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Archive for the 'Diálogos impertinentes' category

Quem manda é a indústria

Luiz Carlos Pinto | 14 de setembro de 2009 23:27

José Saramago – 10 de maio de 2009

Não sei nada do assunto e a experiência direta de haver convivido com porcos na infância e na adolescência não me serve de nada. Aquilo era mais uma família híbrida de humanos e animais que outra coisa. Mas leio com atenção os jornais, ouço e vejo as reportagens da rádio e da televisão, e, graças a alguma leitura providencial que me tem ajudado a compreender melhor os bastidores das causas primeiras da anunciada pandemia, talvez possa trazer aqui algum dado que esclareça por sua vez o leitor.

Há muito tempo que os especialistas em virologia estão convencidos de que o sistema de agricultura intensiva da China meridional foi o principal vetor da mutação gripal: tanto da “deriva” estacional como do episódico “intercâmbio” genômico. Há já seis anos que a revista Science publicava um artigo importante em que mostrava que, depois de anos de estabilidade, o vírus da gripe suína da América do Norte havia dado um salto evolutivo vertiginoso. A industrialização, por grandes empresas, da produção pecuária rompeu o que até então tinha sido o monopólio natural da China na evolução da gripe.

Nas últimas décadas, o setor pecuário transformou-se em algo que se parece mais à indústria petroquímica que à bucólica quinta familiar que os livros de texto na escola se comprazem em descrever… Em 1966, por exemplo, havia nos Estados Unidos 53 milhões de suínos distribuídos por um milhão de granjas. Atualmente, 65 milhões de porcos concentram-se em 65.000 instalações. Isso significou passar das antigas pocilgas aos ciclópicos infernos fecais de hoje, nos quais, entre o esterco e sob um calor sufocante, prontos para intercambiar agentes patogênicos à velocidade do raio, se amontoam dezenas de milhões de animais com mais do que debilitados sistemas imunitários. Não será, certamente, a única causa, mas não poderá ser ignorada.

No ano passado, uma comissão convocada pelo Pew Research Center publicou um relatório sobre a “produção animal em granjas industriais, onde se chamava a atenção para o grave perigo de que a contínua circulação de vírus, característica das enormes varas ou rebanhos, aumentasse as possibilidades de aparecimento de novos vírus por processos de mutação ou de recombinação que poderiam gerar vírus mais eficientes na transmissão entre humanos”.

A comissão alertou também para o fato de que o uso promíscuo de antibióticos nas fábricas porcinas/de porcos – mais barato que em ambientes humanos – estava proporcionando o auge de infecções estafilocócicas resistentes, ao mesmo tempo que as descargas residuais geravam manifestações de escherichia coli e de pfiesteria (o protozoário que matou milhares de peixes nos estuários da Carolina do Norte e contagiou dezenas de pescadores).

Qualquer melhoria na ecologia deste novo agente patogênico teria que enfrentar-se ao monstruoso poder dos grandes conglomerados empresariais avícolas e bovinos, como Smithfield Farms (suíno e vacum) e Tyson (frangos).

A comissão falou de uma obstrução sistemática das suas investigações por parte das grandes empresas, incluídas umas nada recatadas ameaças de suprimir o financiamento dos investigadores que cooperaram com a comissão. Trata-se de uma indústria muito globalizada e com influências políticas. Assim como o gigante avícola Charoen Pokphand, radicado em Bangkok, foi capaz de desbaratar as investigações sobre o seu papel na propagação da gripe aviária no Sudeste asiático, o mais provável é que a epidemiologia forense do surto da gripe suína esbarre contra a pétrea muralha da indústria do porco. Isso não quer dizer que não venha a encontrar-se nunca um dedo acusador: já corre na imprensa mexicana o rumor de um epicentro da gripe situado numa gigantesca filial de Smithfield no estado de Veracruz. Mas o mais importante é o bosque, não as árvores: a fracassada estratégia antipandêmica da Organização Mundial de Saúde, o progressivo deterioramento da saúde pública mundial, a mordaça aplicada pelas grandes transnacionais farmacêuticas a medicamentos vitais e a catástrofe planetária que é uma produção pecuária industrializada e ecologicamente sem discernimento.

Como se observa, os contágios são muito mais complicados que entrar um vírus presumivelmente mortal nos pulmões de um cidadão apanhado na teia dos interesses materiais e da falta de escrúpulos das grandes empresas.. Tudo está contagiando tudo. A primeira morte, há longo tempo, foi a da honradez. Mas poderá, realmente, pedir-se honradez a uma transnacional? Quem nos acode?

Recebi o vídeo e o texto na lista do Metarec.

É assim que penso

Luiz Carlos Pinto | 4 de agosto de 2009 21:33

Porque, no mundo em que vivo, vejo pessoas trabalhando mais do que deveriam para ganhar mais do que realmente precisam a fim de comprar coisas que não querem com o objetivo de impressionar gente de que elas, na verdade, nem gostam. É uma realidade absurda que não me agrada em nada.

Amós Oz, escritor.

Baby, baby, baby

Luiz Carlos Pinto | 16 de maio de 2009 16:26

Será que é isso o que chamam mídia pós-massiva?

