E assim se formalizou no dia 30 de julho a entrega, aprovação e recomendações do trabalho chamado tese “Ações coletivas com mídias livres: uma interepreção gramsciana de seu programa político”, defendida no Programa de Pós-Graduação em Sociologia da UFPE.
O que é necessário dizer é que foi um debate de alto nível. Não somente educado e respeitoso com o meu esforço, mas sobretudo interessado em que o resultado desse trabalho ficasse melhor. E acho que foi isso que aconteceu. A tese saiu melho do que entrou naquela sala do 12 andar do PPGS. No geral as críticas se concentraram no seguintes aspectos.
O primeiro, mencionado por todos os arguidores, é sobre os capítulos 1 e 2, considerados densos demais, criptografados, cifrados, de difícil entendimento. Para Silke Weber, ininteligíveis. Para Sérgio Amadeu, desnecessários. Acho essas duas considerações exageradas. Nem os capítulos são ininteligíveis nem desnecessários. Ambos precisam de uma retrabalhada para se tornarem mais palatáveis. Mas nem por isso é possível descartar o debate que eles trazem: o tamanho do problema de fundo sobre o qual acontecem as ações coletivas com mídias livres e que está relacionado à economia política dos bens imateriais no capitalismo tardio.
Outro problema visto pelos arguidores (em especial Jonatas Ferreira) é com relação à minha interpretação do caráter romântico de uma linha das ações coletivas com mídias livres – entendida por mim como mais impotente. O aspecto romântico estaria ligado a sua busca pela fuga, pela negação pura e simples de instâncias mais institucionalizadas da produção de saberes e da gestão do poder. A crítica de Jonatas fi no sentido da necessidade de um uso mais formal e preciso da idéia de romântico.
Outro aspecto muito criticado foi a tentativa de compatibilização do instrumental de análise gramsciano com a filosofia desenvolvida por Deleuze e Guattari (e sua geografia trágica). Nem vou comentar muito isso, pois sabia que esse seria um dos pontos a serem discutidos. A essência desse debate está na ausência da centralidade da classe como principal artífice da agência. Uma das possíveis saídas para esse problema é um investimento na teoria de Laclau. A ver isso mais pra frente. Também fui criticado ao Princípio de Dispersão, principalmente quanto à construção que levou a ele. Essa elaboração não foi explicitada e concordo com isso.
Um outro aspecto criticado (especialmente por Sérgio Amadeu) foi minha interpretação da visão da técnica de Lawrence Lessig. Ainda continuo a pensar que sua forma de ver a técnica e a tecnologia ainda está vinculada àquela ambivalência entre a visão tecnofóbica e a visão tecnofílica e, por isso mesmo, que não se desprende da relação homem-objeto que marca a tradição da filosofia da técnica no mundo ocidental. O que me chamou mais atenção foi terem me chamado de heidgeriano. Mas ainda vou ver com mais atenção isso.
Paulo Cunha criticou a efetividade das ações coletivas com mídias livres e salientou (no que concordo inteiramente) que é preciso estar atento aos limites do “novo” dessas formas de se fazer política. Nesse sentido indicou acertadamente que muitas das experiências das ações coletivas com mídias livres são debitárias das experiências comunitárias das décadas de 1960 e de 1970, no que concordo. Achou que não expus essa genealogia no trabalho.
Volto a dizer (e a celebrar) que a discussão foi de alto nível e isso é um privilégio porque quem estava me argüindo é do mais alto nível também. Alguns deles (Samadeu e Silke) estão de férias, mas mesmo assim fizeram uma leitura atenta de tudo. Silke inclusive substituiu Paulo Marcondes que adoeceu de ultima hora e o fez com o brilho, a gentileza e competência de sempre. Sem falar de Maria Eduarda, minha querida orientadora, que também estava de recesso.
Agora é bola pra frente que atrás vem gente. E lá na frente virão concursos e outras oportunidades.
A tese ta disponível aqui. Faça o download à vontade. Mas cite de onde tirou a informação, ok? Ela me custou caro. É claro que essa ainda é versão sem as modificações solicitadas. Então tenha paciência com os dois capítulos iniciais. E, se puder e tiver interesse, me mande sugestões, críticas, elogios, reclamações na caixa de comentários ou no email lula.pinto@gmail.com.
Aqui estão disponíveis as cópias de minhas leituras (ao menos o que tenho computador). Faça o download à vontade. Mas deixe a casa em pé.
Categories: Tecnologia & Sociedade
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One Response to “Tese entregue, veja como foi:”
Lula, meu velho,
parabéns. Pela tese (que não li, mas acompanhei sua luta) e pela sinceridade em expor as críticas que ela recebeu. Arretado.
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