Domingo

Luiz Carlos Pinto | 24 de maio de 2009 17:23

Cenas de um funeral
As árvores caem com certa frequência na cidade do Recife. Também é comum se conhecer gente num funeral – amigos do morto, parente da família, colega de trabalho. Nesse sábado tombou sobre a rua e o muro um dos jambeiros da frente aqui de casa. Um dos dois que faziam com que todos os moradores do prédio em que moro ostentassem um pedaço de orgulho em morar onde moram. Caiu pelo peso da água que lhe caiu sobre os ombros nos últimos três dias, não lhe suportaram as raízes. Um vaso com plantas que estava à beira do tronco ficou intocado pela queda. Como dizia, às vezes é  preciso morrer alguém para que pessoas próximas se cheguem. E foi o que aconteceu no sábado enquanto molhados de uma fina garoa pensávamos de como o acaso foi que impediu que o acidente se desse na cabeça ou no carro de alguém – ao meio dia normalmente a rua vê seu maior movimento. Moramos nesse lugar há quase quatro anos e ainda não havia falado mais de 1 minuto com nenhum vizinho – o ponto marcado no mapa é exatamente o jambeiro que caiu.

Thanks a lot

Hoje é o aniversário de Bob Dylan. Não vou me arriscar a escever mais alguma coisa sobre o homem. Qual o sentido escrever um happy birthday mister Dylan, and thanks a lot? Dylan não vai ler isso e mesmo que soubesse ler em português não se interessaria em chegar aqui, nem isso o acrescentaria em nada. Escreve-se para deleite próprio, para lembrar, porque os que gostam dele (e não vive de vagão de trem em vagão de trem, nomadicamente, mas no coração triste do sedentarismo) se reconhecem num mundo que é cantado pelo thin man.

happy birthday mister Dylan, and thanks a lot.

Capítulo 1
Até dia 9 estará pronta a versão primeira do primeiro capítulo.

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