Archive for the 'Tecnologia & Sociedade' category

Encontrei no ótimo Accelerating Future. Acho sensacional. Grande mérito em resumir a linha mestra da obra de Huxley e Orwell e mostrar como elas são atuais. É claro que o poder de representação nesse caso está vinculado de forma orgânica ao poder das obras dos dois autores. De qualquer forma é um bom exemplo do poder de comunicação e crítica que um pouco de sensibildiade e erudição podem trazer para as artes gráficas.

Não conhecia Stuart McMillen. Vou procurar saber mais e na mediade do possíuvel colocar alguma coisa dele por aqui.

Tese entregue, veja como foi:

Luiz Carlos Pinto | 8 de agosto de 2010 22:10

E assim se formalizou no dia 30 de julho a entrega, aprovação e recomendações do trabalho chamado tese “Ações coletivas com mídias livres: uma interepreção gramsciana de seu programa político”, defendida no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE.

O que é necessário dizer é que foi um debate de alto nível. Não somente educado e respeitoso com o meu esforço, mas sobretudo interessado em que o resultado desse trabalho ficasse melhor. E acho que foi isso que aconteceu. A tese saiu melho do que entrou naquela sala do 12 andar do PPGS. No geral as críticas se concentraram no seguintes aspectos.

O primeiro, mencionado por todos os arguidores, é sobre os capítulos 1 e 2, considerados densos demais, criptografados, cifrados, de difícil entendimento. Para Silke Weber, ininteligíveis. Para Sérgio Amadeu, desnecessários. Acho essas duas considerações exageradas. Nem os capítulos são ininteligíveis nem desnecessários. Ambos precisam de uma retrabalhada para se tornarem mais palatáveis. Mas nem por isso é possível descartar o debate que eles trazem: o tamanho do problema de fundo sobre o qual acontecem as ações coletivas com mídias livres e que está relacionado à economia política dos bens imateriais no capitalismo tardio.

Outro problema visto pelos arguidores (em especial Jonatas Ferreira) é com relação à minha interpretação do caráter romântico de uma linha das ações coletivas com mídias livres – entendida por mim como mais impotente. O aspecto romântico estaria ligado a sua busca pela fuga, pela negação pura e simples de instâncias mais institucionalizadas da produção de saberes e da gestão do poder. A crítica de Jonatas fi no sentido da necessidade de um uso mais formal e preciso da idéia de romântico.

Outro aspecto muito criticado foi a tentativa de compatibilização do instrumental de análise gramsciano com a filosofia desenvolvida por Deleuze e Guattari (e sua geografia trágica). Nem vou comentar muito isso, pois sabia que esse seria um dos pontos a serem discutidos. A essência desse debate está na ausência da centralidade da classe como principal artífice da agência. Uma das possíveis saídas para esse problema é um investimento na teoria de Laclau. A ver isso mais pra frente. Também fui criticado ao Princípio de Dispersão, principalmente quanto à construção que levou a ele. Essa elaboração não foi explicitada e concordo com isso.

Um outro aspecto criticado (especialmente por Sérgio Amadeu) foi minha interpretação da visão da técnica de Lawrence Lessig. Ainda continuo a pensar que sua forma de ver a técnica e a tecnologia ainda está vinculada àquela ambivalência entre a visão tecnofóbica e a visão tecnofílica e, por isso mesmo, que não se desprende da relação homem-objeto que marca a tradição da filosofia da técnica no mundo ocidental. O que me chamou mais atenção foi terem me chamado de heidgeriano. Mas ainda vou ver com mais atenção isso.

Paulo Cunha criticou a efetividade das ações coletivas com mídias livres e salientou (no que concordo inteiramente) que é preciso estar atento aos limites do “novo” dessas formas de se fazer política. Nesse sentido indicou acertadamente que muitas das experiências das ações coletivas com mídias livres são debitárias das experiências comunitárias das décadas de 1960 e de 1970, no que concordo. Achou que não expus essa genealogia no trabalho.

