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Archive for the 'Comunicação' category

Por Michelle Chen, no In These Times | Tradução: Daniela Frabasile

Com culpado prazer, a grande mídia nos está servindo um cardápio de razões para desprezar o império midiático de Rupert Murdoch. Em meio à confusão mal-cheirosa, no entanto, não se deveria esquecer que por baixo de qualquer magnata da mídia, apesar de podre, existe uma empresa de pessoas reais – uma cultura de trabalhadores que representam o estado trágico e conflagrado do jornalismo atual. As violações éticas que estão sendo reveladas refletem corrupção de cima a baixo. Ainda mais importante, a criminalidade instala-se em uma cultura corporativa de laissez faire vulgar, na qual honestidade e pensamento crítico são descartados e vistos como um impedimento ao sucesso comercial.

A espionagem e suborno apontados são apenas sintomas extremos da metástase que atinge toda a mídia. Ouçamos os ex-empregados que falaram com a Reuters sobre o santuário secreto do conglomerado de Murdoch – a News Corp – conectando diretamente o clima implacável da redação com o abandono da ética.

“Um quinto ex-empregado da News International, que trabalhava com jornalistas do News Of the World, afirma que seus repórteres estavam sob ‘pressão fenomenal, inacreditável’. Eram tratados com dureza por chefes que os insultavam aos gritos. Os jornalistas eram movidos pelo medo de falhar. Temiam a demissão, se não conseguissem histórias regularmente. Isso levava a uma competição rude si mesmos.

“Repórteres relatam que viviam sob medo constante de disputas internas, que eliminavam os que encontravam menos histórias. ‘Estavam sempre tentando se livrar de pessoas, porque o trabalho massacrantes. A situação ideal era trabalhar insanamente nos primeiros seis meses, e permanecer no emprego por mais seis’, diz um repórter do noticiário geral. ‘A cada minuto, você sentia que seu empregador o odiava’”

Ainda mais perturbador é saber que a “espionagem em contas de e-mail ou a obtenção de registros de chamadas telefônicas era, inicialmente, uma medida para contenção de custos.” Visava encontrar furos rapidamente, de forma barata. Ou seja, a pressão por maximizar lucros contribuiu diretamente para a corrupção de práticas de reportagem.

O comentarista de mídia George Snell analisa essa mentalidade de fazer ou morrer:

Atualmente, a pressão sobre os jornalistas é enorme. A indústria ainda não se recuperou do grande colapso da mídia em 2008-09, quando mais de 30 mil jornalistas foram demitidos. Houve mais de 2.800 demissões no ano passado e mais de 1.000 cortes nesse ano, de acordo com o Paper Cuts, serviço que acompanha as demissões em jornais. Isso significa que menos jornalistas – com menos experiência – estão trabalhando mais.
“A tecnologia, principalmente na internet, fez crescer ao extremo a pressão dos prazos. Esqueça os fechamentos diários ou até mesmo a cada hora: as notícias estão sendo publicadas a cada segundo, todos os dias”.

Snell conclui com uma questão crua: “com todos esses fatores ampliando a pressão sobre os jornalistas tradicionais, há alguma dúvida de que alguns estão utilizando práticas antiéticas e desleais? O escândalo da News of the World é uma anomalia ou um prenúncio de uma nova era de jornalismo marrom?”

Na era do copia-e-cola, apesar do crescimento do jornalismo cidadão e outros movimentos da mídia alternativa, ética profissional e qualidade parecem cada vez mais escassos, em parte porque a força de trabalho está se desintegrando, nos poucos conglomerados que dominam o setor. Isso não é uma novidade na Fortaleza Murdoch: na década de 1980, o the tablóide magnata ultrajou os sindicatos britânicos da mídia, deslocando a impressão de seus jornais para uma empresa não submetida às normas sindicais em Wapping, leste de Londres. Isso abriu uma disputa trabalhista enorme, rlatada pelo jornalista Ian Griffiths em um artigo publicado no The Observer, em 2006.

A decisão de imprimir os jornais em Wapping não foi apenas uma forma calculada, cínica e inteligente de afirmar de modo radical o direito do capitalista a gerir a empresa segundo seus próprios interesses. Foi também a oportunidade de provocar os jornalistas a um confronto desejado pelo patrão, nocauteá-los e colocá-los em seu lugar de uma vez para todas.

A atitude crua não é apenas uma decisão empresarial interna, é claro. Ela espelha uma opção editorial. Matérias idoeologicamente carregadas, que demonizam os sindicatos e os pobres saem constantemente nos jornais da News Corp – especialmente na Fox News e no New York Post (ao assumir seu controle, Murdoch, também demitiu diversos jornalistas ligados ao sindicato).

Aqui, a história se repete. Num artigo profético sobre a concentração da mídia (escrito antes de um tsumani de desregulação do setor, nos Estados Unidos), o estudioso de ética jornalista John McManus notou:

“Quanto maior o megafone, maior o perigo de que um proprietário possa controlar amplos segmentos da opinião pública, sufocando opiniões opostas. Murdoch, controlador da FoxTV, e da NewsCorp, a maior produtora mundial de jornais, alterou a orientação política do jornal de maior circulação na Inglaterra – o The Sun. A publicação aliava-se aos trabalhistas e bandeou para os conservadores depois de comprada, em 1974. Em consequência, uma parcela expressiva dos eleitores britãnicos recebeu nove páginas de artigos anti-trabalhistas às vésperas das últimas eleições – inclusive um entrevista com um “parapsicóloco”, para quem Mao Zedong, Adolph Hitler e Joseph Stalin apoiavam, de suas tumbas, o candidato do partido.

