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Archive for the 'Domingo' category

Diego Viana

É provável que acabe passando em brancas nuvens, e será uma pena; mas afirmo que MundoBraz: O devir-mundo do Brasil e o devir-Brasil do mundo é um dos livros mais contundentes sobre os tempos que se preparam, para nosso país e nosso planeta, em meio a tanta badalação e tanto chute sobre a Terra Brasilis. De fato, Giuseppe Cocco, o autor, faz um exame anatômico do tema que tem feito a alegria de jornais ao redor do planeta e de políticos dentro do país: o lugar que o Brasil vai ocupar no mundo do futuro próximo. Rico ou pobre, poderoso ou frustrado mais uma vez, Cocco sustenta, com argumentos bastante bem assentados, que essa posição será no mínimo paradigmática.

Por que as brancas nuvens? Porque não é mesmo fácil se guiar no meio de tantas referências evocadas para sustentar a tese. É um corpo teórico que parte da filosofia e chega à antropologia, com paradas na sociologia e no urbanismo, no marxismo e na arte: Foucault e Oswald de Andrade, Simondon e Marx, Viveiros de Castro e Negri. Como a tendência corrente nos comentários de livros é de priorizar a quantidade, no lugar da profundidade, não duvide de que o argumento não seja enxergado e não ocupe o lugar que lhe cabe nos debates.

Asseguro que esse lugar é central. Temos visto, nos últimos tempos, toda sorte de comentários sobre a chegada do tempo projetado a que se destinava o Brasil, esse que sempre foi, pelo menos desde 1943, o país do futuro. Se a projeção era nossa sina, então, dizem os mais empolgados, ela se materializou como nosso destino. Provas? Temos a Copa de 2014, temos as Olimpíadas de 2016, temos um projeto de trem-bala, temos uma taxa de crescimento que pode chegar a 6%, temos uma indústria única de energia renovável (leia-se álcool). Temos uma série de cartas na mão; resta ver se não vamos deitar fora a canastra, como esperam os enfezados.

Falando em enfezados, temos ouvido deles, desde sempre, algo curiosamente próximo. O mundo está se “brasilianizando” – e os europeus têm termos parecidos: africanizando, terceiro-mundificando, toda sorte de neologismos depreciativos. Para esses, o mundo vai ficando parecido com o Brasil, de uma maneira nada apologética. Os países ricos estão virando uma bagunça, como o Brasil, eles dizem, e é por isso que se veem tantos mendigos em Paris, onde, por sinal, o metrô fede (lembrando-se que o metrô no Brasil não fede e a quantidade de moradores de rua, parece, vai pela descendente). Londres está cheia de moradias que parecem favelas… o sul dos EUA fala espanhol, ou “spanglish”, dá no mesmo… E por aí segue a cantilena. Tem também a versão racista, quer ouvir? É que, com a imigração, EUA e Europa estão cheios de árabes, asiáticos, africanos e latino-americanos (esses últimos somos nós). Ou seja, adeus idílio de um primeiromundo branquinho. Não vou começar a repertoriar esses argumentos, o próprio Cocco já faz isso muito melhor do que eu poderia fazer, com crítica e tudo.

Mas, como eu disse, o autor – que é franco-italiano mas vive no Brasil, onde ensina história e política na UFRJ – enxerga nesta nação sul-americana uma situação paradigmática para a configuração social e, por que não dizer, geopolítica do mundo no século XXI. Não é o papel de nova potência, nem de eterna dependência, nem de dominância, nem de subserviência; não é disso que se trata. No paradigma do século anterior, que envolvia Estados-nação fortes e bem delimitados, baseados muitas vezes em noções de raça mal disfarçadas, mas também envolvia uma forma de organização social e econômica que girava em torno de keynesianismo, fordismo, monetarismo e, vez por outra, fascismo, o Brasil era um país que se encaixava muito mal. Nunca tivemos homogeneidade suficiente para isso, mesmo que uma série de tacapadas tão dolorosas quanto ineficazes tenham tentado nos colocar em trilhos mais, digamos, ortodoxos.

Eis, porém, que a roda da história dá mais uma de suas voltas e nós nos encontramos em pleno processo de dissolução desse paradigma (disciplinar, para usar um termo de Foucault, mas isso já é outra história). Vai surgindo um mundo baseado em outras ideias: hibridização, miscigenação, colaboração, contribuição. Pois bem, o patinho feio do hemisfério Sul pode não ter se tornado exatamente um cisne, mas começa a grasnar por toda parte.