Volto a dizer (e a celebrar) que a discussão foi de alto nível e isso é um privilégio porque quem estava me argüindo é do mais alto nível também. Alguns deles (Samadeu e Silke) estão de férias, mas mesmo assim fizeram uma leitura atenta de tudo. Silke inclusive substituiu Paulo Marcondes que adoeceu de ultima hora e o fez com o brilho, a gentileza e competência de sempre. Sem falar de Maria Eduarda, minha querida orientadora, que também estava de recesso.

Agora é bola pra frente que atrás vem gente. E lá na frente virão concursos e outras oportunidades.

A tese ta disponível aqui. Faça o download à vontade. Mas cite de onde tirou a informação, ok? Ela me custou caro. É claro que essa ainda é versão sem as modificações solicitadas. Então tenha paciência com os dois capítulos iniciais. E, se puder e tiver interesse, me mande sugestões, críticas, elogios, reclamações na caixa de comentários ou no email lula.pinto@gmail.com.

Aqui estão disponíveis as cópias de minhas leituras (ao menos o que tenho computador). Faça o download à vontade. Mas deixe a casa em pé.

Do site Ganesha.org

No dia 13 de maio de 2010, o Diário Oficial da União (DOU) publicou decreto estabelecendo as diretrizes básicas do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que pretende popularizar o acesso à internet de alta velocidade e, assim, contribuir com a diminuição das desigualdades sociais regionais. A meta do PNBL é, até 2014, estender a cobertura da banda larga – que hoje chega a 12 milhões de domicílios – a 40 milhões de brasileiros.

Trata-se de uma mudança que deve gerar profundas modificações na sociedade, tanto estruturais quanto comportamentais, e essa questão tem estimulado debates em diversas áreas.

Durante a 11ª edição do Fórum Internacional do Software Livre (FISL), que aconteceu de 21 a 24 de julho em Porto Alegre, James Görgen, da Secretaria do Audiovisual (SAV) do Ministério da Cultura (MinC), destacou a intenção do Governo Federal em contar com a participação da sociedade civil e de representantes do mercado na construção do processo desse debate. Para isso, foi instalado, em junho, o Fórum Brasil Conectado, formado por 56 entidades, que será a interface através da qual governo e sociedade civil estabelecerão o diálogo com objetivo de nortear as ações a curto, médio e longo prazo que definirão o PNBL.

“O Plano terá 6 dimensões, que devem prever desde normas, regulação e infraestrutura, até conteúdo e aplicações. Algumas das ações a curto prazo, como a reativação da Telebras e o plano inicial para a instalação da banda larga em 100 cidades do Brasil, já estão em curso. Para médio e longo prazo são previstas ações relacionadas a conteúdo e aplicações”, explicou James, acrescentando que esse é o momento ideal para que as sugestões da sociedade sejam encaminhadas ao Fórum Brasil Conectado.

Show me more… »

A notícia de que o Brasil está entre os dez países que mais acessa redes sociais precisa ser avaliada nas entrelinhas. Os dados do IBOPE, levantados na parceria com a rede de pesquisas WIN, precisariam ser destrinchado melhor para se avaliar se, como suspeito, o uso dessas redes é tutelado. Infelizmente os dados da pesquisa são comercializados e eu deixei a carteira em casa.
De qualquer forma, chama atenção a afirmação de que o Brasil está entre os 10 países que mais acessam redes sociais – ao lado da Índia (primeiro lugar), que vem seguida por Sérvia, Coréia do Sul, Rússia, Espanha, China, Turquia, Romênia e Itália. Pela pesquisa, 87% dos internautas brasileiros acessam redes sociais. A tendência é isso crescer, já que ainda segundo a pesquisa 20% da população pretende entrar no mundo das redes sociais num futuro próximo.  Outrso dados liberados pelo IBOPE:

