Empresários decidem não participar de Conferência Nacional de Comunicação (atualizado)
Luiz Carlos Pinto | 14 de agosto de 2009 7:29Apenas a Telebrasil (Associação Brasileira de Telecomunicações) e a Abra (Associação Brasileira de Radiodifusão) deverão permanecer na Conferência Nacional de Comunicação. A continuação dessas duas entidades, que representam as teles e a Band e a Rede TV!, ainda depende de reunião, que acontecerá na próxima segunda-feira, junto com as entidades sociais.
“Ainda tem a questão do voto qualificado, se é 60% ou 60% mais um, mas não é nada incontornável e provavelmente continuaremos”, disse José Pauletti, presidente da Abrafix. As outras entidades representantes dos empresários na Confecom – Abert (de radiodifusores, capitaneados pela Globo), Abranet (dos provedores), ABTA (das TVs por assinatura), Aner, Adjori e ANJ (da mídia impressa) decidiram sair.
O anúncio foi feito hoje, em reunião com os ministros responsáveis pela coordenação da conferência, Hélio Costa (Comunicações), Franklin Martins (Secretaria de Comunicação Social) e Luiz Dulci (Secretaria-Geral da Presidência). O ministro Hélio Costa minimizou a posição dos empresários, afirmando que eles só não participarão da comissão organizadora.
“Foi uma coisa muito civilizada não é um abandono da Confecom pelo contrário, eles estão abrindo um espaço na comissão preparatória para que ela possa chegar a uma proposta final consensual”, frisou. “Existe apenas o afastamento do setor de radiodifusão liderado pela Abert, onde há realmente uma dificuldade de trabalhar”, disse. Os representantes da Abert e da Abranet não quiseram comentar o assunto, mas prometeram divulgar uma nota com a posição deles ainda hoje à tarde.
O presidente da ABTA, Alexandre Annenberg, confirmou a saída da entidade da comissão organizadora da Confecom. Na segunda-feira, os representantes das entidades sociais também deverão apresentar o posicionamento delas em relação à proposta apresentada pelo governo. A demora na aprovação do regimento interno tem prejudicado a realização das etapas preparatórias da conferência, que acontecerá na primeira semana de dezembro, em Brasília.
Via Telesintese
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2 Responses to “Empresários decidem não participar de Conferência Nacional de Comunicação (atualizado)”
A nota é criminosa.
Por meio dela os empresários querem fazer crer que sua forma de proceder (em defesa dos “preceitos constitucionais da livre iniciativa, da liberdade de expressão, do direito à informação e da legalidade”), é entendida como um impeditivo “pelos outros interlocutores da Comissão” como “obstáculo a confecção do regimento interno e do documento-base de convocação das conferências estaduais”.
O que isso significa?
Que os empresários se apropriam de um ideal “nobre”, acima de qualquer suspeita, ético: preceitos constitucionais da livre iniciativa, da liberdade de expressão, do direito à informação e da legalidade seria um atributo exclusivo do empresariado.
É uma apropriação, como outras, de intenções comuns Assim, muito sutilmente, a nota desqualifica “os que ficam”, pois estes estariam desprovidos dos “preceitos constitucionais da livre iniciativa, da liberdade de expressão, do direito à informação e da legalidade”. Assim, a nota também é criminosa porque atribui irrelevância à própria Conferência.
Quando você está acuado, ou desinteressado num debate político, você o desqualifica ou então você o esmaga. Essa última estratégia foi usada sempre no Brasil nos sucessivos golpes, por meio de revoluções passivas ou pelo alto. Em ambos os casos o resultado é o silenciamento da fala, é a supressão do debate político, é o aniquilamento do dissenso e da declaração pública do desentendimento, de diferentes pontos de vista. Enfim, da política.
As elites brasileiras usam desse mesmo artifício, de supressão da fala e aniquilamento relativo da política desde sempre. É necessário ter em vista isso e denunciar essa nota como aquilo que ela reproduz: a anulação da política, do debate político.
Outra coisa: a quem a nota se dirige? Formalmente, é uma Nota à Imprensa. Essa Imprensa são as empresas de comunicação, representadas pelas entidades que assinam a própria nota. Isso evidencia que a Nota não é dirigida à Imprensa, nem mesmo aos “outros interlocutores da Comissão”.
A nota também não se dirige à sociedade brasileira em geral, nem à sociedade civil em particular.
A nota se dirige na verdade ao governo Federal e é uma tomada de posição política que se faz acompanhar por um recado político à gestão Lula.
A questão então é: o que a nota diz a Lula?
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