
Edward Hopper
Pois é, semana passada viajei a Salvador para acompanhar Fabiana, que estava cobrindo o Festival de teatro da cidade (o primeiro) e também para fazer entrevistas para a pesquisa em andamento. O festival foi ótimo e melhor ainda as entrevistas que eu consegui fazer. Só consegui fazer três, o que é muito pouco para se tirar das pessoas que atuam em Salvador – conversei com Tinhinha Llanos, Taiz Brito (duas entrevistas com a presença luxuosa de Ricardo Ruiz) e Karla Brunet.
Preciso em algum momento começar a me organizar para deixar todo esse material disponível online, o que vai ser por si só uma senhoa empreitada, pois a maior parte dos áudios está em micro fitas. Foram muito poucas entrevistas para o quanto no total me custou a viagem. Daí a necessidade de voltar a Salvador ainda não sei quando.
Na véspera da viagem recebi de minha orientadora a informação de que consegui aprovação na banca de qualificação, o que foi uma enorme surpresa pra mim. Surpresa positiva, claro. Eu já estava me sentindo no lucro porque o trabalho de fazer dialogar as leituras feitas até agora, refletir e usaá-las já tinha me revelado muitas coisas, entre elas muitos lapsos que precisam ser resolvidos. Com essa aprovação, fico feliz em poder me concentrar no resto de entrevistas que falta e na escrita da tese.
Sobre Salvador, muito a escrever. Infelizmente não deu para postar durante a viagem. Necessariamente, minha leitura é viciada: fiquei na parte nobre da cidade, arregando o hotel que a organização do festival separou para os jornalistas, num hotel confortável, que tinha um pier sobre a baia de todos os santos. Avenida Sete de Setembro, Corredor da Vitória, uma das áreas mais valorizadas da cidade. Visitei o peilorinho, a barra, rio vermelho, enfim, o circuito turistão clássico pelo qual a gente vê sem dificuldade o desequilíbrio fundamental presente no país inteirinho. As distâncias entre as áreas nobres e os “alagados” parecem menores, mas acho que em geral acontece o mesmo que no Recife. A diferença é que em Salvador, cidade de morros e ladeiras, a cidade se deixa ver em sua feiúra e em sua formosura de forma mais plasmada, o feio e o bonito, riqueza e pobreza, miseŕia e ostentação convivem de maneira mais visível. Mas posso estar errado. Uma das razões para voltar lá é justamente sair do roteiro turistão e ir à cidade que me interessa mais. Mas isso virá.
Outra coisa que me chamou a atenção foi o sol, o calor, a brisa. Tudo isso tem aqui e foi necessário ir a Salvador perceber como tenho andado pouco no sol, sentido brisa, cheiro do mar e de rua, etc, etc, etc.
Bueno, apesar da boa notícia da qualificação, outubro acaba sem que eu consiga finalizar as leituras que eu havia separado para concluir nesse mês. A mesma velha sensação de débito comigo mesmo é um saco. Talvez um pouco de cansaço ande minando meu entusiasmo. Mas isso também passa.
Por falar nisso, e esse ano, que acaba em 61 dias? Já estamos em outubro!!! Engraçado que à medida que o tempo passa isso deixa de ser uma notícia boa por si mesmo. Antes, quando o tempo passava rápido, havia um ganho, ou a sensação de um ganho: férias de junho e as festividades correspondentes, dia das crianças, aniversário, festas de fim de ano, verão, férias de novo… Hoje a passagem mais rápida do tempo não traz unicamente vantagens (terá trazido um dia?)
Essa certamente é a constatação da velhice se insinuando. Faze o que?
Afora isso, deixei de acompanhar a nova velha crise do capitalismo financeiro, global, intermundial, cataclísmica etc, etc, etc. Sem saco pra essa joça toda também. Sem saco pra um monte de coisas e isso significa não bater de frente com nada, o que tem lá suas desvantagenns, mas que me economiza. Se paciência com os alunos, ou pelo menos com uma boa parte dele – a preguiça é coisa boa no meu entender, pode vir a ser uma forma de contestação, ou de vazão de insatisfação com uma dinâmia de vida que se coloca como necessariamente obsoletizante, domográfica, sufocante, velocidade, antes que tardia. Mas a preguiça a que me refiro é anestesiante, anestesiada, brochante, despotencializadora… Proteja-me Deus dessa preguiça macabra.
Fim de semana chegando. Tomara faça sol, mesmo chovendo.
Categories: Investigações paralelas
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One Response to “Thank´s God. It´s friday”
Logo logo as fotinhas da viagem a Salvador.
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