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	<title>Soy Loco Por Ti, América &#187; Metareciclagem</title>
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	<description>Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina</description>
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		<title>Relato das ações no Coque Livre</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 18:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
		<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Coque]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Vou postar aqui nos próximos dias algumas reflexões sobre os ciclos de atividades do Projeto Coque Livre, que implementamos em 2011 na comunidade do Coque, centro do Recife. Os textos têm uma pegada um tanto acadêmica &#8211; sobretudo a parte inicial, em que segue uma introdução a alguns conceitos que permearam as oficinas dos ciclos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Vou postar aqui nos próximos dias algumas reflexões sobre os ciclos de atividades do <a href="http://www.locoporti.blog.br/oficinas-do-coque-livre-comecam-amanha/" target="_blank">Projeto Coque Livre</a>, que implementamos em 2011 na comunidade do Coque, centro do Recife. Os textos têm uma pegada um tanto acadêmica &#8211; sobretudo a parte inicial, em que segue uma introdução a alguns conceitos que permearam as oficinas dos ciclos. Isso porque precisaremos apresentar esses relatos ao CNPq, que financiou as atividades. </em><em>Nos próximos dias coloco as descrições das atividades mesmas. </em></strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>1. Análise crítica das bases teórico-metodologias das oficinas de mídias livres</strong></p>
<p>As oficinas com tecnologias livres baseiam-se teórica e metodologicamente no  que podem ser chamadas &#8216;ações coletivas com mídias livres&#8217;. Tais ações expressam um conflito e uma oposição ao modo com que os bens informacionais são comercialmente produzidos e controlados, bem como os objetivos dessa produção. Considerar como eixo característico a disposição antagonista implica em reconhecer a existência de questionamentos coletivos quanto à legitimidade do poder  e ao modelo estabelecido para o uso dos recursos sociais – esses princípios conduzem a base metodológica e filosófica das oficinas.</p>
<p>O sentido das oficinas com tecnologias livres está associado à criação de condições estruturais e conceituais para a produção, circulação, apropriação e usufruto de conhecimento, informação e cultura fora das hostes comerciais. Em termos filosóficos,  essa orientação, que prevalece sobre as outras linhas de atuação, expressa a atualização da análise de Ranciére (1996) para a emergência do exercício da política, com uma correspondente instituição de uma outra ordem do sensível. Ou seja a criação de tais condições estruturais e conceituais se vincula a um virtuoso processo de atualização da reivindicação da parcela dos que não têm parcela, da reivindicação da fala, do dissenso, da possibilidade e das condições para a expressão do desentendimento em relação a como se reparte o todo, entre os que têm parcela ou partes do todo e os que não têm nada.</p>
<p>Por outro lado, é possível considerar o modelo predominante de &#8216;inclusão digital&#8217; ancorado à lógica da Justiça Distributiva . Nesse sentido, tal modelo também precisa ser compreendido sob os eflúvios das mudanças pelas quais passa o capitalismo pós-industrial – sobretudo naquilo que se refere à crise da noção de valor, que acompanha tais alterações sistêmicas. Se é verdade que no capitalismo pós-industrial não é mais no produto, na matéria, que se concentra o centro do valor, mas no conhecimento, na forma de se organizar e modelar a inteligência coletiva, então à Justiça Distributiva deve-se interpor um outro front de crítica – inclusive como forma de enquadrar e compreender  a perspectiva, os discursos e a programática de ações coletivas que lançam mão de tecnologias livres.</p>
<p>É necessário, antes de continuar, deixar claro a que se refere esse termo. As &#8216;tecnologias livres&#8217; a que nos referimos são constituídas por softwares e hardwares que permitem que sejam usados, copiados, estudados e redistribuídos sem restrições, o que implica que as modificações feitas tanto em programas quanto nos equipamentos físicos podem se realizados e compartilhados também sem restrições. O conceito de &#8216;livre&#8217; se opõe ao de restritivo e à noção de software proprietário, cujas alterações no seu código de funcionamento são vedadas. Tanto softwares livres quanto hardwares livres são vinculados a licenças de uso que visam garantir as liberdades de execução, distribuição, modificação e repasse sem que para isso seja necessário a permissão do(s) autor(es) (Torvalds &amp; Diamond, 2001). Portanto, para tecnologias livres estão associados licenças de uso que procuram garantir<br />
•    A liberdade de executar o programa ou de uso do hardware, para qualquer propósito;<br />
•    A liberdade de estudar como o programa ou hardware funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte, no caso dos softwares, é um pré-requisito para esta liberdade;<br />
•    A liberdade de redistribuir cópias de modo que se possa beneficiar o próximo;<br />
•    A liberdade de aperfeiçoar o programa e/ou hardware, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.<br />
Portanto, o uso do termo tecnologia livre nesse texto considera será considerado livre se todos os seus usuários tiverem essas quatro liberdades.</p>
<p style="text-align: left;"><span id="more-2562"></span><br />
Ora, sabemos que no capitalismo em sua fase industrial, a organização do trabalho dispõe os sujeitos em um sistema de trabalho – a linha de montagem – na qual suas capacidades subjetivas e criativas são sublimadas. Isso não implica que não haja criatividade e mesmo inovação na indústria, como os sucessivos processos de adaptação a demandas de mercado e/ou crises financeiras revelaram. Mas a previsibilidade é uma exigência dessa etapa, assim como uma política de escassez que regule as cópias da produção; e explicite e especifique o custo de um novo produto (ou do erro em sua fabricação, quando ocorre) a partir da necessidade de mais matéria-prima e de tempo para sua transformação.</p>
<p>A organização dos sujeitos em classe – a um tempo, uma distribuição econômica, mas também simbólica – expressa e condiciona esse quadro político-econômico: ao proletário não cabem o direito nem alternativas para que suas experiências sensíveis e subjetivas interfiram nos processos de transformação da matéria-prima (Gorz, 2005).</p>
<p>Assim, enquanto o trabalhador opera (não se realiza) no espaço quadriculado do chão de fábrica, com o ganho definido, com o movimento repetitivo, os proprietários dos meios de produção operam de forma dinâmica, em alguns casos alocando de forma nômade seu capital, assumindo papéis, posições e ganhos variados num sistema de hierarquia nítida e bem demarcada.<br />
Há portanto uma definição do lugar do sujeito na ordem estética e na indústria, além de uma concepção de valor específica, centrada no “produto”.</p>
<p>A Justiça Distributiva reedita a organização dos sujeitos a partir dessa distribuição de lugares com base econômica (a classe) e simbólica, na qual o papel que cabe ao sujeito que não detém os meios de produção é o de mero usuário ou de peça do sistema produtivo, e não a de produtor de valor, em face a suas experiências sensíveis e subjetivas. O que está subsumido aí é uma relação tutelada com o objeto técnico usado para a produção de valor, em que a autonomia é extremamente limitada em função dos interesses do comércio e da indústria. O sujeito lida com caixas pretas, cuja lógica de funcionamento interno é uma prerrogativa de elites logotécnicas que servem à indústria (Neves, 2006). A desnecessidade de saber como tal objeto técnico funciona, ou é produzido, ou pode ser modificado e melhorado exprime a dificuldade de sua apropriação imposta pelo sistema produtivo industrial e a consequente tutela do valor produzido. Essa condição foi assimilada pelo senso comum e não é questionada – o corolário dessa dessa lei de mercado é a impossibilidade de se ver as vias abertas ou por emergir da interferência criativa sobre as ferramentas de produção de valor.</p>
<p>A Justiça Distributiva por fim reedita e renova o regime discursivo e estético no qual ao trabalhador está reservado a ação calculada, previsível, controlada, sem margem para a expansão da criatividade e da inovação, a partir de sua vida, que operem sobe o sensível, o dizível e o visível. O modelo hegemônico dos programas de inclusão digital expressam essa distribuição econômica e simbólica na medida em que refletem o relacionamento com o objeto técnico no qual os “beneficiados” têm acesso a caixas pretas, em função do que seu uso é tutelado, é comprometida a autonomia e limitadas as possibilidades de expressão em face a experiências sensíveis e subjetivas.</p>
<p><strong>x.x.x.x.x</strong></p>
<p>Os ciclos planejados e executados ao longo do Projeto Coque Livre, por outro lado, basearam-se no que pode ser nomeado “ações coletivas com tecnologias livres”,  que praticam uma perspectiva oposta à dos programas &#8216;tradicionais&#8217; de inclusão digital, e na qual são tecidas as condições de possibilidade para que aconteça uma apropriação crítica das tecnologias; apropriação esta que torne possível a produção de valor com base na improvisação contínua, na comunicação, nas subjetividades culturalmente construídas, nas relações afetivas, no cotidiano sensitivo das comunidades envolvidas. Assim, uma linha de fuga se estabelece, explicitando o aspecto não-utilitarista dos processos de ensino-aprendizagem inspirados nasações coletivas com mídias livres que se pretendeu implementar nesse projeto.</p>
<p>O trabalho imaterial que se desprende dessas potencialidades está afinado com aquilo que André Gorz pontuou como sendo o “trabalho da produção de si” (GORZ, 2005). Nesse sentido, o caminho que se pretendeu traçar nos Ciclos é tal que permite contribuir para a construção de espaços (lógicos, físicos e afetivos) que permitam a expansão das potências criativas, a quebra da previsibilidade  e a superação da relação industrial entre projeto e produto.</p>
<p>Essa abordagem não-utilitarista permeia a apropriação crítica de ferramentas e de linguagens de expressão, de modo que é por si já uma alternativa à lógica de mercado, da preparação da mão-de-obra e do &#8216;produto&#8217;, que habitam as entrelinhas dos programas de inclusão digital. Essa apropriação crítica de ferramentas da informação e comunicação, fomentadas nas e pelas ações coletivas com tecnologias livres, é um objetivo que tem o potencial de se tornar possível ao se lançar mão de tecnologias livres, de metodologias e de referências discursivas que precisam ser pontuadas.</p>
<p>É necessário observar inicialmente a perspectiva que procura adequar às necessidades simbólicas, aos espaços disponíveis e/ou construídos coletivamente nas comunidades e ao cotidiano delas a implementação dos ambiente de conexão à internet que servem às comunidades – os telecentros. Nestes casos a instalação dos computadores é um processo realizado com os futuros usuários deles, em oficinas nas quais as máquinas são literalmente desconstruídas. As máquinas são abertas e seu interior esquadrinhado em atividades cujo resultado é o funcionamento de um número mínimo de computadores em rede, conectados à internet. Mas que implica também num processo de desmistificação do artefato, e que contribui para que ele não seja manuseado com &#8216;excessivo respeito&#8217;, como um outro externo e distante.   A ideia que permeia isso é a noção de que é possível interferir sobre a tecnologia, o que por seu lado também se vincula a uma perspectiva antiutilitarista, e contribui com outros processos de aprendizagem, de formação de identidade, de pertencimento, de expressão de relatos e subjetividades que não encontram espaço nos canais comerciais de comunicação; de veiculação de reivindicações variadas. A &#8216;capacitação&#8217; não é um elemento prioritário embora acabe ocorrendo também.</p>
<p>Aplicado às tecnologias digitais, aos computadores pessoais e à eletrônica embarcada em equipamentos de uso cotidiano, o conceito passa a se referir à transformação do computador de uma mera ferramenta de trabalho (inacessível e desconhecida) em um instrumento de comunicação sobre o qual os sujeitos podem intervir; e de uma nova linguagem de criação e expressão para  refletir as necessidades locais de cada comunidade.</p>
<p>Nesse sentido, o relacionamento com os aparatos técnicos colocados em prática nas oficinas procuraram colocar em suspensão a técnica como algo natural (positivo) ou artificial (negativo). E tomam-na como algo sobre o qual é ainda possível atuar. Nesse sentido, Simondon chama atenção para o trabalho do artesão, que é baseado numa organização analítica, deixando sempre a via livre a novas possibilidades. Diz Simondon:</p>
<p><em>&#8220;estas possibilidades são a manifestação exterior de uma contingência interior. No afrontamento da coerência do trabalho técnico com a coerência do sistema de necessidades de utilização, é a coerência da utilização que vence porque o objeto técnico (construído) sob medida é de fato um objeto sem medida intrínseca; as suas normas vêm-lhe do exterior: não realizou ainda a sua coerência interna; não é um sistema do necessário; corresponde a um sistema aberto de exigências&#8221;.  (SIMONDON, 1989b, p. 23).</em></p>
<p>Em Deleuze, surge a possibilidade de pensar a técnica, não como o  domínio global e totalizante, mas como multiplicidade que permite uma incessante produção a partir dela mesma, uma produção por atualização de uma instância virtual, ou seja, da Diferença. A margem deleuziana, outra importante referência filosófica para as práticas das oficinas, permite ver a técnica como produtiva, dinâmica, alucinada e, ao mesmo tempo, não abortiva, não finalizadora, não destrutiva.</p>
<p>De forma virtuosamente não-utilitarista, a técnica é tomada como multiplicidade, a uma multiplicidade solta das amarras da medição e da organização de forças previamente determinadas. É essa perspectiva, tornada plástica, que anima as apropriações realizadas pelas ações coletivas com tecnologias livres em geral e as oficinas realizadas no Coque Livre em particular.</p>
<p>Uma das consequencias da forma coletiva de construção (ou de reorganização) de um telecentro descrita acima (ou da execução de projetos como os realizados nos ciclos do Coque Livre, descritas abaixo) é que os resultados da interação coletiva passam a ser entendidos pelas comunidades onde funcionam como espaço, objetos, equipamentos sobre o qual todos têm responsabilidades e acesso. É da mesma ordem de apropriação o uso que dele emerge. No caso de telecentros, a função que eles assumem vai bem além da capacitação da mão de obra para o mercado de trabalho. E é nesse sentido que se torna possível a superação da noção utilitária em que se ancora boa parte dos modelos de inclusão digital sob a lógica da Justiça Distributiva. Como já mencionado, outros elementos emergem em sintonia com demandas de ordem imaterial de pessoas e grupos.</p>
<p>Desse processo-percurso, em busca da apropriação crítica de tecnologias, faz parte o uso de softwares livres – a começar pelos sistema operacionais, o pacote de programas através dos quais nós nos relacionamos com a máquina. O uso de softwares livres, aliás, é uma condição (não a única) para a efetividade dessa apropriação – sendo tanto mais profunda quanto mais longa possível é o tempo de utilização de tais tecnologias. Eles oferecem a possibilidade de que o uso dos instrumentos de produção de valor não aconteça de forma tutelada, em função dos interesses estabelecidos pela indústria do software proprietário; acena com a possibilidade de conquista de autonomia no trato com os equipamentos; e o relacionamento com uma economia de bens simbólicos calcada na abundância de recursos. Como os softwares livres  são abertos à modificação por qualquer pessoa, de acordo com suas necessidades, abre-se a possibilidade para a criação, para a transformação, para a expressão de talentos, subjetividades e inovação em um patamar que não é possível quando se utilizam softwares proprietários.</p>
<p>O entendimento de que tais ferramentas são sempre passíveis de serem retiradas do modelo de uso atribuído pelo trabalho industrial expressa uma posição política. A &#8216;apropriação&#8217; &#8211; celebrada palavra usada nos &#8216;tradicionais&#8217; projetos de inclusão digital –, ganha um status radical, na medida em que é pensada para ocorrer na zona obscura, entre a forma e a matéria, entre as essências formais e as  coisas formadas, o que abre férteis possibilidades para a subversão dos objetos técnicos desenvolvidos, criados e construidos pelas instâncias comerciais no/do capitalismo tardio.</p>
<p>A criação de dispositivos a partir de sucata, a partir de objetos convencionais, do dia a dia, postos em interação com dispositivos computacionais também constituem processos de ensino e aprendizagem não convencionais que abrem múltiplas possibilidades de expressão e formação. Nesses casos lança-se mão do uso de arduinos , de hardwares livres, do hackeamento  de equipamentos, mas sobretudo das demandas de ordem subjetiva vivenciadas pela comunidade onde se desenvolve a ação.</p>
<p>Nesse sentido, uma das ações mais relevantes é o projeto Mimosa (Máquina de Intervenção Urbana e Correção Informacional) – aplicada numa dos ciclos do Coque Livre. Consiste em oficinas de mídia e mobilização através das quais se realiza a montagem de um estúdio portátil móvel de gravação, produção e veiculação de mídias – geralmente montado em um carrinho de super-mercado – ou qualquer outra base, desde que móvel. Diversas Mimosas já foram criadas em diferentes projetos de inclusão digital na linha que vem sendo aqui exposta. Ao longo de seu processo de construção, explicam-se, aos integrantes da comunidade que participam do processo, equações de primeiro grau, elementos básicos de programação computacional, do funcionamento e montagem de placas de circuitos elétricos, de elementos básicos de eletrônica ao mesmo tempo em que se procura identificar os relatos que os integrantes da oficina gostariam de gravar, provocar, veicular. A experiência dessas oficinas revela um profundo processo de reconhecimento e construção identitária para além do que a lógica utilitarista dos &#8216;tradicionais&#8217; programas de inclusão digital permite alcançar. É interessante observar ainda que o nome e a construção da Mimosa incorpora algo mais: o humor, o carinho, o afeto são elementos tão sólidos e necessários quanto as placas de circuito que permitem a mobilidade da máquina que grava e reproduz relatos, reivindicações, histórias, vivências, experiências.</p>
<p>A principal inspiração fornecida pelas ações coletivas com tecnologias livres trouxeram para o âmbito das oficinas nos Ciclos do Coque Livre é que os agenciamentos sócio-técnicos atuais não precisam ser de um único modo – ou em uma única direção, utilitarista –, aquele em que, aliás, o “processo industrial do grande degrada mais as reservas humanas e materiais do que ele próprio pode criar ou regenerar”, (SLÖTERDJIK, 1999, p. 78)</p>
<p>O que a teorização deleuziana permite observar é que o que muda substancialmente não são as ligações com os objetos técnicos, mas antes a consciência dessas ligações e os modos não industriais e não comerciais que elas podem tomar. Estas passam necessariamente pelas artes do fazer cotidiano, pelos afetos, pelas manipulações singulares de instrumentos e dispositivos, pelas experiências que se abrem a subversões do aparato tecno-midiático instituído, pelas possibilidades reais de se criar um espaço-tempo de subversão das práticas e teorias sobre tecnologia e cultura.</p>
<p>O que a teorização de Simondon, retomada por Deleuze, aponta é uma sucessão de estados metaestáveis em que o objeto técnico nessa perspectiva é pensado e transformado, apropriado e re-significado por práticas artesãs. É uma realidade em fluxo, nômade, de busca do objeto técnico, de busca pela apreensão e apropriação do objeto técnico e que permite que a operação tecnológica seja separada do modelo de trabalho estanque, passando a se sujeitar a operações de deformação, a operações que se aproximam mais de uma modulação do que de uma moldagem.</p>
<p>Nas oficinas realizadas no Coque Livre procurou-se operar sobre/nessa zona obscura da individuação dos objetos técnicos, abandonando a divisão estanque entre a essência da coisa e a coisa formada. As formas pelas quais essa zona obscura da individuação é iluminada permitem a criação de condições estruturais e conceituais para a produção, circulação, apropriação e usufruto de conhecimento, informação e cultura fora das hostes comerciais.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Referências até aqui.</strong></p>
<p style="text-align: left;">TORVALDS, Linux. e DIAMOND, David. <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=559929&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">Só por prazer. Linux: bastidores de sua criação.</a> Rio de Janeiro: Editora Campus, 2001.</p>
<p>GORZ, André. <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=7005615&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">O Imaterial: Conhecimento, Valor e Capital</a>.  Annablume, 2005.</p>
<p>SLÖTERDIJK, Peter . <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=201393&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">No mesmo barco. Ensaio sobre a hiperpolítica</a>. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 1999.</p>
<p>SIMONDON, G. L&#8217;individu et sa genèse physico-biologique, Paris: PUF, 1964.</p>
<p>___________. L&#8217;individuation psychique et collective, Paris: Aubier, 1989a.</p>
<p>___________. Du mode d&#8217;existence des objets techniques, Paris: Aubier, 1989b.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><strong>Nos próximos dias vou postando o restante do relatório.  O próximo ponto é a análise dos ciclos. </strong></p>
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		<title>Sobre o momento digital</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 17:30:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
