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Archive for the 'Políticos brasileiros' category

A tentação de ver

Luiz Carlos Pinto | 30 de outubro de 2010 17:58

Beatriz Kushnir, na Carta Maior


O ministro da Justiça no governo Geisel, Armando Falcão, pronunciava que tanto pela Emenda Constitucional n° 1, de 1969, como pelo AI-5 o país vivia em pleno Estado de Direito e democracia. E, por isso, segundo ele, cabia a censura. Assim, relembrando a proibição ao filme Je vous salue, Marie, impunha: “Se fosse ministro, não deixaria passar. Todo mundo deve ser poupado da tentação de ver”.

Símbolo e base do governo autoritário, a extinção dos DOPS e do aparato repressivo deveriam garantir ao cidadão liberdade de expressão e de ir e vir – pilares da democracia. A difícil marca de ser fichado no DOPS e as dificuldades que esse estigma impõe a uma parcela dos que tiveram suas vidas registradas, somadas às garantias constitucionais que permitem o acesso à informação, ao mesmo tempo em que garantem a preservação da intimidade do cidadão, são os ingredientes que demonstram o quão calorosa é esta seara.

O uso e a introjeção da ideia de criminalidade política demonstra como um organismo de repressão e um governo autoritário juntos cunham a imagem do que é impróprio e, portanto, passível de ser reprimido; e como, socialmente, essa noção é aceita e passa a justificar a existência de uma instituição como o DOPS, por exemplo. A existência de uma “lógica” do censor faz dessa polícia política uma entidade “necessária”. As origens de uma sociedade baseada no autoritarismo e na exclusão dimensionam o peso e o papel de uma cultura da censura – o esforço de delimitar o legal e o ilegal. No Estado brasileiro republicano, essa foi uma tarefa, um ato de fundação.

Show me more… »

Zinaida Evgenievna Serebriakova (1884-1967)

Por Micheline Batista


No debate desta segunda-feira na Record o candidato tucano José Serra trouxe à tona um assunto e achou que estava arrasando. Ele disse que quando Dilma era ministra de Minas e Energia e presidente do Conselho de Administração da Petrobras autorizou a sociedade entre Petrobras e a multinacional White Martins que resultou na criação da empresa Gemini. E que isso seria um negócio lesivo à pátria, pois seria “a privatização do pré-sal”.

Fui setorista do setor de energia durante algum tempo e gostaria de dizer algumas verdades. Em primeiro lugar, Serra esquece que quem abriu o setor de petróleo para as multinacionais foi seu mentor, Fernando Henrique Cardoso, ao sancionar a Lei do Petróleo em 1997. Essa lei acabou com o monopólio da Petrobras e determinou que a exploração e produção de petróleo em novos campos seria licitada em blocos, nas chamadas rodadas da Agência Nacional do Petróleo (ANP). Leva o bloco a empresa ou consórcio que oferece o maior bônus de assinatura, que é o valor em dinheiro oferecido, entre outros critérios.

Foram realizadas até agora 9 rodadas de licitação, a última em 2008. Realmente, como o candidato disse, 103 empresas estrangeiras venceram as licitações, contra 68 nacionais. Mas essa farra acabou. Com as descobertas de megarreservas no pré-sal (estimadas em mais de 100 bilhões de barris, o dobro do Mar do Norte). O pré-sal, como bem disse a candidata Dilma no referido debate, é o filé mingon. Sabe por que? Porque lá foi encontrado petróleo de boa qualidade, o chamado óleo leve, melhor cotado no mercado internacional. A tal carne de pescoço referida por Dilma é o petróleo pesado, encontrado na maioria dos poços existentes, apresentando um alto risco exploratório.

O governo Lula, à frente a ministra Dilma na Casa Civil, resolveu definir então um novo marco regulatório para o setor de petróleo, que está em tramitação no Congresso. Pelas novas regras, a Petrobras passa a ter a operação exclusiva das áreas ainda não concedidas do pré-sal e outras consideradas estratégicas. Significa que outras empresas até podem entrar no negócio, mas apenas como sócias minoritárias. E tem mais. A Petrobras passa a ser a titular de todo o óleo produzido nessas áreas. E para garantir a distribuição dessa riqueza, criou-se um fundo para onde serão destinados todos os recursos obtidos com a exploração do pré-sal, como o dinheiro da venda do petróleo e do gás que cabe ao governo, dos royalties e o bônus de assinatura. Detalhe: esses recursos não podem ser contingenciados para formação de superávit primário. Em relação às áreas já concedidas seja à Petrobra, seja à iniciativa privada, nada muda.

Enquanto isso, o deputado Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES), um dos ideólogos do partido de Serra, acha uma loucura o governo federal explorar as riquezas do pré-sal sem permitir a participação de empresas estrangeiras. A entrevista foi publicada na Folha de São Paulo. Ele acha que a Petrobras, a quarta maior empresa petrolífera do mundo, nem o Estado brasileiro (aquele que hoje empresta ao Fundo Monetário Internacional) não terão dinheiro para bancar a exploração e produção de petróleo no pré-sal.

