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Concentrado no banheiro, Queops elaborava sugestões para as oficinas no Coque sob a influência do olhar do Surfista Prateado
Esse fim de semana fizemos uma reunião na minha casa para definir várias coisas relativas a nossa intervenção na comunidade do Coque. Conseguimos estabelecer o cronograma das oficinas, bem como quem vai ser responsável por elas, o cronograma, tiramos ainda uma data para fazer um mutirão nas máquinas – sobretudo instalação de uma distribuição Linux – entre outras coisas.para começar, o começo: as oficinas começam no dia 17 de maio e seguem por três semanas, até o dia 03 de maio. Esse conjunto inicial de oficinas será ministrado pela dupla Ricardo Ruiz e Ricardo Brazileiro sobre áudio e experimentações com hardware.
A ideia deste primeiro ciclo de três semanas é que os conteúdos estejam articulados entre si, de modo que seja possível elaborar um projeto para se confeccionar algum dispositivo, máquina, áudio, etc., fruto da interação entre as oficinas de áudio e experimentação. Ao longo de uma semana as oficinas são alternadas na sexta-feira os dois oficineiros estarão presentes nas atividades do laboratório. A mesma fórmula será adotada para os outros ciclos de três semanas. Os participantes da comunidade serão “convocados” na Esc0la Leonardo Barreto.
O segundo ciclo de três semanas de oficinas acontece entre o dia 7 de junho e o dia 29 de junho e será focado em vídeo e internet/CMS. Esse é um conjunto de oficinas que acho que promete um bocado. Os oficineiros serão Celinha Menezes, Gustavo e Queops Negão. Esse último rapaz trou a possibilidade de uma abordagem da internet que permita uma discussão sobre comunicação e crítica aos meios comerciais.
O terceiro ciclo vai acontecer em julho, mas ainda está sem data definida. Será um repeteco do segundo conjunto de oficinas dado pelo trio Célia, Gustavo/Queops. O quarto ciclo, entre 30 de agosto e 16 de setembro será dedicado a áudio e vídeo e direcionado aos agentes de desenvolvimento comunitário que começaram a ser formados pelo NEIMFA. O quinto ciclo finalmente acontece em outubro, mas ainda sem data definida – será dedicado a oficinas de áudio + Metarec. De fato todo esse processo já foi iniciado.
Mas terá um ‘ponta-pé’ oficial com a palestra que Paulo José Lara, o Pajé, vai nos dar no dia 29 de maio, na sede do Programa de Pós Graduação em Comunicação da UFPE e com uma visita ao Coque no mesmo dia. A ideia é que Pajé possa apresentar a palestra que ele fez para seu doutorado, que tá em fase final, e que também possa compartilhar informações a partir de sua experiência em projetos semelhante e que nos ajudem nesse caminho. Pajé vai falar sobre “As potências estéticas da mídia tática e os caminhos da comunicação autônoma”, numa realização do Programa de Pós-graduação em Comunicação (PPGCOM) e da Rede Coque Vive.
Outras providências ainda foram tomadas. No sábado 16 de abril faremos um mutirão geral para diagnosticar a quantas anda o laboratório e as máquinas, verificar no detalhe as configurações, o que eventualmente falta comprar e fazer uma instalação geral de uma distribuição Linux. Inicialmente, aliás, pensamos que a instalação do Linux poderia fazer parte das oficinas. Ocorre que os computadores já são usados noutras atividades da casa, há muitos arquivos nas máquinas, são 13 máquinas, oq e deverá implicar em dois alunos por computador. Por essas razões resolvemos que as oficinas já começaram com as máquinas equipadas com a distribuição, mas uma delas será usada para a instalação do sistema no início. É claro que não é a mesma coisa, que o ideal seria incorporar a instalação ao processo desde o início. Mas também é verdade que o ideal é inimigo do possível, em muitos casos e esse parece ser um deles.
Por esses dias os oficineiros deevrão finalizar as ementas e nos enviar, e quando isso tiver pronto posto aqui para ouvir mais sugestões. É interessante lembrar que o trabalho das oficinas será complementado por monitores do uso dos equipos, pois a ideia é que o ltelecentro que o telecentro que já existe hj seja usado ao máximo de acordo e em sintonia com o trabalho realizado nas oficinas. Para isso é que amos precisar de monitores para acompanhar a meninada no uso do lugar. Queops e Igor, que tambémparticipará das oficinas de vídeo, se dividirão para fazer isso.
O fato é que a Unidade Coque Livre já é realidade, já começou e senti uma boa energia de todo mundo reunido aqui em casa, todos com vontade de fazer acontecer de forma boa e bonita.
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O retrocesso no MinC espelha o refluxo do governo Dilma
Luiz Carlos Pinto | 21 de março de 2011 17:00Depois do choque inicial das cenas acima comecei a me convencer que minha náusea com esse carnaval não foi um cansaço físico de minha rotina; nem cansaço afetivo de brincar de brincante no meio de brincadeiras. A náusea que vinha sentindo esses dias tá mais relcionada à violência de quem naquele momento tem mais força, à violência de quem por capricho ou compromisso passa por cima de tudo, quebre parabrisa, perna, cabeça, diálogos, esperanças das coisas se ajeitarem, caminhos, acordos, carinhos, cuidados, gente.
Acho que esse diagnóstico se aplica ao insuspeito e rápido retrocesso pelo qual passa o Ministério da Cultura. Retrocesso que, diga-se de passagem, não começou com Anna de Hollanda, nem com Dilma, que escolheu mal, num erro de estratégia que revela o grau e o tipo despolitização do Partido dos Trabalhadores. Digo isso porque a conquista de uma hegemonia que flertasse com o socialismo, apesar de tantos pesares em oito anos de governo Lula, foi mais marcado e claro no Ministério da Cultura – e isso apesar de Gil não ser um socialista de carteirinha como a torcida do Bahia Futebol CLube sabe bem.