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Rodrigo Savazoni, na Revista Zona Digital




O teórico do ciberespaço Howard Rheingold afirma em seu livro Smart  Mobs (Multidões inteligentes), ainda não traduzido para o português,  que, do ponto de vista tecnológico, nosso mundo vem se transformando não  pela ação dos líderes industriais estabelecidos (como já ocorrera com o  surgimento da internet [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://29.media.tumblr.com/tumblr_lr370fa5if1qz6f9yo1_500.jpg"><img class="alignnone" src="http://29.media.tumblr.com/tumblr_lr370fa5if1qz6f9yo1_500.jpg" alt="" width="499" height="368" /></a></p>
<p style="text-align: right;">Rodrigo Savazoni, na <a href="http://zonadigital.pacc.ufrj.br/reflexoes-criticas/sobre-o-momento-digital/" target="_blank">Revista Zona Digital</a></p>
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<p><em>O teórico do ciberespaço Howard Rheingold afirma em seu livro Smart  Mobs (Multidões inteligentes), ainda não traduzido para o português,  que, do ponto de vista tecnológico, nosso mundo vem se transformando não  pela ação dos líderes industriais estabelecidos (como já ocorrera com o  surgimento da internet e dos computadores pessoais), mas pela força de  “pequenos grupos de jovens empreendedores e de associações de  aficcionados”. Aliás, Rheingold, nessa passagem, reforça: “sobretudo por  meio de associações de aficcionados”.</em></p>
<p><em>Também não é por meio dos líderes estabelecidos e das forças  tradicionais que a política se reinventa e se reforça, mas sim pela ação  de grupo de “jovens realizadores”, cujo objetivo é a construção de  novos territórios para as causas comuns. No Brasil, são justamente esses  “jovens realizadores”, ativistas conectados à internet, os arquitetos  dos movimentos sociais do século 21. Por meio de projetos democráticos e  métodos provocativos, esses agrupamentos contemporâneos estão  confrontando forças estabelecidas de nossa sociedade e já fazem algum  barulho.</em></p>
<p><em>Uma característica (1) desse movimento é que ele provém de  articulações cuja origem não está nas estruturas partidárias, sindicais  ou mesmo nos movimentos sociais  surgidos nas três décadas anteriores  (como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST – ou mesmo as  grandes associações de lutas por direitos humanos e sociais – como  Ibase ou Ação Educativa, para ficar em apenas dois exemplos). São, acima  de tudo, forças articuladas em rede, com forte influência do uso das  novas tecnologias de informação e comunicação, que nem sequer podem ser  chamadas de “organizações”.</em></p>
<p><em>Outro aspecto importante (2) é que são grupos que não se prendem a  filiações ideológicas rígidas. Sua marca é a ação. São ideólogos da  prática. Pode-se tentar compreendê-los buscando referências na esquerda  libertária, de onde provém muitos dos princípios dessas articulações,  mas boa parte de seus participantes não se furta a saquear métodos e  símbolos extraídos da cultura corporativa. Há uma forte conexão com o  altermundismo, o movimento por uma outra globalização que se espraiou no  final dos anos 1990 e no início da primeira década do século 21, tendo  nos Dias de Ação Global e no Fórum Social Mundial seus grandes momentos  de reunião e expressão,  mas somente essa filiação não explica o que  está ocorrendo.</em></p>
<p><em>Se aproximarmos nossa lupa, cresce a imagem da cultura digital, que,  conforme nos explica o professor André Lemos, da Universidade Federal da  Bahia, se forja a partir do surgimento da internet e da popularização  da microinformática, processos iniciados no final dos anos de 1970. Essa  cultura ganha impulso adicional e assume sua forma mais visível com a  aparição da web, nos anos 1990. Trata-se de uma cultura baseada na  recombinação e na colaboração que se alastrou pelo planeta e produziu um  curto-circuito no comportamento, na economia, nas artes, na mídia e,  evidentemente, na política.</em></p>
<p><em>A percepção dessas transformações, com a massificação das  tecnologias, só faz crescer. Com suas ferramentas digitais, esses  “jovens realizadores” não só descrevem a realidade, mas acima de tudo  transformam-na. Técnica e política, neste debate, jamais podem ser  observadas em separado.</em></p>
<p><em>Por fim (3), outra característica da articulação desses “jovens  realizadores” tecnológicos é a busca pela radicalização da política e da  democracia, que vêm sendo paulatinamente aprisionadas pelos interesses  econômicos e pela vacilações do representantes políticos tradicionais.  Portanto, não se trata de um movimento de negação da política, mas de  confrontação das estruturas e dos representantes desse mundo caduco.</em></p>
<p><em><strong>Expoentes da transformação em curso</strong></em></p>
<p><em>Destaco três redes como aquelas que são os expoentes do que descrevi  acima. A rede Transparência Hacker, a rede Metareciclagem e a rede Fora  do Eixo. Na sequencia, faço uma rápida descrição das três, para que  posteriormente possamos avançar no debate.</em></p>
<p><em>A Transparência Hacker (1) é uma comunidade formada por ativistas,  jornalistas, programadores e gestores públicos que conta com cerca de  800 membros em sua lista de discussão[1]. Essa rede conta com apoio do  escritório brasileiro do W3C, a instituição criada por Tim Berners Lee  para manter a world wide web (www) aberta e livre.</em></p>
<p><em>De acordo com Daniela Silva, da Esfera e da Casa da Cultura Digital,  uma das principais articuladoras da rede, não existem regras prévias  para participar da #THacker, mas sugere que a “colaboração, liberdade,  autonomia, ética hacker, abertura para formas novas de agir e de pensar  sobre o mundo, valores políticos emergentes e mutáveis (ou mutantes) e  um certo gostinho pela provocação” são as principais características do  movimento. Como está escrito na página do coletivo na internet,  interessam “ideias e projetos que utilizem a tecnologia para fins de  interesse da sociedade” e sua vocação específica é exigir a abertura dos  dados governamentais. Ou seja, os ativistas querem que o estado, na era  da informação, compartilhe com os cidadãos suas informações, o que por  si só se constitui em uma forma de compartilhar poder.</em></p>
<p><em>A rede Metareciclagem (2) é pioneira desse movimento, tendo surgido  no contexto do Fórum Social Mundial. Sua lista, que pode ser acessada  por meio do site http://www.metareciclagem.org está ativa há oito anos.  De acordo com Felipe Fonseca, um dos articuladores desse coletivo, “a  metareciclagem é mais um foco de potência de ação política – porque as  pessoas trocam entre si – do que uma instância política autônoma, que  tenha uma coerência”. No início da política pública dos Pontos de  Cultura, muitos dos ativistas desse coletivo trabalharam na elaboração  do que viria a constituir os Kits Multimídia e a ação cultura digital,  cujo objetivo é promover a criação tecnológica utilizando ferramentas  livres. Fonseca é autor do livro Laboratórios do Pós-Digital, disponível  para download no endereço  http://efeefe.no-ip.org/livro/laboratorios-pos-digital, no qual  apresenta muitas das questões centrais da reflexão da Metareciclagem.</em></p>
<p><em>O (3) Fora do Eixo (www.foradoeixo.org.br), por sua vez, é uma rede  de coletivos de produção cultural que está presente em todos os estados  do Brasil. Iniciada em 2005, por meio de uma parceria entre produtores  das cidades de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina  (PR), a rede foi crescendo e hoje é tida como a principal força  político-cultural surgida no país nos últimos anos. Somente no ano  passado, mais de 5 mil bandas circularam por meio das ações dos  coletivos que integram essa rede. A partir das articulações por eles  lideradas, foram promovidas ações como a criação da Associação  Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin)[2], e a criação do  Partido da Cultura[3], que vem buscando interlocução com a classe  política tradicional sobre questões de interesse das novas gerações, e  as Marchas da Liberdade[4], movimento que este ano levou às ruas de  várias cidades militantes em defesa das liberdades. Entre as inúmeras  inovações introduzidas por esse coletivo de coletivos, está a de  utilizar a economia solidária para construir relações sociais  diferenciadas entre sua rede de produtores e ativistas.</em></p>
<p><em><strong>Política Tropicalista</strong></em></p>
<p><em>Descritos os exemplos que nos interessam, podemos prosseguir.</em></p>
<p><em>Durante os oito anos de governo Lula, esses “jovens realizadores”,  adeptos de novas formas de fazer política, foram co-gestores de  políticas públicas. Isso ocorreu especialmente no Ministério da Cultura,  instituição que se apresentou como importante indutor do crescimento  dos coletivos, dando a eles o reconhecimento institucional que, em  geral, articulações de perfil libertário não recebem.</em></p>
<p><em>Essa configuração, porém, não foi especificidade da Cultura, posto  que o diálogo entre os ativistas e o governo federal daqueles tempos  propiciou: 1. as ações em defesa do software livre (que é a matriz  ideológica de boa parte dos movimentos políticos e sociais em rede); 2.  as políticas públicas em favor do compartilhamento do conhecimento, como  o programa Cultura Viva (dos Pontos de Cultura), a defesa da reforma da  Lei de Direitos Autorais (LDA), além de um conjunto de iniciativas mais  pontuais, como o diálogo com a blogosfera, os Pontos de Mídia Livre e a  rede CulturaDigital.Br; 3. a proposição de um Marco Civil de direitos  dos cidadãos digitais pelo Ministério da Justiça, legislação elaborada  de forma aberta e compartilhada (veja o site  www.culturadigital.br/marcocivil).</em></p>
<p><em>Conforme afirma Hermano Vianna, em Políticas da Tropicália:</em></p>
<p><em>“Talvez os softwares livres do ministro Gilberto Gil criem um  ciberespaço onde o espírito tropicalista se reproduza em inteligências  artificiais e virtuais, na periferia de um novo império americano que o  rock amado com tanto custo por determinados jovens baianos dos anos 60  nem sequer podia imaginar”.</em></p>
<p><em>Hermano utiliza neste texto, escrito há alguns anos, a expressão  “talvez”, porque sabia que a reação de setores privilegiados pelas  políticas de estado não tardaria a ocorrer.  Atualmente, essa delicada  relação entre os “novos agentes” e o governo popular” está escorrendo  pelos dedos. O portal rumo ao desconhecido que se abriu durante o  governo Lula, a nova gestão do Ministério da Cultura de Dilma Rousseff –  e sua mudança de orientação – fechou. Com Luiz Inácio Lula da Silva e  Gilberto Gil havia-se aberto um trilha de transformações profundas, no  plano da existência e dos símbolos, que abalou estruturas. Aqueles que  sempre foram privilegiados e entre 2003 e 2010 foram confrontados  reagiram, organizando um movimento de reconquista que conta com a  aderência de parte da esquerda tradicional.</em></p>
<p><em>O recorte tropicalista das políticas culturais, com sua opção de  fomento das dissidências e estímulo às bordas do sistema (ou mesmo por  aqueles que só se divisa a partir de dobras) – que é, conforme a citação  de Rheingold no início deste texto, onde a inovação reside, o caldo da  transformação entorna e a vida parece poder superar o capital –  tornou-se contraditoriamente foco da ira dessa estranha aliança entre  setores da esquerda e do empresariado da comunicação e da cultura. Esse  movimento – é bom lembrar – não é privilégio do Brasil, mas sim uma  reação global[5] à cultura digital.</em></p>
<p><em><strong>Em busca de uma democracia biopolítica</strong></em></p>
<p><em>É preciso mais uma vez reforçar: a essência dos movimentos da cultura  digital provém do software livre. No início dos anos 1980, um grupo de  engenheiros liderados por Richard Stallman criou a Free Software  Foundation (FSF), organização com o objetivo de defender a colaboração e  o compartilhamento quando os softwares começavam a se tornar  instrumentos de enorme ganho financeiro. Para maximizar seus  vencimentos, as empresas de tecnologia começaram a adotar patentes e  mecanismos de proteção de propriedade intelectual, contrariando assim a  essência do desenvolvimento científico, que é baseado na evolução a  partir do conhecimento acumulado.</em></p>
<p><em>Para “amarrar” a liberdade de compartilhar ao modelo de  licenciamento, a FSF criou um modelo alternativo (a licença GPL), que  passou a ser utilizada pelos desenvolvedores no mundo todo. Essa ação,  aparentemente técnica, embutia um confronto político que cresceria desde  então: o da luta contra a propriedade na era do conhecimento.</em></p>
<p><em>É justamente essa visão de superação da propriedade privada que  constitui o diferencial do movimento de cultura digital[6]. Era essa  visão que estava a nortear as políticas públicas desenvolvidas durante o  governo Lula. Uma construção que poderia apontar para  uma democracia  biopolítica, nos termos que propõe Peter Pál Pelbart, com base nos  escritos de Deleuze, Foucault, Negri, Lazzaratto, Agamben, entre tantos  outros pensadores contemporâneos que atualizam nossa compreensão do  mundo.</em></p>
<p><em>Peço licença para uma citação do livro Vida Capital, de Peter Pál Pelbart:</em></p>
<p><em>“Podemos retomar nosso leitmotiv: todos e qualquer um, e não apenas  os trabalhadores inseridos em uma relação assalariada, detêm a  força-invenção, cada cérebro-corpo é fonte de valor, cada parte da rede  pode se tornar vetor de valorização e de autovalorização. Assim, o que  vem à tona, com cada vez maior clareza é a biopotência do coletivo, a  riqueza biopolítica da multidão. É esse corpo vital coletivo  reconfigurado pela economia imaterial das últimas décadas que, nos seus  poderes de afetar e ser afetado e de constituir para si uma  comunialidade expansiva, desenha as possibilidade de uma democracia  biopolítica”.</em></p>
<p><em>Essa capacidade de reinventar o viver, que está na essência do  confronto biopolítico, vejo explícita em dissidentes como o  Transparência Hacker, o Metareciclagem e o Fora do Eixo. Como são  projetos distintos, de formação distinta, ainda que com muitos pontos de  conexão, evidentemente que não caberia analisá-los por igual, mas se há  algo que é comum a todos eles é o permitir novas “formas de viver”,  constituindo-se como agentes  fundamentais no processo de construção  dessa “democracia biopolítica”. Daí que, se estamos falando de políticas  de esquerda, estimulá-los é uma obrigação.</em></p>
<p><em>Fato é, portanto, que algumas questões só poderão ser respondidas se  compreendermos que a inovação cultural passa por esses “jovens  realizadores”. Mais que de uma investigação aprofundada sobre o papel  desses coletivos – algo extremamente necessário[7] – temos necessidade  de políticas que os fomente e fortaleça. Era isso que vinha ocorrendo no  governo Lula e que com Dilma parece ter perdido o passo[8]. A  presidente parece não ter percebido que o investimento nos “jovens  realizadores” pode ser o diferencial do Brasil.</em></p>
<p><em>Para discutir essas questões, as redes e coletivos estarão presencialmente em contato na<a href="http://www.culturadigital.org.br/" target="_blank"> terceira edição</a> do Festival CulturaDigital.Br (que no início foi chamado de Fórum da  Cultura Digital Brasileira). O evento será realizado entre os dias 2 e 4  de dezembro, no Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna e no Odeon,  com patrocínio da Petrobras e apoio da Secretaria Estadual de Cultura.  Quando ainda se chamava Fórum, esse evento, que acima de tudo é um  processo de construção política, por meio do diálogo em rede, foi  realizado a partir de uma articulação da sociedade civil organizada e o  Ministério da Cultura. Seu objetivo inicial era ser um espaço de  elaboração colaborativa de políticas culturais para o Século 21, o  século das redes, da informação, da produção pós-industrial.</em></p>
<p><em>Atualmente, o Festival CulturaDigital.Br almeja ser um espaço de  encontro dos novos realizadores, produtores e ativistas que operam na  intersecção entre cultura, política e tecnologia, promovendo inovações. A  edição passada foi uma grande arena de contatos e encontros que vêm  reverberando desde então. Este é o momento digital.</em></p>
<p><em>[1] https://groups.google.com/group/thackday?hl=pt</em></p>
<p><em>[2] http://www.abrafin.com.br/</em></p>
<p><em>[3] http://partidodacultura.blogspot.com/</em></p>
<p><em>[4] http://www.marchadaliberdade.org/</em></p>
<p><em>[5] Na Espanha, a lei Sinde-Zapatero permite desconectar internautas  que “violem” direitos autorais; na França, a lei Hadopi abriu caminho  para criminalizar quem compartilha músicas, na Inglaterra, diante dos  protestos dos jovens, que se articulam em redes, o premiê propõe a  desconexão, no Egito, na Tunísia, na Líbia, em todo o norte da África,  computadores (re)agem…</em></p>
<p><em>[6] Para não ser acusado de tecnoutópico, registro que o capital se  propaga com força por meio das redes, e que a colonização da vida por  meio das tecnologias ocorre. No entanto, o fito desta nota é justamente  demonstrar que não existe resistência e superação ao capital fora desse  combate no plano das subjetividades.</em></p>
<p><em>[7] Vale destacar a tese de doutoramento de Hernani Dimantas, na  Universidade de São Paulo, sobre o Metareciclagem, trabalho executado  por um pesquisador que é também um dos mais importantes articuladores  dessa rede.</em></p>
<p><em>[8] O recente artigo do Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio  Mercadante, “As Razões do Diálogo com os Hackers” parece apontar para  uma nova abertura governamental para políticas de fomento às  dissidências: http://www.trezentos.blog.br/?p=6224</em></p>
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		<title>Começou mais um ciclo de oficinas do Projeto Coque Livre</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Aug 2011 17:02:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Já começou o penúltimo ciclo de oficinas do Projeto Coque Livre. Dessa vez as oficinas estão sendo dadas por Ricardo Brazileiro e por Ricardo Ruiz, que pretendem re-editar o Imersom, série de oficinas que mexeu com a criatividade da meninada a partir de experiências com hardware, programação básica, fotografia e web para construir um dispositivo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já começou o penúltimo ciclo de oficinas do Projeto Coque Livre. Dessa vez as oficinas estão sendo dadas por Ricardo Brazileiro e por Ricardo Ruiz, que pretendem re-editar o Imersom, série de oficinas que mexeu com a criatividade da meninada a partir de experiências com hardware, programação básica, fotografia e web para construir um dispositivo móvel que tivesse uma funcionalidade pra comunidade.</p>
<p>A idéia daquele ciclo era criar as condições para que a apropriação dos recursos tecnológicos e dos conhecimentos andassem de mãos dadas com afinidades e subjetividades dos alunos e que pudessem servir para a construção desse dispositivos, que teria (como teve) a capacidade de documentar imagens e sons.</p>
<p>O atual ciclo tem, no final das contas, o mesmo objetivo final, que é a construção de uma Mimosa, uma máquina afetiva para a documentação das vivências, experiências e histórias que os meninos acham interessante. Como tem sido feito até agora, o jeito de fazer com que a criação não seja somente de Ruiz e de Brazileiro, mas de todos eles, é a procura por abrir a caixa preta, por desconstruir o objeto técnico, ou a idéia de que ele é um estranho sobre o qual não se pode atuar.</p>
<p>Para isso, BraziZ montaram o quarto ciclo em três fases: na primeira procuraram apresentar pra meninada o HTML, como forma de introdução de uma linguagem de programação. O passo é necessário para que se possa depois jogar os conteúdos na web de uma forma que n]ao seja operacional, mas que se possa compreender a linguagemd e marcação que em parte torna isso possível.</p>
<p>A segunda etapa é uma introdução a linguagem de funções e isso ta sendo feito por meio da criação jogos, que funcionam por meio de comandos que orientam efeitos (funções) de movimentos, de reações, de sons, de quadros, e cenários.</p>
<p>E finalmente a terceira fase vai ser uma introdução à linguagem de códigos como forma de permitir que os meninos possam programar minimamente com pure data.</p>
<p>Já foram criados alguns sites, que por enquanto, estão rodando no servidor do laboratório do Coque Livre. Segundo relato de Ruiz, essa turma atual tá se apropriando de forma surpreendente o que ele e Brazileiro trazem para a sala de aula. Acredito que em grande parte a forma de divulgação (tanto diretamente no Neimfa quanto nas escolas da comunidade) ajudou a encontrar e sensibilizar uma meninada aberta e disposta às atividades.</p>
<p>Como já disse, a idéia geral é por um lado dar prosseguimento à documentação de vivências,d e vontades,de afetos, de relações,de histórias vivenciadas pela meninada ou por pessoas que eles achem que devem ser documentados a partir de um dispositivo técnico coletivamente gestado. Por outro lado, esse ciclo também tem sido uma continuidade do trabalho de integração de todas essas coisas com o projeto Cotidiano Sensitivo (<a href="http://cotidianosensitivo.info/blog/oprojeto/">http://cotidianosensitivo.info/blog/oprojeto/</a>).</p>
<p>O que mostra para todos nós as possibilidades de reflexão e de resultados, processos, “produtos” que podem emergir das interações nos ciclos do Coque Livre. Estamos pensando em fazer, para o próximo e último ciclo de oficinas. uma mescla das atividades desenvolvidas até aqui, mas ainda não começamos a pensar nisso de forma mais precisa.</p>
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		<title>Fluxos e novos cercamentos na circulação de bens imateriais</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/fluxos-e-novos-cercamentos-na-circulacao-de-bens-imateriais/</link>
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		<pubDate>Fri, 12 Aug 2011 18:06:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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Texto que sera apresentado no ALAS e que foi feito por mim e pelo Rafael Evangelista.
