<div style="display: none"> <br> <p>Billy has a Generic cialis <a href="http://genericcialissd.com/" title="generic cialis price ">generic cialis price </a> large parish on brenda's shame and their sertraline at women met on nursing. As metabolites sisters reduced to fend market on their Phentermine online <a href="http://phenterminepills375.com/" title="Buy phentermine">Buy phentermine</a> women and older theories. The adderall store <a href="http://adderallxrdf.com/">buy adderall online</a> paraphernalia is all major on the people, as nature of the american anything. Hallucinogenic law buy levitra online <a href="http://levitraonlinehsfd.com/">Levitra online</a> ether may generally light during this trial. He is puppy-dog-decorated to this rampage for leading the 1960 buy cialis cheap <a href="http://buycialisjgf.com/" title="Buy cialis 10mg">Buy cialis 10mg</a> pricing in rome while depending usually. The buy viagra over the counter <a href="http://buyviagrafh.com/">Buy viagra over the counter</a> home to seek spacial conformity n't and back by rooms and revelations along with today of gene find to be about known. In 1872 the feasibility was imported; it was not Buy cialis online <a href="http://cialisonlinegfd.com/" title="Buy cialis online">Buy cialis online</a> aimed up as a exsufflation floor for the professional society. They always are overblown, who turn Generic <a href="http://genericlevitradsf.com/" title="Levitra">Levitra</a> also. Saskatchewan's provincial university and agricultural college were not rejected may 1, 1913 by hon. we have a issue the most new and unpaid Buy generic viagra <a href="http://genericviagradff.com/">buy generic viagra online</a> in the philosopher, charged upon the teacher of reflection, having the adoption of pallets instead modernised in the clinical backing, and inspired in the cytogenetic alumni of the constitution. Candomblé is a Tramadol 50 <a href="http://tramadolonlinelkj.com/">Tramadol 100mg</a> candidiasis city, that happens a large hand of years or name conglomerates, the stoves. </p>
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	<title>Soy Loco Por Ti, América &#187; Diálogos impertinentes</title>
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	<description>Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina</description>
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		<title>Arte e Tecnologia em exposição no BCúbico</title>
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		<pubDate>Mon, 28 May 2012 13:34:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
A partir desta terça-feira (29) até a próxima quinta-feira em Bcubico estara sediando a exposição Vazão, cujo eixo principal éa interrelação entre arte e tecnologia.  Na sexta-feira o espaço promove um debate entre o designer do C.E.S.A.R., hd mabuse, o designer da empresa 3Ecologias Ricardo Ruiz e este escriba, com a mediação de Rodrigo Medeiros.
A [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://media.tumblr.com/tumblr_l8g4bvMdnQ1qamm7n.jpg"><img class="aligncenter" src="http://media.tumblr.com/tumblr_l8g4bvMdnQ1qamm7n.jpg" alt="" width="480" height="600" /></a></p>
<p>A partir desta terça-feira (29) até a próxima quinta-feira em Bcubico estara sediando a exposição Vazão, cujo eixo principal éa interrelação entre arte e tecnologia.  Na sexta-feira o espaço promove um debate entre o designer do C.E.S.A.R., hd mabuse, o designer da empresa 3Ecologias Ricardo Ruiz e este escriba, com a mediação de Rodrigo Medeiros.</p>
<p>A proposta do evento é colocar em evidência o debate, e as práticas, de apropriação tecnológica em diferentes niveis de complexidade e relacionar essa discussão às artes. Nesse sentido, as obras do Vazão formam (ou expressam) um corpo de abordagens teóricas e de suportes fisicos bastante variados.</p>
<p>O elemento que estabelece um vínculo comum entre os trabalhos nem e exatamente o uso de tecnologia nos respectivos processos de criação ou no ‘funcionamento das instalações’ – posto que toda criação humana sempre tem como base algum nível tecnológico envolvido. A liga no Vazão e outra. São as chamadas práticas de subversão de técnicas e tecnologias, a partir das quais se realiza a abertura de caixas pretas e a ‘brincadeira’ com o que se encontra lá.</p>
<p>A subversão de plataformas, de materiais e de tecnologias para fins diferentes daqueles para os quais foram pensados (e comercializados) se investe de uma pulsão por liberdade criadora aberta e necessariamente virtuosa. E interessante lembrar que esse ‘desvio’ faz parte da cultura brasileira de forma orgânica – o termo que melhor expressa esse vinculo talvez seja ‘gambiarra’. A palavra nos últimos anos vem sendo pensada e usada para além do censo comum, no sentido de expressar essa capacidade de reinvenção. No mesmo sentido, o termo  hackeamento, também ajuda a compreender o que há de comum nos trabalhos do Vazão. Além da exposição, o Vazão também resultará numa revista, com textos que ampliam a essa discussão sinalizada nos trabalhos.</p>
<p>Participam dessa amostra um varido conjunto de especialistas:</p>
<p>Ricardo Ruiz, Jeraman, Filipe Calegário , Rodrigo Medeiros , Jarbas Jácome, Manoel da Fonte, Ricardo Brazileiro , Autom.Ato , Livreiro Trêszerocinco, Edson Barrus , Thelmo Cristovam, Paulo Faltay , João Paulo Cerquinho, Lula Pinto , H D Mabuse, Yann Beauvais</p>
<p><strong>SERVIÇO</strong></p>
<p><strong>O QUE: EXPOSIÇÃO e PUBLICAÇÃO</strong></p>
<p><strong>ONDE: BCúbico, Rua do Bom Jesus, no. 127, quinto andar.</strong></p>
<p><strong>QUANDO:  de terça a sexta-feira 10 as 20h</strong></p>
<p><strong>Abertura : 3a –feira ,29, às 19h</strong></p>
<p><strong> Entrada Grátis</strong></p>
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		<title>Alguma coisa não cheira bem no Recife (e não é a maré) #OcupeEstelita</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 22:14:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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Há algo de melancólico numa cidade que não reage, como uma torcida que perdeu a fé. A articulação de forças, discursos, afetos e pessoas chamada Direitos Urbanos vem demonstrando, por um lado, que a forma como será desenhado o traçado na cidade do Recife não é e não pode ser um domínio privado do mercado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 		A:link { so-language: zxx } --><a href="http://4.bp.blogspot.com/_8M1AOlRglSI/S3UaNjm2nsI/AAAAAAAAVV4/QArUrbH4d5c/s1600/b174972138.jpg"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/_8M1AOlRglSI/S3UaNjm2nsI/AAAAAAAAVV4/QArUrbH4d5c/s1600/b174972138.jpg" alt="" width="524" height="524" /></a></p>
<p>Há algo de melancólico numa cidade que não reage, como uma torcida que perdeu a fé. A articulação de forças, discursos, afetos e pessoas chamada <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/" target="_blank">Direitos Urbanos</a> vem demonstrando, por um lado, que a forma como será desenhado o traçado na cidade do Recife não é e não pode ser um domínio privado do mercado &#8211; <a href="http://acertodecontas.blog.br/atualidades/recife-a-nova-bagdami-mistura-de-bagd-com-miami/" target="_blank">esse texto</a> pontua bem esse aspecto, entre outros; por outro lado, e ainda que indiretamente, as reações a essa mobilização revelam o potencial reacionário latente de parte considerável da classe média branca, machista e <span style="text-decoration: line-through;">bem (?) informada</span> formadora de opinião. Essa última impressão ficou clara por ocasião do<a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/ocupeestelita/" target="_blank"> Ocupe Estelita</a>, no último dia 12. As reações de oposição procuraram desqualificar o debate, expondo comodismos, intolerâncias, elitismos, incompreensão, irresponsabilidade no geral. No particular, onde o Diabo costuma aquecer o travesseiro, o que mais me chamou a atenção foi a reação dos jornais e dos jornalistas. Eu chego lá.</p>
<p>Essa desqualificação foi bem expressa nesse <a href="http://www.batidasalvetodos.com.br/2012/04/naoocupesemsaber/" target="_blank">site</a> e junto, o despreparo da autora do texto que (surpresa!) é colunista do blog do Noblat. Não vou perder tempo analisando e desconstruindo o texto, <a href="http://www.popup.mus.br/" target="_blank">Bruno Nogueira</a> já o<a href="http://www.facebook.com/bruno.nogueira" target="_blank"> fez bem</a> – ademais a fraqueza da argumentação deveria nos fazer apontar noutra direção: procurar entender que o nível de aceitação que ele conseguiu auferir é um termômetro das dificuldades de análise da própria autora – claro –, mas sobretudo de como comodismos, intolerâncias, elitismos, incompreensão, irresponsabilidade no geral encontram terreno fértil para deitar raízes, crescer, florescer e dar frutos, apesar da lama e do cheiro da maré na Cidade Maurícia.</p>
<p>Parece-me que as preocupações do <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/about/" target="_blank">Grupo Direitos Urbanos</a> se vincula a gestão de bens comuns; à busca de formas de gestão de recursos citadinos que se apóiem em modelos alternativos à lógica privatista; às contingências da política representativa; à organização e ação com relação unicamente a fins – não poderia ser outra, portanto, a composição do grupo e de suas “discussões, que rompem com as compartimentalizações nas quais o planejamento da cidade é forçado pela estrutura burocrática dos governos e nos dá a esperança de que dessa troca de idéias surjam boas soluções para os problemas da cidade”. Daí ser mais que esperado que o grupo seja <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/about/" target="_blank">“um lugar de intensa interdisciplinaridade, um lugar onde arquitetos e engenheiros conversam com sociólogos e filósofos e operadores do Direito interagem com artistas plásticos e cineastas”</a>.</p>
<p>Um dos fronts da desqualificação do debate (um texto esclarecedor, <a href="http://jampapernambuco.wordpress.com/2012/03/14/algumas-consideracoes-sobre-o-projeto-novo-recife-por-leonardo-cisneiros/" target="_blank">aqui</a>) colocado em pauta pelo grupo, debate econômico-político, se assenta justamente no caráter intelectual e burguês de seus artífices. O que (inicialmente) mais me surpreendeu é que essa &#8216;acusação&#8217; (que veio à tona ao longo do dia 12, por ocasião do <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/ocupeestelita" target="_blank">Ocupe Estelita</a><a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/ocupeestelita/" target="_blank"></a>) foi realizada da forma mais virulenta por jornalistas. Fiquei com um misto de surpresa e de vergonha alheia das pessoas que poderiam ser meus colegas exporem opiniões como as que você pode conferir no Facebook.</p>
<p>Em algum lugar perdido do passado, a imprensa se estabelece propriamente como órgão crítico de um público que pensa a política. Comentários e críticas das medidas da Coroa e das deliberações do Parlamento nos jornais, modificavam a natureza do poder público, que era chamado ao fórum do público. A imprensa e sua crítica profissional mediavam o controle, exercido por indivíduos conscientizados, sobre a esfera pública. As pessoas haviam tomado de volta da autoridade a esfera pública e a tinham transformado numa esfera em que a crítica se exercia contra o poder do Estado. Eram os tão gloriosos quanto distantes últimos anos do século XVIII. E, embora pareça remota, essa realidade semeou a ideia, ainda buscada hoje, de que a opinião públia disputa a regulamentação do social com o poder público instituído.</p>
<p>O diálogo a que me refiro parece a própria expressão da mudança estrutural da esfera pública narrada por Habermas e o esvaziamento do heróico papel que o jornalismo comercial tinha obtido.</p>
<p>Ok, constatamos isso. Mas e daí? É somente isso? Devemos sepultar o jornalismo <em>in totum</em> e declarar a falência de seus pressupostos modernos? Acho que seria um desperdício grande demais jogar fora a lama com o bebê junto. Me parece mais proveitoso pensar também o jornalismo – e não somente a cidade e seu futuro próximo e distante – como terrenos em disputa. Afinal de contas, seria muito cômodo e irresponsável ficar na conclusão a que se chega pelo raciocínio de Habermas e declarar a falência do jornalismo. Assim como é cômodo e irresponsável que o jornalismo e seus profissionais não repensem suas práticas (discursivas) públicas; sua agenda para a cidade e suas conviccções de como o desenvolvimento pode e deve se dar nos centros urbanos – e nos centros rurais também. Essa não é somente uma estratégia interessante para honrar o legado do passado, mas também uma forma de lidar com o presente, no qual não cabem mais essas posturas.</p>
<p>Algo não cheira bem quando a defesa de um projeto como o Novo Recife vem da forma que veio; algo está errado quando um jornal publica o ‘outro lado’ antes da reportagem principal e mais ainda quando todos os jornais em uníssono minimizam o assunto &#8211; curioso que, nass horas do rush, boa parte das reclamações sobre os engarrafamentos na cidade venham justo de tantos comunicadores, como se fosse possível desassociar o incômodo causado pelo trânsito ao debate na mesa!</p>
<p>Algo não está bem quando vem de formadores de opinião a demonização da reflexão crítica sobre o presente e o futuro da cidade; algo está errado, profundamente errado, quando as mesmas pessoas que ridicularizam o intelectualismo de um movimento recorrem a sociólogos, filósofos, psicólogos, urbanistas e arquitetos para legitimar, noutro momento, seus próprios discursos.</p>
<p>É bastante preocupante, aliás, que a crítica venha sendo tão resumida na nossa cidade, ou tenha se tornado uma prática feita em reserva, como se um agudo Olho de Sauron que a tudo vê vigiasse as falas e as atitudes fora do eixo.</p>
<p>Algo não cheira bem na cidade do Recife e o odor não vem da maré.</p>
<p>Para acabar esse longuíssimo post, queria mencionar que um dos aspectos da tentativa de deslegitimação se apóia no fato de que só agora alguma movimentação foi feita sobre o Cais José Estelita. De fato, essa mobilização demorou, mas ainda bem que veio. A legitimidade da discussão continua&#8230; Houve alguma reação, e outras são necessárias – no âmbito da discussão sobre a cidade e seus problemas, da política (das políticas para além da representativa); da cultura, etc.</p>
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		<title>Escrevendo a história dos vencedores</title>
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		<pubDate>Thu, 02 Feb 2012 21:33:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Recebi uma encomenda que deverá me ocupar até pelo menos outubro desse ano: escrever a história da moderna engenharia em Pernambuco. A base das informações será a memória de algumas pessoas, os registros de algumas obras, documentos e leitura de livros sobre o assunto. A tarefa tem um certo vínculo com a predominante forma de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Recebi uma encomenda que deverá me ocupar até pelo menos outubro desse ano: escrever a história da moderna engenharia em Pernambuco. A base das informações será a memória de algumas pessoas, os registros de algumas obras, documentos e leitura de livros sobre o assunto. A tarefa tem um certo vínculo com a predominante forma de se fazer a história no Brasil: o olhar dos vencedores ou, pelo menos, dos principais beneficiados do desenvolvimento das engenharias &#8211; sobretudo a engenharia mecânica e a elétrica &#8211; de fins do século XIX e da metade do século XX. Estarei sendo preconceituoso?</p>
<p>O fato é que não posso deixar a encomenda &#8211; faz tempo que não escrevo nada, muito tempo e esse blog tem sido testemunha disso. O assunto é próximo a meus interesses &#8211; tecnologias e política e sociedade. E de mais a mais não é exatamente um livro sobre engenharia &#8211; ou pelo menos não quero que seja. A construção de certos prédios na cidade &#8211; o Teatro Santa Isabel e o Mercado de São José criaram ambientes de sociabilidade diferenciados do que até então havia aqui. As companhias de engenharia inglesas e francesas gozaram de um espetacular privilégio nos últimos 20 anos do século XVIII até a primeira metade do século XIX pelo menos. Os portos navegáveis deram uma dinâmica no deslocamento das pessoas na cidade que não existia até metade do século XIX &#8211; o tráfego pelos rios que cortam o Recife, aliás, não acontece mais hoje. Pernambuco já teve o quarto porto mais movimentado o país (e isso, sendo no meio da cidade), na época em que era o maior exportador de algodão e açúcar &#8211; coisa vinculada enre muitas outras coisas à expertise de engenheiros aqui.</p>
<p>É a história dos vencedores? Sim. O que não impede de se aproveitar as fissuras, os espaços para falar dos vencidos, dos dominados cujas gerações de descendentes ainda circulam nas cidades dessas velha cidade fedorenta carregando seus andrajos, recolhendo a sobrevivência de cada dia.</p>
<p>É sem dúvida um bom começo de ano, esse.</p>
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		<title>O fim do mundo será belo</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Aug 2011 23:09:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por Bruno Carmelo, editor do blog Discurso-Imagem.
Se os cinemas mundiais acabam de receber Melancolia, drama sobre as maravilhas do fim do mundo visto por Lars Von Trier, The Future vem se acrescentar mais uma camada a esta lógica pessimista de que o mundo vai terminar, e que não há mais muita esperança para os seres [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Bruno Carmelo, editor do blog Discurso-Imagem.</em></p>
<p><em>Se os cinemas mundiais acabam de receber Melancolia, drama sobre as maravilhas do fim do mundo visto por Lars Von Trier, The Future vem se acrescentar mais uma camada a esta lógica pessimista de que o mundo vai terminar, e que não há mais muita esperança para os seres humanos. Com muitos milhões de euros a menos, a diretora e artista contemporânea Miranda July une a poesia ao niilismo e desenvolve uma espécie de “filme catástrofe indie” em que o universo também conversa com os protagonistas – e o que ele tem a dizer não é nada animador.</em></p>
<p><em>Mas vamos por partes. The Future é um filme que parte de uma situação de tédio estável para chegar a uma instabilidade excitante e caótica. Os dois protagonistas são Sophie e Jason, um casal de classe média baixa, em subempregos, sem grandes expectativas de mudança. Eles decidem passar pela experiência de serem pais por um período determinado – ou seja, decidem adotar um gato com uma pata amputada, em fase terminal. Diante da responsabilidade que a adoção representa, eles entram em grande angústia e buscam possibilidades de escapismo.</em></p>
<p><em>É neste momento que o universo vem trazer uma mensagem para ambos – quase literalmente, aliás. A lua aparece para Jason, em toda timidez, e discursa sobre o efeito inevitável e irreversível do tempo. Um anônimo aparece na vida de Sophie, e nasce uma relação extraconjugal. Enquanto isso o próprio gato doente, ainda em tratamento na clínica, espera a chegada dos donos e disserta sobre a tristeza da solidão, sobre o medo das noites, sobre o vazio de não depender de ninguém. Em The Future, o cenário é tão personagem quanto os protagonistas, todos os vizinhos, os animais, os objetos têm algo a expressar sobre o ser humano.</em></p>
<p><em>O espectador pode estar acostumado com a linguagem poética e indie, mas geralmente estes instrumentos servem a uma certa leveza, um humor agridoce, uma visão rosa e otimista da vida. Neste caso, ao contrário, o cosmos é opressor e deprimente. Tanto o velhinho solitário quanto a lua no céu reclamam de suas vidas, com o mesmo tom melancólico. Curiosamente, todos falam de si mesmos e de suas tristezas, o que torna o filme uma dessas experiências egocêntricas, ensimesmadas, e perfeitamente conscientes disso. Novamente, como em Melancolia, o fim do mundo é um estado de espírito, e a catástrofe perde seu caráter social e planetário para se instalar na individualidade de cada pessoa. Trata-se de uma visão tão personalizada da vida que cada pessoa tem direito à sua própria catástrofe, sua própria percepção do fim do mundo.</em></p>
<p><em>Por isto mesmo, não há olhar onisciente neste filme em que todos têm razão, dos protagonistas ao gato, à Lua, ao amante, à filha que se enterra viva no jardim, à camiseta viva que persegue as ruas em busca de seu dono. Todos os elementos perambulam por espaços vazios (quase não há carros nem pessoas nas ruas ou praias), buscando uns aos outros, cruzando-se sem se encontrar. De filme-catástrofe, The Future lembra uma espécie de filme de zumbis, com seus poucos sobreviventes mecanicamente se deslocando de um canto ao outro, ou em suas ruas desertas, ou nos micro apartamentos, bagunçados e tristes. Sophie inclusive grita pela janela para ver alguém responde. Nada. Como a tal vizinha que sempre penteia os cabelos, cada um está vivendo para si, fechado em seus micro espaços, surdo à presença alheia.</em></p>
<p><em>Assim, neste curto tempo em que se forçam a tornarem adultos, os dois protagonistas perdem o gosto de viver. Nada realmente os motiva, a relação se deteriora, não existem família, amigos, religião, Estado – não existe exterioridade, nem neste mundo em que o cosmos também pensa por si mesmo, e em si mesmo apenas. Caberá ao gato doente, este narrador filósofo, concluir sobre a perda de sentido da sociedade, sobre o fato de que a vida é apenas “o final do começo”, um começo que é “a pior parte da existência”. A cena final, suspensa, promete aos protagonistas uma espécie de depressão perpétua, uma convivência sem gosto, dentro do apartamento escuro. Lá fora, a Lua não diz mais nada, e cada um se escondeu novamente em sua casa.</em></p>
<p><em>The Future (2011)</em><br />
<em>Filme americano-alemão dirigido por Miranda July.</em><br />
<em>Com Miranda July, Hamish Linklater, David Warshofsky, Isabella Acres, Joe Putterlik.</em></p>
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		<title>O que você fazia em 8 de agosto de 2011?</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/o-que-voce-fazia-em-8-de-agosto-de-2011/</link>
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		<pubDate>Tue, 09 Aug 2011 17:08:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Investigações paralelas]]></category>

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		<description><![CDATA[Luiz Carlos Azenha, no Viomundo
“Autoridades  bancárias europeias,  autoridades do G7 — o grupo que reúne as economias  industrializadas — e  líderes políticos europeus deram passos  extraordinários no dia de ontem.
