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Archive for the 'Sexo' category

35 anos

Luiz Carlos Pinto | 27 de novembro de 2007 8:18

Próximo sábado tem feijoada e apresentação dos “Inimigos do Ritmo” aqui em casa pra lembrar as 35 primaveras deste escriba. A banda, que toca alguns dos chorinhos mais bonitos da MPB, vai aproveitar e gravar o primeiro DVD. Aos convivas, feijoada, cerveja, cana, vodka, coquetel molotov e otras coisitas masss. A foto acima é um flagrante da primeira tiração de som dos Inimigos, no ano passado, também no aniversário.

O Homem, esse desgracioso

Luiz Carlos Pinto | 21 de setembro de 2007 13:24

Os Sertões. Foto de Renata Beltão
A segunda noite de apresentação de Os Sertões, nesta quarta, foi mais interessante do que a apresentação de A Terra, na quarta-feira, assim como é no livro de Euclides da Cunha. Isso porque é o momento em que o autor desse ensaio de interpretação do Brasil se mostra meio no muro entre suas pulsões de homem das artes, de romântico e a posição do homem da ciência, do naturalista devotado e do observador dos aspectos evolucionistas da humanidade. Nesse sentido, O Homem é uma tentativa de explicar a derrocada evolucionista que deu no jagunço por meio da arte, do floreio, da mitificação desse ser que é antes de tudo um forte.

A formação do jagunço foi feita por meio dos cruzamentos de etnias diferentes – as três principais que formaram o Brasil. Em termos de Oficina, isso significa orgias e mais orgias temporais, espalhadas em séculos de contato entre brancos, negros e índios. O maior barato são as soluções cênicas para se mostrar mais de 300 anos do processo em que isso aconteceu.

A descrição do homem sertanejo, no livro de Euclides é muito bonita, altaneira, dá vontade de ler em voz alta. Esses trechos são apresentados na peça inteiros, sem tirar nem pôr, aproveitando-se e apropriando-se justamente da oralidade do texto de Euclides da Cunha.

Esse é também o momento e que o escritor se mostra mais ligado às teses evolucionistas do fim do século XVIII. Na verdade, mais fiel aos reflexos das teorias naturalistas e evolucionistas na Sociologia, bem como a preocupação de dotar o discurso de um cientificismo que afastasse qualquer dúvida quanto a sua legitimidade. O Home é também o momento em que Euclides se deixa mostrar afeito à luta deste homem “desgracioso, desengonçado, torto” e começa a se revoltar contra a República, de quem era antes fervoroso defensor.

No espetáculo, mais música, movimentação, cores e nudez que em A Terra. Há uma bela recriação da história da formação e da colonização, as misturas étnicas orgiásticas (bem ao gosto de Zé Celso) e fielmente ao livro, o nascimento de um homem novo, feio e deselegante que só ele…

Hoje tem mais. Se não me engano, são cinco horas de espetáculo, narrando a segunda parte de O Homem. O espetáculo segue com A Luta no sábado e domingo – em cada um desses dias, 6 horas e meia de espetáculo. A foto acima é de Renata Beltrão no primeiro dia, quando foi encenada A Terra.

Kiss me, baby

Luiz Carlos Pinto | 20 de julho de 2007 9:18


Casamento

Há mulheres que dizem:

Meu marido, se quiser pescar, pesque,

mas que limpe os peixes.

Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,

ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.

É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,

de vez em quando os cotovelos se esbarram,

ele fala coisas como “este foi difícil”

“prateou no ar dando rabanadas”

e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez

atravessa a cozinha como um rio profundo.

Por fim, os peixes na travessa,

vamos dormir.

Coisas prateadas espocam:

somos noivo e noiva.

(Adélia Prado)

Éramos todos jovens

Luiz Carlos Pinto | 4 de abril de 2007 12:48


Já não se fazem mais filmes como antigamente.

Dia mundial do orgasmo

Luiz Carlos Pinto | 5 de março de 2007 3:19

Inferno de Sade, de Milo Manara A notícia é velha mas vale a pena. A organização “Global Orgasm” convocou homens e mulheres de todo
o mundo para a primeira edição do evento “orgasmo global sincronizado pela paz” , dia 22 de fevereiro, quando os voluntarios deveriam se concentrar em algum pensamento de paz durante ou depois do orgasmo. O
objetivo era modificar o campo energético da Terra ao disseminar a maior quantidade possível de energia humana. Segundo os organizadores, a combinação da energia do orgasmo com o pensamento positivo pode ter
melhores efeitos que meditação em massa e orações e diminuir o nível de agressão e violência ao redor do mundo.

