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	<title>Soy Loco Por Ti, América &#187; Sociologia</title>
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	<description>Política, Mídias, Economia, Arte, Futebol e Humor na América Latina</description>
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		<title>O desafio do vigilantismo em rede na #expoidea</title>
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		<pubDate>Sun, 13 May 2012 00:40:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Nos últimos anos, uma série de leis que restringem as liberdades na  Internet estão sendo decretadas de forma autoritária por governos em  todo o mundo, desde o Hadopi na França, até as tentativas de aprovar o  SOPA, PIPA e o ACTA nos EUA, e chegando na Lei Azeredo (conhecida como AI5-Digital) aqui [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>Nos últimos anos, uma série de leis que restringem as liberdades na  Internet estão sendo decretadas de forma autoritária por governos em  todo o mundo, desde o Hadopi na França, até as tentativas de aprovar o  SOPA, PIPA e o ACTA nos EUA, e chegando na Lei Azeredo (conhecida como <a href="http://meganao.wordpress.com/" target="_blank">AI5-Digital</a>) aqui no Brasil – que está em debate no nosso parlamento.</em></p>
<p><em>Buscando aprofundar as discussões sobre este contexto, a Expoidea vai promover um instigante debate chamado <strong>“Os Limites da liberdade e o vigilantismo na Rede: Marco Civil da Internet e Ciberativismo”</strong>.</em></p>
<p><em>Estarão na mesa os ciberativistas<a href="http://entropia.blog.br/" target="_blank"> João Carlos Caribé</a> e<a href="http://www.tsavkko.com.br/" target="_blank"> Raphael  Tsavkko Garcia</a>. O mediador deste debate serei eu.</em></p>
<p><em> <img src='http://www.locoporti.blog.br/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':-)' class='wp-smiley' /><br />
</em></p>
<p><em><strong>DATA E HORA:</strong> 13 de maio – domingo, às 16h.<br />
<strong>LOCAL:</strong></em> <em> Espaço Ideário – Shopping Paço Alfândega.<br />
ENTRADA GRATUITA.</em></p>
<p><em><strong>O Debate será transmitido AO VIVO via streaming, a partir das 16h. </strong></em></p>
<p><strong><em>Link: <a href="http://expoidea.com.br/2012/debates-ao-vivo/">http://expoidea.com.br/2012/debates-ao-vivo/</a> </em><br />
</strong></p>
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		<title>Uma boa semana para lembrar de Marx</title>
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		<pubDate>Sat, 05 May 2012 20:04:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
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		<description><![CDATA[Se Marx errou sobre a capacidade de realização libertária do comunismo – a bem da verdade, mais por obra da burocracia estalinista do que por um caráter inerente da revolução russa e de seus pressupostos teóricos –, acertou em cheio sobre a capacidade destrutiva do capitalismo. Destruição da sua própria base social &#8211; o meio [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div class="wp-caption alignright" style="width: 373px"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:No_Karl_Marx.jpg" target="_blank"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="No Karl Marx" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/1/18/No_Karl_Marx.jpg/300px-No_Karl_Marx.jpg" alt="No Karl Marx" width="363" height="362" /><br />
</a></dt>
<dd class="wp-caption-dd zemanta-img-attribution" style="font-size: 0.8em;">
<div class="mceTemp"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:No_Karl_Marx.jpg" target="_blank"><br />
</a></div>
<p>No Karl Marx (Photo credit: Wikipedia)</p>
</dd>
</dl>
</div>
<p>Usar a semana do dia do trabalho como mote para se pensar nas crises mais recentes pelas quais o capitalismo vem passando ganhou um sentido renovado nos últimos  anos. É difícil deixar de lembrar de Karl Marx, quando é justamente sua obra, construída com F. Engels, que vem dando contribuições para se entender de forma mais sofisticada o sistema produtivo hegemônico em particular e a sociedde moderna em geral. Não é casual a retomada dos estudos produzidos pelos alemães ou as novas abordagens e interpretações do materialismo histórico. Lembrei de fazer um registro aqui no blog amarelo porque hoje é a data do nascimento de KM.</p>
<p>O livro mais recente de Frederic Jameson (<a href="http://www.amazon.com/Representing-Capital-Reading-Volume-One/dp/1844674541/ref=sr_1_1?s=books&amp;ie=UTF8&amp;qid=1336247022&amp;sr=1-1" target="_blank">Representing `Capital` &#8211; A Reading of / Volume One</a>) trata justamente do emprego e do Capital. Ou, mais especificamente, a obra afirma que O Capital é um livro sobre o desemprego. Sobre como o desemprego está vinculado de forma orgânica à dinâmica de acumulação e expensão que constitui a própria natureza do capitalismo. Ou seja, em detrimento da categoria política de dominação, é a exploração econômica que ganha destaque e a classe trabalhadora global de hoje emularia o proletariado do início da revolução industrial, por causa de sua precariedade e vulnerabilidade: seriam os &#8220;portadores de um novo tipo de miséria histórica e global&#8221;.</p>
<p>Essa leitura de Jameson tem um problema. Ela deixa passar os caminhos que a política, que as políticas, tomaram depois de 1945 incluindo-se aí a instauração do Estado de bem-estar social e a emergência de forças políticas e articulatórias para além das reivindicações de classe. Entre estes, os movimentos feministas, de igualdeade de direitos civis, LGBT, movimento verde, étnicos, etc. Também não considera o legado dos governos de esquerda na América Latina. Estes são fronts, processos e resultados de reação política aos ciclos de dominação econômica e exploração e, em certo sentido, não passam pela lupa de Jameson.</p>
<p>Houve tempo em que não faltavam vozes a afirmar que as pesquisas sobre o trabalho, a evolução do capital, as transformações das formas de produção; ou que os investimentos de ordem mais eminentemente filosóficos e metodológicos de Marx e de Engels haviam perdido o sentido. Não. Hoje, nós nos encontramos no mundo que ele previu, onde cada um vive de forma experimental e provisória, ainda que não deseje ou saiba, e onde a perspectiva da ruína pode ocorrer a qualquer momento. O sociólogo Anthony Guiddens tratou desse aspecto de ‘insegurança’ sob a categoria de ‘risco’ – embora de forma ainda mais ampla.</p>
<div class="mceTemp">
<dl class="wp-caption zemanta-img alignleft" style="width: 310px;">
<dt class="wp-caption-dt"><a href="http://commons.wikipedia.org/wiki/File:Marx6.jpg" target="_blank"><img class="zemanta-img-inserted zemanta-img-configured" title="In his theory of labor value Marx also suppose..." src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/5/57/Marx6.jpg/300px-Marx6.jpg" alt="In his theory of labor value Marx also suppose..." width="300" height="438" /></a><p class="wp-caption-text">In his theory of labor value Marx also supposes an identical labor-capital ratio in all sectors. (Photo credit: Wikipedia)</p></div>
<p>Se Marx errou sobre a capacidade de realização libertária do comunismo – a bem da verdade, mais por obra da burocracia estalinista do que por um caráter inerente da revolução russa e de seus pressupostos teóricos –, acertou em cheio sobre a capacidade destrutiva do capitalismo. Destruição da sua própria base social &#8211; o meio de vida da classe média – <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/09/110918_marx_capitalismo_jf.shtml" target="_blank">como mostrou</a> o filósofo John Gray.</p>
<p>Como Gray comenta, Marx conseguiu prever a instabilidade que arrastaria as classes médias à condição de “existência precária dos sobrecarregados trabalhadores de sua época”. Marx e Engels foram suficientemente sensíveis para perceber, ainda no Manifesto Comunista, que com o capitalismo emergia uma nova relação da humanidade com a natureza, novas tecnologias, muitas mudanças na vida cotidiana, novos arranjos políticos institucionais e novas relações sociais. A certo momento, o capitalismo parecia expressar a própria condição da modernidade, de contínua atualização, de continua auto-destruição e re-criação.</p>
<p>Recentemente, entretanto, vem se fortalecendo a perspectiva de que o capitalismo fracassou &#8211; no sentido de que essa instabilidade abalou os próprios fundamentos do sistema. Algumas vozes vem articulado idéias nesse sentido, entre elas a o sociólogo David Harvey. Nesse sentido, o capitalismo teria entrado numa fase de cada vez mais destruição e cada vez menos criação. E é preciso salientar o forte componente de irracionalidade desse processo. No último livro do sociólogo inglês lançado no Brasil, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29154349&amp;sid=19617820514320484631927725" target="_blank">O enigma do capital</a>, Harvey lembra como em 2009, um terço dos bens de capital nos Estados Unidos permaneceu inativo ao mesmo tempo em que cerca de 17% da força de trabalho estava desempregada ou, involuntariamente, trabalhando em regimes de meio período.</p>
<p>Em certo sentido uma das expressões mais bem acabadas dessa irracionalidade é trio <strong>produzir, consumir, enriquecer</strong>. A lógica liberal mercadológica elevou a um patamar tal a relação com essas atividades que as relações entre os indivíduos passam a um segundo plano de importância. Somos acionados por coisas – objetos, serviços, um fantasma e a esse respeito me lembrei do show abaixo, no qual o rapper Tupac Shakur é ressucitado –, e convencidos da necessidade inelutável da busca exacerbada, contínua, aviltante por produzir, consumir e enriquecer. O sempre ter mais (<a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Pleonexia" target="_blank">pleonexía</a>) era limitado no mundo grego e virou um trem descarrilhado com o liberalismo. Para um filósofo como Dany-Robert Dufour, a perda dos relatos fundadores e a liberação da pleonexía são marcos da irracionalidade atual. Em um livro chamado <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=29428492&amp;sid=77411214114224379882590518" target="_blank">“L’individu qui vient&#8230;après le libéralisme” </a>(O indivíduo que vem&#8230;depois do liberalismo), o filósofo <a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19334" target="_blank">advoga</a> a necessidade de retomarmos o Marx filósofo, cujos trabalhos tratam das formas pelas quais os homens podem se realizar fora do circuito do mercado e de suas ilusões: no amor, no outro, do afeto, na arte, etc.</p>
<p style="text-align: center;">[There is a video that cannot be displayed in this feed. <a href="http://www.locoporti.blog.br/uma-boa-semana-para-lembrar-de-marx/">Visit the blog entry to see the video.]</a></p>
<p>Fico pensando que o trabalho também poderia ser uma plataforma de lançamento ao encontro do outro. E me parece que necessariamente precisa haver, para isso acontecer, um reordenamento da ação produtiva pra que ela não se restrinja ao fim puramente comercial. Ou seja, não se restrinja à tarefa de fazer viver, de sobreviver&#8230;</p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=93efe9c3-ed4d-422a-89b7-1e37b4577d32" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>Em torno da polêmica política cultural, por Gabriel Cohn</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/em-torno-da-polemica-politica-cultural-por-gabriel-cohn/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Apr 2012 15:19:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Por Gabriel Cohn, no Valor
Que algo não vai bem nas políticas da cultura é fora de dúvida. Nunca, desde o período Collor, a política oficial na área foi tão contestada, e por tantos lados. Surpreendentes lados, além do mais. Históricos e respeitáveis militantes petistas fazem críticas contundentes, enquanto figuras conhecidas no campo cultural se alinham [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><a href="http://farm6.static.flickr.com/5061/5635032628_10056a9c67_z.jpg"><img class="aligncenter" src="http://farm6.static.flickr.com/5061/5635032628_10056a9c67_z.jpg" alt="" width="597" height="640" /></a><br />
<span style="color: #800000;"><strong>Por Gabriel Cohn, no Valor</strong></span></p>
<p><em>Que algo não vai bem nas políticas da cultura é fora de dúvida. Nunca, desde o período Collor, a política oficial na área foi tão contestada, e por tantos lados. Surpreendentes lados, além do mais. Históricos e respeitáveis militantes petistas fazem críticas contundentes, enquanto figuras conhecidas no campo cultural se alinham a encarniçados conservadores na defesa de uma ministra do PT. Tentemos propor o problema de fundo numa perspectiva ampla, ainda que à custa de rodeios necessários.</em></p>
<p><em><span id="more-2726"></span><br />
</em></p>
<p><em>Fazer política cultural nunca foi fácil. Quando não se tem uma concepção clara das relações entre sociedade, Estado e cultura fica ainda mais difícil. A questão desagradável é: como juntar esses três termos sem fazer violência a nenhum deles? Pior: sem fazer violência à cultura, o elo frágil nessa cadeia? Mas qual intervenção na cultura não lhe faz violência? Eis o grande desafio de qualquer proposta séria de política cultural: mexer com essa coisa imponderável com a leveza sem a qual ela sufoca, junto com a firmeza suficiente para lhe dar força.</em></p>
<p><em>Cultura ou é tudo, uma espécie de atmosfera que respiramos nos menores gestos, ou é nada, porque cada vez que tentamos prendê-la numa das formas que assume ela nos escapa sob outra forma. Ou então, aprisionada nas redes administrativas, ela se converte em terreno bem demarcado no interior da produção e circulação simbólica. Essa última condição é que faz brilhar os olhos dos gestores mais apressados. Até porque desse modo ela pode ser definida, classificada e avaliada, mediante o uso de qualificativos: é popular, é nacional e assim por diante, tudo dependendo de quem tenha o poder de “ocupar o espaço” e de impor a sua definição.</em></p>
<p><em>Entre a cultura na sua acepção mais genérica possível (segundo a qual é nela que se dá a tradução no registro simbólico da vida humana, convertendo-a em experiências organizadas e peculiares a épocas e lugares) e suas expressões singulares bem mapeadas (a dança x na cidade y) há um enorme espaço, que se oferece às políticas.</em></p>
<p><em>A questão da formulação e implementação de políticas na área ganhou importância no Brasil com a criação do Ministério da Cultura em 1985 e assumiu forma constitucional a partir de 1988. Ao reservar-se todo um ministério a essa questão seguia-se um pouco o caso exemplar da França, que, no governo De Gaulle, consoante a vertente napoleônica da orientação republicana, criou em 1959 aquele órgão de difusão mundial da “grandeur” gaulesa. E fez questão de legitimá-lo na figura de um ministro grande intelectual, André Malraux. É verdade que isso se fez sem esquecer a frente interna, na qual viriam a se elaborar políticas inovadoras como a da “animação cultural”, cujas repercussões no Brasil merecem atenção.</em></p>
<p><em>Entre nós quem fez o papel de Malraux foi Celso Furtado, a quem se deve a concepção básica das leis de incentivo (batizadas na origem com o nome do então presidente Sarney, para depois se converter em Lei Rouanet) e, sobretudo, uma concepção abrangente da cultura como foco de políticas, centrada na ideia de criatividade. Depois disso, a rotina gerencial, mesmo quando competente, passou a se impor, como que dando razão àqueles que viam com reserva a própria criação do ministério.</em></p>
<p><em>Em 1984, quando se discutia essa criação, eu argumentava contra (“Cultura é cultura”, “Folha de S. Paulo”, outubro/1984), em termos que retomo agora. “A política cultural não segue a lógica da cultura – qual seria? -, mas a lógica da influência, do prestígio e do poder. Para isso ela cria suas instituições, seus gestores, seus funcionários, como condição para poder exercer-se. No limite, cria um ministério. A ideia da criação de um Ministério da Cultura não é, portanto, aberrante. Tem sua lógica, mas é uma lógica perversa. Ela repousa numa confusão que tem importância decisiva para entender como essas coisas se dão: aquela que no lugar do que é público coloca aquilo que é oficial. Enfim, aquela pela qual a clássica oposição liberal entre esfera pública e esfera privada fica sufocada nas malhas da esfera oficial, que acaba se identificando com a do aparato estatal”.</em></p>
<p><em>E concluía: “A cultura, essa entidade fugidia, tende a escapar por entre as malhas grossas das redes coletoras de recursos. Enquanto isso as redes mais finas podem ficar ociosas, dispersas pela sociedade, ou então continuar colhendo, à margem dos organismos e processos oficiais, sua sempre renovada carga simbólica. O risco é que elas fiquem restritas, confinadas em universos privados, talvez à espera dos possantes aspiradores da indústria cultural. O desafio continua o mesmo: articular o processo cultural com outros processos sociais e políticos, não para definir seu campo e suas prioridades oficiais, mas para o converter de fato em coisa pública, pois essa é no fundo a sua vocação. A cultura é entidade multiforme e intrometida e, tendo liberdade, nada lhe escapa. Porém, como ela não existe de maneira fixa e palpável, sua liberdade só se realiza juntamente com todas as outras liberdades. E isso passa, é claro, pelas condições materiais para exerce-las. Portanto, sua plena realização só se dá juntamente com todas as outras, num aprendizado social e político que certamente não passa por nenhum ministério”.</em></p>
<p><em>De passagem, interrogava se caberia àquele orgão “a regulamentação da concessão de canais de rádio e televisão, que atualmente está na área na qual se cruzam considerações tecnológicas com as de segurança nacional, sob o nome de ‘comunicações’ (área, de resto, cuja sombra incide fortemente sobre o processo cultural)”. Nesse aspecto, convém lembrar que a antes citada França tem atualmente um Ministère de la Culture et de la Communication.</em></p>
<p><em>O dado importante, aqui, é que no período recente ocorreram mudanças que permitem pelo menos matizar aquelas reservas. A principal delas, claro, consiste no fortalecimento da sociedade nas suas relações com o Estado, que inclui o uso das novas tecnologias da comunicação. Avanço que se anunciou com força em certo momento e no entanto se revela vulnerável, como demonstra a situação presente na área cultural.</em></p>
<p><em>É fácil detectar o momento em que isso ganhou corpo. Foi na gestão Gilberto Gil-Juca Ferreira nos mandatos Lula, quando se adotaram políticas baseadas numa concepção ampla e generosa de cultura, de cunho antropológico, como então se proclamava (em contraste com concepções gerenciais-mercadológicas). Chamou-se a sociedade, criaram-se condições de participação mediante a associação em múltiplas redes, apostou-se no prazo mais longo para o aprendizado cultural, multiplicaram-se as formas de produção e distribuição.</em></p>
<p><em>Foi o brusco freio quando não reversão dessa tendência na atual gestão Ana de Hollanda que gerou o mal-estar manifestado em várias frentes, desde os participantes e produtores culturais atingidos por cancelamentos de projetos em andamento até amplos setores simpáticos a políticas nas quais reconheciam a marca das melhores vertentes democráticas. É por aí que se traça a linha divisória entre críticos e defensores da atual ministra. O que a vertente crítica não tem como aceitar é o retrocesso envolvido numa política tipo “o ministério dos artistas”, pois isso equivale em converter o MinC em agência de reconsagração daqueles já consagrados pelo mercado. Ou então a conversão do ministério em agência de policiamento da circulação cultural, em nome da defesa de direitos autorais (com tudo o que isso representa em termos de envolvimento com entidades privadas de organização e conduta nebulosa).</em></p>
<p><em>O Ministério da Cultura está aí para ficar, para o bem ou para o mal. (Perguntem a qualquer presidente se é fácil fechar um ministério, salvo pelo seu desdobramento em outros dois.) Houve momentos, recentes, em que ele veio para o bem. Caso persista a orientação que se vem imprimindo a ele na atual gestão, só restará sua face sombria, e os danos serão irreparáveis.</em></p>
<p><em>Gabriel Cohn é professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP</em></p>
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		<title>Alguma coisa não cheira bem no Recife (e não é a maré) #OcupeEstelita</title>
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		<pubDate>Tue, 17 Apr 2012 22:14:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[
Há algo de melancólico numa cidade que não reage, como uma torcida que perdeu a fé. A articulação de forças, discursos, afetos e pessoas chamada Direitos Urbanos vem demonstrando, por um lado, que a forma como será desenhado o traçado na cidade do Recife não é e não pode ser um domínio privado do mercado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 2cm } 		P { margin-bottom: 0.21cm } 		A:link { so-language: zxx } --><a href="http://4.bp.blogspot.com/_8M1AOlRglSI/S3UaNjm2nsI/AAAAAAAAVV4/QArUrbH4d5c/s1600/b174972138.jpg"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/_8M1AOlRglSI/S3UaNjm2nsI/AAAAAAAAVV4/QArUrbH4d5c/s1600/b174972138.jpg" alt="" width="524" height="524" /></a></p>
<p>Há algo de melancólico numa cidade que não reage, como uma torcida que perdeu a fé. A articulação de forças, discursos, afetos e pessoas chamada <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/" target="_blank">Direitos Urbanos</a> vem demonstrando, por um lado, que a forma como será desenhado o traçado na cidade do Recife não é e não pode ser um domínio privado do mercado &#8211; <a href="http://acertodecontas.blog.br/atualidades/recife-a-nova-bagdami-mistura-de-bagd-com-miami/" target="_blank">esse texto</a> pontua bem esse aspecto, entre outros; por outro lado, e ainda que indiretamente, as reações a essa mobilização revelam o potencial reacionário latente de parte considerável da classe média branca, machista e <span style="text-decoration: line-through;">bem (?) informada</span> formadora de opinião. Essa última impressão ficou clara por ocasião do<a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/ocupeestelita/" target="_blank"> Ocupe Estelita</a>, no último dia 12. As reações de oposição procuraram desqualificar o debate, expondo comodismos, intolerâncias, elitismos, incompreensão, irresponsabilidade no geral. No particular, onde o Diabo costuma aquecer o travesseiro, o que mais me chamou a atenção foi a reação dos jornais e dos jornalistas. Eu chego lá.</p>