Ele não sabe que a Petrobras captou US$ 70 bilhões nesse último processo de capitalização que, aliás, foi um sucesso? Ele não sabe que existe financiamento do BNDES? Se nos anos FHC esse banco foi usado para facilitar a privatização de 46% do patrimônio nacional (Vale, Telebrás, RFFSA), com US$ 15 bilhões alocados somente entre 1997 e 1998, no governo Lula o dinheiro é utilizado na realização de importantes obras de infraestrutura (hidrelétricas, indústria naval, setor de petróleo e gás). A inadimplência é desprezível: 1%.

Mas essa postura de desdém dos tucanos em relação à Petrobras não é novidade. O presidente da estatal durante o governo FHC, Philippe Reischtul, quis mudar o nome da Petrobras para Petrobrax. Somente na reformulação do logotipo foram gastos mais de US$ 50 milhões, mas a palhaçada durou apenas alguns dias. Outro camarada de FHC, aliás genro dele, David Zylbersztajn, na época à frente da ANP, propôs retalhar a Petrobras vendendo suas refinarias em 1999. O Estadão publicou.

Não é preciso nem dizer que o governo Lula, ao contrário do seu antecessor, cuidou em fortalecer a Petrobras, sobretudo retomando sua capacidade de investimento. Uma empresa que vai investir no período 2010-2014 simplesmente US$ 224 bilhões, sendo 95% no Brasil, de acordo com seu plano de negócios. Entre os investimentos está a conclusão da Refinaria Abreu e Lima, no Complexo Industrial Portuário de Suape que, ao contrário do que diz o candidato Serra (é óbvio que ele não conhece o Nordeste), já saiu do chão há muito tempo. Somente lá são cerca de R$ 23 bilhões investidos, invertendo a lógica anterior de concentrar os grandes investimentos no eixo Sul-Sudeste.

Ah, e eu já ia esquecendo de falar sobre o tema do post… Mas sobre isso basta dizer que o acordo Petrobras/White Martins que resultou na criação da Gemini em 2006, aprovado em todas as instâncias de defesa da concorrência, prevê apenas o transporte de gás de Paulínia (SP) por meio de um ramal do Gasoduto Brasil-Bolívia (Gasbol). A White Martins receberá o gás canalizado para transformá-lo em gás liquefeito de petróleo e vendê-lo por meio de caminhões. Qual o problema nisso? A Petrobras tem 40% de participação na Gemini e venderá o gás à Gemini. Ganhará duas vezes. Ninguém questionou quando a Petrobras comprou 40% da Braskem, negócio em que ela também comparece como fornecedora de matéria-prima, nesse caso para produção de insumos petroquímicos.

Ou seja, quem está esperneando com essa sociedade Petrobras/White Martins, na verdade, é somente a Comgas, estatal paulista de distribuição de gás natural, que por acaso é controlada pelos tucanos. Ela não aceita concorrência.

Então, meus amigos, por essas e outras coisas, dia 31 é 13!

Reproduzo texto produzido pelo Movimento de Mulheres Contra do Desemprego

CALÚNIAS E DIFAMAÇÕES

CONTRA DILMA ROUSSEFF

Nós, do Movimento de Mulheres Contra o Desemprego, grupo cristão, católico, alertamos os eleitores e as eleitoras do Brasil para os seguintes fatos:

Calúnias e difamações são armas usadas por pessoas covardes, pois os caluniadores se escondem por trás das suas mentiras.

Os adversários da candidata Dilma Rousseff espalharam duas grandes mentiras: “Ela é a favor do aborto”. “Ela declarou que nem Jesus Cristo impediria a sua vitória”.

Dilma respondeu que, sendo cristã, jamais disse nem diria uma coisa dessa e também declarou que é contra o aborto.

No entanto, pessoas ingênuas engoliram estas mentiras e também por isso ela deixou de ser eleita no primeiro turno.

É lamentável que alguns padres e pastores  participaram desta onda de difamação. E até usaram para isso o nome da CNBB, Conferência dos Bispos do Brasil, órgão oficial da Igreja Católica.

Nós consultamos nosso diretor espiritual, Frei Aloísio Fragoso, ouvimos outros padres e bispos e tomamos conhecimento de um documento oficial da CNBB, desautorizando o uso do seu nome com estes fins e deixando claro que a Igreja Católica não faz  restrição a votar em nenhum dos candidatos à Presidência.

Por isso declaramos, em nome da Verdade e da nossa consciência cristã: tudo isso não passou de calúnia e difamação, abuso do nome de Deus para fins políticos.

A única maneira de reparar o pecado da calúnia contra Dilma é devolver-lhe, no segundo turno, os votos que lhe foram roubados por difamação.

Vamos elegê-la Presidente, para o bem do Povo Brasileiro, sabendo que o bem do seu Povo é a maior glória para Deus.

Recife, 5 de outubro de 2010, Movimento de Mulheres Contra o Desemprego

PS.: Esse post foi programado ás 21h30 da quarta-feira.

Este vídeo traça uma cronologia da crise mundial (2008-2009) sob a ótica da imprensa brasileira e da oposição ao governo Lula, do PT.

Com pouco mais de 9 minutos de duração, o vídeo traz também uma resposta aos que não entendem como o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002) conseguiu quebrar o Brasil três vezes, a despeito de ter liquidado quase todas as estatais lucrativas.