Introdução
Esse artigo procura lançar um olhar sobre os novíssimos cercamentos aos bens imateriais. Considera-se que duas dimensões contemporâneas &#8211; as tecnologias e as leis &#8211; operam no sentido de frear e/ou controlar as trocas simbólicas no ambiente, ainda comum, em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://30.media.tumblr.com/tumblr_lenxbo9yHq1qbw8y4o1_500.jpg"><img class="aligncenter" src="http://30.media.tumblr.com/tumblr_lenxbo9yHq1qbw8y4o1_500.jpg" alt="" width="520" height="520" /></a></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #993300;">Texto que sera apresentado no <a href="http://www.alas2011recife.com/" target="_blank">ALAS </a>e que foi feito por mim e pelo Rafael Evangelista.</span></strong></p>
<p><strong>Introdução</strong><br />
Esse artigo procura lançar um olhar sobre os novíssimos cercamentos aos bens imateriais. Considera-se que duas dimensões contemporâneas &#8211; as tecnologias e as leis &#8211; operam no sentido de frear e/ou controlar as trocas simbólicas no ambiente, ainda comum, em que tais bens são gerados. Ambos os processos estão na base dos arranjos monopólicos contemporâneos de produção de informação, cultura e conhecimento e expressam tanto num plano estrutural quanto num plano superestrutural a desigualdade das condições de participação e dos recursos de produção midiática. O artigo procura também refletir como projetos distintos para a circulação desses bens procuram controlar ou incentivar esses fluxos, disputa que se refletiu na recente re-orientação da política posta em prática pelo <a href="http://www.cultura.gov.br/site/" target="_blank">Ministério da Cultura do Brasil</a>.<br />
<span id="more-2378"></span><br />
<strong>Novos e velhos cercamentos ao commons</strong><br />
A despeito da tecnofobia que permeia a reflexão de <a href="http://educaterra.terra.com.br/voltaire/cultura/2004/01/09/001.htm" target="_blank">Marcuse </a>sobre as interconexões entre tecnologias e política, ela também fornece alguns elementos úteis para se identificar uma primeira instância do controle tecnológico sobre a produção, circulação e usufruto de bens simbólicos num ambiente social crescentemente tecnificado. Primeiro, contando com uma passividade do sujeito em relação ao objeto técnico (com o qual se produz, veicula e consome bens imateriais), este deve ser pensado como umi nstrumento também para a satisfação de necessidades criadas de forma externa. Nesse sentido, (o objeto técnico) se encaixa como mais uma comodidade entre as que já são oferecidas pelo sistema produtivo e seu caráter é francamente entorpecedor – assim como as outras comodidades que cercam os sujeitos.</p>
<p>Segundo, este objeto técnico sempre chega ao sujeito como caixa &#8216;preta fechada&#8217;, como um estranho desumanizado. Conhecer seu funcionamento é um atributo exclusivo duma elite logo-técnica. Não há que saber da sua natureza, mas do resultado que ele provê e quanto mais cômodo e eficiente, melhor – sendo esse justamente um componente da miríade de comodidades oferecidas pelo sistema técnico-racional.</p>
<p>Terceiro, o objeto técnico é dotado ainda de uma obsolescência acelerada e muitas vez falsa, que na verdade expressa uma necessidade do próprio sistema produtivo – nos termos de Marcuse, “o obsoletismo planejado deixa de ser custo improdutivo e se converte em elemento dos custos básicos de produção”.</p>
<p>A compreensão de Marcuse para o estabelecimento dessa “ambiência técnica”, a despeito das limitações que sofre (<a href="http://www.philosophie.uni-frankfurt.de/lehrende_index/Homepage_Honneth/index.html" target="_blank">Honneth</a>, 1999), fornece alguns subsídios para uma interpretação de como as tecnologias foram fundamentais, ao longo do século XX para impor restrições e controle à livre produção, circulação e consumo de bens simbólicos.</p>
<p>Virtuosamente articuladas, essas características integram uma primeira atualização da lógica de cercamento aos commons na forma de informação que coroou a consolidação da indústria de bens culturais. Tanto que a produção midiática ao longo do século XX, no senso comum, foi associada a uma propriedade logo-técnica exclusivamente industrial.</p>
<p>Mesmo o grosso dos estudos dos efeitos da cultura de massa, em suas diversas e ricas vertentes, trata o complexo industrial e comercial de bens imateriais dotando de uma quase-ontologia. Os requisitos técnicos e financeiros para as indústrias do entretenimento e comunicação necessários à emissão de ondas de rádio, para a construção de um canal de TV e captação e gravação de imagens, para a produção, edição e publicação de conhecimento e informação em meio impresso etc., naturalizaram a tal ponto a inacessibilidade da técnica também entre pesquisadores que parece natural afirmar que “a produção e circulação das formas simbólicas nas sociedades modernas é inseparável das atividades das indústrias da mídia (como o faz <a href="http://www.red.unb.br/index.php/les/article/viewFile/1325/981" target="_blank">Thompson</a>, 1998, p. 219), como se essa produção não pudesse ocorrer fora das indústria – ou apesar desta. A condição de impossibilidade em lidar com tais técnicas de produção midiática fora do circuito industrial comercial alcançou ao longo do século XX um estado tal que o “papel da mídia” foi<br />
tomado como o papel exercido (exclusivamente) pelas instituições da mídia corporativa.</p>
<p>Ainda que conhecimentos e espaços comuns (commons de informação e o commons básico para o broadcasting, o espectro eletromagnético) formassem a base necessária.</p>
<p>A segunda ordem de controles tecnológicos impostos à circulação de bens simbólicos se dá no ambiente de trocas globais – nesse sentido, é necessário considerar o processo de mundialização das técnicas de comunicação; a globalização da economia capitalista e a universalização de valores ocidentais, nos termos de Wolton (2004).</p>
<p>Nesse cenário, os processos comunicacionais, cognitivos e afetivos (relacionados à dimensão intangível do trabalho) ganham realce, tornam-se mais relevantes, moldando aquilo que diversos autores, entre eles Gorz (2005), Boutang (2004), denominam capitalismo cognitivo. Variados processos podem ser identificados como estruturantes dessa dinâmica: o aumento da esfera financeira da economia; a constituição de redes corporativas globais; a reestruturação da divisão sócio-técnica do trabalho e as formas de gestão distribuída; o fortalecimento da tecnociência; e de novos campos científicos como a neurociência, engenharia genética, nanociência e informática; a convergência da microeletrônica com a informatização.</p>
<p>Foi esse conjunto de avanços que permitiu a construção de redes telemáticas e o intensivo processo de digitalização e escoamento de bens simbólicos por essas mesmas redes. Mais ainda: o avanço da microeletrônica no último quarto do século XX não apenas fez surgirem os telefones celulares, os computadores de mesa e dispositivos de mídia portáteis. Permitiu também um forte e contínuo barateamento desses bens com a consequente disseminação de seu uso, com impactos sobre os formatos de registro e usufruto de bens imateriais – ainda que a distribuição desses bens não tenha se tornado universal, sobretudo em países como o Brasil. O desenvolvimento dessas condições técnicas de expressão acena com uma plataforma para mais intensa participação política; criam meios para fomentar uma cultura mais crítica e reflexiva e sugerem novas possibilidades para a superação do histórico de privatização do público, destituição da fala e a anulação da política.</p>
<p>Entretanto, como diversos autores têm mostrado (Benkler, 2006; Lazzarato, 2001; Lessig, 1999, 2005 e 2006; Silveira, 2005 e 2007 e outros), essas possibilidades ameaçam os modelos hegemônicos da produção e exploração industrial da informação, da cultura e do conhecimento. Esses autores mostram, de formas diferentes, que bens simbólicos, ante as possibilidades técnico-sociais de se converterem em (ou se manterem como) bens acessíveis a todos, são mantidos artificialmente como propriedades privadas e escassas, por meio de monopólios temporários e artificiais (amparados em marcos normativos) e de ferramentas tecnológicas, para continuar a serem vendidas como mercadorias. A percepção desse processo só começou na primeira década do século XXI e veio se juntar às críticas e às esperanças democráticas anunciadas pelo ambiente internet (críticas essas bem sistematizadas em Vaz, 2004; Gomes, 2005).</p>
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<p>É portanto sobre as redes telemáticas (principalmente a internet, a rede de redes), e sobre as possibilidades de digitalização de bens imateriais que incide a segunda ordem de controles tecnológicos que se pretende tratar. A análise da arquitetura, ou seja, do desenho, da composição orgânica e estruturação das redes digitais tem uma relevância que precisa ser reconhecida aqui. Porque o formato da comunicação broadcasting, rígida e estabilizada, condiciona a democratização da comunicação à exigência de mais canais de expressão aos diversos segmentos sociais, culturais e políticos – seja por meio da disponibilização de mais faixas de frequência do espectro eletromagnético, seja através da veiculação dessa heterogeneidade nos canais já legalmente estabelecidos. Num cenário de redes digitais, a democratização da comunicação e a diversidade cultural dependem (em grande parte, mas não unicamente) de uma arquitetura descentralizada, que assegure o livre fluxo de informações e a interatividade – que é limitada no modelo de comunicação broadcasting.</p>
<p>O trabalho de interpretação e análise realizado pelo jurista Lawrence Lessig a respeito dessa segunda ordem de controles e regulação passou a ser amplamente adotado no início da primeira década do século XXI. Apesar das críticas que recebeu, ela é útil por oferecer uma base de análise da conversão das redes digitais, de um espaço sem reis, presidentes e votações, (Lessig, 2006) em uma arquitetura panóptica que possibilita um amplo leque de controle sobre bens comuns.</p>
<p>Para Lessig, os controles sobre o ambiente digital (e aos bens imateriais que aí transitam) podem ser vistos como uma normatividade paralela, ou externa, ao escrutínio dos canais democráticos de regulação. Com efeito, tanto leis quanto normas sociais são introjetadas pelos indivíduos maduros e integrados à sociedade. A aplicação das legislações aos comportamentos que contrariam o que definem tais leis é feita por intermédio de instituições cujo funcionamento é público. O que vem sendo chamado de regulação arquitetônica ou pelo código, no modelo de Lessig, funciona de forma diferente: as deliberações do código são dotadas de auto-executoriedade e de inflexibilidade, que não se verificam em nenhuma outra forma de regulação. Também caracteriza a regulação pelo código os efeitos a priori – a aplicação tradicional das leis por processos sociais dos quais participam instituições públicas se dá a posteriori (Lemos, 2005; Silveira, 2007; Lessig, 2001a e 2006; Castells, 2003). Isso, evidentemente, tem seus efeitos para as formas não corporativas de expressão, bem como para a produção e fruição de bens informacionais.</p>
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</script></p>
<p>Lessig mostra que o “uso legítimo” dessa informação legalmente protegida está sendo sufocada pelo excesso de controle, de modo que o equilíbrio entre estímulo à produção da informação, cultura e conhecimento e a permissão de seu uso público estão sendo erodidos à medida que a informação é transformada em mercadoria e cada vez mais direcionada a mercados capazes de pagar muito.</p>
<blockquote><p>Os motivos dessa reação são óbvios. A internet permite<br />
uma propagação eficaz de conteúdo. Essa eficácia é uma<br />
característica da maneira com a qual a internet foi<br />
projetada. Mas, da perspectiva da indústria de conteúdo,<br />
tal característica é um “bug”. A propagação eficaz de<br />
conteúdo significa que os distribuidores terão grandes<br />
problemas em controlar esse fluxo. Uma resposta óbvia a<br />
essa eficiência é fazer com que a internet seja, então,<br />
menos eficiente. Se a internet permite que a “pirataria”<br />
exista, então, seguindo a lógica dessa reação,<br />
deveríamos quebrar os joelhos da internet. (Lessig, 2005,<br />
p. 199).</p></blockquote>
<p>Ao mesmo tempo, como efeito do uso articulado dos marcos normativos que<br />
garantem os monopólios temporários sobre bens informacionais e das tecnologias, os bens comuns disponíveis para usufruto público também são  suprimidos, como mostra Lemos (2005).</p>
<p><strong>Modelo fechado versus modelo de fluxos</strong><br />
Logo no início de seu primeiro mandato, o governo Dilma sofreu um pequeno abalo – pequeno pois vindo de uma área marginalizada – de um dos setores que mais ativamente estiveram envolvidos em sua campanha presidencial. Em uma decisão que não foi precedida por nenhuma explicação, o Ministério da Cultura retirou da capa de seu site a licença Creative Commons, substituindo-a por uma frase mais genérica: &#8220;Licença de Uso: O conteúdo deste site, produzido pelo Ministério da Cultura, pode ser reproduzido, desde que citada a fonte&#8221; . A medida, de efeito prático restrito mas simbolicamente entendida como de grande dimensão, despertou a grita de um grupo diverso de ativistas<br />
(músicos, artistas, intelectuais, jornalistas, desenvolvedores de software, juristas, entre outros) que atua sob a bandeira da “cultura livre”, um movimento cuja ideia principal é que as licenças “livres” para as obras culturais são decisivas num processo de democratização do acesso à cultura, à informação e ao conhecimento. A escolha da ministra Ana de Hollanda para o cargo, em nada envolvida com essa premissa, e a escolha subsequente de seus secretários, mais ligados às estruturas tradicionais de produção de bens culturais comercializados no mercado, já havia causado a insatisfação dos militantes da cultura livre, que viram na mudança da licença do site um motivo claro para endurecer as críticas à ministra e demonstrar como a nova administração estava rompendo compromissos de continuidade assumidos durante a campanha.</p>
<p>O debate público esquentou. O lado da cultura livre passou a atacar com polarizações em que o seu lado está classificado como novo (também aludindo à nova economia), aberto, democrático, digital, popular (de baixo), coletivo, de vanguarda; enquanto o outro seria velho, fechado, autoritário, elitista, individualista (da criação individual, solitária) e retrógrado. Os defensores da ministra se apressaram em rotular o Creative Commons como um movimento internacional e imperialista. Os defensores da ministra passaram a afirmarem-se como nacionalistas, pelo desenvolvimento de uma indústria cultural nacional e em favor da proteção a “verdadeiros criadores”; enquanto a cultura livre, em especial a Creative Commons, seria representação do imperialismo estadunidense, por uma atrofia não-profissional da cultura nacional e em favor de aproveitadores do trabalho alheio. (pequeno resumo <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6188" target="_blank">aqui</a>, <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6184" target="_blank">aqui </a>e <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6202" target="_blank">aqui</a>).</p>
<p>Esse tipo de polarização, parece claro, não interessa a uma análise acadêmica e aprofundada do tema, a não ser no caso de o objeto de análise ser como cada um dos lados representa o seu oposto. Até o momento, grande parte dos autores que vem trabalhando com o tema tem se mostrado em alguma medida identificada com um dos lados dessa disputa (Lessig, 2005; Benkler, 2006), o da cultura livre, por identificar nela, no mínimo, um potencial interessante de democratização do acesso à cultura (Lessig, 2005) e, nas visões mais extremas, uma possibilidade de alteração mesmo das estruturas produtivas dessa indústria que tem como produto o imaterial (Bauwens, 2005).</p>
<p>Porém, há uma literatura emergente (<a href="http://ceurws.org/Vol-739/paper_10.pdf " target="_blank">um bom exemplo</a>) que coloca em xeque esse ponto de vista um tanto quanto edulcorado de constituição da cultura livre como alternativa para se enfrentar os novos cercamentos que se constituem no ambiente digital. Fazendo uma crítica calcada principalmente no marxismo, esses autores aprofundam a análise sobre como esses novos sistemas de produção e distribuição do imaterial trazem algumas contradições em seu bojo, mostrando como a disputa não pode ser descrita somente em termos de fechamento e abertura, ou de velha ordem elitista-monopolista e novo modelo descentralizado-igualitário. Uma cenário mais preciso das disputas que vêm acontecendo parece ser descrito pelo conflito entre um modelo industrial tradicional de produção tecnológica e cultural, calcado na exploração da venda de bens imateriais concretizados antes em suportes físicos e hoje em amarras jurídicas e tecnológicas; e outro calcado na exploração dos fluxos, da circulação, do trânsito desses bens imateriais. Igualmente, esse novo modelo estaria se baseando na produção colaborativa, descentralizada, feita por sujeitos que abdicam de seus direitos autorais em nome da construção do “comum”, do commons criativo que pode ser livremente reaproveitado por outro que, de sua parte, também insere sua contribuição livre. Contudo, esse “comum”, integrado com serviços ou outros produtos licenciados de maneira proprietária, vira fonte essencial de renda para novas empresas de tecnologia de informação , ou vantagem estratégica para atores em posições privilegiadas, capazes de extrair ganho material ou simbólico.</p>
<p>A questão aqui não é entender os dois lados dessa disputa, o livre e o proprietário, como equivalentes, mas trazer elementos que mostram como os novos cercamentos não são o único empecilho à constituição de um ambiente e de práticas mais colaborativas, horizontais e democráticas de produção do imaterial, de construção de condições de igualdade entre os agentes.</p>
<p>Em <a href="http://matteopasquinelli.com/animal-spirits" target="_blank">Animal Spirits: a bestiary of the commons,</a> Pasquinelli (2008) vai buscar nos escritos de Michel Serres (1980) a imagem do parasita para ilustrar a relação entre a produção em rede e aqueles que se alimentam dela. Segundo essa descrição do parasita, a relação dada é assimétrica, “a troca de energia entre organismos nunca é inteiramente igual, mas sempre envolve um parasita roubando energia e a produção excedente de outro organismo” (Pasquinelli, 2008: 46). O parasita poderia até estabelecer um certo equilíbrio com o hospedeiro, mas a relação também se configura como de radical exploração e especulação. “O parasita não é um vampiro, mas um simbionte. Nesse sentido, a relação entre o a máquina e o humano é uma relação de desejo mútuo, de sedução e fetichismo. Do mesmo modo, mesmo a economia do parasita imaterial não é baseada em exploração direta ou extração de lucro” (Pasquinelli, 2008: 64).</p>
<p>É necessário objetivar aqui o que Pasquinelli comenta teoricamente a partir de analogias. O processo de digitalização da cultura, da produção cultural, de transformação de boa parte da criação humana em códigos informáticos; o processo de intensificação de uso da internet não só em atividades cotidianas de comunicação como também para a produção das mais variadas formas de expressão humana (jornalismo, literatura, artes gráficas, música, vídeo etc), foram acompanhados pelo crescimento e imensa ascensão econômica das empresas de tecnologia. Seriam elas esses parasitas, esses entes que estabelecem seus lucros pela exploração do trânsito de códigos informáticos, do gerenciamento do fluxo das informações, da criação de ambientes para que os indivíduos possam expor a si mesmo e a suas produções íntimas, da venda de anúncios voltados a esses mesmos usuários que têm seus perfis extraídos a partir de suas atividades cotidianas na rede. Trata-se dessa relação simbiótica, em que esses usuários podem usufruir de um espaço de comunicação inexistente no passado, mas que não lhes é ofertado gratuitamente ou mesmo em retribuição equivalente, e sim com extração de mais-valia.</p>
<p>Como se sabe, esse processo está relacionado a aspectos das mudanças pelas quais passa o capitalismo pós-industrial – sobretudo naquilo que se refere à crise da noção de valor. Se no capitalismo pós-industrial não é mais no produto, na matéria, que se concentra o centro do valor, mas no conhecimento, na forma de se organizar e modelar a inteligência coletiva, essa interpretação assume que nas sociedades com alta densidade de informação, “a produção não diz respeito somente aos recursos econômicos, mas investe em relações sociais, símbolos, identidade, necessidades individuais”. De modo que o “controle sobre a produção social não coincide com a propriedade por parte de um grupo social reconhecível, mas se move, ao contrário, rumo aos grandes aparatos de decisão técnica e política”, (Melucci, 2001, p. 79).</p>
<p>Se “produzir não significa mais transformar os recursos naturais e humanos em mercadorias para a troca, organizando as formas da produção, dividindo o trabalho e integrando-o no complexo técnico-humano da fábrica”, significando ao “contrário, controlar sistemas complexos de informações, de símbolos, de relações sociais”, (Melucci, 2001, p.80), a disputa pelas condições que tornam possível a produção social emoldura mais uma (nova) contagem de corpos:<br />
Quem exerce essa produção? Como ela é feita? Com quais instrumentos? Mediante que condições essa produção social é compartilhada por terceiros? Como essa produção social é transformada, apreendida, apropriada?</p>
<p>O contínuo processo de descentramento das noções clássicas de indústria, produção, riqueza; assim como o deslocamento da noção estabelecida de valor se refletem em novas e surpreendentes relações entre os poderes e as divisões de classe, a natureza da mercadoria e, claro, com os seres vivos. A força da invenção das vidas (Lazzarato, 2001) expressa a mudança do centro de gravidade da produção capitalista a que se referiu Yan Moulier Boutang (2004): ela é imaterial e se baseia na improvisação contínua, na comunicação, nas subjetividades culturalmente construídas, nas relações afetivas, no cotidiano sensitivo das comunidades envolvidas.</p>
<p>O trabalho imaterial que se desprende dessas potencialidades está afinado com aquilo que André Gorz pontuou como sendo o “trabalho da produção de si” (Gorz, 2005).  Esse autor ponta justamente uma crise da noção de valor, e a necessidade de considerar “a importância decisiva dos recursos que, como a  inteligência coletiva, não têm equivalentes, não são quantificáveis nem mensuráveis, e que consequentemente não são permutáveis no mercado”, (Ibid, . 61). O ponto de partida e base dessa redefinição é uma concepção de riqueza que aponta para as relações sociais, para as trocas multilaterais de necessidades, capacidades, satisfações, das forças produtivas. Há aqui um processo de descentramento da origem da riqueza que flagra a inadequação das unidades de valor e de tempo para medir o saber. Gorz menciona que, nesse sentido, a superação do capitalismo se define como uma necessária superação do produtivismo.</p>
<p>Antecipando alguns dos processos que trataremos mais à frente, aliás, Guattari já escrevia que “Agora é a máquina que irá ficar sob o controle da subjetividade, não de uma subjetividade humana re-territorializada, mas de uma subjetividade maquínica de um novo gênero”, (Guattari, 1996, p. 186).</p>
<p>Pasquinelli localiza entre os militantes da Cultura Livre e do Software Livre o mascaramento dessa relação desigual. O nome dessa crença seria digitalismo e sua base estaria no trabalho de reputados acadêmicos, como Lawrence Lessig, já mencionado acima, e Yochai Benkler – entre outros – bastante citados pelos militantes dos movimentos.</p>
<blockquote><p>O digitalismo é, por agora, uma designação básica para acresçapopularizada<br />
de que a comunicação por internetpode ser livre de qualquer forma de<br />
exploração e vainaturalmente evoluir em direção a uma sociedade depares<br />
em igualdade. De uma perspectiva econômica, osadvogados do digitalismo<br />
acreditam que a reproduçãodigital &#8216;livre de energia&#8217; pode afetar os modos<br />
gastadoresde energia de produção material. Digitalismo é um termogeral<br />
para uma atitude que persiste em vários graus emmuitas subculturas<br />
contemporâneas como os apoiadoresdo software livre, do Creative Commons,<br />
do mundo daarte inspirado pelo código aberto, das formas de ativismo baseadas<br />
na internet etc. No paradigma digitalista, anoção de produção por pares<br />
tem um papel central: cadanó da rede tem virtualmente o mesmo poder<br />
do quequalquer outro. O digitalismo adere à crença de que a rede é uma<br />
democracia horizontal de nós que produzem e trocam em base igual” (Pasquinelli, 2008: 66)</p></blockquote>