Essa metamorfose histórica não acontece por acaso, se é que alguma jamais aconteceu assim. Afinal, sempre esteve implícito nas análises da economia industrial-financeira (também conhecida como capitalismo, o que inclui a União Soviética, queiramos ou não), à direita e à esquerda, desde a teoria das vantagens comparativas de David Ricardo até a ideia de destruição criativa em Schumpeter, passando pelas análises do imperialismo de Rosa Luxemburgo e aos enganos do Tratado de Versalhes, que esse modo de produção avança e se desenvolve expulsando a miséria para o lado de lá de suas fronteiras, enquanto seu núcleo vai acumulando a riqueza e, claro, o capital, que nos fazem tão admirativos do dito primeiromundo. O fenômeno não é propriamente geográfico, porque as fronteiras do modo de produção que denominamos capitalismo podem ser encontradas em qualquer parte, sempre puderam. Mesmo assim, pode-se bem ver que, enquanto as classes inferiores européias e, mais tarde, americanas e japonesas começaram a ter poder de compra e uma opinião muito positiva sobre si próprias (a xenofobia não surgiu à toa, nada surge), o resto do mundo era transformado em campo de exploração, fonte de matérias-primas, depois trabalho, depois produtos que ninguém quer mais fabricar, e assim por diante.

Essa curiosa característica do sistema econômico que dominou o mundo nos últimos dois, quase três séculos (ou até mais, dependendo do ponto-de-vista) foi tornada explícita em obras como Império, de Hardt e Negri, justamente quando ela atingiu seu limite: não existe mais espaço para o lado de fora. Todas as fronteiras, étnicas, nacionais, econômicas, devem ser incorporadas ao sistema. Em outras palavras, a miséria, a alteridade e tudo aquilo que sempre esteve associado à ideia de um terceiromundo, a periferia global, bate à porta e inevitavelmente volta a se imiscuir com a pureza econômico-étnico-social do centro. Ele entra e se instala por capilaridade e não há outro jeito: é o imperativo operacional da economia contemporânea.

Daí o impasse verdadeiramente esquizofrênico das políticas de imigração nos países “centrais”. Ou a miséria entra, na forma de trabalhadores desesperados e estrangeiros, ou a riqueza sai, na forma de transferência de fábricas e tecnologias. O que tem acontecido, e vai continuar acontecendo, é ambos. E não adianta culpar nem os árabes, nem os terroristas, nem ninguém. O estágio atual do desenvolvimento econômico global é esse. Resultado: a geografia econômica e demográfica do mundo inteiro se torna parecida à do Rio de Janeiro, e não estou falando do Pão de Açúcar.

A propósito, menciono Negri e Hardt porque Cocco está associado à linha de análise deles; conceitos como multidão (não sei se é uma boa tradução para multitude, mas, em todo caso, eis o link para um texto imprescindível de Paolo Virno), comum e singularidade vêm e vão em seu vocabulário. Basicamente, MundoBraz confronta os movimentos do mundo e os caminhos do Brasil, para chegar à conclusão de que o que se fermentou no nosso país durante seus tantos anos de colonização, imigração e exploração foi algo como um aperitivo para essa ordem econômica que vai surgindo.

Assim, por exemplo, nossa questão racial, tão premente, se manifesta de maneira diferente do que é no antigo centro do imperialismo colonial (a Europa, leia-se) e também do que se pode observar no centro do imperialismo corporativo (sim, os EUA). Nossa desigualdade está nas esquinas, não nos passaportes. Nossa pujança está numa certa criatividade subterrânea que nossa própria postura subserviente insiste em sufocar. Pois é nisso que está se transformando o mundo, para o bem e para o mal. Antigas clivagens são não exatamente demolidas, mas mais propriamente dissolvidas, num processo de recriação das subjetividades que obrigará a humanidade, resistências à parte, a se encarar de outra maneira, mais nuançada e rica, salvo a intervenção de um desastre de proporções titânicas.

