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Na manhã de ontem, dia 5 de agosto, Marina Silva (@silva_marina) lançou no twitter a seguinte pergunta: “Software livre: quais são as vantagens e desvantagens no uso governamental? Quais são os principais casos?” Estava no Rio de Janeiro em um seminário da Universidade Nômade. Por isso, só li a pergunta a noite. Então, resolvi escrever uma breve contribuiçã sobre este tema.

Primeiro, o software livre é um modelo de desenvolvimento e uso de programas de computador completamente baseado na transparência de seus códigos. O software possui um código executável e um código-fonte que. Este último contém cada linha de programação definindo tudo que o software deve fazer. No modelo proprietário, a empresa quedesenvolveu o software só entrega para o governo o código executável, não permitindo o acesso ao código-fonte. Desse modo, no modelo proprietário o governo fica aprisionado a um fornecedor.

Segundo, por ter o código-fonte aberto, no modelo de software livre, o governo pode ter maior interoperabilidade e compatibilidade com outras soluções que venham a ser criadas. Segundo, o governo reforça a autonomia nacional, uma vez que a inteligência do software contida no código-fonte pode ser conhecida pelos nossos desenvolvedores. Terceiro, no modelo livre o governo não paga licenças de uso, o que diminui fortemente os gastos desnecessários do setor público e as transferências de royalties ao exterior.

Quarto, um software proprietário é, por definição inseguro. O governo por não ter acesso ao código-fonte, nem ao direito de manipulá-lo e alterá-lo, não tem auditabilidade plena sobre aquilo que pagou para usar. O código fechado não permite que os técnicos do governo saibam se o software possui falhas, portas de entrada indesejadas e erros de programação. O software livre, por ter o código-fonte aberto pode ser analisado minuciosamente e rapidamente corrigido.

Quinto, desenvolver um software é difícil. Mais difícil ainda é mantê-lo atualizado. No modelo de software livre, a manutenção do software é baseado na colaboração e na formação de comunidades de programadores que têm interesse em sua melhoria. O modelo de software livre é muito mais ágil e econômico para manter os programas em dia.

A desvantagem do software livre está no custo de curto prazo da migração, principalmente quando os sistemas foram construídos para rodar em um único sistema. No médio prazo, a migração costuma ser vantajosa, pois a redução dos gastos com licenças, com a instabilidade do sistema operacional proprietário e com a perda de arquivos destruídos por vírus passa a compensar em diversos casos. A longo prazo é muito difícil que a migração seja desvantajosa. Isto só ocorre nos estudos viciados pagos pelo lobby da micro$oft.

No caso de informatização de escolas e instituições novas, as vantagens do software livre são insuperáveis. O lobby do ex-monopólio de sistema operacional proprietário sabe disto e por isso, quando descobre que um administrador decidiu implantar um projeto em software livre, costuma oferecer licenças gratuitas para mantê-lo aprisionado. Outra tática é agir como no caso dos telecentros de SP. O lobby disse que telecentros não funcionariam com software livre. Funcionou. Disse que custaria mais caro. Custou bem menos. Disse que a manutenção não era vantajosa. Foi completamente eficiente. Disse que as pessoas não saberiam usar. Usaram e gostaram. Muito tempo depois (5 anos após uso intensivo de software livre) inventaram que os programas de leitura para deficientes visuais não rodavam em GNU/Linux. Não era verdade. Mostramos o Orca Linux que foi desenvolvido por programadores da nossa comunidade que não enxergam e que conhecem muito bem as necessidades das pessoas que necessitam daquelas aplicações.

Os casos de uso bem sucedido de software livre nas administrações públicas vão da Casa Branca à Nasa, passando pelo Banco do Brasil e por diversas aplicações para a inclusão digital. Só no source forge, repositório de códigos-fonte aberto, temos mais de 240 mil projetos de software livre. No Brasil, temos o Portal do Software Público. Vale a pena dar uma olhada: http://www.softwarepublico.gov.br/

Esta é a minha contribuição inicial.

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