<p>Essa desqualificação foi bem expressa nesse <a href="http://www.batidasalvetodos.com.br/2012/04/naoocupesemsaber/" target="_blank">site</a> e junto, o despreparo da autora do texto que (surpresa!) é colunista do blog do Noblat. Não vou perder tempo analisando e desconstruindo o texto, <a href="http://www.popup.mus.br/" target="_blank">Bruno Nogueira</a> já o<a href="http://www.facebook.com/bruno.nogueira" target="_blank"> fez bem</a> – ademais a fraqueza da argumentação deveria nos fazer apontar noutra direção: procurar entender que o nível de aceitação que ele conseguiu auferir é um termômetro das dificuldades de análise da própria autora – claro –, mas sobretudo de como comodismos, intolerâncias, elitismos, incompreensão, irresponsabilidade no geral encontram terreno fértil para deitar raízes, crescer, florescer e dar frutos, apesar da lama e do cheiro da maré na Cidade Maurícia.</p>
<p>Parece-me que as preocupações do <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/about/" target="_blank">Grupo Direitos Urbanos</a> se vincula a gestão de bens comuns; à busca de formas de gestão de recursos citadinos que se apóiem em modelos alternativos à lógica privatista; às contingências da política representativa; à organização e ação com relação unicamente a fins – não poderia ser outra, portanto, a composição do grupo e de suas “discussões, que rompem com as compartimentalizações nas quais o planejamento da cidade é forçado pela estrutura burocrática dos governos e nos dá a esperança de que dessa troca de idéias surjam boas soluções para os problemas da cidade”. Daí ser mais que esperado que o grupo seja <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/about/" target="_blank">“um lugar de intensa interdisciplinaridade, um lugar onde arquitetos e engenheiros conversam com sociólogos e filósofos e operadores do Direito interagem com artistas plásticos e cineastas”</a>.</p>
<p>Um dos fronts da desqualificação do debate (um texto esclarecedor, <a href="http://jampapernambuco.wordpress.com/2012/03/14/algumas-consideracoes-sobre-o-projeto-novo-recife-por-leonardo-cisneiros/" target="_blank">aqui</a>) colocado em pauta pelo grupo, debate econômico-político, se assenta justamente no caráter intelectual e burguês de seus artífices. O que (inicialmente) mais me surpreendeu é que essa &#8216;acusação&#8217; (que veio à tona ao longo do dia 12, por ocasião do <a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/ocupeestelita" target="_blank">Ocupe Estelita</a><a href="http://direitosurbanos.wordpress.com/ocupeestelita/" target="_blank"></a>) foi realizada da forma mais virulenta por jornalistas. Fiquei com um misto de surpresa e de vergonha alheia das pessoas que poderiam ser meus colegas exporem opiniões como as que você pode conferir no Facebook.</p>
<p>Em algum lugar perdido do passado, a imprensa se estabelece propriamente como órgão crítico de um público que pensa a política. Comentários e críticas das medidas da Coroa e das deliberações do Parlamento nos jornais, modificavam a natureza do poder público, que era chamado ao fórum do público. A imprensa e sua crítica profissional mediavam o controle, exercido por indivíduos conscientizados, sobre a esfera pública. As pessoas haviam tomado de volta da autoridade a esfera pública e a tinham transformado numa esfera em que a crítica se exercia contra o poder do Estado. Eram os tão gloriosos quanto distantes últimos anos do século XVIII. E, embora pareça remota, essa realidade semeou a ideia, ainda buscada hoje, de que a opinião públia disputa a regulamentação do social com o poder público instituído.</p>
<p>O diálogo a que me refiro parece a própria expressão da mudança estrutural da esfera pública narrada por Habermas e o esvaziamento do heróico papel que o jornalismo comercial tinha obtido.</p>
<p>Ok, constatamos isso. Mas e daí? É somente isso? Devemos sepultar o jornalismo <em>in totum</em> e declarar a falência de seus pressupostos modernos? Acho que seria um desperdício grande demais jogar fora a lama com o bebê junto. Me parece mais proveitoso pensar também o jornalismo – e não somente a cidade e seu futuro próximo e distante – como terrenos em disputa. Afinal de contas, seria muito cômodo e irresponsável ficar na conclusão a que se chega pelo raciocínio de Habermas e declarar a falência do jornalismo. Assim como é cômodo e irresponsável que o jornalismo e seus profissionais não repensem suas práticas (discursivas) públicas; sua agenda para a cidade e suas conviccções de como o desenvolvimento pode e deve se dar nos centros urbanos – e nos centros rurais também. Essa não é somente uma estratégia interessante para honrar o legado do passado, mas também uma forma de lidar com o presente, no qual não cabem mais essas posturas.</p>
<p>Algo não cheira bem quando a defesa de um projeto como o Novo Recife vem da forma que veio; algo está errado quando um jornal publica o ‘outro lado’ antes da reportagem principal e mais ainda quando todos os jornais em uníssono minimizam o assunto &#8211; curioso que, nass horas do rush, boa parte das reclamações sobre os engarrafamentos na cidade venham justo de tantos comunicadores, como se fosse possível desassociar o incômodo causado pelo trânsito ao debate na mesa!</p>
<p>Algo não está bem quando vem de formadores de opinião a demonização da reflexão crítica sobre o presente e o futuro da cidade; algo está errado, profundamente errado, quando as mesmas pessoas que ridicularizam o intelectualismo de um movimento recorrem a sociólogos, filósofos, psicólogos, urbanistas e arquitetos para legitimar, noutro momento, seus próprios discursos.</p>
<p>É bastante preocupante, aliás, que a crítica venha sendo tão resumida na nossa cidade, ou tenha se tornado uma prática feita em reserva, como se um agudo Olho de Sauron que a tudo vê vigiasse as falas e as atitudes fora do eixo.</p>
<p>Algo não cheira bem na cidade do Recife e o odor não vem da maré.</p>
<p>Para acabar esse longuíssimo post, queria mencionar que um dos aspectos da tentativa de deslegitimação se apóia no fato de que só agora alguma movimentação foi feita sobre o Cais José Estelita. De fato, essa mobilização demorou, mas ainda bem que veio. A legitimidade da discussão continua&#8230; Houve alguma reação, e outras são necessárias – no âmbito da discussão sobre a cidade e seus problemas, da política (das políticas para além da representativa); da cultura, etc.</p>
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		<title>O capitalismo esclerosado, via @cartamaior</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Apr 2012 21:58:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Durante recente visita ao Brasil, David Harvey afirmou que os fluxos que mantém o capitalismo em funcionamento estão sendo bloqueados e isso pode levar o sistema para uma situação doentia. A questão da esclerose pode ser visualizada em vários aspectos da vida econômica do planeta. E também dos seus habitantes. Começando pela discussão recente de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong><em>Durante recente visita ao Brasil, David Harvey afirmou que os fluxos que mantém o capitalismo em funcionamento estão sendo bloqueados e isso pode levar o sistema para uma situação doentia. A questão da esclerose pode ser visualizada em vários aspectos da vida econômica do planeta. E também dos seus habitantes. Começando pela discussão recente de “tsunami de dólares” que os países ricos estão fazendo pelo mundo afora. O artigo é de Najar Tubino.</em></strong></p>
<p><span id="more-2715"></span></p>
<p style="text-align: right;"><a href="http://www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19929" target="_blank">Najar Tubino (*)</a></p>
<p><em>A ideia é do professor da Universidade de N.York David Harvey, em visita recente ao Brasil. Os fluxos que mantém o capitalismo em funcionamento estão sendo bloqueados e isso pode levar o sistema para uma situação doentia.</em></p>
<p><em> &#8211; Comparo o capitalismo a um corpo que pode ficar doente se houver restrições ao fluxo sanguíneo. É importante perceber como o capitalismo depende da continuidade do fluxo de capital, e como qualquer interrupção, por qualquer motivo, pode ter custos muito altos. A questão é: o capitalismo é um sistema que está ficando esclerosado.”</em></p>
<p><em> Harvey, que pode ser um descendente do cientista inglês Willian Harvey, que descobriu o funcionamento do sistema circulatório no ser humano, considera que na atualidade existem muitos pontos de bloqueios com potencial para oferecer riscos à saúde, sem considerar o fato de que o corpo continua em crescimento e há uma expansão infinita das artérias do fluxo de capital e do fluxo de mercadorias.</em></p>
<p><em> UMA MONTANHA DE DINHEIRO</em></p>
<p><em>A questão da esclerose pode ser visualizada em vários aspectos da vida econômica do planeta. E também dos seus habitantes. Começando pela discussão recente de “tsunami de dólares” que os países ricos estão fazendo pelo mundo afora. Um estudo do Instituto Internacional de Finanças (IIF) constatou que a enxurrada de dólares tem um valor bem definido: trata-se de US$ 6,3 trilhões, somando as compras de bônus e ativos podres dos bancos centrais dos Estados Unidos, União Europeia, Japão e Inglaterra (que não está integrada na zona do euro). Este último caso refere-se à compra dos “gilts” bônus da Grã-Bretanha que o Banco Central da Inglaterra tem comprado no total de US$ 511 bilhões, quando fechar a operação este ano.</em></p>
<p><em> É preciso esclarecer as taxas de juros nestas regiões: 1% na Europa, 0,25% nos EUA e 0,5% na Inglaterra. Ao ano, logicamente. A dúvida do IIF, representante dos bancos no sistema financeiro, é se os associados terão condições no futuro de promover empréstimos com dinheiro arrecado do suado trabalho da atividade econômica.</em></p>
<p><em> &#8211; Os bancos se tornariam incapazes de obter ‘funding’ em bases comerciais, tornando-se nacionalizado pela porta dos fundos. &#8220;Persiste a interdependência entre bancos e títulos soberanos, fator que as agências de classificação de risco têm usado para rebaixar os ratings das instituições financeiras”.</em></p>
<p><em> EMPURRANDO COM A BARRIGA</em></p>
<p><em>Só para citar um exemplo, no caso francês, os três maiores bancos, BNP Paribas, Société Genérale e Credit Agrícole detêm em seus balanços 620 bilhões de euros em títulos soberanos de países como Grécia, Portugal, Espanha e Irlanda. O levantamento do IIF também apontou que a exposição total dos bancos europeus aos títulos públicos é de 1,45 trilhões de euros em seus balanços, o que corresponderia a 64% do capital das instituições. Nos Estados Unidos a exposição dos bancos é de US$ 158 bilhões de títulos do Tesouro, ou 10% de seu capital.</em></p>
<p><em> Desde o início de 2011, o Federal Reserve (Banco Central) aumentou seus ativos em 20%, o Banco da Inglaterra em 27% e o Banco Central Europeu em 54%, contando a última liberação de financiamento de um trilhão de euros.</em></p>
<p><em> ATÉ AS MONTADORAS PEGARAM UMA GRANA</em></p>
<p><em>Por sinal, os bancos italianos pegaram 139 bilhões de euros do BCE, para pagar em três anos. Os espanhóis ficaram com entre 110 e 120 bilhões e os alemães, pelo menos, com 100 bilhões. Até mesmo as montadoras, como Mercedes Bens, do grupo Daimler e Volkswagen pegaram uma graninha, mas não divulgaram quanto. Ninguém precisa ser um especialista em matemática financeira, para deduzir que este dinheiro vai rodar pelo mundo nos próximos três anos, ganhando juros nos países emergentes, ou comprando empresas de barbada, que estarão à venda, ou prontas, para fusão.</em></p>
<p><em> Tivemos um caso no Brasil, público, da aplicação realizada pela Coca-Cola de US$ 3 bilhões, no sistema financeiro brasileiro. Parte dos mais de US$ 8 bilhões do lucro da corporação no mundo, que obteve um faturamento em 2011 de mais de 46 bilhões de dólares. Refrigerantes e sanduíches são dois ingredientes fundamentais do capitalismo esclerosado. O Mac Donald faturou no mundo mais de US$ 30 bilhões, com lucro de US$ 5,5 bilhões. Os brasileiros contribuíram com US$ 950 milhões em sanduíches, do tipo “amo muito isso”, embora tenham mais de 20% de gordura.</em></p>
<p><em> ENTRA POR UM LADO E SAI PELO OUTRO</em></p>
<p><em>Continuando o raciocínio do professor Harvey. A Europa em recessão, crise da dívida pública, demissões, aumento da idade de aposentadoria e coisas do tipo. Aí a bancada socialista do parlamento europeu encomendou um estudo para a consultoria britânica Tax Research sobre a evasão fiscal no continente. Ou seja, quanto sai de dinheiro, sem o pagamento de impostos. É o outro fluxo sanguíneo, responsável por manter a infraestrutura dos países.</em></p>
<p><em>Qual a conclusão do levantamento&#8230; cerca de 1 trilhão de euros são desviados para paraísos fiscais, sem o pagamento de impostos, pior, sem registro na economia formal. Aponta o relatório que de cada 5,43 euros um euro fica no setor informal e não paga nada ao fisco.</em></p>
<p><em> &#8211; Não se pode negar que o tamanho da evasão fiscal ajude a minar a viabilidade da economia na Europa, assim como contribuiu para criar a atual crise da dívida”, registrou o estudo.</em></p>
<p><em> Um detalhe: dinheiro do tráfico de drogas, contrabando, prostituição não entrou nas estimativas. A Itália é o país que mais sofre com a evasão fiscal – 180 bilhões de euros anualmente. Seguida pela Alemanha com 158 bilhões, a França com 122 bilhões e o Reino Unido com 74 bilhões. Na Grécia são 19 bilhões de euros e em Portugal 12,3 bilhões.</em></p>
<p><em> Em 2011, o governo italiano “descobriu” um milhão de bens imobiliários fantasmas que jamais tinham sido declarados, o que poderia ter rendido 472 bilhões em impostos. Mesmo assim dizem as autoridades que conseguiram recuperar 12 bilhões de euros, em 2011. Agora uma piada, se não fosse verdade. De repente muitos, mas muitos mesmo, casais italianos começaram a tirar férias na Suíça, engarrafando as estradas de fronteira. As autoridades resolveram averiguar o fato. Descobriram malas de dinheiro que iriam para os bancos suíços. Também lingotes de ouro, da poupança de profissionais liberais e outros profissionais. A apreensão de dinheiro na fronteira da Itália com a Suíça cresceu 50% no segundo semestre do ano passado. A exportação de lingotes de ouro para a Suíça cresceu 40%.</em></p>
<p><em> <strong>A BOLSA E O COMETA</strong></em></p>
<p><em>Seguindo na trilha da esclerose. Uma das vantagens, diríamos, do sistema capitalista é a compra de bens e mercadorias. Hoje em dia, traduzido pelo acesso às grifes e marcas internacionais. Antes que eu me esqueça vou citar o caso de uma emergente da Indonésia, Fitria Yusuf, de Jacarta, que segundo o relato da agência Reuters é “louca por bolsas da Hermès”.</em></p>
<p><em>Diz ela: “nos idos de 2006 ver uma bolsa Hermès era como ver o cometa Halley”. Ela é coautora do livro “Hermès Temptation”. A Indonésia é um país de 200 milhões de habitantes, na realidade um imenso arquipélago, onde 100 milhões vivem com dois dólares por dia, e o salário médio é de YS$ 113, um terço do chinês. Porém, o número de milionários vem surgindo a razão de 16 por dia, segundo a consultoria Capgemini, especializado em ricos ascendentes. O número de milionários chegará a 99 mil em 2015. Alguns relacionados ao crescimento do agronegócio, no caso, óleo de palma, ou por exploração de minérios, como o ouro, a Indonésia é grande produtora.</em></p>
<p><em> Mas a questão não são as compras. Mas a compulsão por elas, que já virou uma doença chamada ONIOMANIA. No Brasil, onde já existem centros de “devedores anônimos” (dois na capital paulista, nos bairros de Jardins e Pacaembu) e tratamento em clínica especializada. Trata-se de um refluxo do sistema. Um estudo feito por um grupo de psiquiatras, publicado na Revista Brasileira de Psiquiatria, e citado pela Revista Valor Investe, o prazer da compra atinge o sistema límbico do ser humano. Esse prazer instantâneo leva o consumidor, na verdade, diz que 80% dos casos de oniomania são de mulheres, a gastar fora dos padrões aceitáveis. Enfim, chutar o pau da barraca e se afundar nos cartões de crédito de bancos e lojas.</em></p>
<p><em> ONIOMANÍACOS DAS CLASSES RICAS</em></p>
<p><em>O problema foi registrado pela Confederação Nacional do Comércio, Bens, Serviços e Turismo (CNC). A dívida dos brasileiros tem aumentado, e o nível de inadimplência é maior entre as classes A e B. Como todos devem saber houve um aumento da classe C para 102 milhões no Brasil, mas eles mantêm um nível de pendura menor, que os ricos. Na comparação de janeiro de 2011 para 2012, caiu de 61,3% para 59,5%, dados de consumidores com até 10 salários mínimos de renda. Naqueles acima de 10 salários mínimos, a inadimplência aumentou de 48,9% para 53,4% no mesmo período, sendo que em maio passado, o nível alcançou 57%.</em></p>
<p><em> As classes A e B no Brasil abrigam 42 milhões de pessoas. A maior parte das dívidas dos mais abastados está no financiamento de veículos, enquanto os menos abastados, nos cartões de crédito e de lojas. Levando em conta as contas de luz, telefone, água a inadimplência cresceu 21% em 2011, conforme levantamento da Serasa Experian. É interessante anotar que os juros cobrados no Brasil nos cartões de crédito e financiamento direto são estratosféricos: 238,3%, no cartão de crédito e 170,9%, segundo a CNC.</em></p>
<p><em> NADA PARECIDO COM OS AMERICANOS</em></p>
<p><em>No Brasil os consumidores ainda têm muito a aprender ou a enlouquecer. O crédito no sistema financeiro corresponde a 48% do Pib, se comparado aos Estados Unidos, onde são quase 100%, as dívidas somente com hipoteca e crédito ao consumidor somam US$ 13,25 trilhões. Os analistas financeiros têm uma conversa sobre educação financeira, as redes de televisão vivem divulgando receitas para controlar despesas. Quem aguenta a pressão do braço maior do sistema circulatório, que dia e noite martela pela necessidade quase que existencial de comprar o último carro, a última calça jeans, a bolsa, o sapato, a cerveja. São R$ 30 bilhões gastos em publicidade no Brasil. A receita é a mesma mundo afora. Daí o risco da esclerose, quando se aborda os limites de tal expansão.</em></p>
<p><em> Ou como escreveu recentemente o principal analista do Financial Times, Martin Wolf:</em></p>
<p><em> &#8211; A política monetária do QE (emissão dos bancos centrais e a compra de títulos) não ajuda as pequenas e médias empresas. Outro argumento mais plausível é que a políticas de taxas baixíssimas de juros – de 0,5% a menor em 318 anos na Inglaterra- ameaça criar empresas insolventes que continuam a operar, as ‘empresas zumbis’, portanto uma economia zumbi”.</em></p>
<p><em> O artigo dele tratava da dúvida se a política do “tsunami de dólares” funcionará ou não. Eles não sabem.</em></p>
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		<title>Coriolano e a agonia da política representativa</title>
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		<pubDate>Mon, 09 Apr 2012 14:07:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Políticos brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Sangue, suor e lágrimas]]></category>
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A imagem acima é uma das ilustrações referentes à peça Koriolanus, escrita por Shakespeare em 1608, que usou como base um capítulo das Vidas            Paralelas, do historiador Plutarco. A imagem foi feita pelo pintor veneziano Giulio Carpioni (não sei em que ano). A história, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://shakespeareobra.files.wordpress.com/2008/08/coriolanus.jpg"><img class="aligncenter" src="http://shakespeareobra.files.wordpress.com/2008/08/coriolanus.jpg" alt="" width="800" height="466" /></a></p>
<p>A imagem acima é uma das ilustrações referentes à peça Koriolanus, escrita por <span style="color: #000000;"><span style="color: #000099;">Shakespeare </span></span>em 1608, que usou como base <span style="color: #000000;">um capítulo das<span style="text-decoration: underline;"> Vidas            Paralelas</span>, do historiador Plutarco. A imagem foi feita pelo pintor veneziano </span><a href="http://www.museodarcomantova.it/sito/pittori-xvii-secolo/giulio-carpioni.html" target="_blank">Giulio Carpioni</a> (não sei em que ano). A história, que trata de eventos que se passam no século V A.C. , foi filmada em 2011 por Ralph Fiennes, numa produção ambientada nos dias atuais, na Grécia e é falado em grego. O filme atualiza de forma muito legal o conteúdo político que o dramaturgo inglês deu ao relato de Plutarco:  o que é colocado em discussão por  Shakespeare é uma mudança radical na matriz política do mundo helênico, que precisava acontecer para que aquela sociedade pudesse construir as bases institucionais do pacto republicano. O autor de Romeu e Julieta tinha razões para resgatar o texto de Plutarco. Também não é à toa que o filme foi feito, como se verá abaixo.</p>
<p>Como afirma o professor <a href="http://revistabrasil.org/revista/ingles/roberto.htm#ro" target="_blank">Roberto Ferreira da Rocha</a>,</p>
<blockquote><p><a href="http://revistabrasil.org/revista/ingles/roberto.htm" target="_blank">Coriolano, o herói, pertence a uma antiga ordem de poder na qual os valores guerreiros predominam dentro de um quadro fundamentalmente hierárquico, mas o cidadão Coriolano vive num universo em que esta hierarquia é contestada e as vozes populares, como diz Annabel Patterson, começam a ser ouvidas.</a></p></blockquote>
<p>Já o que o filme permite discutir é a possibilidade do dramático cansaço  pelo qual passa o modelo da democracia representativa atual; os sacrifícios (desta vez coletivos) para a instauração de um outro modelo político; a violência acionada contra o povo, que tanto no relato de Shakespeare quanto no de Plutarco  é o ente indesejado e sujo a quebrar a harmonia do status quo político de então. Mas o filme permite discurtir sobretudo a atualização do entendimento de que a libertação é um ato histórico, realizado através de relações históricas &#8211; Eparrê, Karl Marx.</p>
<p><strong>Mas quem é Coriolano?</strong></p>
<p>É o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Agnome" target="_blank"><em>agnome</em></a> que o general Caio Marcius recebe depois de conquistar sozinho a cidade de <a class="zem_slink" title="Corioli" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Corioli" target="_blank">Corioli</a>, na luta que os romanos mantinham contra os vólcios. Esse momento marca o auge da carreira do militar, que apesar da popularidade entre os meganhas é desprezado e odiado pelo povo &#8211; a quem por sua vez,  Caio Marcius também despreza. Para o general, o povo é a antítese dos ideais heróicos que ele cultiva: honorabilidade pessoal, força e destreza guerreira e o heroísmo ligado à força moral. Coriolano vive para a conquista da honra guerreira como um fim em si mesmo e o percurso para essa merda é a violência e quase sempre a guerra. Ele foi educado para se tornar uma verdadeira máquina de guerra. Ele encarna a virtude romana e o entendimento de como as coisas deveriam ser na sociedade &#8211; aliás, essa arquitetura é explicada por <a class="zem_slink" title="Sócrates" rel="wikipedia" href="http://en.wikipedia.org/wiki/S%C3%B3crates" target="_blank">Sócrates</a> em suas conversações e organizada por Platão na forma d&#8217;<a href="http://pt.scribd.com/doc/6077389/Platao-A-Republica" target="_blank">A República</a>).</p>