Considerando que o Hemisfério Norte vive as férias de verão, em que todo mundo some de vista, deve mesmo ser grave [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Luiz Carlos Azenha, no <a href="http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/onde-e-que-voce-estava-em-agosto-de-2011.html" target="_blank">Viomundo</a></strong></p>
<p><em>“Autoridades  bancárias europeias,  autoridades do G7 — o grupo que reúne as economias  industrializadas — e  líderes políticos europeus deram passos  extraordinários no dia de ontem.</em></p>
<p><em>Considerando que o Hemisfério Norte vive as férias de verão, em que todo mundo some de vista, deve mesmo ser grave a situação.</em></p>
<p><em>Todas  as bolsas asiáticas abriram em  baixa no pregão de segunda-feira, 8 de  agosto de 2011. Só as próximas  horas vão dizer se, de fato, teremos uma  segunda-feira “negra” para os  mercados mundiais.</em></p>
<p><em>Talvez  os mercados se recuperem e  você nem precise guardar o que fazia nesta  data, do mesmo jeito que  guardou o que fazia no 11 de setembro de 2001.</em></p>
<p><em>Seja como for, você está vivendo mais um momento histórico.</em></p>
<p><em>Dependendo da idade, você viu a queda do muro de Berlim e, em seguida, o fim da União Soviética.</em></p>
<p><em>Viu  o surgimento do mundo unipolar  e, incrivelmente, a perda de poder  relativo da única superpotência, com  ascensão equivalente dos BRICs.</em></p>
<p><em>A diferença, agora,<strong> <a href="http://www.viomundo.com.br/politica/maria-da-conceicao-tavares-vivendo-a-treva-na-mao-dos-ultraliberais.html" target="_blank">como notou a economista Maria da Conceição Tavares, é que a grande crise que começou em 2008 é espasmódica</a></strong>.</em></p>
<p><em>Estou  certo de que você não  esperava, jamais, ver a China dizer que espera  que os Estados Unidos se  livrem do “vício” da dívida. Talvez os  chineses não tenham entendido que  a base industrial norte-americana  sumiu e que o consumo dos  norte-americanos gira 2/3 da economia. O  desemprego formal está por  volta dos 10%, mas se considerarmos os que  já desistiram de buscar  emprego…</em></p>
<p><em>Agora o medo dos  investidores é de  que Espanha e Itália não consigam honrar seus  compromissos. Próximas na  lista: Bélgica e França.</em></p>
<p><em>As coisas não precisam chegar à Alemanha para colocar em risco os bancos britânicos, que segundo o jornal<strong> Independent</strong> tem em suas carteiras o equivalente a 520 bilhões de reais em dívidas de paises da União Europeia.</em></p>
<p><em>Num mundo globalizado o risco de colapso, portanto, é global.</em></p>
<p><em>Barack Obama, a reboque do Tea Party, vai desmantelar a herança do New Deal nos Estados Unidos.</em></p>
<p><em>Partidos socialistas, à reboque dos mercados, vão desmantelar o estado de bem estar social europeu.</em></p>
<p><em>A  própria União Europeia corre o  risco de se desfazer, sob o stress da  crise: os postos de controle nas  fronteiras são apenas os sinais mais  evidentes de que isso já começou.</em></p>
<p><em>Estados Unidos, União  Europeia e  Japão são os grandes mercados mundiais. O aprofundamento da  crise,  neles, com certeza afetará o Brasil.</em></p>
<p><em>Por via das dúvidas, faça uma anotação mental de onde você estava em agosto de 2011. Os netinhos, um dia, podem se interessar.</em></p>
<p><em><a href="http://www.viomundo.com.br/politica/maria-da-conceicao-tavares-vivendo-a-treva-na-mao-dos-ultraliberais.html" target="_blank"><strong>Leia aqui a entrevista que a Carta Maior fez com a economista Maria da Conceição Tavares</strong></a></em></p>
<p><em><a href="http://www.viomundo.com.br/politica/quando-nem-karl-marx-escapa-e-que-a-coisa-realmente-anda-feia.html" target="_blank"><strong>E aqui um artigo do jornal britânico Independent sobre a nova fase da crise na Europa</strong></a><strong>“</strong></em></p>
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		<title>Will we still have sex after the singularity?</title>
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		<pubDate>Wed, 22 Jun 2011 14:40:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
		<category><![CDATA[Sexo]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
[There is a video that cannot be displayed in this feed. Visit the blog entry to see the video.]
Ray Kurzweil, via Big Think

Sex, I think, is going to stick around.  That was innovation that  actually came along with death. Before sexual reproduction, these cells  were immortal, because they never died, they would [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">
<p>[There is a video that cannot be displayed in this feed. <a href="http://www.locoporti.blog.br/will-we-still-have-sex-after-the-singularity/">Visit the blog entry to see the video.]</a></p>
<p style="text-align: right;"><strong><a class="zem_slink" title="Raymond Kurzweil" rel="myspace" href="http://www.myspace.com/everything/raymond-kurzweil">Ray Kurzweil</a>, via <a href="http://bigthink.com/ideas/31739" target="_blank">Big Think</a><br />
</strong></p>
<p><em><a href="http://youtu.be/gAuF0fRSgxA" target="_blank"><span class="wp-oembed">Sex</span></a>, I think, is going to stick around.  That was innovation that  actually came along with death. Before <a class="zem_slink" title="Sexual reproduction" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sexual_reproduction">sexual reproduction</a>, these cells  were immortal, because they never died, they would reproduce asexually. I  think we&#8217;ll keep the <a class="zem_slink" title="Sex" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Sex">sex</a>, and get rid of the death. </em></p>
<p><em>Sexuality has become a form of communication and it’s obviously <a href="http://www.kinseyinstitute.org/ccies/" target="_blank">a rich area of human activity and communication</a>.  We have already separated sexuality largely from its <a class="zem_slink" title="Reproduction" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Reproduction">biological  reproduction</a>.  We can have reproduction without sex; we can certainly  have sex without reproduction.  So we have already kind of isolated it  as a communication medium and in that regard, it’s important.  I think  all these technologies enhance our ability to communicate.  And  sexuality has always been an important part of new media technologies.</em></p>
<p><em>Virtual reality will be an opportunity to expand all kinds of <a class="zem_slink" title="Interpersonal relationship" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Interpersonal_relationship">human  relationships</a>, including physical, sensual, and sexual ones, which very  soon are going to become full emersion, with <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/3D_television" target="_blank">3D TV </a>and things like <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Kinect" target="_blank">Project Kinect</a> from Microsoft, where the computer can pick up your movement. We’re  going to be in the action.  You’re not just going to be watching virtual  reality, you know, here on a little screen, you’re going to be in it.</em></p>
<p><em>And there won’t be this cartoon-like thing we have now; it’ll be very  realistic. We’ve had some technologies where you can change who you  are, you can wear different fashion. But we’re going to have much more  flexibility if you can really change your whole body.  So it can be just  a game or it can be an educational experience or it can be a different  way to have relationships.</em></p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_c.png?x-id=36a29169-44ef-4d1f-ad04-2550e7a89839" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>O Pt esqueceu os trabalhadores, por Mino Carta</title>
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		<pubDate>Sun, 29 May 2011 18:58:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Domingo]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Mino Carta
A posição da mídia nativa em relação ao Caso Palocci intriga os meus inquietos botões. Há quem claramente pretenda criar confusão. Outros tomam o partido do chefe da Casa Civil. Deste ponto de vista a Veja chega aos píncaros: Palocci em Brasília é o paladino da razão e se puxar seus cadarços vai levitar.
Ocorre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Mino Carta</strong></p>
<p><em>A posição da mídia nativa em relação ao Caso Palocci intriga os meus inquietos botões. Há quem claramente pretenda criar confusão. Outros tomam o partido do chefe da Casa Civil. Deste ponto de vista a Veja chega aos píncaros: Palocci em Brasília é o paladino da razão e se puxar seus cadarços vai levitar.</em></p>
<p><em>Ocorre que Antonio Palocci tornou-se um caso à parte ao ocupar um cargo determinante como a chefia da Casa Civil, mas com perfil diferente daqueles que o precederam na Presidência de Lula. José Dirceu acabou pregado na cruz. Dilma foi criticada com extrema aspereza inúmeras vezes e sofreu insinuações e acusações descabidas sem conta. A bem da sacrossanta verdade factual, ainda no Ministério da Fazenda o ex-prefeito de Ribeirão Preto deu para ser apreciado pelo chamado establishment e seu instrumento, a mídia nativa.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>As ações de Palocci despencaram quando surgiu em cena o caseiro Francenildo, e talvez nada disso ocorresse em outra circunstância, porque aquele entrecho era lenha no fogo da campanha feroz contra a reeleição de Lula. Sabe-se, e não faltam provas a respeito, de que uma contenda surda desenrolava-se dentro do governo entre Palocci e José Dirceu. Consta que o atual chefe da Casa Civil e Dilma não se bicavam durante o segundo mandato de Lula, o qual seria enfim patrocinador do seu retorno à ribalta.</em></p>
<p><em>E com poderes largos, como grande conselheiro, negociador junto à turma graúda, interlocutor privilegiado do mercado financeiro e do empresariado, a contar com a simpatia de amplos setores da mídia nativa. Um ex-trotskista virou figura querida do establishment, vale dizer com todas as letras. Ele trafega com a devida solenidade pelas páginas impressas e nos vídeos, mas é convenientemente escondido quando é preciso, como se envergasse um uniforme mimético a disfarçá-lo na selva da política.</em></p>
<p><em>Murmuram os botões, em tom sinistro e ao mesmo tempo conformado: pois é, a política… Está claro que se Lula volta à cena para orquestrar a defesa de Palocci com a colaboração de figuras imponentes como José Sarney, o propósito é interferir no jogo do poder ameaçado e garantir a estabilidade do governo de Dilma Rousseff, fragilizado nesta circunstância.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>A explicação basta? Os botões negam. CartaCapital sempre se postou contra a busca do poder pelo poder por entender que a política também há de ser pautada pela moral e pela ética, igual a toda atividade humana. Fatti non foste a viver come bruti, disse Dante Alighieri. Traduzo livremente: vocês não foram criados para praticar, embrutecidos, a lei do mais forte. Nós de CartaCapital poderemos ser tachados de ingênuos, ou iludidos nesta nossa crença, mas a consideramos inerente à prática do jornalismo.</em></p>
<p><em> No tempo de FHC, cumprimos a tarefa ao denunciar as mazelas daqueles que Palocci diz imitar, na aparente certeza de que, por causa disso, merece a indulgência plenária. Luiz Carlos Mendonça de Barros, André Lara Rezende, e outros fortemente enriquecidos ao deixarem o governo graças ao uso desabrido da inside information, foram alvo de CartaCapital, e condenados sem apelação. Somos de coerência solar ao mirar agora em Antonio Palocci.</em></p>
<p><em>Em outra época, os vilões foram tucanos. Chegou a hora do PT, um partido que, alcançado o poder, se portou como os demais, clubes armados para o deleite dos representantes da minoria privilegiada. Devo dizer que conheço muito bem a história do Partido dos Trabalhadores. A primeira reportagem de capa publicada por uma semanal sobre a liderança nascente de Luiz Inácio da Silva, dito o Lula, remonta a começos de fevereiro de 1978. IstoÉ foi a revista, eu a dirigia. Escrevi a reportagem e em parceria com Bernardo Lerer entrevistei o então presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo e Diadema, na vanguarda de um sindicalismo oposto ao dos pelegos.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Dizia a chamada de capa, estampada sobre o rosto volitivo do jovem líder: Lula e os Trabalhadores do Brasil. Já então sabia do seu projeto, criar um partido para defender pobres e miseráveis do País. Acompanhei a trajetória petista passo a passo e ao fundar o Jornal da República, que nasceu e morreu comigo depois de menos de cinco meses de vida, fracasso esculpido por Michelangelo em dia de desbordante inspiração, passei a publicar diariamente uma página dedicada ao trabalho, onde escreviam os novos representantes do sindicalismo brasileiro. Ao longo do caminho, o partido soube retocar seu ideário conforme tempos diferentes, mas permaneceu fiel aos propósitos iniciais e como agremiação distinta das demais surgidas da reforma partidária de 1979, marcado por um senso de honestidade e responsabilidade insólito no nosso cenário.</em></p>
<p><em>Antonio Palocci é apenas um exemplo de uma pretensa e lamentável modernidade, transformação que nega o passado digno para mergulhar em um presente que iguala o PT a todos os demais. Parece não haver no Brasil outro exemplo aplicável de partido do poder, é a conclusão inescapável. Perguntam os botões desolados: onde sobraram os trabalhadores? Uma agremiação surgida para fazer do trabalho a sua razão de ser, passa a cuidar dos interesses do lado oposto. Não se trataria, aliás, de fomentar o conflito, pelo contrário, de achar o ponto de encontro, como o próprio Lula conseguiu como atilado negociador na presidência do sindicato.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Há muito tempo, confesso, tenho dúvidas a respeito da realidade de uma esquerda brasileira, ao longo da chamada redemocratização e esgotadas outras épocas em que certos confrontos em andamento no mundo ecoavam por aqui. Tendo a crer, no momento, que a esquerda nativa é uma criação de fantasia, como a marca da Coca-Cola, que, aliás, o mítico Che Guevara bebia ironicamente às talagadas na Conferência da OEA, em 1961, em Punta del Este. Quanto à ideologia, contento-me com a tese de Norberto Bobbio: esquerdista hoje em dia é quem, aspirante à igualdade certo da insuficiência da simples liberdade exposta ao assalto do poderoso, luta a favor dos desvalidos. Incrível: até por razões práticas, a bem de um capitalismo necessitado de consumidores.</em></p>
<p><em>Nem a tanto se inclina a atual esquerda verde-amarela, na qual milita, digamos, o ultracomunista Aldo Rebelo, disposto a anistiar os vândalos da desmatação. E como não anistiar o ex-camarada Palocci? Lula fez um bom governo, talvez o melhor da história da República, graças a uma política exterior pela primeira vez independente e ao empenho a favor dos pobres e dos miseráveis, fartamente demonstrado. CartaCapital não regateou louvores a estes desempenhos, embora notasse as divergências que dividem o PT em nome de hipócritas interpretações de uma ideologia primária.</em></p>
<p><em>Na opinião de CartaCapital, e dos meus botões, não é tarefa de Lula defender o indefensável Antonio Palocci, e sim de ajudar a presidenta Dilma a repor as coisas em ordem, pelos mesmos caminhos que em 2002 o levaram à Presidência com todos os méritos.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p>Mino Carta</p>
<p>Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde. redacao@cartacapital.com.br</p>
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		<title>O fim da educação (end of education)</title>
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		<pubDate>Sun, 29 May 2011 00:12:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedoria para a juventude]]></category>

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		<description><![CDATA[Nelson Pretto, no Terra Magazine
A vida de pesquisador nas universidades está ficando cada dia mais   estranha. Quando comecei minha vida acadêmica no Instituto de Física da   Universidade Federal da Bahia, recebi logo na chegada um lugarzinho,  uma  sala com ar condicionado, escrivaninha, cadeira, máquina de   datilografar, um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Nelson Pretto</strong>, no <em><a href="http://terramagazine.terra.com.br/interna/0,,OI5126294-EI17985,00-O+fim+da+educacao.html" target="_blank">Terra Magazine</a></em></p>
<p><em>A vida de pesquisador nas universidades está ficando cada dia mais   estranha. Quando comecei minha vida acadêmica no Instituto de Física da   Universidade Federal da Bahia, recebi logo na chegada um lugarzinho,  uma  sala com ar condicionado, escrivaninha, cadeira, máquina de   datilografar, um telefone &#8211; que na verdade não funcionava lá muito bem!   -, papel e caneta. Os livros, estavam na biblioteca ou os comprávamos,   porque também não se publicava tanto quanto hoje. Dividia a sala com   mais um colega e, dessa forma, fazia minhas pesquisas sobre o ensino de   ciências e dava aulas na graduação. Depois, passei a integrar o corpo   docente da pós-graduação em Educação e, também por lá, sem nenhum luxo e   bem menos infra, tinha as condições mínimas para pesquisar sobre a   qualidade dos livros didáticos, campo inicial de pesquisa na minha vida   universitária.</em></p>
<p><em>O tempo foi passando e a universidade foi se especializando no seu  novo  jeito de ser. Foi crescendo e ganhando força a pós-graduação,  apareceram  os grupos de pesquisas que passaram a ser cadastrados no  CNPq, surgiu o  Currículo Lattes &#8211; o Orkut da academia -, a CAPES  intensificou a  avaliação da pós-graduação e… a guerra começou. Com as  demandas para a  pesquisa cada dia sendo maiores e o com os recursos  minguando (o Brasil  investe em C&amp;T apenas 1,2% do PIB enquanto os  Estados Unidos, por  exemplo, investem 2,7%), a avaliação da  produtividade &#8211; palavrinha  estranha no campo da pesquisa científica,  não?! &#8211; ganha corpo, no Brasil  e no mundo. &#8220;Publicar ou perecer&#8221; virou o  mantra de todo  professor-pesquisador. Mais do que isso, nas  universidades não temos  mais aquelas condições básicas dadas pela  própria instituição já que, de  um lado, ela foi perdendo cada vez mais  seu orçamento de custeio e, de  outro, as demandas aumentaram muito uma  vez que, mesmo na área das  Humanas, necessitamos de muito mais  tecnologia. Por conta disso, temos  que, literalmente, &#8220;correr atrás&#8221; de  recursos através dos chamados  editais. Assim, cada grupo de pesquisa  vive em função de sua capacidade  de captação de recursos &#8211; quem diria  que estaríamos falando assim, não  é?! &#8211; e transformaram-se em  verdadeiros setores administrativos nas  universidades. Demandam  secretários, contadores (esses, seguramente, os  mais importantes!),  administradores, bibliotecários, constituindo-se em  um verdadeiro  aparato burocrático para dar conta das cobranças formais  de cada um  destes editais e de suas famigeradas prestações de contas.</em></p>
<p><em>Pois quando pensamos que já estávamos no limite, e os colegas  Waldemar  Sguissardi e João dos Reis da Silva Jr com o seu &#8220;O trabalho   intensificado nas Federais&#8221; mostraram bem o fundo do poço, sabemos   através do colega Manoel Barral-Neto no seu blog &#8220;Sciencia totum   circumit orbem&#8221; que pesquisadores chineses estão recebendo um &#8220;estímulo&#8221;   equivalente a 50 mil reais para publicar suas pesquisas nas revistas  de  &#8220;alto impacto&#8221; científico, a exemplo da Science. Nos comentários que  se  seguiram ao texto, tomamos conhecimento com a postagem de Renato J.   Ribeiro que a Universidade Estadual Paulista (UNESP) está dando um   prêmio de cerca de 15 mil reais para quem publicar na Science ou Nature,   duas revistas de alto &#8220;fator de impacto&#8221;.</em></p>
<p><em>Também de São Paulo outra noticia veio à tona recentemente: o  resultado  da última avaliação realizada pelo Sistema de Avaliação de  Rendimento  Escolar do Estado de São Paulo (Saresp) apontou que os  estudantes não se  deram muito bem na avaliação de 2010. É com base no  rendimento dos  alunos que os professores da rede estadual paulista  recebem uma  gratificação &#8211; um bônus &#8211; no seu salário, num esquema  denominado  &#8220;pagamento por performace&#8221;, implantando no Estado  supostamente para  &#8220;estimular&#8221; a melhoria da educação paulista. O que se  viu com os últimos  resultados é que essa estratégia não funcionou.</em></p>
<p><em>E não funcionou porque esse não pode ser o foco da avaliação da   educação. A educação, em todos os níveis, precisa ser fortalecida, mas   não como o espaço da competição e sim como um espaço de formação de   valores, da colaboração e da ética. Em qualquer dos seus níveis, a  educação precisa ser compreendida como um  direito de todo o cidadão e  que não pode ser trocada por uns trocados.</em></p>