Enquanto marginalizava e manipulava as pessoas comuns, o monopólio midiático de Murdoch alimentou a expansão de círclulos de influência incestuosos na classe política britânica. Conforme apontou o estudioso de mídia Jay Rosen, “seu neógico principal não é a notícia. É o tráfico de influência”.

Mas mesmo que os jornais tenham se tansformado em simples ferramentas para tráfico político, os jornalistas converteram-se em vítimas. O fato mais importante por trás do Murdoch é que as pessoas mais atingidos pela corrupção, dentro e fora da News Corp, são trabalhadores comuns, que sofreram abuso de um ethos organizacional moldado segundo os interesses da corporação.

Aqui está um do escândalo sobre o qual os jornais ainda não se detiveram: se a corrupção na imprensa está enraizada na cultura, a mudança cultural precisa começar no local de trabalho e significa dar voz aos jornalistas.

Donnacha Delong, presidente da União Nacional dos Jornalistas (NUJ), escreveu no Guardian que se os trabalhadores do News of the World tivessem efetiva representação sindial, a entidade poderia ter intervido, como árbitro ético, para mudar as relações entre trabalho e gerência. Mas Murdoch manteve a NUJ “afastada da News International”

Um sindicato bem organizado pode ser um contrapeso ao poder dos editores e proprietários e limitar seus excessos. O coletivo pode enfrentar o estresse e as atitudes de bullying e evitar que os jornalistas se desesperem. Agora, estamos todos na parede. A concentração da mídia, a pressão esmagadora da indústria de notícias e a tendência ao fuxico, para contentar os anunciantes, estão corroendo jornalismo por dentro. As promessas de inovação da era digital estão sendo sufocadas, na mídia tradicional, por um modelo de negócios que trata a informação como mero produto”.

A partir das manchetes dos últimos dias seria possível refletir sobre algo: não são mercadorias nem a informação, nem o trabalho dos que lutam todos os dias para manter a imprensa livre.

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Por Silvio Miele, do jornal Brasil de Fato

Um dos marcos da virada empresarial do jornalismo foi a introdução da imprensa rápida, em 1814, pelo diário londrino The Times, que, ironicamente, foi incorporado em 1981 pela News Corporation Group, império do megaempresário australiano/estadunidense Rupert Murdoch.

Pouco depois, a partir de meados do século 19, teve início uma fase de acumulação primitiva da indústria cultural, através do crescimento exponencial da imprensa, da publicidade e da produção do espetáculo, áreas que foram se articulando num mercado gigantesco, cada vez mais concentrado e monopolizado, precursor do atual complexo de entretenimento global.

Pulemos do século 19 para a recente explosão do escândalodas gravações ilegais utilizadas pelo tabloide britânico News of the World, propriedade do próprio Murdoch. Afinal, qual a novidade no fato de um veículo da mídia liberal burguesa estabelecer relações promíscuas com o governo e com a polícia de plantão?

A resposta nos obriga a voltarmos ao século 19. A reportagem sempre andou de mãos dadas com o formato policialesco do interrogatório e a linguagem jurídica do inquérito. Mas, além disso, desde que o jornalismo transformou-se em negócio (os primeiros grandes jornais foram fundados entre 1780 e 1880) e a informação passou a virar uma commodity, a fronteira entre imprensa, governos e corporações se esfumaçou de vez. Em nome da transparência, da iluminação da verdade e do livre mercado, jornais violaram privacidades, tramaram contra movimentos coletivos e traficaram interesses escusos ao longo dos últimos séculos.

Nesse contexto, o escândalo da mídia britânica — que inclusive envolveu a escuta de familiares do brasileiro Jean Charles de Menezes, assassinado no metrô pela polícia londrina em 2005 — não representaria nada de muito novo mesmo, exceto por um motivo. Vindo de onde veio, sua simbologia configura, pela riqueza de detalhes e pelo vínculo carnal com o poder institucional, o enterro simbólico da era do jornalismo liberal tal como o conhecemos. E isso não é pouca coisa.

Nos últimos dias, um certo rebuliço instaurou-se entre os defensores de Murdoch e de sua lógica, inclusivea partir de muitos analistas brasileiros que andaram repercutindo um texto do articulista Roger Cohen (publicadona edição de 12 de julho do New York Times), onde pode-se ler a seguinte pérola: “Esse homem (referindo-se a Murdoch) é uma força da natureza, e suas incansáveis inovações têm sido, em equilíbrio com as ressalvas, boas para a mídia e para um mundo mais aberto”.

No fundo, o temor preventivo dessa estrutura que domina a mídia global é que o escândalo potencialize os movimentos por uma maior regulação dos meios de comunicação de massa. E, na mesma toada, ajude a conscientizar-nos a todos sobre os excessos de um mundo feito de muita luz, mas pouca clarividência, que está deslocando o jornalismo para uma dimensão muito diferente daquela herdada pelos ideais da Revolução Francesa.

O fim deste “modelo de jornalismo” não significará o “fim do jornalismo”. Existem fontes alternativas de energia informacional que ainda precisam ser exploradas e democratizadas. Afinal de contas, Millôr Fernandes tinha razão quando dizia que “jornalismo é oposição, o resto é armazém de secos e molhados”. Oposição ao poder, onde quer que ele esteja e em qualquer formato que ele se apresente.

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Ministério das Comunicações

Brasília – O Ministério das Comunicações criou um grupo de trabalho para estabelecer uma metodologia para o cálculo de viabilidade econômica e fixar o preço mínimo nas licitações de radiodifusão. Os parâmetros desenvolvidos pelo grupo vão nortear as futuras licitações lançadas pelo ministério.