Na verdade, a desconexão com uma programática socialista do PT foi pras cucuias faz tempo e o que vem sendo observado é a confirmação do diagnóstico segundo o qual não somente o Partido dos Trabalhadores, mas o governo petista está indo para a Centro- Direita, como já analisou o Rodrigo Viana.
Os sinais evidentes emitidos por Dilma são de um governo que ruma para o centro. Isso já estava desenhado desde a campanha eleitoral de 2010. Lula havia feito movimento semelhante, ao escolher José Alencar para vice e ao lançar a “Carta aos Brasileiros”, em 2002. Mas o movimento de Lula rumo à centro-esquerda não tinha nitidez institucional. Ele se aproximou de personagens avulsos no mundo empresarial (além de Alencar, Gerdau e Diniz), e não fechou aliança formal com PMDB, mas apenas com pequenos partidos conservadores: PL (depois PR), PTB e PP. Fora isso, Lula manteve-se firme (fora da cartilha liberal) na relação com movimentos sociais e na política internacional – além de ter adotado ações econômicas keynesianas (para irritação dos economistas e colunistas atucanados) no segundo mandato.
O movimento de Dilma é mais claro, mais institucional. Michel Temer na vice. PMDB na aliança formal. Isso tudo já estava desenhado. O início de governo aprofundou esse movimento. Ao adotar, agora, prática econômica apoiada pelos liberais, Dilma capturou a simpatia (real? duradoura?) de setores da mídia que estiveram fechados com Serra durante a campanha. Faz o mesmo em relação à política internacional (menos “terceiro-mundista” do que Lula, como comemora a “Folha” em editorial nessa sexta-feira). E já há sinais de que o governo pode abandonar a proximidade estratégica que mantinha com movimentos como o MST (sinais que vêm de dentro do INCRA, por exemplo – a conferir).
É um movimento claro: Lula já ocupara a esquerda e a centro-esquerda; agora, o projeto petista expande-se alguns graus mais – rumo ao centro!
Embora reconheça que é uma estratégia inteligente, Rodrigo reconhece o ônus e o risco político que ele implica: apagar as diferenças de vez (e que na verdade vêm sendo dissipadas desde a Carta aos Brasileiros) e abrir caminho para que as forças de direita façam o mesmo.
Outras análises, como as de Tsvakko são mais amplas e evidenciam a assustadora metamorfose de parte da esquerda brasileira, na sua intransigente defesa do Capital. Vale a leitura da análise e acompanhar o site. No texto, Tsvakko antevê outra possibilidade ruim desse processo – que tá acontecendo rápidamente – a perda do apoio fundamental dos movimentos sociais e da comunidade acadêmica, que, reta final da campanha evitaram que José Serra virasse a mesa. Para Tsvakko, mas também para Maurício Caleiro, Alexandre Porto e Arnóbio Rocha a trajetória do governo Dilma vai prezando por um economicismo suicida a partir de um pacote de medidas neoliberal com um horizonte de sucateamento lá na frente.
Todas essas análises fazem a relação entre as escolhas políticas e o leque de possibilidades que advém delas. Essa compreensão pode ser ainda aprofundada com a discussão de modelos de democracia e estratégia socialista, mas isso exigiria uma vontade revolucionária que, definitivamente, parece fora de questão atualmente. O que apontaria a necessidade de começar a romper com o petismo em direção a uma cultura política que não descarte, mas que também não tenha o partido como dentro da ação política.
Cultura, hegemonia, política
No meu entender foi no Ministério da Cultura dos governos Lula que essa possibilidade começou a ser desenhada e experimentada. O refluxo no MinC não é da responsabilidade direta de Ana de Hollanda, é o refluxo do governo Dilma, acima esboçado. Arrisco dizer que a virtuosidade das iniciativas, programas, consultas públicas no âmbito MinC nos últimos oito anos se tornaram possível por causa de seu comando (Gil e Juca), claro, mas também por causa de uma lógica política que ia além do petismo, por causa do petismo, já que Gil foi para o MinC por causa e escolha do seu líder maior.
Acho que essa forma de fazer política cultural não está somente na maneira de elaborar a Ação Cultura Digital, dentro do programa Cultura Viva. Estava também na elaboração das mundanças à Lei 9.610, sobre Direitos Autorais – um processo aberto que incomodou demais os representantes das industrias da intermediação e os artistas e produtoras que se beneficiam dela – essa reportagem do Link demonstra bem esse incômodo. Tenho pra mim que a tecnocracia de esquerda a que Idelber se refere nesse post, como uma estratégia real da presidanta, recoloca os problemas políticos como questões técnicas e gerenciais é ruim para aquele processo.
De modo que acredito que o retrocesso no MinC é a ponta do iceberg do que é e do que quer ser todo o governo Dilma. O caso Bethânia é a ponta do gelo nesse iceberg. Espantam-se que um governo de suposta continuidade possa sediar esse retrocesso, mas é preciso entender para que lado do ring está caminhando o governo de uma forma geral. Olhando assim é que se pode compreender que o rompimento com as linhas das políticas do MinC de Gil e Juca espelha e reflete o movimento à centro-direita de todo o governo. Escreve Idelber:
Ao contrário dos antagonismos políticos, as escolhas gerenciais colocam aos sujeitos a tarefa de escolher “a opção correta”. Quanto menos explícitos ficarem os antagonismos, mais traduzível fica a política na linguagem do gerenciamento.
A questão que não quer cala é: o certo é o certo para quem? Para quem está governando? Para quem dá apoio a quem está na gerência? Para a indústria da cultura e seu capital transnacional? Para o autor, esse injustiçado? Mas qual autor, o que conseguirá captar R$ 1,3 milhão com ou sem apoio do MinC?