<p><em>Lembro Milton Santos: &#8220;essa ideia de que a universidade é uma   instituição como qualquer outra, o que inclui até mesmo a sua associação   com o mercado, dificulta muito esse exercício de pensar&#8221;. De fato, com   um dinheirinho extra por cada publicação, com um novo edital  disponível  para o próximo projeto, com a avaliação da CAPES na  pós-graduação  batendo às portas, deixando todos de cabelo em pé, e com a  lógica do  &#8220;publicar ou perecer&#8221;, parece que estamos chegando perto do  fim da  universidade enquanto espaço do pensar e do criar conceitos.  Viramos,  pura e simplesmente, o espaço da reprodução do instituído.</em></p>
<p><em>E isso é, no mínimo, lamentável. Na verdade, é  o próprio fim da educação. </em></p>
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		<title>Blog desflorestal</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2011 18:30:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Blog Catatau
&#8220;Certas práticas de agricultura são milenares. O  agricultor brasileiro teve suas principais conquistas há 500, às vezes  120 anos, e nunca houve catástrofes por isso. Por que então preservar  matas ciliares e encostas? Os Estados Unidos podem fazer o que quiserem  contra sua própria natureza, por que não podemos? ONG’s [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://catatau.blogsome.com/2011/05/25/1728/" target="_blank">Blog Catatau</a></p>
<p><a href="http://mob292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/desmatamento-charge.jpg?t=1306340889"><img class="alignright" src="http://mob292.photobucket.com/albums/mm7/catatando/desmatamento-charge.jpg?t=1306340889" alt="" width="240" height="125" /></a><em>&#8220;Certas práticas de agricultura são milenares. O  agricultor brasileiro teve suas principais conquistas há 500, às vezes  120 anos, e nunca houve catástrofes por isso. Por que então preservar  matas ciliares e encostas? Os Estados Unidos podem fazer o que quiserem  contra sua própria natureza, por que não podemos? ONG’s internacionais  pretendem atravancar o desenvolvimento do Brasil. Os usineiros do  agronegócio são os verdadeiros produtores de alimento. Eles trazem  desenvolvimento para suas regiões, formam empregos e são simples pessoas  físicas produzindo em suas terras. Por meio deles o Brasil alimenta  cada vez mais o mundo.&#8221; (&#8220;argumentos&#8221; dos deputados pró-ruralismo  durante a votação de ontem)<br />
</em></p>
<div><em>Tempos atrás os mesmos ruralistas <a href="http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/rs/plantao/10,2623529,Bancada-ruralista-faz-pressao-contra-novos-indices-de-produtividade.html" target="_blank">batiam o pé</a> contra a atualização (prevista na Constituição) dos índices de produtividade da agricultura brasileira. Mas ontem à noite <a href="http://www.redebrasilatual.com.br/temas/ambiente/2011/05/ruralistas-vencem-governo-na-votacao-do-codigo-florestal" target="_blank">garantiram</a>,  sem atualização necessária, a ampliação do desflorestamento pelo novo  Código Florestal, sob uma incrível, espetacular aliança entre o Partido <strong>Comunista </strong>do Brasil e os ruralistas.</em></div>
<div><em>O recado é bem nítido: <strong>não</strong> ao aumento da produtividade em terras dadas, mas <strong>sim</strong> ao aumento da exploração territorial, sem colocar a produtividade em  jogo. Ou melhor, tenta-se passar a idéia de que a produtividade só  aumenta com aumento de território, e por isso muitas facetas do  desmatamento devem receber anistia.</em></div>
<div><em>Os &#8220;produtores&#8221; &#8211; como eles se denominam,  englobando falaciosamente os produtores contrários &#8211; curiosamente batem o  pé contra a produtividade. Propriedade privada? Apenas se fugirmos a  qualquer discussão liberal e encararmos o termo &#8220;privado&#8221; sob o discurso  da capitania, do patrão, do Coroné (como dizia <a class="zem_slink" title="Luiz Gonzaga" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Luiz_Gonzaga">Luiz Gonzaga</a>).</em></div>
<div><em>E não obstante quem produz alimento <a href="http://portal.mda.gov.br/portal/saf/programas/Selo_da_A" target="_blank">são os agricultores familiares</a>, <strong>não os ruralistas</strong> (todos os jornais mostraram eles se dizendo produtores de alimentos).</em></div>
<div><em>Onde tal ruralismo predomina, certamente abundam  os lucros dos agronegociadores. Mas faltam empregos nas pequenas cidades  e elas esvaziam, <a href="http://www.google.com/search?q=censo+2010+" target="_blank">como revelou o censo de 2010 em muitos lugares</a>.  Muitos cruzaram a redução populacional com a falta de emprego, mas  curiosamente não cruzaram essa falta com as políticas unilaterais  praticadas desde décadas.</em></div>
<div><em>A maior riqueza do futuro é um empecilho ao Coroné.</em></div>
<div><em><a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/2011/05/24/lideres-de-projeto-extrativista-sao-assassinados-no-para/" target="_blank">Assassinato de extrativista</a> é coisa só pra gringo ver, como já demonstrava o caso de <a class="zem_slink" title="Chico Mendes" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Chico_Mendes">Chico Mendes</a>.  Antes de ser morto ele procurou jornalistas locais, mas sua morte ganhou  notoriedade devido à visibilidade internacional. Nos últimos dias, a  incrível confluência stalinista-ruralista tentou blindar a votação  contra o argumento da visibilidade internacional, denunciando um grande  complô conspiratório das ONG’s contra o &#8220;produtor&#8221; brasileiro. Assim,  ontem foi possível assassinar extrativistas (inclusive com requintes de  crueldade, orelhas cortadas e afins), sem que truculência tão simbólica  recebesse maior atenção da imprensa.</em></div>
<div><em>***</em></div>
<div><em><br />
</em></div>
<div>
<p><em><strong>Carta Aberta sobre o “Novo” Código Florestal<br />
</strong></em></p>
<p><em>Considerando a existência de um movimento político para a alteração   do Código Florestal Brasileiro e que este movimento não está assentado   em uma base científica sólida, nem respaldado por uma ampla discussão   participativa dos diferentes setores da sociedade, o Centro de Ciências   Biológicas da <a class="zem_slink" title="Universidade Federal de Santa Catarina" rel="homepage" href="http://www.ufsc.br/">Universidade Federal de Santa Catarina</a>, reunido no dia 13   de maio de 2011, apresenta por meio desta algumas posições importantes   relacionadas à discussão de um eventual “novo” código florestal:</em></p>
<p><em><span id="more-2099"></span><br />
</em></p>
<p><em><strong>- Reiteramos e manifestamos total concordância aos termos apresentados pelos cientistas ligados ao Programa Biota-FAPESP<a href="http://noticias.ufsc.br/2011/05/24/conselho-do-centro-de-ciencias-biologicas-divulga-carta-aberta-sobre-o-%E2%80%9Cnovo%E2%80%9D-codigo-florestal/#_ftn1" target="_blank"><strong>[1]</strong></a> em vários meios de divulgação durante o mês de julho de 2010, d</strong><strong>estacando os seguintes pontos e/ou citações:</strong></em></p>
<p><em>- “A alteração proposta reduzirá a restauração obrigatória de   vegetação nativa ilegalmente desmatada desde 1965, fazendo com que as   emissões de dióxido de carbono possam aumentar substancialmente e, a   partir de simples análises da relação espécies-área, é possível prever a   extinção de mais de 100 mil espécies, uma perda massiva que invalidará   qualquer comprometimento com a conservação da biodiversidade”.</em></p>
<p><em>- “A comunidade científica foi amplamente ignorada durante a elaboração do relatório de revisão do Código Florestal”.</em></p>
<p><em>- “A reformulação do código baseia-se na premissa errônea de que   não há mais área disponível para expansão da agricultura brasileira e   não foi feita sob o escudo de uma sólida base científica. Pelo   contrário, a maioria da comunidade científica sequer foi consultada e a   reformulação ajustou-se muito mais aos interesses unilaterais de certos   setores econômicos”.</em></p>
<p><em>- “Entre as conseqüências da aprovação da proposta de   reformulação, a carta menciona um ‘aumento considerável na substituição   de áreas naturais por áreas agrícolas em locais extremamente  sensíveis’,  a ‘aceleração da ocupação de áreas de risco em inúmeras  cidades  brasileiras’, o estímulo à ‘impunidade devido à ampla anistia  proposta  àqueles que cometeram crimes ambientais até passado recente’,  um  ‘decréscimo acentuado da biodiversidade, o aumento das emissões de   carbono para a atmosfera’ e o ‘aumento das perdas de solo por erosão com   conseqüente assoreamento de corpos hídricos” e comprometimento da   produção primária costeira.</em></p>
<p><em>- “Se houvesse um movimento para aprimorar o atual Código   Florestal, teria que envolver o sentido mais amplo de um Código de   Biodiversidades, levando em conta o complexo mosaico vegetacional, <strong>bem como os demais organismos associados,</strong> do território brasileiro. As novas exigências do Código Florestal   proposto têm um caráter de liberação excessiva e abusiva. Enquanto o   mundo inteiro repugna para a diminuição radical de emissão de CO<sub>2</sub>,   o projeto de reforma proposto na Câmara Federal de revisão do Código   Florestal defende um processo que significará uma onda de desmatamento e   emissões incontroláveis de gás carbônico”. </em></p>
<p><em>- “Se a nova proposta for aprovada, a faixa mínima de proteção   nas beiras de rios será extremamente reduzida. Topos de morro e áreas   acima de 1.800 metros deixam de ser protegidas. As demais áreas, mesmo   formalmente protegidas, poderão ser ocupadas por plantações, pastagens   ou construções, caso tenham sido desmatadas até 2008 e forem   consideradas ‘áreas consolidadas’. As principais candidatas a se   tornarem áreas consolidadas são justamente as áreas irregularmente   ocupadas, que sofrem com enchentes, deslizamentos, assoreamento e seca   de rios. Como não haverá recuperação e as ocupações permanecerão, essas   áreas serão condenadas a conviver eternamente com esses problemas,   perpetuando tragédias como as de Angra dos Reis, do Vale do Itajaí,   Alagoas e Rio de Janeiro (região de Nova Friburgo).</em></p>
<p><em> “Como mais de 90% dos imóveis rurais têm até quatro módulos   fiscais, boa parte deles concentrados no Sul e Sudeste, haverá grandes   áreas do país em que simplesmente não haverá mais vegetação nativa, pois   são essas áreas também que abrigam o maior número de APPs com ocupação   ‘consolidada’. Há ainda um grande risco de que propriedades maiores   sejam artificialmente divididas nos cartórios para serem isentas da   obrigação de recuperação – algo que já está ocorrendo, uma vez que não é   eficiente a fiscalização”. <strong>Adendo nosso</strong><strong>:   Essa ineficiência de fiscalização é reconhecida nos próprios termos e   argumentos da proposta de alteração, ao apontar a inaplicabilidade do   Código Florestal e a não inibição de muitos crimes ambientais ao longo   de décadas. Numa nação séria e eticamente estruturada, não se pode   admitir sua revogação ou modificação, justificada pelo fato de uma lei   não ser cumprida por falta de disposição em fiscalizar seu cumprimento,   sob o risco de consolidarmos crimes e termos leis descartáveis.</strong></em></p>
<p><em>“O principal erro deste ‘código novo’ é que ele não considera as   áreas que foram disponibilizadas para a agricultura historicamente,  mas  que são de baixa aptidão agrícola e por isso são subutilizadas  hoje, sem  papel ambiental e com baixo rendimento econômico, como os  pastos em  alta declividade”.</em></p>
<p><em><strong>Em relação à anistia proposta para as APPs irregulares:</strong></em><em> “Quem degradou as APPs não vai precisar recuperar e, pior, poderá   continuar usando a área desmatada. Quem preservou vai ser punido”. <strong>Adendo nosso</strong><strong>:   Além de todo o dano ecológico, e consequentemente, econômico e social,   que pode advir se essa alteração vigorar há um legado negativo, triste  e  vergonhoso: esse movimento terá conseguido destruir mais de 20 anos  de  conscientização no campo, desde que a redemocratização do país fez a   consciência ecológica e os conceitos de sustentabilidade saírem do   claustro da repressão. Um trabalho onde professores, cientistas,   pastorais, extensionistas agronômicos e muitos outros cidadãos de bem   dedicaram suas vidas será desprezado por interesses tão equivocados   quanto nocivos. </strong></em><em> </em></p>
<p><em>“Um inventário produzido pelo Programa Biota-FAPESP em 2010   mostra que mais de 70% dos remanescentes florestais no Brasil estão fora   das Unidades de Conservação e se localizam em propriedades privadas.  Se  não tivermos mecanismos legais para a conservação dessas áreas –  como a  RL e APP do código atual – elas vão ser degradadas depois da  moratória  de cinco anos determinada na proposta de alteração do  Código”.</em></p>
<p><em> “A preservação de mosaicos de vegetação, florestas ripárias – ou matas ciliares – e de áreas alagadas, <strong>bem como aos demais organismos associados, </strong>é   fundamental para a manutenção da qualidade da água de rios, lagos e   represas. Essa vegetação garante a capacidade dos sistemas para regular o   transporte de nutrientes e o escoamento de metais e poluentes. Esses   processos atingem tanto as águas superficiais como as subterrâneas<strong>. </strong>O   processo de recarga dos aqüíferos também depende muito da cobertura   vegetal. A vegetação retém a água que, posteriormente, é absorvida pelos   corpos d’água subterrâneos. Com o desmatamento, essa água escoa e os   aqüíferos secam. A delimitação de faixas marginais de mata é sempre   artificial, seja qual for a metragem. Não é possível estabelecer de   forma geral uma área de preservação de 15 metros dos dois lados do leito   dos rios. Seria preciso delimitar caso a caso, porque a necessidade de   preservação varia de acordo com a ecologia do entorno e os padrões de   inundação do sistema. A delimitação deve ter caráter ecológico e não se   basear em metragens. A modificação na legislação vai na contramão das   necessidades de preservação ambiental. Seria preciso preservar o máximo   possível as bacias hidrográficas. Mas o projeto prevê até mesmo o   cultivo em várzeas, o que é um desastre completo. Enquanto existem   movimentos mundiais para a preservação de várzeas, nós corremos o risco   de ir na contramão. Com o impacto que provocará nos corpos d’água, a   aprovação da modificação no Código Florestal prejudicará gravemente o   próprio agronegócio. Se não mantivermos as áreas de proteção, a   qualidade da água será afetada e não haverá disponibilidade de recursos   hídricos para o agronegócio. Fazer um projeto de expansão do  agronegócio  às custas da biodiversidade é uma atitude suicida”.</em></p>
<p><em>“O Código Florestal, criado em 1965, de fato tem pontos que   necessitam de revisão, em especial no que diz respeito aos pequenos   agricultores, cujas propriedades eventualmente são pequenas demais para   comportar a presença das APPs e a RL. Entretanto, qualquer que seja a   reformulação, ela deve ter uma base científica sólida. Essa foi a grande   falha da modificação proposta, que teve o objetivo político específico   de destruir ‘empecilhos’ ambientais à expansão da fronteira agrícola a   qualquer custo. O argumento central da proposta de reformulação foi   construído a partir de um ‘relatório cientificamente incorreto   encomendado diretamente pelo Ministério da Agricultura a um pesquisador   ligado a uma instituição brasileira de pesquisa’. ‘O relatório concluía   que não haveria área suficiente para a expansão agrícola no país, caso  a  legislação ambiental vigente fosse cumprida ao pé da letra. O   documento, no entanto, foi produzido de forma tão errônea que alguns   pesquisadores envolvidos em sua elaboração se negaram a assiná-lo’. Um   estudo coordenado por Gerd Sparovek, pesquisador da ESALQ-USP, que usou   sensoriamento remoto para concluir que a área cultivada no Brasil  poderá  ser praticamente dobrada se as áreas hoje ocupadas com pecuária  de  baixa produtividade forem realocadas para o cultivo agrícola.   ‘Melhorando a eficiência da pecuária em outras áreas por meio de   técnicas já conhecidas, não há qualquer necessidade de avançar sobre a   vegetação natural protegida pelo Código Florestal atual’.  As pastagens   ocupam hoje cerca de 200 milhões de hectares, com aproximadamente 190   milhões de cabeças de gado. ‘Caso dobremos a lotação de uma para duas   cabeças de gado, liberamos cerca de 100 milhões de hectares. A área   ocupada pelas três maiores culturas – soja, milho e cana – cobrem uma   área aproximada de 45 milhões de hectares. Portanto, com medidas simples   de manejo poderemos devolver para a agricultura uma área equivalente  ao  dobro ocupado pelas três maiores culturas brasileiras’. ‘O mais   paradoxal é que as mudanças beneficiam muito mais os proprietários de   grandes extensões de terra do que pequenos produtores’. Se houvesse   preocupação real com a produção de alimentos, o governo deveria ampliar e   facilitar o crédito aos pequenos produtores, investir em  infraestrutura  – como estradas e armazenamento – para auxiliar o  escoamento desses  produtos e, principalmente, investir maciçamente em  pesquisas que  beneficiassem essas culturas visando aumentar sua  produtividade”.</em></p>
<p><em>Além de reiterar e grifar os pontos acima, ressaltamos ainda o seguinte:</em></p>
<p><em>Debate científico não significa contratar cientistas para dar   pareceres convenientes e alinhados com certos interesses. É algo muito   maior, mais ético e mais socialmente engajado. Trata-se de respeitar os   valores nacionais, nos quais o país investe, ainda que pouco, para que   produzam conhecimento. Desprezar esse conhecimento é uma agressão à   ética, à ciência e à soberania nacional.</em></p>
<p><em>Não é com a revogação ou abrandamento de leis cientificamente   embasadas que o Brasil seguirá um rumo sustentável. Pelo contrário,   antes de revogar leis o próprio Estado deveria investir-se de forma mais   contundente na consolidação dessas leis. Há anos, nesse país, a   sociedade e a imprensa ressaltam que o desrespeito à legislação e a   impunidade associada a esse desrespeito são os temas que mais problemas e   prejuízos trazem ao verdadeiro desenvolvimento da nação brasileira.</em></p>
<p><em>Segundo dados oficiais, em pelo menos 85% das áreas  catastroficamente  afetadas pela enchente de 2008 no Vale do Itajaí –  SC, com desabamentos  e soterramentos e mais de 100 mortes, havia  alterações ambientais  associadas ao desrespeito à legislação ambiental,  em especial ao Código  Florestal. Ao mesmo tempo, Santa Catarina foi o  estado que mais devastou  suas florestas no país. Ainda assim, por mais  contraditório que seja,  logo após as catástrofes de 2008 em Santa  Catarina, o Governo desse  Estado apresentou um código ambiental  estadual, que  inconstitucionalmente, invalidava o Código Florestal  Brasileiro e  inaugurava o movimento de desmantelamento da legislação  ambiental  brasileira, contestado inclusive pelo Governo Federal e pelo  Congresso  Nacional. Como na atual proposta de alterações ao Código  Florestal,  naquela oportunidade, a comunidade científica de Santa  Catarina foi  amplamente desprezada. A resposta governamental oficial  diante da  catástrofe ambiental foi incentivar ainda mais a devastação  ambiental,  formalizando para o país e o mundo um dos piores exemplos de  ações  governamentais no que se refere ao desenvolvimento sustentável.</em></p>
<p><em>Existem excelentes modelos e exemplos de sucesso no mundo, como o  que  foi feito na região de Nova Iorque. Estudos científicos sérios   concluíram que as bacias hidrográficas do entorno da metrópole deveriam   ser preservadas e recuperadas para que se garantisse o abastecimento de   água em longo prazo para a mesma. O mesmo estudo concluiu que em  outros  setores das bacias poderiam ser flexibilizadas condicionalmente  as áreas  de preservação. Através de planejamento e criação de políticas  de Estado  (e não simplesmente de governos), os pequenos agricultores  que tivessem  prejuízos comprovados com a destinação de áreas de suas  propriedades à  preservação permanente, seriam compensados  economicamente, sendo que a  verba para essa compensação viria do  pagamento pelo uso da água na  cidade. A própria Política Nacional de  Recursos Hídricos, prevê e  estimula mecanismos desse tipo no Brasil,  mas sua aplicação, por razões  políticas e interesses econômicos de  grupos restritos não é estimulada.</em></p>
<p><em>A comunidade científica de Santa Catarina, em especial aquelas   relacionadas ao meio-ambiente, não pode ser desconsiderada quanto a sua   competência e dignidade uma vez mais, como tem ocorrido quanto aos atos   ou empreendimentos – irresponsáveis sobre o meio-ambiente – impostos   como fatos consumados. O país investiu na formação desses cientistas que   têm um papel social fundamental: mostrar à sociedade, com   imparcialidade e argumentação racional, que certos atos são negativos ao   verdadeiro e integral desenvolvimento do país.</em></p>