83% dos usuários brasileiros foram atraídos pelos serviços por razões pessoais. E aqui cabem algumas perguntas, que só poderiam ser respondidas se tivesse mais dados em mãos: que razões? De trabalho, de busca de informação?, procura por canais alternativos de comunicação? diversão? lazer? relacionamento?
33% usam esses serviços por motivos profissionais. Quais motivos exatamente? O facebook é usado nesses casos como ferramenta de trabalho, de busca de informação, é usado como ferramenta institucional? e os outros?
As principais atividades desenvolvidas nas redes sociais, segundo a pesquisa, são ver mensagens/navegar (98%), conversar (76%) e atualizar o próprio perfil (76%). Mas em que condições? Qual o nível do envolvimento pessoal/profissional/afetivo dessas atividades?
Esse trecho eu peguei do site do IBOPE:
A região Nordeste apresenta um índice de uso pessoal das redes sociais (90%) maior do que outras regiões como o Sudeste (85%), por exemplo.  Esta diferença deve-se ao perfil daqueles que acessam a principal rede, o “Orkut”: mulheres, jovens, com menor grau de instrução, de classes CDE e residentes em municípios menores (com menos de 100 mil habitantes) e mais distantes (interior e periferias).  “Este perfil sugere que as redes sociais estão efetivamente cumprindo o papel de inclusão e socialização”, avalia Laure Castelnau, diretora executiva de marketing e novos negócios do IBOPE Inteligência.

Acho que os dados chamam a atenção e novamente afirmo que precisariam ser melhor analisados. Sobretudo para ver se realmente as redes sociais cumprem esse papel de inclusão e de socialização. De cara eu diria que as redes, como ferramentas, não cumprem papel nenhum. São ferramentas. Essas possibilidades de “inclusão” e de “socialização” só acontecem por meio de agenciamentos, de processos e de afetos relacionados a Tecnologias de Informação e Comunicação. O uso do instrumento não garante essa inserção “no mundo”, porque seu uso pode muito bem ser alienado e contribuir ainda mais para a consolidação de estigmas, de ignorância, etc.

Gentileza Fundación OSDE

Expertos de la comunicación, investigadores, periodistas, los cholulos de siempre y algunos figurones inclasificables componían el auditorio que en la sede porteña de la Fundación Osde se disponía a escuchar al sociólogo español Manuel Castells. Entre todos, tal vez haya sido Gustavo Grobocopatel, el hombre estigmatizado con el título de rey de la soja, quien recibía la mayor cantidad de saludos y agradecimientos por su presencia a esta ponencia magistral sobre Comunicación y poder en la sociedad red, un tema con el que viene coqueteando casi tanto como con su banda de folklore que podría llamarse Los Grobo pero se llama Cruz del sur. Sabiamente puntual, el antropólogo Alejandro Grimson, se encargó de subir al pedestal al orador de la noche. Contó rápido que Alain Touraine había sido su mentor y que Castells estaba entre los cinco teóricos sociales más referenciados de los últimos tiempos, a la par de figuras como Habermas, Giddens, Sassen y Beck. Mencionó varias veces a su archiconocida trilogía La era de la información pero dejó claro que Castells llegó a Buenos Aires para presentar su último trabajo, Comunicación y poder, un texto todavía no editado en la Argentina que, según su autor, es el resultado de una investigación que le llevó diez años. De resultado incierto, diría el propio Castells, ya que “tan pronto como se seca la tinta empiezo a cambiar de idea”.

Bien informático, Castells arrancó diciendo que “en las relaciones de poder se encuentra el código fuente de cualquier sociedad”. Y habló de una dialéctica, que no es la materialista en términos marxistas por cierto, pero es la que para él encierra el debate principal sobre estos tiempos. Cien por ciento gramsciano, el sociólogo definió: “Donde hay poder hay contrapoder, donde hay dominación hay resistencia”. Y explicó luego que de esas relaciones surgen compromisos parciales que generan cambios y nuevas normas. Nada nuevo hasta allí. Apenas algo de contexto para aclimatar la dirección de su charla. “El poder es una relación, no se lo toma”, avisó entonces categórico, aunque sobren ejemplos de que una cosa no impida la otra. “Ese poder, esa capacidad relacional se usa para influenciar y defender los valores e intereses del empoderado. Y de allí surge la batalla para influenciar nuestras mentes”, esbozó.