De acordo com o secretário de Serviços de Comunicação Eletrônica do MiniCom, Genildo Lins, a metodologia vai permitir, por exemplo, avaliar se determinado empreendimento cabe ou não na localidade em questão e se é economicamente viável.

A portaria que institui o grupo de trabalho foi publicada no Diário Oficial da União desta segunda-feira, 1º de agosto. Fazem parte do GT quatro servidores da Secretaria de Serviços de Comunicação Eletrônica e um da Secretaria de Inclusão Digital.

A criação do grupo de trabalho faz parte das medidas adotadas pelo MiniCom para modernizar os processos de concessão de outorgas de radiodifusão.

A primeira reunião do grupo está marcada para esta quarta-feira, 03/08.

Por Izaías Almada no blog da Boi Tempo

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Image via CrunchBase

O magistral cineasta japonês Akira Kurosawa realizou no início dos anos 1960 um filme em que denunciava a corrupção e a consecução de outros crimes no fechado

ambiente das grandes empresas do seu país. O título, em tom afirmativo, se colocado na sua forma interrogativa, nos remeterá a uma dúvida de características hamletianas, proposta – aliás – que permeia a citada obra de Kurosawa. Homem mau dorme bem?

Tudo indica que sim, se buscarmos exemplos como o de Rupert Murdoch, o tão sinistramente badalado magnata das comunicações. Descobertas as falcatruas e delitos praticados por um de seus jornais em Londres, com espionagens, escutas telefônicas ilegais, chantagens e outras “liberdades de imprensa” sempre defendidas pelos mais ardorosos e hipócritas democratas de plantão, Murdoch respondeu no parlamento britânico que, apesar de toda a situação que vivia a sua empresa, da qual não tinha conhecimento (sic), ela sairia mais fortalecida dos acontecimentos.


A pergunta imediata que me fiz, até certo ponto óbvia para quem acompanha razoavelmente o que acontece com as grandes corporações dos meios de comunicação no mundo atual, é se a empresa de Murdoch sairia mais forte para praticar crimes iguais ou ainda piores do que os descobertos e identificados.

Já não é segredo para ninguém como e onde se fabricam determinadas notícias de caráter belicistas, preconceituosos, xenófobos, racistas e distribuídas por agências noticiosas ao redor do mundo para jornais, rádios, emissoras de televisão e toda a rede da internet. Campanhas contra os povos muçulmanos, por exemplo, ou a incitação contra imigrantes na Europa e nos EUA, contra presidentes de estados como Ahmadinejad, Hugo Chávez, Rafael Correa, Evo Morales, Fidel Castro, o próprio ex-presidente Lula, nomes mais sonantes por essas bandas…

São notícias, boa parte delas, articuladas e expostas em jornais, revistas e televisões do império Murdoch. E não só, pois são também repercutidas no Brasil por vários meios de comunicação de igual teor… Tudo em defesa de um sistema econômico que começa a rachar por todos os lados. Ou em defesa dos armamentistas, dos grandes laboratórios farmacêuticos norte-americanos e europeus que usam como cobaias exatamente muitos dos imigrantes indesejados, só que em seus países de origem. Ou ainda no indisfarçável propósito de identificar a melhor democracia como sendo aquela que se confunde com a ganância mais irresponsável e impiedosa de que se tem notícia.

Que o digam, por exemplo, os exércitos de jovens desempregados e subempregados na Grécia, Irlanda, Espanha, Portugal, Itália e adjacências. Quando a pacífica Noruega chora de dor por dezenas de seus jovens, vítimas da insanidade da nova direita européia é preciso lembrar que por trás do ato terrorista está a indefectível mão da intolerância e da imprensa do Sr. Murdoch e seus pares pelo resto mundo.

Para sonhar de novo e resgatar para si a dignidade, a solidariedade e a alegria de se viver minimamente em paz, o homem terá que impedir o leve sono e o mau exemplo dos Murdochs que se escondem em muitas das redações e consciências entrincheiradas à nossa volta.

Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor – entre outros – do livro “Teatro de Arena: uma estética de resistência” (Boitempo) e “Venezuela povo e Forças Armadas” (Caros Amigos).

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Esta terça-feira (02) será marcada por um dia de debate sobre a comunicação pública e alguns rumos que a Rádio Frei Caneca deverá tomar daqui pra frente. Já em tempo, agora com a definição de outorga para funcionamento liberada pela Prefeitura da Cidade do Recife, entidades se reúnem em dois encontros com a finalidade de discutir modelos de gestão, programação e financiamento da rádio.

O primeito encontro é promovido pelo Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom), com a presença do Secretário de Cultura do Recife, Renato L e do jornalista membro da Diretoria do Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco (SinjoPE), Osnaldo Moraes. O evento ocorre no auditório térreo do Porto Digital (Rua do Apolo, 181, Bairro do Recife), às 14h, com mediação da jornalista Cátia Oliveira, integrante do Fopecom.

O segundo encontro é promovido pelo Fórum Permanente de Música de Pernambuco, na Sede do Regional do Ministério da Cultura, a partir das 19h, com a participação do Gerente de Música da Fundação de Cultura, Evandro Sena e integrantes na coordenação do Fórum, Anderson Lopes, Alcidesio Santana e Newton C. Caivano. Além de debater questões sobre a Rádio Frei Caneca, o grupo apresenta também uma avaliação sobre o Festival de Inverno de Garanhuns de 2011. Os dois encontros são abertos ao público.

Criada nos anos 60, a Frei Caneca é uma rádio cultural e educativa. Em julho deste ano, a PCR anunciou a outorga definitiva concedida pelo Ministério das Comunicações. De caráter público, a participação da sociedade para definir os melhores rumos desta plataforma é uma ação importante na garantia da pluraridade de vozes que a rádio deve apresentar.