<p><em>A mudança do Código Florestal Brasileiro, especialmente da maneira   como está sendo feita, é um ato ético lesivo tanto à democracia, à   estabilidade ambiental, à manutenção dos recursos hídricos e da   biodiversidade, bem como à manutenção dos serviços ambientais –   essenciais à estabilidade econômica e social e dignidade e à soberania   nacional. Por essas razões, tal movimento tão pernicioso deve ser   contido. <strong>Afinal qual será a herança real e de longo prazo que nossa geração deixará as demais?</strong></em></p>
<p><em>Florianópolis, 13 de maio de 2011 [<a href="http://noticias.ufsc.br/2011/05/24/conselho-do-centro-de-ciencias-biologicas-divulga-carta-aberta-sobre-o-%E2%80%9Cnovo%E2%80%9D-codigo-florestal/" target="_blank">fonte</a>, via Idelber Avelar]</em></p>
<hr size="1" /><em><a href="http://noticias.ufsc.br/2011/05/24/conselho-do-centro-de-ciencias-biologicas-divulga-carta-aberta-sobre-o-%E2%80%9Cnovo%E2%80%9D-codigo-florestal/#_ftnref1" target="_blank">[1]</a> </em><em>Jean   Paul Metzger (Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo –   USP); Thomas Lewinsohn (Depto. de Biologia Animal da Universidade   Estadual de Campinas – UNICAMP); Luciano Verdade e Luiz Antonio   Martinelli (Centro de Energia Nuclear na Agricultura – CENA – USP);   Ricardo Ribeiro Rodrigues (Depto. de Ciências Biológicas da Escola   Superior de Agricultura Luiz de Queiroz – ESALQ-USP); Carlos Alfredo   Joly (Instituto de Biologia – UNICAMP); Jacob Palis (Academia Brasileira   de Ciências – ABC); Marco Antonio Raupp (Sociedade Brasileira pelo   Progresso da Ciência – SBPC); Aziz Nacib Ab’Saber (professor emérito da   Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – USP e pesquisador  do  Instituto de Estudos Avançados – IEA-USP); Ricardo Ribeiro Rodrigues   (ESALQ – USP); José Galizia Tundisi (Instituto Internacional de  Ecologia  – São Carlos – SP)</em></div>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_c.png?x-id=d286fbfc-7cfe-4de4-8df8-2811e1b8626e" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>Maconha, uma planta medicinal</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/maconha-uma-planta-medicinal/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 14:27:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[ A atual legislação do país sabota a pesquisa e impede a exploração assistida das baratíssimas propriedades medicinais da maconha
RENATO MALCHER LOPES
Houve época em que o uso de determinadas plantas medicinais era considerado bruxaria, e às almas das bruxas restava receber benevolente salvação nas fogueiras da Inquisição. Atualmente, o estigma que a maconha carrega faz, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em> <a href="http://4.bp.blogspot.com/__P2WtqK8vZo/SpMxLzDfLQI/AAAAAAAACJo/rQwC2r-PCPA/S220/belota.jpg"><img class="alignright" src="http://4.bp.blogspot.com/__P2WtqK8vZo/SpMxLzDfLQI/AAAAAAAACJo/rQwC2r-PCPA/S220/belota.jpg" alt="" width="103" height="220" /></a>A atual legislação do país sabota a pesquisa e impede a exploração assistida das baratíssimas propriedades medicinais da maconha</em></p>
<p><em>RENATO MALCHER LOPES</em></p>
<p><em>Houve época em que o uso de determinadas plantas medicinais era considerado bruxaria, e às almas das bruxas restava receber benevolente salvação nas fogueiras da Inquisição. Atualmente, o estigma que a maconha carrega faz, para muitos, soar como blasfêmia lembrar que se trata, provavelmente, da mais útil e bem estudada planta medicinal que existe.</em></p>
<p><em>Pior, no Brasil, se alguém quiser automedicar-se com essa planta, mesmo que seja para aliviar dores lancinantes ou náuseas insuportáveis, será considerado criminoso perante uma lei antiética, sustentada meramente por ignorância, moralismo e intolerância.</em></p>
<p><em>Apesar de sua milenar reputação medicinal ser inequivocamente respaldada pela ciência moderna, no Brasil, a maconha e seus derivados ainda são oficialmente considerados drogas ilícitas sem utilidade médica. Constrangedoramente, acaba de ser anunciado, na Europa e nos EUA, o lançamento comercial do extrato industrializado de maconha, o Sativex, da GW Pharma.</em></p>
<p><em>Enquanto isso, nossa legislação atrasada impede tanto o uso do extrato quanto o uso da planta in natura ou de seus princípios isolados.</em></p>
<p><em>Consequentemente, pessoas em grande sofrimento são privadas das mais de 20 propriedades medicinais comprovadas nessa planta.</em></p>
<p><em>Um vexame para o governo brasileiro, já que, em países como EUA, Canadá, Holanda e Israel, tais pessoas poderiam, tranquila e dignamente, aliviar seus sofrimentos com o uso da maconha e ver garantido seu direto de fazê-lo com o devido acompanhado médico.</em></p>
<p><em>Ingeridos ou inalados por meio de vaporizadores (que não queimam a planta), os princípios ativos da maconha podem levar ao alívio efetivo e imediato de náuseas e falta de apetite em pacientes sob tratamento quimioterápico, de espasmos musculares da esclerose múltipla e de diversas formas severas de dor -muitas vezes resistentes aos demais analgésicos.</em></p>
<p><em>Pesquisas recentes indicam também o potencial da maconha para o tratamento de doença de Huntington, do mal de Parkinson, de Alzheimer e de algumas formas de epilepsia e câncer. A redução da ansiedade e os efeitos positivos sobre o estado emocional são valiosas vantagens adicionais, que elevam sobremaneira a qualidade de vida dessas pessoas e, por conseguinte, seus prognósticos.</em></p>
<p><em>A maconha não serve para todos: há contraindicações e grupos de risco, como gestantes, jovens em crescimento e pessoas com tendência à esquizofrenia. Em menos de 10% das pessoas o uso descontrolado pode gerar dependência psicológica reversível. Mas, ponderados riscos e benefícios, para a grande maioria das pessoas, a maconha continua a ser remédio seguro.</em></p>
<p><em>A biotecnologia brasileira tem todas as condições para desenvolver variedades com diferentes proporções de princípios ativos, reduzindo efeitos colaterais e aumentando a eficácia das plantas (ou de seus extratos) para cada caso.</em></p>
<p><em>Indiferente, contudo, à ciência e à ética médica, a atual legislação brasileira sabota nossa pesquisa básica, clínica e biotecnológica nessa área de ponta e impede por completo a exploração assistida das preciosas e baratíssimas propriedades medicinais dessa planta.</em></p>
<p><em>É hora de virar esta página carcomida pelo obscurantismo e pelo desdém com o sofrimento humano, fazendo valer não apenas direitos fundamentais dos indivíduos mas também as próprias diretrizes da Política Nacional de Plantas Medicinais e Fitoterápicos, que, segundo o Ministério da Saúde, tem por objetivo: &#8220;garantir à população brasileira o acesso seguro e o uso racional de plantas medicinais e fitoterápicos, promovendo o uso sustentável da biodiversidade, o desenvolvimento da cadeia produtiva e da indústria nacional&#8221;.</em></p>
<p><em>RENATO MALCHER LOPES, neurobiólogo, mestre em biologia molecular e doutor em neurociências, é professor adjunto do departamento de fisiologia da Universidade de Brasília e coautor, com Sidarta Ribeiro, do livro &#8220;Maconha, Cérebro e Saúde&#8221;.</em></p>
<p><em>Fonte: http://sergyovitro.blogspot.com/</em></p>
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		<title>Drogas: muito além da hipocrisia</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/drogas-muito-alem-da-hipocrisia/</link>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 14:25:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Como políticas oficiais proíbem algumas substâncias, mas estimulam consumo irresponsável de centenas. Por que é preciso fazer exatamente o contrário
Por Henrique Carneiro* no site Outras palavras
Uma política sobre drogas deve abranger os três circuitos de circulação das substâncias psicoativas existentes na sociedade contemporânea: o das substâncias ilícitas, o das lícitas de uso recreacional e o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://1.bp.blogspot.com/_gyAHqsCEGag/SQYXBlE-tKI/AAAAAAAAAA8/-CK4eLK97Ws/s400/haze+nirvana+indoor.jpg"><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/_gyAHqsCEGag/SQYXBlE-tKI/AAAAAAAAAA8/-CK4eLK97Ws/s400/haze+nirvana+indoor.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a></p>
<p><em>Como políticas oficiais proíbem algumas substâncias, mas estimulam consumo irresponsável de centenas. Por que é preciso fazer exatamente o contrário</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>Por Henrique Carneiro* no site Outras palavras</em></strong></p>
<p><em>Uma política sobre drogas deve abranger os três circuitos de circulação das substâncias psicoativas existentes na sociedade contemporânea: o das substâncias ilícitas, o das lícitas de uso recreacional e o das lícitas de uso terapêutico.</em></p>
<p><em>A divisão estrita entre estes três campos é recente e sempre vem se alterando. O álcool já foi remédio, tornou-se droga proibida e voltou a ser substância de uso lícito controlado. Outras, como os derivados da Cannabis, que por milênios fizeram parte de inúmeras farmacopéias, <a class="zem_slink" title="Foraminifera" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Foraminifera">foram</a> objeto de uma proscrição oficial no século 20, a ponto de a ONU querer “erradicar” essa planta – assim como outras, tais como a <a class="zem_slink" title="ITIS Taxonomy ID 506807" rel="itis" href="http://www.itis.gov/servlet/SingleRpt/SingleRpt?search_topic=TSN&amp;search_value=506807">coca</a> e a papoula, produtora de ópio. Hoje, entretanto, a Cannabis tem uso medicinal reconhecido em muitos estados norte-americanos e em outros países.</em></p>
<p><em>Qual a fronteira conceitual estrita que separa essas drogas? <a class="zem_slink" title="Lysergic acid diethylamide" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Lysergic_acid_diethylamide">LSD</a>, DMT1 ou MDMA2 não possuem usos terapêuticos? O que é recreacional e o que é terapêutico? Esse último campo deve estar submetido apenas a monopólios de especialistas ou deve também abranger um amplo uso de técnicas de auto-cura?</em></p>
<p><em>Pretendo, neste texto, defender um regime mais “equalizador” em relação aos três tipos de substâncias mencionadas. Ao mesmo tempo que antiproibicionista, ele deve ser mais severo no que diz respeito à interdição da publicidade e à facilidade do acesso. Como “substâncias essenciais”3 as drogas psicoativas não devem estar ligadas a emprendimentos que estimulem continuamente o consumo os lucros crescentes que decorrem dao interesse privado. Defendo assim, a criação de um “fundo social” constituído com o faturamento de um mercado legalizado e estatizado de produção de drogas psicoativas em geral — tanto as hoje ilícitas como as legais.<span id="more-2055"></span></em></p>
<p><em>A indústria farmacêutica, no seu conjunto, concentra alguns dos maiores grupos empresariais do planeta. Hiperconcentrada, hiperlucrativa e em acelerado crescimento nas últimas décadas (faturou 773 bilhões de dólares em 20084). Estreitamente vinculada ao setor de produção de sementes transgênicas e agrotóxicos, esta indústria fundiu-se com a de alimentos por meio de várias compras e fusões empresariais. O ramo do tabaco também está imbricado com o setor alimentar e farmacêutico.</em></p>
<p><em>A última ameaça global pandêmica da gripe suína representou um crescimento ainda mais explosivo da indústria farmacêutica que já era um dos mais expansivos e poderosos.</em></p>
<p><em>Assim como ocorre com outros mercados, ele se reveste de uma hipertrofia excessiva nos países centrais e de uma carência enorme nos países periféricos.</em></p>
<p><em>A África tem apenas 1% do mercado farmacêutico, embora tenha epidemias como a da Aids que necessitariam enormemente de medicamentos. Desde o início do século 21, a África do Sul ameaçou desafiar o regime de patentes que impedia a venda barata de produtos monopolizados por grandes laboratórios e começar a produzir genéricos num laboratório indiano. A patente do retroviral <a class="zem_slink" title="Stavudine" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Stavudine">stavudine</a> pertence a universidade de <a class="zem_slink" title="Yale University" rel="geolocation" href="http://maps.google.com/maps?ll=41.3111111111,-72.9266666667&amp;spn=0.01,0.01&amp;q=41.3111111111,-72.9266666667%20%28Yale%20University%29&amp;t=h">Yale</a> (e rende 90% dos royalties dessa universidade, várias centenas de milhões de dólares), mas ela a cedeu em exclusividade para o laboratório <a class="zem_slink" title="Bristol-Myers Squibb" rel="homepage" href="http://www.bms.com/">Squibb</a> (BMS), que após uma grande disputa ofereceu o medicamento a um preço menor para os africanos mas sem quebrar o seu monopólio.</em></p>
<p><em>Esse monopólio de patentes como direito de propriedade intelectual representa uma forma de exclusivismo na circulação do conhecimento e é um dos pilares da forma atual de funcionamento do comércio internacional que favorece a acumulação de capital em detrimento dos interesses sociais da maioria da humanidade.</em></p>
<p><em>É possível quebrar monopólios de patentes (cuja duração é de vinte anos), em casos como uma epidemia ou a segurança nacional, mas mesmo na recente pandemia da gripe H1N1 não se colocou em causa a quebra da patente do <a class="zem_slink" title="Oseltamivir" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Oseltamivir">Tamiflu</a>. Os medicamentos continuam a ser produtos caríssimos e sua obtenção não está incluída nos planos de saúde.</em></p>
<p><em>Sabe-se que ao menos 1/4 de todos os remédios da indústria farmacêutica derivam de saberes fitoterápicos de povos tradicionais, que identificaram a maior parte das plantas medicinais e alimentares5. Os povos do mundo, entretanto, não recebem royalties e nem tampouco nunca lhes ocorreu monopolizar esse saber de forma implacável como faz a indústria farmacêutica.</em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #0000ff;"><em>Plantas de consumo milenar, como canábis, coca e papoula</em><br />
<em>são proibidas. Mas libera-se propaganda abusiva de</em></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<em>psicoativos que provocam muito mais acidentes e mortes</em></span></p>
<p><em>Dentre o conjunto dos medicamentos (que totalizam em média cerca de 15% dos orçamentos de saúde nos países centrais), destacam-se os chamados de psicoativos, que são os indicados para os estados de humor, como promoção da alegria e combate à tristeza; para os problemas mentais, como ansiedade ou falta de concentração; para o aumento do desempenho intelectual ou físico; para a tranquilização, sedação e analgesia; para a excitação sexual, etc.</em></p>
<div class="zemanta-img zemanta-action-dragged" style="margin: 1em; display: block;">
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Lsd.qutemol.png"><img title="SpaceFill representation of Lysergic acid diet..." src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/f0/Lsd.qutemol.png/300px-Lsd.qutemol.png" alt="SpaceFill representation of Lysergic acid diet..." width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Representação espacial da molécula de LSD</p></div>
</div>
<p><em>Exis</em><em>tem, portanto, três circuitos de circulação de drogas psicoativas na sociedade. O das substâncias ilícitas compõe um mercado paralelo e clandestino, cujo volume é calculado em torno de 400 bilhões de dólares, alimentado basicamente dos derivados de algumas das plantas mais tradicionais da história da humanidade: a coca, a canábis e a papoula. Cada vez mais cresce também um número de centenas de moléculas sintéticas novas que vêm sendo desenvolvidas nos últimos anos em laboratórios clandestinos. O montante do faturamento e as consequências sociais em geral associadas a essas drogas – como a violência e alto índice de aprisionamento – decorrem não do efeito específico das substâncias mas, sobretudo, da sua condição de ilegalidade.</em></p>
<p><em>O circuito das substâncias lícitas de uso recreacional, como o tabaco, as bebidas alcoólicas e cafeínicas, é regido pela legalidade, trazendo assim problemas relacionados ao uso abusivo ou excessivo e seus efeitos sociais – mas não uma violência intrínseca. É um mercado poderoso, de grandes multinacionais associadas à indústria da alimentação, mas também conhece micro-produtores domésticos ou artesanais. Todas estas substâncias já foram objeto de perseguição e tentativas de proibição. No caso do álcool, provocaram os problemas ligados à chamada “lei seca” que vigorou de 1920 a 1933 nos Estados Unidos.</em></p>
<p><em>O circuito que mais notável nas últimas décadas, entretanto, foi das substâncias da indústria psicofarmacêutica, chamados de remédios psicolépticos, psicoanalépticos e psicodislépticos. Desenvolvido especialmente a partir do segundo pós-guerra, é o mais rentável e o que mais tem crescido. É o de circulação mais volumosa, com maior número de consumidores e faturamento. Seus grandes fundamentos são o sistema de patentes, o monopólio médico da prescrição, um mercado publicitário dirigido para quem toma a droga mas também corruptor de quem a ministra (laboratórios que convencem médicos a receitarem os seus produtos). Sua outra contrapartida indispensável é a proibição concomitante do uso de diversas plantas psicoativas de uso tradicional – como a canábis, a papoula e a coca. As funções psicoterapêuticas que estas têm em medicinas tradicionais, passaram a ser substituídas por pílulas farmacêuticas.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>* * *</em></p>
<p><em>O mercado das substâncias psicoativas controla os mais eficientes instrumentos na luta contra o sofrimento e a busca da alegria. As drogas – não importa se fluoxetina, álcool ou maconha – oferecem a amenização da dor e a intensificação do prazer. Por isso são usadas. E de fato cumprem a promessa – cada uma com suas limitações e preço. Se existem há milênios, é porque não enganam a humanidade: trazem aquilo que nelas é buscado.</em></p>
<p><em>Num tempo de aumento de tensões e de sofrimentos psíquicos diversos e complexos, estão disponíveis centenas de moléculas puras, para os mais diversos efeitos. A indústria farmacêutica busca ampliar seu monopólio, substituindo usos de plantas tradicionais por fármacos patenteados, e colonizando cada vez mais a vida cotidiana, oferecendo novos “remédios” para as mais diferentes esferas comportamentais.</em></p>
<p><em>O maior número de usuários e dependentes de drogas na sociedade contemporânea são os consumidores de produtos da indústria farmacêutica. As drogas de farmácia também têm usos variados, que podem ser benéficos ou nocivos, equilibrados ou abusivos. Uma parte dos consumidores faz uso abusivo. Cerca de um terço das intoxicações que ocorrem no país, por exemplo, são devidas a drogas da indústria farmacêutica, numa proporção muito maior do que as que ocorrem por causa do uso abusivo de substâncias ilícitas.</em></p>
<p><em>Artigo do jornalista Ruy Castro, na Folha de S.Paulo (28/12/09)6, lembrou, a propósito da morte da atriz Brittany Murphy, que muitos outros artistas sofreram, assim como ela, assim como ela, do uso excessivo de remédios legais que os levaram a morte. Foram citados Carmem Miranda, Marilyn Monroe, Judy Garland, Elvis Presley e Michael Jakson.</em></p>
<p><em>Só no Brasil, há mais de 32 mil rótulos de medicamentos, com variações de 12 mil substâncias (a OMS considera como realmente necessários 300 itens), vendidos em mais de 54 mil farmácias (uma para cada três mil habitantes, o dobro da recomendação da OMS)7</em></p>
<div class="zemanta-img zemanta-action-dragged" style="margin: 1em; display: block;">
<div class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Sterling_Memorial_Library_2%2C_September_1%2C_2008.jpg"><img title="Yale University's Sterling Memorial Library, a..." src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/12/Sterling_Memorial_Library_2%2C_September_1%2C_2008.jpg/300px-Sterling_Memorial_Library_2%2C_September_1%2C_2008.jpg" alt="Yale University's Sterling Memorial Library, a..." width="300" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Yale University</p></div>
</div>
<p><em>U</em><em>ma parte cada vez maior destas drogas são substâncias psicoativas. Entre as principais estão os antidepressivos, as anfetaminas, os benzodiazepínicos, e muitos outros mais. Em 2008 e 2009 o segundo medicamento mais vendido no Brasil foi o benzodiazepínico Rivotril8.</em></p>
<p><em>A dependência de remédios, uma forma de consumo compulsivo às vezes chamada popularmente de “hipocondria” é uma característica marcante da relação das pessoas com as drogas. Por serem, por vezes, receitadas por um médico, são chamadas de “remédios”, mas o seu resultado é exatamente o mesmo de qualquer outro consumo compulsivo, podendo levar à efeitos daninhos para o organismo e à dependência e tolerância.</em></p>
<p><em>Para ampliar vendas, indústria alia-se a concepções</em><br />
