
Tô chegando agora da universidade, onde fui exclusivamente entregar uma carta ao Programa solicitando ajuda de custos para ir acompanhar as discussões e entrevistar algumas pessoas durante o Submidialogia 3. Essas situações no PPGS são não somente desconcertantes. Elas às vezes me deixam chocado com a gratuidade da animosidade,
da falta de educação (educação, que delicadeza deixou de ser um item
necessário faz tempo ao que parece). A falta de educação é do professor que sugere que você use sua taxa de bancada para bancar os custos – numa bolsa do CNPq, que vale R$ 1.800, esse professor sugere que você tire R$ 300 de seu orçamento, que serve entre outras coisa para fazer a feira – de transporte (R$ 203 a passagem pela Viação São Geraldo), comida (que é bom e faz bem) e dormida (que faz bem também).
Pede-se então que se coloque na solicitação os motivos da viagem. E, ao lado da necessidade de entrevistar certas pessoas que lá estarão dá vontade de colocar além de minha ficha corrida na polícia (por enquanto limpa), um atestado de que eu deixei meu trabalho pra encarar um doutorado e fazê-lo bem feito; talvez minha certidão de nascimento, pra mostrar que o evento acontece durante meu aniversário, e que por isso vou estar mais de uma semana longe dos meus. E talvez o argumento de que a escolha do local do Submidialogia 3 segue a mesma lógica pela qual a Anpocs escolhe Caxambu pra fazer sua reunião anual. É um local agradável.
É claro que eu deixei o trabalho sabendo do que me esperava, de passar a ter rendimentos a baixo da metade do que eu tinha antes. Mas oPPGS funciona de tal forma que isso não interessa. O que interessa é você se colocar de forma subserviente o suficiente para ser aceito. Mas isso não é tudo. É necessário não contra-argumentar, porque o autoritarismo patriarcal não é só um objeto de estudo sociológico. É a amalgama entre os tijolos.
Final de ano sempre foi uma data boa pra mim. As melhores notícias que eu tive vieram nessa fase do ano, sempre. Tô esperando esse fim de ano chegar logo.
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2 Responses to “Esperando o ano novo chegar”
Infelizmente, no Brasil a academia anda muito pressionada pelos organismos de financiamento por resultados quantitativos como número de publicações etc etc. Assim esquecem da importância de ter canais abertos com os movimentos sociais e as iniciativas inovadoras como os movimentos da Internet, uma pena.
Mas não desiste não.
Valeu Cláudio.
Tô firme.
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