Não acredito mais que esse processo que temos visto seja extemporâneo; não espero mais a queda de Anna de Hollanda; não acredito que o esquecimento de Dilma em agradecer aos militantes, ativistas, ou pessoas que se envolveram na guerra de informação e contra-informação durante a eleição tenha sido um descuido. Acredito mais que o longo processo de mudança do discurso do PT e de abandono das teses socialistas se evidenciem com mais força na área da cultura agora, mas vem sendo buzinada há tempos noutras áreas. É também interessante observar como o processo de despolitização e de abandono das teses socialistas que ainda circulavam nas principais tendências do PT resulte na incapacidade de perbecer a perda de oportunidade em aprofundar as mudanças nesse front (cultura+comunicação+tecnologia), o que colaboraria para consolidar a hegemonia obtida nos últimos 8-9 anos e o papel do Brasil como referência no debate sobre bens públicos, commons, leis de propriedade sobre bens simbólicos, etc. Outro aliás, também não é acaso que a Agência Brasil tenha deixado de usar o Creative Commons…
A classe média desinformada e os velhos jornais
A grita que finalmente chegou aos jornais com relação ao retrocesso no MinC também chega à classe média – sobretudo aquelas partições que são pautadas pelos grandes grupos de comunicação do Brasil. Nos últimos anos essa parte da classe média nem suspeita dos avanços na forma de fazer política cultural, nas referências adotadas para democratizar a comunicação mas também a produção, circulação e usos de informação, cultura e conhecimento; assim como as implicações do debate sobre direitos autorias.
Essa parcela da classe média surpeende-se com as críticas ao MinC e é assustador como está à margem do debate – o que aliás é bem conveniente para o grupo que dá diretamente apoio à nova direção adotada pelo MinC. Aliás, como os temas que são objeto de confronto agora (e novamente) vem sendo tratados há anos, é difícil para que essa classe média desinformada não seja manipulada pelos blogueiros de boa e de má intenção (sem falar nos grandes grupos de comunicaçã0), porque a interconexão dos temas é facilmente passível de falácias e de omissões. O complexo e judicializado debate sobre direitos autorais; o desenvolvimento de plataformas livres de comunicação; o uso de softwares livres como condição importante para a democratização das condições de possibilidade para a produção de cultura; a emergência de redes colaborativas de interação simbólica, fomentadas pela gestão anterior, não parecem, a esse olhar desinformado, tratar das mesmas questões – ou da mesma questão: uma política de democratização das oportunidades e dos recursos que cria condições de possibilidade para a produção cultural fora e para além da lógica industrial.
Aliás, para você que chegou aqui sem cansar do assunto, vale à pena fazer uma simulação dos custos com direitos autorais que você deve pagar para fazer uma festinha com os amigos, aqui. A lebre foi levantada por @andreasaraiva.
Facilmente o que tenho visto é que essa classe média fica atrelada ao andar da carruagem puxado pelos jornais, pelos portais de comunicação e também pelos blogueiros que falaciosamente acusam a existência de uma rede de intenções arquitetada para derrubar a ministra da cultura. A isso se referem mesmo pessoas críticas e que se envolveram na campanha de Dilma.
O curioso é observar também que parte desse debate todinho só foi possível porque as políticas, as redes e as ações coletivas com tecnologias livres, fomentadas e fortalecidas na gestão anterior, estão fazendo barulho. Pessoas viajaram, se conectaram, criaram redes, ganharam equipamentos, produziram resultados e estão agora se movimentando, bem ou mal, criticando e fazendo o barulho possível. Não fosse isso, as mudanças no MinC passariam incólumes e seriam decididas nos escritórios de Brasília, das majors, do Ecad, como aliás estão sendo, mas sem nenhuma reação.
Está longe, entretanto, de existir ma articulação organizada para mudar a ministra Ana de Hollanda, o que é uma pena. Essa articulação só seria possível se essas redes tivessem alcançado um nível tal de articulação política e de auto-reflexão organizada que no meu entender ainda não aconteceu. Mas há a falácia de que existe uma articulação para derrubar a ministra, que o MinC estava aparelhado, que grandes grupos internacionais são os artífices desse aparelhamento, que os autores seriam prejudicados com a reforma da Lei do Direito Autoral. Uma das mais tradicionais formas de fazer política no Brasil é eliminar a discussão política ou desacreditar seu oponente. É esse o legado mais tradicional da forma brasileira (hegemônica) de fazer política: o fim da política, a anulação ou despotencialização do dissenso e do encontro de ideias. Em última análise, a violência de passar por cima de tudo o que é ameaça o atrapalha o caminho..
Abaixo alguns links, pra vc da classe média desinformada que ainda não cansou do assunto…
http://olharfeerico.wordpress.com/2011/03/16/os-milhoes-da-cultura-de-donana-amsterdam-sao-pra-quem-pode-nao-pra-quem-quer-ou-governo-e-pra-quem-tem-poder/#more-324
http://www.estadoanarquista.org/blog/?p=8293
http://www.outraspalavras.net/2011/03/10/de-que-ana-de-hollanda-tem-medo/
http://tsavkko.blogspot.com/2011/03/maria-bethania-falencia-do-minc-e.html/
http://www.cinemaemcena.com.br/pv/BlogPablo/post/2011/03/16/Por-que-o-MinC-esta-certo-em-autorizar-Maria-Bethania-a-captar-13-milhao-para-seu-blog.aspx
http://www.arianefonseca.com/index.php/reflexoes-para-um-jornalismo-melhor/maria-bethania-e-seu-blog-de-13-milhao/
http://www.trezentos.blog.br/?p=5627
Tags: Anna,Dilma Rousseff,Hegemonia e contra-hegemonia,Hollanda,intelectual,MinC,propriedade,retrocesso
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A esta hora exactamente,
Hay un niño en la calle.
¡Hay un niño en la calle!
Es honra de los hombres proteger lo que crece,
Cuidar que no haya infancia dispersa por las calles,
Evitar que naufrague su corazón de barco,
Su increíble aventura de pan y chocolate
Poniéndole una estrella en el sitio del hambre.
De otro modo es inútil, de otro modo es absurdo
Ensayar en la tierra la alegría y el canto,
Porque de nada vale si hay un niño en la calle.
