula. Na política ambiental. Na política econômica, no que diz respeito, entre outros aspectos, aos juros manobrados pelo Banco Central. Na política social, que poderia ter sido bem mais ousada.

E fomos muito críticos quando se fez passivamente a vontade do ministro Nelson Jobim e do então presidente do STF Gilmar Mendes, ao exonerar o diretor da Abin, Paulo Lacerda, demitido por ter ousado apoiar a Operação Satiagraha, ao que tudo indica já enterrada, a esta altura, a favor do banqueiro Daniel Dantas. E quando o mesmo Jobim se arvorou a portavoz dos derradeiros saudosistas da ditadura e ganhou o beneplácito para confirmar a validade de uma Lei da Anistia que desrespeita os Direitos Humanos. E quando o então ministro da Justiça Tarso Genro aceitou a peroração de um grupelho de fanáticos do Apocalipse carentes de conhecimento histórico e deu início a um affair internacional desnecessário e amalucado, como o caso Battisti. Hoje apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff com a mesma disposição com que o fizemos em 2002 e em 2006 a favor de Lula. Apesar das críticas ao governo que não hesitamos em formular desde então, não nos arrependemos por essas escolhas. Temos certeza de que não nos arrependeremos agora.

Chegou a hora de entregar a Proposta de Gestão da TV Pernambuco. O Grupo de Trabalho convida todos que acompanharam e participaram desta construção para o encontro com o Governo do Estado, nesta segunda-feira, 05, às 14h, na Secretaria de Ciências, Tecnologias e Meio Ambiente (Sectma), no bairro do Recife Antigo. “É importante a presença de todos neste momento. É preciso mostrar o interesse da sociedade civil, pois estamos escrevendo uma história inédita na comunicação de Pernambuco. Contamos com a presença de cada pessoa que colaborou com ideias e que já faz parte deste movimento”, afirma o atual Diretor Geral da tevê, Roger de Renor.

“Depois de tanto debater e encontrar um modelo que acreditamos ser ideal para a gestão pública de um veículo de comunicação, esperamos que o Governo considere nossos argumentos e reinvidicações, para que finalmente a nova TV Pernambuco seja construída solidamente”, explica Roger. O encontro é aberto ao público e será realizado na sala de reunião da Sectma, localizada na Rua Vital de Oliveira, nº 32, Recife Antigo.

A Sectma fica em frente ao Quartel da Marinha, próximo à Praça do Arsenal. Quem recebe o documento é o secretário Ricardo Leitão, representando o Governo do Estado, na ocasião.

CADA VEZ MAIS FORTE Todas as ações já desenvolvidas pela nova equipe gerencial da emissora revelaram um sólido compromisso com a comunicação do estado. O novo perfil de gestão adotado dentro da tevê, as mudanças tecnológicas na melhoria da qualidade de transmissão, os diálogos realizados no âmbito  de uma nova grade de programação a ser adotada dentro da TVPE resultou num reconhecimento nacional e fez com que a TV Pernambuco fosse aceita, por unanimidade, como a nova associada à Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec).

“Finalmente Pernambuco está caminhando para o que de fato deve ter uma tevê pública. Ser aceito como parte integrante da Abepec significa um avanço em anos-luz de um trabalho que deveria ter sido feito há muito tempo”, defende Roger. “Com certeza a TVPE vai manter o respeito à sociedade brasileira, pois todo mundo merece ter acesso à uma programação de qualidade para enriquecimento do conhecimento. Este é o nosso compromisso com Pernambuco’, finaliza. Em resposta à essa nova fase de consolidação da comunicação pública, o estado será a sede do próximo Encontro de Tevês Públicas do Nordeste, realizado agora no mês de julho.

GT da TVPE entrega Proposta ao Governo do Estado de Pernambuco Data: Segunda-feira, dia 5. Hora: 14h. Local: Rua Vital de Oliveira, nº 32 – Bairro do Recife (em frente ao Quartel da Marinha, próximo à Praça do Arsenal). Fone: (81) 3183.5560

Existe alguma coisa de improvável na escrita de uma tese. Esse nome que a pompa da academia resolveu dar em algum momento ao resultado de uma investigação, que é feita com certos pressupostos e dentro de algumas regras – como aliás, toda investigação é feita. A improbabilidade é mais real, palpável e cheirosa entre a metade e o término do tempo que lhe deram: uma costura de impossibilidades que o sujeito tem que chamar de ‘meu trabalho’ é um fio tênue com o qual se agarra o doutorando e, de fora, nada parece que vai se arrumar.

É claro que isso ão é geral. Assim como esse blog não se pretende geral, nem eu sou geral. No geral, ninguém é geral para ninguém. E o geral em geral é ‘em  geral’… Mas tergiverso.

O fato é que aquela arquitetura que ao final parece tão fechadinha, tão bem resolvida, como os sociólogos que parecem ter nascido sociólogos, esconde uma cadeia de gambiarras, de maquinações, de solvências, de mapas, arranjos, planos, rampas, estiligues, cordas de nylon, baldes, tintas, relógios, alçapões, pianos e violinos, bigodes e escaramuças, vontades e dormências, um jogo de dominó que não acaba durante quatro anos, botinas, macacões de trabalho, óculos de proteção, martelos, pregos, serrotes, machados, alicates, fios, pêndulos, roldanas, pontes, aritmética e álgebra e um pouco trigonometria.

Quando do meio pro fim você percebe que é possível tirar alguma melodia desse entulho de possibilidades, quando finalmente você vê ali no fundo uma possibilidade de que a peça se estique até o arco e dispare um solfejo colorido; quando você finalmente vê que poderá logo logo tomar uma cerva no sábado à tarde sem culpa, você enche o peito de novo e diz:

Ok, go.

Esse blog entra agora de férias por tempo determinado.