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	<title>Soy Loco Por Ti, América &#187; Estética</title>
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	<description>Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina</description>
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		<title>Relato das ações no Coque Livre</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 18:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
		<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Coque]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[Vou postar aqui nos próximos dias algumas reflexões sobre os ciclos de atividades do Projeto Coque Livre, que implementamos em 2011 na comunidade do Coque, centro do Recife. Os textos têm uma pegada um tanto acadêmica &#8211; sobretudo a parte inicial, em que segue uma introdução a alguns conceitos que permearam as oficinas dos ciclos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Vou postar aqui nos próximos dias algumas reflexões sobre os ciclos de atividades do <a href="http://www.locoporti.blog.br/oficinas-do-coque-livre-comecam-amanha/" target="_blank">Projeto Coque Livre</a>, que implementamos em 2011 na comunidade do Coque, centro do Recife. Os textos têm uma pegada um tanto acadêmica &#8211; sobretudo a parte inicial, em que segue uma introdução a alguns conceitos que permearam as oficinas dos ciclos. Isso porque precisaremos apresentar esses relatos ao CNPq, que financiou as atividades. </em><em>Nos próximos dias coloco as descrições das atividades mesmas. </em></strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>1. Análise crítica das bases teórico-metodologias das oficinas de mídias livres</strong></p>
<p>As oficinas com tecnologias livres baseiam-se teórica e metodologicamente no  que podem ser chamadas &#8216;ações coletivas com mídias livres&#8217;. Tais ações expressam um conflito e uma oposição ao modo com que os bens informacionais são comercialmente produzidos e controlados, bem como os objetivos dessa produção. Considerar como eixo característico a disposição antagonista implica em reconhecer a existência de questionamentos coletivos quanto à legitimidade do poder  e ao modelo estabelecido para o uso dos recursos sociais – esses princípios conduzem a base metodológica e filosófica das oficinas.</p>
<p>O sentido das oficinas com tecnologias livres está associado à criação de condições estruturais e conceituais para a produção, circulação, apropriação e usufruto de conhecimento, informação e cultura fora das hostes comerciais. Em termos filosóficos,  essa orientação, que prevalece sobre as outras linhas de atuação, expressa a atualização da análise de Ranciére (1996) para a emergência do exercício da política, com uma correspondente instituição de uma outra ordem do sensível. Ou seja a criação de tais condições estruturais e conceituais se vincula a um virtuoso processo de atualização da reivindicação da parcela dos que não têm parcela, da reivindicação da fala, do dissenso, da possibilidade e das condições para a expressão do desentendimento em relação a como se reparte o todo, entre os que têm parcela ou partes do todo e os que não têm nada.</p>
<p>Por outro lado, é possível considerar o modelo predominante de &#8216;inclusão digital&#8217; ancorado à lógica da Justiça Distributiva . Nesse sentido, tal modelo também precisa ser compreendido sob os eflúvios das mudanças pelas quais passa o capitalismo pós-industrial – sobretudo naquilo que se refere à crise da noção de valor, que acompanha tais alterações sistêmicas. Se é verdade que no capitalismo pós-industrial não é mais no produto, na matéria, que se concentra o centro do valor, mas no conhecimento, na forma de se organizar e modelar a inteligência coletiva, então à Justiça Distributiva deve-se interpor um outro front de crítica – inclusive como forma de enquadrar e compreender  a perspectiva, os discursos e a programática de ações coletivas que lançam mão de tecnologias livres.</p>
<p>É necessário, antes de continuar, deixar claro a que se refere esse termo. As &#8216;tecnologias livres&#8217; a que nos referimos são constituídas por softwares e hardwares que permitem que sejam usados, copiados, estudados e redistribuídos sem restrições, o que implica que as modificações feitas tanto em programas quanto nos equipamentos físicos podem se realizados e compartilhados também sem restrições. O conceito de &#8216;livre&#8217; se opõe ao de restritivo e à noção de software proprietário, cujas alterações no seu código de funcionamento são vedadas. Tanto softwares livres quanto hardwares livres são vinculados a licenças de uso que visam garantir as liberdades de execução, distribuição, modificação e repasse sem que para isso seja necessário a permissão do(s) autor(es) (Torvalds &amp; Diamond, 2001). Portanto, para tecnologias livres estão associados licenças de uso que procuram garantir<br />
•    A liberdade de executar o programa ou de uso do hardware, para qualquer propósito;<br />
•    A liberdade de estudar como o programa ou hardware funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte, no caso dos softwares, é um pré-requisito para esta liberdade;<br />
•    A liberdade de redistribuir cópias de modo que se possa beneficiar o próximo;<br />
•    A liberdade de aperfeiçoar o programa e/ou hardware, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.<br />
Portanto, o uso do termo tecnologia livre nesse texto considera será considerado livre se todos os seus usuários tiverem essas quatro liberdades.</p>
<p style="text-align: left;"><span id="more-2562"></span><br />
Ora, sabemos que no capitalismo em sua fase industrial, a organização do trabalho dispõe os sujeitos em um sistema de trabalho – a linha de montagem – na qual suas capacidades subjetivas e criativas são sublimadas. Isso não implica que não haja criatividade e mesmo inovação na indústria, como os sucessivos processos de adaptação a demandas de mercado e/ou crises financeiras revelaram. Mas a previsibilidade é uma exigência dessa etapa, assim como uma política de escassez que regule as cópias da produção; e explicite e especifique o custo de um novo produto (ou do erro em sua fabricação, quando ocorre) a partir da necessidade de mais matéria-prima e de tempo para sua transformação.</p>
<p>A organização dos sujeitos em classe – a um tempo, uma distribuição econômica, mas também simbólica – expressa e condiciona esse quadro político-econômico: ao proletário não cabem o direito nem alternativas para que suas experiências sensíveis e subjetivas interfiram nos processos de transformação da matéria-prima (Gorz, 2005).</p>
<p>Assim, enquanto o trabalhador opera (não se realiza) no espaço quadriculado do chão de fábrica, com o ganho definido, com o movimento repetitivo, os proprietários dos meios de produção operam de forma dinâmica, em alguns casos alocando de forma nômade seu capital, assumindo papéis, posições e ganhos variados num sistema de hierarquia nítida e bem demarcada.<br />
Há portanto uma definição do lugar do sujeito na ordem estética e na indústria, além de uma concepção de valor específica, centrada no “produto”.</p>
<p>A Justiça Distributiva reedita a organização dos sujeitos a partir dessa distribuição de lugares com base econômica (a classe) e simbólica, na qual o papel que cabe ao sujeito que não detém os meios de produção é o de mero usuário ou de peça do sistema produtivo, e não a de produtor de valor, em face a suas experiências sensíveis e subjetivas. O que está subsumido aí é uma relação tutelada com o objeto técnico usado para a produção de valor, em que a autonomia é extremamente limitada em função dos interesses do comércio e da indústria. O sujeito lida com caixas pretas, cuja lógica de funcionamento interno é uma prerrogativa de elites logotécnicas que servem à indústria (Neves, 2006). A desnecessidade de saber como tal objeto técnico funciona, ou é produzido, ou pode ser modificado e melhorado exprime a dificuldade de sua apropriação imposta pelo sistema produtivo industrial e a consequente tutela do valor produzido. Essa condição foi assimilada pelo senso comum e não é questionada – o corolário dessa dessa lei de mercado é a impossibilidade de se ver as vias abertas ou por emergir da interferência criativa sobre as ferramentas de produção de valor.</p>
<p>A Justiça Distributiva por fim reedita e renova o regime discursivo e estético no qual ao trabalhador está reservado a ação calculada, previsível, controlada, sem margem para a expansão da criatividade e da inovação, a partir de sua vida, que operem sobe o sensível, o dizível e o visível. O modelo hegemônico dos programas de inclusão digital expressam essa distribuição econômica e simbólica na medida em que refletem o relacionamento com o objeto técnico no qual os “beneficiados” têm acesso a caixas pretas, em função do que seu uso é tutelado, é comprometida a autonomia e limitadas as possibilidades de expressão em face a experiências sensíveis e subjetivas.</p>
<p><strong>x.x.x.x.x</strong></p>
<p>Os ciclos planejados e executados ao longo do Projeto Coque Livre, por outro lado, basearam-se no que pode ser nomeado “ações coletivas com tecnologias livres”,  que praticam uma perspectiva oposta à dos programas &#8216;tradicionais&#8217; de inclusão digital, e na qual são tecidas as condições de possibilidade para que aconteça uma apropriação crítica das tecnologias; apropriação esta que torne possível a produção de valor com base na improvisação contínua, na comunicação, nas subjetividades culturalmente construídas, nas relações afetivas, no cotidiano sensitivo das comunidades envolvidas. Assim, uma linha de fuga se estabelece, explicitando o aspecto não-utilitarista dos processos de ensino-aprendizagem inspirados nasações coletivas com mídias livres que se pretendeu implementar nesse projeto.</p>
<p>O trabalho imaterial que se desprende dessas potencialidades está afinado com aquilo que André Gorz pontuou como sendo o “trabalho da produção de si” (GORZ, 2005). Nesse sentido, o caminho que se pretendeu traçar nos Ciclos é tal que permite contribuir para a construção de espaços (lógicos, físicos e afetivos) que permitam a expansão das potências criativas, a quebra da previsibilidade  e a superação da relação industrial entre projeto e produto.</p>
<p>Essa abordagem não-utilitarista permeia a apropriação crítica de ferramentas e de linguagens de expressão, de modo que é por si já uma alternativa à lógica de mercado, da preparação da mão-de-obra e do &#8216;produto&#8217;, que habitam as entrelinhas dos programas de inclusão digital. Essa apropriação crítica de ferramentas da informação e comunicação, fomentadas nas e pelas ações coletivas com tecnologias livres, é um objetivo que tem o potencial de se tornar possível ao se lançar mão de tecnologias livres, de metodologias e de referências discursivas que precisam ser pontuadas.</p>
<p>É necessário observar inicialmente a perspectiva que procura adequar às necessidades simbólicas, aos espaços disponíveis e/ou construídos coletivamente nas comunidades e ao cotidiano delas a implementação dos ambiente de conexão à internet que servem às comunidades – os telecentros. Nestes casos a instalação dos computadores é um processo realizado com os futuros usuários deles, em oficinas nas quais as máquinas são literalmente desconstruídas. As máquinas são abertas e seu interior esquadrinhado em atividades cujo resultado é o funcionamento de um número mínimo de computadores em rede, conectados à internet. Mas que implica também num processo de desmistificação do artefato, e que contribui para que ele não seja manuseado com &#8216;excessivo respeito&#8217;, como um outro externo e distante.   A ideia que permeia isso é a noção de que é possível interferir sobre a tecnologia, o que por seu lado também se vincula a uma perspectiva antiutilitarista, e contribui com outros processos de aprendizagem, de formação de identidade, de pertencimento, de expressão de relatos e subjetividades que não encontram espaço nos canais comerciais de comunicação; de veiculação de reivindicações variadas. A &#8216;capacitação&#8217; não é um elemento prioritário embora acabe ocorrendo também.</p>
<p>Aplicado às tecnologias digitais, aos computadores pessoais e à eletrônica embarcada em equipamentos de uso cotidiano, o conceito passa a se referir à transformação do computador de uma mera ferramenta de trabalho (inacessível e desconhecida) em um instrumento de comunicação sobre o qual os sujeitos podem intervir; e de uma nova linguagem de criação e expressão para  refletir as necessidades locais de cada comunidade.</p>
<p>Nesse sentido, o relacionamento com os aparatos técnicos colocados em prática nas oficinas procuraram colocar em suspensão a técnica como algo natural (positivo) ou artificial (negativo). E tomam-na como algo sobre o qual é ainda possível atuar. Nesse sentido, Simondon chama atenção para o trabalho do artesão, que é baseado numa organização analítica, deixando sempre a via livre a novas possibilidades. Diz Simondon:</p>
<p><em>&#8220;estas possibilidades são a manifestação exterior de uma contingência interior. No afrontamento da coerência do trabalho técnico com a coerência do sistema de necessidades de utilização, é a coerência da utilização que vence porque o objeto técnico (construído) sob medida é de fato um objeto sem medida intrínseca; as suas normas vêm-lhe do exterior: não realizou ainda a sua coerência interna; não é um sistema do necessário; corresponde a um sistema aberto de exigências&#8221;.  (SIMONDON, 1989b, p. 23).</em></p>
<p>Em Deleuze, surge a possibilidade de pensar a técnica, não como o  domínio global e totalizante, mas como multiplicidade que permite uma incessante produção a partir dela mesma, uma produção por atualização de uma instância virtual, ou seja, da Diferença. A margem deleuziana, outra importante referência filosófica para as práticas das oficinas, permite ver a técnica como produtiva, dinâmica, alucinada e, ao mesmo tempo, não abortiva, não finalizadora, não destrutiva.</p>
<p>De forma virtuosamente não-utilitarista, a técnica é tomada como multiplicidade, a uma multiplicidade solta das amarras da medição e da organização de forças previamente determinadas. É essa perspectiva, tornada plástica, que anima as apropriações realizadas pelas ações coletivas com tecnologias livres em geral e as oficinas realizadas no Coque Livre em particular.</p>