Esse processo sempre foi uma exigência no Brasil, país das clivagens sempre a ponto da dissolução, onde a arte sempre se ofereceu para fundir o morro e o Municipal, onde até o fascismo foi mulato, misturando o sigma de Homero com o anauê dos tupis acompanhando o gesto que os teutões incorporaram dos latinos. Como na realização de uma profecia, cabe ao país roer seus próprios arreios e assumir-se como paradigma do século que se abre. Se somos paradigmáticos, podemos então lançar uma hipótese: nossa capacidade de roer esses arreios, grande doença histórica do país, representará a capacidade do mundo inteiro de combater suas próprias grandes doenças históricas. É algo a observar. É, também, uma utopia pela qual vale lutar. Não para que nosso país se torne o próximo centro do mundo, o que, além de tolice, é impossível: os centros há muito são obsoletos. Mas para que o Brasil possa enfim ser o Brasil.

Nesse espírito, faço acompanhar este texto de um vídeo que resume, de certa forma, essa peculiaridade étnico-histórica do país; composta há trinta anos por um músico mineiro descendente de libaneses e espanhóis, cantada por uma de nossas maiores vozes:

do blog Brasilia, eu vi

Muito ainda se falará dessa foto de Clayton de Souza, da Agência Estado, por tudo que ela significa e dignifica, apesar do imenso paradoxo que encerra. A insolvência moral da política paulista gerou esse instantâneo estupendo, repleto de um simbolismo extremamente caro à natureza humana, cheio de amor e dor. Este professor que carrega o PM ferido é um quadro da arte absurda em que se transformou um governo sustentado artificialmente pela mídia e por coronéis do capital. É um mural multifacetado de significados, tudo resumido numa imagem inesquecível eternizada por um fotojornalista num momento solitário de glória. Ao desprezar o movimento grevista dos professores, ao debochar dos movimentos sociais e autorizar sua polícia a descer o cacete no corpo docente, José Serra conseguiu produzir, ao mesmo tempo, uma obra prima fotográfica, uma elegia à solidariedade humana e uma peça de campanha para Dilma Rousseff.

Inesquecível, Serra, inesquecível

Domingo é dia de cachimbo

Luiz Carlos Pinto | 14 de março de 2010 10:44
Registro de Ana Turra, via Luís Nassif
Mayra Andrade, via Luís Nassif
Tal Wilkenfeld, via Milton Ribeiro
Al Green, via Michel Laub

Mais um carnaval que passou…

Luiz Carlos Pinto | 18 de fevereiro de 2010 13:16

Esse foi um daqueles carnavais mais atípicos que eu já passei. Esse ano, porcausa da necessidade de finalizar três dos cinco capítulos da teses até a quarta-feira ingrata, não brinquei tanto como noutros anos. mesmo assim, deu para conferir o Rec Beat domingo e segunda-feira, ver os heróis desfilarem nas ruas de Olinda, no Domingo (Enquanto isso na Sala de Justiça) e acompanhar o pessoal gente boa dos Amantes de Glória, na segunda. De quebra, ainda deu para ver os maracatus cansados e os blocos líricos na mesma segunda feira, chegando e saindo do bairro do Recife.

Uma das melhores coisas que o Carnaval tem é justamente a possibilidade de fazer a gente se ligar na vida que corre nas ruas, sem o ar-condicionados e outros condicionantes tão artificiais com os quais lidamos cotidianamente – tão cotidianamente que impunemente.

Sai da frente, Otto!!

Já haviam me falado bem do disco novo do Bicho que Pula e confesso aqui que fiquei assim meio reticente. Nunca curti muito o som de Otto e na real conheço pouca gente daqui do Recife que gosta do cara. Já ouvi gente inclusive falando sempre bem das bandas que o acompanhavam,  ou que ele acompanhava: o ” sai da frente Otto” não é brincadeira desse post, é real.

O que haviam me falado é que o novo disco era um trabalho meio que de ressurreição, duro, amor bruto. Evitei baixar a coisa para ver durante o carnaval e valeu à pena. Sim, está lá o bicho que pula, mas Otto agora também rebola. Sim está lá uma super-banda fazendo mais que o trabalho de casa. Aliás, um parênteses. A música pop que se faz em Pernambuco é meio carente de grandes guitarristas – tem o Robertinho do Recife, Lúcio Maia (Nação Zumbi), Neilton (Devotos) e parou por aí. Tenho pra mim que Catatau sai do Carnaval 2010 como um dos guitarristas associados à música que se faz no Recife, do Recife, de quem é de Recife.

Mais vídeo do ótimo show de Otto, aqui.

Quanta ladeira!

