Archive for the 'Diálogos impertinentes' category

Copenhague: Seattle está crescendo

Luiz Carlos Pinto | 27 de novembro de 2009 19:52

Naomi Klein

Esses dias recebi um exemplar de pré-publicação de “The Battle of the Story of the Battle of Seattle” [algo como "A Batalha da História da Batalha de Seattle"], de David Solnit e Rebecca Solnit. O livro está programado para ser lançado dez anos depois que uma coalizão histórica de ativistas cancelou a reunião da Organização Mundial do Comércio em Seattle, a faísca que acendeu um movimento anticorporativo mundial.

O livro é um relato fascinante do que de fato aconteceu em Seattle, mas quando conversei com David Solnit, o guru da ação direta [forma de ativismo político] que ajudou a arquitetar o cancelamento, encontrei-o
menos interessado em se lembrar de 1999 do que em falar sobre a conferência climática da ONU em Copenhague (de 7 a 18 de dezembro) e sobre as ações de “justiça climática” que ele está ajudando a
organizar em todos os Estados Unidos em 30 de novembro.

“Este é definitivamente um movimento ao estilo de Seattle”, disse-me Solnit. “As pessoas estão prontas para lutar”. Há um quê de Seattle na mobilização para Copenhague: a imensa variedade de grupos, as diversas
táticas disponíveis, e os governos dos países em desenvolvimento prontos para levar as demandas dos ativistas para a cúpula.

Mas Copenhague não é meramente uma reedição de Seattle. Parece que as placas tectônicas progressivas estão se movendo, criando um movimento que se constrói a partir das forças de uma era anterior, mas que
também aprende com seus erros.

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Triste cinema brasileiro

Luiz Carlos Pinto | 2 de novembro de 2009 11:01

ANA PAULA SOUSA
Publicado na Foia de SP, 02/11/2009

O jornalista francês Jean-Michel Frodon era ainda um garoto quando, por meio de filmes e textos, jovens como François Truffaut (1932-1984) e Jean-Luc Godard fizeram soprar os ventos da nouvelle vague. Foi ao ler as páginas da lendária “Cahiers du Cinèma”, revista-símbolo do movimento, que Frodon descobriu o prazer da reflexão cinematográfica.
Reflexão que é estética, mas também ética e política. “Como disse Godard, todo travelling é moral”, tentou ensinar, para uma plateia de estudantes, durante um debate na Fundação Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, na noite da última sexta.
Frodon veio à cidade para integrar o júri da Mostra Internacional e para discutir a cinefilia e a crítica. “Alguns acham que fazer crítica é aconselhar o consumidor. Não é”, diz. A crítica, para Frodon, é um trabalho emocional e reflexivo que, a partir da escrita, estabelece uma relação com o público.
“Quem trabalha com cinema, tende a achar que o crítico faz parte do trabalho de divulgação. Mas a crítica não é feita para atrair as pessoas ao cinema.” Ex-crítico do jornal “Le Monde” e ex-diretor da “Cahiers…”, Frodon conhece bem os poderes que rodeiam essa atividade que tenta equilibrar-se entre a arte e a indústria.
Ele deixou a direção da “Cahiers” este ano, após a venda da publicação para o grupo britânico Phaidon Books. “A imprensa toda passa por dificuldades”, diz, quando questionado sobre a crise da revista. Mas, quando o assunto é cinema, deixa a cautela de lado. Leia a entrevista que Frodon concedeu à Folha, parte por e-mail, de Paris, parte pessoalmente, em São Paulo.

FOLHA – Como vai o cinema brasileiro?
JEAN-MICHEL FRODON – É um cinema sem maior brilho. Vi alguns documentários interessantes, mas o cinema brasileiro não é tão bom quanto poderia ser, ou o quanto imaginamos que seria. O último filme brasileiro do qual eu gostei foi “Mutum”.

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O que Saramago pensa do twitter

Luiz Carlos Pinto | 23 de setembro de 2009 13:31

“Os tais 140 caracteres reflectem algo que já conhecíamos: a tendência para o monossílabo como forma de comunicação. De degrau em degrau, vamos descendo até o grunhido” – José Saramago

Quem manda é a indústria

Luiz Carlos Pinto | 14 de setembro de 2009 23:27

José Saramago – 10 de maio de 2009

Não sei nada do assunto e a experiência direta de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor.

Há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico “intercâmbio” genômico. Há já seis anos que a revista Science publicava um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe.

Nas últimas décadas, o setor pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever… Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Atualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agentes patogênicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários. Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada.

No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um relatório sobre a “produção animal em granjas industriais, onde se chamava a atenção para o grave perigo de que a contínua circulação de vírus, característica das enormes varas ou rebanhos, aumentasse as possibilidades de aparecimento de novos vírus por processos de mutação ou de recombinação que poderiam gerar vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”.

A comissão alertou também para o fato de que o uso promíscuo de antibióticos nas fábricas porcinas/de porcos – mais barato que em ambientes humanos – estava proporcionando o auge de infecções estafilocócicas resistentes, ao mesmo tempo que as descargas residuais geravam manifestações de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou milhares de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).

Qualquer melhoria na ecologia deste novo agente patogênico teria que enfrentar-se ao monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e bovinos, como Smithfield Farms (suíno e vacum) e Tyson (frangos).

A comissão falou de uma obstrução sistemática das suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas umas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento dos investigadores que cooperaram com a comissão. Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como o gigante avícola Charoen Pokphand, radicado em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre o seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do surto da gripe suína esbarre contra a pétrea muralha da indústria do porco. Isso não quer dizer que não venha a encontrar-se nunca um dedo acusador: já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz. Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandêmica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industrializada e ecologicamente sem discernimento.

Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas.. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?

Recebi o vídeo e o texto na lista do Metarec.

É assim que penso

Luiz Carlos Pinto | 4 de agosto de 2009 21:33

Porque, no mundo em que vivo, vejo pessoas trabalhando mais do que deveriam para ganhar mais do que realmente precisam a fim de comprar coisas que não querem com o objetivo de impressionar gente de que elas, na verdade, nem gostam. É uma realidade absurda que não me agrada em nada.

Amós Oz, escritor.

Baby, baby, baby

Luiz Carlos Pinto | 16 de maio de 2009 16:26

Será que é isso o que chamam mídia pós-massiva?

:)

Notícia de um vôo particular

Luiz Carlos Pinto | 27 de março de 2009 9:44
 Euzivaldo Queiroz/A Crítica

Euzivaldo Queiroz/"A Crítica"

KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

Com cerca de 300 quilos e 1,5 metro de diâmetro, parte de uma das turbinas de um avião cargueiro DC-10 caiu na madrugada de ontem sobre uma casa do bairro Terra Nova 2, em Manaus. A peça, que pegava fogo, arrebentou o telhado de uma casa, onde dormiam cinco pessoas, e rolou por 80 metros pela rua. Só parou após bater em um carro estacionado, que ficou parcialmente destruído.
Outras 20 casas também foram danificadas por estilhaços soltos pela peça. Ninguém se feriu. A Aeronáutica classificou o caso como “incidente grave”.

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Assim caminha a humanidade II

Luiz Carlos Pinto | 30 de novembro de 2008 9:35

SubmidialogiaS

Luiz Carlos Pinto | 16 de novembro de 2008 23:32

Cachimbo é de ouro

Luiz Carlos Pinto | 9 de novembro de 2008 13:46