<p>Uma das consequencias da forma coletiva de construção (ou de reorganização) de um telecentro descrita acima (ou da execução de projetos como os realizados nos ciclos do Coque Livre, descritas abaixo) é que os resultados da interação coletiva passam a ser entendidos pelas comunidades onde funcionam como espaço, objetos, equipamentos sobre o qual todos têm responsabilidades e acesso. É da mesma ordem de apropriação o uso que dele emerge. No caso de telecentros, a função que eles assumem vai bem além da capacitação da mão de obra para o mercado de trabalho. E é nesse sentido que se torna possível a superação da noção utilitária em que se ancora boa parte dos modelos de inclusão digital sob a lógica da Justiça Distributiva. Como já mencionado, outros elementos emergem em sintonia com demandas de ordem imaterial de pessoas e grupos.</p>
<p>Desse processo-percurso, em busca da apropriação crítica de tecnologias, faz parte o uso de softwares livres – a começar pelos sistema operacionais, o pacote de programas através dos quais nós nos relacionamos com a máquina. O uso de softwares livres, aliás, é uma condição (não a única) para a efetividade dessa apropriação – sendo tanto mais profunda quanto mais longa possível é o tempo de utilização de tais tecnologias. Eles oferecem a possibilidade de que o uso dos instrumentos de produção de valor não aconteça de forma tutelada, em função dos interesses estabelecidos pela indústria do software proprietário; acena com a possibilidade de conquista de autonomia no trato com os equipamentos; e o relacionamento com uma economia de bens simbólicos calcada na abundância de recursos. Como os softwares livres  são abertos à modificação por qualquer pessoa, de acordo com suas necessidades, abre-se a possibilidade para a criação, para a transformação, para a expressão de talentos, subjetividades e inovação em um patamar que não é possível quando se utilizam softwares proprietários.</p>
<p>O entendimento de que tais ferramentas são sempre passíveis de serem retiradas do modelo de uso atribuído pelo trabalho industrial expressa uma posição política. A &#8216;apropriação&#8217; &#8211; celebrada palavra usada nos &#8216;tradicionais&#8217; projetos de inclusão digital –, ganha um status radical, na medida em que é pensada para ocorrer na zona obscura, entre a forma e a matéria, entre as essências formais e as  coisas formadas, o que abre férteis possibilidades para a subversão dos objetos técnicos desenvolvidos, criados e construidos pelas instâncias comerciais no/do capitalismo tardio.</p>
<p>A criação de dispositivos a partir de sucata, a partir de objetos convencionais, do dia a dia, postos em interação com dispositivos computacionais também constituem processos de ensino e aprendizagem não convencionais que abrem múltiplas possibilidades de expressão e formação. Nesses casos lança-se mão do uso de arduinos , de hardwares livres, do hackeamento  de equipamentos, mas sobretudo das demandas de ordem subjetiva vivenciadas pela comunidade onde se desenvolve a ação.</p>
<p>Nesse sentido, uma das ações mais relevantes é o projeto Mimosa (Máquina de Intervenção Urbana e Correção Informacional) – aplicada numa dos ciclos do Coque Livre. Consiste em oficinas de mídia e mobilização através das quais se realiza a montagem de um estúdio portátil móvel de gravação, produção e veiculação de mídias – geralmente montado em um carrinho de super-mercado – ou qualquer outra base, desde que móvel. Diversas Mimosas já foram criadas em diferentes projetos de inclusão digital na linha que vem sendo aqui exposta. Ao longo de seu processo de construção, explicam-se, aos integrantes da comunidade que participam do processo, equações de primeiro grau, elementos básicos de programação computacional, do funcionamento e montagem de placas de circuitos elétricos, de elementos básicos de eletrônica ao mesmo tempo em que se procura identificar os relatos que os integrantes da oficina gostariam de gravar, provocar, veicular. A experiência dessas oficinas revela um profundo processo de reconhecimento e construção identitária para além do que a lógica utilitarista dos &#8216;tradicionais&#8217; programas de inclusão digital permite alcançar. É interessante observar ainda que o nome e a construção da Mimosa incorpora algo mais: o humor, o carinho, o afeto são elementos tão sólidos e necessários quanto as placas de circuito que permitem a mobilidade da máquina que grava e reproduz relatos, reivindicações, histórias, vivências, experiências.</p>
<p>A principal inspiração fornecida pelas ações coletivas com tecnologias livres trouxeram para o âmbito das oficinas nos Ciclos do Coque Livre é que os agenciamentos sócio-técnicos atuais não precisam ser de um único modo – ou em uma única direção, utilitarista –, aquele em que, aliás, o “processo industrial do grande degrada mais as reservas humanas e materiais do que ele próprio pode criar ou regenerar”, (SLÖTERDJIK, 1999, p. 78)</p>
<p>O que a teorização deleuziana permite observar é que o que muda substancialmente não são as ligações com os objetos técnicos, mas antes a consciência dessas ligações e os modos não industriais e não comerciais que elas podem tomar. Estas passam necessariamente pelas artes do fazer cotidiano, pelos afetos, pelas manipulações singulares de instrumentos e dispositivos, pelas experiências que se abrem a subversões do aparato tecno-midiático instituído, pelas possibilidades reais de se criar um espaço-tempo de subversão das práticas e teorias sobre tecnologia e cultura.</p>
<p>O que a teorização de Simondon, retomada por Deleuze, aponta é uma sucessão de estados metaestáveis em que o objeto técnico nessa perspectiva é pensado e transformado, apropriado e re-significado por práticas artesãs. É uma realidade em fluxo, nômade, de busca do objeto técnico, de busca pela apreensão e apropriação do objeto técnico e que permite que a operação tecnológica seja separada do modelo de trabalho estanque, passando a se sujeitar a operações de deformação, a operações que se aproximam mais de uma modulação do que de uma moldagem.</p>
<p>Nas oficinas realizadas no Coque Livre procurou-se operar sobre/nessa zona obscura da individuação dos objetos técnicos, abandonando a divisão estanque entre a essência da coisa e a coisa formada. As formas pelas quais essa zona obscura da individuação é iluminada permitem a criação de condições estruturais e conceituais para a produção, circulação, apropriação e usufruto de conhecimento, informação e cultura fora das hostes comerciais.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Referências até aqui.</strong></p>
<p style="text-align: left;">TORVALDS, Linux. e DIAMOND, David. <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=559929&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">Só por prazer. Linux: bastidores de sua criação.</a> Rio de Janeiro: Editora Campus, 2001.</p>
<p>GORZ, André. <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=7005615&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">O Imaterial: Conhecimento, Valor e Capital</a>.  Annablume, 2005.</p>
<p>SLÖTERDIJK, Peter . <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=201393&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">No mesmo barco. Ensaio sobre a hiperpolítica</a>. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 1999.</p>
<p>SIMONDON, G. L&#8217;individu et sa genèse physico-biologique, Paris: PUF, 1964.</p>
<p>___________. L&#8217;individuation psychique et collective, Paris: Aubier, 1989a.</p>
<p>___________. Du mode d&#8217;existence des objets techniques, Paris: Aubier, 1989b.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><strong>Nos próximos dias vou postando o restante do relatório.  O próximo ponto é a análise dos ciclos. </strong></p>
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		<title>Onko Chishin, tatoo rules and feelings, Japan, Yakuza, etc.</title>
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		<pubDate>Fri, 16 Sep 2011 01:12:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estética]]></category>
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		<title>O fim do mundo será belo</title>
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		<pubDate>Sat, 27 Aug 2011 23:09:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
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		<description><![CDATA[Por Bruno Carmelo, editor do blog Discurso-Imagem.
Se os cinemas mundiais acabam de receber Melancolia, drama sobre as maravilhas do fim do mundo visto por Lars Von Trier, The Future vem se acrescentar mais uma camada a esta lógica pessimista de que o mundo vai terminar, e que não há mais muita esperança para os seres [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Por Bruno Carmelo, editor do blog Discurso-Imagem.</em></p>
<p><em>Se os cinemas mundiais acabam de receber Melancolia, drama sobre as maravilhas do fim do mundo visto por Lars Von Trier, The Future vem se acrescentar mais uma camada a esta lógica pessimista de que o mundo vai terminar, e que não há mais muita esperança para os seres humanos. Com muitos milhões de euros a menos, a diretora e artista contemporânea Miranda July une a poesia ao niilismo e desenvolve uma espécie de “filme catástrofe indie” em que o universo também conversa com os protagonistas – e o que ele tem a dizer não é nada animador.</em></p>
<p><em>Mas vamos por partes. The Future é um filme que parte de uma situação de tédio estável para chegar a uma instabilidade excitante e caótica. Os dois protagonistas são Sophie e Jason, um casal de classe média baixa, em subempregos, sem grandes expectativas de mudança. Eles decidem passar pela experiência de serem pais por um período determinado – ou seja, decidem adotar um gato com uma pata amputada, em fase terminal. Diante da responsabilidade que a adoção representa, eles entram em grande angústia e buscam possibilidades de escapismo.</em></p>
<p><em>É neste momento que o universo vem trazer uma mensagem para ambos – quase literalmente, aliás. A lua aparece para Jason, em toda timidez, e discursa sobre o efeito inevitável e irreversível do tempo. Um anônimo aparece na vida de Sophie, e nasce uma relação extraconjugal. Enquanto isso o próprio gato doente, ainda em tratamento na clínica, espera a chegada dos donos e disserta sobre a tristeza da solidão, sobre o medo das noites, sobre o vazio de não depender de ninguém. Em The Future, o cenário é tão personagem quanto os protagonistas, todos os vizinhos, os animais, os objetos têm algo a expressar sobre o ser humano.</em></p>
<p><em>O espectador pode estar acostumado com a linguagem poética e indie, mas geralmente estes instrumentos servem a uma certa leveza, um humor agridoce, uma visão rosa e otimista da vida. Neste caso, ao contrário, o cosmos é opressor e deprimente. Tanto o velhinho solitário quanto a lua no céu reclamam de suas vidas, com o mesmo tom melancólico. Curiosamente, todos falam de si mesmos e de suas tristezas, o que torna o filme uma dessas experiências egocêntricas, ensimesmadas, e perfeitamente conscientes disso. Novamente, como em Melancolia, o fim do mundo é um estado de espírito, e a catástrofe perde seu caráter social e planetário para se instalar na individualidade de cada pessoa. Trata-se de uma visão tão personalizada da vida que cada pessoa tem direito à sua própria catástrofe, sua própria percepção do fim do mundo.</em></p>
<p><em>Por isto mesmo, não há olhar onisciente neste filme em que todos têm razão, dos protagonistas ao gato, à Lua, ao amante, à filha que se enterra viva no jardim, à camiseta viva que persegue as ruas em busca de seu dono. Todos os elementos perambulam por espaços vazios (quase não há carros nem pessoas nas ruas ou praias), buscando uns aos outros, cruzando-se sem se encontrar. De filme-catástrofe, The Future lembra uma espécie de filme de zumbis, com seus poucos sobreviventes mecanicamente se deslocando de um canto ao outro, ou em suas ruas desertas, ou nos micro apartamentos, bagunçados e tristes. Sophie inclusive grita pela janela para ver alguém responde. Nada. Como a tal vizinha que sempre penteia os cabelos, cada um está vivendo para si, fechado em seus micro espaços, surdo à presença alheia.</em></p>
<p><em>Assim, neste curto tempo em que se forçam a tornarem adultos, os dois protagonistas perdem o gosto de viver. Nada realmente os motiva, a relação se deteriora, não existem família, amigos, religião, Estado – não existe exterioridade, nem neste mundo em que o cosmos também pensa por si mesmo, e em si mesmo apenas. Caberá ao gato doente, este narrador filósofo, concluir sobre a perda de sentido da sociedade, sobre o fato de que a vida é apenas “o final do começo”, um começo que é “a pior parte da existência”. A cena final, suspensa, promete aos protagonistas uma espécie de depressão perpétua, uma convivência sem gosto, dentro do apartamento escuro. Lá fora, a Lua não diz mais nada, e cada um se escondeu novamente em sua casa.</em></p>
<p><em>The Future (2011)</em><br />
<em>Filme americano-alemão dirigido por Miranda July.</em><br />
<em>Com Miranda July, Hamish Linklater, David Warshofsky, Isabella Acres, Joe Putterlik.</em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Os corvos articulados do Ninian Doff, via @ideafixa</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/os-corvos-articulados-do-ninian-doff-via-ideafixa/</link>
		<comments>http://www.locoporti.blog.br/os-corvos-articulados-do-ninian-doff-via-ideafixa/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 23 Aug 2011 21:00:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Investigações paralelas]]></category>

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		<title>Encontrão Hipertropical de MetaReciclagem acontece em 2012 em Ubatuba Land</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/encontrao-hipertropical-de-metareciclagem-acontece-em-2012-em-ubatuba-land/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Aug 2011 14:45:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
Em Maio de 2012, quando as chuvas começam a parar, vai acontecer o Encontrão Hipertropical de MetaReciclagem: um evento organizado  coletivamente, com o objetivo de promover o intercâmbio entre projetos  do Brasil inteiro (e do exterior).