Todo lo toxico de mi país a mi me entra por la nariz
Lavo autos, limpio zapatos, huelo pega y también huelo paco
Robo billeteras pero soy buena gente soy una sonrisa sin dientes
Lluvia sin techo, uña con tierra, soy lo que sobro de la guerra
Un estomago vacío, soy un golpe en la rodilla que se cura con el frío
El mejor guía turístico del arrabal por tres pesos te paseo por la capital
No necesito visa pa volar por el redondel porque yo juego con aviones de papel
Arroz con piedra, fango con vino, y lo que me falta me lo imagino.
No debe andar el mundo con el amor descalzo
Enarbolando un diario como un ala en la mano
(Peguei o vídeo no Luis Nassif)
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Documentando a montagem do laboratório de mídias do #CoqueVive
Luiz Carlos Pinto | 23 de fevereiro de 2011 14:57O relato abaixo foi construido a partir da última conversa entre mim, Célia Menezes, Gustavo Souza, Igor Cabral sobre os corres pra início das oficinas no Coque. mandei um relato dessa conversa pro grupo e depois acrescentei as observações feitas por Yvana, João e Roberta ao texto inicial. A ideia aqui é a documentação do esforço que estamos fazendo.
1. O básico
Um dos pontos de partida que tomamos para o funcionamento das oficinas de áudio e vídeo é que elas serão planejadas e executadas em função de quatro passos:
Roteirização
Captação
Edição
Veiculação
A primeira etapa é necessária para a definição do que e de como será construído relato do que quer que seja. A roteirização, aqui, pode ser pensada em teremos mais amplos, como “roteirização do projeto” da oficina. No caso do vídeo, essas roteirizações, de certo modo, coincidem. De uma forma geral é o momento em que devemos também discutir o “projeto da oficina”, independentemente de ser ou não de vídeo. Essa orientação é debitaria da idéia de aprender e discutir (cultura digital) fazendo. Ou seja, pensar fazendo, o que se traduz em refletir sobre a comunidade, a cultura digital, as mídias a partir da realização de um projeto concreto que pode ser pautado pelos afetos locais e pela dinâmica de trabalho em grupo – vide próximo item.
Temos uma câmera de vídeo no projeto e algumas câmeras fotográficas digitais também devem filmar. Podemos, além disso, tentar ver entre os próprios alunos quem dispõe de celular com capacidade de gravação. Precisamos dar um “balanço” no material disponível e em funcionamento na Estação.
O processo de edição vai requerer uma presença mais direta dos oficineiros. Ainda não sabemos as reais condições das máquinas no Lab Coque, o que é fundamental para definirmos se poderemos mesmo usar o Cinelerra ou se teremos que lançar mão de algum outro recurso. De mais a mais, para os programas que precisaremos para edição de áudio e mesmo das imagens estáticas (se for o caso) as configurações existentes já atendem. Também tínhamos, em tese, um computador apto a edição na Estação que, pelo que sei, nunca funcionou. Mas, precisamos também olhar as condições. Também temos um notebook.
E finalmente em termos de veiculação a orientação que achamos mais acertada é direcionar a produção para as redes sociais – o que é uma outra forma de tentar ampliar o horizonte para outras ferramentas além do Orkut, que é a rede mais usada sem sombra de dúvida.
As redes sociais são uma primeira “entrada”. Mas podemos tentar postar nas redes e no www.coquevive.org, ou estabelecendo links. Também temos o projeto de “TV Tática” com a TV PE para veicular inter-programas, um espaço a ser privilegiado nos “projetos de oficina”. Ou seja, podemos tratar com os alunos de projetos que possam ser veiculado e ter visibilidade na TV pública. A pergunta então pode ser não apenas “O que vcs querem filmar?”, mas também “O que a gente poderia mostrar na TV?”
2. Pauta de afetos locais
Um outro ponto que nos pareceu necessário é vincular todo o processo das oficinas ao respeito às realidades, gostos, interesses, costumes de quem for fazer as oficinas. Isso implica em observar a pauta de afetividades locais. Isso gerou uma discussão interessante em nosso grupo: e se, por exemplo, num dos grupos de trabalho (ver próximo ponto) um hipotético grupo quiser fazer um vídeo de um brega, ou de uma música de axé? Essa possibilidade existe, claro, e Igor lembrou de uma ocasião, numa oficina de fotografia (é isso mesmo Igor) em que numa das atividades algumas jovens trouxeram para a oficina fotos delas com langerie.
Concordamos que nesses casos é interessante observar o processo para lidar com o interesse de fazer um vídeo sobre determinada música. Nesse caso, é interessante o oficineiro se deter na letra da música, tentar avaliar com os grupos o conteúdo, debater as mensagens que são passadas. A ênfase no processo é poderosa justamente por permitir e fomentar a capacidade de reflexão. Dependerá de nossa habilidade instar a análise crítica desses conteúdos, sem necessariamente negar/evitar a produção de um vídeo que consideremos de conteúdo ofensivo ou de mal gosto. Da mesma forma essa perspectiva evita que aceitemos e passemos diretamente à produção do vídeo.
Esse exemplo especifica a necessidade de, partindo dos interesses, afetos, realidades vividas no local pelos jovens que farão as oficinas, nos dispormos a fomentar discussão e reflexão.
Alguém em nossa reunião sugeriu a pergunta: vocês querem filmar o quê?
3. Formação de grupos de trabalho
Um outro ponto de partida que nos pareceu interessante é adotar a formação de grupos para as tarefas estabelecidas nas oficinas – até pela quantidade reduzida de computadores no laboratório. Mas a formação dos grupos deve seguir uma orientação específica, que é a divisão de tarefas e a responsabilização dos integrantes de cada um dos grupos de trabalho. Com isso queremos associar funções típicas da produção de vídeos, áudio e de construção de sites como uma forma de introduzir os modos de fazer. É uma forma de dizer: há essas tarefas e essas funções a serem realizadas.
A divisão em grupos também nos parece uma estratégia para fortalecer a coesão e a identidade nas tarefas – com o cuidado que o oficineiro deve ter para não induzir à competição entre os grupos. Essa coesão e identidade podem ser fortalecidas na medida em tentaremos criar canais no Youtube ou no Soundcloud para cada um dos grupos, para veiculação do que for realizado.