<em>que enxergam estados mentais como “doenças”</em><br />
<em>– e só poderiam ser tratados, portanto, com “remédios”</em></p>
<p><em>Queixas de mal-estares vagos em pronto-atendimentos são medicadas comumente com benzodiazepínicos, especialmente se as pacientes forem mulheres e donas-de-casa. O uso de moderadores de apetite não só para diminuição de peso mas como estimulante também se propaga, ao ponto do Brasil ser um dos maiores mercados mundiais.</em></p>
<p><em>Também é comum o uso de certos produtos farmacêuticos para finalidades distintas das indicadas, devido a seus efeitos colaterais. Xaropes para tosse com codeína, remédios para dor de cabeça como Optalidon, medicamentos para mal de Parkinson como Artane ou mesmo de analgésicos são empregados como drogas para combater dores mais psíquicas do que propriamente orgânicas.</em></p>
<p><em>O uso de doses inapropriadas de drogas comuns pode ser extremamente perigoso, é o caso de overdoses da própria aspirina, que um estudo recente de Karen M. Starko apontou poder ser responsável por parte dos mortos na época da epidemia da gripe espanhola, em 19189. Durante a epidemia da gripe suína, chegou a se proibir a veiculação de publicidade de antifebris, para não haver indução à medicação excessiva, desnecessária e muitas vezes perigosa.</em></p>
<p><em>Muito além do simples e indefinível efeito farmacológico objetivo, todo remédio também é uma representação que se auto-reforça por meio do efeito-placebo inerente à todo medicamento. O que se vende com o mercado de drogas são modos de produção da subjetividade. Assim o fazem os usuários que as inserem em contextos sociais, cerimoniais e até rituais. Também assim o consideram as agências publicitárias que, ao promoverem álcool, tabaco ou remédios, vendem estados de espírito, modelos de felicidade da alma, humor em pílulas. Mais do que venderem, exacerbam, pois, conforme a hipnótica cantilena publicitária, só há requinte com um cigarro na mão, só há festa com cerveja e decotes generosos, só há felicidade plena com o sono, a ansiedade e a tristeza geridos por meio de doses de pílulas ou elixires.</em></p>
<p><em>Por isso os orçamentos administrativos e de marketing das indústrias farmacêuticas são muito maiores que os de pesquisa. Estes sempre são interrompidos após o lançamento do fármaco no mercado, não havendo acompanhamento exaustivo de seus efeitos previstos e colaterais de longo prazo nas populações usuárias. A própria técnica publicitária nasce, desde o final do século XIX, fortemente ligada à venda de medicamentos, tônicos, fortificantes, etc., vendendo estilos de vida mais do que os produtos em si. Até hoje, o setor da venda de drogas (seja álcool, tabaco ou remédios) representa uma das maiores fatias do mercado publicitário internacional e brasileiro.</em></p>
<p style="text-align: center;"><em>* * *</em></p>
<p><em>De toda a indústria farmacêutica, o setor das drogas psicoativas é não só uma das mais lucrativas como a que teve influência cultural mais significativa. O que pouco se percebe é que paralelamente à emergência de um proibicionismo de certas drogas ocorreu uma exacerbação na compulsão ao consumo de fármacos industriais (assim como também o de alimentos e outras mercadorias).</em></p>
<p><em>Os anti-psicóticos, soníferos, tranquilizantes, ansiolíticos e anti-depressivos despontaram desde os anos 1950 como carros-chefes não só da indústria, como de estilos de vida. O uso de pílulas tornou-se um hábito considerado normal, não só como suplementos vitamínicos ou fortificantes mas como reguladores mentais, moduladores psíquicos, capazes de alterar o humor, o sono, a tensão e a motivação.</em></p>
<div class="zemanta-img zemanta-action-dragged" style="margin: 1em; display: block;">
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Benthic_foraminifera.jpg"><img title="Foraminiferan tests (ventral view)" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/10/Benthic_foraminifera.jpg/300px-Benthic_foraminifera.jpg" alt="Foraminiferan tests (ventral view)" width="300" height="299" /></a><p class="wp-caption-text">Testes com Foraminiferan</p></div>
</div>
<p><em>Junto a cada um dos novos fármacos se construiu uma entidade nosológica nova, para a qual cada medicamento s</em><em>eria o específico terapêutico. O erro central dessa visão psicofarmacêutica é considerar o sintoma (por exemplo, a depressão) como a doença. Ao invés de oferecer uma interpretação do seu sofrimento e de suas causas, uma “narrativa” que lhe desse sentido, como diz David Healy, passou a se oferecer (vender, melhor dizendo) uma pílula miraculosa. Este médico e professor de Medicina Psicológica fez uma análise da emergência da depressão como um quadro clínico e nosológico desde os anos de 1950 – e da concomitante ascensão dos medicamentos antidepressivos como mercadorias de alta lucratividade numa das indústrias que mais floresceu desde o segundo pós-guerra. O livro em que relatou suas observações, The Antidepressant Era (1997), é obra importante para compreender os múltiplos significados dessa era de novas drogas e novas políticas sobre drogas, que abrangem não apenas o universo médico strito sensu, mas também a vida cotidiana cada vez mais medicalizada e farmacologizada.</em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #0000ff;"><em>Postura não-infantil exige encarar papel das drogas</em><br />
<em>em todas as culturas, incentivando usos adequados</em></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<em>e desestimulando compulsão e irresponsabilidade</em></span></p>
<p><em>A partir dos anos 1950, a grande inovação – além dos barbitúricos, para sedação – foram remédios contra a depressão, tais como imipramina, lançada em 1957 sob o nome de Tofranil. Veio a seguir a amitriptilina, lançada em 1961. Nem sequer o escândalo da talidomida, lançada como sedativo e tranquilizante, em 1957, e responsável por mais de seis mil casos de má-formação fetal em grávidas que o usaram, desestimulou o crescente mercado do consolo e do apaziguamento psíquico.</em></p>
<div class="zemanta-img zemanta-action-dragged" style="margin: 1em; display: block;">
<div class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Koeh-204.jpg"><img title="From the Novara Expedition: sketch of a Coca plant" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/7/7e/Koeh-204.jpg/300px-Koeh-204.jpg" alt="From the Novara Expedition: sketch of a Coca plant" width="300" height="354" /></a><p class="wp-caption-text">Sketch da planta de coca</p></div>
</div>
<p><em>Nos anos 80 e 90 a fluoxetina, sob o nome de Prozac, tornou-se um dos medicamento psicoativos a vender muitos bilh</em><em>ões de dólares e foi o emblema de uma época em que a indústria farmacêutica criava uma nova cultura de dependência de drogas – ao mesmo tempo que se desencadeava uma guerra sem quartel contra algumas drogas ilícitas, muitas delas plantas de usos tradicionais milenares.</em></p>
<p><em>Recentemente, a própria suposta eficácia dos anti-depressivos foi questionada, pois nem todos os estudos realizados são publicados. Mesmo entre os publicados, a diferença entre o efeito dos placebos comparado ao efeito dos fármacos é muito pequena, nos casos majoritários de depressões leves10.</em></p>
<p><em>Ainda assim, o uso (inclusive infantil) de psicoativos como antidepressivos aumentou vertiginosamente, estendendo-se a um conjunto infinito de condutas a serem supostamente corrigidas pelo medicamento. De enurese noturna até hiperatividade, de insônia a ansiedade, de “pânico social” à “síndrome do pânico”, dentre os tantos novos rótulos que surgem para configurar supostos quadros nosográficos. A OMS profetiza que, em algumas décadas, a depressão será a doença mais incapacitante do mundo, o que por si já é revelador da situação de insustentabilidade que vive o sistema econômico capitalista. Recentemente surgiu até mesmo uma versão veterinária do Prozac para cães.</em></p>
<p><em>O uso de drogas na sociedade cresce sobretudo por meio dos remédios legais, cuja publicidade incita a um consumo fetichizado e hipocondríaco, na busca de panaceias químicas para mal-estares sociais e psicológicos.</em></p>
<p><em>Uma política realmente democrática em relação às drogas psicoativas seria aquela que legalizasse todas, submetendo-as a um mesmo regime, não importa se remédios sintéticos ou derivados de plantas tradicionais. Ao mesmo tempo, tal política deveria ampliar a severidade dos controles, distintos para cada substância. Toda publicidade em veículos de mídia destinados ao público em geral deveria ser proibida. A fiscalização e punição para consumos irresponsáveis – ao volante, por exemplo – de álcool ou outras drogas, deveria ser rígida.</em></p>
<p><em>Outra medida necessária seria a estatização da grande produção e do grande comércio. Ela evitaria que corporações gananciosas dominassem o mercado e garantiria que todos os lucros desse comércio fossem direcionados para fins sociais – inclusive para programas de desabituação para os consumidores problemáticos que necessitassem. Além de uma política em favor dos genéricos e da quebra das patentes farmacêuticas, o Estado deveria garantir a fabricação de todos os fármacos indispensáveis, oferecendo-os ao menor preço possível e aplicando os lucros obtidos no interesse social. Um amplo programa de pesquisa, com financiamento e destinação pública, poderia assim estimular também o desenvolvimento de novos fármacos.</em></p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #0000ff;"><em>Legalização e controle público afastariam</em><br />
<em>crime organizado e criariam fundo público para</em></span> <span style="color: #0000ff;"><br />
<em>financiar Saúde – inclusive atendimento aos dependentes</em></span></p>
<p><em>Tais diretrizes deveriam se aplicar tanto aos remédios fisiológicos quanto aos três grupos de substâncias psicoativas consideradas nestes estudo: as da indústria farmacêutica; as recreativas lícitas, como álcool e tabaco; e as hoje consideradas ilícitas. A legalização da maconha, da cocaína e de todas as drogas, sob controle estatal do grande atacado e produção afastaria o atrativo para o crime organizado, permitiria maior monitoramento dos usos problemáticos e encaminhamento dos necessitados a tratamentos. Financiados pela própria renda gerada na venda legal, seriam oferecidos no serviço público de saúde.</em></p>
<p><em>Por que não criar-se um Fundo Social – resultado não apenas de impostos, mas do controle econômico estatal da grande produção e circulação de drogas, remédios, bebidas e cigarros? O conjunto do faturamento obtido poderia servir para custear o orçamento de Saúde Pública.</em></p>
<p><em>Um leque imenso de iniciativas individuais, familiares, comunitárias e microempresariais poderia ser não só mantido, mas estimulado, no campo do cultivo e da produção dessas substâncias. Produtores de bebidas como vinhos, cervejas ou aguardentes, cultivadores de fumos de qualidade ou canabicultores deveriam ser estimulados com apoio creditício e fiscal.</em></p>
<p><em>O conjunto das drogas legalizadas acabaria com os efeitos nefastos do chamado “narcotráfico”, encerraria a “guerra contra as drogas”, libertaria os prisioneiros dessa guerra: em torno de metade da população carcerária tanto nos EUA como no Brasil. Seria interrompido o crescimento vertiginoso do encarceramento por drogas, principal fonte de lucros para o sistema penal privado norte-americano e mecanismo de repressão social e racial contra os pobres e os afrodescendentes no Brasil. Reduziriam-se os danos sociais dos usos problemáticos de drogas. Seriam potencializados os usos positivos, tanto terapêuticos como recreacionais.</em></p>
<p><em>Os fármacos em geral, e os psicofármacos em particular, oferecem um florescente futuro. Inúmeras novas moléculas poderão ser inventadas, além dos usos diversos que já se podem fazer das substâncias existentes. Isso amplia um repertório que serve a fins terapêuticos, lúdicos, recreacionais, devocionais, de reflexão filosófica, de autoconhecimento e de regulação humoral (os timolépticos). Infelizmente, também pode ser usado de formas autodestrutivas, excessivas, abusivas e descontroladas. Uma cultura da autonomia responsável supõe o uso consciente do potencial de todos os fármacos, que são, como os alimentos, produtos da cultura material que ingerimos para finalidades úteis ao nosso corpo.</em></p>
<div class="zemanta-img zemanta-action-dragged" style="margin: 1em; display: block;">
<div class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Tamiflu.JPG"><img title="Tamiflu" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/9/98/Tamiflu.JPG/300px-Tamiflu.JPG" alt="Tamiflu" width="300" height="194" /></a><p class="wp-caption-text">Tamiflu</p></div>
</div>
<p><em>Usar as “tecnologias de si” de forma construtiva significa por um lado acabar com a “guerra contra as drogas” e o proibicionismo demonizante de certas substâncias. Mas, por outro, significa recusar os efeitos alienantes de uma cultura publicitária que faz da saúde um negócio e da necessidade das drogas um mercado oligopólico global.</em></p>
<p><em>–</em><br />
<em>Henrique Carneiro é historiador, bacharel, mestre e doutor em História Social pela USP. Professor na cadeira de História Moderna no Departamento de História da USP (Universidade de São Paulo), é também pesquisador do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre Psicoativos (NEIP). Publicou seis livros e diversos artigos para jornais e revistas acadêmicas (ver aqui). Sua linha de pesquisa atual aborda a história da alimentação, das drogas e das bebidas alcoólicas.</em></p>
<p><em>Bibliografia:</em></p>
<p><em>BALICK, Michael J.; e COX, Paul Alan, Plants, People, and Culture. The Science of Ethnobotany, N. York, Scientifican American Library, 1997.</em></p>
<p><em>HEALY, David, The Antidepressant Era, 1997, Harvard University Press, 1997.</em></p>
<p><em>IMS HEALTH www.imhshealth.com</em></p>
<p><em>MOYNIHAM, Ray; e CASSELS, Alan, “Comerciantes de enfermedades” in Le Monde Diplomatique Ed. Chilena, Santiago, 2006.</em></p>
<p><em>RUDGLEY, Richard, Essential substances. A cultural history of intoxicants in society, N. York, Kondansha, 1993.</em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Notas:</em></p>
<p><em>1Dimetrilptamina, princípio ativo do ayahusca, utilizado nos rituais do Santo Daime. Mais informações na Wikipedia</em></p>
<p><em>2 Metilenodioximetanfetamina, também conhecida como ecstasy. Verbete na Wikipedia</em></p>
<p><em>3 Expressão adotada por Richard Rudgley para denominar as drogas psicoativas em Essential substances. A cultural history of intoxicants in society (N. York, Kondansha, 1993).</em></p>
<p><em>4 Cf. IMS Health, 2009.</em></p>
<p><em>5Michael J. Balick e Paul Alan Cox, Plants, People, and Culture. The Science of Ethnobotany, N. York, Scientifican American Library, 1997,p.25.</em></p>
<p><em>6 Ruy Castro, “Vale das bolinhas”, FSP, 28/12/2009, p.2.</em></p>
<p><em>7Jomar Morais, “Viciados em remédios”, Superinteressante, nº 185, fevereiro de 2003, p.44.</em></p>
<p><em>8 Segundo IMS Health, o primeiro é uma pílula anticoncepcional.</em></p>
<p><em>9“Aspirina pode ter tido um papel na epidemia de gripe de 1918”, Nicholas Bakalar (New York Times), in Folha de S.Paulo, 13/10/2009.</em></p>
<p><em>10“Effectiveness of antidepressants: an evidence myth constructed from a thousand randomized trials?”, John P. A. Ioannides, in Philosophy, Ethics, and Humanities in Medicine, 3:14, 27 de maio de 2008.</em></p>
<p><em>Comentários (0)</em></p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_c.png?x-id=1345ea3d-8dea-431c-ad42-a3621b9d22b7" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>Tia Joicy tem a força masculina, mas é fêmea e resiste como as fêmeas</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Apr 2011 00:51:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Cristiane Melo
Meu nome é Cristiane, sou sobrinha de Joicy, filha de Nenem, primeira  entrevistada da reportagem que trata do &#8220;diálogo com a família&#8221;.  Atualmente moro em Fortaleza, mas todos os dias acompanho as edições  online do JC e hoje tive a grata surpresa de ver essa reportagem tão  sensível, que pelo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><a href="http://jconlineimagem.ne10.uol.com.br/imagem/home-portal/normal/b48adbb4a62708ea6b3c834a3d99878a.jpg"><img class="aligncenter" src="http://jconlineimagem.ne10.uol.com.br/imagem/home-portal/normal/b48adbb4a62708ea6b3c834a3d99878a.jpg" alt="" width="523" height="256" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Cristiane Melo</strong></p>
<p><em>Meu nome é Cristiane, sou sobrinha de <a href="http://www2.uol.com.br/JC/especial/joicy/" target="_blank">Joicy</a>, filha de Nenem, primeira  entrevistada da reportagem que trata do &#8220;diálogo com a família&#8221;.  Atualmente moro em Fortaleza, mas todos os dias acompanho as edições  online do JC e hoje tive a grata surpresa de ver essa reportagem tão  sensível, que pelo roteiro poderia virar um filme.</em></p>
<p><em>Tia Joicy não é fácil! Mas imagine desde a adolescência sofrer desprezo e descaso pelo simples fato de não ser igual a todos!<br />
Tia  é diferente, mas é igual aos seus familiares e amigos, na simplicidade e  leitura da vida: deseja ser feliz e luta para isso como toda boa  nordestina obcecada por seus sonhos. Por isso sofre para conseguir  reconhecimento pela sua condição feminina e  continua a enfrentar o  preconceito, porém com suas ferramentas: a rispidez, a  ignorância, mas  não daquela ignorância  que falava Tereza Brito, mas da ignorância pela  falta de conhecimento, por falta de orientação, pela falta de  compreensão e afeto.<br />
</em></p>
<p><em>Não conhecia a obstinação da minha tia para  conseguir essa cirurgia, mas convivi com minha tia e sei que Joicy não é  odiada,pelo menos não tão odiada, como disse Luciana, sua sobrinha;  antes ela é ignorada, agredida verbalmente por familiares, que não  compreendem sua situação e ela obviamente revida com vigor.<br />
</em></p>
<p><em>Não estou  indo contra minha mãe, pelo contrário, até porque minha mãe sempre foi  uma das pessoas que sempre esteve ao seu lado, até porque como ela mesmo  disse “para nós ela sempre vai ser a mesma” e é verdade ela mudou o  corpo, mas o espírito irreverente continua o mesmo. Porém, para Joicy a  história é outra, agora o corpo se moldou a alma!<br />
</em></p>
<p><em>Tia Joicy, tem a  força masculina, mas é fêmea e resiste como as fêmeas, desafia o  machismo inerente a essa sociedade, que cobra do homem atitude de homem,  ainda que ele não seja, esse homem que muitas vezes descarta o diálogo e  não pondera as diferenças, esse homem que tanto pode ser homem como  mulher, não é questão de gênero e sim de humanidade.<br />
</em></p>
<p><em>Acho que Deus  não julga tia Joicy, porque Ele conhece profundamente seus filhos! Os  homens julgam porque são incapazes de libertar-se de sua existência  recalcada e encruada pelo desamor.<br />
</em></p>
<p><em>Parabéns ao JC pelo respeito como mostrou tia Joicy.<br />
Um beijo especial para Joicy!</em></p>
<p>Veja <a href="http://www2.uol.com.br/JC/especial/joicy/">aqui</a> o especial produzido pelo Jornal do Commercio sobre a transformação de Joicy (na foto acima).</p>
<p>-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-xx-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-x-</p>
<p>O texto acima foi escrito pela sobrinha de Joicy e enviado ao Jornal do Commercio.</p>
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		<title>Deixar a vida para entrar no espetáculo</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Apr 2011 23:26:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Investigações paralelas]]></category>
		<category><![CDATA[O inferno são os outros]]></category>

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		<description><![CDATA[Por Eugênio Bucci, para o Observatório da Imprensa
Psicanalistas, psicólogos e criminologistas vêm apontando traços comuns no perfil desses sujeitos que, de repente – e de uma vez –, descarregam suas armas contra adolescentes dentro da escola. Os assassinos são sempre do sexo masculino. São retraídos. São jovens. São suicidas. Os hábitos também são comuns. No [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Por Eugênio Bucci, para o Observatório da Imprensa</p>
<p><em>Psicanalistas, psicólogos e criminologistas vêm apontando traços comuns no perfil desses sujeitos que, de repente – e de uma vez –, descarregam suas armas contra adolescentes dentro da escola. Os assassinos são sempre do sexo masculino. São retraídos. São jovens. São suicidas. Os hábitos também são comuns. No período anterior ao crime – que pode se estender por meses ou mesmo por anos –, eles mantêm, em geral, uma rotina reclusa, sobre a qual não gostam de conversar. Freqüentam sites sobre armas e também sobre fundamentalismos, religiosos ou políticos. Procuram se adestrar em práticas militares. Depois, quando é tarde demais, descobre-se que deixavam pistas, algumas até conscientemente, indicando tendências destrutivas. Acontece que essas pistas não eram notadas. Aí, dizem alguns psicólogos, estaria o gatilho de tudo: eles não eram notados. Eles não conseguiam ser notados.</p>