<p>Mas, naqueles dias, as coisas estavam mudando, pois estes valores eram os mais valorizados pela aristocracia em seus tempos dourados e vinham sendo contestados, através da política, pelo povo. Este, percebia que essa &#8216;virtude&#8217; de Coriolano não estava a serviço do bem comum. Quando Caio Marcius, agora Coriolano, volta da guerra, os Senadores da República oferem-lhe um cargo de Cônsul. Só que, pela tradição, o general pŕecisaria pedir na Ágora, o voto do povo.</p>
<blockquote><p><a href="http://revistabrasil.org/revista/ingles/roberto.htm" target="_blank">O papel que Coriolano é obrigado a encarnar para conseguir o posto de cônsul vai de encontro a suas convicções. O papel de bajulador lhe é intolerável. Mas esta intolerância está montada sobre a convicção, por parte de Coriolano, de que qualquer tipo de acordo ou decisão política que dependa do apoio do povo só pode levar ao caos social e a desordem.</a></p></blockquote>
<p><strong>O filme</strong></p>
<p>Foi justamente essa perspectiva elitista que Shakespeare quis explorar. Quando ele escreveu a peça, o Estado monárquico inglês sofria de uma crise de identidade e de legitimidade &#8211; mais ou menos como os nobres de pés sujos que emporcalham o Senado e a Câmera dos Deputados no Brasil, nos dias que correm. A Revolução Gloriosa de 1642 foi o resultado da ladeira abaixo que a coroa rolou desde o final do reinado de Elizabeth, passando pelo rei James I.</p>
<p>O filme claramente procura situar e associar a crise política que narra à (<a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/credores-aceitam-negociacao-da-divida-grega" target="_blank">quase</a>)  falência do Estado Grego recente, à crise financeira que assolou o  país. Mas é possível também associa-lo à derrocada do sistema  representativo ilustrado no cu de boi em que se tornou a chancela  popular do Cônsul Coriolano à  <a href="http://roarmag.org/2011/10/o-ano-de-2011-marca-o-fim-do-fim-da-historia/?utm_source=feedburner&amp;utm_medium=feed&amp;utm_campaign=Feed%3A+roarmag+%28Reflections+on+a+Revolution%29&amp;utm_content=Google+Reader" target="_blank">segunda onda da crise financeira global</a>, como resultado desta. Ou seja, um primeiro e imediato entendimento do filme é o questionamento da necessidade dos políticos que, como Coriolano, desprezam o povo, a democracia popular e o bem comum. Mais além, a necessidade de mudança de todo um sistema produtivo que é amparado e tem na política representativa sua contraparte superestrutural. É nesse sentido que o filme <span style="text-decoration: underline;">pode</span> ser compreendido. Ressalto o &#8216;pode&#8217; porque essa é uma interpretação particular. E, ainda que não seja tão difícil desenvolvê-la ao se assitir o filme, este não é uma interpretação marxiana da peça de Shakespeare a partir de Plutarco (blarghhh).</p>
<p><a href="http://images.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2012/02/charge-hercules.jpg"><img class="aligncenter" src="http://images.rodrigovianna.com.br/wp-content/uploads/2012/02/charge-hercules.jpg" alt="" width="470" height="443" /></a></p>
<p><strong>As ironias e os diferentes Coriolanos de cada época<br />
</strong></p>
<p>Voltando à política: tanto no relato de Plutarco, quanto na recriação de Shakeaspeare quanto no filme de Ralph Finnes a mudança política é função das mudanças na base da produção, ou das contradições que a forçam a isso. Não é à toa, por outro lado, que tantos Coriolanos vivem entre nós, capinando flores num jardim irrigado de corrupção, interesses privados e megalomania: de Demóstenes, Bornhausen, e os sete anões do orçamento, aos artífices da financeirização da vida em Wall Street todos atualizam pateticamente a arrogância do general Caio Marcius Coriolano frente às forças produtivas e o desprezo pelo povo. E nessa medida também reeditam o pensamento de fundo aristocrático que procurou, no mundo helênico, manter a política e o desentendimento (ou o entendimento da distribuição das riquezas) como uma prerrogativa de parte dos cidadãos &#8211; justamente a elite. E por essa mesma razão, atestam um momento de ruptura e de passagem, que coroa a sua obsoletização.</p>
<p>O autismo intencionado de um Coriolano como Bornhausen, só apra tomar um destes como exemplo, atesta o mesmo tipo de arrogância e de desprezo aos bens comuns e ao povo que o expresso  pelo general Caio Marcius Coriolano &#8211; com a desvantagem de que ao este último justificava sua forma de proceder pela busca da honra e da defesa da cidade (a Nação Romana). Em um país como o Brasil, cujo elemento básico da política é a não-política, é a anulação das diferenças via consertação pelo alto, via acordo entre os grupos de interesse; em países como o Brasil na qual a desnecessidade forçada da política se associa a nossa cruel desigualdade e exclusão, o resultado é a desnecessidade do povo e do trabalho pelo bem comum. Modelo aliás, muito bem sucedido.</p>
<p>Aliás, há uma ironia nas diferenças que precisam ser observadas entre o Coriolano herói de guerras e amante de Roma e gente como DEM-óstenes. Ambos estão obosoletos, não se encaixam nem atendem mais ao que seus respectivos povos exigem e precisam como homens públicos. Entretanto, Caio Marcius, o Coriolano original, é obsoleto porque estava em andamento um processo de amadurecimento de &#8216;democratização da democracia representatriva&#8217; romana, que se apresentava pela participação popular na discussão política por m eio dos tribunos, os representantes do povo. Os Coriolanos genéricos atuais confirmam os limites desse modelo e os vícios que se sobrepuseram com o tempo. Nesse sentido, pretam um enorme desserviço à herança política do modelo democrático e da utopia da Res-publica.</p>
<p><strong>Contradições</strong></p>
<p>Como escreve o professor Roberto Ferreira da Rocha, Shakespeare  aponta, via Plutarco, para a rafaméia inglesa, as contradições básicas  daquela sociedade. Por outro lado, e não tão outro lado assim, novamente  evocando o <a href="http://media.pfeiffer.edu/lridener/DSS/#marx" target="_blank">Santo Graaal</a>,</p>
<blockquote><p>Assim como não se julga o que um indivíduo é a partir do  julgamento que ele faz de si mesmo, da mesma maneira não se pode julgar  uma época de transformação a partir de sua porópria consciência; ao  contrário, é preciso explicar esta consciência a partir da contradições  da vida material, a partir do conflito existente entre as forças  produtivas socioais e as relações de produção. Uma formação social nunca  perece antes que estejam desenvolvidas todas as forças produtivas para  as quais ela é suficientemente desenvolvida, e novas relações de  produção mais adiantadas jamais tomarao o lugar, antes que suas  condições materiais de existência tenham sido geradas no seio mesmo da  velha sociedade. É por isso que a humanidade só se propõe as tarefas que  pode resolver, pois, se se considera mais atentamente, se chegará à  conclusão de que a própria tarefa só aparece onde as condições materiais  de sua solução já existem, ou, pelo menos são captadas no processo de  seu devir.</p></blockquote>
<p>Talvez esse seja o questionamento mais interessante que o filme aponta: até que ponto podemos ir além dos diagnósticos político-econômicos no sentido do exercício da construção de um política (melhor seria dizer de Políticas) que nos retirem do Inferno? Como explorar as contradições atuais do (s) sistema (s) produtivo (s) atuais em termos de transformação social? Como acionar, nas relações sociais de produção em construção atualmente, as demandas reais, de homens reais, pelo bem comum? E, pensando nessa última pergunta, como transformar utopia libertária num programa de trabalho? E além: como realizar tais utopias superando a era dos heróis e salvadores?</p>
<p>Abaixo, o trailer. E <a href="http://kat.ph/usearch/coriolanu/" target="_blank">aqui</a>, o link para quem quiser fazer o download do filme.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: center;">[There is a video that cannot be displayed in this feed. <a href="http://www.locoporti.blog.br/coriolano-e-a-agonia-da-politica-representativa/">Visit the blog entry to see the video.]</a></p>
<div class="zemanta-pixie" style="margin-top: 10px; height: 15px;"><a class="zemanta-pixie-a" title="Enhanced by Zemanta" href="http://www.zemanta.com/"><img class="zemanta-pixie-img" style="border: medium none; float: right;" src="http://img.zemanta.com/zemified_e.png?x-id=1028447c-9859-4892-9dfb-87139f1d936a" alt="Enhanced by Zemanta" /></a></div>
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		<title>Manifesto – A tortura continua&#8230;</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Apr 2012 15:11:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Política]]></category>
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		<description><![CDATA[﻿por Carlos Beltrão do Valle, em 31 de março de 2012
Venho, através deste manifesto, apresentar minha visão sobre os protestos contra o debate “1964 – A Verdade” no Clube Militar, na Av. Rio Branco, centro do Rio de Janeiro, onde, militares da reserva comemoravam a ditadura de 1964, que denominadas por eles “revolução”. Outra mentira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>﻿<span style="font-family: Arial,serif;"><span style="font-size: x-small;">por <a href="http://prod.midiaindependente.org/pt/blue/2012/03/505805.shtml" target="_blank">Carlos Beltrão do Valle, em 31 de março de 2012</a></span></span></em></p>
<p><em><a href="http://26.media.tumblr.com/tumblr_lbj1d5CLlK1qz6f9yo1_500.jpg"><img class="alignright" src="http://26.media.tumblr.com/tumblr_lbj1d5CLlK1qz6f9yo1_500.jpg" alt="" width="500" height="375" /></a><span style="font-family: Arial,serif;"></span></em>Venho, através deste manifesto, apresentar minha visão sobre os protestos contra o debate “1964 – A Verdade” no Clube Militar, na Av. Rio Branco, centro do Rio de Janeiro, onde, militares da reserva comemoravam a ditadura de 1964, que denominadas por eles “revolução”. Outra mentira deles é dizer que o golp foi dado no dia dia 31 de março, e não no dia 1º de abril – dia da mentira, por razões propagandísticas óbvias.</p>
<p>Diante desse cenário absurdo, ao sair o meu expediente, compareci ao protesto, que ocorria, em frente ao meu local de trabalho. Fui cumprir com meus direitos de cidadão, pedindo justiça pelos crimes contra a humanidade cometidos por esses senhores, que mataram e desapareceram com centenas de pessoas, torturaram milhares. O Brasil foi condenado pela OEA e já deveria estar cumprindo a sentença (link). Ao invés de estarem presos, estes ilustres senhores celebram anualmente o golpe de Estado e seus crimes. Isso é uma afronta, ainda mais para mim, que tive um tio que foi desaparecido (Ramires Maranhão do Valle, presente!) e pais que foram barbaramente torturados na ditadura.</p>
<p>Como muitos, cerca de 500 presentes ao longo do dia, coloquei o dedo na cara de um desses senhores e gritei: “Golpista, torturador e assassino!”. Ele me deu um tapa na cara e reagi com um chute. Depois dessa humilhação: tomar um tapa de um torturador, os policiais militares se voltaram exclusivamente contra mim, que tentei fugir. Após correr 500 metros, vendo que seria alcançado, me entreguei. Botei as mãos na cabeça e virei de costas, conforme gritavam. No entanto, mesmo obedecendo, já rendido, comecei a ser agredido com cassetes na cabeça e, mesmo caído no chão, fui chutado e pisoteado na cabeça. Levado à delegacia, constatei que somente eu tinha sido levado para a averiguação, o senhor torturador não. Então me liberaram. Como poderiam me prender se a “vítima” simplesmente não existia?</p>
<p>Porque somente eu fui preso? Porque fui espancado, se já rendido (mesmo em plena luz do dia e no centro financeiro do Rio)? Estaria vivo se fosse na Baixada, à noite, sem testemunhas? Por que a polícia continua torturando e matando pobres, mesmo após a ditadura? Porque o Brasil não cumpre não sentença da OEA, prendendo os torturadores e resolve logo o seu passado? Por essas e outras questões não podemos nos iludir achando que vivemos em uma democracia, pois nossa sociedade só aumentou os problemas da ditadura: tortura, assassinato e desaparecimento pelas forças policiais. O que mudou foi o alvo.</p>
<p>Eu exponho a minha visão, não tenho medo. Sou funcionário da Caixa e estudante da UNIRIO. Gostaria que esse torturador fosse à delegacia e prestasse queixa contra mim. Que saísse das sombras e apresentasse sua versão. Poderíamos inclusive aproveitar a oportunidade para esclarecer sobre seu passado, sobre as pessoas que torturou e assassinou. Talvez meu tio? Quando minha família saberá?</p>
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		<title>Dilma: na capa de Veja e nua na tribo</title>
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		<pubDate>Sun, 01 Apr 2012 14:51:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Economia]]></category>
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Por Ricardo Targino*
Desde a vitoriosa campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o panorama  das lutas políticas pelo mundo alterou-se substancialmente.  Nos últimos  meses, movimentos de enorme lastro em todo planeta articularam-se ao  redor das redes. A partir da Praça Tahir, da Porta do Sol e do  OccupyWallStreet, essa nova articulação global [...]]]></description>
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<p style="text-align: right;"><em><a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6869" target="_blank">Por Ricardo Targino*</a></em></p>
<p><em>Desde a vitoriosa campanha eleitoral de Dilma Rousseff, o panorama  das lutas políticas pelo mundo alterou-se substancialmente.  Nos últimos  meses, movimentos de enorme lastro em todo planeta articularam-se ao  redor das redes. A partir da Praça Tahir, da Porta do Sol e do  OccupyWallStreet, essa nova articulação global teve seu auge no dia 15  de outubro, com grandes manifestações que derivaram em vários  acampamentos em importantes cidades do mundo, naquela que foi a maior  manifestação conjunta da história da humanidade: mais de 870 cidades ao  redor do globo aderiram ao protesto.</p>
<p><a href="http://25.media.tumblr.com/tumblr_lmxdzoiCdW1qeypn2o1_500.jpg"><img class="alignleft" src="http://25.media.tumblr.com/tumblr_lmxdzoiCdW1qeypn2o1_500.jpg" alt="" width="500" height="691" /></a>Neste momento, um novo chamado varre as redes sociais: um nova  mobilização global no dia 12 de maio. Nos EUA, a primavera promete ser  de novas e grandes manifestações situando a disputa política no coração  do capitalismo financeiro internacional. O OccupyWallStreet já vem  fazendo o que chamam de ‘spring training’ e as eleições presidenciais  tendem a tornar mais significativos os protestos. Por lá, é grande o  esgotamento do modelo bipartidarista. Aos olhos nus, a cena política  institucional americana está dominada pelo lobby das grandes corporações  e a distância entre a política oficial e o cidadão comum é imensa.  Diante da crise, o discurso dos ativistas do OcuppyWallStreet tem enorme  impacto e as ações crescem. É por isso que vem recaindo sobre estes  protestos uma violência policial cada vez mais desproporcional, a tal  ponto que em NY diversos conselheiros do governo local passaram  publicamente a fazer críticas ao Departamento de Polícia e a exigir as  garantias constitucionais do livre exercício do direito de assembleia e  reunião. Na Espanha, a primavera recomeçou com greve geral e mais de um  milhão nas ruas. Em Portugal a dura repressão só fez crescer a  organização do movimento. E o calor dos protestos ganha o planeta  inteiro.</p>
<p>Aqui no Brasil, um setor importante do ativismo que vinha se articulando  desde os governos Lula passou a atuar de modo mais organizado  justamente na dura campanha travada nas redes pela eleição de Dilma  Rousseff. Blogueiros, artistas, produtores de cultura, líderes  comunitários, gente da comunicação e do direito, do movimento de saúde  pública, ONGeiros de todo tipo, ambientalistas, LGBT’s, galera da bike e  do skate, tribos diversas com um ponto de encontro comum: a internet.  As redes tornaram-se uma das mais ativas arenas do debate e da ação  política também no Brasil. Aqui elas ainda possibilitaram duas coisas  realmente novidosas na idiossincrasia nacional: tanto uma afirmação da  diferença (e o respeito ao Outro que ela obriga), como o surgimento de  novas condições para o exercício cada vez mais prático da cidadania (em  sua acepção mais republicana, no sentido da participação nos rumos da  vida imediata). Convém lembrar que toda articulação política que venha  no sentido de combater privilégios e preconceitos, provocando a  ampliação do espaço do exercício do poder, constitui um avanço de nossa  sociedade rumo à plena democracia. São inúmeros os movimentos  organizados que já atuam de modo diferenciado, funcionam como redes,  espalham informação, compartilham posições, preparam-se para agir.  Diante da decadência dos partidos e do descrédito na via institucional  da política, estes movimentos têm-se apresentado como uma alternativa  concreta de ação. Isso prova que a cultura digital é também uma nova  cultura política. Uma cultura política erguida horizontalmente.</em><em><span id="more-2669"></span><br />
<strong> Pós-Lula</strong></em> <em><br />
O Brasil pós-Lula é um país conectado na novidade e nutrido do desejo  permanente de ser outro. Aqui, ser outro sempre significou sermos cada  vez mais parecidos com quem nós realmente somos. Outro Brasil. O lulismo  bebeu justamente na fonte desse imaginário. Sua força, super pop,  reside na dimensão da possibilidade real de mudança. Do país condenado  ao atraso, do balneário das corruptas e servis elites nacionais,  passamos a viver no Brasil do imaginário lulista que é muito mais  parecido com o que ele realmente é: uma fábrica de esperanças.</p>
<p>Durantes estes 15 meses de governo Dilma Rousseff, entretanto, os ‘trend  topics’ da cena política tem causado constrangimentos e mostrado a  enorme distância entre Brasília e o Brasil das redes e do ativismo. No  campo dos direitos civis, avanços substanciais vindouros do STF, como o  reconhecimento da união gay e do direito de manifestação no caso da  Marcha da Maconha certamente ampliam as garantias democráticas. O gesto  do STF, porém, viu-se acompanhado pela articulação de lobby’s do tipo  evangélico e o homofóbico que tem atuado para impedir que mais políticas  democráticas possam ser implementadas. Diante da agenda dos direitos  LGBT’s, o governo Dilma tem cedido ao lobby conservador ao ponto do  movimento ter recentemente declarada inimiga da causa gay a Presidenta  da República. O mesmo vem ocorrendo em relação à agenda ambiental. Na  queda de braço entre a sustentabilidade e o modelo predatório do  crescimento que pretendem as grandes corporações, empreiteiras,  ruralistas e agro-especuladores, os setores conservadores também têm  obtido vitórias. O constrangimento nas redes em relação ao código  florestal e à construção de Belo Monte ainda não provocou nenhuma  sinalização clara do governo apesar da enorme discussão que tem  levantado. Dentre os demais ‘trend topics’ da política, há ainda temas  como o marco regulatório da mídia e o plano de banda larga, ambos  marcados pela lentidão ou pela hegemonia do poder econômico das  corporações que têm tentado frear o estabelecimento de políticas  públicas mais que necessárias. No caso do marco regulatório da  comunicação, os passos dados para o início de uma consulta pública só  aconteceram pela determinação da sociedade civil organizada, com o  governo a reboque. No caso do Plano Nacional de Banda Larga, o projeto  tornou-se uma dupla carroça: pelo serviço que oferece e pela lentidão na  implantação do programa. Ao não entender que internet e banda larga são  infraestrutura necessária ao desenvolvimento, o governo vacila até  mesmo no projeto de aceleração do crescimento econômico.</p>
<p>É cada vez mais amplo o setor do lulismo e do petismo que já reconhece  uma distância enorme entre a gestão de Dilma e os anos de governo Lula.  Surgem temores de que o medo ou a força do dinheiro tenham vencido a  esperança e deixem deserta a defesa do legado de Dilma diante de um novo  embate eleitoral.</em></p>
<p><em><strong>Quem sustenta Ana de Hollanda?</strong></em> <em><br />
Há um elemento chave para pensarmos o governo Dilma afim de melhor  compreendê-lo: a crise sistemática e estrutural do Ministério da  Cultura. A cultura tornou-se elemento central de valor no capitalismo  contemporâneo. Muitos pretendem isentar Dilma das responsabilidades pela  mudança de rumo do MinC, alegando o tradicional descaso dos políticos  em relação à cultura. Não parece ser o caso de Dilma. Nos dois governos  Lula, o MinC tornou-se vanguarda mundial no que toca ao desenvolvimento  de arrojadas políticas para resituar a questão do direito autoral frente  ao modelo proprietário e fordista que representava um entrave à lógica  do compartilhamento e da universalização do acesso ao conhecimento que  nortearam o MinC de Gil e Juca. Daí vem a questão: o recuo do MinC para  políticas proprietárias que operam com um conceito de cultura do século  XIX não seria política de governo endossada por Dilma? Os mais diversos  governos do mundo, sob o argumento de garantir os direitos de autor,  dentro da lógica anacrônica (ana-lógica) das corporações, tem feito  esforço no sentido de impor restrições à internet e ao compartilhamento.  O Brasil vinha se destacando no cenário internacional justamente por  apresentar uma política muito mais condizente com as condições atuais do  intercâmbio da produção simbólica e, principalmente, por tentar  responder ao seu enorme déficit interno de distribuição dos bens  culturais e universalização do acesso ao conhecimento.</p>
<p>Para entender a crise do MinC é importante relembrar algo: Gil e Juca,  durante os dois governos Lula, modificaram a lógica desse ministério.  Onde antes havia um balcão, criou-se uma ferramenta de mudança. Onde  antes os recursos se concentravam em poucas mãos passou-se a  compartilhá-los entre o maior número possível de agentes. E a injeção  não foi apenas de dinheiro. Seu caldo de cultivo é super fértil:  surgiram novos sujeitos do processo político brasileiro. São eles que  vêm chegando ao centro da cena e impondo o embate com a Ministra. Gente  exercendo cada vez mais plena participação cidadã. Senhores de seu poder  político local e global, um enxame enorme que vai dos mestres de  cultura popular aos hackers.</p>
