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Archive for the 'Metareciclagem' category

Where is my mind?

Luiz Carlos Pinto | 30 de novembro de 2010 22:11

Meu birô nos últimos meses

Dia desses vi um filminho muito interessante sobre a relação entre a forma de pensar criativamente e a forma de organizar sua área de trabalho – a forma como você organiza seus espaços estariam ligados à forma de organizar ideias, vontades, disposições, criatividade, etc. Lembrei desse vídeo por causa de meu birô (foto acima), minha área de trabalho em casa hoje. Nela, ainda que desfocada, uns livros, revistas, papéis velhos, remédio vazio, cordas de contra-baixo, material de ilustração – lapis e cadernos – um pote de iogurte, fiação do computador, de caixas de som e de eletricidade, uma capa de DVD com um DVD dentro, latas de metal que continham mantega e hoje contém outras coisas, óculos, baterias, um cinzeiro do Uruguay, um retrato de Vinícius. Na verdade, desde que terminei a tese ela vive assim, amontoada de uma desordem que eu nunca vivi. O velho birô, que eu comprei na Rua da Conceição uns anos atrás, anda abarrotado de coisas, e ideias, e carbono impresso, se derramando por todos os lados, vazando.

De modo que se por uma parte a finalização do trabalho me abriu muitas possibilidades, vários encontros, pessoas, afetos, processos etc, a verdade é que não tenho conseguido dar conta de praticamente nada. A exceção é o trabalho na Secretaria, que me toma o dia inteiro. Somente ele tô conseguindo fazer direito. E isso me deixa bem quebrado ao fim do dia.

Uma interação maior com a rede Metarec, sobretudo nas reflexões dos processos; a edição de um livro com o querido amigo Inácio a partir de uma boa ideia;  uma agenda de trabalho/estudo visando os concursos que virão por aí; dedicar um pouco mais ao Grupo de Estudos de Educação para o qual o querido Rui me convidou; e as mais recentes possibilidades de trabalho conjunto com Pajé, Pixies, Thais, Ruiz e Djahdjah depois do Fórum de Cultura Digital; além da chamada para ‘ invadirmos’ a SBS também entram nessa conta. São só algumas das coisas mais recentes que não tem andado. O próprio Fórum já vai em duas semanas, o Encontro Metarec no Recife, vai completar uma semana, sem que eu tenha conseguido fazer e postar nenhum relato.

Toda essa romaria de coisas iniciadas e não finalizadas, uma inflação de informação me cercando, a dificuldade de concentração nos projetos que surgem  e nas possibilidades que se abrem têm me dado a impressão duma estagnação danada – física, mental, espiritual. Queria me convencer de que esse day after prolongado pós entrega de tese acontece com todo mundo.

Mas não sei não.

Ao lado disso tudo tenho andado muito cansado. Por um lado, tô precisando parar 20 dias que seja – o corpo tem dado sinais de que é também um calendário. Por outro lado é engraçado isso. A impressão do cansaço no corpo, que resiste mais hoje em dia às intencionalidades, é muito clara. O que é outra forma de perceber o envelhecimento. Antes, eu achava engraçado quando alguém dizia ‘não sou mais um garoto de 22 anos’. Hoje essa frase é mais próxima do que antes.

E há outro cansaço me rondando. Mas desse é mais difícil de falar, porque é intangível. Cansei daquilo que me toma o tempo por ser mentira, por ser hipocrisia, mise en cene (assim que escreve?) e tô abrindo mão sempre que puder de conviver com essas forças…

Daqui uma semana faço 38. Acho que já deveria ter aprendido a contornar certas coisas, como a frustração de não poder me dedicar integralmente àquilo que me interessa e viver disso – e muito mais. Ou saber evitar os pulhas que sempre aparecem pelo caminho. Ou saber dizer NÃO mais vezes. Ou saber dizer SIM mais vezes ainda. Talvez viver seja isso, a procura por limpar sua área de “trabalho” constantemente, sem fim, descartando os pulhas de antes, de hoje e do futuro; re-colocando prioridades; aprender a usar outros vocabulários e aprender a se curar com eles… E no fim e durante, aprender a fazer o amor.

