Do capítulo 5, em 5.2
O ano de 2003, que marcou a chegada do músico Gilberto Gil ao cargo de ministro da Cultura do governo de Luís Inácio Lula da Silva, é marcado também pelo início do relacionamento direto entre as ações coletivas com mídias livres e o poder político institucionalizado em nível federal. Essa aproximação está dispersamente relatada em alguns dos ambientes na internet e começa a ser objeto de pesquisas de mestrado e doutorado em diversos centros do país1. O que se pretende nesse tópico é indicar alguns dos principais eventos desse processo. Os relatos escritos e as entrevistas feitas nessa pesquisa convergem no sentido de indicar que o Festival Mídia Tática Brasil, realizado em março de 2003, na Casa das Rosas, na cidade de São Paulo, foi o evento que demarcou a aproximação do Ministério da Cultura com os grupos, coletivos e indivíduos envolvidos com ações de Mídia Tática, desenvolvimento e uso de softwares livres em produções áudio-visuais, bem como representantes dos movimentos de rádios e tvs livres2. No geral, grupos que já praticavam apropriação crítica e transformadora de tecnologias, com as influências da filosofia deleuziana3. Há pouco mais de dois meses no cargo, o então ministro Gilberto Gil compareceu a um dos dias do evento – preferiu talvez o acaso, que o encontro de Cláudio Prado, outro importante personagem dessa história, com Gil, encontro esse adiado várias vezes desde a posse do ministro em dois de janeiro daquele ano, se desse justamente na Casa das Rosas, durante o Festival.
Categories: Comunicação, Política
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