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Como me livro da internet livre?

Luiz Carlos Pinto | 17 de setembro de 2009 8:03

Clóvis Rossi
Da Bolha de São Paulo

SÃO PAULO – OK, Fernando Rodrigues, você venceu, pelo menos no primeiro tempo: o Senado liberou geral (ou quase) a internet para a campanha eleitoral, tal como você exigiu. Nada contra a liberação, mas agora quero que você me ensine como defender a minha liberdade da liberdade da internet.

Já há essa montanha de “spams” que nem o melhor anti-spam consegue deter completamente. Já há, para jornalistas, a pilha de “press-releases” que antes chegava no papel e agora entope a nossa caixa eletrônica de correspondência.

Não falta a praga dos blogs. Todo blogueiro parece achar que eu não consigo começar o dia (ou terminá-lo) sem ler o seu imperdível blog. É claro que, em época de campanha eleitoral, só pode aumentar a quantidade.

Acho que a legislação e até a Declaração Universal dos Direitos do Homem (e da Mulher) deveria incorporar o seguinte artigo: “Todo ser humano tem o direito inalienável a escolher ele próprio quais blogs quer ler. Quem impuser seu blog à caixa postal alheia cometerá crime de lesa-humanidade”.
Não faltam assessores de imprensa zelosos que mandam tudo o que seu chefe diz. Eu recebo diariamente todas as falas, por exemplo, do governador Aécio Neves. Fico aterrorizado só de pensar como será na hipótese de Aécio Neves ser candidato, qualquer que seja o cargo a que concorra.

Recebo também diariamente uma correspondência com o título “Imagens do Piratini”. Imagino que seja do Palácio Piratini, sede do governo gaúcho. Olha, eu adoro o Rio Grande, sei até estrofes dos hinos do Grêmio e do Internacional, mas me reservo o direito de eu mesmo procurar que “imagens do Piratini” me interessam.

Na campanha eleitoral, tudo isso será multiplicado por mil ou mais.
Desse jeito, não vai sobrar tempo para trabalhar. Será esse o preço da liberdade?

One Response to “Como me livro da internet livre?”

Luiz Carlos Pinto wrote a comment on 17 de setembro de 2009

Lamento informar Clóvis, a internet livre ainda não é uma realidade. Pode ser que não aconteça mais… Está havendo uma grande disputa, com status de guerra mesmo, em torno das desafiantes (sem tecnofobia) possibilidades emancipatórias (sem tecnofilia) para a internet. E, de certa forma, para todo o ambiente digital.

Mas isso parece que você não soube. O que não é surpresa. A Bolha de São Paulo, assim como considerável parte das empresas de comunicação no Brasil e muitos jornalistas (talvez a maioria) de sua geração estão no centro dessa guerra, mas parecem não ter percebido os termos do debate.

Como se não bastasse, perdem oportunidades generosas para uma re-invenção de seu fazer profissional e perdem a oportunidade de interferir de formas mais virtuosamente produtivas. O pior é o veio antidemocrático e corporativista que permeia seu discurso.

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