Pois, ao que parece, os “economistas PhDs” do PSDB não conseguem enxergar além das “receitas importadas” dos seus gurus neoliberais internacionais. E no meio do “efeito manada”, o economista (?) José Serra disparou a dar entrevistas em que apontava os “graves erros” que a equipe econômica do governo Lula estava cometendo para tentar superar a crise, pois “ia na contramão” das medidas adotadas pelas grande potências mundiais que, segundo Serra, “eram as únicas soluções possíveis”.

E o vídeo aponta as “medidas” e as contradições de José Serra ante a crise quando ele ainda era governador do Estado mais rico da Federação.

Ao economista (?) José Serra (e a todos os demais “especialistas” da direita conservadora do Brasil) parece faltar a ousadia, a sensibilidade e a criatividade mostradas pelo governo do PT para superar as falhas graves, como a crise financeira mundial e a desigualdade social de um grande país que, definitivamente, não deve ficar importando “receitas de bolo” estrangeiras para superar as dificuldades internas.

O vídeo mostra também de que forma a grande imprensa brasileira (que se popularizou na blogosfera como “PIG”) exerceu um papel totalmente antipatriótico. Pois que, no furor para destruir a imagem de Lula, “importou’ a crise e trouxe graves consequências ao Brasil, onde a crise poderia ter batido de forma mais suave se não fosse o alarmismo dos empresários que, pelos noticiários da imprensa, resolveram erroneamente demitir funcionários.

Em tempo: a imprensa brasileira foi a única do mundo (daqueles países que não tinham nada a ver com a crise) que expôs com destaque e sensacionalismo a crise econômica mundial. A abordagem alarmista foi ainda pior do que aquela mostrada pela imprensa norte-americana ou europeia.

Tony Chastinet*

Recebi ontem à noite um daqueles e-mails nojentos e anônimos, que estão circulando na internet, com calúnias contra a candidata Dilma Roussef. Decidi gastar alguns minutos para tentar identificar os autores. Consegui, e repasso abaixo as informações sobre os autores da baixaria – incluindo as fontes da pesquisa.

Há um e-mail circulando na internet com o seguinte título: “Candidatos de esquerda”. Na mensagem há uma série de calúnias contra Dilma, e o pedido para se votar no Serra. Também recomenda a leitura do site www.tribunanacional.com.br.

Entrei na página e de cara me deparei com aquela foto montada da Dilma ao lado de um fuzil. Uma verdadeira central de calúnias ligada à extrema direita. Vejam uma amostra neste link http://www.tribunanacional.com.br/v2/editorial/a-terrorista/.

O e-mail foi enviado para minha caixa postal na noite de domingo. O remetente é um tal de Ingo Schimidt (ingo@tribunanacional.com.br). O site está registrado na Fapesp em nome do “Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares”.

Essa associação tem CNPJ (026.990.366/0001-49), está localizada na SCRN, 706-707, Bloco B, Sala 125, na Asa Norte, em Brasília. O responsável pelo site chama-se Nei Mohn. Em uma pesquisa superficial na internet, descobre-se que ele foi presidente da “Juventude Nazista” em 1968. Era informante do Cenimar e suspeito de atos de terrorismo na década de 80 (bombas em bancas de jornais e outros atentados feitos pela tigrada da comunidade de informações). Também foi investigado por falsificar o jornal da Igreja Católica, atacando religiosos que denunciavam torturas, assassinatos e desaparecimentos (vejam abaixo nas fontes).

Nunca foi investigado e sequer punido pelas barbaridades que aprontou. Para isso, contou com a proteção dos militares e da comunidade de informações para abafar os escândalos e investigações.

Prossegui na pesquisa e descobri que o filho de Nei, o advogado Bruno Degrazia Möhn trabalha para um grande escritório de advocacia de Brasília contratado por Daniel Dantas para representar o deputado federal Alberto Fraga (DEM) em ação no TCU movida pelo deputado para tentar impedir a compra de ações da BRT/OI pelos fundos de pensão.

Interessante essa ligação entre a extrema direita, nazistas e Daniel Dantas. Mas tem mais.

No registro do site ainda há outros dois nomes apontados como responsáveis pela página: Antonio Afonso Xavier de Serpa Pinto e Zoltan Nassif Korontai.

Serpa Pinto trabalha na Secretaria da Fazenda de Mato Grosso. Korontai é responsável pelo site http://www.projetovendabrasil.com.br. É um negócio estranho como pode ser visto na página da internet. Ele atua na área de tecnologia e fez concurso para analista de sistemas no TRE do Paraná.

O cadastro do site dele está em nome da CliqueHost Internet Hosting e Eletro Eletrônicos (CNPJ 008.144.575/0001-90 – Avenida Doutor Chucri Zaidan, 246, SL 18, São Paulo). O responsável chama-se Frederich Resende Soares Marinho.

Marinho é consultor de informática e trabalha em Piraúba (MG). Há uma série de reclamações de que ele vendeu hospedagens de site e não entregou o serviço. Ele é membro da Assembleia de Deus em Sorocaba.

Outro dado interessante: Ingo coloca um link no e-mail para quem não quiser mais receber as mensagens. Esse link aponta para o seguinte endereço: ingo.newssender.com.br. Newssender é um serviço de marketing eletrônico (leia-se spam) registrado e vendido pela Locaweb Serviços de Internet S/A. O curioso é que é o mesmo provedor que hospeda o site do candidato tucano.