A programação e a produção serão  construídas em rede (ajude aqui ou mande uma mensagem). A rede [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.marcsteinmetz.com/images/fluchtstuecke/flucht_wanze.jpg"><img class="aligncenter" src="http://www.marcsteinmetz.com/images/fluchtstuecke/flucht_wanze.jpg" alt="" width="600" height="400" /></a></p>
<p>Em Maio de 2012, quando as chuvas começam a parar, vai acontecer o Encontrão Hipertropical de MetaReciclagem: um evento organizado  coletivamente, com o objetivo de promover o intercâmbio entre projetos  do Brasil inteiro (e do exterior).</p>
<p>A programação e a produção serão  construídas em rede (ajude <a rel="nofollow" href="http://rede.metareciclagem.org/wiki/EncontraoHiperTropical" target="_blank">aqui</a> ou <a rel="nofollow" href="http://efeefe.no-ip.org/contact" target="_blank">mande uma mensagem</a>). A rede Metareciclagem está em busca de ações, projetos, coletivos e redes que adotem  práticas de MetaReciclagem no dia a dia, e tenham o interesse em trocar,  aprofundar-se, aprender e articular novos horizontes.</p>
<p>A MetaReciclagem não trata apenas de recondicionar  computadores, mas de promover a apropriação crítica de tecnologias. A rede espera repetir o sucesso do <a rel="nofollow" href="http://rede.metareciclagem.org/wiki/EncontraoIntergalatico" target="_blank">Encontrão Intergalático</a> e do <a rel="nofollow" href="http://rede.metareciclagem.org/conectaz/Encontrao-Transdimensional-de-MetaReciclagem-Bailux-Party" target="_blank">Encontrão Transdimensional</a>. São bem vindas ideias para programação, organização, financiamento, logística e parcerias.</p>
<p>Organizando aqui: <a rel="nofollow" href="http://rede.metareciclagem.org/wiki/EncontraoHiperTropical" target="_blank">http://rede.metareciclagem.org/wiki/EncontraoHiperTropical</a></p>
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		<title>O desterro da cultura brasileira, uma obra tucana</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/o-desterro-da-cultura-brasileira-uma-obra-tucana/</link>
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		<pubDate>Wed, 10 Aug 2011 13:52:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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		<description><![CDATA[
Carlos Henrique Machado Freitas, no Trezentos
“Manda quem pode obedece quem tem juízo”. Este é o tom imperativo que  se transformou em mantra da cultura a partir da era FHC. Para entend


er,  por exemplo, a lógica política que assola a cultura, numa inédita  escravidão promovida pelas corporações, é preciso entender os golpes  [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">
<p><strong>Carlos Henrique Machado Freitas, no <a href="http://www.trezentos.blog.br" target="_blank">Trezentos</a></strong></p>
<p><em>“Manda quem pode obedece quem tem juízo”. Este é o tom imperativo que  se transformou em mantra da cultura a partir da era <a class="zem_slink" title="Fernando Henrique Cardoso" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Fernando_Henrique_Cardoso">FHC</a>. Para entend</em></p>
<div class="zemanta-img zemanta-action-dragged" style="margin: 1em; display: block;">
<div class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:ErcoleIIId%27Este.jpg"><img title="Ritratto di Ercole III Rinaldo d'Este" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e2/ErcoleIIId%27Este.jpg" alt="Ritratto di Ercole III Rinaldo d'Este" width="300" height="447" /></a><p class="wp-caption-text">Image via Wikipedia</p></div>
</div>
<p><em>er,  por exemplo, a lógica política que assola a cultura, numa inédita  escravidão promovida pelas corporações, é preciso entender os golpes  covardes que sofremos e que se mantêm até hoje como herança prioritária  pelos senhores soldados da cultura corporativa. Filhotes do fernandismo  político-cultural.</em></p>
<p><em>É a partir da monarquia neoliberal de FHC e, à medida que seus anos  de governo foram se dando, que a hegemonia colonialista comandada por  grandes grupos econômicos se potencializou até chegar a esse caldo de  cangaço institucional que estamos vivendo.</em></p>
<p><em>É bom que se entenda que a formação característica de cada cartel  preserva o mesmo clichê neoliberal como pano de fundo. O que é, na  verdade, reflexo de um pensamento predominante na era das privatarias  fernandistas. Nesse teatro de tecnicalidade disseminado por FHC a  participação do próprio príncipe no comando da OSESP dá um canal  relevante de informação para que compreendamos as intencionalidades e os  meios das indecentes atividades políticas que produziram a complexa  atmosfera de treva formulada na cultura pelo sistema FHC de governar.</em></p>
<p><em>Para ilustrar a inversão do conceito de gestão que se tornou  prioridade pelas políticas formuladas pelo fernandismo, devemos observar  a natureza dos fatos políticos que exerceram uma determinante forma de  articulação interna do PSDB na vida cultural brasileira.</em></p>
<div class="zemanta-img zemanta-action-dragged" style="margin: 1em; display: block;">
<div class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Tizian_056.jpg"><img title="c. 1534-1536" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/6/6d/Tizian_056.jpg/300px-Tizian_056.jpg" alt="c. 1534-1536" width="300" height="486" /></a><p class="wp-caption-text">Image via Wikipedia</p></div>
</div>
<p><em>Na </em><em>verdade, a política tucana na OSESP exercia papel central, entre  outros dados do conteúdo cultural, comandado pelos indicadores tucanos. E  é este ponto que merece  exaustiva reflexão sobre a palavra  “excelência” na criação de um equipamento cultural do tamanho que desse  sentido em instância federal à atividade cultural com a marca tucana.  Por isso a OSESP recebeu investimento público mais pesado, via <a class="zem_slink" title="Rouanet Law" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rouanet_Law">Lei  Rouanet</a>, sob o cárcere mercadológico da gestão corporativa e o comando  do próprio general da tropa, FHC.</em></p>
<p><em>As mandíbulas de FHC ficaram bem explícitas no assassinato a sangue  frio de Neschling quando este se viu envolvido numa trama secreta que  acabou se manifestando de forma profunda na opinião dos músicos  oprimidos que, por sua vez, envenenaram “seu senhor” no momento em que  este foi filmado em suas tarefas diárias em que seu orgulho secreto  ganhou vivacidade no youtube, em um vídeo aonde o maestro Neschling  chama Serra de “menino mimado”.</em></p>
<p><em>Logicamente que os senhores do comando tucano não pensaram duas vezes  para dizimar o Apolo da OSESP e, por email, o próprio FHC, proprietário  político da Orquestra Sinfônica do Estado de São Paulo até os dias  atuais, onde exerceu sua mania homicida de fazer política e causar  fortes sensações aos seus inimigos, fez questão de ser o carrasco de  Neschling, já que aquela declaração que se tornou pública, para o  comando de guerra tucano, sublinhou uma traição política.</em></p>
<p><em>A doença da mandíbula privatista de FHC não começou e nem pára por  aí. E assim ele permaneceu durante os seus oito anos de governo e,  depois, à paisana obrigando vacas, cavalos e mulas a formar um grupo  forte e construir, numa terra cultural fragmentada, várias propriedades a  partir de uma só opinião, a colonialista e derradeira “europinião”  neoliberal de cultura.</em></p>
<p><em>Então poderia criar a falsificação da identidade brasileira a partir  desse instrumento político e, na expansão do internacionalizado a  importância da OSESP, sobretudo depois de ganhar o selo de qualidade TOP  qualquer coisa da revista  Gramophone a mesma OSESP deixou as palavras  de FHC lustradas para seguir construindo seu império semi-humano de  crenças exóticas.</em></p>
<div class="zemanta-img zemanta-action-dragged" style="margin: 1em; display: block;">
<div class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:FHC_entrevista_maio_2005.jpeg"><img title="FHC entrevista maio 2005" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/3/3d/FHC_entrevista_maio_2005.jpeg/300px-FHC_entrevista_maio_2005.jpeg" alt="FHC entrevista maio 2005" width="300" height="197" /></a><p class="wp-caption-text">Image via Wikipedia</p></div>
</div>
<p><em>Daí pode-se entender o estágio da crise da OSB que sofre hoje um duro  golpe deste mesmo comando, pois o ana</em><em>cronismo de pedra está muito bem  representado nesta crise da FOSB por Roberto Minczuk que é uma espécie  de Robin da dupla que ergueu à “luz” a OSESP tendo Neschling como Batman  no fantasiado coronelismo com vestimenta de autoridade germânica.</em></p>
<p><em>É desse conchavo que também é erguida a língua poética do novo  negociador da crise, Bicudo, cópia servil do pastiche deletério dos  tucanos.</em></p>
<p><em>Cabe aqui lembrarmos do náufrago navio fantasma que o mesmo Business  Administration, Fernando Bicudo ergueu a condição de múmia máxima do  Egito, o Shakespeare “bundalelê”, <a class="zem_slink" title="Gerald Thomas" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gerald_Thomas">Gerald Thomas</a>. Este que em sua dórica  coluna exercitava um punhado de preconceitos contra o povo brasileiro  bem ao estilo dos estúpidos ferozes.</em></p>
<p><em>Lembro-me de sua sugestão farta de estupidez fazendo julgamento do  comportamento do povo brasileiro. “Sou bem prático, aonde tiver alguém  fazendo merda no mundo, procuro logo saber quem é esse brasileiro”. São  estas palavras de Gerald Thomas que lhe renderam a condição de uma  espécie de mestre do esperanto tucano. E diante dessa natureza estupenda  que formigava em seus textos o heróico conservador foi requerido para  escrever o prefácio daquele tesouro de <a class="zem_slink" title="Reinaldo Azevedo" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Reinaldo_Azevedo">Reinaldo Azevedo</a>. O País dos  Petralhas. Imaginem! O Geraldão Thomas, dentro de toda aquela podridão,  conseguiu encontrar razões para definir a veneta de ouro da besta-fera  da Veja, Azevedo, como “Nietzche brasileiro” e, depois, não satisfeito  com o júbilo, proclamava de boca própria com sua filosófica arrogância,  toda aquela estupidez nas rodas do passa-chapéu tucano.</em></p>
<p><em>Ora, diante de um guerra-é-guerra praticado sistematicamente pelos  destruidores da cultura brasileira não há qualquer dificuldade de  entender porque o Ecad se afinou com os tucanos a ponto de bajular Serra  com uma festa durante a campanha, onde foram convocados alguns  medalhões globais numa espécie de grito do Ipiranga na mucilagem  adesiva.</em></p>
<p><em>Fazendo parte de outros grandes homens da voluntariosa mania de  privatizar a própria mãe relinchando conceitos, podemos constatar que o  genial cabotinismo de Azeredo permanece sonorizando assombrosamente o  congresso com seu AI-5 Digital, e que, se mumificamos o tucano, ele  mantém a sua alma tremulando em todos os seus excessos nos pontos  estratégicos da cultura brasileira.</em></p>
<p><em>Pois bem, essa feijoada completa de excrescência civilizatória é, na  verdade somente um petisco do tour, do cardápio das bíblias corporativas  de FHC, inúteis para a cultura, mas profundamente úteis aos  laranjas-sutis que fazem dos aportes públicos leitão e toda a  politicagem em perspectiva que a dimensão tucana pode nos proporcionar.</em></p>
<p><em>Fernando Henrique teve o zelo de criar seus parques e jardins para  fazer uma limpeza e colocar em ação seu espetáculo normativo criando de  próprio punho um sublime passo a passo de como tomar dinheiro público  farto sem ter que apresentar nenhum resultado e criar institutos e  fundações privadas a balde com a Lei Rouanet e nos jogar no brejo com  cheiro de enxofre.</em></p>
<p><em>Mas não é só isso, o que também ficou tão bem caracterizado como  aparelhamento da cultura pelos tucanos foi a convocação de João Sayad,  por exemplo, que abrigou seus truculentos modos e métodos neoliberais de  forma franca na Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo e, um  pouco mais adiante, a sua alcova trágica caiu como raio explosivo na <a class="zem_slink" title="TV Cultura" rel="homepage" href="http://www.tvcultura.com.br/">TV  Cultura</a>.</em></p>
<p><em>São muitas as questões que envolvem a fumaceira visual que, no  silêncio estético, nos brindou com lobisomens azuis. É este veludo  azeitado que infelizmente acaba de entregar ao Itaú Cultural a  administração do Teatro Ibirapuera, desenhado por Niemeyer para ser  abrigo da cultura brasileira.</em></p>
<p><em>Pois bem, fica aqui somente um sopro da genialidade de FHC na terra  arrasada que está a cultura, o que, a meu ver, subornou toda e qualquer  forma de se pensar gestão privada e pública no terreno institucional da  cultura brasileira.</em></p>
<p><em>São os napoleões tucanos que infelizmente vêm ganhando culto  grandiosíssimo dentro do MinC com a recarimbada cartilha corporativa de  FHC que atende agora pelo nome de Economia Criativa. O que revela que o  PT não se preocupou com os estratégicos passos dos tucanos e ficou  longe, a léguas de entender essa doméstica e selvagem forma de executar  uma potente e aguda construção de poder.</em></p>
<p><em>Um estudo minimamente bem feito não se esforçaria muito para mostrar  que a fortíssima personalidade de privatizar a cultura tem relação  direta com a unidade da política paulistana que submete a toda a  população o desabrochar de uma das mais longas hegemonias que os  ultra-conservadores brasileiros impuseram em um estado estratégico para  país.</em></p>
<p><em>Mas parece que ninguém no PT quer compreender como se deu essa  maquete e, por conseguinte, acabamos sendo teleguiados pela linha de  pensamento cultural telegrafada pelos tucanos em quase todos os campos  varados pela cultura institucional no Brasil.</em></p>
<p><em>Imagino que os pontos que menciono sejam motivos dignos de chamar a  atenção do PT para que não deixemos que os obscuros processos do  elefante de ouro de FHC se mantenham e que, para tanto, o partido estude  melhor a crueldade olímpica de natureza tucana para que, a partir de  então, caminhemos dentro da cultura brasileira no sentido de uma </em>outra  forma de se pensar gestão pública.</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=9d5a4c3c-e7ad-4aa3-9168-4eb28b750f41" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>Como um tagliatelle pariu o conceito de espaço, o espaço, o tempo, a gravitação universal e o universo gravitante</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/como-um-tagliatelle-pariu-o-conceito-de-espaco-o-espaco-o-tempo-e-a-gravitacao-universal-e-o-universo-gravitante/</link>
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		<pubDate>Tue, 02 Aug 2011 21:05:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Investigações paralelas]]></category>

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- Pessoal, se tivesse um pouco mais de es-paço, como gostaria de preparar um tagliatelle!