Feliz aniversário atrasado Baruch!

Luiz Carlos Pinto | 26 de novembro de 2010 15:31

A filosofia de Espinosa é uma crítica da superstição em todas as suas formas: religiosa, política e filosófica. A superstição é uma paixão negativa da imaginação que, impotente para compreender as leis necessárias do universo, oscila entre o medo dos males e a esperança dos bens. Desa oscilação, a imaginação forja a ideia de uma Natureza caprichosa, dentro da qual o homem é um joguete. EM seguida, essa concepção é projetada num ser supremo e todo-poderoso, que existiria fora do mundo e o controlaria segundo seu capricho: Deus. Nascida do medo e da esperança, a superstição faz surgir uma religião onde Deus é um ser colérico ao qual se deve prestar culto para que seja sempre benéfico. A superstição cria uma casta de homens que se dizem intérpretes da vontade de Deus, capazes de oficiar os cultos, profetizar eventos e invocar milagres. A superstição engendra, portanto, o poder religioso que domina a massa popular ignorante. O poder religioso, por sua vez, forma um aparato militar e político para sua sustentação, de forma tal que a superstição está na raiz de todo Estado autoritário e despótico, onde os chefes se mantêm fortes alimentando o terror das massas, com medo dos castigos e com suas esperanças de recompensa. Toda filosofia que tenta explicar a Natureza apoiada na ideia de um Deus transcendente, voluntarioso e onipotente, não será filosofia, será apenas uma forma refinada de superstição.

A crítica da superstição leva Esínosa a escrever a Ética, onde demonstra como Deus é a causa racional produtora e conservadora de todas as coisas, segundo leis que o homem pode conhecer plenamente; escrever o Tratado da Correção do Intelecto, onde separa a imaginação da razão e mostra o caminho que esta deve seguir para conehcer a realidade; a e escrever o Tratado Teológico-Político, onde analisa a gênese e os efeitos da superstição e elabora a primeira interpretação histórico-crítica da Bíblia. A crítica da superstição leva Espinoza a negar a existência de causas finais na realidade e a redefinir a liberdade humana, não mais como livre-arbítrio, mas como consciência da necessidade. A virulência dessas criticas acarretou-lhe a acusação de ateu, sendo que, no século XVII (como em todos os tempos), ateu não é o homem que não crê em Deus, mas o “que não acredita em nosso Deus”. Ateu é menos uma designação religiosa do que política e refere-se ao homem que concebe Deus contra a concepção tradicional e, portanto, abala o edifício da religião e do Estado que se sustenta nela.

Comparado com os outros filósofos do século XVII, Espinosa distingue-se pelo racionalismo absoluto. Descarte e Leibniz, por exemplo, a despeito de seu racionalismo, deixam permanecer mistérios subjacentes ao conhecimento racional, enquanto Espinosa procura desfazer a própria noção de mistério e não apenas os conteúdos misteriosos. A filosofia, para Espinosa, é conhecimento racional de Deus, da Natureza, e da união do homem com a Natureza, isto é, com Deus. O Deus espinosano não é o Deus Escondido de Pasça; Espinosa não é um trágico, como o autor dos Pensamentos. Para Espinosa, uma consciência dilacerada por paixões contrárias e atônita diante do infinito jamais alcançará a verdade nem se sentirá unida a Deus, isto é, à Natureza. Não é possível sentir alegria e amor sob as ruínas da razão.

No autor da Ética não há tragédia, nem há mistério; ao contrário, confiança plena na razão, capaz não só de conhecer, mas de fazer o homem trilhar o caminho das paixões positivas, a alegria e o amor.

Esse é um trecho da ‘Vida e Obra’, a apresentação à edição da coleção Pensadores da Editora Nova Cultural, dedicada a Baruch de Espinosa. Foi escrita por Marilena Chauí e especialmente interessante para mim por várias razões. Uma delas é meio óbvia: ela sugere (de forma involuntária) um ponto de partida para a interpretação do Brasil nesse início de segunda década de um século que promete ser curto. De um país que aprofundou, talvez sem perceber, o abismo entre uma racionalidade vívida e erótica e promissora, e suas origens ou heranças mais obscuras. Isso esborrou na campanha eleitoral desse ano, da pior maneira que poderia acontecer. As reflexões mais longas dessa volta ou reforço ou saliência de nosso obscurantismo e de nossas superstições estão pipocando por aí.