<p>Dilma elegeu-se no discurso da continuidade. Gravou vídeos  comprometendo-se, por exemplo, com a continuidade e ampliação dos Pontos  de Cultura de Lula. Enquanto o MinC, por política do Planalto, vem  destinando milhões para as Praças do PAC, endereçando dinheiro às  empreiteiras (como se o Brasil precisasse mais desse tipo de  infraestrutura que de equipamento humano) o Programa Cultura Viva vem  sendo liquidado na asfixia orçamentária. Enquanto se implanta pela  América Latina afora, aqui os Pontos de Cultura são uma das maiores  vítimas da gestão da filha de Sérgio Buarque de Hollanda, quem  certamente lhe teria já feito um duro puxão de orelha. Dilma,  entretanto, sustenta Ana e a mudança de rumo do MinC. Porque,  Presidenta?</p>
<p>Para mostrar-se pouco sensível com os milhares que aderiram aos diversos  manifestos pedindo correção de rumos no MinC? Para ser inflexível com  os intelectuais, gente como Marilena Chauí? Ou para dar-nos o recado de  que este NÃO É nosso governo?</p>
<p>O que se passa no Ministério da Cultura não é fofoca ou má-fé, como quer  fazer entender a ministra. Ali há um estelionato eleitoral! Apesar do  compromisso eleitoral de Dilma, pratica-se uma política de ruptura com o  MinC de Lula. O constrangimento para um homem como Juca Ferreira ter  que vir a público advertir do retrocesso é muito grande para o próprio  ex-ministro, para o seu governo e para seu partido! Mas Dilma parece  determinada a não ceder a esta pressão! A mesma Dilma que tem cedido aos  evangélicos, aos ruralistas, às pressões de acomodação política da base  do governo no Congresso. Mas ceder à sociedade, por quê?</p>
<p>Há ainda as suspeitas relações entre o ECAD e MinC de Ana de Hollanda. É  gravíssimo que se confirme que o ECAD opera no Ministério e muito mais  grave seria descobrir que o ECAD tem entrada na Casa Civil ou no Palácio  do Planalto.<br />
Aos agentes da cultura e suas redes lhes resta o recurso dos manifestos e  cartas abertas. Vimos muito disso nestes 15 meses sem qualquer  sinalização do Planalto. Os setores mais poderosos desta disputa, o  ECAD, as majors da indústria cultural e os coronéis da velha pirâmide da  produção artística também exercem sua pressão pela manutenção da  ministra e de sua política. Alguns deles inclusive têm vindo à público  manifestar seu apoio. José Neumane Pinto, por exemplo, recentemente  publicou no Estadão uma defesa de Ana de Hollanda. O mesmo Neumane que  afirmou: “Lula conseguiu colocar no lugar dele quem ele quis, um poste  (Dilma), que ele pode manipular da maneira dele.”<br />
<strong><br />
Não é por acaso que ao redor da defesa do MinC atual se reúnam  setores da sociedade que se opunham a Lula e ao projeto encabeçado por  ele</strong></em> <em>. Foram estes setores que ganharam espaço no Governo Dilma.  Setores dos quais o projeto estratégico do PT torna-se cada vez mais  dependente. Setores que se utilizam do lobby para a pressão política.  Convém lembrar que como denunciam os movimentos globais o lobby é espaço  propício para os cartéis e quadrilhas que se servindo do tráfico de  influência garantem a hegemonia de suas posições, seus privilégios e seu  lucro. Boa parte destes setores há bem pouco tempo atrás eram vistos  pelo próprio PT como representantes do ‘atraso’ e do ‘complexo de  vira-latas’.<br />
Entre as redes, os pontos de cultura, os intelectuais, artistas, ONGs,  ambientalistas, os gays e umas quantas outras tribos a escolha da  presidenta Dilma tem sido Ana de Hollanda, o ECAD, os ruralistas, as  empreiteiras e o sistema financeiro. Até o movimento sindical, berço do  PT, aumenta as críticas ao governo. Na sistemática crise do MinC, Dilma  ratificou sua escolha seguidas vezes e agora contra setores históricos  do PT, medalhões da talha de Marilena Chauí. Mas o Brasil votou pela  continuidade de um projeto. Elegemos o projeto de reforma democrática.  Elegemos ser cada vez mais parecidos com quem nós realmente somos. E  isso ninguém poderá modificar facilmente sem que o Brasil reaja.</em></p>
<p><em><strong> Os 99%</strong><br />
Os vídeos que circulam pela internet convocando os protestos globais do  dia 12 de maio trazem a imagem de Dilma que aparece na edição junto a  outros chefes de governo de importantes economias do planeta. O ativismo  global bota o dedo na ferida: o governo federal tem assumido cada vez  mais a cara que vimos estampada na capa da Veja. No governo Dilma, para  as redes sociais e para os setores da cultura, o projeto popular vem  perdendo o espaço conquistado com Lula. Sem o toque de Midas do  ex-presidente, e sem seu grande carisma, os gestos de Dilma frente às  tantas agendas da rede vão distanciando setores que fizeram uma corajosa  campanha por sua eleição… A decepção ganha força e corre o risco de  transformar-se em antipatia rapidamente.</p>
<p>Oito anos de governo popular e uma eleição vitoriosa nos permitiram o  acúmulo de forças. Lula gosta de agradar as maiorias. Dilma, entretanto,  parece determinada a atender os “petit comité”. Quanto a nós? Nós somos  os 99%. A pergunta deste momento histórico em todo o planeta é  justamente essa: até quando o 1% seguirá dando as cartas? <strong>No  Brasil podemos nos perguntar: estaria o governo Dilma se tornando uma  virada de mesa do 1% que pretende retomar o terreno perdido nos avanços  democráticos da Era Lula?</strong></p>
<p>O motor da luta política no Brasil, seus inúmeros ativistas e  militantes, cibernéticos ou old style, construíram seu imaginário no  afeto com Lula. Lula-Macunaíma! Nos Estados Unidos, o novo ativismo  também tem ainda laços afetivos com Obama. Obama o primeiro negro, Lula o  primeiro operário e Dilma a primeira mulher. No discurso de todos:  mudança. Mas até a noção de mudança se altera quando realidade se impõe.  As praças e acampamentos da aldeia global vêm dando o recado: <strong>não basta falar, é preciso SER a mudança.</strong></em></p>
<p><em><strong> </strong>É por isso que aqui no Brasil, onde a metamorfose é vocação natural, o  cenário político também pode ser alterado rapidamente. Somos o  imponderável, como as redes e seus fenômenos. Essa imponderabilidade  enorme, essa deriva, o estar entre a “delícia e a desgraça”, pode nos  fazer esperar as eleições para impor questionamentos, apontar as  rupturas de confiança e articular as alternativas, mas pode também  adiantar nas ruas o embate político, reconfigurar o campo da disputa  democrática à velocidade dos megabytes. Vem sendo assim em diversas  primaveras pela aldeia global. Foi assim inclusive frente a governos de  cores mais avermelhadas, como os socialistas espanhóis com sua posterior  derrota nas urnas, ou com o próprio governo Obama obrigado a responder  às ruas de Manhattan e seus ecos por todo o país.</p>
<p>Para nossa alegria a decisão mais importante expressa pelo Brasil na  eleição de Dilma é que nós estamos decididos a ser ‘Outro Brasil’. Seja  lá que opção Dilma faça, quer corrija rumo e marche junto com os setores  mais progressistas ou quer opte pelas cartas dadas pelo 1%, a opção do  Brasil já foi feita: nós seremos cada vez mais parecidos com aquilo que  somos. Seremos o país que já decidimos ser. Avançaremos com as reformas  democráticas e com a ampliação da democracia com ou sem o clima  favorável no governo, com ou sem o PT, tendo um Ministério da Cultura  articulado nas políticas inovadoras ou paralisado no despreparo e na  retaguarda política.</p>
<p>Avançaremos porque somos os 99%. Porque somos legião. Já não esperamos  pela mudança. Fazemos a mudança. Somos a mudança. E não esquecemos.</em></p>
<h3><em>Somos um enxame que para erguer sua doce colmeia de sonhos faz um barulho enorme. E este barulho se agiganta!</em></h3>
<p><em>*Ricardo Targino é cineasta e ativista dos movimentos de cultura e  comunicação. Foi coordenador-geral da ENECOS (Executiva Nacional dos  Estudantes de Comunicação Social). Dirigiu o premiado curta Ensolarado e  prepara para o próximo mês as filmagens de Quase Samba, sua estreia na  ficção de longa-metragem. Esteve nos últimos meses em NY acompanhando as  atividades do OccupyWallStreet.</em></p>
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		<title>Cultura da internet, controle, política, cotidiano e afeto. Uns comentários ao txt de @biagranja</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/cultura-da-internet-controle-politica-cotidiano-e-afeto-uns-comentarios-ao-txt-de-biagranja/</link>
		<comments>http://www.locoporti.blog.br/cultura-da-internet-controle-politica-cotidiano-e-afeto-uns-comentarios-ao-txt-de-biagranja/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 30 Mar 2012 19:18:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Bia Granja publicou um post lá no Youpix argumentando algumas coisas interessantes sobre a chamada &#8216;cultura da internet&#8217;, a relação entre conhecer e transitar pelas redes digitais e a necessidade (ou não) de ler o grandes clássicos; também comentou a questionável afirmação de que as informações que circulam na internet (aí incluindo sua interface web/html, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Bia Granja publicou um <a href="http://youpix.com.br/colunistas/pelo-direito-de-usar-o-corrao/" target="_self">post</a> lá no <a href="http://youpix.com.br" target="_blank">Youpix</a> argumentando algumas coisas interessantes sobre a chamada &#8216;cultura da internet&#8217;, a relação entre conhecer e transitar pelas redes digitais e a necessidade (ou não) de ler o grandes clássicos; também comentou a questionável afirmação de que as informações que circulam na internet (aí incluindo sua interface web/html, as redes sociais privadas, os canais de vídeo, os microblogs) são a própria expressão da superficialidade.</p>
<p>Não vou entrar no mérito do <a href="http://youpix.com.br/revista/a-nova-gramatica-da-internet/" target="_blank">Corrão</a>, talvez num outro post, noutra hora. Mas tem uma coisa ou outra que acho que valem à pena comentar, porque o texto, apesar das qualidades, reforça alguns lugares-comuns e preconceitos muito otimistas em relação à internet que ocupam cada vez mais o discurso da classe média e que são muito confortáveis para a mídia corporativa &#8211; em particular ao PIG. E também para as gangues institucionais &#8211; que nos acostumamos a ver atuar na forma da política representativa.</p>
<p>Não concordo com Bia quando ela afirma que</p>
<blockquote><p>Pela primeira vez na história desse país, nós temos um lugar realmente livre e democrático pra se expressar… da forma que quisermos. Temos que lembrar que no Brasil, o <em>~advento da internet em si~</em> não representou uma mega ruptura em termos de espaço criativo pras pessoas.</p></blockquote>
<p>A internet não é um ambiente livre e democrático. É um sistema muito bem sucedido de controle e de identificação. Pois, como observa o professor Sérgio Amadeu (nesse <a href="http://www.cidadaniaeredesdigitais.com.br/_files/003samadeu.pdf" target="_blank">livro</a>),</p>
<blockquote><p>As grandes diferenças do mundo presencial, as diversas perspectivas étnicas e os distintos olhares das classes sociais não desapareceram no ciberespaço. Apesar de as tecnologias da informação darem a impressão de homogeneizar os comportamentos, as atitudes e as finalidades, a comunicação em redes digitais não dissolveu nem aplacou as diferenças.</p></blockquote>
<p>Aquilo que chamamos internet é uma rede de redes na qual <a href="http://www.trezentos.blog.br/?p=6096" target="_blank">nenhuma máquina pode se esconder por muito tempo, pois trata-se de uma  rede de comunicação e controle</a>. Somente esse aspecto já bastaria para compreender e/ou lembrar que o ambiente das redes digitais não é um terreno de liberdade, e sim de controle e que, além disso, muitas tem sido as iniciativas de reforçar esse caráter orgânico da internet &#8211; estão aí para comprovar o AI 5 Digital, Sopa,ACTA, etc. <a href="http://panopticlick.eff.org/" target="_blank">Esse site</a>, criado pela Eletronic Frontier Foundation, mostra o nível de vulnerabilidade a que estamos submetidos.</p>
<p>x-x-x-x-</p>
<p>Bia também escreve que</p>
<blockquote><p>No começo só existiam os grandes portais (<em>todos pertencendo às mesmas famílias que já dominavam a grande mídia offline</em>)  e os blogs. Mas 99% das pessoas, hoje e então, acham esse lance de blog  muito complicado e a quantidade de espaço disponível intimida, de modo  que a verdadeira ruptura chegou junto com as redes sociais: <a href="http://orkut.com/" target="_blank">Orkut</a> e <a href="http://youtube.com/youpix" target="_blank">Youtube</a> no começo, depois <a href="http://twitter.com/youpix" target="_blank">Twitter</a> e agora o <a href="http://facebook.com/youpix" target="_blank">Facebook</a>.</p>
<p>Através desses meios o Brasil se mostrou pro brasileiro… com todos os <a href="http://youpix.com.br/fights/twitter-em-portugues-e-o-preconceito/" target="_blank">seus defeitos</a>, qualidades e idiossincrasias.</p></blockquote>
<p>Aí eu acho ainda mais complicado, porque penso que essa tal ruptura seria real se em tais redes sociais a comunicação fosse livre, o que não acontece &#8211; o cenário é <a href="http://www2.eptic.com.br/arquivos/Revistas/vol.XI,n1,2009/04-SergioAmadeuSilveira.pdf" target="_blank">bem ambivalente</a>. Também acho que esses mecanismos poderiam ser usadas pelas pessoas como instrumentos de ruptura se essas pessoas tivessem não somente acesso à internet, mas se estivesse em andamento um profundo processo de apropriação tecnológica capitaniado pelo sistema público de ensino e pelos movimentos sociais. O que também não é verdade, a não ser muito perifericamente. Alguns passos nesse sentido foram dados no governo Lula, sobretudo através das <a href="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/Trabalho-finalizado-LUIZ-CARLOS-PINTO.pdf" target="_blank">ações coletivas com tecnologias livres</a> postas e praticas e fomentadas pelo Ministério da Cultura, pelos projetos Gesac e Casa Brasil. Sem mencionar como a distribuição dos serviços de internet no Brasil é ruim, graças ao formato da venda do sistema Telebás, em 2008. <a href="http://www.ipea.gov.br/portal/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=1775" target="_blank">Esse comunicado </a>do Ipea detalha esse aspecto.</p>
<p>Ter acesso à internet, o que o grosso dos programas de inclusão digital de estados e municípios fazem, significa em uma série de cursos de introdução ao pacote Office da Micro$oft, criação de blogs e navegação &#8211; muitas são iniciativas bem intencionadas, mas que infelizmente não rompem com o modelo no qual os &#8220;beneficiados&#8221; são mantidos na posição de usuários e não de criadores; de tutelados. não de sujeitos autônomos no uso e reinvenção dos recursos que possuem à sua frente. Esses programas podem até fazer melhorar as cores de governos, os balanços sociais de empresas, fundações e bancos e engabelar boa parte da classe média, mas não trazem os benefícios políticos que se exige de um país de injustiças e de diferenças tão grandes como o Brasil &#8211; como aliás, mostra <a href="www.brapci.ufpr.br/download.php?dd0=10498" target="_blank">esse texto</a>.</p>
<p>x-x-x-x-</p>
<p>Um outro aspecto complicado dessa última afirmação é o potencial reivindicativo e de liberdade de expressão que a imprensa comercial aprendeu a atribuir ao Twitter, Youtube, Facebook, etc. <a href="http://www2.uol.com.br/sciam/reportagens/vida_longa_a_web_2.html" target="_blank">Como mostra</a> o Tim Berners Lee, é preciso entender de forma mais crítica o funcionamento desses mecanismos e seus objetivos.  Não é possível para nós que trabalhamos com internet perder de vista que a expressão das pessoas nessas redes vai até onde é interessante e se encaixa no plano de negócios das empresas que as administram.</p>
<p>Parte da ilusão de que tais mecanismos implicam em revoluções populares vem de não se lembrar de que essas redes são negócios cuja mais-valia é intangível: nem tanto informação, mas vida. É da vida &#8211; as trocas, as vivências, os percursos, os gostos, os desejos, os afetos &#8211; dos usuários que emana a riqueza produzida pelo Facebook, Orkut, Twitter, e congêneres. Parte dessa ilusão vem também de não se lembrar que as revoluções são feitas por pessoas, e nao por mecanismos, sejam eles fábricas, tornos ou algorítmos, mas que esses instrumentos podem servir a revoluções e mudanças de hábitos e de culturas e de regimes políticos &#8211; depende do nível de apropriação e de conquista de autonomia que se consegue alcançar.</p>
<p>x-x-x-x-</p>
<blockquote><p>A cultura, a informação e o  entretenimento deixaram de ser coisas ditadas por grandes conglomerados  de mídia, deixaram de ser passivas e se tornaram organismos vivos e interativos. Agora é o povo que diz o que vai estar em pauta, é ele que detém o poder de construir uma nova cultura.</p></blockquote>
<p>Por fim, eu queria comentar a afirmação acima. No meu entender está em andamento uma batalha, nada está definido. As grandes corporações de mídia &#8211; aliados dos governos, quando a conveniência exige -, assim como a indústria da intermediação, não vão deixar sem lutar, como já estamos vendo, a posição de principais fontes de cultura, informação entretenimento. O desequilíbrio na aplicação das legislações direitos autorais, o regime artificial de propriedade de criações, funciona hoje como um dos fronts da batalha a que me referi. Muitas pessoas não entendem porque esse assunto estão tão em moda &#8211; ele está diretamente vinculado à democracia nas redes digitais e nas ruas também.</p>
<p>(Ainda) não dá pra afirmar que o povo construirá essa nova cultura &#8211; isso vai depender dos níveis de apropriação tanto das pessoas em relação aos instrumentos (softwares, plataformas, hardwares, etc.) quanto do nível de apropriação sobre a vida realizada pela indústria da intermediação quanto pelas empresas detentoras das redes sociais.</p>
<p>x-x-x-x-</p>
<p>Concordo com Bia Granja que ninguém precisa ler os grandes clássicos para entender e circular pela chamada cultura da internet. Ao mesmo tempo, acho que é necessário, é urgente e fundamental ter uma postura mais reflexiva e sem ilusões diante desse cenário &#8211; acho isso ainda mais crítico para quem trabalha com internet.</p>
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		<title>#MutSaz Cunã: mulheres e tecnologias livres</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/mutsaz-cuna-mulheres-e-tecnologias-livres-meus-dois-cents/</link>
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		<pubDate>Tue, 27 Mar 2012 15:50:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Sexo]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[As entrevistas ou trechos de entrevistas reunidas nessa edição do Mutirão da Gambiarra formam uma parte das conversas gravadas que eu fiz entre os idos de 2008/2009 para escrever a tese “Ações coletivas* com mídias livres. Uma interpretação gramsciana de seu projeto político”. Beth de Oxum, Adriana Veloso (Drica), Thais Brito, Karla Brunet, Tatiane Well [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a rel="attachment wp-att-2616" href="http://www.locoporti.blog.br/mutsaz-cuna-mulheres-e-tecnologias-livres-meus-dois-cents/cuna_500/"><img class="size-full wp-image-2616 alignleft" style="border: 0px solid black;" title="cuna_500" src="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2012/03/cuna_500.png" alt="" width="500" height="712" /></a>As entrevistas ou trechos de entrevistas reunidas nessa edição do <a href="http://mutgamb.org/" target="_blank">Mutirão da Gambiarra</a> formam uma parte das conversas gravadas que eu fiz entre os idos de 2008/2009 para escrever a tese <em>“Ações coletivas<strong><span style="color: #800000;">*</span></strong> com mídias livres. Uma interpretação gramsciana de seu projeto político”</em>. Beth de Oxum, Adriana Veloso (Drica), Thais Brito, Karla Brunet, Tatiane Well (Twells), Tininha me falaram dos percursos que traçaram em sua formação política, tecnológica, afetiva, feminista. Foi a partir da reflexão de suas práticas e de suas experiências que pude ver como o eixo fundamental daquilo que eu argumentava no trabalho era só um pedaço dum problema muito mais complicado.</p>
<p>E o que é que eu propunha no texto? Uma interpretação de como é (ou seria) o programa político das ações coletivas cujas articulações políticas perpassavam e fomentavam a conexão orgânica entre culturas e tecnologias. Desse programa emanava (ou emanaria) uma pulsão pela liberdade, e nessa medida, filosoficamente, se tratava (ou se trataria) de um programa político de liberdade. Não precisa muito esforço para ver o quão questionável essa ideia é, em múltiplos aspectos. Primeiro, pela hipótese: a de que que existira um projeto a ser interpretado; e além, pelo método: de que aquilo que identifiquei como ações coletivas tivessem uma existência real, em si, o que justificaria sua identificação; ainda pior: a petulância de achar que resolveria, mesmo que limitadamente, uma equação árida: Gramsci/Deleuze. No fim: a imaginada expectativa de que escrever sobre isso pudesse contribuir com o trabalho daquelas pessoas.</p>
<p>Não nego que esse otimismo tenha sido resultado de uma certa contaminação com o próprio trabalho das pessoas que eu estava conhecendo – as positivas vibrações que a eleição do Lula lá, em 2003 ainda estava presentes, nos trabalhos iniciados do Cultura Viva, Projeto Gesac, Casas Brasil, etc&#8230;</p>
<p>Mas uma das coisas que eu ainda gosto na tese é ter me permitido ler um livrinho curto, chamado <a href="http://www.4shared.com/office/_iHNtB2M/RANCIRE_Jacques_O_Desentendime.html" target="_blank">O Desentendimento – Política e filosofia</a>, escrito por um filósofo chamado Jacques Rancière em 1995. Lá ele argumenta que o nascimento da política no mundo ocidental, a partir dos gregos, tem como contexto uma distribuição simbólica dos corpos que separa as pessoas em duas</p>
<p>categorias, aquelas a quem se vê e considera e aquelas a quem não se vê e não se considera, o que é uma forma de contar as partes da comunidade e de negar-lhes parcelas. A estratégia que segundo Ranciére os plebeus adotam é transgredir a ordem da cidade, dando-se nomes, executando uma série de atos de palavra que ligavam a vida de seus corpos a palavras e a usos das palavras.</p>
<p>E escreve Ranciére: de mortais que eram, tornaram-se “<span style="text-decoration: underline;">homens</span>”, quer dizer, seres que empenham em palavras um destino coletivo. Tornaram-se seres passíveis de firmar promessas e de estabelecer contratos.<em> (sublinhado meu).</em></p>