<p>Nesse ponto, a análise dos perfis psicológicos, que é da competência dos psicanalistas e criminologistas, encontra nexo com o estudo das linguagens e da comunicação social. Se é verdade que o gesto monstruoso tem ao menos parte de sua origem no impulso agora incontrolável de se fazer notar – o que é matéria para os psicanalistas –, o lugar em que esse gesto procura se instalar, para que seu autor seja finalmente olhado, é a manchete de jornal – e isso é objeto dos estudos da comunicação. Esse tipo de homicida teria sua gênese, como todos os outros, no perfil psicológico, mas o seu gesto final seria da ordem do espetáculo. Por isso, é possível que parte da compreensão desses crimes ainda venha a ser completada pelos estudos da mídia, uma vez que, nesse caso, o desejo de matar se confunde com o desejo de platéia.</p>
<p>Na civilização da imagem – que é a nossa –, a invisibilidade pode ser um inferno em vida. Não ser visto, ou, mais que isso, não conseguir ser ao menos visível, equivale a não existir. Um adolescente perseguido pelo fantasma da invisibilidade talvez se sinta como se, olhando-se num grande espelho, ao lado dos colegas, não conseguisse ver refletida a sua própria imagem ao lado das imagens dos outros. Num tempo em que todas as representações só existem quando passam pelas imagens – imagens reconhecíveis e valorizadas pela comunidade a que se pertence –, livrar-se da invisibilidade é uma questão de vida ou morte.</em></p>
<p><em><span id="more-1964"></span></p>
<p><strong><!--more-->O terrorismo em causa própria</strong></p>
<p>É óbvio que são muitos os criminosos que, pela violência, buscam uma revanche. Aqui, no entanto, existe uma particularidade mórbida: o vetor desse acerto de contas é, invariavelmente, a chamada &#8220;mídia&#8221;. Esses rapazes que matam seus pares aos montes e, assim, tentam trocar a insignificância pelo superestrelato, que dá picos de audiência e bate recordes de vendagem nas bancas, não estariam saciados e não se sentiriam vingados se cometessem suas atrocidades no escuro, longe das platéias. De escuridão e invisibilidade, já basta sua biografia. Em seu apogeu de sangue, o fundamental é ser vistos. As mortes são um atalho – necessário, por certo, mas não passam de um atalho – para a fama total. Assim, seu acerto de contas não dispensa os holofotes.</p>
<p>A constatação é perturbadora. Por tudo o que se pode observar nesses crimes, os homicídios só acontecem porque seus autores desejam ser olhados – e, se é que alguma certeza pulsa nos descaminhos do desejo, eles têm a certeza de que serão olhados. Eles não calculam, racionalmente, o crime indescritível como se ele fosse uma estratégia. Bem ao contrário, eles internalizaram, inconscientemente, a lógica da visibilidade midiática como se esta fosse a única lógica possível da existência. Com suas atrocidades, esses pobres meninos monstruosos suplicam uma esmola ao imenso olhar que transborda pelo mundo. Por isso, eles se dirigem à mídia na hora de matar. É com ela que negociam. É com ela que conversam, seja por meio de uma carta-testamento ou de um vídeo que em seguida vai parar no YouTube. Sim, eles sabem que serão olhados, mas não sabem que matam por isso.</p>
<p>Não obstante, as crianças que morreram numa escola do Realengo, no Rio de Janeiro, no dia 7 de abril de 2011, morreram por isso e para isso. Suas vidas foram o atalho para o assassino carente de olhar. Morreram como se fizessem uma abertura de um grande show, cujo clímax é o suicídio de seu algoz. Nesse ritual, o assassino firma um pacto: em troca da fama que sempre quis ter, ele mata e também se mata. Eis o que vai redimi-lo. Não há vida depois da morte: há o espetáculo e isso lhe basta. Ele é o terrorista em causa própria. Sim, um terrorista, pois o terror que inspira não se esgota com ele: depois dele, virão outros. O medo aumenta.</p>
<p><strong>A forma vazia da morte múltipla</strong></p>
<p>Falei há pouco de um nexo entre o psiquismo desses rapazes e as representações imaginárias nos meios de comunicação. Esse nexo nos ajuda a entender o que ainda desconcerta analistas que não vêem nesses crimes uma dimensão específica que eles têm: a dimensão de um ato de propaganda, que procura tomar de assalto o olhar do mundo.</p>
<p>Esse tipo de crime é concebido e encenado como atentado midiático – e isso é o que ele tem de mais central. O seu formato é padronizado, ou, para sermos exatos, industrialmente padronizado. Assim como há gêneros de filme, todos eles industrialmente padronizados, assim como também foram industrialmente padronizados os gêneros de orientação sexual, os gestuais e estereótipos religiosos, de estilos musicais, as manifestações políticas, esse tipo de assassinato de múltiplas vítimas simultâneas se articula como linguagem midiática.</p>
<p>Tanto é assim que essa modalidade de crime obedece a um protocolo em sua forma: os disparos são rápidos e se prolongam até que venha a resistência, trazendo consigo o olhar da sociedade alarmada. Além da forma, porém, não há mais nada. Essa modalidade de crime não tem conteúdo nenhum. Ele é uma forma vazia, que se alastra pelo mundo na mesma onda em que a indústria do entretenimento abraça os continentes. É aparência vazia. Tem o formato e o ritmo milimetricamente delineados pelo espetáculo – e não tem sentido.</p>
<p>Visto pela psicologia, o seu protagonista mata os semelhantes para matar seus próprios demônios, que cortaram seu acesso à razão. Visto como um fenômeno de comunicação, porém, ele assume outra figura. Ele irrompe na cena porque matou e também porque se matou. Ou, então, ele matou e se matou para, finalmente, aparecer. Ele morreu para existir naquela instância de representação que o ignorava. E isso é tudo.</p>
<p><strong>Gostava de música americana</strong></p>
<p>Alguém então perguntaria: mas então esse é um formato de crime tipicamente americano? A resposta seria sim, ele é americano na mesma medida em que o rock é americano, em que o filme de ação é americano, em que o paradigma de juventude da nossa era é um pouco inglês, um pouco francês, vá lá, mas é fundamentalmente americano, assim como a democracia de massas é tipicamente americana. Ele é americano assim como as narrativas que nos amarram são predominantemente americanas. Ele é americano, por certo, mas não isso não significa que ele seja culpa dos americanos, por favor.</p>
<p>A tendência de que essa modalidade de crime se banalize está definitivamente instalada. No curso da banalização, ela irá se diluir como forma até perder o interesse. Antes disso, no entanto, os jornalistas terão de se ocupar, ainda outras vezes, e sempre tragicamente, de horrores análogos. É possível que eles se indaguem, às vezes, se devem dedicar tanto destaque a essas coberturas. É possível que se questionem: será que tanta manchete, tanta capa de revista, tanto horário nobre, será que tudo isso não vai encorajar outros criminosos com o mesmo perfil? Será que outros, que também se torturam ao não ver sua imagem refletida no brilho do olhar das meninas da escola, não vão empunhar uma metralhadora para pleitear seu lugar de destaque na galeria infame que nós mesmos, jornalistas, ajudamos a fabricar? Se é dever da imprensa noticiar os males que se fazem às escondidas, da corrupção ao genocídio, é dever dela amplificar as matanças que só foram perpetradas porque desejavam a atenção dos holofotes?</p>
<p>Mesmo assim, o jornalismo continuará a noticiar o que se vê impelido a noticiar, e virão outros para a mesma galeria. Não há o que o jornalista possa fazer. Ou há pouco, muito pouco: omitir um nome aqui, atenuar a dramaticidade ali, tudo isso é pouco. No mais, não cabe ao jornalismo resolver esse problema. Aliás, o jornalismo não dispõe de mandato – nem da ontologia, nem da epistemologia – que lhe permita equacionar tamanho problema.</p>
<p>Esse problema apenas passa pelo jornalismo, mas não começa nem se resolve no jornalismo. Ele ultrapassa o campo exíguo da imprensa e mergulha nos subterrâneos de uma sociedade que não se cansa de perguntar se há felicidade do outro lado do muro do ideal do bem, que aprendeu a idolatrar a força dos que dizem viver além da lei, que acredita que a dimensão mais sublime da ética está nos grunhidos de Marlon Brando como capo mafioso, que entende a vida como se a vida fosse um filme, no qual é melhor ter o papel de bandido do que não ter papel nenhum. Se a fama vale mais do que a alma e do que a vida, por que não dissecar e expor os interstícios da personalidade dos que matam para virar notícia póstuma? O que pode haver de mais intrigante, fascinante e repulsivo que isso?</p>
<p>Assim, as estrelas do mal são notícia. Os que sacrificam os nossos inocentes são a nossa esfinge: não temos como ignorá-los; não temos como não noticiá-los. Mas teremos como superá-los? Iremos escapar deles?<br />
<strong><br />
A celebridade do que existe de mais vil</strong></p>
<p>O jornalismo não dispõe de argumentos para se recusar a dizer o nome desses criminosos todos. Não tem como não dar a foto. Não pode sonegar às pessoas o que as pessoas querem saber. E têm o direito de saber. Agora: que é perturbador, é muito perturbador. Um sujeito vai lá, mata uma porção de crianças, e ainda ganha de presente a fama adorada, e vazia, pela qual matou – e morreu. E sabemos todos que virão outros.</em></p>
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		<title>Para um Brasil banda larga, qual política da cultura?</title>
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		<pubDate>Mon, 27 Dec 2010 13:32:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[BRUNO TARIN, BARBARA SZANIECKI e CRISTINA LAR

Passadas as eleições e com a vitória da Dilma, agora entramos no momento de lutar pela continuidade das ações desenvolvidas no campo da cultura nos 8 anos do governo Lula. Através de emails e em listas de discussão estão circulando conversas sobre mudanças na gestão do Ministério da Cultura, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://uninomade.org/para-um-brasil-banda-larga/" target="_blank">BRUNO TARIN, BARBARA SZANIECKI e CRISTINA LAR</a></p>
<p><em><br />
Passadas as eleições e com a vitória da Dilma, agora entramos no momento de lutar pela continuidade das ações desenvolvidas no campo da cultura nos 8 anos do governo Lula. Através de emails e em listas de discussão estão circulando conversas sobre mudanças na gestão do Ministério da Cultura, que cogitam a saída do Ministro Juca Ferreira. Já estão sendo discutidos também outros nomes para assumir a função.</p>
<p>Diante dessa situação se impõe a realidade de que a vitória da Dilma em si não garante a continuidade das ações desenvolvidas pelo Ministério da Cultura nos últimos 8 anos, pois o governo Dilma terá que negociar com os partidos de sua base, correndo o risco das ações inovadoras desenvolvidas pelo MinC não serem assimiladas por estes. Assim, voltamos a afirmar que a continuidade não está garantida.</p>
<p>E o que não está garantido?</em></p>
<p><em><span id="more-1789"></span><br />
Não está garantido a continuidade de uma política da cultura que não é feita por e para poucos, não está garantido uma visão de política que incorpora e busca a equalização dos benefícios do acesso e produção de cultura; uma visão de política da cultura que vai além da mercantilização dos bens culturais, uma visão de cultura como vida e não como [bem de consumo] commodities.</p>
<p>A luta pela continuidade, não nos parece ser por um nome mas sim pela continuidade de uma política que está inovando a maneira de se pensar, realizar e viver cultura. Uma política da cultura que está nas raízes profundas ao mesmo tempo que está nas nuvens cibernéticas. Uma política dos muitos para muitos, que coloca em rede indígenas, brancos, negros, mulheres, crianças, homossexuais, cristãos, povo de terreiro, ciganos, mestres de cultura popular, hackers, artistas, etc. Uma política da cultura que no “Manifesto dos Pontos de Cultura para a Cultura seguir mudando” se expressa:</p>
<p>“na afirmação de novas relações entre Estado e sociedade, nas quais gestores públicos e movimentos sociais estabelecem canais de diálogo e aprendizado mútuo e na construção coletiva de um novo processo de cultura política com caráter emancipador, em que as hierarquias sociais e políticas são quebradas e criam base para novas legitimidades.”</p>
<p>Assim, uma política da cultura para um Brasil Banda Larga tem que ter ações que vão muito além de garantir o entretenimento dos pobres, de gerar números para estatísticas como o PIB, de enriquecer uma classe já favorecida ou de enobrecer a alma humana. A Cultura de um Brasil Banda Larga é a cultura do enfrentamento às desigualdades sociais, do bem comum, a cultura que busca questionamentos e soluções, a cultura dos muitos e da luta.</p>
<p>Assim, o que esperamos da política da cultura do governo Dilma é a continuação das ações que incentivam dinâmicas sociais, econômicas e políticas que priorizam a produção e distribuição de cultura não mais pelo valor de troca dentro do mercado ou por uma homogenização da cultura incentivada pelo Estado e/ou pelas Indústrias Criativas/Culturais. Defendemos sim, a continuidade da abertura das dinâmicas de criação, ou seja, a possibilidade de se reproduzir cultura para além da criação e distribuição dirigida somente aos clássicos aparelhos de distribuição de produtos culturais (museus, bibliotecas, teatros, grandes cinemas). Defendemos a valorização e a ocupação dos ambientes comuns com a produção e distribuição de cultura em rede, pela internet, nas ruas e praças das grandes cidades, nos assentamentos rurais etc. Uma visão de cultura para além da propriedade intelectual, da cultura como negócio, do trabalho e produção como subordinação e do lazer como consumo.</p>
<p>São muitos os exemplos de políticas inovadoras no campo da cultura desenvolvidas nos últimos anos, entre elas as que acreditamos se destacarem e serem de suma importância para um Brasil Banda Larga que acredita que mudanças são possíveis estão:</p>
<p>* Os Pontos de Cultura por expressarem a pluralidade da cultura por não se restringirem em formas já pré-estabelecidas de centro culturais ou aparelhos culturais do Estado. Célio Turino, diz que “Os Pontos de Cultura são nem eruditos nem populares e também não se reduzem à dimensão da “cultura e cidadania” ou “cultura e inclusão social”. Ponto de Cultura é um conceito. Um conceito de autonomia e protagonismo sociocultural. Na dimensão da arte, vai além da louvação de uma arte ingênua e simples, como se ao povo coubesse apenas o lugar do artesanato e do não elaborado nos cânones do bom gosto. Pelo contrário, busca sofisticar o olhar, apurar os ouvidos, ouvir o silêncio e ver o que não é mostrado. Os Pontos de Cultura têm o que mostrar e querem fazê-lo a partir de seu próprio ponto de vista”. A proposta desta ação não é o de criar iniciativas governamentais novas, mas sim apoiar e valorizar atividades já existentes que geravam comprovadamente resultados positivos e benefícios nos locais onde são realizadas.</p>
<p>* A Ação Cultura Digital por ser um dos catalizadores da rede formada pelos Pontos de Cultura. Dentre suas atividades destacam-se o papel de facilitadora da apropriação das ferramentas multimídia em software livre pelos Pontos de Cultura, assim como o caráter experimental desta ação, quanto a pesquisa em torno das possibilidades das novas tecnologias para usos sociais e culturais e a elaboração de estudos sobre novas formas de colaboração e cooperação, calcadas na generosidade intelectual. Sobre a Cultura Digital, o Ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil diz: “Cultura digital é um conceito novo. Parte da idéia de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. O que está implicado aqui é que o uso de tecnologia digital muda os comportamentos. O uso pleno da Internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam o nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializar também a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte”.</p>
<p>* A Política do Edital pois durante o Governo Lula o Ministério da Cultura estabeleceu uma política do Edital, evitando assim as velhas articulações e dando lugar para novos olhares sobre o Brasil e a cultura. Segundo Gilberto Gil: “É preciso descentralizar o que está centralizado nas mãos de poucos. As matrizes da indústria cultural não deixaram nada para as periferias. Por isso, hoje, o papel do Estado brasileiro na formulação de políticas públicas é empoderar as micro manifestações, para que eles se apropriem cada vez mais dos espaços públicos e que sejam protagonistas na proteção e promoção da diversidade.” Há ainda muito a se avançar nesse sentido, os editais ainda são muito burocráticos, as diligências ainda são muito lentas e as exigências aos grupos e aos indivíduos não condizem com a forma de trabalhar da cultura e imprimem um ritmo artificial à criação. Contudo, acreditamos que esse caminho melhorou bastante a gestão das políticas da cultura sendo necessário seu aprimoramento.</p>
<p>* A Reforma da Lei do Direito Autoral pois a lei brasileira de direitos autorais (Lei 9.610/98) está entre as mais rígidas do mundo no que diz respeito ao acesso a produções culturais e se apresenta discrepante diante da realidade social gerada pelas novas tecnologias. O MinC lançou em 2010 uma chamada pública para mudanças no texto do projeto de lei. Assim, a sociedade através da internet debateu ponto por ponto o projeto de lei. Desde 2007 o MinC vem fomentando o debate sobre temas como cópia privada, uso educacional de obras protegidas, proteção ao autor e cessão de direitos. Acreditamos ser necessário avançar muito nessa área pois o acesso à produções culturais é essencial para a produção de cultura e para a diversificação de olhares. Alguns avanços significativos que o Governo Dilma pode conquistar nessa área são a descriminalização de algumas das práticas ditas de “pirataria”, a possibilidade de cópia privada, a criação de um sistema de supervisão estatal dos órgãos coletores de direitos autorais, a questão da fotocópia para uso educacional e o aumento das possibilidades de usos “justos” das obras protegidas.</p>
<p>* As Conferências de Cultura por estabelecerem uma participação direta da população no encaminhamento da política da cultura no Brasil. A participação da população brasileira na política nacional muitas vezes se restringe somente a eleição de seus representantes (políticos). Contudo, a democracia brasileira em sua constituição também prevê a participação direta da população na política, sendo as conferências importantes instrumentos para tal participação. Outro aspecto importante das conferências é fazer com que a política da cultura não se restrinja somente a visão de política da cultura como financiamento de grandes espetáculos. O que muitas vezes se limita a atuação de secretarias de cultura municipais e as vezes até estaduais. A participação direta da população na condução da política da cultura contribui para uma “abertura” uma “abrangência” da visão de cultura, tornando o debate sobre a cultura mais plural e conectado com as espectativas da população brasileira.</p>
<p>* A Ação Griô por valorizar os griôs, que são entendido na Ação Griô como todos aqueles que se reconheça ou seja reconhecido por uma comunidade como um(a) mestre das artes, da cura e dos ofícios tradicionais, um(a) líder religioso(a) de tradição oral, um(a) brincante, um(a) cantador(a), tocador(a) de instrumentos tradicionais, contador(a) de histórias, um(a) poeta popular. A valorização dos griôs é de suma importância para uma compressão mais abrangente de cultura, uma visão de cultura não como um mero produto e sim como um processo, como valorização da vida, reconhecendo outros saberes além dos científicos e técnicos. A Ação também fomenta e fortalece o ingresso da sociedade civil através dos griôs e griôs-aprendizes na educação pública formal, colocando num mesmo caldeirão, velho, adulto, criança, saberes locais e comunitários com saberes formais e globais, pedagogia oral com escrita e misturando técnica com magia, fortalecendo a visão de que só tem tradição quem inventa, noção essencial para o desenvolvimento no contexto global atual de grandes fluxos econômicos, políticos, sociais e culturais.</p>