E naquele momento todos pensamos no espaço que teriam ocupado os seus roliços braços movendo-se para frente e para trás com o rolo a adelgaçar a massa, o grande volume do peito descendo sobre o grande monte de farinha e de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://flavorwire.com/wp-content/uploads/2009/09/3382251758_67270a8476.jpg"><img class="aligncenter" src="http://flavorwire.com/wp-content/uploads/2009/09/3382251758_67270a8476.jpg" alt="" width="453" height="500" /></a></p>
<p><em>- Pessoal, se tivesse um pouco mais de es-paço, como gostaria de preparar um tagliatelle!</em></p>
<p><em>E naquele momento todos pensamos no espaço que teriam ocupado os seus roliços braços movendo-se para frente e para trás com o rolo a adelgaçar a massa, o grande volume do peito descendo sobre o grande monte de farinha e de ovos que atulhava a imensa travessa enquanto seus braços amassavam amassavam, brancos e untados de óleo até os cotovelos; pensamos no espaço que haveria de ocupar a farinha, e o grão para fazer farinha, e os campos para cultivar o grão, e as montanhas das quais descia a água para irrigar os campos, e os pastos para os rebanhos de gado que forneciam a carne para o molho; no espaço que seria necessário para que o Sol chegasse com seus raios e amadurecesse o grão; no espaço que seria necessário para que a partir das nuvens de gás estelares o Sol se condensasse e inflamasse; na quantidade de estrelas e galáxias e amontoados galácticos em fuga no espaço que teria sido necessária para manter suspensa cada galáxia cada nebulosa cada sol cada planeta, e no momento mesmo em que pensávamos esse espaço começou, incontidamente, a se formar: no exato momento emq ue a sra. Ph(i)NKo pronunciava aquelas palavras: &#8221; &#8230;um tagliatelle, hein, pessoal!&#8221;, o ponto que a continha e nós todos se expandia numa auréola de distâncias de anos-luz e séculos-luz e milhares de milênios-luz, e éramos projetados para os quatro cantos do univeso (o sr. Pbert Pberd foi bater em Pavia), e ela se dissolveu não sei em que espécie de energia luz calor; ela, a sera. Ph(i)Nko, aquela que em meio ao nosso fechado mundo mesquinho fora capaz de um impulso generoso, o primeiro &#8220;Ah, pessoal que tagliatelle eu prepararia!&#8221;, um verdadeiro impulso de amor geral, dando início no mesmo instante ao conceito de espaço, e ao espaço propriamente dito, e ao tempo, e à gravitação universal, e ao universo gravitante, tornando possíveis milhares e milhares de sóis, de planetas, de campos de trigo e de sras. Ph (i)NKo, esparsar pelos continentes dos planetas batendo a massa commseus braços enfarinhados, untuosos e generosos, enquanto ela se perdia a partir daquele instante, deixando-nos a recordá-la saudosos.</em></p>
<p><strong>Tudo num ponto, Ítalo Calvino, em &#8216; Todas as cosmicômicas&#8217;.</strong></p>
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		<title>Resistindo ao niilismo através das novas tecnologias: experiências de mídia livre</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jul 2011 21:02:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[O texto abaixo é a introdução de um ensaio que deverá compor uma coletânea sobre inclusão digital organizado por Marcos Lima. O livro deverá ser publicado este ano
Jonatas Ferreira, Luiz Carlos Pinto e Maria Eduarda da Mota Rocha

Resumo
Há uma vasta literatura que produz uma crítica por atacado ao fenômeno tecnológico que constitui a quintessência das [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><strong>O texto abaixo é a introdução de um ensaio que deverá compor uma coletânea sobre inclusão digital organizado por Marcos Lima. O livro deverá ser publicado este ano</strong></p>
<p style="text-align: right;"><strong><a href="javascript:abreDetalhe('K4728309J7','Jonatas_Ferreira','0')" target="_blank">Jonatas Ferreira</a>, <a href="javascript:abreDetalhe('K4797577E0','Luiz_Carlos_Pinto_da_Costa_J%C3%BAnior','0')" target="_blank">Luiz Carlos Pinto</a> e <a href="javascript:abreDetalhe('K4794669D1','Maria_Eduarda_da_Mota_Rocha','0')" target="_blank">Maria Eduarda da Mota Rocha</a></strong></p>
<p style="text-align: left;">
<p><strong>Resumo</strong></p>
<p>Há uma vasta literatura que produz uma crítica por atacado ao fenômeno tecnológico que constitui a quintessência das sociedades modernas. Citemos alguns nomes expressivos dessa tradição: Arendt e suas considerações acerca da redução da política ao labor; Marcuse e a idéia de unidimensionalidade da experiência humana nas sociedades de massa; Adorno e <a class="zem_slink" title="Max Horkheimer" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Max_Horkheimer">Horkheimer</a> e sua crítica à razão instrumental e à indústria cultural; <a class="zem_slink" title="Martin Heidegger" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Martin_Heidegger">Heidegger</a> e a leitura da tecnologia como disponibilização sem sentido do mundo, sua afirmação de que tecnologia e niilismo andam juntos; <a class="zem_slink" title="Paul Virilio" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Paul_Virilio">Virilio</a> e suas ponderações sobre o caráter dromocrático, irrefletido de nossos envolvimentos com tecnologias de informação e comunicação. Há um enorme poder argumentativo nessas análises, mas elas pecam por constituir uma crítica por atacado, além de fornecer uma compreensão questionável do significado da tecnologia nas sociedades modernas. Claro, aqueles que vêem apenas oportunidades na sociedade de informação, como <a class="zem_slink" title="Pierre Lévy (philosopher)" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pierre_L%C3%A9vy_%28philosopher%29">Pierre Lévy</a>, incorrem em equívoco semelhante. A tecnologia não é unidimensional, nem mobilização sem sentido, tampouco nossa última esperança, mas um espaço ambíguo, e por isso político, no qual a diferença pode ser produzida. Através das experiências de mídia livre, verificaremos em que medida a resistência à instrumentalização da vida, à transformação da política em labor, tem sido produzida.</p>
<p><strong>Introdução</strong></p>
<p>[There is a video that cannot be displayed in this feed. <a href="http://www.locoporti.blog.br/resistindo-ao-niilismo-atraves-das-novas-tecnologias-experiencias-de-midia-livre/">Visit the blog entry to see the video.]</a></p>
<p>É atribuída a Heidegger a afirmação que diz ser a tecnologia o destino da civilização ocidental. Mas o que é mesmo a técnica? O que é mesmo a tecnologia? Como, e por que, eventualmente, a tecnologia constituiria a trajetória obrigatória da cultura ocidental &#8211; dentro da qual, de um modo muito particular, sul-americanos, latinos, inscrevemo-nos? Para o filósofo alemão, a resposta a essas questões passa pela constatação de que a civilização ocidental produziu um determinado tipo de encontro entre o ser humano e o mundo que o circunda, encontro que se caracteriza pela mobilização e aceleração constantes. E se há um projeto mobilizador que caracteriza o ocidente e, particularmente, o ocidente moderno, este não se realizaria nas proporções em que ele hoje se realiza sem que a própria comunicação entre os seres humanos fosse reduzida a essa compulsão pela performance, pela extração de energia do vivo e da matéria inanimada (FERREIRA, 2010). As tecnologias da informação e da comunicação, para Heidegger, constituiriam a consumação da metafísica em sua incapacidade de pensar a humanidade do ser humano fora dos limites deste projeto de controle total dos seres.</p>
<p>E a mobilização constante dos entes, a dinâmica que exaure a energia de tudo, seria apenas uma maneira de falar que o labor1 se tornou a única forma de pensar a relação que os seres humanos entre si, e estes com o mundo, estabelecem na cultura ocidental. O próprio convívio humano, neste contexto, já não nos coloca algo além da exaustão pelo trabalho. Tal constatação permite-nos perceber dois fatos: a tecnologia é uma questão política da maior importância; nos limites de nossa cultura, esta só é concebível a partir de um olhar transcendente sobre o mundo, aquele olhar de que <a class="zem_slink" title="Hannah Arendt" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Hannah_Arendt">Hannah Arendt</a> fala na Condição Humana, o olhar do cosmonauta que vê a terra, parte integrante das possibilidades de seu ser, de uma perspectiva distanciada. Apenas essa distância garante a instrumentalidade da razão, apenas ela nos sentencia o labor como quintessência do político. Recentemente, Stephen Hawkin propôs que teríamos de nos acostumar com a ideia de que a terra iria se tornar inabitável, um planeta exaurido, arruinado pelos nossos envolvimentos técnicos, que precisaríamos pensar em abandonar o planeta. Curiosa solução técnica para um problema técnico – e que afinal não resolve nada.</p>
<p>Com vistas a alargar a compreensão das potencialidades das novas tecnologias, podemos partir da crítica à redução do trabalho ao labor. Como diz a Arendt, o trabalho e seu produto, o artefato humano, emprestam certa permanência e durabilidade à futilidade da vida mortal. O labor, pelo contrário, não deixa frutos a não ser a própria continuidade da vida. O resultado de seu esforço é consumido quase tão depressa quanto seu dispêndio (ARENDT, 1997, p. 98). O desenvolvimento das forças produtivas poderia liberar um crescente contingente humano de uma parte desse esforço, redirecionando-o para a produção de artefatos que possam povoar a vida humana. Mas, segundo Arendt, não foi isso que aconteceu. As horas vagas do “animal laborans” não foram ocupadas com atividades do “<a class="zem_slink" title="Homo faber" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Homo_faber">homo faber</a>”; pelo contrário, foram absorvidas pelas práticas de consumo, complementares ao labor. A autora assinala: “O perigo é que tal sociedade, deslumbrada ante a abundancia de sua crescente fertilidade e presa ao suave funcionamento de um processo interminável, já não seria capaz de reconhecer a sua própria futilidade – a futilidade de uma vida que ‘não se fixa nem se realiza em coisa alguma que seja permanente, que continue a existir após terminado o labor’ ” (ARENDT, 1997:148 &#8211; citando Smith, no final). Labor e consumo são dois estágios de um mesmo processo imposto ao homem pelas necessidades da vida. Não é através do consumo que as atividades humanas escaparão à exigência de assegurar as coisas necessárias à vida e de produzi-las em abundancia. O que quer que façamos, devemos faze-lo para “ganhar o próprio sustento”, eis o veredito da sociedade (1997: 139). Neste sentido, uma “sociedade de consumo”, para Arendt representa o perigo de que toda a produtividade humana seja sugada por um processo vital intensificado em um ciclo natural eternamente repetido.</p>
<p>Há, portanto, na civilização ocidental uma compulsão à repetição, um esquecimento trágico da possibilidade de pensar uma relação não instrumental com o mundo e com a vida. A tradução desse esquecimento seria a própria tecnologia, seu elemento matematizador, seu saber antecipador que, enquanto tal, é sempre capaz de enquadrar, arquivar os seres animados e inanimados em uma bocejo entediado: “É apenas mais do mesmo”. Na Dialética do Esclarecimento, mais exatamente no excurso que ali é feito à obra <a class="zem_slink" title="Marquis de Sade" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marquis_de_Sade">de Sade</a>, Adorno e Horkheimer já falaram sobre isso, sobre a incapacidade de a cultura moderna estabelecer relações sociais em que alguma forma de pathos prevaleça e não a distância do cálculo (ADORNO E HORKHEIMER, 1985). Mais contemporaneamente, poderemos também dizer que a cultura do espetáculo, do consumo, da produção de celebridades efêmeras, das tragédias descartáveis, é necessariamente tecnológica precisamente no sentido já identificado por Heidegger, Arendt, Horkheimer, Adorno: apenas a mobilização distanciada dos entes é aqui a regra. É isso que permite que e demanda uma estética do horror nos seja apresentada em filmes, noticiários televisivos etc. De que outra forma, senão através do horror, do mórbido, das tragédias descartáveis, nossa atenção seria, mesmo que momentaneamente, capturada?</p>
<p>Mais radicalmente, ainda, poderíamos suspeitar de que sob o gesto de Prometeu, sob a perspectiva de afastar de nosso cotidiano a inexorabilidade de nossa mortalidade, através de instrumentos, de artefatos que nos abrigam, protegem, ampliam nossas faculdades, ou seja, sob a técnica, haja o perigo de que tudo se encontre esquecido precisamente quando alcança exposição total. Uma vez mais, o desespero cultural de Adorno e Horkheimer nos ocorre como ilustração de uma crítica absoluta à tecnologia. E sem chegar àquele extremo, àquele desespero, poderíamos também recordar o Heidegger de Cartas sobre o Humanismo que afirma ser a tecnologia algo que mostra, exibe, disseca, escondendo.</p>
<p>Eventualmente, há aspectos na contribuição heideggeriana que precisam ser desenvolvidos. Por não empreender esse esforço, as análises de Arendt, Horkheimer, Adorno, debitárias daquela outra, erram por apresentar uma percepção unidimensional, catastrófica da técnica e da tecnologia. Acreditamos, por outro lado, perceber uma ambigüidade fundamental no âmbito da própria técnica &#8211; uma aporia que deve ser compreendida como uma dimensão fundamental da própria finitude humana, e não como traço de uma ou outra cultura específica. Com Derrida e Stiegler, podemos afirmar que a técnica é aquilo que, constituindo nosso horizonte, afasta de nosso cotidiano a nossa mortalidade, mas, por outro lado, destina-nos irremediavelmente a nunca esquecer dessa mortalidade. A técnica, e a tecnologia, são portanto ambíguas, abrem-se em aporias que são a força mesmo de sua dinâmica, são, em suma, humanas. E essa é sua força política, aquilo que põem em suspensão, mas não elimina, a possibilidade de que não estejamos fadados ao niilismo cultural, ao labor sem sentido.</p>
<p>O espaço político que Arendt percebe como eixo da cultura ocidental, e mais radicalmente de nossa condição moderna, o automatismo de não ver outra perspectiva existencial, cultural que não a mobilização perpétua dos seres, sua exaustão, é de fato uma constatação tão importante quanto apavorante. Mas há ali um político que já não pode ser política, uma dimensão do político que aborta sempre a possibilidade do conflito, do dissenso. Acreditamos, por outro lado, que, como coisa humana e fundamentalmente aporética, a tecnologia e a técnica, abrem novamente a questão da produção da diferença, a outra possibilidade. E isso não como utopia que não nos diz organicamente respeito, mas como possibilidade não garantida nas tragédias daquilo que há. Derrida, Stiegler nos chamam atenção para nossa condição de seres protéticos, seres para quem o mundo é sempre o mundo da mediação tecnológica. Tecnologia é o rastro daquilo que perdura, da tradição, se quiserem um jargão mais próximo das ciências sociais, mas o que perdura não pode ser entendido sem um conflito intestino, sem as violências que configuram o horizonte das coisas possíveis. Se a tecnologia é o destino das sociedades ocidentais, é preciso manter em aberta a perspectiva de que o mundo técnico não seja unidimensional (FERREIRA, 2010).</p>