Habló Castells de las dos vías para ostentar ese poder, a través del monopolio de la violencia o a través de construcción de significados. “Si no te convenzo, te mato”, graficó. Una violencia e intimidación que puede construir tanto adhesión como resignación. Otra vez calcó la definición de hegemonía de Gramsci para quien el poder de las clases dominantes sobre las clases sometidas en el modo de producción capitalista no está dado solo por el control de los aparatos represivos del Estado sino fundado en la “hegemonía” cultural que las clases dominantes logran ejercer a través del control del sistema educativo, de las instituciones religiosas y de los medios de comunicación. Esos mecanismos consensuales de la dominación burguesa han entrado en una nueva etapa según Castells. No es que hayan desaparecido pero ahora se definen cada vez más en la sociedad red.

Suficiente contexto para que Castells se lanzara con todo su peso sobre el tema que lo trajo aquí. “El poder en la sociedad red es multidimensional y todas esas dimensiones dependen del sistema de comunicación”, arriesgó. Algo así como decir que los intentos de cambio social y político dependerán casi exclusivamente de la posibilidad de transformar ese sistema de comunicaciones. Se basa en la teoría de la inteligencia afectiva Castells para avisar de los riesgos que implicaría perder las batallas de la comunicación. Batallas que sólo pueden llevarse a cabo si conservamos esos terrenos comunales que son las redes de comunicación que Internet ha hecho posible . La tarea no es sencilla. Ya lo viene advirtiendo Richard Stallman con un activismo más extremo desde hace años. Quienes ostentan el poder en la sociedad red buscan cercar la comunicación mediante redes comercializadas y/o vigiladas con el fin de cerrar la mente pública programando la conexión entre comunicación y poder. Algo que ya hicieron en el mundo real, plusvalía mediante. Pero que ahora la suma de individuos con espíritu colaborativo puede torcer en el mundo virtual. ¿Puede?

El éxito en Internet, que todavía es un espacio libre pero no tan libre al decir deDerrick de Kerkhove, muchas veces está ligado a impulsar la autonomía ciudadana. Castells sitúa entre estos impulsores a compañías como Google o Facebook. Y no porque sean seguidores de Stallman, sino porque ése es su negocio. “Google vende libertad. Si no lo hace, mañana aparecen dos chicos que crean un nuevo Google y le quitan la audiencia”. Para Castells, en este sentido la competencia sigue siendo amplia y abierta. Menos democráticos y abiertos, son los operadores, que según el sociólogo (varios ejemplos le dan la razón) buscan acabar con esa neutralidad. “Quieren cerrar las tierras comunales, ese es el gran problema”, dice Castells. Todo un atentado contra la preservación de las libertades. (Bastaría citar el caso de Filadelfia, que reculó con su wifi gratuito ante el asedio de los operadores) Y luego Castells insistirá con algo que ya ha repetido mil veces: “Los gobiernos odian Internet”. Aunque más tarde sea menos categórico cuando sostengan que, en realidad, lo que todos los gobiernos se preguntan, es cómo controlarla. Y allí usan los latiguillos de siempre. Hay que proteger a los niños, bloquear tal o cual cosa. ¿Por qué no protegen a los niños de verdad? ¿Qué hacen contra el hambre, la miseria? “Los gobiernos tienen perdida la batalla, dice Castells. Pueden matar al mensajero, pero al mensaje no”