<p>Pasquinelli identifica ainda que a contribuição nesse ambiente colaborativo de produção digital não seria “livre” e desinteressada como apregoa o digitalismo. Em um ambiente econômico como o atual, de redução do quadro de empregados das empresas, empregos com vínculos precários e não formalizados – ainda que glamorizados, como nas grandes corporações que contratam executivos como pessoas jurídicas e os chamam de “associados” (López-Ruiz, 2004) -, de outsourcing e intensa competição entre os funcionários, sejam os artistas, sejam os programadores, sejam os jornalistas ou os escritores, são levados a, no mínimo, disponibilizarem sua produção na rede, como estratégia para a construção de uma imagem de si no mundo dos códigos que, em algum momento, possa ser conectada ao mundo físico e concreto e gere alguma oportunidade de emprego ou renda eventual. Nos encontros de software livre funcionários de grandes empresas (como Google), apregoam aos candidatos a funcionários que produzir código livre é bom para a internet, para a comunidade, mas também para o indivíduo, que pode ser notado pela grande empresa e conseguir um bom trabalho (Evangelista, 2010).</p>
<p>O usufruto desse “valor excedente” que aponta Pasquinelli, a alocação dessa mais valia de uma para outra entidade econômica, pode ser feito por grandes organizações (privadas ou estatais) mas também por outros indivíduos em melhor posição para se beneficiar do “excesso de energia” (para usar um termo do autor). Não se trata apenas de empresas com estruturas materiais, posições de mercados mais vantajosas, mas também de seres humanos melhor posicionados em termos de relação de parentesco, classe, renda, etnia, relações sociais, que conseguem obter mais benefícios na exploração da produção livre.</p>
<p>A própria introdução da ideia de Creative Commons no Brasil fornece um exemplo claro de o quanto os indivíduos e instituições não são nós equivalentes, mas possuem assimetrias. Diversos grupos de ativistas, artistas e intelectuais já trabalhavam com idéias próximas à de Creative Commons em atividades espalhadas pelo país, alguns sem mesmo conhecerem a iniciativa estadunidense3. Porém, a entrada da iniciativa no Brasil deu-se por intermédio de advogados da Fundação Getúlio Vargas, do Rio de Janeiro, alguns deles tendo contato com a Creative Commons por estudarem em cursos no exterior.</p>
<p>Tendo se tornado porta de entrada para os representantes internacionais e assumindo a posição de representantes oficiais da iniciativa no Brasil, os indivíduos viram crescer seu prestígio na mídia e no meio acadêmico, por vezes também conseguindo vantagens econômicas.</p>
<p>Observação similar sobre o aproveitamento dos fluxos da rede pelas grandes corporações é feita por Jakobsson e Stiernstedt (2010). Eles analisam o paradoxo no qual apenas alguns dos serviços do que se convencionou chamar Web 2.0 recebem aplausos e legitimação, enquanto outros são perseguidos por estimularem a pirataria. A comparação principal é entre serviços como Napster e BitTorrent, cujas empresas que o exploram são alvo frequente de processos legais enquanto YouTube ou Facebook, geridos por grandes e influentes empresas, são igualmente veículo para violações de copyright mas são usados pelo próprio por Estados como ferramentas de controle e plataformas para monitoramento e também como meio de comunicação; e até mesmo pela Unesco.</p>
<blockquote><p>“Propomos que a criação de valor na Web 2.0 acontece por um processo<br />
de destituição de posse (dispossession), o qual é, ao menos em parte,<br />
apoiado pelo poder do Estado e do sistema legal. Ignorando o copyright<br />
e direitos de privacidade, ao invés de com a ajuda do copyright, empresas<br />
web tem obtido salvo-conduto livre para destituir posse e extrair valores<br />
dos commons culturais e, com isso, pavimentar uma nova ordem econômica<br />
na internet. Nosso argumento é que a preservação forçada de direitos<br />
de propriedade com relação a bens informacionais não é a única razão<br />
pela qual os commons estão sendo ameaçados ou uma verdadeira cultura<br />
participativa está sendo impedida de se desenvolver. Ao invés de sermos<br />
pegos no emaranhado de dicotomias da Web 2.0 entre a forte preservação<br />
de direitos autorais ou o relaxamento das amarras do copyright, o ponto<br />
cardeal é a quem é permitido os direitos a seus produtos que derivam da<br />
criatividade cultural e do trabalho intelectual e em que circunstâncias esses<br />
direitos são mantidos. Neste momento, para a linha de frente da nova<br />
economia é dada alguma margem de manobra, enquanto seus modelos de<br />
negócio são testados e estabelecidos. Ao mesmo tempo, os chamados<br />
“usuários” são cada vez mais vigiados em seu uso das mídias (vigilância<br />
motivada ou não pela necessidade de se garantir os copyright), enquanto<br />
ao mesmo tempo estes são legalmente destituídos da posse da sua própria<br />
produção criativa em sites como Google, YouTube ou Facebook. De um<br />
lado a propriedade intelectual é enrijecida e reforçada, de outro é anulada.</p></blockquote>
<p>Os autores citam alguns exemplos a partir dos quais fica mais fácil visualizar esse duplo movimento de reforço e relaxamento da propriedade intelectual. O mais claro deles talvez seja o YouTube, o site de publicação de vídeos dos usuários cujo dono é a Google.</p>
<p>Haveria uma linha muito tênue entre esse serviço e outros sites os quais são classificados como estimuladores da pirataria (como hospedeiros de arquivos torrent como o Pirate Bay, constantemente alvo de processos). Grande parte do conteúdo publicado no YouTube é de conteúdo protegido, enviado por usuários não detentores do copyright – os gerentes do serviço retiram esses conteúdos após notificação feita pelos donos legais da propriedade intelectual.</p>
<p>A prática de envio de material cujo direito é de outrem viola as normas explícitas do serviço, mas é claro que é esse material o grande atrativo para o grande acesso ao site. Ao mesmo tempo, haveria violação (e comércio) da privacidade dos indivíduos, dado que o site pode conter imagens de pessoas – capturadas na rua ou em momentos íntimos – que nunca saberão que foram objeto de filmagem ou que o vídeo foi ali compartilhado. Diferente de uma grande empresa que possui direitos sobre os vídeos de um grupo musical, por exemplo, o cidadão comum não possui meios para verificar esse tipo de violação.</p>
<p>Jakobsson e Stiernstedt (2010) examinam ainda dois outros casos de destituição de posse: Facebook, o site dominante entre as redes sociais; e Adsense, da Google, o algorítimo de leitura automatizada de conteúdos, capaz de escolher anúncios personalizados. Para os autores, o Facebook é uma “máquina de gerar perfis”, que digitaliza relações existentes no âmbito social e lhes dá a forma de uma rede. Essa geração de perfis é um processo complexo, pois não envolve somente as informações pessoais que os sujeitos inserem sobre si, mas todo um conjunto de dados que oferecem ao terem a possibilidade de linkarem, comentarem e relacionarem conteúdos no site. A<br />
empresa obtém recursos ao ser o elo de ligação entre os usuários de seu sistema e outras companhias anunciantes.</p>
<p>Dessa forma, estas constróem laços afetivos, vínculos emocionais entre suas marcas e as redes sociais. Já o Adsense funcionaria de maneira semelhante ao mecanismo de busca da Google, incorporando dados fornecidos pelos usuários para produzir interpretações sobre o conteúdo. O mecanismo de busca parte dos links feitos na rede aos diversos sites para definir a ordem de exibição dos resultados alcançados pela busca. Faz uso também de bases de dados como a Wikipédia para melhorar seu algoritmo, aprimorar a interpretação sobre a inter-relação das palavras. No Adsense, esse conhecimento é utilizado para definir anúncios de acordo com o conteúdo exibido na página. Hoje, por meio do Adsense, a Google transformou-se na maior empresa de publicidade da rede, intermediando a relação entre anunciantes e produtores de conteúdo – desde micro, como blogueiros, a grandes produtores, como jornais.</p>
<p>Mas, se estamos aqui falando de conteúdos digitalizados, os quais podem ser reproduzidos infinitamente sem que o seu detentor perca a posse desse bem, como se pode falar em algo como “destituição de posse”? Jakobsson e Stiernstedt (2010) argumentam que a instrumentalização da produção social na Web 2.0 não significa que essa produção está sendo sugada e levada para outro lugar, mas que estamos sendo despossuídos do significado e propósito dessa coletividade, da nossa noção de posse de nós mesmos e da autonomia da nossa imaginação. Em direção semelhante, Pasquinelli (2008) questiona a ideia de “informação não-rival”, tão propagada por Benkler (2006) e<br />
Lessig (2001b). Segundo ele, a rivalidade não é produzida pelas cópias digitais, mas pela fricção destas com a economia real, com contextos materiais e recursos limitados. “Por exemplo, a atenção é crucial para o consumo de qualquer &#8216;commodity cognitiva&#8217; como a música, mas a atenção é um recurso limitado e material”.</p>
<p>Evangelista (2010) faz um comentário semelhante ao apontar a existência de competição dentro do ecossistema dos sistemas operacionais livres (as diversas distribuições de GNU/Linux) e destas com os sistemas proprietários. Nesse sentido, pode-se apontar também para a competição entre os commons digitais que efetivamente usam licenças livres (que permitem não somente o uso, mas também a cópia e a alteração por outro autor, possibilitando a criação de uma cadeia produtiva) e aqueles também possivelmente licenciados com uma licença Creative Commons mas que bloqueiam o re-uso ou reprodução.</p>
<p>O selo Creative Commons engloba um conjunto amplo de licenças, desde muito permissivas a bastante restritivas, refletindo um posicionamento da entidade calcado na ideia de que cabe ao autor o direito de escolha sobre o licenciamento. Do mesmo modo, pode-se afirmar que conteúdos não livres, mas disponibilizados em sites como YouTube – no processo que descrevem Jakobsson e Stiernstedt (2010) – disputam a atenção dos usuários e acabam por tomar o lugar e dificultar a popularização dos commons digitais.</p>
<p>Nesse sentido, é necessário observar o processo pelo qual passa a internet a partir da consolidação de redes sociais como o Facebook, o próprio Youtube e, mais recentemente, a rede social criada pela Google para concorrer com o Facebook, o Google Plus. Nesse processo, o que se verifica é a atualização dos fechamentos aos commons de informação, uma das matérias-primas à liberdade que marcou a história da internet desde seu nascimento.</p>
<p>O Facebook exemplifica de forma paradigmática esse processo em andamento na medida em que seu modelo de negócio vislumbra conquistar o monopólio. A principal maneira pela qual o Facebook e outras redes re-editam de forma atualizada a lógica do cercamento é eloquentemente bem exposto na crítica que TIM Berners Lee  faz ao serviço, por ser um dos que isola de forma mais profunda do restante da web as informações postadas por seus usuários, ameaçando assim duas das mais caras características da rede, sua universalidade e sua descentralidade: a) ao não permitir que informações produzidas e publicadas em sites de rede social circulem livremente (você só as acessa se estiver vinculado ao banco de dados da empresa) esses projetos trabalham pela destruição da universalidade da web, que é uma de suas características mais fundamentais; b) seu crescimento exagerado conforma um monopólio que acabará por limitar a inovação.</p>
<p>E continua:</p>
<blockquote><p>Esse isolamento acontece porque cada fragmento de<br />
informação não tem um URI. Conexões entre dados<br />
existem apenas dentro de um site; quanto mais dados<br />
você fornece, mais fica “trancado” dentro dele. Sua rede<br />
social torna-se assim uma plataforma central – um silo<br />
fechado de conteúdo, que não lhe dá pleno controle sobre<br />
suas próprias informações. À medida que esse tipo de<br />
arquitetura se generaliza, a web torna-se cada vez mais<br />
fragmentada. O perigo disso é que um site de<br />
relacionamento social – ou um portal de busca, ou um<br />
navegador – cresce tanto que se torna um monopólio,<br />
limitando as inovações.</p></blockquote>
<p>Esse cerco à internet livre já havia sido identificado por Manuel Castells na emergência de uma variedade de tecnologias de controle (para identificação, vigilância e investigação), suscitadas pelo interesses entrelaçados do comércio e dos governos – mais especificamente interesses compartilhados entre governos conservadores, indústria da propriedade cultural, empresas de telefonia e novos players do mundo das redes, com diferentes níveis de envolvimento de cada um desses atores (Castells, 2003). Mas a atualização da lógica do cercamento aqui é de uma outra natureza. Jakobsson e Stiernstedt (2010) falam sobre o estado de exceção da lei – entendido como ausência de normas &#8211; de que gozam alguns dos sites da Web 2.0.</p>
<p>Isto permite a exploração dos produtos culturais que possuem restrições de copyright e que, como dissemos, competem com os commons digitais livremente licenciados. Hoje, viveríamos um momento mais de medidas administrativas do que de aplicação da letra da lei, um momento em que o endurecimento do copyright e sua violação pelos maiores serviços da rede não se contradizem. Trata-se de um momento de reconstrução da economia da rede.</p>
<p>Contudo, as licenças livres – sejam para a produção cultural, sejam para a produção de software – em si não oferecem garantia de anulação desse processo de uso parasita, nos termos de Pasquinelli, ou de destituição de posse, como afirmam Jakobsson e Stiernstedt (2010). Nesse sentido, o ambiente de produção de software livre traz exemplos de como as grandes empresas de software têm se articulado no sentido de se tornarem híbridas, ou seja, articularem os benefícios comerciais do software livre com vantagens do modelo livre e aberto de desenvolvimento. Como desfrutam de posição de força e estratégica no mercado de informática, são capazes de obter maiores ganhos.</p>
<p>Presente no Fórum de Internacional de Software Livre de 2008, o executivo Luiz Fernando Maluf, da Sun Microsystems – que mais tarde veio a ser adquirida pela Oracle &#8211; deu entrevista à agência Reuters. Intitulada “Software livre não é decisão ideológica, diz diretor da Sun”, a matéria mostra a expectativa com relação ao potencial do software livre e aponta que seu modelo não passaria de uma mudança “matemática”, de “modelo de<br />
negócio”. A lógica do próprio capitalismo e da competição levaria a essa transformação.</p>
<blockquote><p>Para a Sun Microsystems, uma das primeiras grandes<br />
companhias de tecnologia a apoiar a abertura dos<br />
códigos-fonte de software à comunidade de<br />
desenvolvedores, será muito difícil uma empresa de<br />
tecnologia sobreviver no modelo antigo de negócios,<br />
baseado em sistemas fechados e pagamento de<br />
royalties.<br />
(&#8230;)<br />
O outro modelo [livre e aberto] envolve o que ele classifica<br />
como &#8220;economia de rede&#8221;, onde todo o conhecimento é<br />
compartilhado em uma rede de pesquisadores para que<br />
uma empresa tenha acesso a inovações que sozinha não<br />
teria condições de fazer.</p></blockquote>
<p>Ele citou o caso da tecnologia Java, criada nas dependências da Sun e que conta hoje com algo como 30 milhões de desenvolvedores. &#8220;Esse grupo gera inovação com uma velocidade enorme&#8221;, afirmou Maluf. Além disso, por se tratar de um contingente tão grande, é possível envolver pessoas não tão especializadas, o que reduz o custo do desenvolvimento e acelera a chegada de cada novo produto ao mercado, explicou.</p>
<blockquote><p>Tempo de acesso ao mercado é<br />
algo vital em tempos de economia digital&#8221;,<br />
afirmou o executivo à Reuters. (&#8230;) &#8220;Os dois<br />
modelos são antagônicos na era da<br />
economia digital&#8221;, reiterou. (&#8230;) Ele<br />
citou o caso do Google como um exemplo da rapidez com<br />
que uma companhia pode se beneficiar da escolha pelo<br />
modelo aberto. &#8220;Quem era essa empresa três anos<br />
atrás?&#8221;.<br />
(&#8230;)</p></blockquote>
<p>Citada como exemplo de desenvolvimento aberto, a Google, com seu sistema operacional para celulares nomeado Android, é um consistente exemplo de controle rígido de um ambiente aberto de desenvolvimento, que garante vantagens competitivas para a empresa. Contrariando o discurso meritocrático constantemente presente nos projetos de software open source, a empresa procura basear a aceitação de contribuições não em razões de qualidade mas em função de suas estratégias comerciais. (Vieira, 2011)</p>
<p>Todo o modelo do Android, de uma maneira geral, foi montado para fazer o melhor uso de uma base pré-existente de software livre e conectá-la, porém sem integração, a um novo conjunto de softwares, também livres, mas cujo gerenciamento ficasse nas mãos da Google. Assim, pode-se evitar problemas jurídicos com o software livre de base – o kernel Linux, licenciado sob GPL, uma licença copyleft – e construir um outro módulo, também livre, porém licenciado sob Apache – uma licença mais permissiva, que permite que o código livre se torne proprietário –, que é entregue a empresas parceiras para desenvolvimento de aplicativos para o sistema operacional. Com isso, tem-se um sistema livre voltado a desenvolvedores, que contudo ainda não é o sistema final a ser instalado nos celulares. Nos aparelhos, a empresa complementa o software livre com outros que são proprietários e sem os quais os aparelhos de telefones não são funcionais</p>
<p>O que a empresa consegue então é, a partir de sua posição dominante, alavancar um sistema de colaboração que produz um produto que, em teoria, é livre, ou seja poderia ser utilizado por qualquer outra empresa ou conjunto de indivíduos interessado em melhorá-lo e instalá-lo em seus dispositivos. Porém, falta a esse produto partes fundamentais, de desenvolvimento caríssimo e irreal – sem contar bloqueios por patentes –, que tornam a tarefa praticamente impossível.</p>
<p><strong>Considerações finais</strong><br />
O que a reflexão precedente procurou mostrar é que os processos de controle e de restrições mais recentes ao acesso a bens informacionais comuns (ou que poderiam ser comunitariamente gestados) lançam mão de recursos que vão além da articulação entre tecnologias e legislações. A atualização dos cercamentos aos commons na atual fase do capitalismo pós-industrial assume metodologias de produção social baseadas na horizontalidade das relações, em modelos de licenciamento aberto de bens informacionais e em iniciativas que de alguma forma &#8220;surfam&#8221; nas liberdades ou na violação da lei por parte dos usuários.</p>
<p>Está em processo uma costura de modelos de negócio que se situa entre a apropriação do comum a partir da criação artificial da escassez (século XX) e as virtuosas alternativas desenvolvidas a esta; que se insinua entre a centralidade da criação glorificada da autoria e a dinâmica em fluxo da produção coletiva; que opera sob um rígido controle o florescimento daquilo que, na inteligência coletiva, é passível de apropriação privada.</p>
<p>Ainda que as experiências de ações coletivas com tecnologias livres, as formas alternativas de licenciamento de bens imateriais, as metodologias de apropriação, aprendizado e ensino de tecnologias da informação e comunicação sejam portadores, sem redenção, de potencial emancipador e crítico; estas, ao existirem em um mundo de relações materiais, em que indivíduos lutam por sobrevivência e empresas criam estratégias visando a geração e ampliação de lucros, estão sujeitas a relações de mercado que concretamente podem neutralizar sua força. É em um contexto de reflexão sobre esses aspectos que este texto busca se inserir, de forma a promover uma análise contínua e baseada na materialidade.</p>
<p><strong>Bibliografia</strong><br />
HONNETH, Axel. Teoria crítica. In.: GIDDENS, Anthony e TURNER, Jonathan (orgs), Teoria Social hoje. São Paulo, Unesp, 1999.</p>
<p>THOMPSON, John B. Ideologia e cultura moderna – Teoria social e crítica na era dos meios de comunicação de massa. Petrópolis: Editora Vozes, 1995.</p>
<p>WOLTON, D., 2004, Pensar a comunicação. Tradução de Zélia Leal Adghirni. Brasília, Editora Universidade de Brasília. 2004</p>
<p>GORZ, André. O Imaterial: Conhecimento, Valor e Capital. São Paulo: Annablume, 2005.</p>
<p>BOUTANG, Yan Moulier. Riqueza, propriedad, libertad y renta em el capitalismo cognitivo. In: Blondeau, Olivier; Whiteford, Nick Dyer; Vercellone; Kyrou, Ariel; Corsani, Antonella; Rullani, Enzo;, Boutang, Yann Moulier, Lazzarato, Maurizio. Capitalismo cognitivo, propriedad intelectual y creación colectiva. Madrid: Traficantes de Sueños, 2004.</p>
<p>BENKLER, Yochai. The wealth of networks: how social production transforms markets and freedom. New Haven e Londres: Yale University Press, 2006.</p>
<p>LAZZARATO, Maurizio e NEGRI, Anthony. Trabalho intelectual: formas de vida e produção de subjetividade. Rio de Janeiro, DP&amp;A, 2001.</p>
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<p>MELUCCI, Antonio. A invenção do presente: movimentos sociais nas sociedades complexas. Petrópolis: Editora Vozes, 2001.</p>
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<p>LÓPEZ-RUIZ, Osvaldo. O &#8220;Ethos&#8221; dos Executivos das Transnacionais e o Espírito do Capitalismo. Tese de doutorado, Campinas, Universidade Estadual de Campinas, Instituto de F</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Encontrão Hipertropical de MetaReciclagem acontece em 2012 em Ubatuba Land</title>
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		<pubDate>Wed, 10 Aug 2011 14:45:38 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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Em Maio de 2012, quando as chuvas começam a parar, vai acontecer o Encontrão Hipertropical de MetaReciclagem: um evento organizado  coletivamente, com o objetivo de promover o intercâmbio entre projetos  do Brasil inteiro (e do exterior).
A programação e a produção serão  construídas em rede (ajude aqui ou mande uma mensagem). A rede [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.marcsteinmetz.com/images/fluchtstuecke/flucht_wanze.jpg"><img class="aligncenter" src="http://www.marcsteinmetz.com/images/fluchtstuecke/flucht_wanze.jpg" alt="" width="600" height="400" /></a></p>
<p>Em Maio de 2012, quando as chuvas começam a parar, vai acontecer o Encontrão Hipertropical de MetaReciclagem: um evento organizado  coletivamente, com o objetivo de promover o intercâmbio entre projetos  do Brasil inteiro (e do exterior).</p>
<p>A programação e a produção serão  construídas em rede (ajude <a rel="nofollow" href="http://rede.metareciclagem.org/wiki/EncontraoHiperTropical" target="_blank">aqui</a> ou <a rel="nofollow" href="http://efeefe.no-ip.org/contact" target="_blank">mande uma mensagem</a>). A rede Metareciclagem está em busca de ações, projetos, coletivos e redes que adotem  práticas de MetaReciclagem no dia a dia, e tenham o interesse em trocar,  aprofundar-se, aprender e articular novos horizontes.</p>
<p>A MetaReciclagem não trata apenas de recondicionar  computadores, mas de promover a apropriação crítica de tecnologias. A rede espera repetir o sucesso do <a rel="nofollow" href="http://rede.metareciclagem.org/wiki/EncontraoIntergalatico" target="_blank">Encontrão Intergalático</a> e do <a rel="nofollow" href="http://rede.metareciclagem.org/conectaz/Encontrao-Transdimensional-de-MetaReciclagem-Bailux-Party" target="_blank">Encontrão Transdimensional</a>. São bem vindas ideias para programação, organização, financiamento, logística e parcerias.</p>
<p>Organizando aqui: <a rel="nofollow" href="http://rede.metareciclagem.org/wiki/EncontraoHiperTropical" target="_blank">http://rede.metareciclagem.org/wiki/EncontraoHiperTropical</a></p>
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		<title>Rádio Amnésia e Cine Kurumin_Espalhando Sementes na Aldeia Tumbalalá</title>
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		<pubDate>Fri, 13 May 2011 14:00:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Basta passar o mouse em cima desse link: Cine Kurumin e espalha a semente em aldeia Tumbalalá.


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Basta passar o mouse em cima desse link: <span style="font-family: verdana,sans-serif;"><a href="http://www.youtube.com/watch?v=-rJn18DTi78">Cine Kurumin e espalha a semente em aldeia Tumbalalá.</a></span></p>
<p><span style="font-family: verdana,sans-serif;"><br />
</span></p>
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		<title>As potências da mídia tática e os caminhos da comunicação autônoma, com Paulo Lara, vulgo Pajé</title>
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		<pubDate>Tue, 26 Apr 2011 12:35:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na próxima sexta-feira, 29, o Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e a Rede Coque Vive promovem a palestra As potências da mídia tática e s caminhos da comunicação autônoma, com Paulo &#8220;Pajé&#8221; Lara. O encontro é um dos ponta-pés da intervenção que estamos realizando na comunidade do Coque e que são formadas por oficinas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_2009" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a rel="attachment wp-att-2009" href="http://www.locoporti.blog.br/as-potencias-da-midia-tatica-e-s-caminhos-da-comunicacao-autonoma-com-paulo-lara-vulgo-paje/paje/"><img class="size-full wp-image-2009" title="Pajé" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/Pajé.jpg" alt="" width="300" height="244" /></a><p class="wp-caption-text">Paulo Lara, fotografado no momento em que preparava a palestra</p></div>