:)

Notícia de um vôo particular

Luiz Carlos Pinto | 27 de março de 2009 9:44
 Euzivaldo Queiroz/A Crítica

Euzivaldo Queiroz/"A Crítica"

KÁTIA BRASIL
DA AGÊNCIA FOLHA, EM MANAUS

Com cerca de 300 quilos e 1,5 metro de diâmetro, parte de uma das turbinas de um avião cargueiro DC-10 caiu na madrugada de ontem sobre uma casa do bairro Terra Nova 2, em Manaus. A peça, que pegava fogo, arrebentou o telhado de uma casa, onde dormiam cinco pessoas, e rolou por 80 metros pela rua. Só parou após bater em um carro estacionado, que ficou parcialmente destruído.
Outras 20 casas também foram danificadas por estilhaços soltos pela peça. Ninguém se feriu. A Aeronáutica classificou o caso como “incidente grave”.

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Assim caminha a humanidade II

Luiz Carlos Pinto | 30 de novembro de 2008 9:35

SubmidialogiaS

Luiz Carlos Pinto | 16 de novembro de 2008 23:32

Cachimbo é de ouro

Luiz Carlos Pinto | 9 de novembro de 2008 13:46

Apropriações tecnológicas

Luiz Carlos Pinto | 3 de novembro de 2008 20:25
Apropriações tecnológicas

Apropriações tecnológicas

Ficou pronto e é com um pouco de atraso que eu menciono aqui a compilação que Karla Brunet fez de algumas das experiências do Submidialogia #3, que aconteceu em Lençóis, ano passado. Todo o livro está disponível na internet (sob licença GNU de documentação), mas o calhamaço também será vendido nas melhores livrarias. Ainda não li tudo, assim que der coloco aqui alguma coisa do que achei. Abaixo, um pouco do livro, tintin por tintin.

Apropriações Tecnológicas
Emergência de textos, idéias e imagens do Submidialogia#3

Karla Schuch Brunet (Organizadora)
Edufba, Salvador 2008
ISBN-978-85-232-0528-7

Apresentação
Karla Schuch Brunet
Parte I – Conceitos e Inspirações

A-própria-ação dos conceitos
Thais Brito

Entre o analógico e o digital: apontamentos sobre suas formas de conhecimento e poder
Henrique Parra

Pontos de Cultura, novas mídias, educação e democracia.
Reflexões sobre o contexto de uma mudança estrutural no Brasil

Adriana Veloso Meireles

Anotações do balcão do Sr. Didi
José Balbino e Ricardo Ruiz

Monopólios artificiais sobre bens intangíveis
Enrique Chaparro [Tradução de Karla Brunet]

Por que não falamos de Propriedade Intelectual?
Beatriz Busaniche [Tradução de Luiz Carlos Pinto]

Inventar a gratuidade
Collectif d`Artistes [Tradução de Thiago Novaes]

Artistas e piratas, hackers e cidadãos comuns, cientistas e imperadores
Tininha Llanos

Em busca do Brasil profundo
Felipe Fonseca

Parte II – Práticas e experimentações

Processos Imersivos e Reciclagens de Singularidades (para Multitudes)
Fabiane Borges e Marc Etli

Para além dos fios e cabos: sobre a performance metasubcibertrans
Dolores Galindo

Metasubcibertrans
Victoria Synclair

Mapeando Lençóis
Karla Schuch Brunet

etc-br – Totalmente terceiro sexo
Tati Wells

Instalações Interativas. As crianças subvertem o meio
Ricardo Brazileiro

SUB então, subMidia, subCOmandante, subStrato…
Etienne Delacroix

Bits, Átomos e Conversas Corridas antes do Sub#3 Acabar…
Etienne Delacroix e Capi

Parte III – Um email

No final do evento: um email
Wanderlynne Selva

Colaboradores

Biografias

Lista de Urls

A liberdade de ver os outros

Luiz Carlos Pinto | 11 de outubro de 2008 9:56

David Foster Wallace*

Dois peixes

Dois peixes

Dois peixinhos estão nadando juntos e cruzam com um peixe mais velho, nadando em sentido contrário. Ele os cumprimenta e diz:

- Bom dia, meninos. Como está a água?

Os dois peixinhos nadam mais um pouco, até que um deles olha para o outro e pergunta:

- Água? Que diabo é isso?

Não se preocupem, não pretendo me apresentar a vocês como o peixe mais velho e sábio que explica o que é água ao peixe mais novo. Não sou um peixe velho e sábio. O ponto central da história dos peixes é que a realidade mais óbvia, ubíqua e vital costuma ser a mais difícil de ser reconhecida. Enunciada dessa -forma, a frase soa como uma platitude – mas
é fato que, nas trincheiras do dia-a-dia da existência adulta, lugares comuns banais podem adquirir uma importância de vida ou morte.

Boa parte das certezas que carrego comigo acabam se revelando totalmente equivocadas e ilusórias. Vou dar como exemplo uma de minhas convicções automáticas: tudo à minha volta respalda a crença profunda de que eu sou o centro absoluto do universo, de que sou a pessoa mais real, mais vital e essencial a viver hoje. Raramente mencionamos esse egocentrismo natural e básico, pois parece socialmente repulsivo, mas no fundo ele é familiar a todos nós. Ele faz parte de nossa configuração padrão, vem impresso em nossos circuitos ao nascermos.

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My american way of life – I

Luiz Carlos Pinto | 29 de agosto de 2008 5:06


Os amigos sabem que viajei aos Estados Unidos no início do ano a trabalho, mas só agora resolvi postar algumas coisas dessa experiência. É mais por uma obrigação comigo mesmo e o fato desse blog não ser mais lido por ninguém me traz algum alento e conforto. Ainda bem que ninguém achou estranho que eu quase não tenha relatado como foi a viagem ou que não tenha escrito nada a respeito. Não saberia responder a razão. Atribuir isso a faltade tempo não seria suficiente. Tentando remediar um pouco isso é que programei uma série de posts sobre minha experiência na América, o lar dos fortes.

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