O debate da Band e o desentendimento como semente da Política
Luiz Carlos Pinto | 6 de agosto de 2010 10:32Ao contrário de alguns comentários e avaliações que tenho visto por aí, o primeiro debate com os quatro presidenciáveis não foi exatamente um debate de idéias e de projetos. Bem longe disso. De certa maneira isso já vinha sendo esperado, dada a forma engessada e cheia de limitações que as assessorias dos candidatos aprovaram. Mas a falta desse encontro de idéias não é resultado apenas da vontade de Dilma, Serra, Marina e Plínio.
É também uma condição da limitação das empresas de comunicação e de seus profissionais mais respeitados. Isso tudo dá uma medida triste da indigência de nossa política institucional. O debate de idéias, de projetos de longo prazo para o governo de um país é um debate que necessariamente passa pela disputa ideológica.
E esse embate – a política nasce do embate, do desentendimento, das escolhas que não se coadunam, que não se alinham – parece ter perdido nas mídias convencionais um local privilegiado para acontecer. Não é exatamente que as redes de broadcasting não sejam um espaço adequado para isso. Pelo contrário. É que essa inadequação é um artifício externo: convencionou-se que o debate de idéias, ideológico, não vende, não atrai e no meu entender isso se cristalizou numa forma reduzida de análise e de questionamento.
Isso é muito adequado às necessidade de uma campanha em que se tecem os comprimissos com os grupos que apóiam financeiramente as candidaturas. O encontro de idéias ou a falta de encontro de idéias, do dissenso, acontecem ou deixam de acontecer como uma condição ela própria, ideológica.
Ou seja, a falta deum debate de projeto para o Brasil, nesse primeiro ‘debate’ e nos próximo, é uma escolha ideológica.
É sugestivo que Plínio de Arruda Sampaio, que chegou mais próximo da idéia de um debate de idéias ao denunciar o encontro promovido pela Band, seja referenciado como o ‘velho’, ‘velhote’ e a ele seja imputada uma postura antiga, atrasada, com proposições não factíveis, inviáveis. A defeda do Bate-boca que Renata Lo Prete fez na Bolha de São Paulo (dia 5/ago) é interessante mas toca apenas de leve no que substitui o interesse por um debate programático: é a técnica. Tanto a postura perfeita diante das cãmeras quanto o uso de percentuais, números, gráficos. É essa tecnicalidade (termo mais preciso do que técnica) que tende a operar na fala dos candidatos.
A indigência da política na mídia comercial tende, por sua vez, a associar essa precisão – em muitos casos apenas sonhada – ao debate programático. E seguimos a barca…
Categories: Política
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