Do Centro de Estudos Barão de Itararé

Para o conjunto dos movimentos sociais brasileiros, o Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) representa a afirmação de uma democratização do acesso à internet, apontando para a universalização dos serviços – com controle de tarifas, meta de qualidade e continuidade de serviços – dentro de uma concepção de desenvolvimento baseado na geração de renda e na inclusão social.

Infelizmente, o “acordo” fechado pelo Ministério das Comunicações com as teles relega inteiramente esta estratégia, afrontando o interesse nacional em prol da sede de lucro fácil dos monopólios privados.

Na prática, as teles ganharam do governo um cheque em branco para faturar alto com uma banda lenta, cara e sem universalização, enquanto continuam praticando preços extorsivos, fortalecendo sua concentração nas faixas e locais de maior poder aquisitivo, com serviços de péssima qualidade.

Além de inaceitáveis, os termos do dito “acordo” do Ministério com as teles afrontam o interesse social e rasgam as diretrizes do próprio Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), dando as costas ao imenso acúmulo possibilitado pela Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), que apontava para um maior protagonismo do Estado e para o fortalecimento da Telebrás, como elementos decisivos para a universalização da internet, vista como um direito.

A forma como foi assinado o “termo de compromisso”, sem qualquer participação ou consulta às entidades diretamente envolvidas, é reveladora do seu conteúdo, já que ninguém se disporia a endossar tal leviandade.

Dito isso, vamos aos fatos porque denunciamos e repudiamos tal “acordo”:

1)Não há metas nem garantia de qualidade.

O Ministério admitiu que é “compreensível”, por causa da “concorrência”, as teles não divulgarem onde e quando vão implantar a suposta banda larga de 1 Mbps a R$ 35,00. Além disso, não há garantias de qualidade, o que significa uma internet de segunda categoria para a população com menos recursos financeiros. O plano prevê, por exemplo, uma velocidade muito baixa de envio (upload) de 128 kbps. Assim, quem quiser postar vídeos vai demorar horas.

2) Velocidade tartaruga.

A velocidade de 1 Mbps é somente “nominal”. Hoje, as teles oferecem 1/16 da velocidade que está no contrato com o usuário, abaixo até do ridículo limite da Anatel (10% da “nominal”). É como se o consumidor fosse ao supermercado comprar dez quilos de feijão e levasse para casa apenas um quilo, pagando pelos dez. Mas nem mesmo este limite indecente da Anatel consta do “termo de compromisso” assinado pelo Ministério. 

Pior, as teles foram autorizadas a reduzir a velocidade se o usuário ultrapassar 300 Mbytes de “download” por mês (o que poderá fazer com que para baixar um vídeo ou uma música se perca horas ou mesmo não possa ser feito) ou 500 Mbytes no caso da Oi, o que condiciona completamente o uso da internet e impede o uso pleno do serviço. Portanto, quem definirá a velocidade – sempre lenta para fomentar a migração do usuário para outros planos mais lucrativos para as teles – será a própria operadora.

3) Venda casada.

Embora o Ministério tenha afirmado que o pacote de R$ 35 não estaria condicionado à venda casada, o “termo de compromisso” permite essa prática na banda larga fixa, com teto de 65 reais para o pacote. O pacote de 35 reais sem venda casada só é obrigatório na banda larga móvel.

4) Multas viram investimento.

As punições às teles por infrações, nem ao menos serão simbólicas: não haverá processo administrativo se o “termo de compromisso” for desrespeitado. As sanções podem ser transformadas em investimentos em áreas economicamente não atrativas. Na prática, as empresas podem trocar o não cumprimento de metas determinadas no termo de compromisso por expansão de sua própria rede. Ou seja, vão embolsar o dinheiro das multas. Mais: se a Anatel disser que houve correção da irregularidade, as multas serão extintas – sem que o dinheiro saia do caixa das teles.

5) Abandono da área rural.

Foram retiradas as metas para banda larga do III Plano Geral de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo (PGMU, v. Capítulo IV, artigos 21 a24, DOU, 30/06/2011). Até na telefonia fixa, o “novo” PGMU dispensou as teles de obrigações na área rural, se não se interessarem em explorar as faixas de 451 Mhz a 458 Mhz ou de 461 Mhz a 468 Mhz (cf. artigo 9º, parágrafo 2º, DOU, 30/06/2011). Note-se que, ao contrário da banda larga, a telefonia fixa está sob regime público. Mas as teles é que decidem.

6) Acordo pra inglês ver.

O “termo de compromisso” deixa de valer caso as teles aleguem que os seus custos aumentaram.

Sinteticamente, aqui estão os motivos pelos quais os movimentos sociais reivindicam do governo federal que o Estado retome o protagonismo no setor, voltando a investir na Telebrás como instrumento de políticas públicas, e retome o diálogo com as entidades populares, para sanar o erro cometido. Para nós, a luta pela democratização da comunicação e pela universalização da banda larga são indissociáveis, como direitos inalienáveis do povo brasileiro que não podem ser pisoteados em função dos grandes conglomerados privados.

Para transformar estas bandeiras em conquista efetiva da sociedade brasileira, a Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS) convoca desde já o conjunto das entidades populares a se somarem para a construção de uma grande manifestação no dia 15 de agosto. É hora de levantarmos a voz em defesa da democracia e reivindicar do governo que atenda ao clamor da sociedade e não das teles.

Coordenação dos Movimentos Sociais (CMS):

CUT – MST – CMP – UNE – UBES – ABI – CNBB/ PS – Grito dos Excluídos – Marcha Mundial das Mulheres – UBM – CONEN – Coordenação Nacional de Entidades Negras – UNEGRO – MTD – Movimento dos Trabalhadores Desempregados – MTST – CONTEE – CNTE – CONAM – Confederação Nacional das Associações de Moradores – UNMP – Ação Cidadania – Cebrapaz – ABRAÇO – CGTB – INTERVOZES – CNQ – FUP – SINTAPI –ANPG – CTB – CMB – MNLM.