Show me more… »

Depois de um longo primeiro dia da programação do Fórum, finalmente me sento na frente de um computado e me conecto à net, o que não deixa de ser interessante. Num evento em que o mote declarado e o de uma cultura + digital, o resultado da soma parece ser conectado (à internet), o que está longe de se verdade. A variedade da programação, a complexidade de algumas das conversas, as conversas em si felizmente me deram o presente de passar um dia inteiro sem acessar a rede – sem no entanto me deixar com aquela velha sensação de estar desinformado.

O que mais gostei desse primeiro dia foi ter conhecido algumas pessoas que há anos conheço e/ou me comunico exclusivamente por email. Finalmente conheci Régis Bailux, que veio a Sampa com Pati Pataxó, da aldeia de mesma linhagem que fica em Arrraial D´Ajuda. Conheci finalmente pessoalmente Paulo Lara, vulgo Pajé; Fabiana Goa; Tatiana Prado; Leonardo Palma; Jarbas Jácome; MBraz; Drica Veloso; Silia; além de ter reencontrado FF, Ruiz, Fabs, Cláudio Prado, Samadeu, Glerm e Simone; Brazileiro.

Comecei uma conversa muito boa com Pajé que vai poder render um projeto interessante mais na frente. Muita conversa e acertos ainda vão passar por debaixo da ponte. Acompanhei os ajustes no planejamento que o Bailux está armando pro Arraial, junto com MBraz e a querida Tatiana Prado. Também valeu acompanhar, ainda que por pouco tempo, as primeiras articulações em torno do edital (ainda por sair) que financiará a Rede Labs. Muito ainda vai se falar sobre esse esforço, do qual fazem parte FF, Glerm e Simone, Jarbas, Brazileiro, José Murilo (MinC) e muitas outras pessoas que não conheço. Muito tosca e resumidamente, o edital prevê financiar a criação de laboratórios de experimentação em arte e cultura digital sem a obrigação de retorno, relatório ou prestação de contas. Pelo que eu entendi, há iniciativas semelhantes na Europa. A íntegra do áudio tá aqui. Amanhã tem mais na tenda ‘com a mão na massa’. Vou chegar junto.

Na programação do Fórum, acabei perdendo a abertura oficial, com o debate entre Cláudio Prado, Gilbero Gil e John Perry Barlow. Mas considero que a troca foi boa: almocei com boa parte dessa gente acima e entabulei a conversa inicial do projeto conjunto com Pajé. Saí ganhando mais, acho. Ainda pela manhã, acompanhei o debate sobre modelos para a remuneração dos artistas em tempos de economia digitalizada.

À tarde, fiquei meio perdido e o atraso na programação do Fórum colaborou. Acompanhei algumas palestras de troca de experiências de projetos que seguem a tênue linha da inclusão digital, criação de plataformas de compartilhamento e de apoio a artistas e comunidades carentes. Todas elas seguindo pela linha de empreendedorismo, de formação de capital, de criação de valor e me deu uma certa náusea o debate protagonizado por uma certa classe média branca instruida e bem alimentada definindo o que é melhor para as comunidades “carentes” – minha impressão é que a única coisa certa entre os sujeitos que fizeram esse debate em especial é a necessidade do caminho institucional, formação empresarial, geração de produtos, criação de capital. Sem, no entanto nenhum aceno com uma perspectiva libertária, afirmativa, de pertencimento, etc.

O melhor da tarde foi pitacar no projeto de Pontão para o Arraial, que MBraz, Régis, Tati Prado e Paty estão desenhando. Vai sair coisa boa daí. Nenhum deles sabe bem o quê, nem eu, hehehehe, mas que sai sai.

No mais muito cansaço. A van nos deixou às 22 horas no Hostel e ainda fomos (eu, Régis e Paty) comprar macarrão para fazer uma janta – encarando o cinismo da burguesia frequentadora do Pão de Açúcar mais próximo e sua segurança desconfiada. Vou dormir que amanhã tem mais.