<p>Existe uma farta literatura que discorre sobre as novas tecnologias como algo que produz seres híbridos &#8211; em especial, aquelas que se desenvolvem sob a influência da cibernética, o que não deixa muita coisa de fora. Ciborgues, falava-se na década de 1990 (HARAWAY, 1991; BELL e KENNEDY, 2000; GRAY, FIGUEROA-SARRIERA, MENTOR, 1995). Havia ali um Futurismo requentado, uma esperança irônica de libertação pela técnica, no que pese um diagnóstico interessante acerca de estruturas tradicionais de poder. “Feministas ciborgues devem argumentar que ‘nós’ não queremos mais a unidade da matriz natural e que não há construção que seja uma totalidade. Inocência, e a insistência que culmina com a vitimização enquanto fundamento para insight, tem feito muito dano” (HARAWAY, 1991, 157). E: “Culturas high-tech desafiam esses dualismos de maneiras intrigantes. Não fica claro quem produz e que é produzido na relação entre o humano e a máquina” (Ibid., p. 177). Esse mesmo Futurismo é, por vezes, tomado como perspectiva distópica; a tecnologia contemporânea esmaga a subjetividade, desorienta, cria apenas simulação sem realidade. Citaríamos aqui, sobretudo, Baudrillard e Virilio. “A inteligência dromocrática não se exerce contra um adversário militar mais ou menos determinado; ela se exerce como um assalto permanente ao mundo e através dele, como um assalto à natureza do homem. O desaparecimento da fauna e da flora, a anulação das economias naturais, são apenas a lenta preparação de destruições mais brutais” (VIRILIO, 1997, p. 69). Mas, já afirmamos acima, nossa condição é protética em um sentido completamente diferente do que aquele primeiro conjunto de referências propunha – e, assim, também não pode aceitar candidamente o tom catastrófico que este segundo conjunto de referências alardeia. Pois, na medida em que o espaço técnico é um espaço de “indecibilidade” e ao mesmo tempo de decisões precárias, de esquecimento, de “hypomnésis” e ao mesmo tempo de rememoração, ele é um espaço político em que uma alternativa à reificação, instrumentalização, ao empobrecimento existencial pode ser pensada (DERRIDA, 2001).</p>
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<p>O ensaio que propomos, todavia, não tem um cunho apenas teórico. Partindo das constatações críticas que formulamos acima, de fato, só poderíamos nos orientar através da investigação concreta dos horizontes políticos abertos na sociedade de informação. E é nesse sentido mesmo que pretendemos analisar em que medida as experiências de mídia livre constituem um espaço tenso em que uma perspectiva não niilista, instrumental, possa ser forjada de dentro do, em oposição ao, capitalismo contemporâneo. Em geral, todavia, as políticas de inclusão digital limitam-se a promover o acesso a equipamentos de informática, reeditando a organização de lugares econômicos (a classe) e simbólicos &#8211; organização na qual cabe ao sujeito que não detém os meios de produção ser mero usuário ou peça do sistema produtivo, e não exercer um papel criativo, perturbador em relação a este. O que se apresenta aí como perspectiva política é a reprodução de uma relação de tutela de tais “usuários” com respeito aos objetos técnicos usados para a produção de valor. Os interesses sistêmicos de reprodução do capital atuam de uma forma muito concreta: restringindo a possibilidade de atuação dos indivíduos, que passam a lidar com caixas-pretas, pacotes tecnológicos fechados, cuja lógica de funcionamento interno, cujos princípios de estruturação políticos não parecem constituir questões relevantes. O corolário desse tipo de truísmo, sob o qual se escondem o peso de hegemonias políticas, históricas, é a restrição de apropriação criativa sobre as ferramentas de produção de valor – apropriação que possa mesmo pôr em questão os princípios amplos sobre os quais o que chamamos de fenômeno tecnológico é produzido.</p>
<p>As ações coletivas com tecnologias livres, por outro lado, parecem indicar uma perspectiva oposta a esta &#8211; uma perspectiva na qual são produzidas condições para uma apropriação crítica das tecnologias de informação e comunicação. Os princípios que informam essa apropriação devem tornar possível a produção de valor com base na improvisação contínua, na comunicação, nas subjetividades culturalmente construídas, nas relações afetivas, no cotidiano sensitivo das comunidades envolvidas. O trabalho imaterial que se desprende dessas potencialidades está afinado com aquilo que Gorz pontuou como sendo o “trabalho da produção de si”. Nesse sentido, o caminho traçado pelas ações coletivas com tecnologias livres é tal que permite contribuir para a construção de espaços lógicos, físicos, afetivos e normativos que permitam a expansão das potências criativas, a quebra da previsibilidade e a superação da relação industrial entre projeto e produto. Aliás, neste sentido, o resultado das ações coletivas com tecnologias livres se aproxima de seu próprio percurso, de sua relação processual com os sujeitos que tomam parte, sendo composto de encontros, celebrações, performances, compartilhamentos de saberes, intenções. A pergunta que propomos como guia do presente ensaio é identificar em que medida essas iniciativas podem ser percebidas como fraturas no discurso hegemônico acerca das tecnologias de informação e comunicação – fraturas onde o político poderia se reinstalar.</p>
<p>1 O labor é a atividade que corresponde aos processos de reprodução biológica do ser humano; o trabalho diz respeito à produção de artefatos que constituem um mundo diferente do ambiente natural; a ação é a única atividade que se exerce diretamente entre os homens sem a mediação de coisas ou da matéria, é a condição de toda vida política (ARENDT, 1997: 15).</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=2958c180-d608-45c1-a02d-60a184ee1acf" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>Uma experiência particular com o corpo</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jun 2011 16:28:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Investigações paralelas]]></category>

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É por aí&#8230;
Tá pra completar um ano uma experiência arriscada que resolvi encarar  desde a metade do ano passado. Resolvi procurar desenhar e ilustrar,  mais na raça e na vontade do que recorrendo a talento e técnica, duas  coisas que eu desenvolvi muito pouco &#8211; vale outro post, outro dia, o acidentado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><object width="500" height="306"><param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hqZAxLqJkzA?version=3"></param><param name="allowFullScreen" value="true"></param><param name="allowscriptaccess" value="always"></param><embed src="http://www.youtube.com/v/hqZAxLqJkzA?version=3" type="application/x-shockwave-flash" width="500" height="306" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p>É por aí&#8230;</p>
<p>Tá pra completar um ano uma experiência arriscada que resolvi encarar  desde a metade do ano passado. Resolvi procurar desenhar e ilustrar,  mais na raça e na vontade do que recorrendo a talento e técnica, duas  coisas que eu desenvolvi muito pouco &#8211; vale outro post, outro dia, o acidentado aprendizado de tocar baixo elétrico que também tá rolando. Essa &#8216;experiência&#8217; ainda que meio  arriscada em pouco tempo deixou de ser algo externo e estranho para mim e  se instaurou como uma coisa natural. Desde sempre gostei de ilustração,  de narrativas gráficas, de quadrinhos, arte sequencial. Em <a class="zem_slink" title="Arcoverde" rel="geolocation" href="http://maps.google.com/maps?ll=-8.41888888889,-37.0538888889&amp;spn=0.1,0.1&amp;q=-8.41888888889,-37.0538888889%20%28Arcoverde%29&amp;t=h">Arcoverde</a> era mais comum ler as edições da Panini do que acompanhar a programação  da Rede Globo, que só era integral nos dias de domingo.</p>
<p>De repente, no  ano passado, eu me dei conta que as narrativas gráficas sempre estiveram  presentes na minha formação, no entendimento das formas com que era  possível se comunicar, exprimir isso ou aquilo. De modo que o  &#8216;arriscado&#8217; é relativo.  A vontade de desenhar também apareceu no contexto de outras coisas: o  fechamento a que me impus para terminar a tese, por um lado &#8211; o desenho  passou a ser uma daquelas coisas adiadas por causa do compromisso maior  que me ocupou durante 4 anos; e por outro, a necessidade de &#8216;pensar com o  desenho&#8217;, mais do que exprimir com o desenho.</p>
<p>Eu queria ocupar minha  cabeça, dar um rumo mais interessante para coisas que andava pensando e  sentindo, era um caminho mais pra dentro do que pra fora, por mais  irônico e contraditório que isso possa parecer. Não é engano dizer que  de certa maneira o que eu tava procurando era um processo de cura e não  resultados gráficos.  Uma escrita do afeto. Um alfabeto do pensamento, mais do que da  consciência.</p>
<p><a href="http://30.media.tumblr.com/tumblr_l6do2qrlIh1qz6flco1_500.jpg"><img class="aligncenter" src="http://30.media.tumblr.com/tumblr_l6do2qrlIh1qz6flco1_500.jpg" alt="" width="500" height="558" /></a></p>
<p>Espinoza e a leitura que <a class="zem_slink" title="Gilles Deleuze" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Gilles_Deleuze">Deleuze</a> tem da vida e da obra do primeiro me ajudaram desde o início, mas só vim  perceber o que eu estava procurando depois. Deleuze escreveu o seguinte  sobre a noção de consciência em Espinoza:</p>
<blockquote><p>Trata-se de mostrar que o corpo ultrapassa o conhecimento que dele  temos, e o pensamento não ultrapassa menos a consciência que dele temos.  Não há menos coisas no espírito que ultrapassam a nossa consciência que  coisas no corpo que superam nosso conhecimento. É, pois, por um único e  mesmo movimento que chegaremos, se for possível, a captar a potência do  corpo para além das condições dadas do nosso conhecimento, e captar a  força do espírito, para além das condições dadas da nossa consciência.  Procuramos adquirir um conhecimento das potências do corpo para  descobrir paralelamente as potências do espírito que escapam à  consciência, e poder compará-los.</p>
<p>Em suma, o modelo do corpo, segundo  Espinoza, não implica nenhuma desvalorização do pensamento em relação à  extensão, porém o que é muito mais importante, uma desvalorização da  consciência em relação ao pensamento: uma descoberta do inconsciente e  de um inconsciente do pensamento, não menos profundo que o desconhecido  do corpo.  E isso porque a consciência é naturalmente o lugar de uma ilusão. A sua  natureza é tal que ela recolhe efeitos, mas ignora as causas. A ordem  das causas define-se pelo seguinte: cada corpo na extensão, cada ideia  ou cada espírito no pensamento são constituidos por relações  características que subsumem as partes desse corpo, as partes dessa  ideia. Quando um corpo &#8220;encontra&#8221; outro corpo, uma ideia outra ideia,  tanto acontece que as duas relações se compõem para formar um todo mais  potente, quanto que um decompõem o outro e destrói a coesão das suas partes. Eis o que é prodigioso tanto no corpo quanto no espírito: esses conjuntos de partes vivas que se compõem e decompõem segundo leis complexas. A ordem das causas é então uma ordem de composição e decomposição de relações que afeta infinitamente toda a natureza. Mas nós, como seres conscientes, recolhemos apenas os efeitos dessas composições e decomposições: sentimos alegria quando um corpo se encontra com o nosso e com ele se compõe, quando uma ideia se encontra com a nossa alma e com ela se compõe; inversamente, sentimos tristeza quando um corpo ou uma ideia ameaçam a nossa coerência. Encontramos numa tal situação que recolhemos apenas &#8220;o que acontece&#8221;  ao nosso corpo, &#8220;o que acontece&#8221; à nossa alma, que dizer, o efeito de um corpo sobre o nosso, o efeito de uma ideia sobre a nossa. Mas o que é o nosso corpo sob a sua própria relação, e nossa alma sob a sua própria relação, e os outros corpos e as outras almas ou ideias sob suas relações perspectivas, e as regras segundo as quais todas essas relações se compõem e decompõem &#8211; nada sabemos disso tudo na ordem de nosso conhecimento  e de nossa consciência. Em suma, as condições em que conhecemos as coisas e tomamos consciência de nós mesmos condenam-nos a ter apenas ideias inadequadas, confusas e mutiladas, efeitos distintos de suas próprias causas.</p></blockquote>
<p>Bem, o que isso tem a ver? Tudo. Porque redefine um lugar da ação (o pensamento) e a fugacidade da consciência. A potência dessa linha de fuga é tal que embora seja agora evidente para mim e para a relevância que ela tem na pulsão por desenhar, só se afirmou conscientemente agora há pouco. Estava, antes, <a href="http://www.nucleopsic.org.br/download/t_artigo_ocorpodaalegria.pdf" target="_blank">no corpo</a> já. O que tá posto aqui é uma tentativa de política da liberdade através da potência do corpo e das expressões que ele pode gerar. O que não é nada de novo.</p>
<p>Final do ano passado lembro de conversar com Fabiana, Patricia Amorim e Raul sobre os planos para 2011. E quase sem pensar disse que tudo estaria melhor na minha vida se eu chegasse a ao final de 2011 desenhando, ilustrando e fazendo tiras melhor que estava naquele momento. Por essas e muitas outras coisas (que valem outro post, outro dia) ando otimista com esse ano, apesar de tudo.</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_c.png?x-id=fd0a3aef-ae2b-413e-bbf1-2f68e2d4ac64" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>A agenda fria de um MinC sob intervenção</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jun 2011 16:12:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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Carlos Henrique. no Trezentos
Depois de  sair combalido da zona de guerra criada pelo seu alto comando, o  Ministério da Cultura se isola politicamente para se fazer de morto e  mergulhar numa agenda tarefeira, protocolar e cheia de incertezas.