<p>O trabalho de Ranciére serviu como um ponta pé para se pensar nas formas atualizadas através das quais os seres de nada (sem “nada”) se apropriavam de recursos, discursos, entendimentos, metodologias, instituições, organizações e vontades para se criar, se fazer ouvir, se fazer reconhecido como igual – gente. Tecnologia e cultura, e contidiano e afeto.</p>
<p>Apesar da ajuda que me deu, a identificação que Ranciére faz entre “<span style="text-decoration: underline;">homens</span>” e seres &#8216;passíveis de firmar promessas e de estabelecer contratos&#8217; não passou despercebido. Me mostrou que mesmo no seio de uma reflexão pela liberdade das pessoas, restava uma cegueira política, uma violência e uma contagem de corpos dentro da contagem de corpos: a anulação do feminino como instância de vida, parece que só aos homens correspondia e interessava a emergência da política, por onde aquelas apropriações a que me referi.</p>
<p>Sim, pode ser que eu também esteja sugestinado <a href="http://www2.uol.com.br/JC/especial/joicy/index.html" target="_blank">pela história que minha companheira contou mais ou menos nessa época</a>, e que narrava o percurso de Joicy, transexual do interior do estado, agricultora, no caminho para a cirurgia da troca de sexo. Na minha opinião, uma das violências mais severas impostas a Joicy era (é) a negação do feminino como uma forma ou justificativa para a negação do direito de ser um igual.</p>
<p>A leitura de Ranciére, a experiência de Joicy e as entrevistas me ajudaram a apreender isso. Pena que não podia mais re-orientar o trabalho pra escrever sobre esse processo por causa dos prazos, em primeiro lugar e por causa também do investimento profundo numa área que eu não conheço e que precisava acontecer em curso tempo, que eu não tinha mais.</p>
<p>Tomara que as entrevistas deixem essas ideias mais claras pois nelas Beth, Drica, Thais, Karla, Tati e Tininha tratam sem rodeios de muitas coisas; e, entre elas, da condição desigual que se encontram as mulheres em relação à apropriação crítica de tecnologias, ativismo, pontos de cultura, política, comunicação, feminismo, democracia, radicalismo, software livre, gênero, etc.</p>
<p><strong><span style="color: #800000;">*</span></strong><em>O que eu chamo de ação coletiva é um conceito empírico para se referir a toda e qualquer forma de ação reivindicativa ou de protesto realizada através de grupos sociais, tais como associações civis, agrupamentos para a defesa de interesses civis ou públicos comuns, organizações de interesse público, coletivos, grupos autônomos, entre outros. </em></p>
<p><strong>Abaixo, as entrevistas:</strong><em><br />
</em></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40467014&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40433256&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40359845&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40332501&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40322508&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
<p><iframe width="500" height="166" scrolling="no" frameborder="no" src="http://w.soundcloud.com/player/?url=http%3A%2F%2Fapi.soundcloud.com%2Ftracks%2F40323372&#038;show_artwork=true&#038;maxwidth=900"></iframe></p>
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		<title>O debate sobre obsolescência da informação no @ContinuumFest</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Mar 2012 01:36:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Tô chegando agora do primeiro seminário do Continuum Festival, que botou Pedro Alexandre Sanches e Bruno Nogueira para debater, com mediação de Jamerson Lima. O tema da conversa era &#8216;Obsolescência da informação&#8217; e uma das impressões gerais que tive é que somente Bruno e Jamerson estavam a par do debate que relaciona a inflação de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Tô chegando agora do primeiro seminário do <a href="http://www.continuumfestival.com/" target="_blank">Continuum Festival</a>, que botou <a href="https://twitter.com/#!/pdralex" target="_blank">Pedro Alexandre Sanches</a> e Bruno Nogueira para debater, com mediação de <a href="https://twitter.com/#!/jarmesong" target="_blank">Jamerson Lima</a>. O tema da conversa era &#8216;Obsolescência da informação&#8217; e uma das impressões gerais que tive é que somente Bruno e Jamerson estavam a par do debate que relaciona a inflação de informação nas redes digitais, a facilidade seu extravio devido justamente a esse excesso e os reflexos que isso acarreta &#8211; a terceira edição do Continuum, que é um festival de arte e tecnologia, resolveu esse ano abordar o tema da Obsolescência de uma forma geral. Pedro revelou ao longo da conversa o que me pareceu uma visão bem otimista das relações entre sociedade e tecnologias digitais e também a dúvida se existe mesmo essa tal de obsolescência da informação.</p>
<p>O que foi interessante. Porque essa é a visão comum tanto do usuário médio, de gestores públicos, educadores e de produtores de conteúdo na rede. É também um tema raramente discutido por esses sujeitos e até estranhado por eles. Nesse sentido, o estranhamento de Pedro Alexandre Sanches serviu como um ponto de partida para Jamerson e Bruno explicarem e exemplificarem a forma pela qual o alto fluxo de informação em rede está relacionado à falta de crítica sobre as informações que circulam, reforça uma &#8220;condição de desatenção&#8221; que nos toca a todos, e à banalização dessas informações, que não se fixam na memória das pessoas.</p>
<p>Em algum momento uma pergunta que não poderia deixar de aparecer veio à tona: o que fazer diante dessa inflação de informação? como evitar afundar em meio à torrente vertiginosa de dados, referências variadas, filmes, teaseres, textos, etc? Eu pessoalmente não tenho uma resposta acabada, mas Bruno apontou para a necessidade de que mais que nunca certos filtros são necessários. E se o jornalismo e os jornais deixaram de desempenhar esse papel &#8211; pela curva descendente em que esse modelo de comunciação comercial se encontra, por incompetência, por impossibilidade de adequação e adaptação, seja o que for -, outros mecanismos e/ou personagens parecem poder ocupar esse lugar de mediação.</p>
<p>O Farofafa foi lembrado &#8211; pra quem não sabe, o <a href="http://www.farofafa.com.br/quem-somos" target="_blank">Farofafa</a> é um projeto capitaneado pelo próprio Pedro Alexandre &#8211; como um filtro para separar joi do trigo no fluxo de informaçõq eu chega na cabeça do cidadão hoje em dia.  Bruno lembrou que, apesar da dewcadência da prática comercial de comunicação, os gradndes grups ainda funcionam como esse filotro geral &#8211; eu acho que esses grandes grupos transferem para suas presenças na internet o peso e a forma caduda que eles mantém em suas publicações off line. O que me chamou atenção nesse ponto é que o próprio PAS não parece perceber nem o processo de obsoletização da informação &#8211; que como bem lembro Jamerson se intensificou com as redes digitais de produção e consumo de bens imateriais -, nem como sites como o próprio Farofafa pode desempenhar um papel importante de filtro &#8211; fora e para além do circuito hegemônico de comunicação.</p>
<p>Eu só senti falta de se discutir um aspecto específico da obsolescência da informação &#8211; sua dimensão política. Discutiu-se a dimensão comunicacional,  econômica e cultural no debate de hoje. E a programação do festival reservou espaços para se discutir obsolescência de equipamentos (obsolescência material, programada e falsa). Mas senti falta de se pensar como obsolescência deinformação tem um componente político que se associa (no meu entender) à sempre lembrada falta de memória do povo brasileiro. Porque é muito conveniente para os políticos brasileiros, por exemplo, quando um assunto que não lhes é cômodo, cai no esquecimento &#8211; e a inflação de informação contribui muito com isso, por isso tem um rebatimento político. Esse problema não é, necessariamente o mesmo que será debatido no dia 28 &#8211; Obsolescência do capitalismo -, mas tem pontos de contatos, claro.</p>
<p>Gostei muito do debate. Vou ver amanhã o seminário Lixo eletrônico POde se transforma em arte, como Ângela Prysthon e Fernando Rabello, com mediação de Tathiana Nunes e vou tentar deixar por aqui outras impressões da programação.</p>
<p>Gracias.</p>
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		<title>Don’t be evil (World Bank &amp; Google edition), via Owen Barder</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Feb 2012 17:16:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>
		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[
By Owen Barder
I am a generally a fan of both the World Bank and of Google, but we should all be worried about their recent deal.
The intention is good: it is to promote crowd-sourcing of maps, to improve planning in disasters and to improve the planning, management and monitoring of public services.  This is an [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://blog.educacional.com.br/fforcato/files/2010/08/leviata.jpg"><img class="aligncenter" src="http://blog.educacional.com.br/fforcato/files/2010/08/leviata.jpg" alt="" width="438" height="409" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><strong>By <a href="http://www.owen.org/blog/5270" target="_blank">Owen Barder</a></strong></p>
<p><em>I am a generally a fan of both the World Bank and of Google, but we should all be worried about their recent deal.</p>
<p>The intention is good: it is to promote crowd-sourcing of maps, to improve planning in disasters and to improve the planning, management and monitoring of public services.  This is an important goal, which is now being made possible by new technologies and the spread of the internet.  The deal is sufficiently important for World Bank Managing Director Caroline Anstey to write about it in the opinion pages of the New York Times:</p>
<p>Under the agreement, the bank and its development partners — developing country governments and U.N. agencies — will be able to access Google Map Maker’s global mapping platform, allowing the collection, viewing, search and free access to data of geoinformation in over 150 countries and 60 languages.</p>
<p>This is all consistent with an admirable push in the World Bank towards ‘democratising development‘, including becoming more open about its own activities and promoting open data. Indeed, this effort has come to be a defining achievement of Robert Zoellick period as World Bank President.  As Sebastian Mallaby said in the FT the other day,</p>
<p>Where [the World Bank] once imposed prescriptions on the Third World, it now shares knowledge with respected clients from the new world. Where it once hoarded data, it now displays it on the web. … One decade ago, the Bank was routinely accused of indifference to the views of local people. Today Mr Zoellick talks of empowering the most humble netizen to provide feedback on projects.</em></p>
<p><em><span id="more-2602"></span><br />
So what is the problem with the deal?  The problem is the way the data is licensed: once any data goes in to Google Map Maker, it all becomes the property of Google. If governments and citizens choose to use the Google Map Maker platform to contribute their information, then the data will only be available through Google’s own mapping system, and the data will be available under conditions specified by Google. At least, that is what we believe: ironically, given that both the Bank and Google are trying to market themselves as leaders in transparency and openness, they have refused to publish their agreement. The Bank has said that they ‘want a blanket permission from Google to provide NGOs, humanitarian groups, and other non-commercial entities with the data whenever they need it’ – though we do not know if this has been written into the agreement (and if so in what terms) or is just wishful thinking. Even if this concession were secured, it would not be enough.  Open data offers opportunities for everyone – not just NGOs and governments but social enterprises and businesses too, and they should all be allowed to use the data which governments and citizens have contributed.</p>
<p>There is an alternative platform – Open Street Map – which proved its value in the aftermath of the Haiti earthquake. Data in Open Street Map is all available to everyone to use for any commercial or non-commercial purpose.  So if the data were contributed to Open Street Map, it could be used by Google Map Maker, but not the other way round.</p>
<p>The World Bank defends itself by pointing out that the deal is non-exclusive – that is, everyone is free to give data to anyone else as well as to Google Map Maker.  But that misses the point. Citizens will in practice contribute to one platform. If an organisation as prominent and powerful as the World Bank encourages governments and citizens, and UN organisations, to use Google Map Maker, then that becomes a de facto global standard.</p>
<p>I have no problem with Google, or any other company, making commercial use of this data. I have no ideological objection to the profit motive. On the contrary: having businesses looking for ways to make the best use of the data is a great way to generate innovation and improvements. We want businesses to try to make money by competing to serve the customer better – by providing better tools and services to access and use data. But we don’t want businesses to try to make money by restricting access to the information, which is a public good in every sense of the word, because this reduces, rather than improves, services for the public. By entering into this partnership on these terms, the World Bank is backing closed instead of open; monopoly instead of competition; corporate fat cats instead of upstarts.</p>
<p>I do not think that Google is evil (not yet, anyway). I admire what Google has done to make mapping available more widely, and to promote crowdsourcing of maps. While I was living in Ethiopia, they put online some of the best available maps of many of Ethiopia’s towns and cities, drawing in large part on citizen cartographers.  But the fact that I am broadly sympathetic to Google does not mean that they should have sole control of this data.</p>
<p>The World Bank is trying to do the right thing.  Their approach to opening up their own data has been exemplary.  Caroline Anstey’s article in the New York Times makes a powerful and persuasive case for open data. But the article makes a stronger case for working with Open Street Map, whose work in Haiti she specifically praises, than it does for a partnership with Google.</p>
<p>The World Bank has been listening to the concerns that have been raised, and it sounds as if they have realised that they have made a blunder. They have recently met with key groups in Washington and, according to Nathaniel Heller from Global Integrity, they are going to take ‘concrete steps’ to address these concerns. We don’t know what these are going to be, but it seems to me that there are only two possible satisfactory resolutions. The first possible solution is for Google irrevocably to change the terms of the license for all the data in Google Map Maker to allow commercial and non-commercial use.  I think that is unlikely (which should tell us something about Google’s assessment of the possibility that they may want to do something in future with their control over the data).  If Google will not do that, then the second solution is for the World Bank to terminate the agreement and instead encourage citizens and governments to contribute to Open Street Map,  or some other genuinely open system. Google Map Maker can then use that data if they wish, like everyone else. Anything but these alternatives is likely to be an unsatisfactory fudge.  Furthermore, the full terms of the agreement must be published.</p>
<p>The UK Government is increasingly a world leader in promoting open, reusable data, transparency and accountability. As a major shareholder in the Bank, and one of the largest contributors of funds for the World Bank’s concessional lending, I hope the UK Government will put pressure on the World Bank to accept that this agreement does not satisfy their aspirations for open data, and instead to promote genuinely open sharing of mapping information which, as both Google and the World Bank rightly say, could make a significant contribution to humanitarian relief and to development.</em></p>
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		<title>Política, tecnologias livres, comunicação e ancestralidade: uma conversa com a mãe Beth de Oxum</title>
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		<pubDate>Sat, 25 Feb 2012 15:08:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Na segunda entrevista da série, a vez é de Beth de Oxum. A conversa aconteceu no quintal da antiga sede do Ponto de Cultura Côco da Umbigada, em Olinda, numa manhã ensolarada &#8211; não lembro o mês. Na entrevista Beth indica a importância estratégica das tecnologias livres para a  afirmação das culturas ancestrais e para sua defesa, assim como para a ocupação do espaço público &#8211; a retomada do comum em certo sentido. Também chama atenção pros implementadores dos programas Cultura Viva e Gesac, assim como para o cultivo da coletividade como instrumentos políticos.</p>
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		<title>Política, tecnologias livres, comunicação: uma conversa com Paulo José Lara (Pajeh)</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Feb 2012 22:48:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Para os próximos meses uma tarefa muito interessante (importante para mim) deverá tomar conta de meus esforços e das páginas desse blog amarelo que tantas alegrias faz aos três leitores que tem: a publicação das entrevistas que fiz ao longo da pesquisa que resultou na tese. Foram conversas com 35 pessoas, a maior parte delas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Para os próximos meses uma tarefa muito interessante (importante para mim) deverá tomar conta de meus esforços e das páginas desse blog amarelo que tantas alegrias faz aos três leitores que tem: a publicação das entrevistas que fiz ao longo da pesquisa que resultou na <a href="http://www.locoporti.blog.br/wp-content/uploads/2010/07/Trabalho-finalizado-LUIZ-CARLOS-PINTO.pdf" target="_blank">tese</a>. Foram conversas com 35 pessoas, a maior parte delas são boas trocas de ideias sobre momentos específicos de políticas públicas brasileiras com mídias e do potencial de ações coletivas não institucionalizadas.</p>
<p>Por meio das entrevistas alguns personagens pouco conhecidos da classe média e de boa parte dos elaboradores de políticas públicas explicam o contexto das expectativas que circundavam a eleição de Lula em 2002 e as possibilidade de inclusão digital (última vez que uso esse termo capenga aqui) com uma perspectiva crítica. Outras falas explicam o potencial antagonista que se abre ao se pensar em termos de tecnologias livres &#8211; e de como a limitada pauta do &#8216;dieito à comunicação&#8217; é consequentemente expandida. Muitas das entrevistas dialogam com toda a agenda de debates em torno do comum (commons de informação e outros) que parece estar estourando agora, dentro e fora do eixo.</p>
<p>São conversas nas quais as singularidades do afeto, em que a vontade de cozinhar junto, de estar junto, do querer bem, da saudade e da vontade de matar a saudade são elementos de potência política que não cabem nas práticas atuais da política representativa nem nos modelos prontos de políticas públicas. Da mesma maneira, as conversas indicam os limites de um fazer político cujas raízes filosóficas podem ser rastreadas desde Espinoza, e cujas fragilidades também são próximas. A primeira dessas entrevistas que resolvi colocar aqui é a que eu fiz com Paulo José Lara (Pajeh), sociólogo de Campinas, um dos articuladores da Rádio Muda, pessoa inteligentíssima e muito amável.</p>
<p>Só peço um pouco de paciência porque entre outros corres esse leva tempo para fazer, dado cuidado que gostaria de ter ao <span style="text-decoration: line-through;">cuidade</span> tratar de cada uma das entrevistas.</p>
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		<title>Alguns aspectos da crise tucana, por Wagner Iglecias</title>
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		<pubDate>Mon, 13 Feb 2012 18:50:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Crise de identidade e de lideranças
Alguns aspectos da crise tucana
por Wagner Iglecias
Sou de uma geração que acreditava que o PT era socialista e que o PSDB era social-democrata. Foi uma geração numerosa. Só posso falar por mim, mas cheguei mesmo a acreditar um dia que PT à esquerda, PSDB ao centro e PL, à direita, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<h2>Crise de identidade e de lideranças</h2>
<p><strong>Alguns aspectos da crise tucana</strong></p>
<p>por Wagner Iglecias</p>
<p>Sou de uma geração que acreditava que o PT era socialista e que o PSDB era social-democrata. Foi uma geração numerosa. Só posso falar por mim, mas cheguei mesmo a acreditar um dia que PT à esquerda, PSDB ao centro e PL, à direita, seriam os três grandes partidos de um moderno sistema político que viria a existir no Brasil a partir da década de 1990. Doce ilusão juvenil. Só me faltou levar em conta, naquela época, nosso patrimonialismo atávico e nossa velhíssima tradição política, que fazem com que partidos liberais se diluam na massa amorfa de siglas fisiológicas e que fazem vergar, em maior ou menor grau, os ideais fundantes de partidos originalmente progressistas. Fato é que o PL sumiu e, para vencer as eleições presidenciais, tanto tucanos quanto petistas fizeram alianças com partidos e setores conservadores. Mais que isso, no exercício do poder o PSDB aplicou o programa neoliberal, enquanto quem vem tentando construir nosso arremedo de Welfare State, nossa “social-democracimorena”, é o PT. Ou seja, a impressão que fica é que dos anos 1990 pra cá caminhamos todos para a direita do espectro político.</p>
<p>Nosso presidencialismo é de coalizão, mas há que se lembrar que quem ganha eleição para o Executivo em nosso país manda, impera, pode muito, ainda que esse “poder muito” tenha prazo de validade e seja renovável a cada quatro anos. O consórcio PSDB/PFL pôde muito enquanto esteve no poder, em especial surfando na boa onda da economia durante o primeiro mandato de FHC. Havia amplo apoio social ao governo em meados da década de 1990, dos bancos às classes populares, passando inclusive por importantes setores do empresariado nacional, ainda que este vivesse as agruras da exposição desenfreada, via câmbio e abertura comercial, à competição externa. Lembremos que FHC foi eleito e reeleito em primeiro turno, o que não é e nunca será pouca coisa.</p>