Alfredo Bossow, do DeBrasília:

Ao se transformar em ‘instância de poder’ – por perceber o vazio político das chamadas lideranças, grupos e discursos de oposição ao governo (PT) – a mídia brasileira aprofundou um processo de cegueira intencional: só vê o que lhe convém. Não se trata de algo recente, mas reincidente em nossa história de País.

Para alguns, principalmente por conta da desinformação, Getúlio Vargas precisa ser extirpado da história nacional. Mas ele poderia ensinar algo: a necessidade de ter um contraponto na mídia, razão pela qual incumbiu Samuel Wainer a fazer um jornal que cumprisse este papel de informar o outro lado.

Os tempos são outros. Hoje existe a internet, mas ainda existem milhões de brasileiros que se informam pelos meios tradicionais – TV, rádio, jornais e mesmo revistas deixadas nas antessalas de consultórios. É mais do que comum, por incrível que pareça, que entidades sindicais ditas ‘progressistas’ coloquem nas recepções aparelhos de TV sintonizados na… Globo. Perdem a oportunidade de colocar vídeos de suas lutas, de suas histórias.

É dentro deste contexto de politização da informação – gerando o processo de desinformação como sistemática de consolidação da dúvida – que causa espanto a forma como os chamados processos de higienização da política mostram a ‘realidade’.

No Brasil onde famiglias detém o controle da emissão da informação, só existem corruptos. Em nenhum momento, a nossa brava gente de um Brasil que não existe mais se dá ao trabalho de ir atrás dos corruptores. É a velha estratégia – do mesmo modo como os EUA querem, a pretexto de combater o tráfico, manter exércitos e bases militares em países da América Latina em lugar de cuidar do tráfico e consumo internos – de adequar algo às suas conveniências.

Por que, ao tratar de um aditivo, a mídia não coloca quais as empresas beneficiadas? Não seria mais lógico? Ou a imprensa não faz isso exatamente porque sabe que estas mesmas empresas também são beneficiadas por aditivos em governos estaduais e municipais ligados a eles (donos dos meios de comunicação)?

Ou não denuncia por que pode perder veiculação de publicidade? Ou há o risco de processos – aí residindo também uma razão pela qual esta mídia tradicional não tem coragem de denunciar os desmandos do Judiciário? Que estranha cumplicidade une grandes parcelas do Judiciário, a mídia, grupos de oposição e os corruptores…

Este silêncio todo atordoa, já disse o poeta.

E atordoa ainda mais pela incapacidade do Governo de reagir. De deixar claro que não existe apenas um lado da moeda. O justicialismo que hoje virou moda e mania da mídia não pode servir de biombo para acobertar o verdadeiro jogo que é jogado pela aliança destes grupos.

O raciocínio é simples demais: Quem corrompe A, também corrompe B ou C. Mas quem corrompe os corruptos não estará corrompendo também os justicialistas de plantão, os que querem higienizar a política não pelo processo dialético, mas pela imposição da mentira?
Acontece que o inimigo é A. E todos os olhos existem só para este foco.

Mas A não reage e assim uma realidade fictícia se transforma em Lei. No Brasil dos perdidos com as mudanças, só existem os corruptos…

Reitero: É preciso construir um contraponto na informação. O Governo do PT poderia aprender isto com Getúlio Vargas. Não adianta a militância ficar lutando nas redes sociais se o Governo continua injetando milhões da sociedade na veiculação de mídia em revistas, jornais e emissoras que omitem o Brasil dos brasileiros.

Volto a dizer: por que não informar, na própria reportagem, as empresas beneficiadas pelos aditivos? Mas fazer isto de modo sistemático – e com todos os governos.

Por Laurindo Lalo Leal Filho, na CartaCapital

Passou desapercebido por aqui. Não fosse a menção feita pelo jornalista Eric Nepomuceno, na revista Carta Capital, poucos ficariam sabendo que a Ley de Médios argentina está sendo implantada, apesar da oposição feroz dos grandes grupos de comunicação locais.

Na noite de 21 de junho, a presidenta Cristina Kirchner apareceu em rede nacional de televisão para fazer um anúncio capaz de tirar o sono dos controladores monopolistas da radiodifusão. O governo abria, naquela data, uma licitação para a concessão de 220 novas licenças de serviço de audiovisual no país.

Como determina a lei metade dessas concessões será destinada a emissoras privadas e a outra metade dividida entre os governos estaduais, o federal e as organizações sem fins lucrativos. Fórmula encontrada para romper com oligopólio existente hoje na comunicação argentina.

Claro que a mídia comercial brasileira esconde esses avanços e quando fala da Ley de Médios argentina é para atacá-la, chegando habitualmente a tachá-la de censura, quando trata-se exatamente do oposto. Seu papel é o de permitir o acesso aos meios de comunicação de um número muito maior de atores sociais, hoje sem voz.

Mas aos que se opõem à lei interessa a omissão e a desinformação. Para isso usam uma estratégia eficiente: apropriam-se de um símbolo facilmente compreensível, como é a censura, e com ele carimbam a lei, interditando o debate de forma liminar.

A legislação argentina mereceria no Brasil estudos e debates mais sérios e aprofundados. As criticas feitas por aqui são superficiais, ecoando apenas o temor dos controladores da mídia nativa com o possível contágio da experiência vizinha.