O carnaval em Pernambuco é cercado de lendas urbanas. Uma delas é que o “Enquanto isso na Sala da Justiça” havia se tornado impossível de seguir, por causa da quantidade de gente que o acompanha. Esse ano essa lenda urbana teve consequencia. Acho que muita gente deixou de ir e é como se o bloco tivesse remoçado dez anos – a brincadeira desse ano aconteceu na maior tranquilidade, com pouca gente e muito herói, espaço para dançar, brincar e tocar tamborim. Sem precisar virar super-homem e sem os fantasmas de anos passados. Jesus com certeza estava presente. Tem mais fotos aqui e vídeos (depois subo).

A pedida no Domingão é em seguida acompanhar o Quanta Ladeira, bloco esculhambado de esculhambação mútua e generalizada. Esse ano, também diferente de anos anteriores, o bloco (que não sai do lugar) stava todo ensaiadinho, com as letras em dias, novas canções (zonearam muito de Dilma e de Serra), com uma banda com uma pegada mais rock do que em anos passados e os convidados cult de sempre. Esse ano, Fernanda Takai, Júnior Barreto, e outros.

À noite a grande atração é ver os Maracatus retardados, que chegam à cidade cansados, com seus estandartes no ar. A chegada é barulhenta e colorida. E tem também os blocos líricos, mas esse ano não consegui fazer nenhuma foto deles.

Céu

A cantora Céu aportou por aqui com muita moral e com uma pequena legião de fãs a lhe esperar. Destaque para a musa da bateria, o amigo Flavão, que não deixou de rir um só minuto durante o show, aliás, muito bom. Espera-se agora que a garota dê mais o ar da graça em Hellcife. O show foi rpecedido de algumas coisas que nem vale à pena mencionar, até porque eu não lembro mais. :-) )

Triste cinema brasileiro

Luiz Carlos Pinto | 2 de novembro de 2009 11:01

ANA PAULA SOUSA
Publicado na Foia de SP, 02/11/2009

O jornalista francês Jean-Michel Frodon era ainda um garoto quando, por meio de filmes e textos, jovens como François Truffaut (1932-1984) e Jean-Luc Godard fizeram soprar os ventos da nouvelle vague. Foi ao ler as páginas da lendária “Cahiers du Cinèma”, revista-símbolo do movimento, que Frodon descobriu o prazer da reflexão cinematográfica.
Reflexão que é estética, mas também ética e política. “Como disse Godard, todo travelling é moral”, tentou ensinar, para uma plateia de estudantes, durante um debate na Fundação Álvares Penteado (Faap), em São Paulo, na noite da última sexta.
Frodon veio à cidade para integrar o júri da Mostra Internacional e para discutir a cinefilia e a crítica. “Alguns acham que fazer crítica é aconselhar o consumidor. Não é”, diz. A crítica, para Frodon, é um trabalho emocional e reflexivo que, a partir da escrita, estabelece uma relação com o público.
“Quem trabalha com cinema, tende a achar que o crítico faz parte do trabalho de divulgação. Mas a crítica não é feita para atrair as pessoas ao cinema.” Ex-crítico do jornal “Le Monde” e ex-diretor da “Cahiers…”, Frodon conhece bem os poderes que rodeiam essa atividade que tenta equilibrar-se entre a arte e a indústria.
Ele deixou a direção da “Cahiers” este ano, após a venda da publicação para o grupo britânico Phaidon Books. “A imprensa toda passa por dificuldades”, diz, quando questionado sobre a crise da revista. Mas, quando o assunto é cinema, deixa a cautela de lado. Leia a entrevista que Frodon concedeu à Folha, parte por e-mail, de Paris, parte pessoalmente, em São Paulo.

FOLHA – Como vai o cinema brasileiro?
JEAN-MICHEL FRODON – É um cinema sem maior brilho. Vi alguns documentários interessantes, mas o cinema brasileiro não é tão bom quanto poderia ser, ou o quanto imaginamos que seria. O último filme brasileiro do qual eu gostei foi “Mutum”.

Show me more… »

Um salve a Mercedes Sosa

Luiz Carlos Pinto | 4 de outubro de 2009 10:25

Domingo

Luiz Carlos Pinto | 20 de setembro de 2009 11:45

Às vezes eu tenho a sensação de que as coisas que eu gosto tomam conta de mim. Não?