<p>Na próxima sexta-feira, 29, o Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e a Rede Coque Vive promovem a palestra As potências da mídia tática e s caminhos da comunicação autônoma, com<a href="http://lattes.cnpq.br/9527228745339307" target="_blank"> Paulo &#8220;Pajé&#8221; Lara</a>. O encontro é um dos ponta-pés da intervenção que estamos realizando na comunidade do Coque e que são formadas por oficinas de áudio, vídeo, experimentação com hardware, construção de ambientes web, web rádio, etc. Pajé é um dos auxílios luxuosos dessa empreitada. Abaixo, um resumo da palestra. O encontro é aberto  a todos com interesses em cultura livre, democratização da comunicação, políticas culturais, políticas de mídias, políticas do afeto, apropriação crítica de tecnologias, etc.</p>
<p style="text-align: center;"><strong>As potências da mídia tática e s caminhos da comunicação autônoma</strong></p>
<blockquote><p><em>Um  dos desafios tanto do Estado brasileiro quanto da sociedade civil é  estruturar o país para uma nova realidade econômica e geopolítica que  virá com os próximos anos. Se nada de desastroso ocorrer, o Brasil  passará a ter em torno de 30 milhões a mais de consumidores. O grande  desafio, portanto, passa a ser oferecer as possibilidades de uma vida  completa e emancipada para milhões de pessoas que estiveram até hoje em  um estado de extrema obliteração. Isso, praticamente, remete a pergunta:  O que fazer politicamente com a cultura, estética e educação em relação  a grupos que estão passando a consumir, acessar e participar da vida  social, evitando que se tornem apenas &#8220;serviçais voluntários&#8221;?</em></p></blockquote>
<blockquote><p><em>A  preocupação que se apresenta a uma “nova classe média” surge pelo fato  de que o consumo, material e simbólico acarreta em um modelamento da  consciência por parte de diversas forças que não raras vezes atuam  contra a sociedade. Atentaremos aqui para o modo como a aquisição de  educação, “cultura”, conhecimento crítico, capacidade de análise e de  uma prática sensível pode promover uma autonomia tecnológica capaz de  colaborar com a formação de uma comunidade potente.</em></p></blockquote>
<blockquote><p><em>Para  isso, torna-se urgente a atenção para a capacidade das formas de  expressão segundo os próprios termos, além de um aprendizado estético e  tecnológico, que é sensível, político, radical e aponta para uma nova  forma de encarar as regras do pensamento. Isso significa antecipar um  exercício que é tecno-social, na medida em que forma e apresenta uma  visão de mundo construída a partir das próprias experiências,  conhecimentos e desejos.</em></p></blockquote>
<blockquote><p><em>Com a  possibilidade da intervenção no campo simbólico a partir de máquinas  comunicacionais, as potências artísticas, culturais, educacionais,  sentimentais e técnicas afloram no sentido de uma descoberta da própria  expressão e da negação da imposição de vontades e políticas alheias.  Neste sentido as possibilidades da comunicação preparam uma sociedade  mais crítica, analítica e autônoma, que aprende que a matéria prima da  cultura está na base da formação e desenvolvimento social. Com isso,  apresentaremos elementos dos usos das tecnologias que atiçam uma  criatividade política e uma inserção na vida pública, permitindo a  grande parte do povo brasileiro ser mais que mero consumidor e passando a  ser produtor de seu próprio destino.</em></p></blockquote>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #993300;">Dia 29 de abril, a partir das 9 horas</span></strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #993300;">Auditório do PPGCOM – UFPE, CAC, 1º andar.</span></strong></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Ponte térrea Recife -&gt; Cabrobó -&gt; Abaré&gt; Aldeia Tumbalalá #Cinekurumin #Nordestelivre</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/ponte-terrea-recife-cabrobo-abare-aldeia-tumbalala-cinekurumin-nordestelivre/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Apr 2011 19:32:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<description><![CDATA[Hoje à noite embarco para o nobre municipio de Cabrobó, Sertão do São Francisco, com destino final à aldeia Tumbalalá, perto município de Abaré. De hoje até domingo acontece o encontro dos projetos Cine Kurumin e Espalha a Semente em parceria com o coletivo Nordeste Livre. Na programação, oficinas de áudio e vídeo, de contação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje à noite embarco para o nobre municipio de <a class="zem_slink" title="Cabrobó" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cabrob%C3%B3">Cabrobó</a>, Sertão do São Francisco, com destino final à aldeia Tumbalalá, perto município de <a class="zem_slink" title="Abaré" rel="geolocation" href="http://maps.google.com/maps?ll=-8.71666666667,-39.1166666667&amp;spn=0.1,0.1&amp;q=-8.71666666667,-39.1166666667%20%28Abar%C3%A9%29&amp;t=h">Abaré</a>. De hoje até domingo acontece o encontro dos projetos <a href="http://cinekurumin.wordpress.com/" target="_blank">Cine Kurumin</a> e <a href="http://culturadigital.br/espalhaasemente/" target="_blank">Espalha a Semente</a> em parceria com o coletivo Nordeste Livre. Na programação, oficinas de áudio e vídeo, de contação de histórias, Caixa Escura e presença da Rádio Amnésia e da saudada Mimosa.</p>
<div id="attachment_1995" class="wp-caption alignleft" style="width: 193px"><a rel="attachment wp-att-1995" href="http://www.locoporti.blog.br/ponte-terrea-recife-cabrobo-abare-aldeia-tumbalala-cinekurumin-nordestelivre/territorio-tumbalala-2/"><img class="size-full wp-image-1995" title="Território Tumbalalá. Foto: Ugo Maia" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/Território-Tumbalala1.jpg" alt="Território Tumbalalá. Foto: Ugo Maia" width="183" height="276" /></a><p class="wp-caption-text">Território Tumbalalá. Foto: Ugo Maia</p></div>
<p>Não conheço essa região do Sertão do São Francisco, que fica ao sul da Cabrobó, cruzando-se o rio, na parte bahiana e minha expectativa é grande. Por um lado porque eu não viajo muito, embora a vontade seja muita. Por outro lado, porque viajo ainda menos para atividades como essas. A última foi para <a class="zem_slink" title="Lençóis" rel="geolocation" href="http://maps.google.com/maps?ll=-12.5627777778,-41.39&amp;spn=1.0,1.0&amp;q=-12.5627777778,-41.39%20%28Len%C3%A7%C3%B3is%29&amp;t=h">Lençóis</a>, durante um dos submidialogias que aconteceu lá &#8211; um dos últimos diga-se de passagem. Aliás, alguns dos mais queridos personagens daqueles encontro estarão em Tumbalalá &#8211; José Balbino, Thais Brito, Ricardo Ruiz, Tininha, Akim.</p>
<p>Expectativca também pelo contato com os parentes.  O site da ONG <a href="http://pib.socioambiental.org/pt" target="_self">Povos Indígenas do Brasil</a> tem essa descrição do poro Tumbalalá:</p>
<blockquote><p>Em dezembro de 2001 a Funai incluiu os Tumbalalá  no quadro das comunidades indígenas reconhecidas e assistidas pelo  Estado brasileiro. O reconhecimento oficial ocorreu após uma mobilização  iniciada em meados de 1998 e direcionada para a adoção de projetos de  articulação coletiva que gravitavam em torno de uma história, destino e  origem comuns para as pessoas que formam hoje uma comunidade com  fronteiras sociais em processo e ainda sem território demarcado.  Habitando o sertão de Pambú, uma área na margem baiana do sub-médio São  Francisco ocupada no passado por várias missões indígenas e alvo de  criação extensiva de gado bovino durante os séculos XVII, XVIII e XIX,  os Tumbalalá estão historicamente ligados a uma extensa rede indígena de  comunicação interétnica, sendo, assim, parte e produto de relações  regionais de trocas rituais e políticas que sustentam sua etnogênese no  plano das identidades indígenas emergentes e os colocam no domínio  etnográfico dos índios do Nordeste brasileiro.</p></blockquote>
<p>Segundo informações da Funasa, são 1469 pessoas (dados de 2006) vivendo entre os municípios de <a class="zem_slink" title="Curaçá" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cura%C3%A7%C3%A1">Curaçá</a> e Abaré. Uma das referências da localização é o pequeno e antigo povoado de Pambú (S  08o 33’ W 039o 21’), a ilha da Assunção (TI Truká) e a cidade de Cabrobó  (PE).</p>
<p>A história da ocupação dessa região norte da Bahia é a criação extensiva de gado bovino e a formação  de missões indígenas nas ilhas do sub-médio São Francisco &#8211; aidna segundo a Povos Indígenas. &#8220;Essas duas  agências coloniais, somadas a outros fatores tanto políticos quanto  naturais, responderam por fluxos de deslocamentos e convergência de  pessoas e famílias que fizeram desta parte do sertão uma referência  regional no século XVIII&#8221;.</p>
<blockquote><p>Formando um importante núcleo de atração e povoamento interior, o sertão  de Pambú foi ocupado até este período por ajuntamentos portugueses,  vilas e aldeias de índios cariri, fazendas de gado, grupos de índios  nômades não reduzidos, mas contatados, e outros ainda sem comunicação  com os colonizadores. Dessa babilônia étnica que colocou lado a lado, em  um complexo e tenso campo intersocial, pessoas e instituições com  interesses e estilos culturais mais diversos derivam os Tumbalalá e as  demais comunidades indígenas do sertão do sub-médio São Francisco.</p></blockquote>
<p>para quem se interessar, mais informações <a href="http://pib.socioambiental.org/pt/povo/tumbalala" target="_blank">aqui</a>.</p>
<div id="attachment_1996" class="wp-caption alignright" style="width: 292px"><a rel="attachment wp-att-1996" href="http://www.locoporti.blog.br/ponte-terrea-recife-cabrobo-abare-aldeia-tumbalala-cinekurumin-nordestelivre/tore/"><img class="size-full wp-image-1996" title="Toré Tumbalalá. Foto: Ugo Maia" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/Toré.jpg" alt="Toré Tumbalalá. Foto: Ugo Maia" width="282" height="419" /></a><p class="wp-caption-text">Toré Tumbalalá. Foto: Ugo Maia</p></div>
<p>É interessante observar que os Tmbalalá falam apenas o português e não há evidências lingüísticas comprovadas do  uso de fragmentos de um léxico que possa ser remetido a uma língua  indígena pretérita. Entretanto, palavras associadas a objetos rituais do  toré – como “pujá”, “kwaqui” e “cataioba” – são representadas por  alguns tumbalalá como remanescentes cariri, língua outrora falada em  quase toda a extensão do sub-médio São Francisco e que, ostentando  significativas variações dialetais, foi relacionada por alguns autores a  um tronco lingüístico independente e pouco conhecido (Adam, 1897;  Pinto, 1935). Embora não fosse de origem jê nem tupi, filiação da  maioria das línguas ameríndias faladas no Nordeste, o cariri era uma  língua corrente em uma extensa área no interior desta região e estava  dividida em quatro dialetos dos quais dois, o dzubukuá e o kipea, eram  falados no sertão do São Francisco, enquanto os dialetos Pedra Branca e  sapuya eram de domínio mais próximo ao litoral. Por se tratar de uma  língua não mais falada pelas populações locais, seu estudo linguístico é  precário e quase todo baseado nas gramáticas elaboradas por  missionários que estiveram na região durante os séculos XVII e XVIII.</p>
<p><strong>Cine Kurumin/Espalha a semente/políticas do cotidiano<br />
</strong></p>
<p>É nesse cenário que acontece uma das ações de letramento digital e áudio-visual atuais mais interessantes, que é o <a href="http://cinekurumin.wordpress.com/" target="_blank">Cine Kurumin</a>, projeto contemplado pelo Edital de Apoio a mostras e festivais audiovisuais do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia. R que está articulado ao Espalha a Semente, que você pode conhecer melhor lendo <a href="http://culturadigital.br/espalhaasemente/sobre/" target="_blank">esse texto</a>.</p>
<p>Sobre todas essas iniciativas eu já escrevi um bocado. Elas materializam uma forma de fazer política vinculada ao cotidiano e suas práticas, processos, imanências, afetos. Elas pontam para a busca de uma autonomia criativa no trato com objetos e processos técnicos e, em última instãncia, procurar criar condições de possibildiade para o acesso a bens informacionais, conhecimento, cultura. Mas a perspectiva não é a que é guiada pela Justiça distributiva &#8211; a mesma aliás, que orienta o grosso dos chamados projetos de inclusão digital à la CDI.</p>
<p>A questão também não está restrita ao tema da democratização das comunicações, como pode-se pensar inicialemnte. O debate é mais amplo e mais complexo e mais sutil também pois incide sobre assuntos como bens comuns (ou commons, em sua perspectiva imaterial e simbólica, os bens comuns que pertencem a toda a humanidade, os conhecimentos elementares coletivamente produzidos, cujo fluxo e usufruto é limitado ou apropriado, de acordo com a conveniência do Capital pós-industrial).</p>
<p>A questão sobre a qual incidem as ações acima também estão relacionadas às questões de identidade e pertencimento, assim como aos processos de ensino-aprendizagem que permitem a verbalização justamente da identidade, das necessidades,d as reivindicações, dos relatos não alinhados com as visões de mundo veiculados pelo discurso hegemônico dos meios de comunicação.</p>
<p>De modo que essas ações coletivas com tecnologias livrs não se restringem (nem mesmo se dirigem necessariamente) aos espaços institucionais do exercício da política, embora sejam políticas do cotidiano nas mais verdadeira acepção da palavra.</p>
<p><strong>Documentação da viagem</strong></p>
<p>Vou tentar documentar o périplo até Tumbalalá e as atividade por lá. Não sei como é o estado da internet por lá, nem mesmo se há operadoras além da TIM prestando serviço. De qualquer forma, vou trazer alguns vídeos e muitas fotos, isso com certeza. A viagem começa hoje à noite, na saudosa e invencível plataforma da Empresa Rodoviária Progresso, pontualmente às 22h10. São 11 horas até Cabrobó, depois um transporte de meia hora pra Abaré e depois o pessoal me pega lá. Só sei que em algum momento vou ter que atravessar o velho Chico. A ver&#8230;</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_c.png?x-id=55e7634c-f47a-4b0d-9c9c-17bba7440ac2" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>O laboratório de mídias do Coque agora roda Ubuntu 10.10 #Coquevive</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/o-laboratorio-de-midias-do-coque-agora-roda-ubuntu-10-10-coquevive/</link>
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		<pubDate>Sun, 17 Apr 2011 15:00:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje pela manhã e à tarde instalamos o Ubuntu 10.10 nas máquinas que usaremos nas oficinas do Projeto Coque Livre. Acho uma etapa importante essa, sobretudo porque ela implica em contar que as pessoas que passarão pelas oficinas serão levadas a usar uma outra plataforma de relacionamento com a máquina. É uma mudança de paradigma muito grande. Até hoje, os usuários do telecentro montado no NEIMFA usavam o Windows. Além do estranhamento natural com novas interfaces, procedimentos, lógicas de relação com o objeto técnico (o computador) e com objetos imateriais (o que for produzido nesa nova plataforma) existe um aspecto que não pode deixar de ser levado em consideração: é que o Linux não foi pedido por essas pessoas, ele está sendo &#8220;implantado&#8221; por um &#8220;pessoal de fora&#8221;. É um grande risco, se considerarmos ainda mais que a maior parte dos que passarão pelas oficinas são adolescentes, uma idade complicada para todos, de negação, de não aceitação do que os adultos lhes mostram, etc. Eu sei que essa é uma análise vaga e superficial, o que eu tô procurando refletir inicialmente é a necessidade de levarmos em consideração essa dupla articulação que envolve a instalação de um novo sistema operacional: a faixa etária (e sua carga comportamental) dos que farão as oficinas e o fato dessas novidades no trato com o computador ser mediado agora por um sistema que não foi solicitado.</p>
<p>É por essas razões que a instalação &#8211; e se possível, a migração gradual do NEIMFA ou ao menos de seu laboratório a plataformas livres &#8211; precisa ser feita com atenção, cuidado, atentando para as dimensões culturais estabelecidas no relacionamento com o espaço e seus mecanismos &#8211; telemáticos ou não. Daí a necessidade da expressão do afeto num espaço/ambiente real, de pessoas reais, de história real. Daí a necessidade de preparar as máquinas de modo a que o estranhamento não seja tal que cause antipatia, aversão, e no limite evasão.</p>
<p>O ideal é que o processo de instalação e configuração dos computadores acontecesse de forma coletiva, talvez numa oficina, e sendo realizada de forma intensiva pelos próprios alunos, guiados pelos oficineiros. Seria a oportunidade para discutir várias coisas como por exemplo direitos autorais, o papel desempenhado pelas techs  no controle do cidadão, autonomia para lidar com o objeto técnico e mudá-lo quando necessário, etc., e por esse caminho deixar às claras as razões da importância de se usar softwares livres, de se evitar a lógica fechada, privatista, excludente das plataformas proprietárias. As limitações impostas na manipulação de arquivos, no compartilhamento dos mesmos, e os riscos apontados na legislação são por si só bem convincentes.</p>
<p>Recentemente ouvi que &#8220;no mundo <em>real</em> o bom pode ser <em>inimigo</em> do ótimo; o ideal, o <em>inimigo do possível</em>&#8220;. Sim, é lá uma afirmação limitante das possibilidades. O ideal aqui, essa instalação feita de forma comunitária, pela qual se compartilhem conhecimentos, ansiedades, expectativas, experiências, não é inimiga do possível, visto que já ocorreu e ocorre noutros lugares, e noutros tempos.</p>
<p>A nossa contingência é que não nos permite agora que o ideal seja o possível. Mas isso pode mudar e mais pra frente poderemos fazer install fests ou mesmo oficinas específicas. Por outro lado acho preferível ressaltar a perspectiva que um lab com 14 máquinas rodando linux e derivados derivantes significa. Há pouco tempo o espaço e a comunidade não possuíam infra tão interessante. Se for conduzida de forma interessada e envolvida; se o próprio NEIMFA se abrir e se descomplicar mais; se a comunidade se apropriar dessas possibilidades muita coisa boa poderá sair desse angú.</p>
<p>Porque para aqueles afeitos à Cultura Livre, às ações coletivas com tecnologias livres, a toda a discussão relacionada ao descentramento da noção de autor e a correspondente batalha pela flexibilização dos marcos jurídicos que regulam monopólios artificiais sobre expressões de bens simbólicos; todos aqueles que atuam por democratização das condições de possibilidade para a produção, apropriação, remix, e veiculação de informações, cultura e conhecimento; todos aqueles que em maior ou menor medida sabem da necessidade da desmistificação das máquinas como percurso possível para o letramento, no momento atual da história do capitalismo,</p>
<p>tenho pra mim que para todas essas pessoas o uso dos softwares livres é uma condição (não a única necessária e suficiente) para processos de profunda e orgânica apropriação crítica de tecnologias da informação e comunicação &#8211; bem como, a partir daí, de desenvolvimento das condições de possibilidade de um caráter protagonista, mais autônomo e crítico para exercer sua dimensão política, para o estar no mundo, para o trânsito numa economia-política na qual o valor está cada vez mais calcado nas relações, nos afetos e no conhecimento coletivamente gestado.</p>
<p>Por mais que esse discurso conviva com os cinismos diários, que nos rodeiam e nos seduzem; por mais que esse discurso conviva com suas fragilidades inerentes (outro post, outro dia), por mais que ele se fragilize com experiências que não deram certo, e com as ameaças de todo tipo, não é possível deixar de considerar sua potencialidade e, nesta, procurar se agarrar ao que pode ser mais efetivo.</p>
<p><span id="more-1984"></span></p>
<p><strong>Nós e o lab</strong><br />
Éramos Marcelo, Igor, Queops, Wellthon (a quem  copio nesse email q eu passará a partir de agora a receber os emails que  a gente trocar tb). Instalamos a versão 10.10 do sistema  operacional Ubuntu. Deu para ver na real qual as condições dos  computadores que lá estão. Na verdade, quando chegamos à sala tivemos  uma certa surpresa. Achávamos que os computadores estavam em atividade,  mas estavam todos amontoados no fim da sala. Marcelo resumiu bem a  sensação com um &#8220;que medo&#8221;. Mas felizmente o processo foi mais tranquilo  que esperávamos.</p>
<p>Das 14 máquinas no local, oito estavam em condições de receber o  Ubuntu &#8211; teclados, mouses, estabilizadores e adaptadores de tomada em  cima. De modo que o saldo até agora é de 8 máquinas funfando no Ubuntu  10.10.</p>
<p>As outras seis máquinas estão com problemas diversos, por isso não  pudemos instalar o SO nelas. Levantamos a necessidade de comprar três  fontes (+1 de reserva), sete adaptadores de tomada (+1 de reserva), dois  mouses (+1 de reserva), dois teclados (+1 de reserva) &#8211; coisa que  passamos hoje mesmo para Roberta.</p>
<p>Deu pra perceber também que a internet de 4 M não dá conta quando  mais máquinas estão ligadas &#8211; e nem ligamos todas, pela falta dessas  peças acima. De modo que achamos necessário comprar um estabilizador  mais parrudo. Se for possível contratar uma banda mais larga também vai  ser muito bom.</p>
<p>Até o momento em que fiquei no NEIMFA não havíamos instalado o  servidor de arquivos ainda &#8211; não sei se Marcelo conseguiu depois -, e  estávamos esperando alguma sinalização dos oficineiros sobre programas  que pudéssemos já instalar. O  ar-condicionado tá funcionando e também dois ventiladores. Há um quadro  branco, espaço de parede para as oficinas que forem usar  retro-projetor.</p>
<p>Ficamos de ver a possibilidade de terminar o trabalho nesse domingo,  só precisaríamos que alguém com trânsito no Neimfa para podemos acessar  o laboratório. Mas nesse momento em que tu digito aqui ainda não sei se  será necessário irmos. Certamente precisaremos, ao longo da próxima  (curta) semana, instalar o Ubuntu nas outras máquinas, depois de  comprarmos aquelas coisas que mencionei. Também vamos precisar fazer uma  faxina geral na sala, móveis e também nas máquinas (por dentro e por  fora como bem lembrou Marcelo, para evitar alergias e problemas internos  nos PCs), antes do início propriamente dito das oficinas. Queria saber  de Marcelo, Queops e Igor o que acharam e como ficaram as máquinas no  final &#8211; tive que sair perto das 14 h.</p>
<p>No mais, a palestra de Pajé tá confirmada no próximo dia 29, espero  vermo-nos todos por lá pois a fala do home é imperdível &#8211; e é uma  opotunidade pra nos conhecermos todos, quem ainda não se conhece.</p>
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		<title>Diz-me teus feeds que eu te direi quem és</title>
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		<pubDate>Fri, 08 Apr 2011 21:58:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Por necessidade de meu trabalho, precisei procurar uma ferramenta que permitisse disponibilizar num site aberto os feeds relacionados a sites diversos. Essa é uma funcionalidade corriqueira para os agregadores de feeds que existem por aí &#8211; o GReader talvez seja o que tenha maior capilaridade pela quantidade de gente que utiliza o Gmail. Mas o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Por necessidade de meu trabalho, precisei procurar uma ferramenta que permitisse disponibilizar num site aberto os feeds relacionados a sites diversos. Essa é uma funcionalidade corriqueira para os agregadores de feeds que existem por aí &#8211; o GReader talvez seja o que tenha maior capilaridade pela quantidade de gente que utiliza o Gmail. Mas o que eu precisava era que aquela agregação, que é feita de forma privada, direcionda ao usuário, fosse o contrário: que fosse pública.</p>
<p>Com isso, minha preocupação era que um conjunto de pessoas pudesse ter acesso de forma ágil, prática e pública a informações disponibilizadas em endereços diferentes. Quebrei a cabeça um bocado para encontrar essa funcionalidade &#8211; sei que o site do <a href="http://www.metareciclagem.org/" target="_blank">Metareciclagem</a> agrega informaões de sites previamente cadastrados. Mas se não me engano FF precisou aprender a mexer com drupal para desenvolver alguns daqueles módulos. Eu não tinha esse tempo e o perfil era outro. Além disso, precisava também que o site permitisse agregar os feeds em canais sob critérios estabelecidos pela leitura e necessidades das pessoas que irão (espero) ausá-lo. Ou seja, era preciso estabelecer filtros, pois nem todas as informações do sites a serem catalogados interessariam.</p>