Também há mais para relatar sobre um certo frescor que foi embora para sempre entre os artífices das primeiras ações coletivas com mídias livres nessa década que se encerra. Mas isso vai ter que esperar mais…

Ps.: Grata surpresa: descobri durante esse primeiro dia que esse blog é mais lido que que eu sabia – ou esperava. :-)

Existe alguma coisa de improvável na escrita de uma tese. Esse nome que a pompa da academia resolveu dar em algum momento ao resultado de uma investigação, que é feita com certos pressupostos e dentro de algumas regras – como aliás, toda investigação é feita. A improbabilidade é mais real, palpável e cheirosa entre a metade e o término do tempo que lhe deram: uma costura de impossibilidades que o sujeito tem que chamar de ‘meu trabalho’ é um fio tênue com o qual se agarra o doutorando e, de fora, nada parece que vai se arrumar.

É claro que isso ão é geral. Assim como esse blog não se pretende geral, nem eu sou geral. No geral, ninguém é geral para ninguém. E o geral em geral é ‘em  geral’… Mas tergiverso.

O fato é que aquela arquitetura que ao final parece tão fechadinha, tão bem resolvida, como os sociólogos que parecem ter nascido sociólogos, esconde uma cadeia de gambiarras, de maquinações, de solvências, de mapas, arranjos, planos, rampas, estiligues, cordas de nylon, baldes, tintas, relógios, alçapões, pianos e violinos, bigodes e escaramuças, vontades e dormências, um jogo de dominó que não acaba durante quatro anos, botinas, macacões de trabalho, óculos de proteção, martelos, pregos, serrotes, machados, alicates, fios, pêndulos, roldanas, pontes, aritmética e álgebra e um pouco trigonometria.

Quando do meio pro fim você percebe que é possível tirar alguma melodia desse entulho de possibilidades, quando finalmente você vê ali no fundo uma possibilidade de que a peça se estique até o arco e dispare um solfejo colorido; quando você finalmente vê que poderá logo logo tomar uma cerva no sábado à tarde sem culpa, você enche o peito de novo e diz:

Ok, go.

Esse blog entra agora de férias por tempo determinado.

Então, se por um lado há uma incompatibilidade entre as ‘organizações permantes’ que o programa político do modelo gramsciano implica e exige, por outro lado esse mesmo programa político considera que o ato político advém do terreno econômico. No capitalismo tardio essa ‘vida econômica’ não tem mais como principais resultados os produtos do trabalho cristalizado e sim do conhecimento cristalizado. O que implica em uma diversidade muito grande de capacidades heterogêneas, “sem medida comum, como o julgamento, a intuição, o senso estético, o nível de formação e de informação, a faculdade de aprender e de se adaptar a situações imprevistas; capacidades elas mesmas operadas por atividades heterogêneas que vão do cálculo matemático à retórica e à arte de convencer o interlocutor; da pesquisa técnico-científica à invenção de normas estéticas”, (Gorz, 2005, p.29).

A dimensão econômica, no capitalismo tardio, funciona como o contexto que mobiliza a ação e áreas para além da institucionalidade, da própria concepção de política e que se dirige e se instaura no terreno das subjetividades, do simbólico. É essa dimensão do fazer vivo, que se transpõe ao fazer político que é aberto com essa reflexão de Gramsci.

Dessa forma aquela incompatibilidade também indica a atualidade virtuosa do raciocínio de Gramsci e indica a fertilidade das ações coletivas com mídias livres, em uma improvável (mas real) continuidade da intencionalidade gramsciana.

(A imagem é de André Kitagawa)

A luta por hegemonia a qual se pode associar as ações coletivas com mídias livres não se vincula ao processo e às ferramentas de dominação. De um ponto de vista gramsciano, portanto, esse fator pode suscitar o questionamento da sua validade, de sua viabilidade e de sua verdade. O inferno em que Sísifo labora não é uma possibilidade considerada no horizonte historicista com o qual a ótica gramsciana opera. Nesse sentido, a construção da contra-hegemonia mobilizada pelas ações coletivas com mídias livres é claramente o exercício de uma energia utópica – em função do que, aliás, vale à pena viver e trabalhar.