Não é levado em conta o formidável trabalho de pesquisa realizado para se chegar ao texto final. Seus 166 artigos não caíram do céu. São resultado de um levantamento minucioso daquilo que existe de mais avançado no mundo, em termos de legislação para área das comunicações.

Dos meios comerciais não se pode esperar nada, além das críticas habituais. Os meios públicos pouco se dedicam ao tema e a internet o trata de forma esporádica. Mesmo as redes sociais, com conteúdos mais críticos, não tem como aprofundar a discussão e acabam, em determinados momentos, dialogando com os grandes meios nos mesmos níveis por eles impostos.

Resta como alternativa a Universidade, teoricamente menos sujeita às imposições externas. Mas parece que, no geral, ela não despertou ou não se interessou pelo assunto. Falo, obviamente, dos setores universitários ainda não cooptados pela grande mídia, propiciadora de cursos e eventos destinados ao conformismo e a alienação.

Fico a pensar na riqueza de um debate não só da Ley de Médios argentina, mas das experiências de democratização das comunicações que vêm sendo articuladas na Venezuela, Bolívia, Equador, Paraguai e Uruguai, por exemplo.

Ao invés de infindáveis e insossas discussões sobre “teorias da recepção”, tão ao gosto dos acadêmicos alinhados com “status quo” da comunicação, teríamos o pulsar da vida real das nossas sociedades.

A Universidade – pública ou privada – repousa sob um tripé formado pelo ensino, a pesquisa e a extensão. Um tema como o aqui proposto atenderia com desenvoltura esses três objetivos.

Colocaria o aluno em contato com a disputa que se trava no continente em torno do papel social da comunicação, deixando mais claro o cenário onde se dará, no futuro, sua atuação profissional.

Propiciaria uma ampliação no campo das pesquisas, necessitadas cada vez mais de interdisciplinaridade. O estudo da comunicação só ganha concretude quando dialoga com o Direito e as Ciências Sociais em geral.

E finalmente, a extensão se daria com a formulação de projetos e propostas capazes de contribuir para o debate político que se trava na sociedade em torno das novas leis para a comunicação.

A fundamentação existente na Ley dos Médios argentinos tem grande contribuição acadêmica e poderia servir como referência para a Universidade brasileira.

A íntegra de Lei de Meios da Argentina está disponível neste endereço: http://www.infoleg.gov.ar/infolegInternet/anexos/155000-159999/158649/norma.htm

A administração do Sistema Jornal do Commercio impôs uma série de restrições aos seus “associados” no uso das redes sociais – facebook, twitter, youtube, etc. Os termos dessa orientação você pode no email enviado em azul mais abaixo e aqui. Não fiquei muito surpreso com nada disso, por uma série de motivos.

Desconexão com a realidade
Há anos o o modelo do sistema comercial de comunicação e de produção de notícias, o brasileiro de forma especial, vem dando sinais evidentes de esgotamento. Isso se reflete de forma bem clara na desconexão com a realidade social, aquilo que já foi o objeto básico do jornalismo, essa atividade liberal que teve início no século XVI. No mais das vezes, esse processo é mais evidente no resultado do trabalho do jornalista e se explicita por uma incapacidade de compreensão do que realmente está se dando na vida das pessoas – é claro que há exceções e estou atento a elas, mas ao mesmo tempo são essas exceções que confirmam a regra. Efetivamente, esse desligamento se reflete em informações equivocadas passadas à população; na dificuldade de estabelecer os fatos e a partir deles gerar análises (conhecimento) relevantes publicamente; na perda da capacidade de gerar discussão pública que interfira nas esferas de poder; no desprezo à estética que não seja pequeno-burguesa; na incapacidade de apreender e acompanhar a dinâmica das relações sociais contemporâneas (para não dizer pós-modernas); na ignorância em lidar com o poder público – sem memória das ações, planos, programas, projetos; sem saber as atribuições das várias esferas da burocracia governamental; sem conhecer onde buscar informações públicas; sem conhecer as atribuições dos sujeitos no poder público.

Há outras, muitas outras evidências da debilidade atual do jornalismo e dos jornalistas, que colocam em prática essa desconexão com a realidade vivida. Não acredito que esse seja um problema apenas dos jornalistas ou mesmo dos jornais. Se transformou numa condição estática de toda uma economia política da comunicação que vem se agravando desde quando os jornais perderam sua principal razão de ser: a formação da esfera pública – e isso aconteceu já faz tempo, no século XVIII. E envolve a formação dos profissionais, a legislação do setor (licenças de rádio-difusão); a legislação trabalhista (cadê o diploma?); o estabelecimento de planos de cargos e carreiras; a criação de mecanismos e serviços que permitam maior autonomia em relação a verbas públicas de publicidade; a pulverização das verbas públicas de publicidade; etc.

O problema portanto não deveria ser tão facilmente resumido no “jornalista” esse infiel e incompetente, pois essa caracterização não é apenas fácil e superficial – ela é também politicamente interessante pois despolitiza a questão de fundo, que é a necessidade de discutir a economia política da comunicação num país desigual como o Brasil, em que a democracia ainda está em construção e a cada eleição tem sua fragilidade cotidiana escancarada.

É por essas razões que a decisão da direção dos SJCC  não me surpreende. Ela está em sintonia com essa desconexão em relação à realidade na medida em que ignora a importância que esses dispositivos em rede têm para a própria produção do jornal; despreza o papel dessas ferramentas para as interações sociais entre as pessoas hoje; e atesta a  enorme dificuldade de relacionamento com uma economia política da comunicação que se complexificou, ao se expandir para ambientes de trocas em rede.

