Da arte de perder tudo
Luiz Carlos Pinto | 9 de junho de 2009 7:58<<O satã de Milton é moralmente superior ao seu Deus, assim como quem persevera a despeito da adversidade e da sorte é superior àquele que, na fria segurança de um trinunfo certo, exerce a mais horrível vingança sobre os inimigos>> Herman Melville
Finalizado o primeiro capítulo, pronto para enviá-lo à orientadora, junto com o esboço do seguinte, eis o computador sofre um acidente. Por umas questões paralelas, um dano físico comprometeu todo o trabalho acumulado em três anos e meio. Quase seis horas para fazer recuperar o hd avariado não surtiram efeito. Tive que levar o velho guerreiro numa ssistância técnica. Laudo definitivo na quarta.
Como eu tenho tentado fazer de um tempo pra cá, e não somente em relação ao doutorado, tô tentando aprender com isso. Primeiro, acho que fui negligente com meu espaço de trabalho. Acho que não o bloqueei como deveria das questões paralelas, dos acidentes e incidentes que rondam qualquer pessoa. Considerando que o ambiente não é somente físico, mas que inclui o meu próprio corpo e minha própria mente, acho que faz sentido pensar que a proteção que eu não vinha fazendo da forma mais apropriada incluia esses espaços também.
Vivo recomendando os amigos maios chegados e até Eduarda, minha orientadora, a usar Linux, fazer backup, guardar senhas de acesso em lugares seguros, etc, etc. Maior espeto de pau aqui. Meu backup era velho, coisa de oito meses. Num cenário pessimista, em que se confirme que o HD foi todo perdido, vai me ajudar, mas um backup bem feito e adequado à situação de quem faz um doutorado é que me impediria de comprometer meu trabalho.
Havia outro computador, um desktop, acho que Pentium, aqui enconstado. Se era para manter encostado, deveria tê-lo doado e há miuta gente precisando de um por aí. Meus planos era reabilitá-lo com uma distribuição linux enxuta, e usá-lo como laboratório para aprender a mexer com programas livres. Sufocado por leituras e outros trabalhos, nem comecei esse projeto. Se o tivesse feito, provavelmente seria uma boa forma de fazer um backup automático, talvez colocando esse velho computador e o laptop agora avariado em rede.
Ontem, ao tentar colocá-lo para funcionar, a fonte queimou. De forma que agora, há alguns meses para terminar o doutorado, me encontro sem máquina para trabalhar. Não quero ficar indefinidamente me queixando ou sentindo pena de mim. Isso durou uma noite só. Mais vale seguir em frente como o satã de Milton.
Quarta, vejo o estado do laptop. Hoje, final de tarde ligo pra outra assistência onde coloquei o desktop pra conserto – esse tempo todo estudando metarreciclagem e mídias livres e nem essas tretas consego ainda resolver, tsc, tsc.
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2 Responses to “Da arte de perder tudo”
The art of losing isn’t hard to master;
so many things seem filled with the intent
to be lost that their loss is no disaster.
Lose something every day. Accept the fluster
of lost door keys, the hour badly spent.
The art of losing isn’t hard to master.
Meu caro,
Há tempos não comento por aqui, mas preciso deixar a mensagem de solidariedade, ajudado por essa poeta excepcional que é Elizabeth Bishop e seu “One Art”. Lamento muito pelo acidente e pela perda dos capítulos. Torço para, que de algum modo, esses problemas resultem em renovação. Quem sabe você não consegue uma nova abordagem para seu trabalho, que supere em muito a que foi devastada pelo computador?
Abraços
Santoro, grande Santoro.
Sua solidariedade é mais que bem vinda. Um grande abraço pra você e obrigado.
Luiz
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