Depois de cinco meses de declarações inconseqüentes, alianças com as  múltiplas formas de poder [...]]]></description>
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<p style="text-align: right;">Carlos Henrique. no <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6005" target="_blank">Trezentos</a></p>
<p>Depois de  sair combalido da zona de guerra criada pelo seu alto comando, o  Ministério da Cultura se isola politicamente para se fazer de morto e  mergulhar numa agenda tarefeira, protocolar e cheia de incertezas.</p>
<p>Depois de cinco meses de declarações inconseqüentes, alianças com as  múltiplas formas de poder de grandes grupos, o MinC exibe uma contida  atuação para sair do verdadeiro campo de batalha em que se meteu. Não  esperava uma sociedade em prontidão que já havia construído uma rotina  de riqueza nos debates capaz de rechaçar o poder autoritário de uma  “guerreira” que distribuiu ataques a vários programas da gestão  anterior, mas, sobretudo tratou os ativistas do software livre como  bárbaros digitais.</p>
<p>O MinC está que é só melindre, pois a readaptação imposta pela  intervenção do gabinete da presidência travou os espaços para que as  intencionalidades da Ministra não dependessem mais do espírito do  supetão. O Ministério da Cultura está politicamente à deriva,  moribundamente satisfeito com a condição de ser rebocado e, com isso,  não ter que trazer nenhuma solução para o desmonte que ele próprio  promoveu e, muito menos ampliar a agenda em nível global sobre o  necessário debate da cultura brasileira.</p>
<p>Com a chegada desse novo comando, o ambiente cultural foi impregnado  de uma santificada ideologia de mercado, sem explicar como, quando e  aonde essa situação empobrecida se daria. A cultura civilizada pelo  mercado prometia um fluxo aos manufaturados que, subordinados a uma  cadeia, redistribuiria a força de uma produção artística revalorizando,  principalmente o artista que mais se afinava com os movimentos do  mercado, dependendo assim de seu nome estar associado ao estatuto  industrial.</p>
<p>Redefinida essa função, o MinC secaria as fontes que sustentam os  programas Cultura Viva e Cultura Digital, numa fragmentação cotidiana  onde os pedaços desse sistema fossem caminhando de forma débil até que  sua relação com a sociedade tivesse menos poder político. Só que a  hegemonia emblemática com a qual o MinC quis se alinhar não encontrou  uma sociedade em desordem, ao contrário, os sinais indicaram que houve  uma evolução extraordinária nas novas estruturas em rede. Esta foi  politicamente uma questão crucial para expor o paradoxo da ideia central  que o MinC, com seu limite perverso, quis nos impor.</p>
<p>Bem, a partir de agora, ambos, sociedade e Ministério da Cultura  terão que refundar uma lógica política formada pelo governo e pela  sociedade, pois a produção econômica da cultura de massa ou do mercado  global que foi nesses cinco meses a grande moeda do MinC – empresa  parece que não tem sequer argumentos artificiais para se manter  politicamente de pé por sua significativa incoerência com a realidade da  cultura contemporânea no Brasil.</p>
<p>Mas o que parece é que a nova gestão não tem conhecimento concreto do  atual histórico da cultura brasileira. Então, vemos que, sem uma  prática de solidariedade e com total descrédito de seus discursos, o  ministério de Ana de Hollanda permanece de pé apenas por uma “produção  racional” simplificada mediante o imbróglio político em que se meteu,  dependendo de soluções técnicas para servir a uma agenda de dimensão  restrita e funcional que não necessite de desastrosas declarações da  ministra para que, no anonimato, o ministério agüente, aos trancos e  barrancos e na base da piedade, uma mudança de comando para que seja  refundada a efetivação potencializada dos programas que eram a principal  chamada da campanha de Dilma para a cultura.</p>
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		<title>A plenitude hegemônica da Lei Rouanet</title>
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		<pubDate>Sat, 11 Jun 2011 14:30:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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Carlos Henrique, no Trezentos
A Lei  Rouanet volta à ribalta no debate do MinC. E nós, enquanto sociedade,  discutimos se ela é ou não um corpo produtivo ou se tem dinâmica  determinante para continuar sendo a mandatária das políticas públicas de  Estado para o setor da cultura. Não! A única coisa que [...]]]></description>
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<p style="text-align: right;"><strong>Carlos Henrique, no <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6004" target="_blank">Trezentos</a></strong></p>
<p>A Lei  Rouanet volta à ribalta no debate do MinC. E nós, enquanto sociedade,  discutimos se ela é ou não um corpo produtivo ou se tem dinâmica  determinante para continuar sendo a mandatária das políticas públicas de  Estado para o setor da cultura. Não! A única coisa que podemos afirmar  nesse modelo Estado/empresa é que sua força centrífuga criou um sistema  que determina como os macro-agentes do setor privado construirão suas  novas relações com a sociedade, cada vez mais de cima para baixo.</p>
<p>A Lei Rouanet criou um mundo pobre, dependente e de práticas  limitadas, sobretudo nas relações assimétricas com o restante do mundo  cultural. A longa e penosa caminhada de vinte anos desta lei expõe  claramente que a infraestrutura baseada numa espécie de preparação para a  unificação financeira, via modelo de renúncia fiscal, fez da própria  lei a principal mercadoria de um comércio regional, concentrador que  pode sim ser considerado um novo episódio de guerra destinado a  fortalecer as classes dominantes através da cultura corporativa.</p>
<p>O que há de singular nessa geografia cultural erguida pela Lei  Rouanet são os novos e onerosos espaços que formam hoje um elenco com  condições não só de realizar a pior das verticalidades, como também, em  nome da “grande força motora” da economia cultural, potencializar apenas  o indiscutível modelo que concentra um conjunto de produções  burocráticas. Produções estas cujas características implicam num  congelamento das verbas e transformam a cultura institucional brasileira  num espaço banal de extensão continuada.</p>
<p>O dito equipamento modernizado com pontos escolhidos pelas  respectivas empresas criou um paralelo, uma personalidade da cultura  capitalista limitada aos fatores dos próprios institutos e fundações  empresariais, o que mostra o limite do discurso da cultura neoliberal,  sobretudo quando falamos de um universo onde o Estado precisa fortalecer  os movimentos populares, principalmente os protagonizados pelas camadas  mais pobres da população.</p>
<p>Durante os quatro anos em que venho fazendo críticas à Lei Rouanet,  algumas pessoas até bem intencionadas, quando eu pedia a extinção da  lei, me perguntavam, o que eu colocaria no lugar. E minha resposta era:  que lugar é esse? A Lei Rouanet criou um reino de artifícios, um  presente para empresas “patrocinadoras” que nada têm a ver com o fator  produção cultural. O que quero dizer é que não há virtudes no papel da  lei diante da vida nacional. Não há um espaço de vivência, não há  horizontalidade. O que há é apenas uma interdependência dos próprios  agentes corporativos com as empresas. Daí em diante toda uma pedagogia  necessária de truques, mitos e fatalidades são criados pela ideologia  embutida no discurso neoliberal de cultura.</p>
<p>Acontece que a Lei Rouanet deu início a uma espécie de fardão aos  “novos donos do mundo da cultura”, por isso assistimos ao triunfalismo  dos gestores corporativos que, a qualquer custo, se auto-proclamam  senhores da terra, os únicos capazes de disciplinar a sociedade para o  consumo do produto cultural. Isso naturalmente deixa o Estado brasileiro  de joelhos, pois não há qualquer possibilidade de ampliação dos  recursos que, sob o ponto de vista público, deveria ser utilizado em  prol de uma luta legítima e ética que são as ações como o Programa  Cultura Viva, pois os Pontos de Cultura que já apresentam um histórico  absolutamente materializado trouxeram uma outra compreensão histórica de  resistência orgânica contra o pensamento único da cultura globalizada.</p>
<p>A grande questão é que o diagnóstico da política cultural brasileira  nunca foi progressista, pois tanto o Estado quanto o mercado sempre  foram eminentemente autoritários. A partir do governo Lula é que o  Brasil teve uma política pública de cultura, uma nova consciência das  nossas realidades. Sem dúvida, os pontos de cultura e a cultura digital  trouxeram ao espaço físico e cultural não mais uma política opressora,  mas uma política do oprimido. Não mais uma política de resignação que  destrói o ser em seu cosmos natural, mas uma resistência que vem  discutindo todo o complexo de um mundo que estava apenas na  subjetividade e que ganhou corpo e musculatura para ser o novo motor das  ações conjuntas entre Estado e sociedade.</p>
<p>Por isso é lamentável e até curioso que uma Ministra de Estado  defenda um aporte de R$1,300 mil a um artista consagrado para a  construção de um blog, como se o Estado tivesse que seguir a tabela do  mercado. É esta confusão que, se não é ingênua é perversa, que resiste  nos novos conteúdos do espaço público. Se a proporção fosse associada  pura e simplesmente a uma ordem de origem e destino, ou seja, se  somássemos todos os recursos públicos destinados à cultura e os  dividíssemos de forma republicana e, consequentemente horizontal,  constataríamos que seriam suficientes para a concretização de todos os  nossos sonhos de democracia cultural.</p>
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		<title>O cu refilmado</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2011 21:38:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
		<category><![CDATA[Sexo]]></category>

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		<description><![CDATA[As novas liberdades e conquistas no campo da sexualidade e da  aceitação das relações homoafetivas darão um novo status a esta parte do  corpo tão estigmatizada

Por Biu da Silva
Especial para Revista O Grito!