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Fontes:

– Tribuna Nacional – Dados do Registro.br

domínio: tribunanacional.com.br

entidade: Círculo Memorial Octaviano Pinto Soares

documento: 026.990.366/0001-49

responsável: Nei Möhn

2 – Nei Mohn

Matéria Veja de 1980 – http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R06814.pdf

Matéria da Isto É de 1982 – http://www.arqanalagoa.ufscar.br/pdf/recortes/R03648.pdf

3 – Filho de Nei

Bruno Degrazia Möhn (OAB/DF 18.161)

Trabalha no escritório Menezes e Vieira Advogados Associados – http://www.migalhas.com.br/mostra_noticia_articuladas.aspx?cod=11457 – artigo defesa ppp

Escritório contratado por Dantas no caso BRT – http://www.anapar.com.br/noticias.php?id=6602

4 – Antonio Afonso Xavier de Serpa Pinto

Funcionário da secretaria estadual da fazenda de mato grosso

http://app1.sefaz.mt.gov.br/Sistema/Legislacao/legislacaopessoa.nsf/2b2e6c5ed54869788425671300480214/88e35b271696c3bf0425738500423ded?OpenDocument

5 – Zoltan Nassif Korontai

Site dele – http://www.projetovendabrasil.com.br/?pg=calculadora-de-ivestimento&p=253

Dados do registro.br

domínio: projetovendabrasil.com.br

entidade: CliqueHost Internet Hosting e Eletro Eletrônicos L

* Tony Chastinet é jornalista.

Ps.: Esse post foi agendado às 21 horas da quarta-feira.

Pastora Odja Barros Santos,
presidente da Aliança de Batistas do Brasil

A Aliança de Batistas do Brasil vem por meio deste documento reafirmar o compromisso histórico dos batistas, em todo o mundo, com a liberdade de consciência em matéria de religião, política e cidadania. A paixão pela liberdade faz com que, como batistas, sejamos um povo marcado pela pluralidade teológica, eclesiológica e ideológica, sem prejuízo de nossa identidade. Dessa forma, ninguém pode se sentir autorizado a falar como “a voz batista”, a menos que isso lhe seja facultado pelos meios burocráticos e democráticos de nossa engrenagem denominacional.

Em nome da liberdade e da pluralidade batistas, portanto, a Aliança de Batistas do Brasil torna pública sua repulsa a toda estratégia político-religiosa de “demonização do Partido dos Trabalhadores do Brasil” (doravante PT). Nesse sentido, a intenção do presente documento é deixar claro à sociedade brasileira duas coisas: (1) mostrar que tais discursos de demonização do PT não representam o que se poderia conceber como o pensamento dos batistas brasileiros, mas somente um posicionamento muito pontual e situado; (2) e tornar notório que, como batistas brasileiros, as idéias aqui defendidas são tão batistas quanto as que estão sendo relativizadas.

1. A Aliança de Batistas do Brasil é uma entidade ecumênica e dedicada, entre outras tarefas, ao diálogo constante com irmãos e irmãs de outras tradições cristãs e religiosas. Compreendemos que tal posicionamento não fere nossa identidade. Do contrário, reafirma-a enquanto membro do Corpo de Cristo, misteriosamente Uno e Diverso. Assim, consideramos vergonhoso que pastores e igrejas batistas histórica e tradicionalmente anticatólicos, além de serem caracterizados por práticas proselitistas frente a irmãos e irmãs de outras tradições religiosas de nosso país, professem no presente momento a participação em coalizões religiosas de composição profundamente suspeita do ponto de vista moral, cujos fins dizem respeito ao destino político do Brasil.

Vigoraria aí o princípio apontado por Rubem Alves (1987, p. 27-28) de que “em tempos difíceis os inimigos fazem as pazes”? Com o exposto, desejamos fazer notória a separação entre os interesses ideológicos de tais coalizões e os valores radicados no Evangelho. Por não representarem a prática cotidiana de grande fração de pastores e igrejas batistas brasileiras, tais coalizões deixam claro sua intenção e seu fundo ideológico, porém, bem pouco evangélico. Logrado o êxito buscado, as igrejas e os pastores batistas comprometidos com as coalizões “antipetistas” dariam continuidade à prática ecumênica e ao diálogo fraterno com a Igreja Católica, assim como com as demais denominações evangélicas e tradições religiosas brasileiras? Ou logrado o êxito perseguido, tais igrejas e pastores retornariam à postura de gueto e proselitismo que lhes marcam histórica e tradicionalmente?

2. Como entidade preocupada e atuante em face da injustiça social que campeia em nosso país desde seu “descobrimento”, a Aliança de Batistas do Brasil sente-se na obrigação de contradizer o discurso que atribui ao PT a emergente “legalização da iniqüidade”. Consideramos muito estranho que discursos como esse tenham aparecido somente agora, 30 anos depois de posicionamentos silenciosos e marcados por uma profunda e vergonhosa omissão diante da opressão e da violência a liberdades civis, sobretudo durante a ditadura militar (1964-1985).