Refluxo conservador
Mas há outro aspecto ainda que reforça a minha falta de surpresa com essas restrições. É a rápida onda de conservadorismo que tem se batido na sociedade brasileira de uma forma lenta, gradual e segura desde metade da campanha que elegeu Dilma em 2010. É claro que as orientações do SJCC restringem a liberdade de expressão de seus “associados” nas rede digitais (surpresa! Os ambientes que gradativamente tem sido usados paras as interações no dia a dia), mas o problema não deveria ser considerado somente em relação a essa restrição de direitos.

As restrições estão em sintonia também com o momento pelo qual o Brasil vem passando, de supressão do debate político pelo esfacelamento das forças de crítica aos governos, de limitações das formas de expressão da opinião e do desentendimento (aliás, de onde nasce a política), de retomada de forças tradicionalistas e conservadoras, de grupos fascistas e de mecanismos autoritários e caducos (como o ECAD), de esvaziamento das tarefas precípuas do Poder Legislativo nas esferas municipais, estaduais e federal de fiscalizar e legislar.

Também está claro que as restrições ao uso de redes sociais é uma constante em vários ambientes privados de trabalho no Brasil e noutros países. Mas não posso deixar de fazer essa conexão, inclusive por causa do tom do e-mail enviado aos “associados”. Também acho interessante observar que não será surpresa se a direção do SJCC passar a fazer um monitoramento das contas de seus “associados”. Afinal de contas a internet é uma plataforma que permite esse tipo de controle pois está em sua estrutura lógica essa possibilidade. E as redes sociais que as pessoas tanto prezam são ambientes fechados nos quais esse tipo de vigilância é facilitada, ou ninguém leu os termos de uso do Facebook e do Twitter?

Por que non te calas?
Por fim, o outro fator que me impede de ficar surpreso com as orientações da direção do SJCC se refere à própria categoria dos jornalistas. Categoria essa que por ter se enfraquecido muitíssimo nos últimos 20 ou 30 anos viu suas entidades de classe refletirem sua fragilidade política e organizacional; categoria que não conseguiu se associar e contribuir com uma agenda política que procura discutir mudanças na economia política da comunicação a que eu me referi lá em cima e que pudesse ir além de uma pauta anual de atualização salarial.

Com isso, no meu entendimento, a categoria tem deixado de ser um sujeito ativo a ser ouvido em relação à necessidade de revisão da lei de concessões de rádio e TV; aos programas de inclusão digital; à discussão relativa à internet como direito humano; às recentes frustrações geradas pelos novos rumos do PNBL; à necessidade de revisão da lei de direitos autorais e de forma mais ampla a toda discussão sobre bens simbólicos e sua relação com a democracia. Penso que esse debates estão organicamente ligados à natureza da profissão e, sem estabelecer esse vínculo, o que fica é um vazio que acaba sendo ocupado por decisões como as que tomou a direção do SJCC e de outros grupos por aí. Abaixo, o comunicado aos “associados”.

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Prezado associado,
Mesmo reconhecendo que a atuação individual e particular dos colaboradores do SJCC é desvinculada de sua atividade profissional no SJCC, para a completa atenção aos valores inscritos no Código de Conduta do SJCC e com a finalidade de proteção dos seus conteúdos, inclusive para inibir a sua utilização por terceiros de má-fé, o SJCC informa a seus colaboradores que, na utilização das Redes Sociais (blog, twitter, facebook, orkut, etc . ), devem ser, de forma absoluta, atendidas às seguintes regras:

I – São vedadas:
1. A divulgação de fatos que digam respeito somente a sua relação com o SJCC ou de processos e procedimentos internos do SJCC;
2. A divulgação de conteúdos de colunas e reportagens que serão publicadas ou veiculadas, ou dar publicidade a bastidores das redações e das equipes de reportagens;
3. O repasse ao mercado de mídia de temas, direta e indiretamente, relacionados às atividades ligadas ao SJCC, ou qualquer outra informação e conteúdo obtidos em razão do relacionamento com o SJCC;
4. A associação de nome, imagem ou voz, a quaisquer veículos de comunicação que explorem as mídias sociais, ainda que o conteúdo disponibilizado seja pessoal, salvo prévia e expressa autorização do SJCC;
5. A manifestação de posições partidárias que possam vir a prejudicar a independência editorial do SJCC, a sua credibilidade comercial, ou comprometer o exercício de cargo ou função no Sistema;
6. A utilização de ferramentas e tecnologias associadas a produto do SJCC fora das suas finalidades próprias, especialmente quando possam acarretar danos ao SJCC ou a terceiros.

II – Constitui-se responsabilidade exclusiva do associado a infração a quaisquer das regras acima, inclusive passível de aplicação de sanções disciplinares previstas na legislação trabalhista.
Qualquer dúvida, procurar o Jurídico do SJCC.

Rodolfo Tourinho
Diretor Superintendente.

Carlos Henrique no Trezentos

Uma das piores características da linha adotada pelo MinC de Ana de Hollanda, é a incapacidade de conviver e dialogar com a critica. Falta, no entanto saber se isso é um sintoma espontâneo ou tático. Hoje, eu chego à conclusão de que ele é friamente pensado.

Ana de Hollanda chegou à pasta da cultura pensando em construir no espaço público um mundo privado, pior, pelas formas mais duras e tradicionais das oligarquias globais.

Este momento horrível que atravessamos com a nova visão do MinC, onde a esperança de se ter um pacto nacional a partir da cultura do povo, a cada dia se perde num marasmo proposital em prol das forças dominantes.

Vamos perdendo a concepção de futuro para sermos jogados numa armadilha de consumo imediato, condenados a uma miopia do mercado cultural e mergulhados numa era de tecnicalidades sem virtudes políticas e sociais.