O amor está no ar

Luiz Carlos Pinto | 19 de julho de 2009 21:19

O capítulo 2

Luiz Carlos Pinto | 5 de julho de 2009 22:02

Ando escrevendo o segundo capítulo para não ficar parado, enquanto não recupero os dados do hd pifado. Nesse segundo vou tratar da tecnologia e da técnica, discutir como são instâncias fundamentais no controle das formas contemporâneas de produção, circulação e fruição de bens simbólicos. Nesse sentido não há nada de novo. É uma tese largamente usada. O principal objetivo desse capítulo (assim como do primeiro) é enunciar o problema que me tomou esses anos.

No caso específico do capítulo 2 a enunciação do problema é acompanhada por uma defesa de uma perspectiva de análise da técnica e da tecnologia que supere o pensamento individualizado que marcou a tradição ocidental sobre o assunto, que vem de Heiddeger a Habermas, passando por Jacques Ellul e por Marcuse. Estou em defesa de um pensamento que acentua a técnica como individuação. E para isso tô lançando mão das análises dos filósofos Gilbert Simondon e Gilles Deleuze e dos antopólogos Leroi-Gourhan e Bernard Stiegler.

Com isso pretendo do meio pro fim, com a ajuda de Alberto Melucci, mostrar como essa perspectiva de análise da técnica e da tecnologia é mais adequada para considerar as questões de apropriação que surgem entre os movimentos sociais contemporâneos.

Minha idéias era terminar esse segundo até o dia 15 desse mês, mas pelo andar da caruagem não sei não.

Da arte de perder tudo

Luiz Carlos Pinto | 9 de junho de 2009 7:58

<<O satã de Milton é moralmente superior ao seu Deus, assim como quem persevera a despeito da adversidade e da sorte é superior àquele que, na fria segurança de um trinunfo certo, exerce a mais horrível vingança sobre os inimigos>> Herman Melville

Finalizado o primeiro capítulo, pronto para enviá-lo à orientadora, junto com o esboço do seguinte, eis o computador sofre um acidente. Por umas questões paralelas, um dano físico comprometeu todo o trabalho acumulado em três anos e meio. Quase seis horas para fazer recuperar o hd avariado não surtiram efeito. Tive que levar o velho guerreiro numa ssistância técnica. Laudo definitivo na quarta.

Como eu tenho tentado fazer de um tempo pra cá, e não somente em relação ao doutorado, tô tentando aprender com isso. Primeiro, acho que fui negligente com meu espaço de trabalho. Acho que não o bloqueei como deveria das questões paralelas, dos acidentes e incidentes que rondam qualquer pessoa. Considerando que o ambiente não é somente físico, mas que inclui o meu próprio corpo e minha própria mente, acho que faz sentido pensar que a proteção que eu não vinha fazendo da forma mais apropriada incluia esses espaços também.

Vivo recomendando os amigos maios chegados e até Eduarda, minha orientadora, a usar Linux, fazer backup, guardar senhas de acesso em lugares seguros, etc, etc. Maior espeto de pau aqui. Meu backup era velho, coisa de oito meses. Num cenário pessimista, em que se confirme que o HD foi todo perdido, vai me ajudar, mas um backup bem feito e adequado à situação de quem faz um doutorado é que me impediria de comprometer meu trabalho.

Havia outro computador, um desktop, acho que Pentium, aqui enconstado. Se era para manter encostado, deveria tê-lo doado e há miuta gente precisando de um por aí. Meus planos era reabilitá-lo com uma distribuição linux enxuta, e usá-lo como laboratório para aprender a mexer com programas livres. Sufocado por leituras e outros trabalhos, nem comecei esse projeto. Se o tivesse feito, provavelmente seria uma boa forma de fazer um backup automático, talvez colocando esse velho computador e o laptop agora avariado em rede.

Ontem, ao tentar colocá-lo para funcionar, a fonte queimou. De forma que agora, há alguns meses para terminar o doutorado, me encontro sem máquina para trabalhar. Não quero ficar indefinidamente me queixando ou sentindo pena de mim. Isso durou uma noite só. Mais vale seguir em frente como o satã de Milton.

Quarta, vejo o estado do laptop. Hoje, final de tarde ligo pra outra assistência onde coloquei o desktop pra conserto – esse tempo todo estudando metarreciclagem e mídias livres e nem essas tretas consego ainda resolver, tsc, tsc.