<p>É preciso reconhecer, no entanto, que o amplo apoio que FHC, PSDB e PFL tiveram naquela época não pode ser comparado ao que vimos nos últimos anos em relação ao governo Lula. Muita gente critica o lulismo, ressalta seu caráter despolitizador, aponta para o fato de que criaram-se nesses anos 30 milhões de novos consumidores, mas não 30 milhões de novos cidadãos, etc. Mas creio que nunca antes na História deste país, para usar a clássica expressão do ex-presidente, se viu um arco de forças sociais e políticas tão amplo quanto este formado nos anos petistas no poder. Talvez, e olhe lá, algo parecido tenha se dado apenas sob Vargas. Ou nem sob ele. É chover no molhado dizer isso, mas Lula teve apoio desde o sistema financeiro até as classes D e E, passando por quase toda a estrutura sindical e aliando-se amplos setores do que há de mais antigo no quadro partidário brasileiro. De fato, Lula só encontrou oposição no PSDB/PFL, nos extratos da velha classe média que estes partidos representam e nos formadores de opinião que a eles se dirigem.</p>
<p>Feito um lutador que prensa seu oponente nas cordas e vai lhe minando a resistência, o lulismo, pela estratégia acertada do PT e pela genialidade política de Lula, empurrou o PSDB para a direita do espectro político e social, e lá o tem confinado. Que o diga um José Serra, que teve, sim, uma militância intelectual mais à esquerda durante a ditadura militar, a fazer campanha em 2010 de braços dados com líderes religiosos ultra-conservadores e a apelar para a questão do aborto a fim de tentar tirar votos de sua então adversária.</p>
<p>A oposição hoje esvazia-se a passos largos, DEM e PPS são duas siglas em forte declínio e o futuro do PSDB é incerto. O que é uma temeridade para uma agremiação que desempenhou um papel bastante significativo na trajetória recente do Estado brasileiro. Goste-se ou não, o PSDB foi um partido de quadros que implementou algumas propostas relevantes para a gestão pública nacional quando foi governo. Não vou aqui fazer uma discussão de mérito, se foi bom ou se foi ruim e a que custo as coisas se deram, mas reconheça-se que foi com o PSDB no comando que se debelou  a inflação, deu-se o pontapé inicial para uma mudança cultural em relação à questão fiscal e promoveram-se reformas gerenciais que tiveram forte impacto na máquina pública. Hoje em dia, no entanto, o partido encontra dificuldade em dialogar com uma sociedade civil em rápida mutação, vive a reboque de denúncias publicadas na imprensa e suas gestões estaduais dão a impressão de não irem além de um gerencialismo monótono e burocrático. Para além disso, a legenda encontra-se às voltas com disputas internas entre suas principais lideranças, aparentemente mais focadas em suas próprias carreiras do que no partido, como noticia a imprensa cotidianamente.</p>
<p>A crise tucana, portanto, tem duas dimensões, se não outras: de identidade e de lideranças. De identidade porque o PSDB há muito perdeu sua aura progressista, permanece sem saber ao certo o que fazer com o legado do governo FHC e parece ter dificuldade de compreender as mudanças recentes que a sociedade brasileira vem passando. É provável que o projeto tucano de poder seja ainda aquele mesmo do início da década de 1990, ainda que o cenário mundial tenha passado por tantas transformações nestes vinte anos. O partido há tempos não formula novas ideias, algo fundamental para quem almeja retomar o comando da nação, e se vê embotado pela lógica de culpabilizar o adversário (PT) por quase tudo o que de ruim ocorre no país. Embotamento este que afeta os tucanos de cima a baixo, atingindo desde algumas de suas principais lideranças até o militante mais simples, passando ainda por alguns dos intelectuais simpáticos à sigla.</p>
<p>Além de ser uma crise de identidade, de falta de novas formulações, de dificuldade de dialogar com a sociedade, a crise tucana também é de lideranças. Afinal, o que cada vez mais se lê nos jornais são os desencontros entre seus principais nomes. Que se tome como exemplo a recente polêmica envolvendo FHC e Serra, já dois veteranos em termos de trajetória política. Aquele continua sendo a principal referência do partido, enquanto este parece ainda almejar a disputa da presidência da república em 2014, o que se choca com os planos de outros setores do tucanato. Aécio, tido agora como nome natural para tentar suceder Dilma, surge aos olhos do eleitor como um presidenciável que parece não saber muito bem o que quer, se vai ou se fica, se é pra agora ou pra mais tarde.</p>
<p>Outras lideranças, antigas ou nem tanto, parecem por sua vez não ter condições de alçar vôos nacionais. Cito Tasso, Azeredo e Dias, bem como Marconi e Richa. E aqueles que talvez tenham sido as duas lideranças mais progressistas que a legenda teve, Franco Montoro e Mário Covas, são hoje apenas História. Aliás, parecem fazer muita falta ao partido nos dias de hoje. Assim como no futebol, na política não existe o “se”, mas se ainda estivessem por aí talvez os rumos do PSDB tivessem sido outros, ou não? Diz a mitologia política brasileira que foi por causa da insistência de Covas que FHC não tornou-se ministro de Collor, o que fatalmente lhe teria custado a carreira política. Dizem os mais velhos que Montoro era um homem de diálogo, antes de mais nada.</p>
<p>Sem Covas e Montoro, com FHC e Serra falando idiomas diferentes, com Aécio numa postura para muitos dúbia e com as demais lideranças reduzidas a seus rincões locais, resta ao PSDB o nome de Alckmin. Que, a seu jeito, quase que um Montoro de sinal trocado, vai tentando, como diriam os marqueteiros, “reposicionar a marca” do partido. Reposicionamento à direita, mesmo. Via política do “pulso firme”, como tem sido visto nos últimos tempos e que cai tão ao gosto de uma parcela da sociedade brasileira, em especial a sociedade paulista. Quando eu ingenuamente ainda acreditava em três partidos que poderiam vir a dominar a cena política brasileira dizia-se que o PSDB era um partido em cima do muro. A experiência no poder e o lulismo que a sucedeu imprensaram o PSDB no canto direito do espectro político. Será que é lá que o partido vai permanecer daqui por diante?</p>
<p>Wagner Iglecias é doutor em Sociologia e professor do curso de Gestão de Políticas Públicas da EACH-USP.</p>
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		<title>A ponta do iceberg do porquê de uma reforma política</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/a-ponta-do-iceberg-do-porque-de-uma-reforma-politica/</link>
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		<pubDate>Wed, 08 Feb 2012 15:36:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Rádios de ministro estão em nome de empregados na PB
 Sede das emissoras fica em escritório político de Aguinaldo Ribeiro, novo titular da pasta das Cidades
&#8216;Isso aqui é rádio de ministro, rapaz!&#8217;, disse locutor após anúncio da nomeação; posse está marcada para hoje
BRENO COSTA
ENVIADO ESPECIAL A JOÃO PESSOA
O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que tem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em><strong>Rádios de ministro estão em nome de empregados na PB</strong><br />
</em> <em>Sede das emissoras fica em escritório político de Aguinaldo Ribeiro, novo titular da pasta das Cidades</em></p>
<p><em>&#8216;Isso aqui é rádio de ministro, rapaz!&#8217;, disse locutor após anúncio da nomeação; posse está marcada para hoje<br />
BRENO COSTA<br />
ENVIADO ESPECIAL A JOÃO PESSOA</em></p>
<p><em>O deputado federal Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), que tem posse marcada para hoje como novo ministro das Cidades, é dono de duas emissoras de rádio no interior da Paraíba que foram registradas em nome de empregados.</em></p>
<p><em>As emissoras Cariri AM e PB FM estão no nome da empresa AE Comunicações da Paraíba Ltda., sediada no escritório político que Ribeiro mantém em João Pessoa.</em></p>
<p><em>Os sócios da empresa, contudo, segundo registro da empresa na Junta Comercial da Paraíba, são um ex-contador e um assessor pessoal do ministro. A firma foi criada em fevereiro de 2010.</em></p>
<p><em>Uma das rádios controladas pela AE Comunicações, a Cariri AM, funciona no mesmo endereço, em Campina Grande (a 121 km da capital), da sede da River Comunicações Ltda., criada pelo ministro em setembro de 2009.</em></p>
<p><em>Como a Folha revelou ontem, a River é uma das quatro empresas que o ministro omitiu em sua declaração de bens apresentada à Justiça Eleitoral em 2010, quando se elegeu deputado federal.</em></p>
<p><em>RÁDIO DE MINISTRO</em></p>
<p><em>A transmissão da Cariri deixa claro quem é o verdadeiro dono da emissora.</em></p>
<p><em>Na sexta-feira, logo após a confirmação do nome de Aguinaldo Ribeiro como novo ministro, a rádio dedicou duas horas de homenagem a &#8220;Aguinaldinho&#8221;, como era chamado pelos locutores.</em></p>
<p><em>&#8220;Isso aqui é rádio de ministro, rapaz!&#8221;, afirmou um dos apresentadores, minutos após ser confirmado que Aguinaldo comandaria a pasta das Cidades.</em></p>
<p><em>A deputada estadual Daniella Ribeiro (PP), irmã do ministro e pré-candidata à Prefeitura de Campina Grande, tem um programa próprio na rádio, &#8220;Mandato Popular&#8221;.</em></p>
<p><em>As ações da AE Comunicações estão divididas igualmente entre Alex Barreto e Givaldo Nunes.</em></p>
<p><em>Barreto é uma espécie de braço direito do ministro. Filho de Alexandre Viana Barreto, motorista de Aguinaldo em João Pessoa, ele é um dos três funcionários que dão expediente no escritório de Ribeiro na Paraíba.</em></p>
<p><em>Quando a Folha foi ao local, um outro funcionário disse que as questões envolvendo o novo ministro deveriam ser respondidas por Barreto, &#8220;assessor do deputado&#8221;.</em></p>
<p><em>Givaldo Nunes, 71, é contador aposentado. Ele mora em um bairro popular de João Pessoa, o Mangabeira. Trabalha com o deputado Ribeiro desde a década de 90.</em></p>
<p><em>Era ele o contador de Ribeiro quando o hoje ministro administrava uma concessionária de veículos da família.</em></p>
<p><em>À Folha, Givaldo diz que virou sócio da rádio a pedido de Alex Barreto e que deixou de trabalhar com Aguinaldo Ribeiro porque ficou doente.</em></p>
<p><em>&#8220;Ele [Barreto] pediu para eu entrar em sociedade com ele e eu entrei. Conversa com o Alex, que ele está mais por dentro&#8221;, disse Givaldo, na porta de sua casa.</em></p>
<p><em>Na tarde de ontem, Alex atendeu seu celular, mas desligou o aparelho quando a reportagem se identificou.</em></p>
<p><em>FRASE</em></p>
<p><em>&#8220;Ele [Alex Barreto, braço direito do ministro] pediu para eu entrar em sociedade com ele e eu entrei&#8221;</em></p>
<p><em>GIVALDO NUNES<br />
ex-contador de Aguinaldo Ribeiro e sócio das rádios</em></p>
<p><em><strong>OUTRO LADO</strong></em></p>
<p><em><strong>Deputado e sua assessora não atendem ligações</strong><br />
DO ENVIADO A JOÃO PESSOA</em></p>
<p><em>Procurado desde a manhã de sábado para comentar a reportagem, o deputado Aguinaldo Ribeiro não respondeu às ligações.</em></p>
<p><em>Na noite de sábado, ele atendeu uma ligação, mas, depois que o repórter se identificou, ele disse que estava no elevador e pediu que ligasse de volta em dois minutos.</em></p>
<p><em>Assim foi feito, mas desde então e durante todo o domingo o celular do ministro esteve desligado.</em></p>
<p><em>ASSESSORA</em></p>
<p><em>Ontem, a Folha tentou contato com a assessora Márcia Gomes. O celular dela também estava desligado.</em></p>
<p><em>A reportagem mandou mensagens de texto via celular para os dois aparelhos, informando o teor da reportagem e pedindo esclarecimentos. Não houve resposta até a conclusão desta edição.</em></p>
<p><em>Alex Barreto, que também não atendeu os telefonemas daFolha, disse no Twitter que Aguinaldo Ribeiro é vítima de &#8220;preconceito&#8221; por parte da &#8220;grande mídia&#8221;.</em></p>
<p><em>&#8220;Paraíba, vamos nos unir contra esta campanha maldosa que fazem com nosso ministro, eles não se conformam com a nossa vitória. Força Aguinaldo&#8221;, escreveu Alex na manhã de ontem.</em></p>
<p><em>DECLARAÇÃO DE BENS</em></p>
<p><em>Na sexta-feira, Aguinaldo Ribeiro disse que informou a Receita sobre a sociedade em empresas que não constam de sua declaração de bens enviada à Justiça Eleitoral.</em></p>
<p><em>Afirmou também que irá se desligar delas para chefiar o Ministério das Cidades.</em></p>
<p><em>(BC)</em></p>
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		<item>
		<title>Relato das ações no Coque Livre</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/relato-das-acoes-no-coque-livre/</link>
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		<pubDate>Fri, 03 Feb 2012 18:05:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Tecnologia & Sociedade]]></category>

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		<description><![CDATA[Vou postar aqui nos próximos dias algumas reflexões sobre os ciclos de atividades do Projeto Coque Livre, que implementamos em 2011 na comunidade do Coque, centro do Recife. Os textos têm uma pegada um tanto acadêmica &#8211; sobretudo a parte inicial, em que segue uma introdução a alguns conceitos que permearam as oficinas dos ciclos. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong><em>Vou postar aqui nos próximos dias algumas reflexões sobre os ciclos de atividades do <a href="http://www.locoporti.blog.br/oficinas-do-coque-livre-comecam-amanha/" target="_blank">Projeto Coque Livre</a>, que implementamos em 2011 na comunidade do Coque, centro do Recife. Os textos têm uma pegada um tanto acadêmica &#8211; sobretudo a parte inicial, em que segue uma introdução a alguns conceitos que permearam as oficinas dos ciclos. Isso porque precisaremos apresentar esses relatos ao CNPq, que financiou as atividades. </em><em>Nos próximos dias coloco as descrições das atividades mesmas. </em></strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong>1. Análise crítica das bases teórico-metodologias das oficinas de mídias livres</strong></p>
<p>As oficinas com tecnologias livres baseiam-se teórica e metodologicamente no  que podem ser chamadas &#8216;ações coletivas com mídias livres&#8217;. Tais ações expressam um conflito e uma oposição ao modo com que os bens informacionais são comercialmente produzidos e controlados, bem como os objetivos dessa produção. Considerar como eixo característico a disposição antagonista implica em reconhecer a existência de questionamentos coletivos quanto à legitimidade do poder  e ao modelo estabelecido para o uso dos recursos sociais – esses princípios conduzem a base metodológica e filosófica das oficinas.</p>
<p>O sentido das oficinas com tecnologias livres está associado à criação de condições estruturais e conceituais para a produção, circulação, apropriação e usufruto de conhecimento, informação e cultura fora das hostes comerciais. Em termos filosóficos,  essa orientação, que prevalece sobre as outras linhas de atuação, expressa a atualização da análise de Ranciére (1996) para a emergência do exercício da política, com uma correspondente instituição de uma outra ordem do sensível. Ou seja a criação de tais condições estruturais e conceituais se vincula a um virtuoso processo de atualização da reivindicação da parcela dos que não têm parcela, da reivindicação da fala, do dissenso, da possibilidade e das condições para a expressão do desentendimento em relação a como se reparte o todo, entre os que têm parcela ou partes do todo e os que não têm nada.</p>
<p>Por outro lado, é possível considerar o modelo predominante de &#8216;inclusão digital&#8217; ancorado à lógica da Justiça Distributiva . Nesse sentido, tal modelo também precisa ser compreendido sob os eflúvios das mudanças pelas quais passa o capitalismo pós-industrial – sobretudo naquilo que se refere à crise da noção de valor, que acompanha tais alterações sistêmicas. Se é verdade que no capitalismo pós-industrial não é mais no produto, na matéria, que se concentra o centro do valor, mas no conhecimento, na forma de se organizar e modelar a inteligência coletiva, então à Justiça Distributiva deve-se interpor um outro front de crítica – inclusive como forma de enquadrar e compreender  a perspectiva, os discursos e a programática de ações coletivas que lançam mão de tecnologias livres.</p>
<p>É necessário, antes de continuar, deixar claro a que se refere esse termo. As &#8216;tecnologias livres&#8217; a que nos referimos são constituídas por softwares e hardwares que permitem que sejam usados, copiados, estudados e redistribuídos sem restrições, o que implica que as modificações feitas tanto em programas quanto nos equipamentos físicos podem se realizados e compartilhados também sem restrições. O conceito de &#8216;livre&#8217; se opõe ao de restritivo e à noção de software proprietário, cujas alterações no seu código de funcionamento são vedadas. Tanto softwares livres quanto hardwares livres são vinculados a licenças de uso que visam garantir as liberdades de execução, distribuição, modificação e repasse sem que para isso seja necessário a permissão do(s) autor(es) (Torvalds &amp; Diamond, 2001). Portanto, para tecnologias livres estão associados licenças de uso que procuram garantir<br />
•    A liberdade de executar o programa ou de uso do hardware, para qualquer propósito;<br />
•    A liberdade de estudar como o programa ou hardware funciona, e adaptá-lo para as suas necessidades. Acesso ao código-fonte, no caso dos softwares, é um pré-requisito para esta liberdade;<br />
•    A liberdade de redistribuir cópias de modo que se possa beneficiar o próximo;<br />
•    A liberdade de aperfeiçoar o programa e/ou hardware, e liberar os seus aperfeiçoamentos, de modo que toda a comunidade se beneficie. Acesso ao código-fonte é um pré-requisito para esta liberdade.<br />
Portanto, o uso do termo tecnologia livre nesse texto considera será considerado livre se todos os seus usuários tiverem essas quatro liberdades.</p>
<p style="text-align: left;"><span id="more-2562"></span><br />
Ora, sabemos que no capitalismo em sua fase industrial, a organização do trabalho dispõe os sujeitos em um sistema de trabalho – a linha de montagem – na qual suas capacidades subjetivas e criativas são sublimadas. Isso não implica que não haja criatividade e mesmo inovação na indústria, como os sucessivos processos de adaptação a demandas de mercado e/ou crises financeiras revelaram. Mas a previsibilidade é uma exigência dessa etapa, assim como uma política de escassez que regule as cópias da produção; e explicite e especifique o custo de um novo produto (ou do erro em sua fabricação, quando ocorre) a partir da necessidade de mais matéria-prima e de tempo para sua transformação.</p>
<p>A organização dos sujeitos em classe – a um tempo, uma distribuição econômica, mas também simbólica – expressa e condiciona esse quadro político-econômico: ao proletário não cabem o direito nem alternativas para que suas experiências sensíveis e subjetivas interfiram nos processos de transformação da matéria-prima (Gorz, 2005).</p>
<p>Assim, enquanto o trabalhador opera (não se realiza) no espaço quadriculado do chão de fábrica, com o ganho definido, com o movimento repetitivo, os proprietários dos meios de produção operam de forma dinâmica, em alguns casos alocando de forma nômade seu capital, assumindo papéis, posições e ganhos variados num sistema de hierarquia nítida e bem demarcada.<br />
Há portanto uma definição do lugar do sujeito na ordem estética e na indústria, além de uma concepção de valor específica, centrada no “produto”.</p>
<p>A Justiça Distributiva reedita a organização dos sujeitos a partir dessa distribuição de lugares com base econômica (a classe) e simbólica, na qual o papel que cabe ao sujeito que não detém os meios de produção é o de mero usuário ou de peça do sistema produtivo, e não a de produtor de valor, em face a suas experiências sensíveis e subjetivas. O que está subsumido aí é uma relação tutelada com o objeto técnico usado para a produção de valor, em que a autonomia é extremamente limitada em função dos interesses do comércio e da indústria. O sujeito lida com caixas pretas, cuja lógica de funcionamento interno é uma prerrogativa de elites logotécnicas que servem à indústria (Neves, 2006). A desnecessidade de saber como tal objeto técnico funciona, ou é produzido, ou pode ser modificado e melhorado exprime a dificuldade de sua apropriação imposta pelo sistema produtivo industrial e a consequente tutela do valor produzido. Essa condição foi assimilada pelo senso comum e não é questionada – o corolário dessa dessa lei de mercado é a impossibilidade de se ver as vias abertas ou por emergir da interferência criativa sobre as ferramentas de produção de valor.</p>
<p>A Justiça Distributiva por fim reedita e renova o regime discursivo e estético no qual ao trabalhador está reservado a ação calculada, previsível, controlada, sem margem para a expansão da criatividade e da inovação, a partir de sua vida, que operem sobe o sensível, o dizível e o visível. O modelo hegemônico dos programas de inclusão digital expressam essa distribuição econômica e simbólica na medida em que refletem o relacionamento com o objeto técnico no qual os “beneficiados” têm acesso a caixas pretas, em função do que seu uso é tutelado, é comprometida a autonomia e limitadas as possibilidades de expressão em face a experiências sensíveis e subjetivas.</p>
<p><strong>x.x.x.x.x</strong></p>
<p>Os ciclos planejados e executados ao longo do Projeto Coque Livre, por outro lado, basearam-se no que pode ser nomeado “ações coletivas com tecnologias livres”,  que praticam uma perspectiva oposta à dos programas &#8216;tradicionais&#8217; de inclusão digital, e na qual são tecidas as condições de possibilidade para que aconteça uma apropriação crítica das tecnologias; apropriação esta que torne possível a produção de valor com base na improvisação contínua, na comunicação, nas subjetividades culturalmente construídas, nas relações afetivas, no cotidiano sensitivo das comunidades envolvidas. Assim, uma linha de fuga se estabelece, explicitando o aspecto não-utilitarista dos processos de ensino-aprendizagem inspirados nasações coletivas com mídias livres que se pretendeu implementar nesse projeto.</p>
<p>O trabalho imaterial que se desprende dessas potencialidades está afinado com aquilo que André Gorz pontuou como sendo o “trabalho da produção de si” (GORZ, 2005). Nesse sentido, o caminho que se pretendeu traçar nos Ciclos é tal que permite contribuir para a construção de espaços (lógicos, físicos e afetivos) que permitam a expansão das potências criativas, a quebra da previsibilidade  e a superação da relação industrial entre projeto e produto.</p>