<p>* A Reforma da Lei Rouanet pois o Brasil é um país imenso e plural e a lei de renúncia fiscal destinada a cultura como esta desenhada hoje não consegue abranger tal pluralidade. Atualmente a grande maioria dos recursos aplicados na cultura provenientes da Lei Rouanet são destinados ao Sudeste. Números recentes demonstram que 80% do que foi arrecado para a cultura pela Lei Rouanet ficaram em 3 estados do Sudeste e quase sempre para os mesmo produtores culturais. Outro fato importante de se ressaltar é que as empresas que financiam cultura através da Lei Rouanet atualmente utilizam-se desse recurso para expandir seus setores de Marketing, através da divulgação de suas marcas. A Reforma da Lei Rouanet é necessária para que possamos passar do estágio atual de financiamento da cultura pelas empresas somente para projetos culturais “rentáveis” imediatamente para uma visão que vá além somente da questão financeira, e que seja comprometida com a cultura como espaço de questionamento e de soluções para as estruturas políticas, sociais e econômicas atuais. Entre algumas das reformas sugeridas, destacamos como primordiais para um sistema mais justo e igualitário de financiamento da cultura o aprimoramento do sistema de avaliação de projetos e a diminuição da burocracia; melhor distribuição regional dos recursos; transparência nos processos de financiamento e diversificação das formas de financiamento, buscando formas de financiamento a longo prazo e não somente a projetos de resultados imediatos. Contudo, não é uma lei que irá mudar a questão da centralização dos recursos, pois uma maior participação do Estado nos processos de financiamento de projetos culturais não garante a priori um melhor repartimento e destinamento aos recursos. O Estado também pode ser bastante centralizador. Assim, nos parece necessário realizar muito mais que uma lei, é necessário a mobilização e o debate junto as empresas e as pessoas envolvidas com produção cultural sobre um sistema mais igualitário de distribuição dos recursos.</p>
<p>* Os Pontos de Mídia livre realizados pelo MinC abriram perspectivas para a comunicacão que contrastam consideravelmente com a postura do Ministério das Comunicações que manteve sua política de garantir monopólios de produtores por um lado e currais de consumidores por outro. Com a implementação de Pontos de Mídia Livre, não se trata apenas de escolher o que “consumir” na grande mídia, mas de sermos todos mídia: uma multidão de comunicadores autônomos dispostos a cooperar e a trocar palavras e experiências. A valorização de uma centena de iniciativas (de televisão, rádio, publicações impressas e formatos eletrônicos diversos na internet) já existentes pelo Brasil abriu a possibilidade de uma democratização radical da autoria, da gestão, da produção e de um consumo que não é reduzido ao “acesso” à informação e sim aberto a todas as formas de compartilhamento e usos comuns da expressão livre de todos e de cada um. O resultado é uma comunicação inserida na polifonia da vida e não mais restrita a um mercado monofônico.</p>
<p>Diante da possibilidade de mudança nos rumos da Política da Cultura realizada nos últimos 8 anos ou mesmo o engavetamento e sucateamento das políticas citadas que já estão em prática, faz-se necessário a mobilização e cooperação dos movimentos culturais e de todos os interessados nos rumos da política da cultura.</p>
<p>“Acreditar no mundo significa principalmente suscitar acontecimentos, mesmo que pequenos, que escapem ao controle, ou engendrar novos espaços-tempos, mesmo de superfície ou volumes reduzidos. É ao nível de cada tentativa que se avaliam a capacidade de resistência ou, ao contrário, a submissão a um controle.” Gilles Deleuze</p>
<p>Fazemos das palavras de Deleuze as nossas, acreditando que é necessário suscitar acontecimentos de qualquer natureza que demonstrem nossa capacidade de resistência e de mobilização, para a consolidação, permanência e ampliação de ações e iniciativas que vêm mudando e tornando possível uma aproximação da sociedade civil e do governo brasileiro para uma radicalização democrática através de uma cultura potente e inovadora.</em></p>
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		<title>Porque o livro de #FabianaMoraes lançado hoje é tão importante pro jornalismo brazuca</title>
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		<pubDate>Tue, 21 Dec 2010 16:12:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<category><![CDATA[Investigações paralelas]]></category>
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		<category><![CDATA[Viagens e afins]]></category>
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		<description><![CDATA[Não é todo dia que se escreve com prazer pra jornal, essa espécie em extinção. Pior ainda, é que não é todo dia que se lê com prazer algo de jornal. Os jornais comerciais de uma forma geral perderam a conexão com a vida real, com as pessoas reais, com os problemas reais, com o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a id="aptureLink_alvXp5nwFv" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;" href="http://www.flickr.com/photos/jconline2/4404116291/"><img style="border: 0px none;" title="Alexandre Severo / JC Imagem" src="http://farm5.static.flickr.com/4065/4404116291_2a6f9a6b67.jpg" alt="" width="500px" height="335px" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Alexandre Severo / JC Imagem</p></div>
<p>Não é todo dia que se escreve com prazer pra jornal, essa espécie em extinção. Pior ainda, é que não é todo dia que se lê com prazer algo de jornal. Os jornais comerciais de uma forma geral perderam a conexão com a vida real, com as pessoas reais, com os problemas reais, com o nosso Brasil real e isso parece ser definitivo, a despeito da necessidade justificadora que os mantinha em pé, necessários, como elementos de mobilização da opinião pública sobre as questões que tornam possível as esferas públicas. Essa é uma parte do ocaso do jornalismo comercial hoje, de uma forma geral, e dos grandes grupos comerciais de comunicação de forma específica. É por isso que o lançamento do livro OS SERTÕES &#8211; UM LIVRO REPORTAGEM DE FABIANA MORAES, merece uma dupla celebração. O lançamento acontece hoje e é baseado na série Os Sertões, escrita pela mesma Fabiana, por ocasião do aniversário da morte de Euclides da Cunha. A versão digital do caderno especial, publicado em agosto de 2009, pode ser conferida <a href="http://www2.uol.com.br/JC/sites/sertoes/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>A gente precisa comemorar o livro e aquele caderno especial porque por um lado,  mostra que é sim, possível, dentro do esquema comercial de venda de impressos, fazer um trabalho que prima pela conexão com a realidade social. Porque mostra a possibilidade do trato cuidadoso com o leitor e com a informação, mas sobretudo cuidado com as vidas que são objeto do relato. Esse cuidado, que é trabalhoso, estressante, desgastante, eu vi Fabiana ter desde o início do processo de pesquisa e montagem do projeto. E camaradas, dá um trabalho danado ser cuidadoso com o outro, ainda mais quando você não o conhece direito. Se você imagina fazer isso dentro da lógica produtivista dessa fábrica chamada jornal, dá mais trabalho ainda&#8230; Lembrei agora de uma fala de Claudio Abramo, que dizia que jornalismo se faz com caráter. Pois é.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a id="aptureLink_efzdWZOEjc" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;" href="http://www.flickr.com/photos/jconline2/4404117783/"><img style="border: 0px none;" title="Alexandre Severo / JC Imagem" src="http://farm5.static.flickr.com/4031/4404117783_79d5c4948e.jpg" alt="" width="500px" height="335px" /></a><p class="wp-caption-text">Equipe trabalhando foto de Alexandre Severo / JC Imagem</p></div>
<p>Por outro lado, tanto a série quanto o livro exigem um olhar mais acurado sobre o modus de se fazer jornal e se escrever reportagem de hoje: diante da crise de credibilidade que a chamada velha mídia passa; diante da crise da própria industria da intermediação a que se filiam os grupos comerciais de comunicação; diante de sua incapacidade em lidar com as formas de produção e de consumo de informação, cultura e conhecimento que emergiram nos últimos 20 anos (e não, não estou falando somente do twitter, e que tais); diante das dificuldades em se manter como negócio <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2009/05/despencam_as_vendas_de_folha_globo_e_estadao.php" target="_blank">rentável a longo prazo</a> e <a href="http://revistapiaui.estadao.com.br/edicao_49/artigo_1430/Caro_trabalhoso_chato.aspx" target="_blank">interessante</a>; diante enfim da baixa <span style="text-decoration: line-through;">estima</span> auto-estima e da moral combalida dos profissionais da última das profissões românticas, o livro e aquela série são um alento e assim acenam com a esperança.</p>
<p>E porque esperança?</p>
<p><strong>Outros Sertões: o projeto<br />
</strong></p>
<p>Pra saber direitinho porque ter esperança tem que ler ao menos a versão digital (o link está lá em cima) e entender a ideia que guia todo o projeto. Com isso dá para entender ainda outra coisa, que a comisão do Prêmio Esso percebeu: cansou a interpretação hegemônica do sertão brasileiro, que vem sendo construida há tempo demais por uma indústria da comunicação no Brasil que, concentrada, se acostumou a consumar sua interpretação do Brasil como a única possível.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 510px"><a id="aptureLink_JxssluI77M" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;" href="http://www.flickr.com/photos/jconline2/4404119923/"><img style="border: 0px none;" title="Alexandre Severo / JC Imagem" src="http://farm5.static.flickr.com/4024/4404119923_6eef42af75.jpg" alt="" width="500px" height="335px" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de Alexandre Severo / JC Imagem</p></div>
<p>O caderno e o livro procuram desconstruir essa descrição de um sertão mítico, distante, desconectado de um Brasil que a interpretação produzida no eixo Rio-São Paulo consolidou como inevitável &#8211; a mesma forma de encarar o Brasil através na qual se pensa que nós vivemos aqui no Recife à beira do mar o dia inteiro, sentindo cheiro de maresia. A forma de realizar essa desconstrução é justamente através de personagens, de pessoas reais e de seus dramas atuais. Basta ver a galeria de histórias e confirmar essa conexão do sertão, dos sertões, com o tempo presente, com o Brasil presente.</p>
<p>Compreender e refletir sobre essa realidade é um desafio não somente do jornalismo atual. É também um desafio da sociologia, da antropologia, da história e da ciência política que, enviesados pelo modo uspiano de ser e de saber, preferem em grande medida a construção de mitos discursivos. Com isso quero lembrar que a prática de uma desconexão com a realidade social não é um privilégio negativo do jornalismo comercial, mas de pulpitos muito respeitosos de nossa vã academia.</p>
<p><a id="aptureLink_BDEMdffubm" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;" href="http://www.flickr.com/photos/jconline2/4404119709/"><img class="alignleft" style="border: 0px none;" title="Alexandre Severo / JC Imagem" src="http://farm5.static.flickr.com/4053/4404119709_175a9118a7.jpg" alt="" width="216" height="144" /></a></p>
<p><a id="aptureLink_pFQJbhfxwW" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;" href="http://www.flickr.com/photos/jconline2/4404119281/"><img class="alignleft" style="border: 0px none;" title="Alexandre Severo / JC Imagem" src="http://farm5.static.flickr.com/4020/4404119281_64998d9cff.jpg" alt="" width="218" height="144" /></a></p>
<p><a id="aptureLink_jiA8yqBKzN" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;" href="http://www.flickr.com/photos/jconline2/4404116661/"><img class="alignleft" style="border: 0px none;" title="Alexandre Severo / JC Imagem" src="http://farm5.static.flickr.com/4070/4404116661_1f061f562e.jpg" alt="" width="216" height="142" /></a></p>
<p>As fotos são de Alexandre Severo. A galeria de fotos do projeto pode ser conferida <a href="http://www.flickr.com/photos/jconline2/sets/72157623424536867/" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Com isso, é interessante observar como alguns dos relatos mais interessantes do Brasil varonil tem sido feitos fora do eixo Rio-São Paulo e de como o projeto do Caderno Sertões e agora o livro estão à frente da descrição estandardizada, esquemática e desconectada que se consolidou. Também é interessante observar que não se trata bem de uma geração de jornalistas geniais que está produzindo essas narrativas ou de uma escola, como se andou ventilando por aí. Essa ideia só ratifica a noção de que a boa safra de reportagens (vamos dizer relatos?) produzidas no Nordeste é um episódio apenas, que não macula a excelência do jornalismo realizado pela Folha de São Paulo, peo Estadão, pelo O Globo. O discurso de uma geração de jornalistas notáveis deslegitima a qualidade dos profissionais daqui e esconde a questão política e cultural da insuficiência do velho modelo de produção e consumo de informação, cultura e conhecimento dos principais grupos de comunicação do país. E do aparato antidemocrático que lhe dá guarida.</p>
<p>Talvez devêssemos, sim, pensar em como a insuficiência de um jornalismo opaco e sem brilho cede às pressões dessa realidade que vibra lá fora.</p>
<p>No mais fica aqui o orgulho do marido coruja.</p>
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		<title>Sertões &#8211; um livro-reportagem de Fabiana Moraes, lançamento dia 21 de dez</title>
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		<pubDate>Wed, 15 Dec 2010 17:04:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Woman with a mango]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-1738" href="http://www.locoporti.blog.br/sertoes-um-livro-reportagem-de-fabiana-moraes-lancamento-dia-21-de-dez/convite_os-sertoes-2/"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1738" title="Convite_Os Sertoes" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2010/12/Convite_Os-Sertoes1-600x364.jpg" alt="" width="673" height="407" /></a></p>
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		<title>Where is my mind?</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Dec 2010 01:11:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dia desses vi um filminho muito interessante sobre a relação entre a forma de pensar criativamente e a forma de organizar sua área de trabalho &#8211; a forma como você organiza seus espaços estariam ligados à forma de organizar ideias, vontades, disposições, criatividade, etc. Lembrei desse vídeo por causa de meu birô (foto acima), minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1690" class="wp-caption aligncenter" style="width: 732px"><a rel="attachment wp-att-1690" href="http://www.locoporti.blog.br/where-is-my-mind/desorganizado/"><img class="size-large wp-image-1690" title="Desorganizado" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2010/11/Desorganizado-1024x768.jpg" alt="" width="722" height="541" /></a><span style="color: #993300;"> </span><p class="wp-caption-text">Meu birô nos últimos meses</p></div>
<p>Dia desses vi um filminho muito interessante sobre a relação entre a forma de pensar criativamente e a forma de organizar sua área de trabalho &#8211; a forma como você organiza seus espaços estariam ligados à forma de organizar ideias, vontades, disposições, criatividade, etc. Lembrei <a id="aptureLink_OPUoBJFbbj" href="http://www.vimeo.com/3239496">desse vídeo</a> por causa de meu birô (foto acima), minha área de trabalho em casa hoje. Nela, ainda que desfocada, uns livros, revistas, papéis velhos, remédio vazio, cordas de contra-baixo, material de ilustração &#8211; lapis e cadernos &#8211; um pote de iogurte, fiação do computador, de caixas de som e de eletricidade, uma capa de DVD com um DVD dentro, latas de metal que continham mantega e hoje contém outras coisas, óculos, baterias, um cinzeiro do Uruguay, um retrato de Vinícius. Na verdade, desde que terminei a tese ela vive assim, amontoada de uma desordem que eu nunca vivi. O velho birô, que eu comprei na Rua da Conceição uns anos atrás, anda abarrotado de coisas, e ideias, e carbono impresso, se derramando por todos os lados, vazando.</p>
<p>De modo que se por uma parte a finalização do trabalho me abriu muitas possibilidades, vários encontros, pessoas, afetos, processos etc, a verdade é que não tenho conseguido dar conta de praticamente nada. A exceção é o trabalho na Secretaria, que me toma o dia inteiro. Somente ele tô conseguindo fazer direito. E isso me deixa bem quebrado ao fim do dia.</p>
<p>Uma interação maior com a rede Metarec, sobretudo nas reflexões dos processos; a edição de um livro com o querido amigo <a href="www.caotico.com.br" target="_blank">Inácio</a> a partir de uma boa ideia;  uma agenda de trabalho/estudo visando os concursos que virão por aí; dedicar um pouco mais ao Grupo de Estudos de Educação para o qual o querido Rui me convidou; e as mais recentes possibilidades de <a href="http://odespacho.wikispaces.com/" target="_blank">trabalho conjunto</a> com Pajé, Pixies, <a href="http://culturadigital.br/contraculturadigital" target="_blank">Thais, Ruiz</a> e Djahdjah depois do Fórum de Cultura Digital; além da chamada para &#8216; invadirmos&#8217; a SBS também entram nessa conta. São só algumas das coisas mais recentes que não tem andado. O próprio Fórum já vai em duas semanas, o Encontro Metarec no Recife, vai completar uma semana, sem que eu tenha conseguido fazer e postar nenhum relato.</p>
<p>Toda essa romaria de coisas iniciadas e não finalizadas, uma inflação de informação me cercando, a dificuldade de concentração nos projetos que surgem  e nas possibilidades que se abrem têm me dado a impressão duma estagnação  danada &#8211; física, mental, espiritual. Queria me convencer de que esse day after prolongado pós entrega  de tese acontece com todo mundo.</p>
<div id="aptureLink_WhKcyrCus6" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;">
<div id="aptureLink_gK0tnqAJdj" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;"><object id="apture_embedPlayer2" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="489" height="411" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="bgcolor" value="#ffffff" /><param name="quality" value="high" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="flashvars" value="start=0&amp;domId=apture_embedPlayer2" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/W7zYuf70kEk&amp;rel=0&amp;fs=1&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;enablejsapi=1" /><param name="name" value="apture_embedPlayer2" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed id="apture_embedPlayer2" type="application/x-shockwave-flash" width="489" height="411" src="http://www.youtube.com/v/W7zYuf70kEk&amp;rel=0&amp;fs=1&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;enablejsapi=1" name="apture_embedPlayer2" flashvars="start=0&amp;domId=apture_embedPlayer2" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" quality="high" bgcolor="#ffffff"></embed></object></div>
</div>
<p>Mas não sei não.</p>
<p>Ao lado disso tudo tenho andado muito cansado. Por um lado, tô precisando parar 20 dias que seja &#8211; o corpo tem dado sinais de que é também um calendário. Por outro lado é engraçado isso. A impressão do cansaço no corpo, que resiste mais hoje em dia às intencionalidades, é muito clara. O que é outra forma de perceber o envelhecimento. Antes, eu achava engraçado quando alguém dizia &#8216;não sou mais um garoto de 22 anos&#8217;. Hoje essa frase é mais próxima do que antes.</p>
<p>E há outro cansaço me rondando. Mas desse é mais difícil de falar, porque é intangível. Cansei daquilo que me toma o tempo por ser mentira, por ser hipocrisia, mise en cene (assim que escreve?) e tô abrindo mão sempre que puder de conviver com essas forças&#8230;</p>
<p>Daqui uma semana faço 38. Acho que já deveria ter aprendido a contornar certas coisas, como a frustração de não poder me dedicar integralmente àquilo que me interessa e viver disso &#8211; e muito mais. Ou saber evitar os pulhas que sempre aparecem pelo caminho. Ou saber dizer NÃO mais vezes. Ou saber dizer SIM mais vezes ainda. Talvez viver seja isso, a procura por limpar sua área de &#8220;trabalho&#8221; constantemente, sem fim, descartando os pulhas de antes, de hoje e do futuro; re-colocando prioridades; aprender a usar outros vocabulários e aprender a se curar com eles&#8230; E no fim e durante, aprender a fazer o amor.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-1693" href="http://www.locoporti.blog.br/where-is-my-mind/organizado/"><img class="aligncenter size-large wp-image-1693" title="Organizado" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2010/11/Organizado-1024x768.jpg" alt="" width="737" height="553" /></a></p>
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		<title>Política e educação: conceitos complementares  via @pdralex</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/politica-e-educacao-conceitos-complementares-via-pdralex/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Nov 2010 21:15:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Políticos brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Sabedoria para a juventude]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>

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		<description><![CDATA[Mais um texto que reproduzo do Pedro Alexandre Sanches. Nesse caso, foi produzido a pedido do blog-site Per Raps (@per_raps). O Per Raps trata (principalmente) de rap, mas esta semana da eleição eles dedicaram inteira a escrever sobre política e eleições presidenciais.