Além desse aspecto, a formação em grupos pareceu-nos uma forma interessante de concentrar o trabalho e torná-lo produtivo (sem ser produtivista). Com relação a esses aspecto, veja o item seguinte.
4. Ser produtivo sem ser produtivista no processo
Concordamos que as oficinas precisam ter um norte, uma finalidade, uma meta a se alcançar. Nesse sentido, precisamos deixar claro o que será feito nas oficinas, a que “produto” queremos chegar. Essa é uma sutileza a ser debatida e por nós apreendida: como sermos produtivos nas oficinas sem sermos produtivistas? O que me parece ser a mesma pergunta colocada de outra forma: Como tornarmos as oficinas úteis, de modo a fomentarmos discussões e reflexões abertas com mídias digitais a partir da realidade vivida? No meu entender definir qual será a finalidade das oficinas, ao quê (vídeo, gravação, apetrecho, site, etc…) elas podem levar é fundamental para evitar dispersão e em última instância a evasão. Acho que esse ponto de partida é um trunfo que pode nos permitir contribuir com a visão crítica da realidade.
Mas é também fundamental observar o caminho a ser traçado guarda surpresas e uma posição que pensamos que deveremos tomar é não ficarmos presos ao “produto final”. Pode ser que no meio do caminho as oficinas suscitem discussões muito ricas que devem ser valorizadas, por atenderem a demandas afetivas localizadas.
Escrevo isso porque precisamos debater esse aspecto entre ser produtivo (e contribuir com a reflexividade da moçada) sem ficarmos presos.
5. Quem? Seleção? Via professores?
Outro aspecto que tratamos foi os jovens que serão alvo das Oficinas. Ficamos acertados nas reuniões passadas da realização dos circuitos nas escolas, como estratégia de atração/sedução dos jovens para as atividades. Fiquei me perguntando se uma conversa prévia com professores e eventuais assistentes sociais das escolas serviriam também para abordarmos alguns dos alunos. Pensei nessa possibilidade para discutirmos, pois os professores e assistentes sociais seriam aliados interessantes, com boas informações, sobre o perfil dos jovens, as disposições, a facilidade com manifestações artísticas, a disposição para trabalho em grupo… Não tenho opinião formada, mas penso também que essa seria uma boa forma de usarmos da convivência diária dos professores. De repente eles possuem informações que nos ajudem a direcionar e abordar alguns dos jovens com quem teremos contato nos circuitos.
Não tinha opinião fechada e ainda acho esse aspcto complicado, apesar de eu mesmo ter originalmente sugerido ouvir professores e assistentes sociais que trabalham nas quatro escolas da comunidade.
Uma observação feita por Robs me fez pensar noutra coisa em relação ao contato com os professores. Robs observou que duvida se os professores andam tão atentos assim. Nesse sentido, solicitar sugestões dos professores por alunos deles que poderiam se encaixar bem nas oficinas pode ser perigoso. Pois, como salientou Robs, “a gente perde a oportunidade de oferecer àquele jovem tido pelos professores como não-adequado para a oficina, de expressar seu interesse por coisas que a escola realmente não dá a mínima! Se a escola já taxa aquele aluno como indisciplinado, desinteressado, etc, desprovido de qualquer tipo de talento ( e isso acontece com esses termos) dificilmente vai indicá-lo, mas justamente o desinteressado na escola pode ser aquele vidrado na lan house”.
E Robs ainda disse mais: “Minha experiência com a escola me diz que os mais rebeldes são assim porque veem coisas no mundo que não estão na escola. Sabe Berg, que trabalhará conosco? A escola nem imagina que esse menino fotografa, faz video, escreve roteiros, toca músicas. É um exemplo. Quando estagiei no Coque, ouvi falas de professores sobre a dificiência mental dos jovens do bairro………………… É claro que temos exemplos de professores maravilhosos, como Isabel da escola Monsenhor, mas não podemos apostar na atenção dos professores para expressões que normalmente são extra-escolares? Em suma, não quero dizer que o problema é o professor, a gente sabe que o buraco na escola pública é mais embaixo, mas apenas ressaltar que a instituição é engessada demais”.
Mudando o foco um pouco, poderíamos fazer as consultas aos professores e tomá-las como uma referência apenas. Lembro que na última reunião com Marcelo, Igor, Gustavo e Célia comentamos que justamente alguns dos alunos com maiores déficits de atenção, ou fora do “padrão” de comportamento podem ser atraídos pelo que as oficinas e a Estação têm a oferecer.
A essa altura falta ainda a definição de:
1) oficineiros; 2) conteúdos programáticos de cada oficina, 3) cronograma, 4) processo de seleção
Também precisamos ter alguém que esteja lá para orientar, de fato, os usuários no dia-a-dia do Lab. Ou seja, alguém que saiba manejar as ferramentas e softwares, pois se não tivermos esse bolsitas, corremos dois riscos: ou fica pesado demais para Igor ou fica “paradão”.
Além disso, o tempo de acesso livre ao Laboratório pode e deve ser aproveitado para dar prosseguimento às atividades da oficina. Claro que isso não precisa ser obrigatório. O que é interessante é ter um monitor que possa dar algum apoio e estímulo aos meninos do Coque para experimentarem com os conteúdos passados nas oficinas. Para isso é preciso de alguém que se mantenha atualizado com o andamento das oficinas. Que possa ser um intermediário entre os processos nas oficinas e as experimentações livres. Ou seja, tem que ser um bom meio de campo.