<p>Essa abordagem não-utilitarista permeia a apropriação crítica de ferramentas e de linguagens de expressão, de modo que é por si já uma alternativa à lógica de mercado, da preparação da mão-de-obra e do &#8216;produto&#8217;, que habitam as entrelinhas dos programas de inclusão digital. Essa apropriação crítica de ferramentas da informação e comunicação, fomentadas nas e pelas ações coletivas com tecnologias livres, é um objetivo que tem o potencial de se tornar possível ao se lançar mão de tecnologias livres, de metodologias e de referências discursivas que precisam ser pontuadas.</p>
<p>É necessário observar inicialmente a perspectiva que procura adequar às necessidades simbólicas, aos espaços disponíveis e/ou construídos coletivamente nas comunidades e ao cotidiano delas a implementação dos ambiente de conexão à internet que servem às comunidades – os telecentros. Nestes casos a instalação dos computadores é um processo realizado com os futuros usuários deles, em oficinas nas quais as máquinas são literalmente desconstruídas. As máquinas são abertas e seu interior esquadrinhado em atividades cujo resultado é o funcionamento de um número mínimo de computadores em rede, conectados à internet. Mas que implica também num processo de desmistificação do artefato, e que contribui para que ele não seja manuseado com &#8216;excessivo respeito&#8217;, como um outro externo e distante.   A ideia que permeia isso é a noção de que é possível interferir sobre a tecnologia, o que por seu lado também se vincula a uma perspectiva antiutilitarista, e contribui com outros processos de aprendizagem, de formação de identidade, de pertencimento, de expressão de relatos e subjetividades que não encontram espaço nos canais comerciais de comunicação; de veiculação de reivindicações variadas. A &#8216;capacitação&#8217; não é um elemento prioritário embora acabe ocorrendo também.</p>
<p>Aplicado às tecnologias digitais, aos computadores pessoais e à eletrônica embarcada em equipamentos de uso cotidiano, o conceito passa a se referir à transformação do computador de uma mera ferramenta de trabalho (inacessível e desconhecida) em um instrumento de comunicação sobre o qual os sujeitos podem intervir; e de uma nova linguagem de criação e expressão para  refletir as necessidades locais de cada comunidade.</p>
<p>Nesse sentido, o relacionamento com os aparatos técnicos colocados em prática nas oficinas procuraram colocar em suspensão a técnica como algo natural (positivo) ou artificial (negativo). E tomam-na como algo sobre o qual é ainda possível atuar. Nesse sentido, Simondon chama atenção para o trabalho do artesão, que é baseado numa organização analítica, deixando sempre a via livre a novas possibilidades. Diz Simondon:</p>
<p><em>&#8220;estas possibilidades são a manifestação exterior de uma contingência interior. No afrontamento da coerência do trabalho técnico com a coerência do sistema de necessidades de utilização, é a coerência da utilização que vence porque o objeto técnico (construído) sob medida é de fato um objeto sem medida intrínseca; as suas normas vêm-lhe do exterior: não realizou ainda a sua coerência interna; não é um sistema do necessário; corresponde a um sistema aberto de exigências&#8221;.  (SIMONDON, 1989b, p. 23).</em></p>
<p>Em Deleuze, surge a possibilidade de pensar a técnica, não como o  domínio global e totalizante, mas como multiplicidade que permite uma incessante produção a partir dela mesma, uma produção por atualização de uma instância virtual, ou seja, da Diferença. A margem deleuziana, outra importante referência filosófica para as práticas das oficinas, permite ver a técnica como produtiva, dinâmica, alucinada e, ao mesmo tempo, não abortiva, não finalizadora, não destrutiva.</p>
<p>De forma virtuosamente não-utilitarista, a técnica é tomada como multiplicidade, a uma multiplicidade solta das amarras da medição e da organização de forças previamente determinadas. É essa perspectiva, tornada plástica, que anima as apropriações realizadas pelas ações coletivas com tecnologias livres em geral e as oficinas realizadas no Coque Livre em particular.</p>
<p>Uma das consequencias da forma coletiva de construção (ou de reorganização) de um telecentro descrita acima (ou da execução de projetos como os realizados nos ciclos do Coque Livre, descritas abaixo) é que os resultados da interação coletiva passam a ser entendidos pelas comunidades onde funcionam como espaço, objetos, equipamentos sobre o qual todos têm responsabilidades e acesso. É da mesma ordem de apropriação o uso que dele emerge. No caso de telecentros, a função que eles assumem vai bem além da capacitação da mão de obra para o mercado de trabalho. E é nesse sentido que se torna possível a superação da noção utilitária em que se ancora boa parte dos modelos de inclusão digital sob a lógica da Justiça Distributiva. Como já mencionado, outros elementos emergem em sintonia com demandas de ordem imaterial de pessoas e grupos.</p>
<p>Desse processo-percurso, em busca da apropriação crítica de tecnologias, faz parte o uso de softwares livres – a começar pelos sistema operacionais, o pacote de programas através dos quais nós nos relacionamos com a máquina. O uso de softwares livres, aliás, é uma condição (não a única) para a efetividade dessa apropriação – sendo tanto mais profunda quanto mais longa possível é o tempo de utilização de tais tecnologias. Eles oferecem a possibilidade de que o uso dos instrumentos de produção de valor não aconteça de forma tutelada, em função dos interesses estabelecidos pela indústria do software proprietário; acena com a possibilidade de conquista de autonomia no trato com os equipamentos; e o relacionamento com uma economia de bens simbólicos calcada na abundância de recursos. Como os softwares livres  são abertos à modificação por qualquer pessoa, de acordo com suas necessidades, abre-se a possibilidade para a criação, para a transformação, para a expressão de talentos, subjetividades e inovação em um patamar que não é possível quando se utilizam softwares proprietários.</p>
<p>O entendimento de que tais ferramentas são sempre passíveis de serem retiradas do modelo de uso atribuído pelo trabalho industrial expressa uma posição política. A &#8216;apropriação&#8217; &#8211; celebrada palavra usada nos &#8216;tradicionais&#8217; projetos de inclusão digital –, ganha um status radical, na medida em que é pensada para ocorrer na zona obscura, entre a forma e a matéria, entre as essências formais e as  coisas formadas, o que abre férteis possibilidades para a subversão dos objetos técnicos desenvolvidos, criados e construidos pelas instâncias comerciais no/do capitalismo tardio.</p>
<p>A criação de dispositivos a partir de sucata, a partir de objetos convencionais, do dia a dia, postos em interação com dispositivos computacionais também constituem processos de ensino e aprendizagem não convencionais que abrem múltiplas possibilidades de expressão e formação. Nesses casos lança-se mão do uso de arduinos , de hardwares livres, do hackeamento  de equipamentos, mas sobretudo das demandas de ordem subjetiva vivenciadas pela comunidade onde se desenvolve a ação.</p>
<p>Nesse sentido, uma das ações mais relevantes é o projeto Mimosa (Máquina de Intervenção Urbana e Correção Informacional) – aplicada numa dos ciclos do Coque Livre. Consiste em oficinas de mídia e mobilização através das quais se realiza a montagem de um estúdio portátil móvel de gravação, produção e veiculação de mídias – geralmente montado em um carrinho de super-mercado – ou qualquer outra base, desde que móvel. Diversas Mimosas já foram criadas em diferentes projetos de inclusão digital na linha que vem sendo aqui exposta. Ao longo de seu processo de construção, explicam-se, aos integrantes da comunidade que participam do processo, equações de primeiro grau, elementos básicos de programação computacional, do funcionamento e montagem de placas de circuitos elétricos, de elementos básicos de eletrônica ao mesmo tempo em que se procura identificar os relatos que os integrantes da oficina gostariam de gravar, provocar, veicular. A experiência dessas oficinas revela um profundo processo de reconhecimento e construção identitária para além do que a lógica utilitarista dos &#8216;tradicionais&#8217; programas de inclusão digital permite alcançar. É interessante observar ainda que o nome e a construção da Mimosa incorpora algo mais: o humor, o carinho, o afeto são elementos tão sólidos e necessários quanto as placas de circuito que permitem a mobilidade da máquina que grava e reproduz relatos, reivindicações, histórias, vivências, experiências.</p>
<p>A principal inspiração fornecida pelas ações coletivas com tecnologias livres trouxeram para o âmbito das oficinas nos Ciclos do Coque Livre é que os agenciamentos sócio-técnicos atuais não precisam ser de um único modo – ou em uma única direção, utilitarista –, aquele em que, aliás, o “processo industrial do grande degrada mais as reservas humanas e materiais do que ele próprio pode criar ou regenerar”, (SLÖTERDJIK, 1999, p. 78)</p>
<p>O que a teorização deleuziana permite observar é que o que muda substancialmente não são as ligações com os objetos técnicos, mas antes a consciência dessas ligações e os modos não industriais e não comerciais que elas podem tomar. Estas passam necessariamente pelas artes do fazer cotidiano, pelos afetos, pelas manipulações singulares de instrumentos e dispositivos, pelas experiências que se abrem a subversões do aparato tecno-midiático instituído, pelas possibilidades reais de se criar um espaço-tempo de subversão das práticas e teorias sobre tecnologia e cultura.</p>
<p>O que a teorização de Simondon, retomada por Deleuze, aponta é uma sucessão de estados metaestáveis em que o objeto técnico nessa perspectiva é pensado e transformado, apropriado e re-significado por práticas artesãs. É uma realidade em fluxo, nômade, de busca do objeto técnico, de busca pela apreensão e apropriação do objeto técnico e que permite que a operação tecnológica seja separada do modelo de trabalho estanque, passando a se sujeitar a operações de deformação, a operações que se aproximam mais de uma modulação do que de uma moldagem.</p>
<p>Nas oficinas realizadas no Coque Livre procurou-se operar sobre/nessa zona obscura da individuação dos objetos técnicos, abandonando a divisão estanque entre a essência da coisa e a coisa formada. As formas pelas quais essa zona obscura da individuação é iluminada permitem a criação de condições estruturais e conceituais para a produção, circulação, apropriação e usufruto de conhecimento, informação e cultura fora das hostes comerciais.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Referências até aqui.</strong></p>
<p style="text-align: left;">TORVALDS, Linux. e DIAMOND, David. <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=559929&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">Só por prazer. Linux: bastidores de sua criação.</a> Rio de Janeiro: Editora Campus, 2001.</p>
<p>GORZ, André. <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=7005615&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">O Imaterial: Conhecimento, Valor e Capital</a>.  Annablume, 2005.</p>
<p>SLÖTERDIJK, Peter . <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/resenha/resenha.asp?nitem=201393&amp;sid=1961782051423576036276618" target="_blank">No mesmo barco. Ensaio sobre a hiperpolítica</a>. São Paulo: Editora Estação Liberdade, 1999.</p>
<p>SIMONDON, G. L&#8217;individu et sa genèse physico-biologique, Paris: PUF, 1964.</p>
<p>___________. L&#8217;individuation psychique et collective, Paris: Aubier, 1989a.</p>
<p>___________. Du mode d&#8217;existence des objets techniques, Paris: Aubier, 1989b.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><strong>Nos próximos dias vou postando o restante do relatório.  O próximo ponto é a análise dos ciclos. </strong></p>
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		<title>Igreja católica, comunicação pública e o cansaço da política</title>
		<link>http://www.locoporti.blog.br/igreja-catolica-comunicacao-publica-e-o-cansaco-da-politica/</link>
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		<pubDate>Fri, 14 Oct 2011 15:50:31 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Commons]]></category>
		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
		<category><![CDATA[Políticos brasileiros]]></category>
		<category><![CDATA[Sociologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Recebi o texto abaixo numa das listas de discussão que assino. Na caixa de comentários eu comento o que acho dele&#8230;
O que mais quer a igreja católica?
Dioclécio Luz, no Observatório de Imprensa

A igreja católica não quer abrir mão do espaço que conseguiu na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). No início de 2011, depois de prorrogar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Recebi o texto abaixo numa das listas de discussão que assino. Na caixa de comentários eu comento o que acho dele&#8230;</p>
<h1>O que mais quer a igreja católica?</h1>
<p style="text-align: right;"><strong>Dioclécio Luz, no <a href="http://www.observatoriodaimprensa.com.br/news/view/-o-que-mais-quer-a-igreja-catolica" target="_blank">Observatório de Imprensa</a></strong></p>
<p><em><a href="http://27.media.tumblr.com/tumblr_l5rn2bqrFC1qz9v0to1_400.jpg"><img class="alignright" src="http://27.media.tumblr.com/tumblr_l5rn2bqrFC1qz9v0to1_400.jpg" alt="" width="305" height="500" /></a></em></p>
<p><em>A igreja católica não quer abrir mão do espaço que conseguiu na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). No início de 2011, depois de prorrogar por um ano seu posicionamento, o Conselho da EBC decidiu que os programas religiosos – cultos e missas – deveriam sair da grade de programação da TV Brasil. Para chegar a isso, a EBC colocou o tema em consulta pública. Por fim, decidiu que os programas das igrejas tinham um prazo para sair do ar – setembro de 2011 – e seriam substituídos por programas educativos que tratassem do fenômeno religioso. É o lógico, é o correto, é o decente.</em></p>
<p><em>Mas, quando estava prestes a cair o prazo para a igreja abandonar o lugar que não lhe pertence, ela apelou para o “tapetão”, a Justiça. E achou um juiz que manteve os privilégios.</em></p>
<p><em>Não me espanta que a igreja católica tenha feito isso. Acharia estranho se ela – democraticamente – acatasse a decisão. Por quê? Porque estamos tratando de uma religião acostumada a mandar, dar ordens, determinar como o mundo girar e, naturalmente, ter poder acima de todos os outros poderes. A igreja se acha o deus que ela inventou. E para deixar bem claro quem manda, coloca o crucifixo (seu símbolo) no plenário da Câmara dos Deputados, no Senado, no Supremo Tribunal Federal, nas várias Assembleias Legislativas. Inaugurada em 2010, a Câmara Distrital do Distrito Federal ostenta no plenário um grande crucifixo. Sobre a mesa, aberta, a Bíblia alerta sobre quem manda ali. O cristianismo – católico ou evangélico – não abre mão do poder.</em></p>
<p><em>A igreja católica entrou na justiça contra a EBC porque ela sempre mandou neste país – em todos os poderes – e não admite deixar esse poder. É claro que, do ponto de vista da moral, não há sustentação para ela permanecer ocupando esse espaço público. Mas desde quando a igreja tem pudores com relação à usurpação de espaços públicos?</em></p>
<p><strong><em>A Constituição proíbe, mas&#8230;</em></strong></p>
<p><em>Vide o que ocorre em todas as cidades do Brasil. A igreja sempre pegou os melhores terrenos para construir seus templos, suas catedrais, suas casas paroquiais etc. Isso não é coisa do passado. O caso de Brasília é emblemático. Ao buscar um terreno para instalar a Universidade de Brasília, Darcy Riberio descobriu que a melhor área já tinha dono: a igreja católica. Em seu livro Confissões, ele relata como teve que ir ao Vaticano para negociar com o papa o terreno.</em></p>
<p><em>Como a igreja conseguiu um terreno numa cidade que mal tinha sido inaugurada? Ela comprou esse terreno? Claro que não. Do mesmo modo, não veio um centavo do Banco do Vaticano para comprar o terreno e construir a catedral de Brasília, na Esplanada dos Ministérios. É a única religião instalada na Esplanada dos Ministérios. Como ela conseguiu pegar esse terreno público em área nobre, destinada somente aos ministérios? Ora, porque sempre foi poder.</em></p>
<p><em>Hoje, quando a catedral precisa de reforma ou de ampliação de suas instalações, são empregados recursos públicos. Para construção do batistério, por exemplo, ela recebeu R$ 1 milhão. Na verdade, essa coisa de receber dinheiro público para reconstrução de igrejas “seria” ilegal, mas como elas (essas igrejas velhas) recebem a tipificação de “patrimônio histórico”, sempre têm dinheiro público para sua reconstrução. Isso está em lei. Ou melhor, no acordo assinado pelo governo brasileiro com a Santa Sé – a gente reconstrói as igrejas deles. A Constituição proíbe, mas como se trata da igreja católica&#8230; Ou a sociedade aceitaria o investimento de recursos públicos num templo da Igreja Universal?</em></p>
<p><strong><em>Revelações do passado</em></strong></p>
<p><em><a href="http://29.media.tumblr.com/tumblr_l6yb7e0Fb01qz9v0to1_500.jpg"><img class="alignright" src="http://29.media.tumblr.com/tumblr_l6yb7e0Fb01qz9v0to1_500.jpg" alt="" width="402" height="568" /></a>Esse tipo de coisa acontece em todo Brasil. No Rio de Janeiro, por exemplo, as pessoas acham normal ter uma imensa imagem católica (o Cristo) num espaço público, construído com recursos públicos, mas sob o comando da igreja. Ela fatura para “administrar” essa imagem. Em determinadas regiões, como no Nordeste, a força da igreja é tal que metade dos terrenos de alguns municípios lhe pertence. Sem contar o seu esforço de continuar dominando o povo pobre com milagres e mistificações. O melhor exemplo, no caso, é Juazeiro do Norte (CE), onde se estimula o sofrimento como forma de moeda de troca do deus criado pela igreja católica e se reconstrói a imagem de Padre Cícero, como santo, e agora – acredite-se – até como “ecologista”.</em></p>
<p><em>Acontece que, ao entrar com a ação na Justiça contra a EBC, a igreja católica não percebeu que o mundo mudou. Acostumada a mandar e a não receber críticas, agora ela está recebendo um monte delas. Pior, seu passado está sendo revelado. Pior ainda, revelou novamente sua ambição por mais poder e riqueza.</em></p>
<p><em>Consta que a ação pela manutenção dos programas foi apresentada pela arquidiocese do Rio de Janeiro na 15ª Vara de Brasília. Na ação, a igreja diz que houve “discriminação religiosa”. Se fosse sincera deveria dizer: “Olha, estamos acostumados a mandar no Brasil, por que vocês não obedecem?” Ou então: “Queremos manter esse espaço porque sempre ocupamos espaços públicos e ninguém nunca reclamou”.</em></p>
<p><em>Ações como essa da igreja têm a ver com a sua decadência. O número de católicos caiu quase 20% nos últimos 10 anos; falta quem queira ser padre. Tudo isso tem a ver com a sua imagem (manchada com as acusações de pedofilia acobertadas pelo papa); a falibilidade da retórica cristã sustentada por dogmas e imposições (que não convencem ninguém); revelações do seu passado de (muita) lama e sangue, incluindo matança de não-cristãos, de mulheres (somente por serem mulheres) e até relações com Hitler e Mussolini.</em></p>
<p><strong><em>Não é preciso ser ateu</em></strong></p>
<p><em>A doutrina ou moral católica é uma questão central nesse debate. Porque, afinal, o que a igreja quer é o direito de usar um espaço público – rádio e TV – para difundir que a mulher não vale nada; que homossexualidade é doença; que a camisinha não deve ser usada “porque não garante sexo seguro”; que o homem veio da mulher; que o sofrimento é bom; que somos todos pecadores; que o casamento deve ser eterno. O mais espetacular é que quem prega tudo isso são pessoas a quem foi proibido namorar, transar, casar, ter filhos, formar família. Bem, caiu a ficha: muita gente descobriu o óbvio: essa pessoa não tem condições de dar conselhos sobre família, filhos, sexo, moral.</em></p>
<p><em>Vejamos a questão política. Inventou-se na América Latina a tal Teologia da Libertação. A doutrina não mudou uma linha, apenas incorporou o pobre em seus discursos. Entenda-se o processo: ela não abandonou sua relação com o poder, com os ricos; somente acrescentou os pobres. Fez-se uma releitura dos ensinamentos bíblicos e se descobriu que Jesus era esquerdista e revolucionário. Surge a igreja progressista. Como se por acaso essa doutrina e essa hierarquia tivessem algo de socialista ou democrático.</em></p>
<p><em>No bojo disso tudo, para suprir a carência de religião do revolucionário de esquerda, dá-se um nó no marxismo e inventa-se o marxista cristão, o marxista transgênico. Desse modo todos ficam felizes: não é preciso ser ateu para ser marxista; o cristianismo aceita. No túmulo, Marx se revolve com esta invenção moderna da igreja. Patologia tupiniquim. Freud já explicou essa carência que faz com que o militante não consiga viver sem pedir a benção aos padres.</em></p>
<p><strong><em>Morte anunciada</em></strong></p>
<p><em>A igreja tem poder sobre os espaços públicos, mas também atua na educação (é dona das escolas mais ricas) e, principalmente, na comunicação. Embora se apresente como aliada do movimento pelo direito à comunicação (tem gente que acredita nisso), a igreja católica (progressista? direitista?) é “dona” de 46 emissoras de televisão, tem 863 retransmissoras e nove grupos filiados. Essa igreja católica dos padres de direita e dos “progressistas” possui 133 emissoras de rádio. Alguns programas ela consegue retransmitir por mais de mil emissoras. (Fonte: www.donosdamidia.com.br).</em></p>
<p><em>Por que essa igreja não se satisfaz com o que tem? Rica em finanças, dona de escolas, terras, emissoras de rádio e TV, ela ainda quer mais. Qual o limite para a ambição da igreja católica? A resposta é: a igreja tem um projeto de poder eterno e para conseguir isso ela precisa sempre e sempre juntar mais e mais poder. Este seu projeto não aceitaria jamais abrir mão de um espaço na TV e no rádio, mesmo que seja moralmente indefensável. Mesmo sabendo que se encontra em processo de extinção – ou talvez por isso mesmo. É o seu jeito de evitar a morte anunciada.</em></p>
<p><em>***</em></p>
<p><em>[Dioclécio Luz é jornalista, mestre em Comunicação pela UnB, autor de A arte de pensar e fazer rádios comunitárias]<br />
</em></p>
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		<title>Unico filme copyleft do Festival de Cinema de Brasília recebe prêmio</title>
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		<pubDate>Tue, 04 Oct 2011 19:39:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Comunicação]]></category>
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		<description><![CDATA[Thiago Novaes, na Lista Submidialogia
Nesta segunda &#8211; 03.10.11 o coletivo CMI-DF recebeu prêmio de R$ 35 mil no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com o filme Sagrada Terra Especulada.