Estranhamos ainda que tais discursos se irmanem com grupos e figuras do universo político-evangélico maculadas pelo dinheiro na cueca em Brasília, além da fatídica oração ao “Senhor” (Mamon?). Estranhamos ainda que tais discursos não denunciem a fome, o acúmulo de riqueza e de terras no Brasil (cf. Isaías 5,8), a pedofilia no meio católico e entre pastores protestantes, como iniquidades há tempos institucionalizadas entre nós. Estranhamos ainda que tais discursos somente agora notem a possibilidade da legalização da iniquidade nas instituições governamentais, e faça vistas grossas para a fatídica política neoliberal de FHC, além da compra do congresso para aprovar a reeleição. Estranhamos que tais discursos não considerem nossos códigos penal e tributário como iniqüidades institucionalizadas. Os exemplos de como a iniqüidade está radicalmente institucionalizada entre nós são tantos que seriam extenuantes. Certamente para quem se domesticou a ver nas injustiças sociais de nosso Brasil um fato “natural”, ou mesmo como a “vontade de Deus”, nada do mencionado antes parece ser iníquo. Infelizmente!

3. Como entidade identificada com o rigor da crítica e da autocrítica, desejamos expressar nosso descontentamento com a manipulação de imagens e de informações retalhadas, organizadas como apelo emocional e ideológico que mais falseia a realidade do que a apreende ou a esclarece. Textos, vídeos, e outros recursos de comunicação de massa, devem ser criteriosamente avaliados. Os discursos difamatórios tais como os que se dirigem agora contra o PT quase sempre se caracterizam por exemplos isolados recortados da realidade. Quase sempre, tais exemplos não são representativos da totalidade dos grupos e das ideologias envolvidas.

Dito de forma simples: uma das armas prediletas da difamação é a manipulação, que se dá quase sempre pelo uso de falas e declarações retiradas do contexto maior de onde foram emitidas. Em lugar de estratégias como essas, que consideramos como atentados à ética e à inteligência das pessoas, gostaríamos de instigar aos pastores, igrejas, demais grupos eclesiásticos e civis, o debate franco e aberto, marcado pelo respeito e pela honestidade, mesmo que resultem em divergências de pensamento entre os participantes.

4. A Aliança de Batistas de Brasil é uma entidade identificada com a promoção e a defesa da vida para toda a sociedade humana e para o planeta. Mas consideramos também que é um perigo quando o discurso de defesa da vida toma carona em rancores de ordem política e ideológica. Consideramos, além disso, como uma conquista inegociável a laicidade de nosso estado. Por isso, desconfiamos de todo discurso e de todo projeto que visa (re)unir certas visões religiosas com as leis que regem nossa sociedade. A laicidade do estado, enquanto conquista histórica, deve permanecer como meio de evitar que certas influências religiosas usurpem o privilégio perante o estado, e promova assim a segregação de confissões religiosas diferentes.

É mister recordar uma afirmação de um dos grandes referenciais teológicos entre os batistas brasileiros, atualmente esquecido: “Os batistas crêem na liberdade religiosa para si próprios. Mas eles crêem também na igualdade de todos os homens. Para eles, isso não é um direito; é uma paixão. Embora não tenhamos nenhuma simpatia pelo ateísmo, agnosticismo ou materialismo, nós defendemos a liberdade do ateu, do agnóstico e do materialista em suas convicções religiosas ou não-religiosas” (E. E. Mullins, citado por W. Shurden).

Nossa posição está assentada na convicção de que o Evangelho, numa dada sociedade, não deve se garantir por meio das leis, mas por meio da influência da vida nova em Jesus Cristo. Não reza a maior parte das Histórias Eclesiásticas a convicção de que a derrota do Cristianismo consistiu justamente em seu irmanamento com o Império Romano? Impor a influência de nossa fé por meio das leis do estado não é afirmar a fraqueza e a insuficiência do Evangelho como “poder de Deus para a salvação de todo o que crê”? No mais, em regimes democráticos como o estado brasileiro, existem mecanismos de participação política e popular cuja finalidade é a construção de uma estrutura governamental cada vez mais participativa. Foi-se o tempo em que nossa participação política estava confinada à representatividade daqueles em quem votamos.

5. A Aliança de Batistas do Brasil se posiciona contra a demonização do PT, levando em consideração também que tal processo nega o legado histórico do Partido dos Trabalhadores na construção de um projeto político nascido nas bases populares e identificado com a inclusão e a justiça social.

Os que afirmam o nascimento de um “império da iniquidade”, com uma possível vitória do PT nas atuais eleições, “esquecem” o fundamental papel deste partido em projetos que trouxeram mais justiça para a nação brasileira, como, por exemplo: na reorganização dos movimentos trabalhistas, ainda no período da ditadura militar, visando torná-los independentes da tutela do estado; na implantação e fortalecimento do movimento agrário-ecológico dos seringueiros do Acre pela instalação de reservas extrativistas na Amazônia, dirigido, na década de 1980, por Chico Mendes; nas ações em favor da democracia, lutando contra a ditadura militar e utilizando, em sua própria organização, métodos democráticos, rompendo com o velho “peleguismo” e com a burocracia sindical dos tempos varguistas; nas propostas e lutas em favor da reforma agrária ao lado de movimentos de trabalhadores rurais, sobretudo o MST; no apoio às lutas pelos direitos das crianças, adolescentes, jovens, mulheres, homossexuais, negros e indígenas; e na elaboração de estratégias, posteriormente transformadas em programas, de combate à fome e à miséria.