Este buraquinho apertado por onde saem os excrementos dos seres  humanos é um tabu cultural. Enquanto olhos, boca, mãos, seios [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><em>As novas liberdades e conquistas no campo da sexualidade e da  aceitação das relações homoafetivas darão um novo status a esta parte do  corpo tão estigmatizada<br />
</em></p>
<p style="text-align: right;">Por<a href="http://www.revistaogrito.com/contato@revistaogrito.com" target="_blank"> Biu da Silva</a><br />
<strong>Especial para <a href="http://www.revistaogrito.com/page/blog/2011/05/23/especial-uma-tradicao-revisitada-ii/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+revistaogrito+%28Revista+O+Grito!%29&amp;utm_content=Google+Reader" target="_blank">Revista O Grito</a>!</strong></p>
<p><em>Este buraquinho apertado por onde saem os excrementos dos seres  humanos é um tabu cultural. Enquanto olhos, boca, mãos, seios e até  mesmo pênis e vagina podem ser retratados, pintados, filmados, cantados  em prosa e verso, o cu e as atividades em torno dele ainda são motivo de  censura. O fato de expelir os restos dos alimentos em forma de uma  pasta mal cheirosa o coloca num patamar de desprestígio injusto. Como  elemento da nossa constituição biológica, o esfíncter anal é tão  importante quanto o seu oposto: a boca, considerada nobre por suas  qualidades gustativas e expressivas. Mas, é bom lembrar que sem um local  de saída do que se ingere a vida humana seria bem complicada. Logo o  cu, lá embaixo, escondido no meio da bunda e com seu odor e formato  peculiar, não pode ser estigmatizado. Sobretudo agora que, pouco a  pouco, além de sua função biológica principal, ele vem sendo alçado  também à condição de órgão sexual, finalidade reconhecida, mesmo pelos  mais dignos tribunais que, em diversos países pelo mundo afora, estão  encarregados em definir o que é e o que não é permitido.</em></p>
<p><a href="http://deadfix.com/wp-content/uploads/2011/05/asshole-500x647.jpg"><img class="aligncenter" src="http://deadfix.com/wp-content/uploads/2011/05/asshole-500x647.jpg" alt="" width="500" height="647" /></a></p>
<p><em><strong>_</strong></em> <em><br />
<a href="http://www.revistaogrito.com/page/blog/2011/05/22/especial-uma-tradicao-revisitada-i/" target="_blank"><strong>Especial: O [*] Reconfigurado nas artes plásticas</strong></a></em></p>
<p><em>Bom, contudo é preciso dizer que o uso do cu além do trivial papel de  expelidor de cocô  é uma prática que se perde na poeira do tempo. Mesmo  nas civilizações mais antigas e primitivas destinar o fiofó para  brincadeiras sexuais já era algo comum, embora, claro, tais atividades  praticadas por homens ou mulheres tenham sido sempre alvo de proibições,  castigos e censura. Muita gente pagou caro – prisão, excomunhão  religiosa, castigos corporais medonhos e até forca e fogueira – por  querer fazer do seu orifício anal (ou de outrem) objeto de prazer. Mesmo  nos dias de hoje, em pleno século 21, em muitos lugares as penas  continuam severas para quem em vez de realizar o ato sexual por meio do  tradicional papai e mamãe inventa em usar o cu para dar e sentir gozo.</em></p>
<p><em><a href="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2011/05/JoseCelsoMartinez200802WilsonDiasAgenciaBrasil-139x150.jpg"><img class="alignleft" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2011/05/JoseCelsoMartinez200802WilsonDiasAgenciaBrasil-139x150.jpg" alt="" width="139" height="150" /></a>Os sodomitas, designação atribuída a estes indivíduos que se servem do  cu para se divertirem, até mesmo em sociedades liberadas e modernas, nem  sempre podem chegar por aí dizendo naturalmente serem adeptos da  prática. Escritores libertinos como o Marquês de Sade, o poeta italiano <strong>Aretino</strong>, o português <strong>Bocage</strong>,  entre outros, que, no passado, falaram do cu com naturalidade, embora  sejam reconhecidos pelo valor literário de seus escritos, com certeza  ainda provocam rubores em mentes pudicas. O mesmo é válido para imagens  como a célebre foto do fotógrafo norte-americano <a class="zem_slink" title="Robert Mapplethorpe" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Robert_Mapplethorpe">Robert Mapplethorpe</a> enfiando o punho do chicote no seu próprio ânus. No teatro, idem. Aqui  no Brasil o único que fala e mostra o cu para todo mundo sem qualquer  melindre, por exemplo, é o ator e encenador <strong>José Celso Martinez Correia</strong> (foto ao lado) do <strong>Uzyna Uzona</strong> (Oficina), inclusive nos exercícios que realiza com seu elenco, um  deles é exatamente uma “dilatação da bolsa anal” cuja finalidade é  permitir ao aprendiz de ator soltar pum ou fazer cocô em cena quando bem  entender.</em></p>
<p><em><a href="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2011/05/cultcapa04-150x97.jpg"><img class="alignleft" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2011/05/cultcapa04-150x97.jpg" alt="" width="150" height="97" /></a>No cinema o assunto também é tema controverso e delicado. Com exceção  dos filmes pornográficos heterossexuais ou gays que mostram os limites  do cu sendo rompidos sem cerimônia para apimentar suas imagens, na tela  mainstream  é bem mais difícil a sodomia ser apresentada sem recato. Nos  anos 1970 o mundo ficou chocado quando o cineasta italiano<br />
<strong><a class="zem_slink" title="Bernardo Bertolucci" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Bernardo_Bertolucci">Bernardo Bertolucci</a></strong></em> <em>, em <em>O Último Tango em Paris</em>, dedica uma cena em que o ator <strong>Marlon Brando</strong> sugere passar manteiga no pinto para penetrar a jovem anônima com quem ele está se relacionando (a atriz <strong>Maria Schneider</strong>).  Mas é bom lembrar que tudo é apenas insinuado, ou seja, ninguém vê o  pênis do ator e muito menos o cu da atriz. Menos recato teve outro  italiano, o diretor <strong><a class="zem_slink" title="Pier Paolo Pasolini" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pier_Paolo_Pasolini">Pier Paolo Pasolini</a></strong>, ao realizar um dos filmes mais ousados da história do cinema: <em>Saló</em>, ou <em>Os 120 Dias de<br />
Sodoma</em>, no qual um grupo de pessoas tranca-se num castelo e se  entregam a toda sorte de práticas libidinosas e nas orgias que se  seguem, os cus dos protagonistas obviamente não são poupados das  sevícias empreendidas. É preciso dizer que o filme de Pasolini não é uma  obra pornô, mas trata-se de um libelo sócio-político com finalidades  bem específicas que vão muito além de provocar o estarrecimento do  espectador.</em></p>
<p><em><a href="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2011/05/brad-davis-querelle-4.jpg"><img class="alignnone" src="http://www.revistaogrito.com/page/wp-content/uploads/2011/05/brad-davis-querelle-4.jpg" alt="" width="600" height="421" /></a><br />
</em></p>
<p><em>Outro filme em que temos uma relação anal de significado bem perturbador está em </em><em><a class="zem_slink" title="Querelle" rel="amazon" href="http://www.amazon.com/Querelle-Brad-Davis/dp/B00005JXY5%3FSubscriptionId%3D0G81C5DAZ03ZR9WH9X82%26tag%3Dzemanta-20%26linkCode%3Dxm2%26camp%3D2025%26creative%3D165953%26creativeASIN%3DB00005JXY5">Querelle</a>, de <strong><a class="zem_slink" title="Rainer Werner Fassbinder" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Rainer_Werner_Fassbinder">Rainer Werner Fassbinder</a></strong>, inspirado na obra homônima de <strong><a class="zem_slink" title="Jean Genet" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Jean_Genet">Jean Genet</a></strong>, sobre um marinheiro que chega ao porto francês de <strong>Brest</strong>. Em uma das cenas, o marinheiro vivido por <strong>Brad Davis</strong> submete-se com prazer aos caprichos de um robusto barman. A cena torna a  experiência um relato de sensualidade intrigante pela complexa  personalidade do protagonista e pelos questionamentos sobre os papeis  sexuais que ele convoca no transcorrer da narrativa. Recentemente,  tivemos o filme </em><em><strong>Short Bus</strong>, de <strong>John Cameron Mitchell</strong>,  também com cenas de sexo explícito e sexo anal, com isto sendo tratado  sem vulgaridade, uma vez que o diretor está mais preocupado em refletir  sobre a aceitação dos desejos sem receio de pré-julgamentos.  Também  podemos citar aqui o filme</em><em> <a class="zem_slink" title="Madame Sata" rel="amazon" href="http://www.amazon.com/Madame-Sata-Lazaro-Ramos/dp/B000OIOXJC%3FSubscriptionId%3D0G81C5DAZ03ZR9WH9X82%26tag%3Dzemanta-20%26linkCode%3Dxm2%26camp%3D2025%26creative%3D165953%26creativeASIN%3DB000OIOXJC">Madame Satã</a>, de <strong><a class="zem_slink" title="Karim Aïnouz" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Karim_A%C3%AFnouz">Karim Ainouz</a></strong>,  reconstituição da história do famoso malandro carioca negro e  homossexual, em que podemos ver uma cena de relação anal, tratada com  naturalidade e beleza.</em></p>
<p><em><a href="http://26.media.tumblr.com/tumblr_kpywclMQap1qzf7rxo1_400.jpg"><img class="alignleft" src="http://26.media.tumblr.com/tumblr_kpywclMQap1qzf7rxo1_400.jpg" alt="" width="328" height="450" /></a>Certamente, com o avanço das conquistas sexuais e do livre direito do  uso do corpo, e agora ainda mais com o reconhecimento legal das  relações homoafetivas, as condutas envolvendo o uso sexual do cu passam  por um processo de reconfiguração e estão sendo pouco a pouco  absorvidas, deixando de lado certos julgamentos morais e de interdição  para aceitá-las num quadro de normalidade bem mais abrangente. A partir  disto, ao menos nestas sociedades, o número de filmes com práticas  sexuais envolvendo a penetração anal deverá crescer, pois eles deixam de  ser vistos como algo à margem ou panfletos de uma conspiração de  pervertidos para trazer à luz algo que sempre se praticou em todas as  esferas.</em></p>
<p><em>Pessoas conservadoras e grupos religiosos provavelmente vão fazer  alarido e espernear contra estes avanços, achando que o mundo vai entrar  numa roda viva de permissividade e vícios que vão destruir a ordem e  minar a moral das famílias. Quando, na verdade, o que teremos  simplesmente é menos hipocrisia nas relações sociais. Se um cineasta  deseja fazer um filme sobre o cu, vai assisti-lo quem quer. Se eu acho  que isto vai me levar para o fogo do inferno basta então não vê-lo.  Recentemente vi um filme do <strong>Michael Winterbotton</strong>, <em>Nove Canções</em>,  sobre um casal heterossexual que se conhece num concerto de rock e  passa a viver uma relação intensa. O filme é simples, mas bonito e  ousado. Ele tem cenas explícitas de sexo convencional, sexo oral e  penetração anal, tudo mostrado com naturalidade e de forma poética.   Pois bem. Ao terminar de assisti-lo não me bateu a louca de sair  correndo para entregar a tarrasqueta ao primeiro que encontrasse no  caminho só porque gostei do filme.</em></p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_c.png?x-id=e0efafce-fcfe-428e-b045-66484903354f" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>The modern san fraciscan &#8211; mas poderia valer para outros sítios também</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2011 20:10:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Investigações paralelas]]></category>
		<category><![CDATA[Sexo]]></category>
		<category><![CDATA[Viagens e afins]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p><a id="aptureLink_cGIsSgNkdY" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;" href="http://25.media.tumblr.com/tumblr_ky7jv8BVo11qzu6nxo1_500.jpg"><img style="border: 0px none;" src="http://25.media.tumblr.com/tumblr_ky7jv8BVo11qzu6nxo1_500.jpg" alt="" width="591" height="796" /></a></p>
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		<title>Spike Jonze Presents: Lil Buck and Yo-Yo Ma</title>
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		<pubDate>Sun, 01 May 2011 19:48:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Domingo]]></category>
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		<title>As potências da mídia tática e os caminhos da comunicação autônoma</title>
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		<pubDate>Wed, 27 Apr 2011 19:38:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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Arte de Ricardo Ruiz.