<p>Aí, graças a Marcelo Zenaide, encontrei o que até agora tem sido a melhor alternativa para a minha necessidade aqui no trabalho. Uma das sugestões de Marcelo foi usar o <a href="http://www.feedrinse.com/" target="_blank">Feed Rinse</a>, um serviço gratuito para ler feeds. Um diferencial dele é que é possível estabelecer canais para a importação das URLs sob os feeds e estabelecer critérios tanto para a agregação dos feeds quanto para a distribuição dos endereços nos canais. O que eu precisava agora era dispor os canais e as respectivas postagens dos sites cadastrados em um site. Foi aí que Marcelo lembrou do <a href="http://www.netvibes.com" target="_blank">Net Vibes</a>, um agregador de feeds, mas com a vantagem de permitir criar uma  página pública com os posts.</p>
<p>Criei então uma conta no <a href="http://www.feedrinse.com/" target="_blank">Feed Rinse</a> e outra no <a href="http://www.netvibes.com" target="_blank">Net Vibes</a> e comecei a cadastrar alguns feeds como experimentação. Vinculei as duas contas e, depois de cadastrados os feeds, criados os canais e formado um OMPL importei este para o <a href="http://www.netvibes.com" target="_blank">Net Vibes</a>. Usei os feeds de alguns dos sites que mais acompanho. O resultado é uma página pública que disponibiliza os sites que eu mais leio atualmente. A disposição das informações é muito variada e amigável, permite o compartilhamento via redes sociais e email, a incorporação de widgets dos canais para sites e/ou para a conta do iGoogle do freguês. Uma imagem:</p>
<p><a rel="attachment wp-att-1953" href="http://www.locoporti.blog.br/diz-me-teus-feeds-que-eu-te-direi-quem-es/net-vibes/" target="_blank"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1953" title="Net Vibes" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/Net-Vibes-600x360.jpg" alt="" width="600" height="360" /></a></p>
<p>Apanhei um bocado para fazer o negócio, como experiência para essa demanda no trabalho, mas valeu à pena &#8211; embora não haja novidade nenhuma nisso. <a href="http://www.netvibes.com/lula_pinto" target="_blank">Essa aqui</a> é a página dos feeds que eu acompanho. A quem interessar possa, boa leitura&#8230;</p>
<p>Marcelo, mais uma vez brigadão pelas dicas.</p>
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		<title>testando fedd rinse + Net Vibes</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 18:51:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Software livre, tecnologias, cultura, política, web, internet, inclusão digital, digital, commons, copyright, cópia, copy, direito autoral, remix, propriedade intelectual, cultura livre, Tecnologias livres software digital informática semântica 2011 Ipad
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Software livre, tecnologias, cultura, política, web, internet, inclusão digital, digital, commons, copyright, cópia, copy, direito autoral, remix, propriedade intelectual, cultura livre, Tecnologias livres software digital informática semântica 2011 Ipad</p>
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		<title>Coque Livre: já começou</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Apr 2011 12:09:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Esse fim de semana fizemos uma reunião na minha casa para definir várias coisas relativas a nossa intervenção na comunidade do Coque. Conseguimos estabelecer o cronograma das oficinas, bem como quem vai ser responsável por elas, o cronograma, tiramos ainda uma data para fazer um mutirão nas máquinas &#8211; sobretudo instalação de uma distribuição Linux [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1938" class="wp-caption aligncenter" style="width: 370px"><a rel="attachment wp-att-1938" href="http://www.locoporti.blog.br/coque-livre-ja-comecou/2011-04-02-17-34-05-2/"><img class="size-medium wp-image-1938" title="2011-04-02 17.34.05" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/2011-04-02-17.34.051-e1302091700667-360x600.jpg" alt="" width="360" height="600" /></a><p class="wp-caption-text">Concentrado no banheiro, Queops elaborava sugestões para as oficinas no Coque sob a influência do olhar do Surfista Prateado</p></div>
<p>Esse fim de semana fizemos uma reunião na minha casa para definir várias coisas relativas a nossa intervenção na comunidade do Coque. Conseguimos estabelecer o cronograma das oficinas, bem como quem vai ser responsável por elas, o cronograma, tiramos ainda uma data para fazer um mutirão nas máquinas &#8211; sobretudo instalação de uma distribuição Linux &#8211; entre outras coisas.para começar, o começo: as oficinas começam no dia 17 de maio e seguem por três semanas, até o dia 03 de maio. Esse conjunto inicial de oficinas será ministrado pela dupla Ricardo Ruiz e Ricardo Brazileiro sobre áudio e experimentações com hardware.</p>
<p>A ideia deste primeiro ciclo de três semanas é que os conteúdos estejam articulados entre si, de modo que seja possível elaborar um projeto para se confeccionar algum dispositivo, máquina, áudio, etc., fruto da interação entre as oficinas de áudio e experimentação. Ao longo de uma semana as oficinas são alternadas  na sexta-feira os dois oficineiros estarão presentes nas atividades do laboratório. A mesma fórmula será adotada para os outros ciclos de três semanas. Os participantes da comunidade serão &#8220;convocados&#8221; na Esc0la Leonardo Barreto.</p>
<p>O segundo ciclo de três semanas de oficinas acontece entre o dia 7 de junho e o dia 29 de junho e será focado em vídeo e internet/CMS. Esse é um conjunto de oficinas que acho que promete um bocado. Os oficineiros serão Celinha Menezes, Gustavo e Queops Negão.  Esse último rapaz trou a possibilidade de uma abordagem da internet que permita uma discussão sobre comunicação e crítica aos meios comerciais.</p>
<p>O terceiro ciclo vai acontecer em julho, mas ainda está sem data definida. Será um repeteco do segundo conjunto de oficinas dado pelo trio Célia, Gustavo/Queops. O quarto ciclo, entre 30 de agosto e 16 de setembro será dedicado a áudio e vídeo e direcionado aos agentes de desenvolvimento comunitário que começaram a ser formados pelo NEIMFA.  O quinto ciclo finalmente acontece em outubro, mas ainda sem data definida &#8211; será dedicado a oficinas de áudio + Metarec. De fato todo esse processo já foi iniciado.</p>
<p>Mas terá um &#8216;ponta-pé&#8217; oficial com a palestra que Paulo José Lara, o Pajé, vai nos dar no dia 29 de maio, na sede do Programa de Pós Graduação em Comunicação da UFPE e com uma visita ao Coque no mesmo dia. A ideia é que Pajé possa apresentar a palestra que ele fez para seu doutorado, que tá em fase final, e que também possa compartilhar informações a partir de sua experiência em projetos semelhante e que nos ajudem nesse caminho. Pajé vai falar sobre &#8220;As potências estéticas da mídia tática e os caminhos da comunicação autônoma&#8221;, numa realização do Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM)  e da Rede Coque Vive.</p>
<p>Outras providências ainda foram tomadas. No sábado 16 de abril faremos um mutirão geral para diagnosticar a quantas anda o laboratório e as máquinas,  verificar no detalhe as configurações, o que eventualmente falta comprar e fazer uma instalação geral de uma distribuição Linux. Inicialmente, aliás, pensamos que a instalação do Linux poderia fazer parte das oficinas. Ocorre que os computadores já são usados noutras atividades da casa, há muitos arquivos nas máquinas, são 13 máquinas, oq e deverá implicar em dois alunos por computador. Por essas razões resolvemos que as oficinas já começaram com as máquinas equipadas com a distribuição, mas uma delas será usada para a instalação do sistema no início. É claro que não é a mesma coisa, que o ideal seria incorporar a instalação ao processo desde o início. Mas também é verdade que o ideal é inimigo do possível, em muitos casos e esse parece ser um deles.</p>
<p>Por esses dias os oficineiros deevrão finalizar as ementas e nos enviar, e quando isso tiver pronto posto aqui para ouvir mais sugestões. É interessante lembrar que o trabalho das oficinas será complementado por monitores do uso dos equipos, pois a ideia é que o ltelecentro que o telecentro que já existe hj seja usado ao máximo de acordo e em sintonia com o trabalho realizado nas oficinas. Para isso é que amos precisar de monitores para acompanhar a meninada no uso do lugar. Queops e Igor, que tambémparticipará das oficinas de vídeo, se dividirão para fazer isso.</p>
<p>O fato é que a Unidade Coque Livre já é realidade, já começou e senti uma boa energia de todo mundo reunido aqui em casa, todos com vontade de fazer acontecer de forma boa e bonita.</p>
<div id="attachment_1935" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a rel="attachment wp-att-1935" href="http://www.locoporti.blog.br/coque-livre-ja-comecou/2011-04-02-17-33-18/"><img class="size-medium wp-image-1935" title="Yvana, Igor, Celinha, Gustavo e Brazuca" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/2011-04-02-17.33.18-600x360.jpg" alt="" width="600" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">Yvana, Igor, Celinha, Gustavo e Brazuca</p></div>
<p style="text-align: center;">
<div id="attachment_1936" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><a rel="attachment wp-att-1936" href="http://www.locoporti.blog.br/coque-livre-ja-comecou/2011-04-02-17-33-12/"><img class="size-medium wp-image-1936" title="João, Roberta e Yvana" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2011/04/2011-04-02-17.33.12-600x360.jpg" alt="" width="600" height="360" /></a><p class="wp-caption-text">João, Roberta e Yvana</p></div>
<p style="text-align: center;">
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		<title>O retrocesso no MinC espelha o refluxo do governo Dilma</title>
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		<pubDate>Mon, 21 Mar 2011 20:00:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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Depois do choque inicial das cenas acima comecei a me convencer que minha náusea com esse carnaval não foi um cansaço físico de minha rotina; nem cansaço afetivo de brincar de brincante no meio de brincadeiras. A náusea que vinha sentindo esses dias tá mais relcionada à violência de quem naquele momento tem mais força, [...]]]></description>
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<p>Depois do choque inicial das cenas acima comecei a me convencer que minha náusea com esse carnaval não foi um cansaço físico de minha rotina; nem cansaço afetivo de brincar de brincante no meio de brincadeiras. A náusea que vinha sentindo esses dias tá mais relcionada à violência de quem naquele momento tem mais força, à violência de quem por capricho ou compromisso passa por cima de tudo, quebre parabrisa, perna, cabeça, diálogos, esperanças das coisas se ajeitarem, caminhos, acordos, carinhos, cuidados, gente.</p>
<p>Acho que esse diagnóstico se aplica ao <span style="text-decoration: line-through;">insuspeito</span> e rápido retrocesso pelo qual passa o Ministério da Cultura. Retrocesso que, diga-se de passagem, não começou com Anna de Hollanda, nem com <a class="zem_slink" title="Dilma Rousseff" rel="homepage" href="http://www.dilma.com.br/">Dilma</a>, que escolheu mal, num erro de estratégia que revela o grau e o tipo despolitização do Partido dos Trabalhadores. Digo isso porque a conquista de uma hegemonia que flertasse com o socialismo, apesar de tantos pesares em oito anos de governo Lula, foi mais marcado e claro no Ministério da Cultura &#8211; e isso apesar de Gil não ser um socialista de carteirinha como a torcida do Bahia Futebol CLube sabe bem.</p>
<p>Na verdade, a desconexão com uma programática socialista do PT foi pras cucuias faz tempo e o que vem sendo observado é a confirmação do diagnóstico segundo o qual não somente o <a class="zem_slink" title="Workers' Party (Brazil)" rel="homepage" href="http://www.pt.org.br/">Partido dos Trabalhadores</a>, mas o governo petista está indo para a Centro- Direita, como <a href="http://www.rodrigovianna.com.br/palavra-minha/pt-rumo-ao-centro-e-oposicao-na-uti.html" target="_blank">já analisou o Rodrigo Viana</a>.</p>
<blockquote><p>Os sinais evidentes emitidos por Dilma são de um governo que ruma para o centro. Isso já estava desenhado desde a campanha eleitoral de 2010. Lula havia feito movimento semelhante, ao escolher <a class="zem_slink" title="José Alencar" rel="homepage" href="http://www.vice-presidencia.gov.br">José Alencar</a> para vice e ao lançar a “Carta aos Brasileiros”, em 2002. Mas o movimento de Lula rumo à centro-esquerda não tinha nitidez institucional. Ele se aproximou de personagens avulsos no mundo empresarial (além de Alencar, Gerdau e Diniz), e não fechou aliança formal com <a class="zem_slink" title="Brazilian Democratic Movement Party" rel="homepage" href="http://www.pmdb.org.br/">PMDB</a>, mas apenas com pequenos partidos conservadores: PL (depois PR), PTB e PP. Fora isso, Lula manteve-se firme (fora da cartilha liberal) na relação com movimentos sociais e na política internacional – além de ter adotado ações econômicas keynesianas (para irritação dos economistas e colunistas atucanados) no segundo mandato.</p>
<p>O movimento de Dilma é mais claro, mais institucional. Michel Temer na vice. PMDB na aliança formal. Isso tudo já estava desenhado. O início de governo aprofundou esse movimento. Ao adotar, agora, prática econômica apoiada pelos liberais, Dilma capturou a simpatia (real? duradoura?) de setores da mídia que estiveram fechados com Serra durante a campanha. Faz o mesmo em relação à política internacional (menos “terceiro-mundista” do que Lula, como comemora a “Folha” em editorial nessa sexta-feira). E já há sinais de que o governo pode abandonar a proximidade estratégica que mantinha com movimentos como o MST (sinais que vêm de dentro do INCRA, por exemplo – a conferir).</p>
<p>É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro!</p></blockquote>
<p>Embora reconheça que é uma estratégia inteligente, Rodrigo reconhece o ônus e o risco político que ele implica: apagar as diferenças de vez (e que na verdade vêm sendo dissipadas desde a Carta aos Brasileiros) e abrir caminho para que as forças de direita façam o mesmo.</p>
<p>Outras análises, como as de Tsvakko são mais amplas e evidenciam a assustadora metamorfose de parte da esquerda brasileira, na sua<a href="http://tsavkko.blogspot.com/2011/03/todo-poder-ao-capital-assustadora.html" target="_blank"> intransigente defesa do Capital</a>. Vale a leitura da análise e acompanhar o site. No texto, Tsvakko antevê outra possibilidade ruim desse processo &#8211; que tá acontecendo rápidamente &#8211; a perda do apoio fundamental dos movimentos sociais e da comunidade acadêmica, que, reta final da campanha evitaram que José Serra virasse a mesa. Para Tsvakko, mas também para <a href="http://cinemaeoutrasartes.blogspot.com/2011/03/voto-em-dilma-retrocesso-e-traicao.html">Maurício Caleiro</a>, <a href="http://www.teialivre.com.br/colaborativo/publish/blogueiros/N-o-duvidem-dos-compromissos-assumidos-pela-nossa-presidenta.shtml">Alexandre Porto</a> e <a href="http://www.teialivre.com.br/colaborativo/publish/arnobio/Governo-Dilma-nem-come-ou-e-j-tem-epit-fio.shtml">Arnóbio Rocha </a>a trajetória do governo Dilma vai prezando por um economicismo suicida a partir de um pacote de medidas neoliberal com um horizonte de sucateamento lá na frente.</p>
<p>Todas essas análises fazem a relação entre as escolhas políticas e o leque de possibilidades que advém delas. Essa compreensão pode ser ainda aprofundada com a discussão de modelos de democracia e estratégia socialista, mas isso exigiria uma vontade revolucionária que, definitivamente, parece fora de questão atualmente. O que apontaria a necessidade de começar a romper com o petismo em direção a uma cultura política que não descarte, mas que também não tenha o partido como dentro da ação política.</p>
<p><strong>Cultura, hegemonia, política</strong><br />
No meu entender foi no Ministério da Cultura dos governos Lula que essa possibilidade começou a ser desenhada e experimentada. O refluxo no MinC não é da responsabilidade direta de Ana de Hollanda, é o refluxo do governo Dilma, acima esboçado. Arrisco dizer que a virtuosidade das iniciativas, programas, consultas públicas no âmbito MinC nos últimos oito anos se tornaram possível por causa de seu comando (Gil e Juca), claro, mas também por causa de uma lógica política que ia além do petismo, por causa do petismo, já que Gil foi para o MinC por causa e escolha do seu líder maior.</p>
<p>Acho que essa forma de fazer política cultural não está somente na maneira de elaborar a Ação Cultura Digital, dentro do programa Cultura Viva. Estava também na elaboração das mundanças à Lei 9.610, sobre Direitos Autorais &#8211; um processo aberto que incomodou demais os representantes das industrias da intermediação e os artistas e produtoras que se beneficiam dela &#8211; <a href="http://blogs.estadao.com.br/link/quem-tem-medo-da-mudanca/" target="_blank">essa reportagem do Link</a> demonstra bem esse incômodo. Tenho pra mim que a tecnocracia de esquerda a que Idelber se refere <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2011/02/consenso_no_topo_divergencia_na_base_os_primeiros_60_dias_de_dilma_rousseff_1_parte.php" target="_blank">nesse post</a>, como uma estratégia real da presidanta, recoloca os problemas políticos como questões técnicas e gerenciais é ruim para aquele processo.</p>
<p>De modo que acredito que o retrocesso no MinC é a ponta do iceberg do que é e do que quer ser todo o governo Dilma. <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2011/03/maria-bethania-falencia-do-minc-e.html?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+Tsavkko+%28Blog+do+Tsavkko+-+The+Angry+Brazilian%29" target="_blank">O caso Bethânia</a> é a ponta do gelo nesse iceberg. Espantam-se que um governo de suposta continuidade possa sediar esse retrocesso, mas é preciso entender para que lado do ring está caminhando o governo de uma forma geral. Olhando assim é que se pode compreender que o rompimento com as linhas das políticas do MinC de Gil e Juca espelha e reflete o movimento à centro-direita de todo o governo. Escreve Idelber:</p>
<blockquote><p>Ao contrário dos antagonismos políticos, as escolhas  gerenciais colocam aos sujeitos a tarefa de escolher “a opção correta”.  Quanto menos explícitos ficarem os antagonismos, mais traduzível fica a  política na linguagem do gerenciamento.</p></blockquote>
<p>A questão que não quer cala é: o certo é o certo para quem? Para quem está governando? Para quem dá apoio a quem está na gerência? Para a indústria da cultura e seu capital transnacional? Para o autor, esse injustiçado? Mas qual autor, o que conseguirá captar R$ 1,3 milhão com ou sem apoio do MinC?</p>
<p>Não acredito mais que esse processo que temos visto seja extemporâneo; não espero mais a queda de Anna de Hollanda; não acredito que o esquecimento de Dilma em agradecer aos militantes, ativistas, ou pessoas que se envolveram na guerra de informação e contra-informação durante a eleição tenha sido um descuido. Acredito mais que o longo processo de mudança do discurso do PT e de abandono das teses socialistas <a href="http://tsavkko.blogspot.com/2011/03/balanco-inicial-do-governo-dilma-minc-e.html" target="_blank">se evidenciem com mais força na área da cultura agora</a>, mas vem sendo buzinada há tempos noutras áreas. É também interessante observar como o processo de despolitização e de abandono das teses socialistas que ainda circulavam nas principais tendências do PT resulte na incapacidade de perbecer a perda de oportunidade em aprofundar as mudanças nesse front (cultura+comunicação+tecnologia), o que colaboraria para consolidar a hegemonia obtida nos últimos 8-9 anos e o papel do Brasil como referência no debate sobre bens públicos, commons, leis de propriedade sobre bens simbólicos, etc. Outro aliás, também não é acaso que <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=5633" target="_blank">a Agência Brasil tenha deixado de usar o Creative Commons&#8230;</a></p>
<p><strong>A classe média desinformada e os velhos jornais</strong><br />
A grita que finalmente chegou aos jornais com relação ao retrocesso no MinC também chega à classe média &#8211; sobretudo aquelas partições que são pautadas pelos grandes grupos de comunicação do Brasil. Nos últimos anos essa parte da classe média nem suspeita dos avanços na forma de fazer política cultural, nas referências adotadas para democratizar a comunicação mas também a produção, circulação e usos de informação, cultura e conhecimento; assim como as implicações do debate sobre direitos autorias.</p>
<p>Essa parcela da classe média surpeende-se com as críticas ao MinC e é assustador como está à margem do debate &#8211; o que aliás é bem conveniente para o grupo que dá diretamente apoio à nova direção adotada pelo MinC. Aliás, como os temas que são objeto de confronto agora (e novamente) vem sendo tratados há anos, é difícil para que essa classe média desinformada não seja  manipulada pelos blogueiros de boa e de má intenção (sem falar nos grandes grupos de comunicaçã0), porque a interconexão dos temas é facilmente passível de falácias e de omissões. O complexo e judicializado debate sobre direitos autorais; o desenvolvimento de plataformas livres de comunicação; o uso de softwares livres como condição importante para a democratização das condições de possibilidade para a produção de cultura; a emergência de redes colaborativas de interação simbólica, fomentadas pela gestão anterior, não parecem, a esse olhar desinformado, tratar das mesmas questões &#8211; ou da mesma questão: uma política de democratização das oportunidades e dos recursos que cria condições de possibilidade para a produção cultural fora e para além da lógica industrial.</p>
<p>Aliás, para você que chegou aqui sem cansar do assunto, vale à pena fazer uma simulação dos custos com direitos autorais que você deve pagar para fazer uma festinha com os amigos, <a href="http://www.ecad.org.br/ViewController/publico/conteudo.aspx?codigo=128" target="_blank">aqui</a>. A lebre foi levantada por @andreasaraiva.</p>
<p>Facilmente o que tenho visto é que essa classe média fica atrelada ao andar da carruagem puxado pelos jornais, pelos portais de comunicação e também pelos blogueiros que falaciosamente acusam a existência de uma rede de intenções arquitetada para derrubar a ministra da cultura. A isso se referem mesmo pessoas críticas e que se envolveram na campanha de Dilma.</p>
<p>O curioso é observar também que parte desse debate todinho só foi possível porque as políticas, as redes  e as ações coletivas com tecnologias livres, fomentadas e fortalecidas na gestão anterior,  estão fazendo barulho. Pessoas viajaram, se conectaram, criaram redes, ganharam equipamentos, produziram resultados e estão agora se movimentando, bem ou mal, criticando e fazendo o barulho possível. Não fosse isso, as mudanças no MinC passariam incólumes e seriam decididas nos escritórios de Brasília, das majors, do Ecad, como aliás estão sendo, mas sem nenhuma reação.</p>
<p>Está longe, entretanto, de existir ma articulação organizada para mudar a  ministra Ana de Hollanda, o que é uma pena. Essa articulação só seria possível se essas redes tivessem alcançado um nível tal de articulação política e de auto-reflexão organizada que no meu entender ainda não aconteceu. Mas há a falácia de que existe uma articulação para derrubar a ministra, que o MinC estava aparelhado, que grandes grupos internacionais são os artífices desse aparelhamento, que os autores seriam prejudicados com a reforma da Lei do Direito Autoral. Uma das mais tradicionais formas de fazer política no Brasil é eliminar a discussão política ou desacreditar seu oponente. É esse o legado mais tradicional da forma brasileira (hegemônica) de fazer política: o fim da política, a anulação ou despotencialização do dissenso e do encontro de ideias. Em última análise, a violência de passar por cima de tudo o que é ameaça o atrapalha o caminho..</p>
<p>Abaixo alguns links, pra vc da classe média desinformada que ainda não cansou do assunto&#8230;</p>
<p>http://olharfeerico.wordpress.com/2011/03/16/os-milhoes-da-cultura-de-donana-amsterdam-sao-pra-quem-pode-nao-pra-quem-quer-ou-governo-e-pra-quem-tem-poder/#more-324</p>
<p>http://www.estadoanarquista.org/blog/?p=8293</p>
<p>http://www.outraspalavras.net/2011/03/10/de-que-ana-de-hollanda-tem-medo/</p>
<p>http://tsavkko.blogspot.com/2011/03/maria-bethania-falencia-do-minc-e.html/</p>
<p>http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/post/2011/03/16/Por-que-o-MinC-esta-certo-em-autorizar-Maria-Bethania-a-captar-13-milhao-para-seu-blog.aspx</p>
<p>http://www.arianefonseca.com/index.php/reflexoes-para-um-jornalismo-melhor/maria-bethania-e-seu-blog-de-13-milhao/</p>
<p>http://www.trezentos.blog.br/?p=5627</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_c.png?x-id=78636c9b-601b-4cef-b8e4-e82b2ba34e6d" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>Hay un Niño en la Calle #CoqueVive</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/hay-un-nino-en-la-calle-coquevive/</link>
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		<pubDate>Fri, 25 Feb 2011 18:38:47 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[O inferno são os outros]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[




Edson Joanni


A esta hora exactamente,
Hay un niño en la calle.
¡Hay un niño en la calle!
Es honra de los hombres proteger lo que crece,
Cuidar que no haya infancia dispersa por las calles,
Evitar que naufrague su corazón de barco,
Su increíble aventura de pan y chocolate
Poniéndole una estrella en el sitio del hambre.