Atualmente, na reta final do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, vemos que muita coisa desse projeto político nascido nas bases populares foi aplicado. O governo Lula caminha para seu encerramento apresentando um histórico de significativas mudanças no Brasil: diminuição do índice de desemprego, ampliação dos investimentos e oportunidades para a agricultura familiar, aumento do salário mínimo, liquidação das dívidas com o FMI, fim do ciclo de privatização de empresas estatais, redução da pobreza e miséria, melhor distribuição de renda, maior acesso à alimentação e à educação, diminuição do trabalho escravo, redução da taxa de desmatamento etc.

É verdade que ainda há muito a se avançar em várias áreas vitais do Brasil, mas não há como negar que o atual governo do PT na Presidência da República tem favorecido a garantia dos direitos humanos da população brasileira, o que, com certeza, não aconteceria num “império de iniquidade”. Está ficando cada vez mais claro que os pregadores que anunciam dos seus púpitos o início de uma suposta amplitude do mal, numa continuidade do PT no Executivo Federal, são os que estão com saudade do Brasil ajoelhado diante do capital estrangeiro, produzindo e gerenciando miséria, matando trabalhadores rurais, favorecendo os latifundiários, tratando aposentados como vagabundos, humilhando os desempregados e propondo o fim da história.

Enfim, a Aliança de Batistas do Brasil vem a público levantar o seu protesto contra o processo apelatório e discriminador que nos últimos dias tem associado o Partido dos Trabalhadores às forças da iniquidade. Lamentamos, sobretudo, a participação de líderes e igrejas cristãs nesses discursos e atitudes, que lembram muito a preparação das fogueiras da inquisição.

Querido dom Demétrio

Quero publicamente agradecer-lhe as suas palavras esclarecedoras sobre a manipulação da religião católica no final da campanha eleitoral pela difusão  de uma mensagem dos três bispos da comissão representativa do regional Sul I da CNBB condenando a candidata do atual governo e proibindo que os católicos votem nela. Graças ao senhor, sabemos que essa divulgação do documento da diretoria de Sul 1 não foi expressão da vontade da CNBB, mas contraria a decisão tomada pela CNBB na sua ultima assembléia geral, já que esta tinha decidido que os bispos não iam intervir nas eleições. Sabemos agora que o documento dos bispos da diretoria do regional Sul 2 foi divulgado no final de agosto, e durante quase um mês permaneceu ignorado pela imensa maioria do povo brasileiro. Agora, dois dias antes das eleições, um grupo a serviço da campanha eleitoral de um candidato, numa manobra de evidente e suja manipulação, divulgou com abundantes recursos e muito barulho esse documento, criando uma tremenda confusão em muitos eleitores.

Pela maneira como esse documento foi apresentado, comentado e divulgado, dava-se a entender que o episcopado brasileiro proibia que os católicos votasse nos candidatos do PT e, sobretudo na  sua candidata para a presidência. Dois dias antes das eleições os acusados já não podiam mais reagir, apresentar uma defesa ou uma explicação. Aos olhos do público a Igreja estava dando o golpe que sempre se teme na véspera das eleições, quando se divulga um suposto escândalo de um candidato. Era um golpe sujo por parte dos manipuladores, já que dava a impressão de que o golpe vinha dessa feita da própria Igreja.

Se os bispos que assinaram o documento de agosto, não protestam contra a manipulação que se fez do seu documento, serão cúmplices da manipulação e aos olhos do público serão vistos como cabos eleitorais.

Se a CNBB não se pronuncia publicamente com muita clareza sobre essa manipulação do documento por grupos políticos sem escrúpulos, será cúmplice de que dezenas de milhões de católicos irão agora, no segundo turno votar pensando que estão desobedecendo aos bispos. Seria uma primeira experiência de desobediência coletiva imensa, um precedente muito perigoso. Além disso, certamente afetará a credibilidade da Igreja Católica na sociedade civil, o que não gostaríamos de ver nesta época em que ela já está perdendo tantos fiéis.

Se o episcopado católico deixa a impressão de que a divulgação desse documento nessa circunstância representa a voz da Igreja com relação às eleições deste ano, muitos vão entender que isso significa uma intervenção dos bispos católicos para defender o candidato das elites paulistanas contra a candidata dos pobres. Os pobres têm muita sensibilidade e sentem muito bem o que há na consciência dessas elites.  Sabem muito bem quem está com eles e quem está contra eles. Vão achar que a questão do aborto é apenas um pretexto que esconde uma questão  social, o desprezo das elites, sobretudo de São Paulo pela massa dos pobres deste país. Milhões de pobres votaram e vão votar na candidata do governo porque a sua vida mudou. Por primeira vez na história do país viram que um governo se interessava realmente por eles e não somente por palavras. Não foi somente uma melhoria material, mas antes de tudo o acesso a um sentimento de dignidade. “Por primeira vez um governo percebeu que nós existimos”.  Isso é o que podemos ouv
ir da boca dos pobres todos os dias. Um povo que tinha vergonha de ser pobre descobriu a dignidade. Por isso o voto dos pobres, este ano, é um ato de dignidade. As elites não podem entender isso. Mas quem está no meio do povo, entende.