Y esa es una de las claves de lo que Castells llama autocomunicación. Un modo desintermediado de producir, acceder y compartir mensajes. Por oposición a los medios y basado en las redes sociales. No es que lo mediático haya desaparecido, todavía es a ése formato que debe adaptarse el lenguaje de la política. Para Castells los partidos políticos siguen siendo importantes, pero tienen que contar con un líder y necesariamente deben pasar por los medios. Medios que, por lo general cuando quieren destruir o generar desconfianza apelan a la política del escándalo. Una política que se basa en armas tales como la investigación opositiva, que se ha vuelto una industria, o en el latiguillo de que en la política todo el mundo está financiado ilegalmente. Según Castells esa política del escándalo está produciendo efectos variables. Y desde hace un tiempo, a las crisis de legitimidad o a la desconfianza generalizada, que suelen ser los efectos buscados, se opone lo que Castells llama fatiga del escándalo, un efecto colateral por el que todos aparecen como igualmente corruptos. “Como todos son iguales, yo me quedo con mi mentiroso, que es más simpático”. Frente a este desgaste de la relación entre comunicación y poder, una verdadera crisis de legitimidad, surgen estas formas que Castells llama Autocomunicación.

Un concepto para el que obviamente Internet y los dispositivos móviles serán claves y dónde las redes sociales son, hoy, el pilar de esa comunidad. “Twitter es fantástico para hacer la revolución, pero cuando hay que explicar el programa revolucionario nos vamos a Facebook”, dice Castells. ¿Puede alguien creer que la revolución vendrá a partir de estas herramientas tecnológicas, de las comunidades que se arman a través de ellas? ¿Siendo Twitter y Facebook empresas, qué clase de revolución permitirían? En realidad, lo que Castells sugiere es que las redes sociales, llámense como se llamen, están abiertas tanto a los activistas como a los ideólogos. Y que lentamente vamos a un proceso de desintermediación comunicativa. La sociedad sería entonces capaz de automediatizarse dando fin a los monopolios. O desbaratando cualquier tipo de intento por tergiversar la información. Castells rescató para ilustrarlo un ejemplo bien conocido, cuando el PP de Aznar buscó adjudicarle los atentados de Atocha en Madrid a ETA para ganar tiempo en las elecciones que finalmente perdió cuando se supo había sido Al Qaeda.

Confía en una autocomunicación de masas Castells. En una sociedad dispuesta a producir cambios. Y no cree para nada en las segmentaciones forzadas que hablan de mundos virtuales y reales. “No hay separación, todos vivimos en un híbrido. Todo lo que hacemos es virtual y a la vez físico“, dice el sociólogo. Y agrega: “El debate se hace cada vez más por Internet, pero el compromiso se manifiesta en la calle. Aunque también se puedan cortar calles en Internet”. De allí la importancia de defender ese espacio público híbrido, fundamental en todas las sociedades. Pero el salto, para Castells, está en ese paso de la esfera institucional a la comunicativa. “El poder se debate y se lucha en las redes sociales”, dice Castells. ¿Volverán las ideologías a estar en debate por sobre la política del escándalo? El mensaje de Castells suena posmoderno a veces, pero él mismo le cede la palabra a la inteligencia colectiva, colaborativa. En pro de la confianza mutua, la liberación de los internautas será obra de los internautas mismos… Ya lo dijo alguien, ¿no?

A ilustração acima é de Dave Plunkert.

Existe alguma coisa de improvável na escrita de uma tese. Esse nome que a pompa da academia resolveu dar em algum momento ao resultado de uma investigação, que é feita com certos pressupostos e dentro de algumas regras – como aliás, toda investigação é feita. A improbabilidade é mais real, palpável e cheirosa entre a metade e o término do tempo que lhe deram: uma costura de impossibilidades que o sujeito tem que chamar de ‘meu trabalho’ é um fio tênue com o qual se agarra o doutorando e, de fora, nada parece que vai se arrumar.

É claro que isso ão é geral. Assim como esse blog não se pretende geral, nem eu sou geral. No geral, ninguém é geral para ninguém. E o geral em geral é ‘em  geral’… Mas tergiverso.