De otro modo es inútil, de [...]]]></description>
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<div>
<div>
<div>Edson Joanni</div>
</div>
</div>
<p>A esta hora exactamente,<br />
Hay un niño en la calle.<br />
¡Hay un niño en la calle!</p>
<p>Es honra de los hombres proteger lo que crece,<br />
Cuidar que no haya infancia dispersa por las calles,<br />
Evitar que naufrague su corazón de barco,<br />
Su increíble aventura de pan y chocolate<br />
Poniéndole una estrella en el sitio del hambre.<br />
De otro modo es inútil, de otro modo es absurdo<br />
Ensayar en la tierra la alegría y el canto,<br />
Porque de nada vale si hay un niño en la calle.</p>
<p>Todo lo toxico de mi país a mi me entra por la nariz<br />
Lavo autos, limpio zapatos, huelo pega y también huelo paco<br />
Robo billeteras pero soy buena gente soy una sonrisa sin dientes<br />
Lluvia sin techo, uña con tierra, soy lo que sobro de la guerra<br />
Un estomago vacío, soy un golpe en la rodilla que se cura con el frío<br />
El mejor guía turístico del arrabal por tres pesos te paseo por la capital<br />
No necesito visa pa volar por el redondel porque yo juego con aviones de papel<br />
Arroz con piedra, fango con vino, y lo que me falta me lo imagino.</p>
<p style="text-align: left;">No debe andar el mundo con el amor descalzo<br />
Enarbolando un diario como un ala en la mano</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;">(Peguei o vídeo no <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/hay-un-nino-en-la-calle" target="_blank">Luis Nassif</a>)</p>
</div>
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		<title>Documentando a montagem do laboratório de mídias do #CoqueVive</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/documentando-a-montagem-do-laboratorio-de-midias-do-coquevive/</link>
		<comments>http://www.locoporti.blog.br/documentando-a-montagem-do-laboratorio-de-midias-do-coquevive/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 23 Feb 2011 17:57:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[O relato abaixo foi construido a partir da última conversa entre mim, Célia Menezes, Gustavo Souza, Igor Cabral sobre os corres pra início das oficinas no Coque. mandei um relato dessa conversa pro grupo e depois acrescentei as observações feitas por Yvana, João e Roberta ao texto inicial. A ideia aqui é a documentação do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O relato abaixo foi construido a partir da última conversa entre mim, Célia Menezes, Gustavo Souza, Igor Cabral sobre os corres pra início das oficinas no Coque. mandei um relato dessa conversa pro grupo e depois acrescentei as observações feitas por Yvana, João e Roberta ao texto inicial. A ideia aqui é a documentação do esforço que estamos fazendo. </em></p>
<p><strong>1. O básico</strong></p>
<p>Um dos pontos de partida que tomamos para o funcionamento das oficinas de áudio e vídeo é que elas serão planejadas e executadas em função de quatro passos:</p>
<p><strong> Roteirização </strong></p>
<p><strong> Captação</strong></p>
<p><strong> Edição</strong></p>
<p><strong> Veiculação</strong></p>
<p>A primeira etapa é necessária para a definição do que e de como será construído relato do que quer que seja. A roteirização, aqui, pode ser pensada em teremos mais amplos, como “roteirização do projeto” da oficina. No caso do vídeo, essas roteirizações, de certo modo, coincidem. De uma forma geral é o momento em que devemos também discutir o “projeto da oficina”, independentemente de ser ou não de vídeo. Essa orientação é debitaria da idéia de aprender e discutir (cultura digital) fazendo. Ou seja, <em>pensar</em> <em>fazendo</em>, o que se traduz em refletir sobre a comunidade, a cultura digital, as mídias a partir da realização de um projeto concreto que pode ser pautado pelos afetos locais e pela dinâmica de trabalho em grupo – vide próximo item.</p>
<p>Temos uma câmera de vídeo no projeto e algumas câmeras fotográficas digitais também devem filmar. Podemos, além disso, tentar ver entre os próprios alunos quem dispõe de celular com capacidade de gravação. Precisamos dar um “balanço” no material disponível e em funcionamento na Estação.</p>
<p>O processo de edição vai requerer uma presença mais direta dos oficineiros. Ainda não sabemos as reais condições das máquinas no Lab Coque, o que é fundamental para definirmos se poderemos mesmo usar o Cinelerra ou se teremos que lançar mão de algum outro recurso. De mais a mais, para os programas que precisaremos para edição de áudio e mesmo das imagens estáticas (se for o caso) as configurações existentes já atendem. Também tínhamos, em tese, um computador apto a edição na Estação que, pelo que sei, nunca funcionou. Mas, precisamos também olhar as condições. Também temos um notebook.</p>
<p>E finalmente em termos de veiculação a orientação que achamos mais acertada é direcionar a produção para as redes sociais – o que é uma outra forma de tentar ampliar o horizonte para outras ferramentas além do Orkut, que é a rede mais usada sem sombra de dúvida.</p>
<p>As redes sociais são uma primeira “entrada”. Mas podemos tentar postar nas redes e no www.coquevive.org, ou estabelecendo links. Também temos o projeto de “TV Tática” com a TV PE para veicular inter-programas, um espaço a ser privilegiado nos “projetos de oficina”. Ou seja, podemos tratar com os alunos de projetos que possam ser veiculado e ter visibilidade na TV pública. A pergunta então pode ser não apenas “O que vcs querem filmar?”, mas também “O que a gente poderia mostrar na TV?”</p>
<p><strong>2. Pauta de afetos locais</strong></p>
<p>Um outro ponto que nos pareceu necessário é vincular todo o processo das oficinas ao respeito às realidades, gostos, interesses, costumes de quem for fazer as oficinas. Isso implica em observar a pauta de afetividades locais. Isso gerou uma discussão interessante em nosso grupo: e se, por exemplo, num dos grupos de trabalho (ver próximo ponto) um hipotético grupo quiser fazer um vídeo de um brega, ou de uma música de axé? Essa possibilidade existe, claro, e Igor lembrou de uma ocasião, numa oficina de fotografia (é isso mesmo Igor) em que numa das atividades algumas jovens trouxeram para a oficina fotos delas com langerie.</p>
<p>Concordamos que nesses casos é interessante observar o processo para lidar com o interesse de fazer um vídeo sobre determinada música. Nesse caso, é interessante o oficineiro se deter na letra da música, tentar avaliar com os grupos o conteúdo, debater as mensagens que são passadas. A ênfase no processo é poderosa justamente por permitir e fomentar a capacidade de reflexão. Dependerá de nossa habilidade instar a análise crítica desses conteúdos, sem necessariamente negar/evitar a produção de um vídeo que consideremos de conteúdo ofensivo ou de mal gosto. Da mesma forma essa perspectiva evita que aceitemos e passemos diretamente à produção do vídeo.</p>
<p>Esse exemplo especifica a necessidade de, partindo dos interesses, afetos, realidades vividas no local pelos jovens que farão as oficinas, nos dispormos a fomentar discussão e reflexão.</p>
<p>Alguém em nossa reunião sugeriu a pergunta: vocês querem filmar o quê?</p>
<p><strong>3. Formação de grupos de trabalho</strong></p>
<p>Um outro ponto de partida que nos pareceu interessante é adotar a formação de grupos para as tarefas estabelecidas nas oficinas – até pela quantidade reduzida de computadores no laboratório. Mas a formação dos grupos deve seguir uma orientação específica, que é a divisão de tarefas e a responsabilização dos integrantes de cada um dos grupos de trabalho. Com isso queremos associar funções típicas da produção de vídeos, áudio e de construção de sites como uma forma de introduzir os modos de fazer. É uma forma de dizer: há essas tarefas e essas funções a serem realizadas.</p>
<p>A divisão em grupos também nos parece uma estratégia para fortalecer a coesão e a identidade nas tarefas – com o cuidado que o oficineiro deve ter para não induzir à competição entre os grupos. Essa coesão e identidade podem ser fortalecidas na medida em tentaremos criar canais no Youtube ou no Soundcloud para cada um dos grupos, para veiculação do que for realizado.</p>
<p>Além desse aspecto, a formação em grupos pareceu-nos uma forma interessante de concentrar o trabalho e torná-lo produtivo (sem ser produtivista). Com relação a esses aspecto, veja o item seguinte.</p>
<p><strong>4. Ser produtivo sem ser produtivista no processo</strong></p>
<p>Concordamos que as oficinas precisam ter um norte, uma finalidade, uma meta a se alcançar. Nesse sentido, precisamos deixar claro o que será feito nas oficinas, a que “produto” queremos chegar. Essa é uma sutileza a ser debatida e por nós apreendida: como sermos produtivos nas oficinas sem sermos produtivistas? O que me parece ser a mesma pergunta colocada de outra forma: Como tornarmos as oficinas úteis, de modo a fomentarmos discussões e reflexões abertas com mídias digitais a partir da realidade vivida? No meu entender definir qual será a finalidade das oficinas, ao quê (vídeo, gravação, apetrecho, site, etc&#8230;) elas podem levar é fundamental para evitar dispersão e em última instância a evasão. Acho que esse ponto de partida é um trunfo que pode nos permitir contribuir com a visão crítica da realidade.</p>
<p>Mas é também fundamental observar o caminho a ser traçado guarda surpresas e uma posição que pensamos que deveremos tomar é não ficarmos presos ao “produto final”. Pode ser que no meio do caminho as oficinas suscitem discussões muito ricas que devem ser valorizadas, por atenderem a demandas afetivas localizadas.</p>
<p>Escrevo isso porque precisamos debater esse aspecto entre ser produtivo (e contribuir com a reflexividade da moçada) sem ficarmos presos.</p>
<p><strong>5. Quem? Seleção? Via professores?</strong></p>
<p>Outro aspecto que tratamos foi os jovens que serão alvo das Oficinas. Ficamos acertados nas reuniões passadas da realização dos circuitos nas escolas, como estratégia de atração/sedução dos jovens para as atividades. Fiquei me perguntando se uma conversa prévia com professores e eventuais assistentes sociais das escolas serviriam também para abordarmos alguns dos alunos. Pensei nessa possibilidade para discutirmos, pois os professores e assistentes sociais seriam aliados interessantes, com boas informações, sobre o perfil dos jovens, as disposições, a facilidade com manifestações artísticas, a disposição para trabalho em grupo&#8230; Não tenho opinião formada, mas penso também que essa seria uma boa forma de usarmos da convivência diária dos professores. De repente eles possuem informações que nos ajudem a direcionar e abordar alguns dos jovens com quem teremos contato nos circuitos.</p>
<p>Não tinha opinião fechada e ainda acho esse aspcto complicado, apesar de eu mesmo ter originalmente sugerido ouvir professores e assistentes sociais que trabalham nas quatro escolas da comunidade.</p>
<p>Uma observação feita por Robs me fez pensar noutra coisa em relação ao contato com os professores. Robs observou que duvida se os professores andam tão atentos assim. Nesse sentido, solicitar sugestões dos professores por alunos deles que poderiam se encaixar bem nas oficinas pode ser perigoso. Pois, como salientou Robs, “a gente perde a oportunidade de oferecer àquele jovem tido pelos professores como não-adequado para a oficina, de expressar seu interesse por coisas que a escola realmente não dá a mínima! Se a escola já taxa aquele aluno como indisciplinado, desinteressado, etc, desprovido de qualquer tipo de talento ( e isso acontece com esses termos) dificilmente vai indicá-lo, mas justamente o desinteressado na escola pode ser aquele vidrado na lan house”.</p>
<p>E Robs ainda disse mais: “Minha experiência com a escola me diz que os mais rebeldes são assim porque veem coisas no mundo que não estão na escola. Sabe Berg, que trabalhará conosco? A escola nem imagina que esse menino fotografa, faz video, escreve roteiros, toca músicas. É um exemplo. Quando estagiei no Coque, ouvi falas de professores sobre a dificiência mental dos jovens do bairro&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230; É claro que temos exemplos de professores maravilhosos, como Isabel da escola Monsenhor, mas não podemos apostar na atenção dos professores para expressões que normalmente são extra-escolares? Em suma, não quero dizer que o problema é o professor, a gente sabe que o buraco na escola pública é mais embaixo, mas apenas ressaltar que a instituição é engessada demais”.</p>
<p>Mudando o foco um pouco, poderíamos fazer as consultas aos professores e tomá-las como uma referência apenas. Lembro que na última reunião com Marcelo, Igor, Gustavo e Célia comentamos que justamente alguns dos alunos com maiores déficits de atenção, ou fora do “padrão” de comportamento podem ser atraídos pelo que as oficinas e a Estação têm a oferecer.</p>
<p>A essa altura falta ainda a <strong>definição de: </strong></p>
<p><strong>1) oficineiros; 2) conteúdos programáticos de cada oficina, 3) cronograma, 4) processo de seleção<br />
</strong></p>
<p>Também precisamos ter alguém que esteja lá para orientar, de fato, os usuários no dia-a-dia do Lab. Ou seja, alguém que saiba manejar as ferramentas e softwares, pois se não tivermos esse bolsitas, corremos dois riscos: ou fica pesado demais para Igor ou fica “paradão”.</p>
<p>Além disso, o tempo de acesso livre ao Laboratório pode e deve ser aproveitado para dar prosseguimento às atividades da oficina. Claro que isso não precisa ser obrigatório. O que é interessante é ter um monitor que possa dar algum apoio e estímulo aos meninos do Coque para experimentarem com os conteúdos passados nas oficinas. Para isso é preciso de alguém que se mantenha atualizado com o andamento das oficinas. Que possa ser um intermediário entre os processos nas oficinas e as experimentações livres. Ou seja, tem que ser um bom meio de campo.</p>
<p>Abaixo uma proposta de calendário de ações daqui pra frente:</p>
<p><strong>Reunião para fechamento da equipe e oficinas e cronograma: segunda 28/02 – 18 horas, Paço. (todos)</strong></p>
<p><strong>Contato preliminar com escolas para negociar circuitos: Robs, Procópio, Berg. (março)</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Contato com escola para negociar programação do primeiro circuito: Robs, Procópio, Berg, Yvana (março)</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Visita ao Laboratório do Neimfa e Estação para inventário do que temos: Lula, Procópio, Berg, Igor, Marcelo, Robs, Sandokan ou Katarina (março)</strong></p>
<p><strong>Mutirão para preparação do Lab:</strong> <strong>Lula, Procópio, Berg, Igor, Marcelo, Sandokan ou Katarina, João (março)</strong></p>
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		<title>Montando um laboratório de mídias no Coque, Hellcife #CoqueVive</title>
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		<pubDate>Sat, 19 Feb 2011 14:56:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
		<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
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		<description><![CDATA[Comecei a colaborar com um projeto de extensão da Universidade Federal de Pernambuco para fazer acontecer um laboratório de mídias no bairro do Coque. A iniciativa acaba de receber recursos do CNPq para isso e, formalmente, tem como objetivo a implantação de uma &#8220;Unidade de Inclusão Digital (UID)&#8221;. Essa é mais uma das ações em [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Comecei a colaborar com um projeto de extensão da Universidade Federal de Pernambuco para fazer acontecer um laboratório de mídias no bairro do Coque. A iniciativa acaba de receber recursos do CNPq para isso e, formalmente, tem como objetivo a implantação de uma &#8220;Unidade de Inclusão Digital (UID)&#8221;. Essa é mais uma das ações em andamento a partir do <a href="http://www.coquevive.org/index.php?p=coquevive" target="_blank">CoqueVive</a>, uma rede formada pelo Movimento Arrebentando Barreiras  Invisíveis (MABI), coletivo de  jovens da comunidade; o Núcleo  Educacional Irmãos Menores de Francisco  de Assis (NEIMFA), associação  presente no bairro há mais de 20 anos e a  Universidade Federal de  Pernambuco (UFPE).</p>
<p>De uma forma geral vamos aplicar oficinas introdutórias de edição de áudio e vídeo (inclusive com celulares), construção e edição de blogs e manipulação com hardwares &#8211; metareciclagem. Ainda estamos montando o conteúdo dessas oficinas e também um projeto pedagógico. Nas últimas conversas percebemos a necessidade de ter alguns elementos transversais guiando não somente o conteúdo das oficinas mas também nosso olhar sobre a experiência:</p>
<p>O uso de tecnologias livres<br />
Um entendimento crítico da cultura digital<br />
As redes sociais como espaços de veiculação e agenciamento<br />
Incutir o debate sobre propriedade imaterial</p>
<p>O desafio é grande e as razões são muitas. Primeiro são as próprias dificuldades estruturais da comunidade e as dificuldades de ordem cognitiva da moçada; segundo, o tempo curto pois as oficinas estão sendo estruturadas em circuitos de três semanas. De modo que a complexidade dos pontos acima, já difícil de tratar por si só, vai ter que acontecer de forma bem orgânica para ser minimamente absorvida.</p>
<p>O <a href="http://www.coquevive.org" target="_blank">Coque Vive</a> designa hoje uma rede formada por três atores <img src="http://www.coquevive.org//" alt=" " align="right" />que  vivenciam uma intervenção social no bairro do Coque, localizado na  cidade do Recife. São eles: o Movimento Arrebentando Barreiras  Invisíveis (MABI), coletivo de jovens da comunidade; o Núcleo  Educacional Irmãos Menores de Francisco de Assis (NEIMFA), associação  presente no bairro há mais de 20 anos e a Universidade Federal de  Pernambuco (UFPE), através de estudantes da graduação, mestrado e  doutorado, alunos egressos e professores de vários departamentos.</p>
<p><strong>Serão basicamente quatro tipos de oficinas:</strong></p>
<p><strong>Experimentações com hardware</strong> &#8211; com sorte, e trabalho, poderemos fomentar um esporo de metareciclagem na comunidade. No meu entender esse esporo pode não ter um local fixo. Acho mais interessante se desenvolver um hábito da experimentação com a máquina e se comece um processo de desmistificação real do aparato tecnológico.</p>
<p><strong>Edição de áudio</strong> &#8211; oficinas para captação, edição e veiculação de som. Penso que alguns dos interessados podem ser os próprios grupos musicais da comunidade e/ou se direcionar para a documentação dessas manifestações. Ou não, pode ser que as oficinas de áudio explodam para diferentes direções. Fico pensando que a documentação e o registro sonoro pode ser feito sobre de histórias, vivências, experiências, da cultura criada e das formas como elas são absovidas pela comunidade. Também deveremos pensar, ainda como material dessas oficinas, as formas de veiculação do fruto do trabalho da moçada. E é aí que deverão acontecer a procura por se ampliar o olhar para as redes sociais para além do Orkut (altamente massificado entre os jovens do Coque).</p>
<p><strong>Edição de vídeo</strong> &#8211; A ideia inicial é que trabalhemos com a mesma concepção de captação, edição e veiculação. Com o interessante detalhe de que um dos ciclos de oficinas de vídeo será dedicado ao uso de celulares como ferramenta de captação de imagens. O uso dos aparelhos se apóia na constatação de que os celulares estão muito usados pela moçada na comunidade.</p>
<p><strong>Web/CMS</strong> &#8211; Oficinas para criação de sites e blogs.</p>
<p>Como se vê, as questões no Coque ainda giram em torno das estruturas de acesso e as ações ainda se debatem ante a necessidade de produção áudio-visual em um nível inicial, introdutório. As redes fomentadas pelas políticas do MinC e do Ministério das Comunicações no governo Lula, sobretudo as mais reflexivas, estão num estado de discussão política mais complexificada. É essa complexificação que tornou possível a emergência das discussões como a do <a href="http://redelabs.org/wikka.php?wakka=RedeLabs" target="_blank">Rede Labs</a>. Embora os objetivos dessa rede se coloquem no &#8216;depois da conquista de infraestrutura de máquinas e de acesso&#8217;, o que não é o caso do Coque, ela em elementos muito interessantes que podem servir ao investimento do CoqueVive e seu laboratório de mídias digitais.</p>
<p>Bom, começou a documentação do trabalho no Coque.</p>
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		<title>Para um Brasil banda larga, qual política da cultura?</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/para-um-brasil-banda-larga-qual-politica-da-cultura/</link>
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		<pubDate>Mon, 27 Dec 2010 13:32:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Diálogos impertinentes]]></category>
		<category><![CDATA[Estética]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[BRUNO TARIN, BARBARA SZANIECKI e CRISTINA LAR

Passadas as eleições e com a vitória da Dilma, agora entramos no momento de lutar pela continuidade das ações desenvolvidas no campo da cultura nos 8 anos do governo Lula. Através de emails e em listas de discussão estão circulando conversas sobre mudanças na gestão do Ministério da Cultura, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://uninomade.org/para-um-brasil-banda-larga/" target="_blank">BRUNO TARIN, BARBARA SZANIECKI e CRISTINA LAR</a></p>
<p><em><br />
Passadas as eleições e com a vitória da Dilma, agora entramos no momento de lutar pela continuidade das ações desenvolvidas no campo da cultura nos 8 anos do governo Lula. Através de emails e em listas de discussão estão circulando conversas sobre mudanças na gestão do Ministério da Cultura, que cogitam a saída do Ministro Juca Ferreira. Já estão sendo discutidos também outros nomes para assumir a função.</p>
<p>Diante dessa situação se impõe a realidade de que a vitória da Dilma em si não garante a continuidade das ações desenvolvidas pelo Ministério da Cultura nos últimos 8 anos, pois o governo Dilma terá que negociar com os partidos de sua base, correndo o risco das ações inovadoras desenvolvidas pelo MinC não serem assimiladas por estes. Assim, voltamos a afirmar que a continuidade não está garantida.</p>
<p>E o que não está garantido?</em></p>
<p><em><span id="more-1789"></span><br />
Não está garantido a continuidade de uma política da cultura que não é feita por e para poucos, não está garantido uma visão de política que incorpora e busca a equalização dos benefícios do acesso e produção de cultura; uma visão de política da cultura que vai além da mercantilização dos bens culturais, uma visão de cultura como vida e não como [bem de consumo] commodities.</p>
<p>A luta pela continuidade, não nos parece ser por um nome mas sim pela continuidade de uma política que está inovando a maneira de se pensar, realizar e viver cultura. Uma política da cultura que está nas raízes profundas ao mesmo tempo que está nas nuvens cibernéticas. Uma política dos muitos para muitos, que coloca em rede indígenas, brancos, negros, mulheres, crianças, homossexuais, cristãos, povo de terreiro, ciganos, mestres de cultura popular, hackers, artistas, etc. Uma política da cultura que no “Manifesto dos Pontos de Cultura para a Cultura seguir mudando” se expressa:</p>
<p>“na afirmação de novas relações entre Estado e sociedade, nas quais gestores públicos e movimentos sociais estabelecem canais de diálogo e aprendizado mútuo e na construção coletiva de um novo processo de cultura política com caráter emancipador, em que as hierarquias sociais e políticas são quebradas e criam base para novas legitimidades.”</p>
<p>Assim, uma política da cultura para um Brasil Banda Larga tem que ter ações que vão muito além de garantir o entretenimento dos pobres, de gerar números para estatísticas como o PIB, de enriquecer uma classe já favorecida ou de enobrecer a alma humana. A Cultura de um Brasil Banda Larga é a cultura do enfrentamento às desigualdades sociais, do bem comum, a cultura que busca questionamentos e soluções, a cultura dos muitos e da luta.</p>
<p>Assim, o que esperamos da política da cultura do governo Dilma é a continuação das ações que incentivam dinâmicas sociais, econômicas e políticas que priorizam a produção e distribuição de cultura não mais pelo valor de troca dentro do mercado ou por uma homogenização da cultura incentivada pelo Estado e/ou pelas Indústrias Criativas/Culturais. Defendemos sim, a continuidade da abertura das dinâmicas de criação, ou seja, a possibilidade de se reproduzir cultura para além da criação e distribuição dirigida somente aos clássicos aparelhos de distribuição de produtos culturais (museus, bibliotecas, teatros, grandes cinemas). Defendemos a valorização e a ocupação dos ambientes comuns com a produção e distribuição de cultura em rede, pela internet, nas ruas e praças das grandes cidades, nos assentamentos rurais etc. Uma visão de cultura para além da propriedade intelectual, da cultura como negócio, do trabalho e produção como subordinação e do lazer como consumo.</p>
<p>São muitos os exemplos de políticas inovadoras no campo da cultura desenvolvidas nos últimos anos, entre elas as que acreditamos se destacarem e serem de suma importância para um Brasil Banda Larga que acredita que mudanças são possíveis estão:</p>
<p>* Os Pontos de Cultura por expressarem a pluralidade da cultura por não se restringirem em formas já pré-estabelecidas de centro culturais ou aparelhos culturais do Estado. Célio Turino, diz que “Os Pontos de Cultura são nem eruditos nem populares e também não se reduzem à dimensão da “cultura e cidadania” ou “cultura e inclusão social”. Ponto de Cultura é um conceito. Um conceito de autonomia e protagonismo sociocultural. Na dimensão da arte, vai além da louvação de uma arte ingênua e simples, como se ao povo coubesse apenas o lugar do artesanato e do não elaborado nos cânones do bom gosto. Pelo contrário, busca sofisticar o olhar, apurar os ouvidos, ouvir o silêncio e ver o que não é mostrado. Os Pontos de Cultura têm o que mostrar e querem fazê-lo a partir de seu próprio ponto de vista”. A proposta desta ação não é o de criar iniciativas governamentais novas, mas sim apoiar e valorizar atividades já existentes que geravam comprovadamente resultados positivos e benefícios nos locais onde são realizadas.</p>
<p>* A Ação Cultura Digital por ser um dos catalizadores da rede formada pelos Pontos de Cultura. Dentre suas atividades destacam-se o papel de facilitadora da apropriação das ferramentas multimídia em software livre pelos Pontos de Cultura, assim como o caráter experimental desta ação, quanto a pesquisa em torno das possibilidades das novas tecnologias para usos sociais e culturais e a elaboração de estudos sobre novas formas de colaboração e cooperação, calcadas na generosidade intelectual. Sobre a Cultura Digital, o Ex-Ministro da Cultura Gilberto Gil diz: “Cultura digital é um conceito novo. Parte da idéia de que a revolução das tecnologias digitais é, em essência, cultural. O que está implicado aqui é que o uso de tecnologia digital muda os comportamentos. O uso pleno da Internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam o nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializar também a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte”.</p>