Os bispos podem lembrar-se de que a Igreja é na Europa o que é, porque durante mais de 100 anos os bispos tomaram sempre posição contra os candidatos dos pobres, dos operários. Sempre estavam ao lado dos ricos sob os mais diversos pretextos. E no fim aconteceu o que podemos ver. Abandonaram a Igreja. Cuidado! Que não aconteça a mesma coisa por aqui! Os pobres sabem, são conscientes e sentem muito bem quando são humilhados. Não esperavam uma humilhação por parte da Igreja. Por isso, é urgente falar para eles.

Uma declaração clara da CNBB deve tranqüilizar a consciência dos pobres deste país. Sei muito bem que essa divulgação do documento na forma como foi feita,  não representa a vontade dos bispos do regional Sul 1 e muito menos a vontade de todos os bispos do Brasil. Mas a maioria dos cidadãos não o sabe e fica perturbados ou indignados por essa propaganda que houve.

Não quero julgar o famoso documento. Com certeza os redatores agiram de acordo com a sua consciência. Mas não posso deixar de pensar que essa manipulação política que foi a divulgação do seu documento na véspera das eleições, dava a impressão de que estavam reduzindo o seu ministério à função de cabo eleitoral. O bispo não foi ordenado para ser cabo eleitoral. Se não houver um esclarecimento público, ficará a imagem de uma igreja conivente com as manobras espúrias

Dom Demétrio, o senhor fez jus à sua fama de homem leal, aberto, corajoso e comprometido com os pobres e os leigos deste país. Por isso, o senhor merece toda a gratidão dos católicos que querem uma Igreja clara, limpa, aberta, dialogante. Demonizar a candidata do governo como se fez, baseando-se em declarações que não foram claras, é uma atitude preconceituosa totalmente anti evangélica. Queremos continuar confiando nos nossos bispos e por isso aguardamos palavras claras. Obrigado, dom Demétrio.

José Comblin, padre, teólogo e pecador.

5 de outubro de 2010

PS.: Esse pos foi preparado às 21h30 da quarta-feira

Reproduzo texto do Fórum, divulgado em 12 de Outubro

Declaração do Fórum Brasileiro de Economia Solidária à sociedade
brasileira sobre o 2º turno eleitoral 2010

O Fórum Brasileiro de Economia Solidária, em nome dos empreendimentos solidários, rede de
gestores e entidades de apoio e fomento que constituem o movimento organizado de Economia Solidária no
país, vem a público manifestar seu posicionamento com relação ao segundo turno das eleições de 2010.

O Movimento de Economia Solidária propõe, a partir de suas práticas econômicas e organização
política, a mudança do modelo de desenvolvimento baseado na exploração irrestrita dos recursos naturais
e no favorecimento às grandes empresas capitalistas. É preciso que o desenvolvimento tenha a vida como
foco e motivação, tendo como motores o trabalho associado, a solidariedade, a cooperação, o respeito à
natureza, a diversidade cultural, étnica e generacional, o reconhecimento e autodeterminação dos povos e
comunidades tradicionais, e a justiça social, de gênero e ambiental. Neste sentido, afirmamos que a
economia deve estar a serviço da vida, e não o contrário.
Por isso lutamos, independentemente do processo eleitoral, pela democracia plena e por diferentes
políticas públicas e ações integradas, dentre as quais destacamos:

• Solidariedade na atividade econômica: Reconhecimento do trabalho associado como forma de
promoção do desenvolvimento econômico com justiça social, enraizamento comunitário e
preservação ambiental; promoção de redes e cadeias de produção, comercialização e consumo
solidários; promoção do acesso a crédito através de instrumentos democráticos e locais de finanças
solidárias como alternativa ao sistema financeiro especulador; ampliação do fomento da produção da
agricultura familiar, camponesa e agroecológica, garantindo o direito à biodiversidade livre de
transgênicos e agrotóxicos; defesa do trabalho digno; democratização e controle social do BNDES;
emancipação econômica das mulheres.

• Por um consumo que promova a vida: Promoção do consumo responsável; garantia do direito à
informação detalhada ao consumidor; afirmação do comércio justo e solidário como promotor de
circuitos territorializados de distribuição equitativa de bens e serviços; superar o consumismo
através de formação para o consumo responsável e regulamentação da propaganda; defesa da
segurança e soberania alimentar e nutricional.

• Liberdade e diversidade de expressão: defesa e reconhecimento dos conhecimentos tradicionais;
opção pelo conhecimento livre de patentes; democratização da imprensa e mídia, garantindo
espaço privilegiado a rádios e TVs comunitárias e outros meios de comunicação populares; apoio
às diversas expressões culturais populares.

• Direitos territoriais: reformas agrária e urbana; demarcação de terras e reconhecimento dos povos
e comunidades indígenas e tradicionais; limite do tamanho da propriedade da terra; integração
internacional pautada na soberania, solidariedade e respeito mútuo, e economicamente em
empreendimentos de economia solidária.