Abaixo uma proposta de calendário de ações daqui pra frente:
Reunião para fechamento da equipe e oficinas e cronograma: segunda 28/02 – 18 horas, Paço. (todos)
Contato preliminar com escolas para negociar circuitos: Robs, Procópio, Berg. (março)
Contato com escola para negociar programação do primeiro circuito: Robs, Procópio, Berg, Yvana (março)
Visita ao Laboratório do Neimfa e Estação para inventário do que temos: Lula, Procópio, Berg, Igor, Marcelo, Robs, Sandokan ou Katarina (março)
Mutirão para preparação do Lab: Lula, Procópio, Berg, Igor, Marcelo, Sandokan ou Katarina, João (março)
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Montando um laboratório de mídias no Coque, Hellcife #CoqueVive
Luiz Carlos Pinto | 19 de fevereiro de 2011 11:56Comecei a colaborar com um projeto de extensão da Universidade Federal de Pernambuco para fazer acontecer um laboratório de mídias no bairro do Coque. A iniciativa acaba de receber recursos do CNPq para isso e, formalmente, tem como objetivo a implantação de uma “Unidade de Inclusão Digital (UID)”. Essa é mais uma das ações em andamento a partir do CoqueVive, uma rede formada pelo Movimento Arrebentando Barreiras Invisíveis (MABI), coletivo de jovens da comunidade; o Núcleo Educacional Irmãos Menores de Francisco de Assis (NEIMFA), associação presente no bairro há mais de 20 anos e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
De uma forma geral vamos aplicar oficinas introdutórias de edição de áudio e vídeo (inclusive com celulares), construção e edição de blogs e manipulação com hardwares – metareciclagem. Ainda estamos montando o conteúdo dessas oficinas e também um projeto pedagógico. Nas últimas conversas percebemos a necessidade de ter alguns elementos transversais guiando não somente o conteúdo das oficinas mas também nosso olhar sobre a experiência:
O uso de tecnologias livres
Um entendimento crítico da cultura digital
As redes sociais como espaços de veiculação e agenciamento
Incutir o debate sobre propriedade imaterial
O desafio é grande e as razões são muitas. Primeiro são as próprias dificuldades estruturais da comunidade e as dificuldades de ordem cognitiva da moçada; segundo, o tempo curto pois as oficinas estão sendo estruturadas em circuitos de três semanas. De modo que a complexidade dos pontos acima, já difícil de tratar por si só, vai ter que acontecer de forma bem orgânica para ser minimamente absorvida.
O Coque Vive designa hoje uma rede formada por três atores que vivenciam uma intervenção social no bairro do Coque, localizado na cidade do Recife. São eles: o Movimento Arrebentando Barreiras Invisíveis (MABI), coletivo de jovens da comunidade; o Núcleo Educacional Irmãos Menores de Francisco de Assis (NEIMFA), associação presente no bairro há mais de 20 anos e a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), através de estudantes da graduação, mestrado e doutorado, alunos egressos e professores de vários departamentos.
Serão basicamente quatro tipos de oficinas:
Experimentações com hardware – com sorte, e trabalho, poderemos fomentar um esporo de metareciclagem na comunidade. No meu entender esse esporo pode não ter um local fixo. Acho mais interessante se desenvolver um hábito da experimentação com a máquina e se comece um processo de desmistificação real do aparato tecnológico.
Edição de áudio – oficinas para captação, edição e veiculação de som. Penso que alguns dos interessados podem ser os próprios grupos musicais da comunidade e/ou se direcionar para a documentação dessas manifestações. Ou não, pode ser que as oficinas de áudio explodam para diferentes direções. Fico pensando que a documentação e o registro sonoro pode ser feito sobre de histórias, vivências, experiências, da cultura criada e das formas como elas são absovidas pela comunidade. Também deveremos pensar, ainda como material dessas oficinas, as formas de veiculação do fruto do trabalho da moçada. E é aí que deverão acontecer a procura por se ampliar o olhar para as redes sociais para além do Orkut (altamente massificado entre os jovens do Coque).
Edição de vídeo – A ideia inicial é que trabalhemos com a mesma concepção de captação, edição e veiculação. Com o interessante detalhe de que um dos ciclos de oficinas de vídeo será dedicado ao uso de celulares como ferramenta de captação de imagens. O uso dos aparelhos se apóia na constatação de que os celulares estão muito usados pela moçada na comunidade.
Web/CMS – Oficinas para criação de sites e blogs.
Como se vê, as questões no Coque ainda giram em torno das estruturas de acesso e as ações ainda se debatem ante a necessidade de produção áudio-visual em um nível inicial, introdutório. As redes fomentadas pelas políticas do MinC e do Ministério das Comunicações no governo Lula, sobretudo as mais reflexivas, estão num estado de discussão política mais complexificada. É essa complexificação que tornou possível a emergência das discussões como a do Rede Labs. Embora os objetivos dessa rede se coloquem no ‘depois da conquista de infraestrutura de máquinas e de acesso’, o que não é o caso do Coque, ela em elementos muito interessantes que podem servir ao investimento do CoqueVive e seu laboratório de mídias digitais.
Bom, começou a documentação do trabalho no Coque.
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Para um Brasil banda larga, qual política da cultura?
Luiz Carlos Pinto | 27 de dezembro de 2010 10:32BRUNO TARIN, BARBARA SZANIECKI e CRISTINA LAR
Passadas as eleições e com a vitória da Dilma, agora entramos no momento de lutar pela continuidade das ações desenvolvidas no campo da cultura nos 8 anos do governo Lula. Através de emails e em listas de discussão estão circulando conversas sobre mudanças na gestão do Ministério da Cultura, que cogitam a saída do Ministro Juca Ferreira. Já estão sendo discutidos também outros nomes para assumir a função.
Diante dessa situação se impõe a realidade de que a vitória da Dilma em si não garante a continuidade das ações desenvolvidas pelo Ministério da Cultura nos últimos 8 anos, pois o governo Dilma terá que negociar com os partidos de sua base, correndo o risco das ações inovadoras desenvolvidas pelo MinC não serem assimiladas por estes. Assim, voltamos a afirmar que a continuidade não está garantida.
E o que não está garantido?