A clarividência mercadológica que chega com a secretaria da economia criativa é um arcabouço para quem sonhava ter um ponto de vista próprio a partir das nossas realidades, mas, sobretudo, das nossas formas de enxergar o mundo em que vivemos.

Tudo agora tende a correr pelos afluentes do neoliberalismo cultural. Comunidades inteiras serão estimuladas a subjugar suas culturas à matriz do espetáculo para gerar “emprego e renda”. O novo mercado cultural quer conquistar todo o território brasileiro exterminado sotaques e impondo uma agenda ditada pala globalização cultural.

Ana de Hollanda, com essa nova secretaria, demarca o território a partir de uma partilha comercial, onde a senha dos gestores corporativos é dada pela dominação institucional. Assim os saques das riquezas culturais de comunidades inteiras ficam autorizados a partir do modelo adotado pelo Estado.

O modelo neocolonial europeu transplantado para o Brasil será uma espécie de FMI da cultura em que se fará necessário sacrificar costumes, crenças e culturas espontâneas, tradicionais ou não, para cumprir uma agenda de universalização artificial.

A fragmentação do território será uma das lógicas desse “mundo melhor” que a economia criativa está prometendo. O desmonte dos Pontos de Cultura já está em franco andamento e, em seguida, o humanismo sairá de cena e o motor do desenvolvimento econômico pelo mercado cultural tratorará os sentidos da cultura cidadã. O fundamentalismo consumista entrará em cena e, com sua forma competitiva e acelerada, arrastará e arrasará culturas centenárias e ainda imporá uma agenda contemporânea onde o olhar para o futuro será ditado pelas planilhas das grandes corporações.

As técnicas comerciais serão implantadas nos territórios a partir das empresas que trazem as normas globais através de seus braços institucionais (institutos e fundações) que cada vez mais transformarão as políticas culturais de Estado em suas próprias políticas de expansão.

Sem aceitar críticas o debate dentro do MinC perde intelectualmente e se joga no colo da financeirização cultural. Tudo, a partir de então, no universo cultural brasileiro é regido pelo reino do dinheiro.

Se a mosca azul picar a comunidade cultural, isso se tornará irreversível e o território brasileiro será contaminado pela lógica de uma cultura que não pertence a nenhuma nação, estado, cidade, grupo ou tribo, mas sim a um sistema econômico mundializado pelo neoliberalismo cultural.

Impressiona como vem se movendo o novo MinC. A dimensão da nova ideologia capitalista é bem maior do que imaginamos. A história presente do MinC nos leva a valorizar a cultura pelo lucro que ela pode gerar e todo o processo contraditório parece não estar sendo percebido pelo governo Dilma.

A ortodoxia neoliberal está na principal pauta da Ministra Ana de Hollanda e, assim, dia após dia e de variadas formas as partes de um único sistema vão se transformando em rito silencioso e tomando corpo.

O MinC hoje segue uma doutrina absolutamente capitalista de cultura, correndo o risco de se tornar uma religião cheia de mandamentos daí, planilhas, cálculos e técnicas vão se transformando num mantra conformista e toda a crítica intelectual sofre uma lavagem civilizatória ditada pelas grandes corporações – nações que comandam esse sistema.

Muito se diz em palestras e conferências de gestão corporativa que estamos atrasados na forma de exploração cultural, ou seja, o modelo inglês que está vindo por aí com o surgimento da Secretaria da Economia Criativa chegará numa velocidade assustadora para tirar o atraso detectado pelos cult-capitalistas.

Ou o governo Dilma toma uma medida contra essa política neoliberalizante ou a cultura brasileira sofrerá um revés histórico e inédito com consequências desastrosas já que envolverá agora todo o território nacional.

No estofo da prática de autocomiseração, Ana avança militarizando a cultura, alimentando os motores com o intuito de superaquecer a moeda cultural e dar oxigênio suficiente à fusão do MinC com os agentes corporativos, e o pior, com combustível público. O mercado-modelo que a Secretaria da Economia Criativa está impondo à cultura brasileira chegará às matrizes culturais das regiões mais remotas do Brasil e, depois, em erupção, esse vulcão capitalista não encontrará obstáculos capazes de frear seu apetite e, então, se juntará as outras formas de globalização cultural, consolidando-se em todo o território brasileiro.

O NOVO PROFISSIONAL DA INDÚSTRIA CRIATIVA GLOBALIZADA

Todas as regras do novo mercado cultural terão que ser cumpridas. Uma a uma, as regras do mecanismo mundializado pelas grandes siglas globais ditam como se tornar útil dentro da aldeia global da indústria criativa. Daí em diante, as referências, práticas, a planificação, a seqüência de determinada manifestação se torna dócil ao guia completo e, então, uma nova formatação hegemônica se transforma numa questão de prática.

O fundamental para a indústria criativa é a concepção, as idéias, os gráficos e glossários com referências aos exercícios, perguntas e estudos sobre como será abordado, desenrolado e utilizado de forma exaustiva o mecanismo para servir ao neoliberalismo cultural. Portanto, este novo guia a favor das políticas da indústria cultural e ou criativa que o MinC oficialmente adota, é um modo de o Brasil ter acesso a um canal estratégico desta indústria.
Isso, se não fere de morte a nossa soberania, aleija a criatividade espontânea, sincera e, sobretudo humana de nossa cultura. Tudo para mergulharmos de cabeça no balcão global e sermos concebidos nessa feira de negócios a partir das necessárias implantações das regras do mercado internacional.

Por isso, a distinção Arte Profissional – Arte Amadora está em alta nos folhetins corporativos. Na verdade, o que está em jogo é a cultura como produto e, para tanto, este produto precisa estar embalado, encaixotado, formatado para servir, como disse Milton Santos, às lógicas do globaritarismo.

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