• Preservação de nosso planeta: revisão da matriz energética para fontes renováveis e limpas (tais
como eólica e solar); defesa dos biomas e biodiversidade brasileiros, em especial o Cerrado e a
Amazônia; melhoria e ampliação do transporte público para redução de congestionamentos e
poluição; expansão do apoio às cooperativas de catadores de materiais recicláveis.

• Por uma gestão da política de Economia Solidária em outro patamar: conforme deliberação da II
Conferência Nacional de Economia Solidária, afirmamos a necessidade de criação de um
Ministério de Economia Solidária para dar conta deste setor de forma integrada e sistêmica.
Ao analisarmos os programas, a trajetória política e os governos representados pelas duas
candidaturas para este segundo turno, fica evidente que a candidatura do PSDB-DEM, além de não
defender estas ações, é avessa à organização da sociedade civil através da criminalização dos
movimentos sociais. A candidatura Dilma Rousseff, pelo seu caráter progressista, é a que pode, neste
segundo turno, abrir espaço a estas inovações no modelo de desenvolvimento, já tendo inclusive, no atual
governo, apoiado algumas delas.

Desta forma, o Fórum Brasileiro de Economia Solidária, através de sua base de milhares de
empreendimentos solidários e organizações e redes locais e nacionais, torna público o seu apoio, de
forma apartidária, à candidatura de Dilma Rousseff à Presidência da República.
Para além de nossa posição, repudiamos o uso de boatarias, mentiras e manipulação de informações
com o objetivo de fomentar o preconceito à pessoa de Dilma, mulher lutadora que deve ser respeitada por suas
conquistas e história de defesa da democracia neste país. Defendemos uma campanha baseada nas
propostas e programas políticos dos candidatos, para permitir a opção consciente da população brasileira.

Antônio Augusto*

Performance de José Serra na COnstituinte de 1988

Performance de José Serra na Constituinte de 1988

Serra negou seu voto pela garantia do salário mínimo real
Pra que salário mínimo real, não é mesmo?, ideal para nossa direita seria arrochar ainda mais os baixos salários dos trabalhadores brasileiros, até mesmo o salário mínimo;

Serra negou seu voto pelo abono de férias de 1/3 do salário
Para a direita brasileira, férias já são quase um… abuso, imagine-se ainda pagar 1/3 do salário por elas;

Serra negou seu voto para garantir 30 dias de aviso prévio
Afinal, FHC se vangloriava que “a era Vargas acabou”, ele achava o máximo o mínimo de carteiras de trabalho assinadas, contava vantagem de ter diminuído drasticamente o número de carteiras de trabalho assinadas nos seus governos (1994-2002), isto é, apresentava como “modernidade” direitos trabalhistas atirados ao lixo.

Serra negou seu voto pelo aviso prévio proporcional
Bom mesmo para Serra seria logo acabar com o aviso prévio;

Serra votou contra mais garantias ao trabalhador de estabilidade no emprego
Pra que estabilidade no emprego? Bom mesmo para os tucanos, e seus aliados preferenciais (o DEM e a mídia conservadora), é seguir as receitas do FMI, todo o dinheiro do país para banqueiros, nada de investimento em produção, país parado, desenvolvimento zero, daí seu ódio ao PAC e sua tentativa de paralisá-lo. Se o emprego para Serra e sua turma já é um luxo, estabilidade no emprego para eles só pode ser supérflua.

Serra votou contra a redução da jornada de trabalho para 40 horas
Para a direita representada por Serra, aí já se trata de muito abuso, o que para eles a negrada, isto é, o povo brasileiro, precisa, é trabalhar mais e ganhar menos; afinal, para eles, salário não passa de “privilégio”;

Serra negou seu voto pelo direito de greve

Ei, o que é isso, direito de greve?!, na Constituição? Para a direita, bom mesmo era como a ditadura tratava as greves, a polícia política se encarregava dos grevistas (os DOPS e DEOPS de triste memória), grevistas eram “vagabundos e subversivos” na visão policial e patronal;

Então Serra desde muito tempo já é contra esse elementar direito democrático, o direito de greve, isso talvez explique a forma ditatorial e repressiva como tratou grevistas em São Paulo;

Serra negou seu voto pela estabilidade do dirigente sindical

Pra que sindicato, sindicato pra quê?, é o mantra da direita brasileira; sindicato bom pra ela é sindicato inexistente;

Serra votou contra a implantação de Comissão de Fábrica nas indústrias

Aí também é demais, né não?, operários se reunindo no local de trabalho, é demais; para a direita trabalhador tem só que trabalhar, não discutir nada e sempre agradecer ao patrão.

Esse é Serra, o candidato que cinicamente se apresenta como “do bem”: ué, não tem gente que defende a escravidão até hoje? E diz com a maior sem-cerimônia que foi “o melhor deputado da Constituinte”. Melhor pra quem, cara pálida? Não para os trabalhadores, de quem foi inimigo. Numa escala de zero a dez, o Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), entidade fidedigna e conceituada, atribuiu nota 3,75 a Serra.

Tire suas conclusões e vote com consciência em 31 de outubro.
Antônio Augusto é jornalista

Tire suas conclusões e vote com consciência em 31 de outubro. * Antônio Augusto é jornalista

ps.: esse post foi programado às 21h30 da quarta-feira. O quadro acima foi publicado