O blog esteve fora do ar esses dias por falta de pagamento – viajei a Lençóis para acompanhar o Sub# 3 e acabei não pagando a anuidade. O que foi bom. Ninguém me ligou ou mandou email perguntando do que havia acontecido com esse site amarelo. Duas coisas podem ter acontecido: ou os seis ou sete leitores não acessaram o blog nos últimos 15 dias ou os mesmos seis ou sete cansaram de vir aqui, o que de certa maneira dá no mesmo. O Soy Loco por Ti é um blog que, além de não ter onde cair morto não será notado quando definitivamente passar dessa para uma melhor.
Com isso, me convenci de que posso usar esse espaço definitivamente como um instrumento de trabalho e de pesquisa. A começar por entender como ele funciona, como instalar plugins, alterar configurações em html, alterar o design, etc. Essa é uma vontade antiga que meio se transformou em uma obrigação de trabalho: percebi que para me aproximar mais de meu objeto de pesquisa preciso mudar minha relação com tecnologias – e com outras coisitas mais, mas isso fica para outro post, outro dia.
Nos próximos dias espero poder instalar meu perfil da Last Fm, e para isso tô tentando entender como se faz a instalação dos plugis necessários, seu ativamento e personalização. Depois a meta vai ser alterar um pouco o visual, mantendo semrpe esse amarelo feioso e uma classificação de links. Por falar em links, coloquei alguns mais aí do lado.
Mas esse post deveria ser sobre o encontro em Lençóis. A única certeza sobre o Submidialogia 3 é que ele divide opiniões. A avaliação geral de Wanderlyne Selva é positiva. O mesmo não se pode dizer a partir das entrevistas que eu captei por lá, com pessoas que, isoladamente têm uma visão basrante cética do estudos de subversão dos meios, das idéias de apropriação tecnológica, das metodologias de colaboração e das artes do fazer tecnológico. Há, em certa medida, uma ressaca moral relativo ao relacionamento de quase oito anos com o governo Lula e seus desdobramentos. Essa “ressaca” é uma expressão para se referir à incógnita sobre o que acontecerá daqui para frente com as energias utópicas mobilizadas
por meio do aparelho público, mas também se estende às dúvidas pessoais das pessoas que se envolveram com o governo federal.
Por outro lado, há o discurso de que “vamos recomeçar” o caminho da autonomia – necessária como elemento ontológico e legitimador dos movimentos de ativismo midiático e digital. Há, nessa perspectiva, a expectativa (desculpe o trocadilho, não resist) de que o potencial crítico, transformador, autônomo continuia, menos ingênuo, menos inocente. Qual a resposta? Para muitos dos que eu entrevistei, a stuação está em aberto. Para outros, a reificação tecnológica, o técno-narcicismo, a alienação e o comodismo foram moscas azuis na sopa e dos quais será difícil se livrar. Se essa perspectiva prevalecer, as discussões sobre legitimidade, autonomia, subversão, hackeamento estarão resolvidas da pior maneira.
Talvez a principal questão seja saber em que medida a sociedade civil colonizou o Estado, ou os aparelhos do Estado ao final e ao cabo desse período. A teoria habermasiana continua sendo um bom instrumento para se fazer essa pergunta. Não se trata de saber se o Estado e suas ações colonizaram os movimentos, grupos e pessoas, nem o conrário. A questão é mais embaixo: saber até que ponto houve uma interpenetração do estado na sociedade civil, pela delegação de tarefas, e esta (sociedade civil) em que medida se apropriou dos recursos mobilizados pelo Estado e postos em prática pelos ativistas.
Me parece agora que, embora os chamados ativistas de mídia sejam os principais elementos a acompanhar, a prestar atenção e com eles aprender, a importância de sua participação nessa problemática toda é demarcada, é limitada.
De qualquer forma, o envolvimento com o governo federal terá conseqüências para as próximas experiências de militânia com mídias. Pelo envolvimento com a burocracia, pela proximidade com o poder, pela descoberta que fomentou em muitos corações das dimensões da desigualdade, pela perda de poder, etc. Mais será postado por aqui sobre a experiência em Lençóis, mas sobre lençóis.
Chegou a hora de colocar a cabeça do lado de fora e opinar mais sobre o que anda rolando.
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