O fato é que aquela arquitetura que ao final parece tão fechadinha, tão bem resolvida, como os sociólogos que parecem ter nascido sociólogos, esconde uma cadeia de gambiarras, de maquinações, de solvências, de mapas, arranjos, planos, rampas, estiligues, cordas de nylon, baldes, tintas, relógios, alçapões, pianos e violinos, bigodes e escaramuças, vontades e dormências, um jogo de dominó que não acaba durante quatro anos, botinas, macacões de trabalho, óculos de proteção, martelos, pregos, serrotes, machados, alicates, fios, pêndulos, roldanas, pontes, aritmética e álgebra e um pouco trigonometria.

Quando do meio pro fim você percebe que é possível tirar alguma melodia desse entulho de possibilidades, quando finalmente você vê ali no fundo uma possibilidade de que a peça se estique até o arco e dispare um solfejo colorido; quando você finalmente vê que poderá logo logo tomar uma cerva no sábado à tarde sem culpa, você enche o peito de novo e diz:

Ok, go.

Esse blog entra agora de férias por tempo determinado.

Então, se por um lado há uma incompatibilidade entre as ‘organizações permantes’ que o programa político do modelo gramsciano implica e exige, por outro lado esse mesmo programa político considera que o ato político advém do terreno econômico. No capitalismo tardio essa ‘vida econômica’ não tem mais como principais resultados os produtos do trabalho cristalizado e sim do conhecimento cristalizado. O que implica em uma diversidade muito grande de capacidades heterogêneas, “sem medida comum, como o julgamento, a intuição, o senso estético, o nível de formação e de informação, a faculdade de aprender e de se adaptar a situações imprevistas; capacidades elas mesmas operadas por atividades heterogêneas que vão do cálculo matemático à retórica e à arte de convencer o interlocutor; da pesquisa técnico-científica à invenção de normas estéticas”, (Gorz, 2005, p.29).

A dimensão econômica, no capitalismo tardio, funciona como o contexto que mobiliza a ação e áreas para além da institucionalidade, da própria concepção de política e que se dirige e se instaura no terreno das subjetividades, do simbólico. É essa dimensão do fazer vivo, que se transpõe ao fazer político que é aberto com essa reflexão de Gramsci.

Dessa forma aquela incompatibilidade também indica a atualidade virtuosa do raciocínio de Gramsci e indica a fertilidade das ações coletivas com mídias livres, em uma improvável (mas real) continuidade da intencionalidade gramsciana.

(A imagem é de André Kitagawa)

A luta por hegemonia a qual se pode associar as ações coletivas com mídias livres não se vincula ao processo e às ferramentas de dominação. De um ponto de vista gramsciano, portanto, esse fator pode suscitar o questionamento da sua validade, de sua viabilidade e de sua verdade. O inferno em que Sísifo labora não é uma possibilidade considerada no horizonte historicista com o qual a ótica gramsciana opera. Nesse sentido, a construção da contra-hegemonia mobilizada pelas ações coletivas com mídias livres é claramente o exercício de uma energia utópica – em função do que, aliás, vale à pena viver e trabalhar.

(A foto é de Romain Laurent)

A internet não será outra TV

Luiz Carlos Pinto | 19 de abril de 2010 13:59

Essa aí em cima é a ilustração feita por Miguel Brieva para indicar como é a internet sonhada pela sociedade civil organizada na Europa. Como diz a página do movimento, ela é feita bem simples para que qualquer ministro possa entender. Eu diria que é feita bem simples para que qualquer jornalista possa entender. O poster foi divulgado durante o encontro de Ministros da Cultura da Comunidade Européia (que acontece até amanhã) pelo (D’) Evolution Summit, um encontro realizado para interferir junto aos Ministros  que se encontraram em Barcelona em março.

Esses dias, enquanto os Ministros das Telecomunicações e Informação da União Européia se encontram, o panfleto ganhou novo destaque por causa da pauta do encontro, que não é lá muito pública.