(A foto é de Romain Laurent)

Considerando as ações coletivas com mídias livres como instâncias da sociedade civil, e lembrando que esta na teoria gramsciana é a instância de exercício da hegemonia (em que os grupos dirigentes procuram ganhar aliados para suas posições mediante a direção política e o consenso), é necessário ter claro que o programa político que viemos estudando não se alia à conquista/manutenção dessa hegemonia. Há uma inapropriedade, uma desconexão entre a virtuosidade das ações coletivas com mídias livres e seu papel de instrumento de hegemonia que essa instância da sociedade civil poderia assumir se não fossem suas caracterísiticas próprias desenvovidas e analisadas até aqui. Isso quer dizer que as ações coletivas com mídias livres não servem para a conquista da hegemonia pelo bloco histórico no poder atualmente? Significa que os conceitos, metodos, discursos, e instrumentos imateriais desenvolvidos pelas ações coletivas com mídias livres podem ser instrumentalizados. É aqui que se situa o limite da abordagem gramsciana das ações coletivas com mídias livres. A compatibilidade não é completa, 100%. Isso porque a luta hegemônica nos termos de Gramsci visam a conquista da totalidade social; mas as tramas, os hardis, as táticas, as submidialogias se situam no aquém dessa possibilidade e para além de sua concretização. A questão que se impõe é: qual a visada das ações coletivas com mídias livres com relação à ação sobre a totalidade social e a esperada mudança desta?

Postando para o deserto 2

Luiz Carlos Pinto | 4 de março de 2010 22:24

Do capítulo 5, em 5.3:

Nesse sentido, faz parte dessa mescla de concepções de mundo a idéia de propriedade compartilhada de informação, conhecimentos e culturas, o acervo imaterial e inapropriável de bens simbólicos, historicamente determinados, coletivamente gestados e universalmente disponíveis a todos os homens sobre a terra.

O que isso quer dizer? Que a constituição de uma condição de autonomia possível e de domínio e apropriação da produção social (sua contraparte formada pelo controle de sistemas complexos de informações, símbolos, relações sociais) permite a mobilização da parcela dos sem parcela para a afirmação de sua existência, de seus pertencimentos, de suas reivindicações e subjetividades. A prática da política nesses termos expressa-se como a escrita de um nome no céu, a arquitetura de um lugar numa ordem simbólica de poucos falantes, de poucos que exercitam e tomam parte das decisões políticas. No âmbito da excludente sociedade brasileira, de sua tradição política que prioriza o viés do privilégio, a escrita e a narratividade da realidade vivida tradicionalmente incorporaram aos registros da história o ponto de vista das camadas privilegiadas. Esse paradigma se encontra diante de múltiplas e vivas possibilidades da real democratização da prática política na sociedade.

do capítulo 5, em 5.3:

Como não pensar que a retomada e apropriação crítica de tecnologias é uma subversão (ou uma atualização) do modelo de contagem que Ranciére descreve? (É, eu sei que isso é uma analogia, que por sua vez expressa o pensamento aristotélico e platônico sobre o qual se edifica a forma de conhecimento sedentário. Mas também é preciso se descarregar do peso dessa diferença entre o pensamento nômade e o pensamento sedentário. Essa oposição é frustrantemente imobilizadora).

Os modos de apropriação crítica das tecnologias de informação e comunicação são formas de recontagem, ou pelo menos abrem possibilidades para que uma outra contagem aconteça – concatenadas cacofonias. O alfabeto necessário para isso incui afetos, vivências, implica na invenção de um cotidiano, na descoberta de outros, ações coletivas, paixões coletivas, jardinagens bivolts e alguma alegria.

Acredite em suas ações

Luiz Carlos Pinto | 8 de dezembro de 2009 20:33

O pessoal da Amnésia Discos está produzindo o primeiro disco do grupo Gia. O samba abaixo é o primeiro a sair e uma homenagem a Daniel Pádua, metarrecicleiro que moreu prematuramente recentemente. Tudo a ver com o momento pessoal desse que escreve vez por outra aqui.