Narrado pelo rapper GOG, é um grito contra a especulação imobiliária e pelo respeito à diversidade. Trata da luta entre a permanência do Santuário Sagrado dos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><strong>Thiago Novaes, na Lista Submidialogia</strong></p>
<p><em>Nesta segunda &#8211; 03.10.11 o coletivo CMI-DF recebeu prêmio de R$ 35 mil no Festival de Brasília do Cinema Brasileiro, com o filme Sagrada Terra Especulada.</em></p>
<p><em>Narrado pelo rapper GOG, é um grito contra a especulação imobiliária e pelo respeito à diversidade. Trata da luta entre a permanência do Santuário Sagrado dos Pajés que é uma comunidade indígena Fulni-ô, localizada no plano-piloto de Brasília, e a construção do bairro Noroeste, destinado à classe alta do Distrito Federal.</em> <em></em></p>
<p><em>Único filme copyleft do Festival, o documentário não recebeu qualquer tipo</em> <em> de patrocínio e foi realizado de maneira voluntária e coletiva.</em></p>
<p><em>Baixe, Assista, exiba, distribua livremente &#8211; </em> <em><a href="http://vimeo.com/28597529" target="_blank">http://vimeo.com/28597529</a></em></p>
<p><em>Neste momento o Santuário e matas nativa de cerrado são atacados ilegalmente por tratores da construtora EMPLAVI. O filme serve como arma a favor da população indígena e de rua contra os novos e constantes ataques.</em> <em></em></p>
<p><em>Em tempo, este prêmio é uma resposta a cada bola de borracha, bomba de gás, pra cada transmissor de rádio livre roubado pelo Rei,pra cada noite na delegacia.Esse prêmio vai pra cada indígena, moradora de rua, sem-terra</em> <em><br />
assassinad@s ontem, hoje e amanhã. Ao cerrado sua fauna e flora, a quem dá vida aos movimentos sociais,todas as heroínas e heróis anônim@s, a quem se apropria da tecnologia como forma de libertação e&#8230;especialmente, do<br />
fundo do coração pra cada voluntári@ que dedicou seu tempo e sonhos à REDE IndYmedia ! Som@s tod@s ! Venceremos ! ((( I )))</em></p>
<p><em>wiki do santuário:</em> <em><a href="http://radius.tachanka.org/santuariodospajes/" target="_blank">http://radius.tachanka.org/santuariodospajes/</a></em></p>
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		<title>Sobre o momento digital</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Sep 2011 17:30:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Luiz Carlos Pinto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Metareciclagem]]></category>
		<category><![CDATA[Política]]></category>
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Rodrigo Savazoni, na Revista Zona Digital




O teórico do ciberespaço Howard Rheingold afirma em seu livro Smart  Mobs (Multidões inteligentes), ainda não traduzido para o português,  que, do ponto de vista tecnológico, nosso mundo vem se transformando não  pela ação dos líderes industriais estabelecidos (como já ocorrera com o  surgimento da internet [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><a href="http://29.media.tumblr.com/tumblr_lr370fa5if1qz6f9yo1_500.jpg"><img class="alignnone" src="http://29.media.tumblr.com/tumblr_lr370fa5if1qz6f9yo1_500.jpg" alt="" width="499" height="368" /></a></p>
<p style="text-align: right;">Rodrigo Savazoni, na <a href="http://zonadigital.pacc.ufrj.br/reflexoes-criticas/sobre-o-momento-digital/" target="_blank">Revista Zona Digital</a></p>
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<p><em>O teórico do ciberespaço Howard Rheingold afirma em seu livro Smart  Mobs (Multidões inteligentes), ainda não traduzido para o português,  que, do ponto de vista tecnológico, nosso mundo vem se transformando não  pela ação dos líderes industriais estabelecidos (como já ocorrera com o  surgimento da internet e dos computadores pessoais), mas pela força de  “pequenos grupos de jovens empreendedores e de associações de  aficcionados”. Aliás, Rheingold, nessa passagem, reforça: “sobretudo por  meio de associações de aficcionados”.</em></p>
<p><em>Também não é por meio dos líderes estabelecidos e das forças  tradicionais que a política se reinventa e se reforça, mas sim pela ação  de grupo de “jovens realizadores”, cujo objetivo é a construção de  novos territórios para as causas comuns. No Brasil, são justamente esses  “jovens realizadores”, ativistas conectados à internet, os arquitetos  dos movimentos sociais do século 21. Por meio de projetos democráticos e  métodos provocativos, esses agrupamentos contemporâneos estão  confrontando forças estabelecidas de nossa sociedade e já fazem algum  barulho.</em></p>
<p><em>Uma característica (1) desse movimento é que ele provém de  articulações cuja origem não está nas estruturas partidárias, sindicais  ou mesmo nos movimentos sociais  surgidos nas três décadas anteriores  (como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST – ou mesmo as  grandes associações de lutas por direitos humanos e sociais – como  Ibase ou Ação Educativa, para ficar em apenas dois exemplos). São, acima  de tudo, forças articuladas em rede, com forte influência do uso das  novas tecnologias de informação e comunicação, que nem sequer podem ser  chamadas de “organizações”.</em></p>
<p><em>Outro aspecto importante (2) é que são grupos que não se prendem a  filiações ideológicas rígidas. Sua marca é a ação. São ideólogos da  prática. Pode-se tentar compreendê-los buscando referências na esquerda  libertária, de onde provém muitos dos princípios dessas articulações,  mas boa parte de seus participantes não se furta a saquear métodos e  símbolos extraídos da cultura corporativa. Há uma forte conexão com o  altermundismo, o movimento por uma outra globalização que se espraiou no  final dos anos 1990 e no início da primeira década do século 21, tendo  nos Dias de Ação Global e no Fórum Social Mundial seus grandes momentos  de reunião e expressão,  mas somente essa filiação não explica o que  está ocorrendo.</em></p>
<p><em>Se aproximarmos nossa lupa, cresce a imagem da cultura digital, que,  conforme nos explica o professor André Lemos, da Universidade Federal da  Bahia, se forja a partir do surgimento da internet e da popularização  da microinformática, processos iniciados no final dos anos de 1970. Essa  cultura ganha impulso adicional e assume sua forma mais visível com a  aparição da web, nos anos 1990. Trata-se de uma cultura baseada na  recombinação e na colaboração que se alastrou pelo planeta e produziu um  curto-circuito no comportamento, na economia, nas artes, na mídia e,  evidentemente, na política.</em></p>
<p><em>A percepção dessas transformações, com a massificação das  tecnologias, só faz crescer. Com suas ferramentas digitais, esses  “jovens realizadores” não só descrevem a realidade, mas acima de tudo  transformam-na. Técnica e política, neste debate, jamais podem ser  observadas em separado.</em></p>
<p><em>Por fim (3), outra característica da articulação desses “jovens  realizadores” tecnológicos é a busca pela radicalização da política e da  democracia, que vêm sendo paulatinamente aprisionadas pelos interesses  econômicos e pela vacilações do representantes políticos tradicionais.  Portanto, não se trata de um movimento de negação da política, mas de  confrontação das estruturas e dos representantes desse mundo caduco.</em></p>
<p><em><strong>Expoentes da transformação em curso</strong></em></p>
<p><em>Destaco três redes como aquelas que são os expoentes do que descrevi  acima. A rede Transparência Hacker, a rede Metareciclagem e a rede Fora  do Eixo. Na sequencia, faço uma rápida descrição das três, para que  posteriormente possamos avançar no debate.</em></p>
<p><em>A Transparência Hacker (1) é uma comunidade formada por ativistas,  jornalistas, programadores e gestores públicos que conta com cerca de  800 membros em sua lista de discussão[1]. Essa rede conta com apoio do  escritório brasileiro do W3C, a instituição criada por Tim Berners Lee  para manter a world wide web (www) aberta e livre.</em></p>
<p><em>De acordo com Daniela Silva, da Esfera e da Casa da Cultura Digital,  uma das principais articuladoras da rede, não existem regras prévias  para participar da #THacker, mas sugere que a “colaboração, liberdade,  autonomia, ética hacker, abertura para formas novas de agir e de pensar  sobre o mundo, valores políticos emergentes e mutáveis (ou mutantes) e  um certo gostinho pela provocação” são as principais características do  movimento. Como está escrito na página do coletivo na internet,  interessam “ideias e projetos que utilizem a tecnologia para fins de  interesse da sociedade” e sua vocação específica é exigir a abertura dos  dados governamentais. Ou seja, os ativistas querem que o estado, na era  da informação, compartilhe com os cidadãos suas informações, o que por  si só se constitui em uma forma de compartilhar poder.</em></p>
<p><em>A rede Metareciclagem (2) é pioneira desse movimento, tendo surgido  no contexto do Fórum Social Mundial. Sua lista, que pode ser acessada  por meio do site http://www.metareciclagem.org está ativa há oito anos.  De acordo com Felipe Fonseca, um dos articuladores desse coletivo, “a  metareciclagem é mais um foco de potência de ação política – porque as  pessoas trocam entre si – do que uma instância política autônoma, que  tenha uma coerência”. No início da política pública dos Pontos de  Cultura, muitos dos ativistas desse coletivo trabalharam na elaboração  do que viria a constituir os Kits Multimídia e a ação cultura digital,  cujo objetivo é promover a criação tecnológica utilizando ferramentas  livres. Fonseca é autor do livro Laboratórios do Pós-Digital, disponível  para download no endereço  http://efeefe.no-ip.org/livro/laboratorios-pos-digital, no qual  apresenta muitas das questões centrais da reflexão da Metareciclagem.</em></p>
<p><em>O (3) Fora do Eixo (www.foradoeixo.org.br), por sua vez, é uma rede  de coletivos de produção cultural que está presente em todos os estados  do Brasil. Iniciada em 2005, por meio de uma parceria entre produtores  das cidades de Cuiabá (MT), Rio Branco (AC), Uberlândia (MG) e Londrina  (PR), a rede foi crescendo e hoje é tida como a principal força  político-cultural surgida no país nos últimos anos. Somente no ano  passado, mais de 5 mil bandas circularam por meio das ações dos  coletivos que integram essa rede. A partir das articulações por eles  lideradas, foram promovidas ações como a criação da Associação  Brasileira de Festivais Independentes (Abrafin)[2], e a criação do  Partido da Cultura[3], que vem buscando interlocução com a classe  política tradicional sobre questões de interesse das novas gerações, e  as Marchas da Liberdade[4], movimento que este ano levou às ruas de  várias cidades militantes em defesa das liberdades. Entre as inúmeras  inovações introduzidas por esse coletivo de coletivos, está a de  utilizar a economia solidária para construir relações sociais  diferenciadas entre sua rede de produtores e ativistas.</em></p>
<p><em><strong>Política Tropicalista</strong></em></p>
<p><em>Descritos os exemplos que nos interessam, podemos prosseguir.</em></p>
<p><em>Durante os oito anos de governo Lula, esses “jovens realizadores”,  adeptos de novas formas de fazer política, foram co-gestores de  políticas públicas. Isso ocorreu especialmente no Ministério da Cultura,  instituição que se apresentou como importante indutor do crescimento  dos coletivos, dando a eles o reconhecimento institucional que, em  geral, articulações de perfil libertário não recebem.</em></p>
<p><em>Essa configuração, porém, não foi especificidade da Cultura, posto  que o diálogo entre os ativistas e o governo federal daqueles tempos  propiciou: 1. as ações em defesa do software livre (que é a matriz  ideológica de boa parte dos movimentos políticos e sociais em rede); 2.  as políticas públicas em favor do compartilhamento do conhecimento, como  o programa Cultura Viva (dos Pontos de Cultura), a defesa da reforma da  Lei de Direitos Autorais (LDA), além de um conjunto de iniciativas mais  pontuais, como o diálogo com a blogosfera, os Pontos de Mídia Livre e a  rede CulturaDigital.Br; 3. a proposição de um Marco Civil de direitos  dos cidadãos digitais pelo Ministério da Justiça, legislação elaborada  de forma aberta e compartilhada (veja o site  www.culturadigital.br/marcocivil).</em></p>
<p><em>Conforme afirma Hermano Vianna, em Políticas da Tropicália:</em></p>
<p><em>“Talvez os softwares livres do ministro Gilberto Gil criem um  ciberespaço onde o espírito tropicalista se reproduza em inteligências  artificiais e virtuais, na periferia de um novo império americano que o  rock amado com tanto custo por determinados jovens baianos dos anos 60  nem sequer podia imaginar”.</em></p>
<p><em>Hermano utiliza neste texto, escrito há alguns anos, a expressão  “talvez”, porque sabia que a reação de setores privilegiados pelas  políticas de estado não tardaria a ocorrer.  Atualmente, essa delicada  relação entre os “novos agentes” e o governo popular” está escorrendo  pelos dedos. O portal rumo ao desconhecido que se abriu durante o  governo Lula, a nova gestão do Ministério da Cultura de Dilma Rousseff –  e sua mudança de orientação – fechou. Com Luiz Inácio Lula da Silva e  Gilberto Gil havia-se aberto um trilha de transformações profundas, no  plano da existência e dos símbolos, que abalou estruturas. Aqueles que  sempre foram privilegiados e entre 2003 e 2010 foram confrontados  reagiram, organizando um movimento de reconquista que conta com a  aderência de parte da esquerda tradicional.</em></p>
<p><em>O recorte tropicalista das políticas culturais, com sua opção de  fomento das dissidências e estímulo às bordas do sistema (ou mesmo por  aqueles que só se divisa a partir de dobras) – que é, conforme a citação  de Rheingold no início deste texto, onde a inovação reside, o caldo da  transformação entorna e a vida parece poder superar o capital –  tornou-se contraditoriamente foco da ira dessa estranha aliança entre  setores da esquerda e do empresariado da comunicação e da cultura. Esse  movimento – é bom lembrar – não é privilégio do Brasil, mas sim uma  reação global[5] à cultura digital.</em></p>
<p><em><strong>Em busca de uma democracia biopolítica</strong></em></p>
<p><em>É preciso mais uma vez reforçar: a essência dos movimentos da cultura  digital provém do software livre. No início dos anos 1980, um grupo de  engenheiros liderados por Richard Stallman criou a Free Software  Foundation (FSF), organização com o objetivo de defender a colaboração e  o compartilhamento quando os softwares começavam a se tornar  instrumentos de enorme ganho financeiro. Para maximizar seus  vencimentos, as empresas de tecnologia começaram a adotar patentes e  mecanismos de proteção de propriedade intelectual, contrariando assim a  essência do desenvolvimento científico, que é baseado na evolução a  partir do conhecimento acumulado.</em></p>
<p><em>Para “amarrar” a liberdade de compartilhar ao modelo de  licenciamento, a FSF criou um modelo alternativo (a licença GPL), que  passou a ser utilizada pelos desenvolvedores no mundo todo. Essa ação,  aparentemente técnica, embutia um confronto político que cresceria desde  então: o da luta contra a propriedade na era do conhecimento.</em></p>
<p><em>É justamente essa visão de superação da propriedade privada que  constitui o diferencial do movimento de cultura digital[6]. Era essa  visão que estava a nortear as políticas públicas desenvolvidas durante o  governo Lula. Uma construção que poderia apontar para  uma democracia  biopolítica, nos termos que propõe Peter Pál Pelbart, com base nos  escritos de Deleuze, Foucault, Negri, Lazzaratto, Agamben, entre tantos  outros pensadores contemporâneos que atualizam nossa compreensão do  mundo.</em></p>
<p><em>Peço licença para uma citação do livro Vida Capital, de Peter Pál Pelbart:</em></p>
<p><em>“Podemos retomar nosso leitmotiv: todos e qualquer um, e não apenas  os trabalhadores inseridos em uma relação assalariada, detêm a  força-invenção, cada cérebro-corpo é fonte de valor, cada parte da rede  pode se tornar vetor de valorização e de autovalorização. Assim, o que  vem à tona, com cada vez maior clareza é a biopotência do coletivo, a  riqueza biopolítica da multidão. É esse corpo vital coletivo  reconfigurado pela economia imaterial das últimas décadas que, nos seus  poderes de afetar e ser afetado e de constituir para si uma  comunialidade expansiva, desenha as possibilidade de uma democracia  biopolítica”.</em></p>
<p><em>Essa capacidade de reinventar o viver, que está na essência do  confronto biopolítico, vejo explícita em dissidentes como o  Transparência Hacker, o Metareciclagem e o Fora do Eixo. Como são  projetos distintos, de formação distinta, ainda que com muitos pontos de  conexão, evidentemente que não caberia analisá-los por igual, mas se há  algo que é comum a todos eles é o permitir novas “formas de viver”,  constituindo-se como agentes  fundamentais no processo de construção  dessa “democracia biopolítica”. Daí que, se estamos falando de políticas  de esquerda, estimulá-los é uma obrigação.</em></p>
<p><em>Fato é, portanto, que algumas questões só poderão ser respondidas se  compreendermos que a inovação cultural passa por esses “jovens  realizadores”. Mais que de uma investigação aprofundada sobre o papel  desses coletivos – algo extremamente necessário[7] – temos necessidade  de políticas que os fomente e fortaleça. Era isso que vinha ocorrendo no  governo Lula e que com Dilma parece ter perdido o passo[8]. A  presidente parece não ter percebido que o investimento nos “jovens  realizadores” pode ser o diferencial do Brasil.</em></p>
<p><em>Para discutir essas questões, as redes e coletivos estarão presencialmente em contato na<a href="http://www.culturadigital.org.br/" target="_blank"> terceira edição</a> do Festival CulturaDigital.Br (que no início foi chamado de Fórum da  Cultura Digital Brasileira). O evento será realizado entre os dias 2 e 4  de dezembro, no Rio de Janeiro, no Museu de Arte Moderna e no Odeon,  com patrocínio da Petrobras e apoio da Secretaria Estadual de Cultura.  Quando ainda se chamava Fórum, esse evento, que acima de tudo é um  processo de construção política, por meio do diálogo em rede, foi  realizado a partir de uma articulação da sociedade civil organizada e o  Ministério da Cultura. Seu objetivo inicial era ser um espaço de  elaboração colaborativa de políticas culturais para o Século 21, o  século das redes, da informação, da produção pós-industrial.</em></p>
<p><em>Atualmente, o Festival CulturaDigital.Br almeja ser um espaço de  encontro dos novos realizadores, produtores e ativistas que operam na  intersecção entre cultura, política e tecnologia, promovendo inovações. A  edição passada foi uma grande arena de contatos e encontros que vêm  reverberando desde então. Este é o momento digital.</em></p>
<p><em>[1] https://groups.google.com/group/thackday?hl=pt</em></p>
<p><em>[2] http://www.abrafin.com.br/</em></p>
<p><em>[3] http://partidodacultura.blogspot.com/</em></p>
<p><em>[4] http://www.marchadaliberdade.org/</em></p>
<p><em>[5] Na Espanha, a lei Sinde-Zapatero permite desconectar internautas  que “violem” direitos autorais; na França, a lei Hadopi abriu caminho  para criminalizar quem compartilha músicas, na Inglaterra, diante dos  protestos dos jovens, que se articulam em redes, o premiê propõe a  desconexão, no Egito, na Tunísia, na Líbia, em todo o norte da África,  computadores (re)agem…</em></p>
<p><em>[6] Para não ser acusado de tecnoutópico, registro que o capital se  propaga com força por meio das redes, e que a colonização da vida por  meio das tecnologias ocorre. No entanto, o fito desta nota é justamente  demonstrar que não existe resistência e superação ao capital fora desse  combate no plano das subjetividades.</em></p>
<p><em>[7] Vale destacar a tese de doutoramento de Hernani Dimantas, na  Universidade de São Paulo, sobre o Metareciclagem, trabalho executado  por um pesquisador que é também um dos mais importantes articuladores  dessa rede.</em></p>
<p><em>[8] O recente artigo do Ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio  Mercadante, “As Razões do Diálogo com os Hackers” parece apontar para  uma nova abertura governamental para políticas de fomento às  dissidências: http://www.trezentos.blog.br/?p=6224</em></p>
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