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Dia desses vi um filminho muito interessante sobre a relação entre a forma de pensar criativamente e a forma de organizar sua área de trabalho – a forma como você organiza seus espaços estariam ligados à forma de organizar ideias, vontades, disposições, criatividade, etc. Lembrei desse vídeo por causa de meu birô (foto acima), minha área de trabalho em casa hoje. Nela, ainda que desfocada, uns livros, revistas, papéis velhos, remédio vazio, cordas de contra-baixo, material de ilustração – lapis e cadernos – um pote de iogurte, fiação do computador, de caixas de som e de eletricidade, uma capa de DVD com um DVD dentro, latas de metal que continham mantega e hoje contém outras coisas, óculos, baterias, um cinzeiro do Uruguay, um retrato de Vinícius. Na verdade, desde que terminei a tese ela vive assim, amontoada de uma desordem que eu nunca vivi. O velho birô, que eu comprei na Rua da Conceição uns anos atrás, anda abarrotado de coisas, e ideias, e carbono impresso, se derramando por todos os lados, vazando.
De modo que se por uma parte a finalização do trabalho me abriu muitas possibilidades, vários encontros, pessoas, afetos, processos etc, a verdade é que não tenho conseguido dar conta de praticamente nada. A exceção é o trabalho na Secretaria, que me toma o dia inteiro. Somente ele tô conseguindo fazer direito. E isso me deixa bem quebrado ao fim do dia.
Uma interação maior com a rede Metarec, sobretudo nas reflexões dos processos; a edição de um livro com o querido amigo Inácio a partir de uma boa ideia; uma agenda de trabalho/estudo visando os concursos que virão por aí; dedicar um pouco mais ao Grupo de Estudos de Educação para o qual o querido Rui me convidou; e as mais recentes possibilidades de trabalho conjunto com Pajé, Pixies, Thais, Ruiz e Djahdjah depois do Fórum de Cultura Digital; além da chamada para ‘ invadirmos’ a SBS também entram nessa conta. São só algumas das coisas mais recentes que não tem andado. O próprio Fórum já vai em duas semanas, o Encontro Metarec no Recife, vai completar uma semana, sem que eu tenha conseguido fazer e postar nenhum relato.
Toda essa romaria de coisas iniciadas e não finalizadas, uma inflação de informação me cercando, a dificuldade de concentração nos projetos que surgem e nas possibilidades que se abrem têm me dado a impressão duma estagnação danada – física, mental, espiritual. Queria me convencer de que esse day after prolongado pós entrega de tese acontece com todo mundo.
Mas não sei não.
Ao lado disso tudo tenho andado muito cansado. Por um lado, tô precisando parar 20 dias que seja – o corpo tem dado sinais de que é também um calendário. Por outro lado é engraçado isso. A impressão do cansaço no corpo, que resiste mais hoje em dia às intencionalidades, é muito clara. O que é outra forma de perceber o envelhecimento. Antes, eu achava engraçado quando alguém dizia ‘não sou mais um garoto de 22 anos’. Hoje essa frase é mais próxima do que antes.
E há outro cansaço me rondando. Mas desse é mais difícil de falar, porque é intangível. Cansei daquilo que me toma o tempo por ser mentira, por ser hipocrisia, mise en cene (assim que escreve?) e tô abrindo mão sempre que puder de conviver com essas forças…
Daqui uma semana faço 38. Acho que já deveria ter aprendido a contornar certas coisas, como a frustração de não poder me dedicar integralmente àquilo que me interessa e viver disso – e muito mais. Ou saber evitar os pulhas que sempre aparecem pelo caminho. Ou saber dizer NÃO mais vezes. Ou saber dizer SIM mais vezes ainda. Talvez viver seja isso, a procura por limpar sua área de “trabalho” constantemente, sem fim, descartando os pulhas de antes, de hoje e do futuro; re-colocando prioridades; aprender a usar outros vocabulários e aprender a se curar com eles… E no fim e durante, aprender a fazer o amor.
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A filosofia de Espinosa é uma crítica da superstição em todas as suas formas: religiosa, política e filosófica. A superstição é uma paixão negativa da imaginação que, impotente para compreender as leis necessárias do universo, oscila entre o medo dos males e a esperança dos bens. Desa oscilação, a imaginação forja a ideia de uma Natureza caprichosa, dentro da qual o homem é um joguete. EM seguida, essa concepção é projetada num ser supremo e todo-poderoso, que existiria fora do mundo e o controlaria segundo seu capricho: Deus. Nascida do medo e da esperança, a superstição faz surgir uma religião onde Deus é um ser colérico ao qual se deve prestar culto para que seja sempre benéfico. A superstição cria uma casta de homens que se dizem intérpretes da vontade de Deus, capazes de oficiar os cultos, profetizar eventos e invocar milagres. A superstição engendra, portanto, o poder religioso que domina a massa popular ignorante. O poder religioso, por sua vez, forma um aparato militar e político para sua sustentação, de forma tal que a superstição está na raiz de todo Estado autoritário e despótico, onde os chefes se mantêm fortes alimentando o terror das massas, com medo dos castigos e com suas esperanças de recompensa. Toda filosofia que tenta explicar a Natureza apoiada na ideia de um Deus transcendente, voluntarioso e onipotente, não será filosofia, será apenas uma forma refinada de superstição.
A crítica da superstição leva Esínosa a escrever a Ética, onde demonstra como Deus é a causa racional produtora e conservadora de todas as coisas, segundo leis que o homem pode conhecer plenamente; escrever o Tratado da Correção do Intelecto, onde separa a imaginação da razão e mostra o caminho que esta deve seguir para conehcer a realidade; a e escrever o Tratado Teológico-Político, onde analisa a gênese e os efeitos da superstição e elabora a primeira interpretação histórico-crítica da Bíblia. A crítica da superstição leva Espinoza a negar a existência de causas finais na realidade e a redefinir a liberdade humana, não mais como livre-arbítrio, mas como consciência da necessidade. A virulência dessas criticas acarretou-lhe a acusação de ateu, sendo que, no século XVII (como em todos os tempos), ateu não é o homem que não crê em Deus, mas o “que não acredita em nosso Deus”. Ateu é menos uma designação religiosa do que política e refere-se ao homem que concebe Deus contra a concepção tradicional e, portanto, abala o edifício da religião e do Estado que se sustenta nela.
