Soy Loco por Ti entra de férias por tempo determinado
Luiz Carlos Pinto | 4 de maio de 2010 19:27Existe alguma coisa de improvável na escrita de uma tese. Esse nome que a pompa da academia resolveu dar em algum momento ao resultado de uma investigação, que é feita com certos pressupostos e dentro de algumas regras – como aliás, toda investigação é feita. A improbabilidade é mais real, palpável e cheirosa entre a metade e o término do tempo que lhe deram: uma costura de impossibilidades que o sujeito tem que chamar de ‘meu trabalho’ é um fio tênue com o qual se agarra o doutorando e, de fora, nada parece que vai se arrumar.
É claro que isso ão é geral. Assim como esse blog não se pretende geral, nem eu sou geral. No geral, ninguém é geral para ninguém. E o geral em geral é ‘em geral’… Mas tergiverso.
O fato é que aquela arquitetura que ao final parece tão fechadinha, tão bem resolvida, como os sociólogos que parecem ter nascido sociólogos, esconde uma cadeia de gambiarras, de maquinações, de solvências, de mapas, arranjos, planos, rampas, estiligues, cordas de nylon, baldes, tintas, relógios, alçapões, pianos e violinos, bigodes e escaramuças, vontades e dormências, um jogo de dominó que não acaba durante quatro anos, botinas, macacões de trabalho, óculos de proteção, martelos, pregos, serrotes, machados, alicates, fios, pêndulos, roldanas, pontes, aritmética e álgebra e um pouco trigonometria.
Quando do meio pro fim você percebe que é possível tirar alguma melodia desse entulho de possibilidades, quando finalmente você vê ali no fundo uma possibilidade de que a peça se estique até o arco e dispare um solfejo colorido; quando você finalmente vê que poderá logo logo tomar uma cerva no sábado à tarde sem culpa, você enche o peito de novo e diz:
Ok, go.
Esse blog entra agora de férias por tempo determinado.
Categories: América do Sul, Coisas imateriais, Comunicação, Diálogos impertinentes, Domingo, Estética, Investigações paralelas, Lua, Metareciclagem, O inferno são os outros, Política, Políticos brasileiros, Sabedoria para a juventude, Sangue, suor e lágrimas, Sexo, Tecnologia & Sociedade, Viagens e afins, Woman with a mango, lua lua
No Comments »









O crescente interesse da mídia pelo caboclo de lança, figura que tornou-se em um dos principais cartões-postais do Estado, é uma das responsáveis pela enorme rivalidade entre os guerreiros de hoje. Esta é uma das conclusões do jornalista João Marcelo Silva, da pós-graduação em Antropologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), que, ao lado da também antropóloga Sumaia Vieira, coordenadora do programa Culturas Tradicionais do Instituto Nômades, estudou os maracatus da Zona da Mata Norte. “Desde que passaram a chamar mais atenção das câmeras, os caboclos têm investido em golas mais complexas”, diz o pesquisador, que escreveu um trabalho dedicado especificamente à etnografia desta peça repleta de “significações estéticas, mágico-religiosas, sociais, culturais e políticas.” 