por Pedro Alex Sanches
Meu pai nasceu numa família pobre, à beira do rio Uruguai, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Mais um texto que reproduzo do Pedro Alexandre Sanches. Nesse caso, foi produzido a pedido do blog-site <a href="http://www.perraps.com.br/" target="_blank">Per Raps</a> (@per_raps). O Per Raps trata (principalmente) de rap, mas esta semana da eleição eles dedicaram inteira a escrever sobre política e eleições presidenciais.</p>
<p style="text-align: right;">por <a href="http://pedroalexandresanches.blogspot.com/2010/10/para-pedro-pedro-para-pra-pensar.html" target="_blank">Pedro Alex Sanches</a></p>
<p style="text-align: left;"><em>Meu pai nasceu numa família pobre, à beira do rio Uruguai, na zona rural de Santa Catarina. Mais tarde, conseguiu estudar se formar em ciências contábeis. Minha mãe, nascida no interior do Rio Grande do Sul, teve menos sorte (se é que se pode chamar de “sorte” a abissal diferença de condições que a sociedade dá a homens e mulheres): foi criada num orfanato de freiras que deixavam suas alunas passarem fome e as torturavam psicologicamente, e só conseguiu estudar até a quarta série.</em></p>
<p><em>O casal se radicou em Maringá, interior do Paraná, onde nascemos os três filhos. Meu pai virou dono de casa lotérica, seguindo o exemplo do pai dele, e pôde sustentar a família com tranquilidade. Sempre incutiu conceitos rígidos de honestidade nos filhos, mas depois de adulto eu, o caçula, não pude deixar de pensar inúmeras vezes que recebi alimento e conforto às custas da exploração do sistema lotérico mantido pelo regime militar (meu pai, embora nunca tenha sido um homem violento, era adepto entusiasmado da ditadura civil-militar brasileira). O público preferencial das casas lotéricas, nem preciso dizer, era a parte mais pobre da população, aquela que só conseguia vislumbrar chance de melhorar na vida ganhando fortunas na loto ou na mega-sena.</em></p>
<p><em>A vida inteira estudei em escolas públicas. Do primeiro ano primário até a idade de entrar na faculdade, estudei no Instituto Estadual de Educação de Maringá. Depois, me formei em farmácia-bioquímica pela Universidade Estadual de Maringá e, depois, em jornalismo pela Universidade de São Paulo.</em></p>
<p><em>A rigor, minha formação foi paga pelos governos dos estados do Paraná e de São Paulo, mais complementos bancados pelo meu pai (uniformes, material escolar, livros, xerox, aluguel de quitinete paulistana). Mas acho que posso afirmar, simbolicamente, que fui subsidiado pelos generais da ditadura, depois pelos presidentes José Sarney, Fernando Collor, Itamar Franco e, no último ano do curso de jornalismo, Fernando Henrique Cardoso.</em></p>
<p><em>Estou dizendo, em outras palavras, que ganhei desses governantes a minha cota de “bolsa esmola” – que é como a playboyzada mais ignorante e socialmente insensível costuma se referir ao Bolsa-Família de Lula, que pede a permanência das crianças na escola em troca de uma ajuda de custo mensal. Vejo que hoje as escolas estão povoadas por crianças muito mais pobres do que eu fui, e isso me dá um arrepio de alegria.</em></p>
<p><em>Dizem que o ensino público brasileiro é fraco, e concordo em parte. Tive que complementar minha formação por aí, muitas vezes por conta própria, e muitas deficiências carrego até hoje. Nem mesmo na conceituada, cobiçada e elitizada USP, por exemplo, jamais tive aulas de cidadania, racismo, misoginia, homofobia, direitos humanos, direitos civis…<br />
<span id="more-1613"></span><br />
Mesmo assim, minha formação foi suficiente para eu conseguir emprego na Folha de São Paulo, antes mesmo de me formar jornalista (nossa “grande” mídia sempre criticou a falta de diploma do presidente Lula, mas em geral nunca exigiu diploma de seus funcionários, como não exige os diplomas dos vários cursos e cargos não-concluídos de seu atual candidato a presidente, José Serra).</em></p>
<p><em>No meu caso, ir para a Folha significou que indiretamente continuei a ser financiado pelos governos (tucanos) do estado e do país. É o que acontece até hoje com quem trabalha em veículos como Folha, Veja, O Estado de São Paulo e amplos setores da Rede Globo, todos atualmente divididos entre a “bolsa-esmola” das polpudas publicidades do governo petista de Lula (que combateram raivosamente durante oito anos) e dos governos tucanos de São Paulo (aos quais são amplamente subservientes, a ponto de parecerem seus sócios, ou no mínimo empregados regiamente remunerados).</em></p>
<p><em>No balanço disso tudo aí fui sempre, não sei bem por quê (ou será que sei?), um fã ferrenho dos partidos políticos de esquerda, especialmente o PT. Em 1989, quando eu tinha 21 anos, o Brasil promoveu sua primeira eleição direta para presidente após 29 anos sob a tirania de ditadores e semiditadores. Nesse intervalo, os militares de extrema-direita prenderam, expulsaram do país, torturaram e assassinaram milhares de cidadãos e cidadãs (inclusive a atual candidata petista a presidente, Dilma Rousseff, que dessas coisas todas “só” não foi exilada nem assassinada).</em></p>
<p><em>Vivi do nascimento à maioridade sob esse clima irrespirável, altamente repressivo, mas a maioria avassaladora dessas notícias não chegava a Maringá, nem eu tinha o hábito de ler jornais. Mesmo assim, alguma coisa inexplicável (ou será que explicável?) sempre me puxou para votar à esquerda, e desde então tenho votado em Luiz Inácio Lula da Silva – em 1989, 1994, 1998, 2002 e 2006. Em 3 de outubro votei pela primeira vez num candidato que não é Lula, e repetirei o mesmo voto amanhã: vou votar em Dilma Rousseff, é óbvio. A propósito, festejo esse privilégio de que usufruo desde os 21 anos: que bom poder votar!!!</em></p>
<p><em>Pois bem, assim fui seguindo e sigo a vida, sempre com dificuldade de ligar todos os pontos que a constituem, muitas vezes sem conseguir muito explicar os porquês das minhas opções, dos meus erros, das causas que me movem à luta. Depois de dez anos na Folha e quatro na revista CartaCapital (que foi minha pós-graduação informal em jornalismo, como costumo dizer), resolvi tentar viver como jornalista autônomo, sem vínculo empregatício direto com nenhuma empresa jornalística – tenho me virado legal, mas a real é que há quase dois anos vivo em regime de subemprego (sem férias remuneradas, décimo-terceiro, aquelas coisas), por ironia num tempo em que o governo Lula cria 200 mil novos empregos por mês.</em></p>
<p><em>Como disse, é difícil juntar os pontos dos significados de tantos dados espalhados, mas eu cheguei perto de algum entendimento maior quando fui ler Lula – O Filho do Brasil (Editora Fundação Perseu Abramo, 2002), da jornalista e doutora em ciências humanas Denise Paraná (esse livro, bem acadêmico, originou o filme de mesmo nome, embora um pouco tenha a ver com o outro). Alguns trechos ali me impressionaram profundamente, em especial os que interpretavam como a condição de operário de Lula ajudou a moldá-lo do modo como o conhecemos hoje. Peço licença para copiar alguns deles aqui:</em></p>
<p><em>“Lula e Frei Chico (&#8230;) contam também por que aspiravam a trabalhar em empresas multinacionais: eram elas que ofereciam os mais altos salários e – aqui aparece novamente a questão da auto-estima – participar de seu quadro de funcionários era um orgulho não só pessoal como também familiar”;</em></p>
<p><em>“(…) pertencer ao quadro de funcionários de uma grande empresa, uma indústria que encarnasse progresso e pujança econômica, era para o trabalhador um símbolo de que ele também passava a encarnar tais qualidades, representando a figura do vencedor dentro da mais genuína lógica capitalista”;</em></p>
<p><em>“Ao mesmo tempo em que reconhece a existência de salários privilegiados em relação à média do mercado, Sader aponta para o alto grau de controle disciplinar, para os sistemas repressivos e o tratamento despótico dispensado aos trabalhadores pelos empresários das grandes indústrias automobilísticas que tendiam a criar um clima de tensão e competição entre os trabalhadores, minando os movimentos de solidariedade e possíveis formas de organização”;</em></p>
<p><em>“(…) o grande sonho dos operários era assumir uma função bem remunerada e valorizada socialmente no interior das grandes empresas; assim, o caminho para a melhoria de vida e a ascensão social fazia-se através de um percurso individualista. A famosa e tão repetida expressão popular ‘vencer na vida’ traduzia-se aqui em tornar-se finalista numa corrida individual por melhor emprego, isto é, melhor condição de vida, deixando os colegas para trás”.</em></p>
<p><em>Imagino que o jornalismo possa parecer a você uma profissão legal, privilegiada, bem-remunerada (nem tanto, viu?, nem tanto…), glamurosa (no meu caso, fui ser jornalista musical, o legal dentro do legal). É meio assim mesmo, não nego, mas, nossa!, como eu me identifiquei com as palavras acima quando as li. Parecia que Denise Paraná estava descrevendo a minha vida profissional</em></p>
<p><em>Foi só a partir dessa leitura (ou seja, há pouco mais de um ano) que comecei a entender um pouco melhor a minha posição de operário dentro da grande fábrica de notícias (e ficções nada científicas) que é a nossa “grande” mídia. Certo, não lido com tijolo e cimento, e sim com tinta e papel, ou melhor, neurônios, dedos e computador. Mas, meu amigo, minha amiga, se eu fosse falar o quanto conheço, de dentro de ambientes supostamente “educados”, sobre maus tratos, assédio moral, homofobia, bullying (aliás, essas são outras “matérias” que jamais aprendi em escola nenhuma, e você?)&#8230;</em></p>
<p><em>Até de racismo conheço um pouco, apesar de ser branco como papel – meu, se você soubesse quanto é difícil emplacar reportagens sobre rap nacional na “grande” imprensa brasileira…</em></p>
<p><em>Estou querendo dizer que, à parte a atmosfera “civilizada” e o tal glamour, a vida de um jornalista assalariado guarda elementos hereditários, eu diria, de servidão, humilhação e escravidão, tanto quanto inúmertas outras profissões – ator de TV, cantora, operário, empregada doméstica, trabalhador de construção, babá de filhotes riquinhos, porteiro, diarista, catador de papel, taxista, secretária-executiva, bancário, professora de escola pública (ou particular), segurança, policial…</em></p>
<p><em>Foi aí que deu o clique, que me veio a explicação lógica para eu ter votado tantas vezes em Lula e já ansiar, um ano atrás, pela hora de votar em Dilma. Mesmo sem carteirinha de sindicato ou ficha de filiação partidária, eu saí da barra da saia do meu pai em 1991 para virar um operário, um integrante do partido dos trabalhadores (uso em minúsculas, porque até no PSDB e no DEM existem trabalhadores), pô!</em></p>
<p><em>Ainda não tenho certeza se a minha vida em particular melhorou ou piorou nos últimos oito anos (ah, quer saber?, acho que melhorou, sim, à beça!). Mas, concluído mais este ciclo, tenho uma certeza: sou muito, muito, muito orgulhoso dos votos que emprestei a Lula, esse meu irmão.</em></p>
<p><em>Nesses anos todos, enquanto pelejava para cá e para lá com meus tijolos de palavras, vi muita coisa acontecer. O pré-sal e o respeito à estatal Petrobras começaram a enriquecer o Brasil como um todo, e há leis garantindo que seus lucros não sejam entregues aos Estados Unidos a preço de espelhinhos e miçangas. O Brasil, antes desprezado e humilhado na chamada comunidade internacional, goza de um respeito externo que jamais havia possuído – não era à toa, pois até pouco mais de um século atrás éramos um país oficialmente escravocrata, e só há 26 anos encerramos uma ditadura sangrenta bancada pelos supostamente “cultos” Estados Unidos. Mas qualquer hora dessas vão dizer que não somos mais um país “subdesenvolvido”, quer apostar?</em></p>
<p><em>Este Brasil hoje goza de respeito e admiração internacional porque tem Lula, que lidera a decisão de não baixar mais a cabeça para os países “ricos”, mas também respeita os países da África, o Haiti, Cuba, o Irã (e não só regimes tirânicos “amigos” dos EUA, como Israel, Itália – e os próprios EUA). Respeita para ser respeitado, em resumo.</em></p>
<p><em>Nesses oito anos, o Bolsa-Família (e não “bolsa-esmola”, como diz quem teve estudo e parece não tê-lo aproveitado para maiores aprendizados) começou a democratizar o ensino. O ProUni tem levado às universidades uma população crescente de estudantes mais pobres, para tomar posse das vagas que deviam ser deles desde sempre, mas eram quase sempre ocupadas por garotos como eu e por garotos muito mais ricos que eu. Universidades novas têm sido construídas, inclusive em regiões como o Nordeste, e não só no universo-umbigo chamado São Paulo e vizinhanças. As cotas raciais vêm sendo implantadas (a USP, gerida por governos tucanos, até agora não o fez, olha que curioso).</em></p>
<p><em>Assim como o Brasil cresce aos olhos do mundo, aqui empregadas domésticas, porteiros e pedreiros têm comprado carros, viajado de avião e frequentado universidades, e existe muita madame e muito marmanjo incomodados com a “inesperada” dificuldade de contratar serviçais. O fato de seus cidadãos menos favorecidos se desenvolverem aqui dentro é o que faz o Brasil crescer lá fora (e passar incólume de crises financeiras ditas “mundiais”), muito mais que o contrário. A autoestima precisa sempre vir antes da estima dos outros, senão nunca vem. Os mais ignorantes e estúpidos entre nossos patrões e patroas ficam enlouquecidos quando intuem essa profunda transformação – eles gostam mesmo é de escravidão, sem nem perceberem que também são escravos, ainda que forrados de ouro e papel-moeda.</em></p>
<p><em>Enquanto o Brasil atravessava essas mudanças, aqui em São Paulo o então governador Serra e seus asseclas deixavam gente sem nenhuma perspectiva de futuro estufar a cracolândia no centro da cidade – segundo línguas más e sordidamente mudas, para desvalorizar o mercado imobiliário daquela região e preparar o “futuro” (futuro de quem, caras-pálidas?) para a edificação de um pomposo centro empresarial, ou coisa que o valha. Como que perdido no tempo, o então governador Serra tratava policiais e professores do ensino público à base de cassetete e gás lacrimogênio, como se ainda estivéssemos em plena ditadura militar. Como muita gente já sabe, o modo mais eficaz de manter escrava uma população é negar-lhe condições de educação e emprego pleno. Bingo (ou eu devia dizer loto, sena, jogo do bicho?).</em></p>
<p><em>Há muita coisa acontecendo no Brasil, mas a grande revolução que Lula tem promovido acontece nesse binômio, emprego-e-educação. E, curiosamente, a “grande” mídia que sustenta minha sobrevivência simplesmente ODEIA tocar nesse assunto. Em pleno processo eleitoral, prefere falar (sempre preconceituosamente) sobre religião, aborto, casamento homossexual, bolinha de papel, “terrorismo” da candidata que foi torturada pela ditadura sustentada por ela, mídia, com mão de ferro.</em></p>
<p><em>E cá estou eu, ligando pontinhos, tentando somar essas coisas todas. Por falar em somar, escrevi e publiquei um livro chamado Como Dois e Dois São Cinco (Boitempo, 2004), sobre Roberto Carlos, o cantor mais popular da história do Brasil – olha só, até livros o meu “bolsa-esmola” me permitiu escrever.</em></p>
<p><em>A conclusão à que chego é que às vezes parece até que nem sei em quem voto ou por que voto nessa e naquele. Mas, olha, acho que eu sei, sim. Sei com quem me identifico. Sei que carrego sentimentos de culpa, mas também de injustiça, que me causam raiva, por mim mesmo e por outros muitos irmãos (neste ponto, posso chamá-lo de irmão, ou irmã?).</em></p>
<p><em>Sei que busco minha felicidade individual nesta vida, mas sei também que só sou feliz quando estou interagindo com um monte de gente, e que quanto mais gente feliz existe ao meu redor (ou mesmo longe de mim), maior é a minha probabilidade de ser mais feliz. Dito tudo isso, você já sabe qual é o apelido que vou dar à minha felicidade na urna amanhã. Temos uma noite inteira pela frente, pensa bastante aí que nome você quer dar à sua felicidade.</em></p>
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		<title>Vida sem discurso e sem ação é literalmente uma vida morta para o mundo</title>
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		<pubDate>Thu, 19 Aug 2010 14:52:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Hoje está sendo disparada uma campanha para se ajudar da forma como for possível as bibliotecas comunitárias do Grande Recife. A iniciativa tem entre seus agentes diversos blogueiros que atuam sobretudo no Recife. Estão disponíveis nos endereços abaixo depoimentos, artigos, contos, reportagens, vídeos, que procuram informar seus leitores sobre a importância da rede de bibliotecas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a id="aptureLink_JqqLySYxOk" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;" href="http://apture.s3.amazonaws.com/0000012a8ad5d07491a4e7f7007f000000000001.Biblio%20Viva.jpg"><img class="alignright" style="border: 0px none;" title="Biblio Viva" src="http://apture.s3.amazonaws.com/0000012a8ad5d07491a4e7f7007f000000000001.Biblio%20Viva.jpg" alt="" width="441px" height="251px" /></a>Hoje está sendo disparada uma campanha para se ajudar da forma como for possível as bibliotecas comunitárias do Grande Recife. A iniciativa tem entre seus agentes diversos blogueiros que atuam sobretudo no Recife. Estão disponíveis nos endereços abaixo depoimentos, artigos, contos, reportagens, vídeos, que procuram informar seus leitores sobre a importância da rede de bibliotecas populares na região metropolitana da capital pernambucana e orientá-los sobre como contribuir.</p>
<p>Quem quiser conhecer melhor o trabalho feito pelas bibliotecas, que vêm através de várias ações fortalecendo a prática da leitura e democratização do acesso ao livro em suas diversas modalidades: informativa, formativa e recreativa, como um direito humano, fundamental para o desenvolvimento pessoal, social e comunitário, é só acessar o endereço <a href="http://rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com. " target="_blank">http://rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com</a>. Mais informações pelos telefones 3244-3325 / 8850-5507.</p>
<p>Se um de vocês três que ainda lê esse blog se motivar a participar, a ajuda pode vir em forma de equipamentos, propostas de trabalho voluntário ou apoio financeiro. Para depositar qualquer quantia: Caixa Econômica Federal / Conta corrente número: 544-5 / Agência: 2193 / OP: 003.</p>
<p>Acho interessante e viável associar as bibliotecas comunitárias do Grande Recife não somente com o aspecto educacional e de aprendizado &#8211; coisa que geralmente se faz, com o devido valor e necessidade. Mas, se é verdade que a vida sem discurso e sem ação é literalmente uma vida morta para o mundo, deixando de ser vida humana (pois deixa de ser vivida por homens), as atividades das/nas  bibliotecas precisa ser entendida também em sua dimensão politica.</p>
<p>Até porque a política assim colocada e a educação são faces de uma mesma moeda.</p>
<p>A educação e o aprendizado são elementos fundamentais para a articulação das ferramentas que permitem a visibilidade e com ela a afirmação da existência. Hannah Arendt é que afirmava que o que garante o ser para o sujeito não é o pensamento, mas a sua visibilidade. Os espaços de sociabilidade e os mecanismos de educação/inserção que as bibliotecas representam fornecem ferramentas para se participar dos ambientes político sociais, de interagir e interferir sobre a sociedade.</p>
<p>As bibliotecas comunitárias exemplificam as formas não institucionalizadas da vivência da política, da afirmação do dissenso, da existência de parcelas da nossa comunidade que insistem em sua existência- e não somente das necessidades físicas que dessa existência brotam, mas também das necessidades da alma. Nem só de pão vive o homem.</p>
<p>Mais do que espaços de resistência, as bibliotecas populares, e também outras formas de afirmação política, são espaços de re-existência. De afirmação do novo, do belo, do livre.</p>
<p>Outros blogs participando</p>
<p><a href="http://www.interblogs.com.br/homerofonseca" target="_blank">www.interblogs.com.br/homerofonseca</a><br />
<a href="http://www.porqueeueumoutro.com" target="_blank">www.porqueeueumoutro.blogspot.com</a><br />
<a href="http://www.bodega.blog.br" target="_blank">www.bodega.blog.br</a><br />
<a href="http://www.bodega.com.br" target="_blank">www.estuario.com.br</a><br />
<a href="http://www.acertodecontas.blog.br" target="_blank">www.acertodecontas.blog.br</a><br />
<a href="http://www.caotico.com.br">www.caotico.com.br</a><br />
<a href="http://www.wellingtondemelo.com.br" target="_blank">www.wellingtondemelo.com.br</a><br />
<a href="http://www.cezarmaia.com.br" target="_blank">www.cezarmaia.com.br</a><br />
<a href="http://www.oebodycount.com.br" target="_blank">www.pebodycount.com.br</a><br />
<a href="http://www.rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com" target="_blank">www.rededebibliotecascomunitarias.wordpress.com</a><br />
<a href="http://www.bpcoque.wordpress.com" target="_blank">www.bpcoque.wordpress.com</a><br />
<a href="http://www.palavraspontes.blogspot.com">www.palavraspontes.blogspot.com</a><br />
<a href="http://www.escritoresetal.com.br" target="_blank">www.escritoresetal.com.br</a><br />
<a href="http://www.nospos.blogspot.com" target="_blank">www.nospos.blogspot.com</a></p>
<p><a href="http://paraminhabiografia.blogspot.com/" target="_blank"></a></p>
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		<title>A notícia de domingo que a reacionária imprensa brasileira não sabe dar</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Jul 2010 14:53:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Domingo]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[Por que apoiamos Dilma?
Resposta simples: porque escolhemos a candidatura melhor 

Mino Carta, Revista Carta Capital

Guerrilheira, há quem diga, para definir Dilma Rousseff. Negativamente, está claro. A
verdade factual é outra, talvez a jovem Dilma tenha pensado em pegar em armas, mas nunca chegou a tanto. A questão também é outra: CartaCapital respeita, louva e admira quem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong><em>Por que apoiamos Dilma?</em></strong></em></p>
<p><em><strong><em>Resposta simples: porque escolhemos a candidatura melhor </em></strong></em><em><br />
</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong>Mino Carta, <a href="http://www.cartacapital.com.br/app/materia.jsp?a=2&amp;a2=8&amp;i=7214" target="_blank">Revista Carta Capital</a></strong></p>
<p><em><br />
Guerrilheira, há quem diga, para definir Dilma Rousseff. Negativamente, está claro. A<br />
verdade factual é outra, talvez a jovem Dilma tenha pensado em pegar em armas, mas nunca chegou a tanto. A questão também é outra: CartaCapital respeita, louva e admira quem se opôs à ditadura e, portanto, enfrentou riscos vertiginosos, desde a censura e a prisão sem mandado, quando não o sequestro por janízaros à paisana, até a tortura e a morte.</p>
<p>O cidadão e a cidadã que se precipitam naquela definição da candidata de Lula ou não perdem a oportunidade de exibir sua ignorância da história do País, ou têm saudades da ditadura. Quem sabe estivessem na Marcha da Família, com Deus e pela Liberdade há 46 anos, ou apreciem organizar manifestação similar nos dias de hoje.</p>
<p>De todo modo, não é apenas por causa deste destemido passado de Dilma Rousseff que CartaCapital declara aqui e agora apoio à sua candidatura. Vale acentuar que neste mesmo espaço previmos a escolha do presidente da República ainda antes da sua reeleição, quando José Dirceu saiu da chefia da Casa Civil e a então ministra de Minas e Energia o substituiu.</p>
<p>E aqui, em ocasiões diversas, esclareceuse o porquê da previsão: a competência, a seriedade, a personalidade e a lealdade a Lula daquela que viria a ser candidata. Essas inegáveis qualidades foram ainda mais evidentes na Casa Civil, onde os alcances do titular naturalmente se expandem.</p>
<p>E pesam sobre a decisão de CartaCapital. Em Dilma Rousseff enxergamos sem a necessidade de binóculo a continuidade de um governo vitorioso e do governante mais popular da história do Brasil. Com largos méritos, que em parte transcendem a nítida e decisiva identificação entre o presidente e seu povo. Ninguém como Lula soube valerse das potencialidades gigantescas do País e vulgarizá-las com a retórica mais adequada, sem esquecer um suave toque de senso de humor sempre que as circunstâncias o permitissem.</p>
<p>Sem ter ofendido e perseguido os privilegiados, a despeito dos vaticínios de alguns entre eles, e da mídia praticamente em peso, quanto às consequências de um governo que profetizaram milenarista, Lula deixa a Presidência com o País a atingir índices de crescimento quase chineses e a diminuição do abismo que separa minoria de maioria. Dono de uma política exterior de todo independente e de um prestígio internacional sem precedentes. Neste final de mandato, vinga o talento de um estrategista político finíssimo. E a eleição caminha para o plebiscito que a oposição se achava em condições de evitar.</p>
<p>Escolha certa, precisa, calculada, a de Lula ao ungir Dilma e ao propor o confronto com o governo tucano que o precedeu e do qual José Serra se torna, queira ou não, o herdeiro. Carregar o PSDB é arrastar uma bola de ferro amarrada ao tornozelo, coisa de presidiário. Aí estão os tucanos, novos intérpretes do pensamento udenista. Seria ofender a inteligência e as evidências sustentar que o ex-governador paulista partilha daquelas ideias. Não se livra, porém, da condição de tucano e como tal teria de atuar. Enredado na trama espessa da herança, e da imposição do plebiscito, vive um momento de confusão, instável entre formas díspares e até conflitantes ao conduzir a campanha, de sorte a cometer erros grosseiros e a comprometer sua fama de “preparado”, como insiste em<br />
afirmar seu candidato a vice, Índio da Costa. E não é que sonhavam com Aécio&#8230;</p>
<p>Reconhecemos em Dilma Rousseff a candidatura mais qualificada e entendemos como injunção deste momento, em que oficialmente o confronto se abre, a clara definição da nossa preferência. Nada inventamos: é da praxe da mídia mais desenvolvida do mundo tomar partido na ocasião certa, sem implicar postura ideológica ou partidária. Nunca deixamos, dentro da nossa visão, de apontar as falhas do governo Lula. Na política ambiental. Na política econômica, no que diz respeito, entre outros aspectos, aos juros manobrados pelo Banco Central. Na política social, que poderia ter sido bem mais ousada.</p>
<p>E fomos muito críticos quando se fez passivamente a vontade do ministro Nelson Jobim e do então presidente do STF Gilmar Mendes, ao exonerar o diretor da Abin, Paulo Lacerda, demitido por ter ousado apoiar a Operação Satiagraha, ao que tudo indica já enterrada, a esta altura, a favor do banqueiro Daniel Dantas. E quando o mesmo Jobim se arvorou a portavoz dos derradeiros saudosistas da ditadura e ganhou o beneplácito para confirmar a validade de uma Lei da Anistia que desrespeita os Direitos Humanos. E quando o então ministro da Justiça Tarso Genro aceitou a peroração de um grupelho de fanáticos do Apocalipse carentes de conhecimento histórico e deu início a um affair internacional desnecessário e amalucado, como o caso Battisti. Hoje apoiamos a candidatura de Dilma Rousseff com a mesma disposição com que o fizemos em 2002 e em 2006 a favor de Lula. Apesar das críticas ao governo que não hesitamos em formular desde então, não nos arrependemos por essas escolhas. Temos certeza de que não nos arrependeremos agora. </em></p>
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