Comparado com os outros filósofos do século XVII, Espinosa distingue-se pelo racionalismo absoluto. Descarte e Leibniz, por exemplo, a despeito de seu racionalismo, deixam permanecer mistérios subjacentes ao conhecimento racional, enquanto Espinosa procura desfazer a própria noção de mistério e não apenas os conteúdos misteriosos. A filosofia, para Espinosa, é conhecimento racional de Deus, da Natureza, e da união do homem com a Natureza, isto é, com Deus. O Deus espinosano não é o Deus Escondido de Pasça; Espinosa não é um trágico, como o autor dos Pensamentos. Para Espinosa, uma consciência dilacerada por paixões contrárias e atônita diante do infinito jamais alcançará a verdade nem se sentirá unida a Deus, isto é, à Natureza. Não é possível sentir alegria e amor sob as ruínas da razão.
No autor da Ética não há tragédia, nem há mistério; ao contrário, confiança plena na razão, capaz não só de conhecer, mas de fazer o homem trilhar o caminho das paixões positivas, a alegria e o amor.
Esse é um trecho da ‘Vida e Obra’, a apresentação à edição da coleção Pensadores da Editora Nova Cultural, dedicada a Baruch de Espinosa. Foi escrita por Marilena Chauí e especialmente interessante para mim por várias razões. Uma delas é meio óbvia: ela sugere (de forma involuntária) um ponto de partida para a interpretação do Brasil nesse início de segunda década de um século que promete ser curto. De um país que aprofundou, talvez sem perceber, o abismo entre uma racionalidade vívida e erótica e promissora, e suas origens ou heranças mais obscuras. Isso esborrou na campanha eleitoral desse ano, da pior maneira que poderia acontecer. As reflexões mais longas dessa volta ou reforço ou saliência de nosso obscurantismo e de nossas superstições estão pipocando por aí.
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O primeiro dia do Fórum de Cultura Digital 2010
Luiz Carlos Pinto | 16 de novembro de 2010 0:36Depois de um longo primeiro dia da programação do Fórum, finalmente me sento na frente de um computado e me conecto à net, o que não deixa de ser interessante. Num evento em que o mote declarado e o de uma cultura + digital, o resultado da soma parece ser conectado (à internet), o que está longe de se verdade. A variedade da programação, a complexidade de algumas das conversas, as conversas em si felizmente me deram o presente de passar um dia inteiro sem acessar a rede – sem no entanto me deixar com aquela velha sensação de estar desinformado.
O que mais gostei desse primeiro dia foi ter conhecido algumas pessoas que há anos conheço e/ou me comunico exclusivamente por email. Finalmente conheci Régis Bailux, que veio a Sampa com Pati Pataxó, da aldeia de mesma linhagem que fica em Arrraial D´Ajuda. Conheci finalmente pessoalmente Paulo Lara, vulgo Pajé; Fabiana Goa; Tatiana Prado; Leonardo Palma; Jarbas Jácome; MBraz; Drica Veloso; Silia; além de ter reencontrado FF, Ruiz, Fabs, Cláudio Prado, Samadeu, Glerm e Simone; Brazileiro.
Comecei uma conversa muito boa com Pajé que vai poder render um projeto interessante mais na frente. Muita conversa e acertos ainda vão passar por debaixo da ponte. Acompanhei os ajustes no planejamento que o Bailux está armando pro Arraial, junto com MBraz e a querida Tatiana Prado. Também valeu acompanhar, ainda que por pouco tempo, as primeiras articulações em torno do edital (ainda por sair) que financiará a Rede Labs. Muito ainda vai se falar sobre esse esforço, do qual fazem parte FF, Glerm e Simone, Jarbas, Brazileiro, José Murilo (MinC) e muitas outras pessoas que não conheço. Muito tosca e resumidamente, o edital prevê financiar a criação de laboratórios de experimentação em arte e cultura digital sem a obrigação de retorno, relatório ou prestação de contas. Pelo que eu entendi, há iniciativas semelhantes na Europa. A íntegra do áudio tá aqui. Amanhã tem mais na tenda ‘com a mão na massa’. Vou chegar junto.
Na programação do Fórum, acabei perdendo a abertura oficial, com o debate entre Cláudio Prado, Gilbero Gil e John Perry Barlow. Mas considero que a troca foi boa: almocei com boa parte dessa gente acima e entabulei a conversa inicial do projeto conjunto com Pajé. Saí ganhando mais, acho. Ainda pela manhã, acompanhei o debate sobre modelos para a remuneração dos artistas em tempos de economia digitalizada.
À tarde, fiquei meio perdido e o atraso na programação do Fórum colaborou. Acompanhei algumas palestras de troca de experiências de projetos que seguem a tênue linha da inclusão digital, criação de plataformas de compartilhamento e de apoio a artistas e comunidades carentes. Todas elas seguindo pela linha de empreendedorismo, de formação de capital, de criação de valor e me deu uma certa náusea o debate protagonizado por uma certa classe média branca instruida e bem alimentada definindo o que é melhor para as comunidades “carentes” – minha impressão é que a única coisa certa entre os sujeitos que fizeram esse debate em especial é a necessidade do caminho institucional, formação empresarial, geração de produtos, criação de capital. Sem, no entanto nenhum aceno com uma perspectiva libertária, afirmativa, de pertencimento, etc.
O melhor da tarde foi pitacar no projeto de Pontão para o Arraial, que MBraz, Régis, Tati Prado e Paty estão desenhando. Vai sair coisa boa daí. Nenhum deles sabe bem o quê, nem eu, hehehehe, mas que sai sai.
No mais muito cansaço. A van nos deixou às 22 horas no Hostel e ainda fomos (eu, Régis e Paty) comprar macarrão para fazer uma janta – encarando o cinismo da burguesia frequentadora do Pão de Açúcar mais próximo e sua segurança desconfiada. Vou dormir que amanhã tem mais.
Também há mais para relatar sobre um certo frescor que foi embora para sempre entre os artífices das primeiras ações coletivas com mídias livres nessa década que se encerra. Mas isso vai ter que esperar mais…
Ps.: Grata surpresa: descobri durante esse primeiro dia que esse blog é mais lido que que eu sabia – ou esperava.
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