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2041" href="http://www.locoporti.blog.br/as-potencias-da-midia-tatica-e-os-caminhos-da-comunicacao-autonoma/paje-3/"><img class="aligncenter size-large wp-image-2041" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/paje1-724x1024.jpg" alt="" width="724" height="1024" /></a></p>
<p><strong><span style="color: #800000;">Arte de Ricardo Ruiz.</span></strong></p>
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		<title>As potências da mídia tática e os caminhos da comunicação autônoma, com Paulo Lara, vulgo Pajé</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Apr 2011 12:35:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na próxima sexta-feira, 29, o Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e a Rede Coque Vive promovem a palestra As potências da mídia tática e s caminhos da comunicação autônoma, com Paulo &#8220;Pajé&#8221; Lara. O encontro é um dos ponta-pés da intervenção que estamos realizando na comunidade do Coque e que são formadas por oficinas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2009" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-2009" href="http://www.locoporti.blog.br/as-potencias-da-midia-tatica-e-s-caminhos-da-comunicacao-autonoma-com-paulo-lara-vulgo-paje/paje/"><img class="size-full wp-image-2009" title="Pajé" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/Pajé.jpg" alt="" width="300" height="244" /></a><p class="wp-caption-text">Paulo Lara, fotografado no momento em que preparava a palestra</p></div>
<p>Na próxima sexta-feira, 29, o Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e a Rede Coque Vive promovem a palestra As potências da mídia tática e s caminhos da comunicação autônoma, com<a href="http://lattes.cnpq.br/9527228745339307" target="_blank"> Paulo &#8220;Pajé&#8221; Lara</a>. O encontro é um dos ponta-pés da intervenção que estamos realizando na comunidade do Coque e que são formadas por oficinas de áudio, vídeo, experimentação com hardware, construção de ambientes web, web rádio, etc. Pajé é um dos auxílios luxuosos dessa empreitada. Abaixo, um resumo da palestra. O encontro é aberto  a todos com interesses em cultura livre, democratização da comunicação, políticas culturais, políticas de mídias, políticas do afeto, apropriação crítica de tecnologias, etc.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>As potências da mídia tática e s caminhos da comunicação autônoma</strong></p>
<blockquote><p><em>Um  dos desafios tanto do Estado brasileiro quanto da sociedade civil é  estruturar o país para uma nova realidade econômica e geopolítica que  virá com os próximos anos. Se nada de desastroso ocorrer, o Brasil  passará a ter em torno de 30 milhões a mais de consumidores. O grande  desafio, portanto, passa a ser oferecer as possibilidades de uma vida  completa e emancipada para milhões de pessoas que estiveram até hoje em  um estado de extrema obliteração. Isso, praticamente, remete a pergunta:  O que fazer politicamente com a cultura, estética e educação em relação  a grupos que estão passando a consumir, acessar e participar da vida  social, evitando que se tornem apenas &#8220;serviçais voluntários&#8221;?</em></p></blockquote>
<blockquote><p><em>A  preocupação que se apresenta a uma “nova classe média” surge pelo fato  de que o consumo, material e simbólico acarreta em um modelamento da  consciência por parte de diversas forças que não raras vezes atuam  contra a sociedade. Atentaremos aqui para o modo como a aquisição de  educação, “cultura”, conhecimento crítico, capacidade de análise e de  uma prática sensível pode promover uma autonomia tecnológica capaz de  colaborar com a formação de uma comunidade potente.</em></p></blockquote>
<blockquote><p><em>Para  isso, torna-se urgente a atenção para a capacidade das formas de  expressão segundo os próprios termos, além de um aprendizado estético e  tecnológico, que é sensível, político, radical e aponta para uma nova  forma de encarar as regras do pensamento. Isso significa antecipar um  exercício que é tecno-social, na medida em que forma e apresenta uma  visão de mundo construída a partir das próprias experiências,  conhecimentos e desejos.</em></p></blockquote>
<blockquote><p><em>Com a  possibilidade da intervenção no campo simbólico a partir de máquinas  comunicacionais, as potências artísticas, culturais, educacionais,  sentimentais e técnicas afloram no sentido de uma descoberta da própria  expressão e da negação da imposição de vontades e políticas alheias.  Neste sentido as possibilidades da comunicação preparam uma sociedade  mais crítica, analítica e autônoma, que aprende que a matéria prima da  cultura está na base da formação e desenvolvimento social. Com isso,  apresentaremos elementos dos usos das tecnologias que atiçam uma  criatividade política e uma inserção na vida pública, permitindo a  grande parte do povo brasileiro ser mais que mero consumidor e passando a  ser produtor de seu próprio destino.</em></p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #993300;">Dia 29 de abril, a partir das 9 horas</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #993300;">Auditório do PPGCOM – UFPE, CAC, 1º andar.</span></strong></p>
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		<title>Coque Livre: já começou</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 12:09:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1938" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><a rel="attachment wp-att-1938" href="http://www.locoporti.blog.br/coque-livre-ja-comecou/2011-04-02-17-34-05-2/"><img class="size-medium wp-image-1938" title="2011-04-02 17.34.05" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/2011-04-02-17.34.051-e1302091700667-360x600.jpg" alt="" width="360" height="600" /></a><p class="wp-caption-text">Concentrado no banheiro, Queops elaborava sugestões para as oficinas no Coque sob a influência do olhar do Surfista Prateado</p></div>
<p>Esse fim de semana fizemos uma reunião na minha casa para definir várias coisas relativas a nossa intervenção na comunidade do Coque. Conseguimos estabelecer o cronograma das oficinas, bem como quem vai ser responsável por elas, o cronograma, tiramos ainda uma data para fazer um mutirão nas máquinas &#8211; sobretudo instalação de uma distribuição Linux &#8211; entre outras coisas.para começar, o começo: as oficinas começam no dia 17 de maio e seguem por três semanas, até o dia 03 de maio. Esse conjunto inicial de oficinas será ministrado pela dupla Ricardo Ruiz e Ricardo Brazileiro sobre áudio e experimentações com hardware.</p>
<p>A ideia deste primeiro ciclo de três semanas é que os conteúdos estejam articulados entre si, de modo que seja possível elaborar um projeto para se confeccionar algum dispositivo, máquina, áudio, etc., fruto da interação entre as oficinas de áudio e experimentação. Ao longo de uma semana as oficinas são alternadas  na sexta-feira os dois oficineiros estarão presentes nas atividades do laboratório. A mesma fórmula será adotada para os outros ciclos de três semanas. Os participantes da comunidade serão &#8220;convocados&#8221; na Esc0la Leonardo Barreto.</p>
<p>O segundo ciclo de três semanas de oficinas acontece entre o dia 7 de junho e o dia 29 de junho e será focado em vídeo e internet/CMS. Esse é um conjunto de oficinas que acho que promete um bocado. Os oficineiros serão Celinha Menezes, Gustavo e Queops Negão.  Esse último rapaz trou a possibilidade de uma abordagem da internet que permita uma discussão sobre comunicação e crítica aos meios comerciais.</p>
<p>O terceiro ciclo vai acontecer em julho, mas ainda está sem data definida. Será um repeteco do segundo conjunto de oficinas dado pelo trio Célia, Gustavo/Queops. O quarto ciclo, entre 30 de agosto e 16 de setembro será dedicado a áudio e vídeo e direcionado aos agentes de desenvolvimento comunitário que começaram a ser formados pelo NEIMFA.  O quinto ciclo finalmente acontece em outubro, mas ainda sem data definida &#8211; será dedicado a oficinas de áudio + Metarec. De fato todo esse processo já foi iniciado.</p>
<p>Mas terá um &#8216;ponta-pé&#8217; oficial com a palestra que Paulo José Lara, o Pajé, vai nos dar no dia 29 de maio, na sede do Programa de Pós Graduação em Comunicação da UFPE e com uma visita ao Coque no mesmo dia. A ideia é que Pajé possa apresentar a palestra que ele fez para seu doutorado, que tá em fase final, e que também possa compartilhar informações a partir de sua experiência em projetos semelhante e que nos ajudem nesse caminho. Pajé vai falar sobre &#8220;As potências estéticas da mídia tática e os caminhos da comunicação autônoma&#8221;, numa realização do Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM)  e da Rede Coque Vive.</p>
<p>Outras providências ainda foram tomadas. No sábado 16 de abril faremos um mutirão geral para diagnosticar a quantas anda o laboratório e as máquinas,  verificar no detalhe as configurações, o que eventualmente falta comprar e fazer uma instalação geral de uma distribuição Linux. Inicialmente, aliás, pensamos que a instalação do Linux poderia fazer parte das oficinas. Ocorre que os computadores já são usados noutras atividades da casa, há muitos arquivos nas máquinas, são 13 máquinas, oq e deverá implicar em dois alunos por computador. Por essas razões resolvemos que as oficinas já começaram com as máquinas equipadas com a distribuição, mas uma delas será usada para a instalação do sistema no início. É claro que não é a mesma coisa, que o ideal seria incorporar a instalação ao processo desde o início. Mas também é verdade que o ideal é inimigo do possível, em muitos casos e esse parece ser um deles.</p>
<p>Por esses dias os oficineiros deevrão finalizar as ementas e nos enviar, e quando isso tiver pronto posto aqui para ouvir mais sugestões. É interessante lembrar que o trabalho das oficinas será complementado por monitores do uso dos equipos, pois a ideia é que o ltelecentro que o telecentro que já existe hj seja usado ao máximo de acordo e em sintonia com o trabalho realizado nas oficinas. Para isso é que amos precisar de monitores para acompanhar a meninada no uso do lugar. Queops e Igor, que tambémparticipará das oficinas de vídeo, se dividirão para fazer isso.</p>
<p>O fato é que a Unidade Coque Livre já é realidade, já começou e senti uma boa energia de todo mundo reunido aqui em casa, todos com vontade de fazer acontecer de forma boa e bonita.</p>
<div id="attachment_1935" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a rel="attachment wp-att-1935" href="http://www.locoporti.blog.br/coque-livre-ja-comecou/2011-04-02-17-33-18/"><img class="size-medium wp-image-1935" title="Yvana, Igor, Celinha, Gustavo e Brazuca" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/2011-04-02-17.33.18-600x360.jpg" alt="" width="600" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">Yvana, Igor, Celinha, Gustavo e Brazuca</p></div>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_1936" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a rel="attachment wp-att-1936" href="http://www.locoporti.blog.br/coque-livre-ja-comecou/2011-04-02-17-33-12/"><img class="size-medium wp-image-1936" title="João, Roberta e Yvana" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/2011-04-02-17.33.12-600x360.jpg" alt="" width="600" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">João, Roberta e Yvana</p></div>
<p style="text-align: center;">
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		<title>Lula Côrtes</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Apr 2011 12:31:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Luciana Rabelo
luciana.rabelo@gmail.com
Sábado, 26 de março de 2011, Lua Minguante
Lula me apareceu em 1993, quando ouvi ‘Desengano’. Cris Jerônimo &#8211; um amigo da faculdade &#8211; tempos depois nos levou à casa dele, em Candeias. Encantei-me! Eu tinha 20 anos na época. Época boa, novas experiências, aventuras, subversão. Tudo a ver! Vitalidade! Eu Vital! Lula Vital!


Lembro de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Luciana Rabelo<br />
luciana.rabelo@gmail.com</p>
<p><em>Sábado, 26 de março de 2011, Lua Minguante</em></p>
<p><em>Lula me apareceu em 1993, quando ouvi ‘Desengano’. Cris Jerônimo &#8211; um amigo da faculdade &#8211; tempos depois nos levou à casa dele, em Candeias. Encantei-me! Eu tinha 20 anos na época. Época boa, novas experiências, aventuras, subversão. Tudo a ver! Vitalidade! Eu Vital! Lula Vital!<br />
</em></p>
<div id="aptureLink_ntrArgrmzc" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;"><object id="apture_embedPlayer1" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="458" height="374" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="bgcolor" value="#ffffff" /><param name="quality" value="high" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="flashvars" value="start=0&amp;domId=apture_embedPlayer1" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/YogIa-zuQgg&amp;rel=0&amp;fs=1&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;enablejsapi=1" /><param name="name" value="apture_embedPlayer1" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed id="apture_embedPlayer1" type="application/x-shockwave-flash" width="458" height="374" src="http://www.youtube.com/v/YogIa-zuQgg&amp;rel=0&amp;fs=1&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;enablejsapi=1" name="apture_embedPlayer1" flashvars="start=0&amp;domId=apture_embedPlayer1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" quality="high" bgcolor="#ffffff"></embed></object></div>
<p><em>Lembro de um show dele com a companheira Má Companhia, na Soparia, em algum Natal, ele era Papai-Noel, e Jesus. No Tipóia, em Tracunhaém, acho que em 2005, tive a honra de filmar um show massa. Procurei agora a fita e achei! Uhuu!! Presente! Eita que momentos sagrados! De cara, o encontro dele com Erickson Luna. Tavam felizes! A Má Companhia tava feliz!A cidade tava feliz! Vou postar a filmagem bruta, dos tempos quando comecei a filmar e vivia com a câmera e poucas fitas e uma só bateria.</em></p>
<p><em>Há não muito tempo fui na bela casa da UBE/PE pro lançamento de mais um livro de Cristiano Jerônimo, livro este ilustrado por Lula. As imagens estavam expostas nas paredes. Nesse dia Lula recebeu carteira de sócio efetivo da UBE, retroagindo o ano de admissão a 1972, quando lançou o Livro das Transformações. E também nessa noite, ouvi o ‘discurso’ mais sagrado que já ouvi. Augusto!<br />
</em></p>
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<p><em>Fazia sete anos que eu não brincava Carnaval. Este ano resolvi ir ao centro do Recife. No domingo soube que iria ter show de Lula no Pátio de São Pedro. Quando cheguei tava rolando uns Afoxés e mais tarde rolou o show dele. Foi estranho! Ouvi umas três músicas meio de longe e resolvi ir embora. Mas antes de partir fui lá na frente do palco e fiquei olhando ele de perto. Já tava na travessia, e eu já sentia.</em></p>
<p><em>Tava na manhã de hoje no CEL (Centro de Educação e Lazer) quando o telefone de meu cumpade Moa tocou e ele me deu a notícia da partida de Lula. Baque. Luz. Já noite, olhando estrelas, lembro de ‘Desengano’. Choro, de Amor.</em></p>
<p><em>Guerreiro Sagrado Rola qual Pedra, Azul, Encandeia&#8230; em Tempos onde Netuno retorna a Peixes.</em></p>
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		<title>&#8216;American pie&#8217;, word by word</title>
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		<pubDate>Sun, 27 Feb 2011 15:14:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<title>As viagens de Alice</title>
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		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 16:12:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Investigações paralelas]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>

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<p style="text-align: center;"><a href="http://pics.livejournal.com/e14/pic/000qy48c"><img class="alignnone" src="http://pics.livejournal.com/e14/pic/000qy48c" alt="" width="500" height="370" /></a></p>
<p style="text-align: center;">
<p style="text-align: center;"><a href="http://pics.livejournal.com/e14/pic/000r5qr7"><img class="aligncenter" src="http://pics.livejournal.com/e14/pic/000r5qr7" alt="" width="500" height="370" /></a></p>
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