Não sei se no dia 22 de fevereiro houve mais paz no mundo, não sei dos efeitos práticos da iniciativa, mas você é convidado para nos comentários abaixo colocar como foi seu dia 22 de fevereiro. O que eu sei é que já é difícil sincronizar orgasmo a dois, imagine toda a população da terra. O que pode ter acontecido é uma rápida acelerada no aqueciento terrestre, queda de temperatura na seqüência e fumacê de cigarrinho no final.

 

Começa hoje e vai até o dia 18 a quarta edição Expo Sex and Entertainment, que acontece este ano no México no … Palácio de los Desportes. Por lá, é o dia nacional do amor e da amizade. Escolheram bem o dia e o local. A feira, além de vender e promover  novos filmes desta indústra, também comercializa acessórios dos menos aos mais sofisticados. Parte da renda é revertida para a financiar tratamento de portadores do HIV.

Pelas fotos desta matéria do La Cronica, o ato (epa) de apresentação dos atores e atrizes foi um evento à parte. Depois de demorar mais de uma hora, os astros do cine pornô entraram na sala de entrevista, no Hotel Nikko, acompanhados por uma batucada. Isso mesmo. 

Mas um dos destaques da imprensa mexicana é um jovem ator daquele país, de 27 anos.  Miguel Ramírez foi escolhido entre 3.500 candidatos para um contrato em que fará 26 cenas, e diz que lembrará da ex-noiva em cada uma das vezes que terá que atuar na indústria do pornô.

Essa semana peguei uma gripe ou coisa que o valha, daquelas que os médicos quando não sabem o que é dizem logo que é uma virose. Minha cabeça ainda parece uma caçamba de caminhão, pesada, grande, um frio de febre aparece aqui e acolá, dor nas juntas – isso tudo acendeu o sinal de alerta. Não posso ficar doente de jeito nenhum nos próximos 28 dias. É que como se sabe, esse é o período de exercício do esporte nacional, o carnaval.

A cidade já se prepara com pressa, sem pudores, pra quando a hora chegar. Manequins tribalistas procuram perucas black power; minimalistas urbanos compram armarinhos de ouro; punks neo-conservadores preferem asas de anjo; alcaides e sogras sonham com a colombina; sacis compram maquiagem, o pessoal muderno se veste de cartomantes, marinheiros, reis de pastoril, homens da cobra, soldados e osamas.

O centro desse comércio é uma área meio decadente da cidade chamada vucovuco, no bairro de São José. Espero neste fim de semana ou na outra semana poder ir lá comprar minhas fantasias desse ano, tudo baratinho.

O fato é que não é incorreto dizer que cada um tem seu bloco de preferência. É fácil ouvir ‘meu bloco’ em mesas de bar, nas conversas entre amigos, no elevador, nas combinações pro sábado de Zé Pereira.

- Vais pro Galo?
- Vou não, meu bloco sai em Casa Amarela à tarde.

E assim seguimos, entoando no dia-a-dia a vontade de cair na gandaia que o calor nos ensinou. Gandaia que parece o sentido da vida, fora do qual, emprego, compromissos de toda sorte, falta de amor e de educação, pobreza e falta de alegria perdem o seu sentido de ser.

Vou deixar abaixo a letra da música que tô ouvindo agora:

QUANDO O CARNAVAL CHEGAR
Chico Buarque - 1972

Quem me vê sempre parado, distante
Garante que eu não sei sambar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tô só vendo, sabendo, sentindo, escutando
E não posso falar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo as penas de louça da moça que passa e não posso pegar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Há quanto tempo desejo seu beijo
Molhado de maracujá
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E que me ofende, humilhando, pisando, pensando
Que eu vou aturar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
E quem me vê apanhando da vida duvida que eu vá revidar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu vejo a barra do dia surgindo, pedindo pra gente cantar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar
Eu tenho tanta alegria, adiada, abafada, quem dera gritar
Tou me guardando pra quando o carnaval chegar