<p>* A Política do Edital pois durante o Governo Lula o Ministério da Cultura estabeleceu uma política do Edital, evitando assim as velhas articulações e dando lugar para novos olhares sobre o Brasil e a cultura. Segundo Gilberto Gil: “É preciso descentralizar o que está centralizado nas mãos de poucos. As matrizes da indústria cultural não deixaram nada para as periferias. Por isso, hoje, o papel do Estado brasileiro na formulação de políticas públicas é empoderar as micro manifestações, para que eles se apropriem cada vez mais dos espaços públicos e que sejam protagonistas na proteção e promoção da diversidade.” Há ainda muito a se avançar nesse sentido, os editais ainda são muito burocráticos, as diligências ainda são muito lentas e as exigências aos grupos e aos indivíduos não condizem com a forma de trabalhar da cultura e imprimem um ritmo artificial à criação. Contudo, acreditamos que esse caminho melhorou bastante a gestão das políticas da cultura sendo necessário seu aprimoramento.</p>
<p>* A Reforma da Lei do Direito Autoral pois a lei brasileira de direitos autorais (Lei 9.610/98) está entre as mais rígidas do mundo no que diz respeito ao acesso a produções culturais e se apresenta discrepante diante da realidade social gerada pelas novas tecnologias. O MinC lançou em 2010 uma chamada pública para mudanças no texto do projeto de lei. Assim, a sociedade através da internet debateu ponto por ponto o projeto de lei. Desde 2007 o MinC vem fomentando o debate sobre temas como cópia privada, uso educacional de obras protegidas, proteção ao autor e cessão de direitos. Acreditamos ser necessário avançar muito nessa área pois o acesso à produções culturais é essencial para a produção de cultura e para a diversificação de olhares. Alguns avanços significativos que o Governo Dilma pode conquistar nessa área são a descriminalização de algumas das práticas ditas de “pirataria”, a possibilidade de cópia privada, a criação de um sistema de supervisão estatal dos órgãos coletores de direitos autorais, a questão da fotocópia para uso educacional e o aumento das possibilidades de usos “justos” das obras protegidas.</p>
<p>* As Conferências de Cultura por estabelecerem uma participação direta da população no encaminhamento da política da cultura no Brasil. A participação da população brasileira na política nacional muitas vezes se restringe somente a eleição de seus representantes (políticos). Contudo, a democracia brasileira em sua constituição também prevê a participação direta da população na política, sendo as conferências importantes instrumentos para tal participação. Outro aspecto importante das conferências é fazer com que a política da cultura não se restrinja somente a visão de política da cultura como financiamento de grandes espetáculos. O que muitas vezes se limita a atuação de secretarias de cultura municipais e as vezes até estaduais. A participação direta da população na condução da política da cultura contribui para uma “abertura” uma “abrangência” da visão de cultura, tornando o debate sobre a cultura mais plural e conectado com as espectativas da população brasileira.</p>
<p>* A Ação Griô por valorizar os griôs, que são entendido na Ação Griô como todos aqueles que se reconheça ou seja reconhecido por uma comunidade como um(a) mestre das artes, da cura e dos ofícios tradicionais, um(a) líder religioso(a) de tradição oral, um(a) brincante, um(a) cantador(a), tocador(a) de instrumentos tradicionais, contador(a) de histórias, um(a) poeta popular. A valorização dos griôs é de suma importância para uma compressão mais abrangente de cultura, uma visão de cultura não como um mero produto e sim como um processo, como valorização da vida, reconhecendo outros saberes além dos científicos e técnicos. A Ação também fomenta e fortalece o ingresso da sociedade civil através dos griôs e griôs-aprendizes na educação pública formal, colocando num mesmo caldeirão, velho, adulto, criança, saberes locais e comunitários com saberes formais e globais, pedagogia oral com escrita e misturando técnica com magia, fortalecendo a visão de que só tem tradição quem inventa, noção essencial para o desenvolvimento no contexto global atual de grandes fluxos econômicos, políticos, sociais e culturais.</p>
<p>* A Reforma da Lei Rouanet pois o Brasil é um país imenso e plural e a lei de renúncia fiscal destinada a cultura como esta desenhada hoje não consegue abranger tal pluralidade. Atualmente a grande maioria dos recursos aplicados na cultura provenientes da Lei Rouanet são destinados ao Sudeste. Números recentes demonstram que 80% do que foi arrecado para a cultura pela Lei Rouanet ficaram em 3 estados do Sudeste e quase sempre para os mesmo produtores culturais. Outro fato importante de se ressaltar é que as empresas que financiam cultura através da Lei Rouanet atualmente utilizam-se desse recurso para expandir seus setores de Marketing, através da divulgação de suas marcas. A Reforma da Lei Rouanet é necessária para que possamos passar do estágio atual de financiamento da cultura pelas empresas somente para projetos culturais “rentáveis” imediatamente para uma visão que vá além somente da questão financeira, e que seja comprometida com a cultura como espaço de questionamento e de soluções para as estruturas políticas, sociais e econômicas atuais. Entre algumas das reformas sugeridas, destacamos como primordiais para um sistema mais justo e igualitário de financiamento da cultura o aprimoramento do sistema de avaliação de projetos e a diminuição da burocracia; melhor distribuição regional dos recursos; transparência nos processos de financiamento e diversificação das formas de financiamento, buscando formas de financiamento a longo prazo e não somente a projetos de resultados imediatos. Contudo, não é uma lei que irá mudar a questão da centralização dos recursos, pois uma maior participação do Estado nos processos de financiamento de projetos culturais não garante a priori um melhor repartimento e destinamento aos recursos. O Estado também pode ser bastante centralizador. Assim, nos parece necessário realizar muito mais que uma lei, é necessário a mobilização e o debate junto as empresas e as pessoas envolvidas com produção cultural sobre um sistema mais igualitário de distribuição dos recursos.</p>
<p>* Os Pontos de Mídia livre realizados pelo MinC abriram perspectivas para a comunicacão que contrastam consideravelmente com a postura do Ministério das Comunicações que manteve sua política de garantir monopólios de produtores por um lado e currais de consumidores por outro. Com a implementação de Pontos de Mídia Livre, não se trata apenas de escolher o que “consumir” na grande mídia, mas de sermos todos mídia: uma multidão de comunicadores autônomos dispostos a cooperar e a trocar palavras e experiências. A valorização de uma centena de iniciativas (de televisão, rádio, publicações impressas e formatos eletrônicos diversos na internet) já existentes pelo Brasil abriu a possibilidade de uma democratização radical da autoria, da gestão, da produção e de um consumo que não é reduzido ao “acesso” à informação e sim aberto a todas as formas de compartilhamento e usos comuns da expressão livre de todos e de cada um. O resultado é uma comunicação inserida na polifonia da vida e não mais restrita a um mercado monofônico.</p>
<p>Diante da possibilidade de mudança nos rumos da Política da Cultura realizada nos últimos 8 anos ou mesmo o engavetamento e sucateamento das políticas citadas que já estão em prática, faz-se necessário a mobilização e cooperação dos movimentos culturais e de todos os interessados nos rumos da política da cultura.</p>
<p>“Acreditar no mundo significa principalmente suscitar acontecimentos, mesmo que pequenos, que escapem ao controle, ou engendrar novos espaços-tempos, mesmo de superfície ou volumes reduzidos. É ao nível de cada tentativa que se avaliam a capacidade de resistência ou, ao contrário, a submissão a um controle.” Gilles Deleuze</p>
<p>Fazemos das palavras de Deleuze as nossas, acreditando que é necessário suscitar acontecimentos de qualquer natureza que demonstrem nossa capacidade de resistência e de mobilização, para a consolidação, permanência e ampliação de ações e iniciativas que vêm mudando e tornando possível uma aproximação da sociedade civil e do governo brasileiro para uma radicalização democrática através de uma cultura potente e inovadora.</em></p>
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		<title>Where is my mind?</title>
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		<pubDate>Wed, 01 Dec 2010 01:11:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Estética]]></category>
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		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
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		<description><![CDATA[Dia desses vi um filminho muito interessante sobre a relação entre a forma de pensar criativamente e a forma de organizar sua área de trabalho &#8211; a forma como você organiza seus espaços estariam ligados à forma de organizar ideias, vontades, disposições, criatividade, etc. Lembrei desse vídeo por causa de meu birô (foto acima), minha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1690" class="wp-caption aligncenter" style="width: 732px"><a rel="attachment wp-att-1690" href="http://www.locoporti.blog.br/where-is-my-mind/desorganizado/"><img class="size-large wp-image-1690" title="Desorganizado" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2010/11/Desorganizado-1024x768.jpg" alt="" width="722" height="541" /></a><span style="color: #993300;"> </span><p class="wp-caption-text">Meu birô nos últimos meses</p></div>
<p>Dia desses vi um filminho muito interessante sobre a relação entre a forma de pensar criativamente e a forma de organizar sua área de trabalho &#8211; a forma como você organiza seus espaços estariam ligados à forma de organizar ideias, vontades, disposições, criatividade, etc. Lembrei <a id="aptureLink_OPUoBJFbbj" href="http://www.vimeo.com/3239496">desse vídeo</a> por causa de meu birô (foto acima), minha área de trabalho em casa hoje. Nela, ainda que desfocada, uns livros, revistas, papéis velhos, remédio vazio, cordas de contra-baixo, material de ilustração &#8211; lapis e cadernos &#8211; um pote de iogurte, fiação do computador, de caixas de som e de eletricidade, uma capa de DVD com um DVD dentro, latas de metal que continham mantega e hoje contém outras coisas, óculos, baterias, um cinzeiro do Uruguay, um retrato de Vinícius. Na verdade, desde que terminei a tese ela vive assim, amontoada de uma desordem que eu nunca vivi. O velho birô, que eu comprei na Rua da Conceição uns anos atrás, anda abarrotado de coisas, e ideias, e carbono impresso, se derramando por todos os lados, vazando.</p>
<p>De modo que se por uma parte a finalização do trabalho me abriu muitas possibilidades, vários encontros, pessoas, afetos, processos etc, a verdade é que não tenho conseguido dar conta de praticamente nada. A exceção é o trabalho na Secretaria, que me toma o dia inteiro. Somente ele tô conseguindo fazer direito. E isso me deixa bem quebrado ao fim do dia.</p>
<p>Uma interação maior com a rede Metarec, sobretudo nas reflexões dos processos; a edição de um livro com o querido amigo <a href="www.caotico.com.br" target="_blank">Inácio</a> a partir de uma boa ideia;  uma agenda de trabalho/estudo visando os concursos que virão por aí; dedicar um pouco mais ao Grupo de Estudos de Educação para o qual o querido Rui me convidou; e as mais recentes possibilidades de <a href="http://odespacho.wikispaces.com/" target="_blank">trabalho conjunto</a> com Pajé, Pixies, <a href="http://culturadigital.br/contraculturadigital" target="_blank">Thais, Ruiz</a> e Djahdjah depois do Fórum de Cultura Digital; além da chamada para &#8216; invadirmos&#8217; a SBS também entram nessa conta. São só algumas das coisas mais recentes que não tem andado. O próprio Fórum já vai em duas semanas, o Encontro Metarec no Recife, vai completar uma semana, sem que eu tenha conseguido fazer e postar nenhum relato.</p>
<p>Toda essa romaria de coisas iniciadas e não finalizadas, uma inflação de informação me cercando, a dificuldade de concentração nos projetos que surgem  e nas possibilidades que se abrem têm me dado a impressão duma estagnação  danada &#8211; física, mental, espiritual. Queria me convencer de que esse day after prolongado pós entrega  de tese acontece com todo mundo.</p>
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<div id="aptureLink_gK0tnqAJdj" style="margin: 0pt auto; text-align: center; display: block; padding: 0px 6px;"><object id="apture_embedPlayer2" classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="489" height="411" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="bgcolor" value="#ffffff" /><param name="quality" value="high" /><param name="allowScriptAccess" value="always" /><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="flashvars" value="start=0&amp;domId=apture_embedPlayer2" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/W7zYuf70kEk&amp;rel=0&amp;fs=1&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;enablejsapi=1" /><param name="name" value="apture_embedPlayer2" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed id="apture_embedPlayer2" type="application/x-shockwave-flash" width="489" height="411" src="http://www.youtube.com/v/W7zYuf70kEk&amp;rel=0&amp;fs=1&amp;showinfo=0&amp;iv_load_policy=3&amp;enablejsapi=1" name="apture_embedPlayer2" flashvars="start=0&amp;domId=apture_embedPlayer2" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always" quality="high" bgcolor="#ffffff"></embed></object></div>
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<p>Mas não sei não.</p>
<p>Ao lado disso tudo tenho andado muito cansado. Por um lado, tô precisando parar 20 dias que seja &#8211; o corpo tem dado sinais de que é também um calendário. Por outro lado é engraçado isso. A impressão do cansaço no corpo, que resiste mais hoje em dia às intencionalidades, é muito clara. O que é outra forma de perceber o envelhecimento. Antes, eu achava engraçado quando alguém dizia &#8216;não sou mais um garoto de 22 anos&#8217;. Hoje essa frase é mais próxima do que antes.</p>
<p>E há outro cansaço me rondando. Mas desse é mais difícil de falar, porque é intangível. Cansei daquilo que me toma o tempo por ser mentira, por ser hipocrisia, mise en cene (assim que escreve?) e tô abrindo mão sempre que puder de conviver com essas forças&#8230;</p>
<p>Daqui uma semana faço 38. Acho que já deveria ter aprendido a contornar certas coisas, como a frustração de não poder me dedicar integralmente àquilo que me interessa e viver disso &#8211; e muito mais. Ou saber evitar os pulhas que sempre aparecem pelo caminho. Ou saber dizer NÃO mais vezes. Ou saber dizer SIM mais vezes ainda. Talvez viver seja isso, a procura por limpar sua área de &#8220;trabalho&#8221; constantemente, sem fim, descartando os pulhas de antes, de hoje e do futuro; re-colocando prioridades; aprender a usar outros vocabulários e aprender a se curar com eles&#8230; E no fim e durante, aprender a fazer o amor.</p>
<p style="text-align: center;"><a rel="attachment wp-att-1693" href="http://www.locoporti.blog.br/where-is-my-mind/organizado/"><img class="aligncenter size-large wp-image-1693" title="Organizado" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2010/11/Organizado-1024x768.jpg" alt="" width="737" height="553" /></a></p>
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		<title>Feliz aniversário atrasado Baruch!</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Nov 2010 18:31:46 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Coisas imateriais]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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<p><em>A filosofia de Espinosa é uma crítica da superstição em todas as suas formas: religiosa, política e filosófica. A superstição é uma paixão negativa da imaginação que, impotente para compreender as leis necessárias do universo, oscila entre o medo dos males e a esperança dos bens. Desa oscilação, a imaginação forja a ideia de uma Natureza caprichosa, dentro da qual o homem é um joguete. EM seguida, essa concepção é projetada num ser supremo e todo-poderoso, que existiria fora do mundo e o controlaria segundo seu capricho: Deus. Nascida do medo e da esperança, a superstição faz surgir uma religião onde Deus é um ser colérico ao qual se deve prestar culto para que seja sempre benéfico. A superstição cria uma casta de homens que se dizem intérpretes da vontade de Deus, capazes de oficiar os cultos, profetizar eventos e invocar milagres. A superstição engendra, portanto, o poder religioso que domina a massa popular ignorante. O poder religioso, por sua vez, forma um aparato militar e político para sua sustentação, de forma tal que a superstição está na raiz de todo Estado autoritário e despótico, onde os chefes se mantêm fortes alimentando o terror das massas, com medo dos castigos e com suas esperanças de recompensa. Toda filosofia que tenta explicar a Natureza apoiada na ideia de um Deus transcendente, voluntarioso e onipotente, não será filosofia, será apenas uma forma refinada de superstição.</em></p>
<p><em>A crítica da superstição leva Esínosa a escrever a Ética, onde demonstra como Deus é a causa racional produtora e conservadora de todas as coisas, segundo leis que o homem pode conhecer plenamente; escrever o Tratado da Correção do Intelecto, onde separa a imaginação da razão e mostra o caminho que esta deve seguir para conehcer a realidade; a e escrever o Tratado Teológico-Político, onde analisa a gênese e os efeitos da superstição e elabora a primeira interpretação histórico-crítica da Bíblia. A crítica da superstição leva Espinoza a negar a existência de causas finais na realidade e a redefinir a liberdade humana, não mais como livre-arbítrio, mas como consciência da necessidade. A virulência dessas criticas acarretou-lhe a acusação de ateu, sendo que, no século XVII (como em todos os tempos), ateu não é o homem que não crê em Deus, mas o “que não acredita em nosso Deus”. Ateu é menos uma designação religiosa do que política e refere-se ao homem que concebe Deus contra a concepção tradicional e, portanto, abala o edifício da religião e do Estado que se sustenta nela.</em></p>
<p><em>Comparado com os outros filósofos do século XVII, Espinosa distingue-se pelo racionalismo absoluto. Descarte e Leibniz, por exemplo, a despeito de seu racionalismo, deixam permanecer mistérios subjacentes ao conhecimento racional, enquanto Espinosa procura desfazer a própria noção de mistério e não apenas os conteúdos misteriosos. A filosofia, para Espinosa, é conhecimento racional de Deus, da Natureza, e da união do homem com a Natureza, isto é, com Deus. O Deus espinosano não é o Deus Escondido de Pasça; Espinosa não é um trágico, como o autor dos Pensamentos. Para Espinosa, uma consciência dilacerada por paixões contrárias e atônita diante do infinito jamais alcançará a verdade nem se sentirá unida a Deus, isto é, à Natureza. Não é possível sentir alegria e amor sob as ruínas da razão.</em></p>
<p><em>No autor da Ética não há tragédia, nem há mistério; ao contrário, confiança plena na razão, capaz não só de conhecer, mas de fazer o homem trilhar o caminho das paixões positivas, a alegria e o amor.</em></p>
<p>Esse é um trecho da ‘Vida e Obra’, a apresentação à edição da coleção Pensadores da Editora Nova Cultural, dedicada a Baruch de Espinosa. Foi escrita por <a id="aptureLink_5bB2uoJLVj" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Marilena%20Chaui">Marilena Chauí</a> e especialmente interessante para mim por várias razões. Uma delas é meio óbvia: ela sugere (de forma involuntária) um ponto de partida para a interpretação do Brasil nesse início de segunda década de um século que promete ser curto. De um país que aprofundou, talvez sem perceber, o abismo entre uma racionalidade vívida e erótica e promissora, e suas origens ou heranças mais obscuras. Isso esborrou na campanha eleitoral desse ano, da pior maneira que poderia acontecer. As reflexões mais longas dessa volta ou reforço ou saliência de nosso obscurantismo e de nossas superstições estão pipocando por aí.</p>
<p><span id="more-1651"></span></p>
<p>O aniversário de Baruch de Espinoza ainda me remete à cínica falta de liberdade com que se vivem tantas de nossas relações. E por decorrência, isso me remete à relação entre ética e moral desenvolvida por esse sujeito, nascido na cidade castelhana de Espinoza de los Monteiros, em 1492. Porque para o senso comum, ética e moral são a mesma coisa, e podem ser traduzidas pela idéia de uma doutrina dos deveres do homem. Mas a moral e a religião é que são colocados pelo filósofo juntas, como um sistema que impõem certos deveres ao homem.</p>
<p>Na ética pensada e desenvolvida por Espinoza, ele recupera o sentido grego do ethos, modo e maneira de ser. Sua ética é uma definição do ser como ele é e porque ele é. Assim, quem age por dever não é autônomo, não é livre. Agir pela ética é agir pela liberdade. Como isso é bonito e poderoso!</p>
<p>Outra razão por lembrar de Espinoza é o lugar que sua filosofia de liberdade ainda pode ocupar nas ações coletivas com mídias livres no Brasil. Até que ponto ela de fato é uma referência presente, suscitadora, até que ponto era construção discursiva e só? Até que ponto eu é que li e me empolguei com um Espinoza entre brumas e palavras na fala de pessoas com quem conversei? Ou até que ponto e em que medida aquilo tudo se perdeu, no desvio e na vertigem das racionalidades que secam toda esperança, dia a dia?</p>
<p>Textos introdutórios para a filosofia e a vida de Baruch de Espinoza há muitos &#8211; aliás, se é difícil separar a vida do filósofo de sua produção teórica, Espinoza deve ser um dos que essa premissa é mais verdadeira. O livro de Deleuze sobre ele deixa isso de forma muito clara. É uma biografia filosófica sobre baruch, mas também uma declaraçãode  amor à filosofia. Você pode baixar o livro Filosofia Prática <a href="http://www.4shared.com/document/t1VUZONh/Deleuze_-_Espinosa__Filosofia_.html" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p><a href="http://www.antroposmoderno.com/antro-articulo.php?id_articulo=618" target="_blank">Aqui</a> e <a href="http://www.consciencia.org/spinozadanilo.shtml" target="_blank">aqui</a> e <a href="http://www.consciencia.org/spinozadanilo.shtml" target="_blank">aqui</a> uns bons textos uns textos para começar a se entender com Espinoza. Outra ótima coleção de textos é a que esse pessoal da USP vem produzindo, os <a href="http://www.fflch.usp.br/df/espinosanos/espinosanos.html" target="_blank">Caderno de Estudos Espinosanos</a>.</p>
<p>A <a href="http://www.claudioulpiano.org.br/" target="_blank">Fundação Cláudio Ulpiano</a> também tem um bom material, na forma das lendárias aulas do filósofo que lhe dá nome, como o vídeo acima pode mostrar.</p>
<p>Recentemente, foi republicado esse livro a que me referi, Ética, pela Editora Autêntica, numa boa edição com tradução de Tomaz Tadeu. Recentemente Roger Scruton escreveu <a href="http://www.editoraunesp.com.br/titulo_view.asp?IDT=658" target="_blank">esse livro </a>sobre o filósofo pela editora UNESP.</p>
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		<title>O primeiro dia do Fórum de Cultura Digital 2010</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Nov 2010 03:36:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Viagens e afins]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Depois de um longo primeiro dia da programação do Fórum, finalmente me sento na frente de um computado e me conecto à net, o que não deixa de ser interessante. Num evento em que o mote declarado e o de uma cultura + digital, o resultado da soma parece ser conectado (à internet), o que está longe de se verdade. A variedade da programação, a complexidade de algumas das conversas, as conversas em si felizmente me deram o presente de passar um dia inteiro sem acessar a rede &#8211; sem no entanto me deixar com aquela velha sensação de estar desinformado.</p>
<p>O que mais gostei desse primeiro dia foi ter conhecido algumas pessoas que há anos conheço e/ou me comunico exclusivamente por email. Finalmente conheci Régis Bailux, que veio a Sampa com Pati Pataxó, da aldeia de mesma linhagem que fica em Arrraial D´Ajuda. Conheci finalmente pessoalmente Paulo Lara, vulgo Pajé; Fabiana Goa; Tatiana Prado; Leonardo Palma; Jarbas Jácome; MBraz; Drica Veloso; Silia; além de ter reencontrado FF, Ruiz, Fabs, Cláudio Prado, Samadeu, Glerm e Simone; Brazileiro.</p>
<p>Comecei uma conversa muito boa com Pajé que vai poder render um projeto interessante mais na frente. Muita conversa e acertos ainda vão passar por debaixo da ponte. Acompanhei os ajustes no planejamento que o Bailux está armando pro Arraial, junto com MBraz e a querida Tatiana Prado. Também valeu acompanhar, ainda que por pouco tempo, as primeiras articulações em torno do edital (ainda por sair) que financiará a Rede Labs. Muito ainda vai se falar sobre esse esforço, do qual fazem parte FF, Glerm e Simone, Jarbas, Brazileiro, José Murilo (MinC) e muitas outras pessoas que não conheço. Muito tosca e resumidamente, o edital prevê financiar a criação de laboratórios de experimentação em arte e cultura digital sem a obrigação de retorno, relatório ou prestação de contas. Pelo que eu entendi, há iniciativas semelhantes na Europa. A íntegra do áudio tá <a href="http://ping.fm/9244Z" target="_blank">aqui</a>. Amanhã tem mais na tenda &#8216;com a mão na massa&#8217;. Vou chegar junto.</p>
<p>Na programação do Fórum, acabei perdendo a abertura oficial, com o debate entre Cláudio Prado, Gilbero Gil e John Perry Barlow. Mas considero que a troca foi boa: almocei com boa parte dessa gente acima e entabulei a conversa inicial do projeto conjunto com Pajé. Saí ganhando mais, acho. Ainda pela manhã, acompanhei o debate sobre modelos para a remuneração dos artistas em tempos de economia digitalizada.</p>
<p>À tarde, fiquei meio perdido e o atraso na programação do Fórum colaborou. Acompanhei algumas palestras de troca de experiências de projetos que seguem a tênue linha da inclusão digital, criação de plataformas de compartilhamento e de apoio a artistas e comunidades carentes. Todas elas seguindo pela linha de empreendedorismo, de formação de capital, de criação de valor e me deu uma certa náusea o debate protagonizado por uma certa classe média branca instruida e bem alimentada definindo o que é melhor para as comunidades &#8220;carentes&#8221; &#8211; minha impressão é que a única coisa certa entre os sujeitos que fizeram esse debate em especial é a necessidade do caminho institucional, formação empresarial, geração de produtos, criação de capital. Sem, no entanto nenhum aceno com uma perspectiva libertária, afirmativa, de pertencimento, etc.</p>
<p>O melhor da tarde foi pitacar no projeto de Pontão para o Arraial, que MBraz, Régis, Tati Prado e Paty estão desenhando. Vai sair coisa boa daí. Nenhum deles sabe bem o quê, nem eu, hehehehe, mas que sai sai.</p>
<p>No mais muito cansaço. A van nos deixou às 22 horas no Hostel e ainda fomos (eu, Régis e Paty) comprar macarrão para fazer uma janta &#8211; encarando o cinismo da burguesia frequentadora do Pão de Açúcar mais próximo e sua segurança desconfiada. Vou dormir que amanhã tem mais.</p>
<p>Também há mais para relatar sobre um certo frescor que foi embora para sempre entre os artífices das primeiras ações coletivas com mídias livres nessa década que se encerra. Mas isso vai ter que esperar mais&#8230;</p>
<p>Ps.: Grata surpresa: descobri durante esse primeiro dia que esse blog é mais lido que que eu sabia &#8211; ou esperava. <img src='http://www.locoporti.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /> </p>
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