Hoje é ou foi um dia em que esse título aí em cima veio muito a calhar. Difícil saber o que acontecerá nos próximos dias. E é engraçado observar como existe um zumbido contínuo em tudo que eu leio e vejo no qual se cristaliza um discurso que procura convencer que todos estão implicados, quase como se todas as sociedades de todos os países tivessesua pontinha responsabilidade pela volatização de uma liqüidez que em grande parte era desproporcional. Incrível observar como esse discurso se consolida. A concessionária na esquina lá de casa mudou hoje pela manhã o anúncio que usa para vender o novo corsa: compre antes que os juros aumentem.
Fico tentando imaginar os acontecimentos que deverão se torna velhos conhecidos mas que nos próximos dias devem nos surpreender – a chegada no fim do poço e uma eventual quebra da bolsa americana não estão fora de possibilidade. Lembra de quando Bush Jr. retomou a guerra contra o Iraque. Era algo insuspeito no dia seguinte à queda das torres gêmeas. Mas aconteceu. Hoje é um velho fato nosso conhecido, aliás, já colocado de cabeça pra baixo.
Os sentidos da História são como a coruja de Minerva, é claro, eu sei. Assim como sei que é em maior ou menor grau que todos somos alcançados pela crise. A questão está, talve, no fato de que esse discurso pervasivo, determinista e totalizador faz ele próprio parte de uma crise que não éapenas financeira – dado que a crise vem sendo discursivamente reduzida às duas dimensões técnicas (financeira e normativa).
Mas a crise (e de fato há uma crise) não se restringe à tecnicidade dos mercadosde compra e venda de bens imateriais; nem à regulação de mercados de mercados. Ela vai além e é essa pervasividade escondida e a ironia desse esconderijo obsceno queme incomoda, me assusta e me encanta também.
Categories: Sangue, suor e lágrimas
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